«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
03
Ago 12
publicado por FireHead, às 02:00link do post | Comentar

Estas foram as palavras da cristã paquistanesa Asia Bibi, condenada à pena de morte por causa da lei de blasfémia, aos seus filhos e ao seu esposo numa carta inédita agora publicada no livro "¡Sacadme de aqui!"(Tirem-me daqui!), editado pela LibrosLibres em Espanha.

 

 

O livro foi escrito na prisão por Asia Bibi em colaboração com a jornalista francesa Anne-Isabelle Tollet. Na carta, a cristã dedica comovedoras palavras de amor ao seu esposo Ashiq e aos seus cinco filhos enquanto espera que o seu pedido de clemência seja aceite ou que a pena seja executada. "Desde que voltei para a minha cela eu sei que vou morrer, todos os meus pensamentos se dirigem a ti, meu amado Ashiq, e a vós, meus adorados filhos. Nada sinto mais que deixar-vos a sós em plena tormenta", expressa a cristã.

 

 

Entretanto, apesar do temor, Bibi alenta a sua família a manter o desejo de serem felizes apesar de a vida não ser fácil todos os dias. "Somos cristãos e pobres, mas a nossa família é um sol (…). Não sei ainda quando me enforcam, mas estejai tranquilos, meus amores, pois irei com a cabeça bem levantada, sem medo, porque estarei em companhia de Nosso Senhor e com a Virgem Maria, que me acolherão nos seus braços", afirma.

 

O caso da Asia Bibi converteu-se em notícia mundial em 2010 quando foi condenada à pena capital em aplicação da lei de blasfémia, que pune com a morte na forca aqueles que supostamente ofendam o islão e que se converteu numa arma de abuso contra as minorias religiosas no Paquistão e inclusive de vingança entre os muçulmanos.

 

Actualmente há um recurso contra a sua condenação. Entretanto teve que ser isolada numa cela sem janela nem serviços higiénicos porque os muçulmanos puseram um preço na sua cabeça, incitando ao seu assassinato.

 

 

A carta escrita por Asia Bibi diz:

 

"Meu querido Ashiq, meus queridos filhos:

 

(...)

 

Desde que voltei para a minha cela eu sei que vou morrer, todos os meus pensamentos se dirigem a ti, meu amado Ashiq, e a vós, meus adorados filhos. Nada sinto mais que deixar-vos a sós em plena tormenta.

 

Tu, Imran, meu filho maior de dezoito anos, desejo que tu encontres uma boa esposa, a quem tu farás feliz como o teu pai me fez.

 

Tu, minha primogénita Nasima, de vinte e dois anos, que já tens o teu marido, com uma família que te acolheu tão bem; dá ao teu pai pequenos netinhos que tu educarás na caridade cristã como nós te educámos.

 

Tu, minha doce Isha, que tem quinze anos, embora continues a ser meio louquinha. O teu pai e eu sempre te consideramos um presente de Deus, tu és tão boa e generosa... Não tentes entender por que a tua mamãe já não está ao teu lado, mas entende que tu estás muito presente no meu coração, tens nele um lugarzinho reservado apenas para ti.

 

«Não sou muçulmana, mas boa paquistanesa, católica e patriota, devota do meu país assim como de Deus.»

 

Cidra, não tens mais que treze anos, e bem sei que desde que estou na prisão tu és quem se ocupa das coisas da casa, tu és quem cuida da tua irmã mais velha, Isha, que tanto necessita de ajuda. Nada ressinto mais que ter-te conduzido a uma vida de adulto, tu que és tão jovenzinha e que deverias estar ainda brincado com as bonecas.

 

Minha pequena Isham, de apenas nove anos, e em breve perderás a tua mãe. Meu Deus, que injusta pode ser a vida! Mas como tu continuarás ia ir à escola, tu ficarás bem armada para defenderes-te da injustiça dos homens.

 

Meus filhos, não percam o valor nem a fé em Jesus Cristo. Dias melhores sorrirão para vós lá em cima, quando estiverdes nos braços do Senhor, continuarei a velar por vós. Mas por favor, peço-vos aos cinco que sejam prudentes, peço-vos que não façais nada que possa ofender os muçulmanos ou as regras deste país. Minhas filhas, eu gostaria que tivésseis a sorte de encontrar um marido como o vosso pai.

 

Ashiq, eu amei-te desde o primeiro dia, e os vinte e dois anos que passamos juntos são prova disto. Não deixei nunca de agradecer ao céu por ter-te encontrado, por ter tido a sorte de um matrimónio por amor e não arranjado, como é costume na nossa província. Tínhamos os dois um carácter que encaixava, mas o destino está aí, implacável... Indivíduos infames cruzaram-se no nosso caminho. E aí estás tu sozinho com os frutos do nosso amor: guarda a coragem e o orgulho da nossa família.

 

Meus filhos,

 

(...)

 

O pai e eu tivemos sempre o desejo supremo de ser felizes e de fazer-vos felizes, apesar de a vida não ser fácil todos os dias. Somos cristãos e pobres, mas a nossa família é um sol. Gostaria tanto de vos ter visto crescer, continuar a educar-vos e fazer de vós pessoas honestas... e vós sê-lo-eis!

 

(...)

 

Não sei ainda quando me enforcam, mas estejai tranquilos, meus amores, pois irei com a cabeça bem levantada, sem medo, porque estarei em companhia de Nosso Senhor e com a Virgem Maria, que me acolherão nos seus braços.

 

Meu bom marido, continua a educar as nossas crianças como eu teria desejado fazê-lo junto a ti.

 

Ashiq, filhos meus amadíssimos, vou deixar-vos para sempre, mas amar-vos-ei para toda a eternidade.

 

Mãe"

 

 

Fonte: ACI/EWTN Noticias


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