«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Ago 12
publicado por FireHead, às 23:12link do post | Comentar

Fonte: Vatican Insider / Tradução: Porta Fidei

 

O Cardeal Paul Shan Kuo-his, o mais velho dos três chineses membros do Colégio de Cardeais, morreu num hospital de Taipei, Taiwan, no último dia 22 de Agosto, após seis anos de luta contra um cancro.

 

A notícia da morte do cardeal levou milhares de católicos chineses a rezarem pelo prelado nas Missas em Taiwan, China, Hong Kong, Macau e muitos outros lugares, enquanto o Presidente de Taiwan, Ma Ying Jiu e outras autoridades civis e religiosas prestavam seus últimos tributos àquele grande e venerável homem.

 

Assim como o Bem-Aventurado João Paulo II, ele foi um exemplo de como devemos viver e como devemos nos preparar para nos encontrarmos com o Senhor, disse uma irmã religiosa que trabalhou de perto com o cardeal. Ela mencionou que quando as pessoas perguntavam se tinha medo de morrer, ele sempre respondia: Não! Morrer é cair nos braços amorosos de Deus.


O Cardeal Shan lutava contra um cancro do pulmão desde 2006. Em Agosto desse ano foi informado de que o seu cancro se havia espalhado pelo cérebro, por isso teve que se mudar de Kaohsiung para Taipei para fazer um tratamento mais rigoroso, incluindo cirurgia a laser. Era o último estágio da sua longa batalha pela vida, uma jornada conduzida por uma fé e confiança profundas em Deus, o que o tornou famoso e venerado por todo Taiwan, China e países que falam a língua chinesa.

 

Ele considerava o cancro uma “bênção” que abria muitas portas e o capacitava a explicar a fé católica em Taiwan, onde 97% da população não é cristã. Muitas pessoas estão surpresas por eu não estar com medo da morte, e encarando-a de uma forma tão calma. Então, eles querem-me ouvir, dizia.

 

Convites para pregações não paravam de chegar, e ele dava prioridade a três categorias: intelectuais como universitários e doutores, condenados a prisão e grupos religiosos – incluindo budistas, taoístas e protestantes. Eu tenho explicado a nossa fé católica para não cristãos muito mais nestes anos do que nos 60 anos em que fui jesuíta, afirmava o prelado.

 

Quando em 5 de Fevereiro de 2007, por exemplo, 100 especialistas em cancro do pulmão perguntaram a ele quais meios além da medicina você usa?, ele respondeu: um que vocês nunca prestaram atenção: minha fé. Ele disse-lhes: A minha fé cristã é muito simples. Apenas uma palavra, amor, porque Deus é amor e a natureza de Deus é imenso amor. O cardeal Shan explicou-lhes que não estava com medo da morte, porque ele sabia que depois dela, iria gozar eternamente da vida de Deus, o que é uma vida de imenso amor.


O Cardeal Shan nasceu em Puyang, no nordeste da província de Henan, em 3 de Dezembro de 1923. Juntou-se aos jesuítas de Pequim em 1946, fez os seus votos em Setembro de 1948 e foi enviado para a China continental a fim de estudar para o sacerdócio antes de os comunistas chegarem ao poder em 1949. Após a sua ordenação sacerdotal nas Filipinas, foi enviado para estudar na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Depois disso, foi enviado para trabalhar primeiro no Vietname e em seguida, em Taiwan, onde passou o resto da sua vida servindo como bispo primeiro de Hwalien e depois de Kaohsiung. João Paulo II fê-lo cardeal em 1998 – o quinto cardeal chinês da história da Igreja. No mesmo ano foi “Relator Geral” no Sínodo da Ásia, e em 2007 o Papa Bento XVI escolheu-o para membro da Comissão papal para Igreja da China, cuja situação sempre esteve próxima do seu coração.

 

Desde o começo dos anos 80, Pequim tem sido atencioso com os cardeais vindos da Itália, Bélgica, França, Escócia, EUA, Filipinas e Vietname, mas não tem permitido os dois únicos cardeais chineses que nasceram no país – Paul Shan Kuo-hsi e Joseph Zen Ze-kiun de Hong Kong – visitarem as suas cidades natais.

 

Pequim só permitiu que Shan retornasse ao país uma única vez – em 1979. O bispo católico desejava muito retornar à sua terra, ao menos uma última vez antes de morrer, e encontrar de novo as suas irmãs mais novas e outros membros da família. Porém, as autoridades chinesas recusaram-se a conceder-lhe um visto em 2011, por o cardeal não ter aceitado visitar Pequim como uma das condições para receber o documento. O Cardeal Shan sabia que se fosse à capital chinesa, a sua visita poderia ser manipulada por razões políticas, decorrentes do seu encontro com lideranças do governo que controlam a vida da Igreja Católica na China. Como um homem de princípios, esta grande alma não estava disposta a fazer esse compromisso para obter um visto.

 

 

Fonte: Porta Fidei


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