«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
20
Abr 12
publicado por FireHead, às 18:03link do post | Comentar

O Cristianismo é uma das doutrinas a respeito das quais circulam mais mentiras. O combate ao Cristianismo no Ocidente foi muito intenso, é muito intenso ainda. Como acontece com quaisquer tradições espirituais, em volta das quais sempre existem incontáveis grupos interessados não em discutir as doutrinas cara-a-cara, mas em deformá-las, para lhes atribuir absurdos.

 

(...)

 

Um dos grandes segredos da história do Ocidente é a Gnose. Quem entender isto, entenderá em consequência tanta, tanta coisa! Entre os vários inimigos do Cristianismo, desde o começo, há um sector chamado Gnose. Ela defende uma série de doutrinas que, quando expostas à luz do dia, se mostram realmente escandalosas. Em parte sabendo disto, ela mesma atribui suas doutrinas ao adversário.

 

(...)

 

O Cristianismo não é uma religião feita para ser compreendida por pessoas de baixa qualificação intelectual. É difícil. Então, é muito fácil entendê-lo pela versão popular inventada por intelectuais anticristãos e combatê-lo por aí mesmo.

 

(...)

 

As pessoas formam uma ideia do Cristianismo a partir do que é divulgado por não-Cristãos. Para saber o que é uma religião, deve-se perguntar a quem a conhece e a pratica, não ao seu adversário. Para saber sobre o Judaísmo pergunta-se a um rabino, não a um nazi. Do mesmo modo, para saber o que é o comunismo não vou perguntar à CIA, tenho de ler Marx, Lenine etc. Só o Cristianismo é que não merece este privilégio. As pessoas divulgam o Cristianismo já propositadamente distorcido e tornado absurdo para ser mais fácil combatê-lo. As grandes obras de doutrina Cristã ninguém lê. Qualquer ideia tem o direito de ser defendida por ela mesma. Não se concede este privilégio ao Cristianismo. As pessoas não têm ideia do que é a guerra pró e contra o Cristianismo há dois mil anos. É uma coisa terrível. Ao mesmo tempo, não se pode identificar o Cristianismo com a horda de padres e pastores que podem falar o que lhes dá na cabeça. O que a Igreja em si pensa está nas sentenças dos Papas e nos chamados "doutores da Igreja", um grupo selecto dentre os santos, cuja fala foi incorporada como parte do dogma - como por exemplo São Tomás de Aquino, Santa Teresa de Ávila ou Santo Afonso de Ligório. Não é o que qualquer pensador Cristão fala que vale. Somente aquilo é pensamento da Igreja. Agora, um certo estado de espírito difuso que as pessoas chamam de Cristianismo nada tem a ver com isto.

 

(...)

 

Onde aparece uma tradição espiritual, uma revelação, uma eclosão de inteligência, surge necessariamente em seguida uma sombra e às vezes esta sombra tenta agir por conta própria, como se o rabo abanasse o cachorro. Do mesmo modo que existe um esforço humano em direcção à verdade, existe um esforço no sentido contrário, no sentido do erro. A paixão pelo erro é incoercível, e certas pessoas, quando ouvem falar a verdade, isto lhes provoca raiva.

 

(...)

 

Do mesmo modo, em relação ao Cristianismo. É mais fácil inventar um Cristianismo do que procurar o que realmente existe.

 

(...)

 

Há pessoas que não gostam de Cristianismo porque um padre as suspendeu da aula ou lhes botou medo da masturbação. E fica aquela raiva de padre, que depois, travestindo-se de filosofia, é projectada sobre dois mil anos de Cristianismo. Mas não é filosofia, é rancor pessoal mesquinho. É querer medir a civilização com o tamanho das suas dorzinhas pessoais. Não se pode fazer isto. E condenar o Cristianismo é praticamente condenar a humanidade.

 

 

Olavo de Carvalho

tags:

Abril 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10

16
17

22
28



Links
Pesquisar blogue
 
blogs SAPO