«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
02
Abr 13
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forma dos ritos maçónicos são semelhantes aos das religiões dos mistérios que já existiam no século IV a.C., e de que há provas terem sobrevivido até à queda do império romano do ocidente. Refiro-me à forma, e não ao conteúdo desses ritos — porque tal como não foi possível saber os conteúdos exactos dos ritos das religiões dos mistérios, também parece ser difícil saber exactamente o conteúdo dos ritos maçónicos.


Qual foi a forma das religiões mistéricas?

1) A problemática religiosa estava menos associada a modelos teóricos (teologia ou filosofia) e mais associada a uma identificação extática (êxtase) do iniciado (o mistagogo) com o destino e com a acção de uma divindade concreta, ocorrida durante o culto. Ou seja, estamos em presença de mais animismo do que teologia. Portanto, existe um défice de formulação teórica.

2) A identificação pessoal com a divindade permite a interiorização do mistério que torna possível uma salvação global e uma nova vida depois da morte. Por isso, o desejo de salvação é absolutamente pessoal, no sentido de ser independente da salvação dos outros iniciados.

3) Os mitos — que não sabemos exactamente quais eram — estão relacionados com a natureza (por exemplo, a fertilidade), com a morte e com a nova vida (visão cíclica da realidade e da natureza), pelo que a identificação do iniciado refere-se menos a “pessoas divinas” e mais a processos naturais que essas “pessoas divinas” simbolizam.

4) Tendência monista dos cultos — o que não significa necessariamente monismo puro.

5) Cultos reservados exclusivamente aos iniciados.

6) A “disciplina arcana” imposta aos iniciados através de juramentos de vida ou de morte — o que levou ao quase desconhecimento dos rituais: não se sabe como os rituais dos cultos mistéricos ocorriam, quais eram os ritos, a simbologia e o seu objecto concreto — embora os mitos subjacentes aos ritos sejam mais conhecidos, e que consistiam geralmente numa qualquer história muito antiga que remonta ao neolítico.

7) O ingresso num culto mistérico não excluía a possibilidade de um iniciado continuar a cumprir os costumes da religião popular e/ou oficial da sociedade em que vivia. Os mistérios eram ofertas religiosas suplementares para gente que se considerava a si própria como possuindo um novo nível consciência — ou seja, eram ofertas religiosas para as elites.

Portanto, verificamos que a forma dos cultos mistéricos coincidem com a forma do culto maçónico, e por isso podemos dizer que a maçonaria adoptou a forma genérica das religiões dos mistérios. O problema é deduzir ou inferir, pelo menos em parte, o verdadeiro conteúdo da religiosidade maçónica.

Para isso, temos que acreditar no que a maioria das obras apologéticas acerca da maçonaria nos diz: que o gnosticismo da Antiguidade Tardia é o fundamento do conteúdo da religiosidade maçónica. Porém, sabemos que a Gnose, em geral, era dualista e não monista — o que dificulta o nosso raciocínio.

Em princípio, poderíamos ter uma forma das religiões dos mistérios e se eliminarmos a tendência monista destas e se a substituirmos por um dualismo gnóstico, podemos daí inferir as características principais do conteúdo do culto maçónico. Em alternativa, podemos optar por influências monistas do neoplatonismo e do estoicismo — o que não é, porém, compaginável com a figura do Grande Arquitecto do Universo que impera na maçonaria: nos monismos, a identidade pessoal tende a anular-se no UNO. Em princípio, o Grande Arquitecto do Universo é uma personalidade característica de um dualismo, e não de um monismo. Mas voltaremos à questão do conteúdo da religiosidade maçónica num próximo verbete.

 

 

Fonte: perspectivas


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