«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
25
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:37link do post | Comentar

É sempre interessante escrever sobre temas malditos, ocultados pela nossa imprensa, alegadamente aberta e plural. Este é o maldito dos malditos. Em tempos tão diversos e heterodoxos, é estranho constatar a total ausência de alguém central na cultura ocidental há milénios. A nossa época, que multiplica as personagens e faz regressar velhas lendas e figuras clássicas, nunca fala do diabo.

Ao longo da história não houve dúvidas sobre a existência e influência do pai da mentira (Jo 8, 44), tentador (Mt 4, 3), inimigo de toda a justiça (Act 13, 10), ameaçando-nos com as suas malícias e aquele seu lugar maldito - a Geena de fogo (Mt 4, 22), o inferno (Lc 10, 15) - onde podíamos cair. Hoje esses assuntos são totalmente omissos, meras figuras de retórica ou cenas de pantomima.

A razão não pode vir de vivermos em tempos secularizados, pela simples razão que não vivemos nesses tempos. Não só os crentes permanecem a esmagadora maioria da população, mas o actual pluralismo fez renascer múltiplas formas de culto e espiritualidade. Além disso, a falta de referências a Satanás não se verifica apenas entre os ateus, mas também nos devotos. Homilias, orações, livros e discussões teológicas desenvolvem-se quase sem referências às forças do mal e seu poder, antes tão populares. No meio de enorme diversidade de temas e abordagens de uma época turbulenta, Lúcifer parece ausente até das igrejas. O secularismo actual significa, afinal, crença firme em Deus com recusa de Satanás.

É curioso perceber porquê. A razão liga-se ao axioma mais central e indiscutível da nossa cultura. Somos o tempo da liberdade, humanismo, técnica e poder sobre a natureza. Ora nada destrói mais esses valores que saber-nos sujeitos a influências maléficas, que turvam as nossas escolhas, distorcem a nossa humanidade, pervertem as nossas obras e podem dominar a nossa vida. Se existem tentações demoníacas, lá se vão os sonhos de tolerância, humanismo, liberdade. Caímos no real. O ser humano, que se acha radicalmente autónomo e soberano, ainda tolera com diplomacia um deus longínquo, mas nunca se considerará sujeito ao demónio.

Paradoxalmente é também o tempo actual que mais manifesta a evidência do diabo e onde a presença palpável do inferno se tornou mais visível e patente. Os telejornais trazem às nossas salas mais cenas de horror e maldade que alguma vez a humanidade assistiu, e a cada passo vemos personalidades descritas como encarnação do mal absoluto. Mas é na ficção que essa presença surge esmagadora.

Argumentistas de cinema e televisão espremem os miolos para criar os vilões mais funestos, com especial predilecção pela malícia em estado puro. Só assim se explica a obsessão cinematográfica pelos psicopatas, vampiros, extraterrestres, fanáticos e outros seres irredutivelmente cruéis sem elemento redentor. Numa palavra, demónios. Por outro lado a contínua descrição romanceada de estados desesperados e irrecuperáveis, da droga à escravatura e à demência, só pode ser tomada como nostalgia do inferno. Nenhuma criança das eras bárbaras viu tanta mortandade, violação e desumanidade como as nossas nos media.

Assim o demónio, nunca sob o próprio nome, está hoje mais presente que em tempos antigos. Por todo o lado, menos na nossa consciência, onde persiste a ilusão da independência. Isso dá-lhe mais poder. "Há dois erros, iguais e opostos, em que a nossa raça pode incorrer quando de demónios se trata. Um é descrer da sua existência. O outro é crer nela e sentir por eles um interesse excessivo e doentio. A eles, ambos os erros lhes são agradáveis e acolhem com idêntico prazer o materialista e o mago" (C. S. Lewis, 1942, The Screwtape Letters, prefácio).

A evidência que esta aparente ausência é coisa do demo não custa a compreender, pois ela tem terríveis efeitos morais. De facto, não havendo Belzebu, os horrores indizíveis que vemos só podem ser culpa do próximo, a quem portanto agredimos justificadamente. Se o diabo não existe, "o inferno são os outros" (J. P. Sartre, 1944, Huis-clos).

 

João César das Neves

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Também acho que é uma questão de valores sociais.
Mas o cristianismo será superado para algo realmente inovador no mundo, para que nenhuma religião possa intervir nos assuntos sociais e de sobrevivência humana.
Buscar a participação das pessoas para confrontarem os seus interesses políticos diferentes.
Eu sinceramente passo por uma fase onde não sei o que eu sou, pois acho importante poder estabelecer contato com o "eu" através da religião, mas quando descobri o porque, como e o que é ser católico, não conheci ainda outra religião que me despertasse interesse.
Há de convir comigo também que as primeiras páginas da bíblia génesis ", mostra que a criação do homem, da mulher e de tudo foi Deus.
Quando que actualmente sabemos pelos estudos científicos indícios de vida em outros lugares do planeta e principalmente formações sociais de diferentes tipos e religiões.
Uma coisa também dos apóstolos que eu acho errado, o que precisamos é mudar os valores sociais e não criar picuinha em torno disso.
Se existe gay não há motivo para nenhum terrorismo, se existe abordo voluntário legal em algum lugar do mundo não é motivo para nenhuma pane, se vendem drogas também não há que se preocupar.
Mas se existe estupro temos que mudar, se existe preconceito temos que mudar, se existe exclusão temos que mudar, se há concentração de poder temos que mudar, se há empresas sangue sugas temos que mudar.
Mudaremos com os valores, lutem pela participação da maioria no controle da distribuição de recursos e empregos de cada microrregião que for em relação ao mundo capitalista.

leandro a 28 de Agosto de 2012 às 15:18

O Cristianismo jamais será superado. Ele será triunfante no final. Nos conturbados tempos de tribulação, que já começaram há imenso tempo, o Anticristianismo conseguirá fazer com que a Igreja Católica fique a parecer como que morta, mas Ela sairá triunfante na final porque Cristo há-de vir de novo em Sua glória.
FireHead a 1 de Setembro de 2012 às 22:03

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