«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Mar 13
publicado por FireHead, às 16:06link do post | Comentar

A gnose (ou gnosticismo) é uma qualquer doutrina metafísica de salvação religiosa por intermédio do conhecimento intelectual, e por isso sem o dom directo da Graça Divina.

O gnosticismo é um sistema de crenças que nega e rejeita a estrutura da realidade, particularmente a realidade da natureza humana, e substitui-as por um mundo imaginário construído por intelectuais gnósticos e controlado por activistas gnósticos. — Eric Voegelin, “A Nova Ciência da Política”, 1952


 

gnosticismo

 

A criação do universo e do mundo, segundo os gnósticos da Antiguidade Tardia, estão infinitamente separados de Deus — que evoluiu para o conceito de “morte de Deus”, segundo Nietzsche, e que traduz essa ideia da “ausência de Deus”. O Deus gnóstico não é responsável pela criação do mundo: antes, é o “Inefável”, o “Abismo”, o “Silêncio”: é Aquele em relação ao qual só é possível aceder por uma elite escassa de iluminados através do conhecimento.

 

A responsabilidade pela criação do mundo, segundo os gnósticos da Antiguidade Tardia, é obra de um deus mau, uma espécie de diabo que os gnósticos identificam com o Deus da Bíblia (Antigo Testamento), Javé, e/ou com o Deus cristão. Para os gnósticos da Antiguidade Tardia, o Deus cristão é o demiurgo, ou seja, o próprio diabo, responsável pela criação do mundo e que o criou na ânsia de se apoderar da Sofia.


Para a maçonaria, que se fundamenta na Gnose, esse demiurgo — ou diabo gnóstico, ou Deus bíblico — é substituído pelo símbolo intramundano e imanente do Grande Arquitecto do Universo [o tal demiurgo que criou o universo] que se identifica, que se saiba e pelo menos em alguns ritos maçónicos, com a figura de Lúcifer [por exemplo, nos Illuminati].

 

escape da realidade

 

E uma vez que o mundo é criação do diabo [ou seja, do Deus bíblico, segundo os gnósticos da Antiguidade Tardia], o Homem deve afastar-se e evadir-se do mundo, e negá-lo. A realidade do mundo deve ser, segundo os gnósticos, sistematicamente negada. O mundo deve ser desprezado porque alegadamente é obra do diabo que, segundo os gnósticos, é o Deus da Bíblia.

 

A forma como o Homem deve evadir-se do mundo assume dois sentidos diferentes consoante duas diferentes correntes e doutrinas gnósticas: ou através da abstinência total em relação a todas as tentações do mundo percebidas pelos sentidos (puritanismo radical), ou através do deboche total e completo (por exemplo, o baconismo ou o culto de Baco). Através destas duas formas de agir — puritanismo, segundo uns, ou deboche, segundo outros —, a elite de iluminados “reconhece-se” a si mesma e reconquista a sua parcela de divindade. Para os gnósticos, não há um meio-termo entre puritanismo e deboche para conseguir a salvação.

 

Os gnósticos da Antiguidade Tardia formaram seitas iniciáticas assentes na distinção radical entre os chamados Hílicos (a escória da humanidade, os “profanos” segundo a maçonaria, ou não-convertidos), por um lado, e por outro lado os chamados Pneumáticos (os possuidores do Espírito Santo). Apenas para os Pneumáticos havia a possibilidade hic et nunc de salvação, ao passo que os Hílicos estavam, à partida, destinados à morte espiritual (determinismo da salvação).

 

Entre as seitas gnósticas podemos enumerar as doutrinas de Marcião (oposição radical do Novo Testamento ao Antigo Testamento) e a de Ario ou arianismo (que defendeu a ideia de Jesus Cristo como um simples homem desprovido de uma ontologia divina) — embora alguns digam que esses dois não foram gnósticos.

 

Para além desses dois, são gnósticas as doutrinas de Basílides, Carpócrates ou de Valentim, entre outras. A maçonaria também é uma seita gnóstica. O hermetismo do Renascimento e o Iluminismo têm claros e evidentes fundamentos no gnosticismo da Antiguidade Tardia.

 


Fonte: perspectivas


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