«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
29
Out 12
publicado por FireHead, às 15:27link do post | Comentar

“O modelo geocêntrico servia para a organização da vida humana na Terra, mas era insuficiente para compreender a organização, o comportamento dos astros no céu. Incompleto para o conhecimento, última morada do destino humano (como apontou Carl Sagan).”

via De Rerum Natura: UM CÉU MAIS PERFEITO. .

 

Atlas, o titã

ARISTARCO DE SAMOS, que viveu no século III a.C., foi simbolicamente condenado à morte — ou seja, não foi realmente morto — por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam à volta da Terra, precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos, porque segundo a mitologia grega era suposto a Terra ser o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

 

Portanto, Copérnico, que era aliás um prelado católico, não foi o primeiro a defender o heliocentrismo.

O problema do conhecimento é o de saber para que serve e como é utilizado. Os titãs da mitologia grega também tinham o conhecimento que os humildes humanos não tinham. Se o conhecimento é a última morada do destino humano, ou seja, um fim em si mesmo, então o ser humano terá o destino dos titãs — com o seu líder, Atlas, condenado pelos deuses a suportar eternamente o Céu, porque os titãs fizeram do conhecimento um fim em si mesmo, e não um meio.

Se o conhecimento é a última morada do destino humano, ou seja, um fim em si mesmo, então o conhecimento torna-se inútil. É, então, o conhecimento dos titãs que fugiram a sete pés, assustados, perante a presença de Pã, o irmão de Zeus (e vem daqui a palavra “pânico”). G. K. Chesterton tem uma frase lapidar que passo a citar:

Os secularistas não destruíram as coisas divinas: em vez disso, destruíram as coisas seculares — se é que isso constituiu algum conforto para eles. Os titãs não ascenderam aos Céus, mas assolaram a Terra. 
 
(G. K. Chesterton, “Ortodoxia”).

A noção de conhecimento como a última morada do destino humano é uma noção adoptada pelos titãs da modernidade que assolam hoje a Terra. Eles iludem-se quando pensam que destruíram as coisas divinas, e apenas ignoram que destroem as coisas seculares.

 

Adenda:

O paradoxo epistemológico ou paradoxo do conhecimento (Meyerson)

 

Um objecto de conhecimento dissolve-se, perde a sua identidade à medida em que o conheço melhor, quando conhecer só pode consistir em identificar.

 

Fonte: perspectivas


Outubro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9

14
19

23
26
27



Links
Pesquisar blogue
 
subscrever feeds
blogs SAPO