«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
04
Abr 13
publicado por FireHead, às 00:25link do post | Comentar

Não há dúvidas de que Jesus Cristo veio introduzir uma diferente concepção da realidade, revolucionária no bom sentido porque não pretendeu alienar a realidade tal qual ela é, mas apenas desvelar uma visão complementar da realidade. Jesus Cristo apenas nos mostrou um determinado aspecto da realidade a que a humanidade não se tinha apercebido até à sua época. A isto podemos chamar de “diferenciação cultural” (segundo o conceito de Mircea Eliade).

estrutura da maçonaria web

 

Ao contrário do que aconteceu com as tradições arcaicas presentes no Antigo Testamento (e que mais tarde foram retomadas pelo luteranismo e principalmente pelo calvinismo), Jesus Cristo reduz a validade dessas tradições arcaicas (monistas e imanentes) que influenciaram o Judaísmo do Antigo Testamento (por exemplo, o conceito de Elohim é intrusivo no Judaísmo).

 

Essa diferenciação cultural introduzida por Jesus Cristo é feita, por exemplo, através de uma certa desvalorização da ética baseada no esforço e na recompensa, ou ética do burro e da cenoura, que prevalece no Antigo Testamento e é produto de influências religiosas muito antigas ou arcaicas. O mesmo podemos dizer da oposição de Jesus Cristo em relação à Cabala: se lermos, por exemplo, As Bem-aventuranças dos Evangelhos, verificamos que a simbologia cristológica opõe-se não só à ética arcaica baseada no esforço e na recompensa, mas também à ética cabalística.

A partir do fim da Alta Idade Média surgiu na Europa uma espécie de “Cabala cristã”, que mais tarde foi representada e defendida por Jakob Böhme que inspirou Friedrich Schleiermacher e Hegel. Essa “Cabala cristã” é de conteúdo francamente gnóstico embora diferente de uma outra Cabala mais antiga, e que a lenda cabalística diz ter origem em escritos de Moisés, e com o nome de Sepher Yetzira. A “Cabala cristã” difere da Yetzira (considerada original), no sentido em que, na “Cabala cristã”, o símbolo de Kether (a Coroa) significa o “sopro divino da vontade”, e não a divindade em si mesma que assim se situa (aparentemente) para além da realidade universal — ou seja, a “Cabala cristã” deixa em aberto a transcendência de Deus para assim ser mais “digerível” pelo monoteísmo cristão, o que não acontece na Cabala original e mais antiga.

 

Os símbolos cabalísticos da Sepher Yetzira apontam a sua origem para um culto do Sol, remoto e arcaico, que existiu no próprio local do templo judaico de Jerusalém. E é esta Cabala Yetzira — e não a “cristã” — que fundamenta alguns dos princípios relevantes da Maçonaria especulativa (pelo menos até ao fim do século XIX), e que também esteve presente na Alta Idade Média com a sua promoção na Europa através dos Templários que a trouxeram do Oriente e no seguimento das Cruzadas, e que mantiveram uma relação estreita com as lojas da maçonaria operativa medieval. Por exemplo, na Cabala Yetzira, Kether e a sua manifestação material é representada pelo Sol. Esta Cabala mais antiga é panteísta e por isso exclui a transcendência divina; o seu Kether é o próprio demiurgo intramundano cuja exclusiva vontade esteve na origem da construção da Árvore da Vida cabalística.

 

Se juntarmos ao formalismo ritual maçónico identificado com a forma ritual das religiões dos mistérios; o gnosticismo invertido e panteísta que elege o demiurgo (o Grande Arquitecto do Universo) como a divindade intramundana e imanente; a influência decisiva da Cabala Yetzira na mundividência maçónica dos graus mais altos (daí a existência dos 32 graus maçónicos, que correspondem aos 32 “Caminhos do Conhecimento” do Sepher Yetzira, sendo que o grau 33 é meramente honorífico); se juntarmos tudo isto, estamos em presença de uma religião que tem a sua origem no neolítico, que recusou qualquer diferenciação cultural ao longo de milénios, e que, na minha opinião, é luciferina — a própria Cabala refere que Caim, que segundo a Bíblia é filho de Adão, é, em vez disso, filho de Eva e de Samael, a “Serpente”, que é uma entidade luciferina.

 

 

Fonte: perspectivas


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