«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
08
Mai 12
publicado por FireHead, às 20:12link do post | Comentar

“Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia – sei muito bem e nisto ponho a minha Fé que, depois da Sua ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito (…). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai.” (Santo Inácio de Antioquia – Carta aos Esmirna, III, 1-3 – Padres apostólicos – Paulus –)

Nossa Fé em Cristo e em tudo que Ele nos ensinou nos leva a crer que Ele, para nos remir, se Encarnou no seio da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi morto e sepultado, mas que no terceiro dia ressuscitou.

Vemos pelos Evangelhos que Cristo ressuscitou a muitas pessoas, mas a Sua Ressurreição difere das outras, segundo São Tomás de Aquino, porque Cristo por ser Deus e Homem, ressuscitou pelo Seu próprio poder. A Sua divindade em nenhum momento se separou nem da Sua alma, nem do Seu corpo. Cristo ressuscitou para uma vida gloriosa e incorruptível e foi em virtude da Sua Ressurreição que todos ressuscitaram: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (1Cor 15,20-22) (Exposição sobre o Credo – São Tomás de Aquino - ).

A Sua ressurreição é para nós motivo de júblilo, de esperança e estímulo para vivermos na santidade, esperando o dia de estarmos com Ele, também vivos na glória. “Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia” (Ecle 5,8).

A ressurreição de Cristo nos convida a sermos santos, chamados a todo instante a viver uma vida nova e para nos santificar, foi-nos dado, pelo nosso Baptismo, o Espírito Santo que veio então habitar em nós. Ele é o autor de toda santificação. Além desta graça da santificação que realiza nos filhos de Deus, Ele pelo seu poder ressuscitará os corpos. “Cremos n’Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rom 4, 24-25). “Porque a morte veio por um homem, por um homem também virá a ressurreição dos mortos” (1 Cor 15,21).

Nele, os Cristãos “experimentaram... as forças do mundo que há-de vir” (Hb 6,5) e as suas vidas são atraídas por Cristo ao seio da vida divina “a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2Cor 5,15).

“Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da Sua mensagem e da Sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: 'Ressuscitou'. Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na Sua ressurreição experimentou em Si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte” (Sua Santidade Papa João Paulo II – Dives in Misericórdia - sobre a Misericórdia Divina).

Cristo, “primogénito dentre os mortos” (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação da nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo.(Catecismo da Igreja Católica)

A união entre Cristo e os Cristãos, como membros de um mesmo corpo, onde Cristo é a cabeça, constituem um único organismo. Por isso quando se afirma a ressurreição de Jesus, é necessário afirmar a ressurreição dos justos, daqueles que morreram na graça de Deus. Jesus, por ser o novo Adão, mereceu a ressurreição de todos. “A Ressurreição de Cristo produziu a ressurreição dos nossos corpos, quer porque foi a causa eficiente deste misterio, quer porque todos devemos ressuscitar, a exemplo do Senhor. Deus se valeu da humanidade do Seu Filho como de instrumento eficiente. Por conseguinte, a Sua ressurreição foi um instrumento para conseguir a nossa” (Catecismo Romano, I,6,13).

A ressurreição passou, então, a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica e mais tarde São Paulo vem afirmar: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa Fé” (I Cor 15,14).

Para entendermos como se dá a ressurreição da nossa carne após a morte, no dia final, temos que compreender como Deus, nosso Pai, nos constituiu, e o fez de uma forma maravilhosa, já que somos obra de Suas mãos santíssimas e feitos à Sua imagem e semelhança.

O homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria, formado de corpo e alma. A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo; o seu corpo é matéria, similar em natureza aos animais. Porém, o homem não é nem anjo nem animal. É um ser à parte por direito próprio, um ser com um pé no tempo e outro na eternidade. Os filósofos definem o homem como “animal racional”, o que indica que a sua alma é espiritual; e animal, o seu corpo físico.

O corpo e a alma não se unem de modo circunstancial. Foram feitos um para o outro, fundem-se, compenetram-se tão intimamente que, ao menos nesta vida, uma parte não pode existir sem a outra. A maravilha do nosso corpo mostra o poder e sabedoria de Deus. Mas ele é nada comparado com a magnitude da alma que é como dizemos, um espírito: é um ser inteligente e consciente, invisível e imaterial, não se divide, pois é uma substancia simples, portanto é imortal.

Quando o nosso corpo estiver tão prostrado pela doença ou pelas lesões que não possa continuar a sua função, há a separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção e a alma o abandonará – é a morte.

Mas a alma não morre, pois não pode ser destruída ou danificada. Ela depois do julgamento particular a que passará todo homem após sua morte, recebe o prémio – por ter buscado a graça e uma vida santa de boas obras – ou a condenação – por não ter aceitado a Cristo e a Sua morte, rejeitando até o fim a graça que Deus com tanta liberalidade dispôs para que esta vivesse eternamente em Sua presença.

A Igreja preocupou-se em nomear o 11º artigo do Credo como  “Creio na Ressurreição da Carne” para rebater a heresia de Himeneu e Fileto, o qual afirmavam eles que, quando a Escritura falando da ressurreição, não era para entender a ressurreicão corporal, mas da espiritual que faz ressurgir, da morte do pecado, para a vida da graça e inocência. O artigo do Credo portanto, exclui este erro e confirma a realidade da ressurreição corporal (Catecismo Romano 11 artigo – II – c – pag. 179).

O Apóstolo Paulo nos diz que o “corpo semeado na corrupção, há de ressurgir incorruptível” (I Cor 15,42). Os escritores eclesiásticos afirmam a reesurreição do corpo para se unir à alma, pois seria contrário à natureza, que as almas ficassem eternamente separadas, já que sendo imortais pendem naturalmente a se conservarem unidas ao corpo.

São João Crisóstomo, na sua homilia ao povo de Antioquia, diz-nos que a justiça divina também é um factor importante para se entender este assunto. “Deus, justo juiz, estabeleceu penas para os maus e prémios para os justos. Tendo o corpo servido ao homem como instrumento de prevaricação ou de santidade, devem participar dos prémios ou dos castigos das almas, na proporção dos crimes ou das virtudes, que houverem praticado” (Io Chrysost Hom. 13 )

Quem irá ressucitar? Diz-nos São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus, hão-de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação” (Jo 5,29).

Os que morreram em Cristo, diz-nos São Paulo, “ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares” (I Tes 4,16).

Santo Ambrósio diz-nos: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão as sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor” ( Aug. de Civ. Deis XX 20).

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, os dons, as excelências do homem como tal .

Santo Agostinho descreve-nos essa transformação de uma maneira interessante: “Nos corpos, diz ele, não restará então nenhuma deformidade. Era alguém muito nutrido e cheio de corpo, não retomará o mesmo volume. O que excede as proporções, é considerado supérfluo. Ao contrário, tudo o que velhice ou doença destruírem no corpo, será refeito pela divina virtude de Cristo. Tal acontece, por exemplo, com quem for de excessiva magreza, porque Cristo não Se limita a ressuscitar o corpo, mas repõe ao mesmo tempo o que [nele] definhou com as privações desta vida” ( Aug de civ. Deis XXII 19 ss).

Tudo em nós será restaurado à semelhança de Cristo, já que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria Criação. Deus fez tudo perfeito no começo e tudo será perfeito no final. Santo Agostinho afirma que “não só aos mártires acontecerá estas maravilhas, mas a todos. Os mutilados, os degolados, todos terão restituídos os seus corpos, mas terão as marcas tal qual ficou em Cristo, a marca dos pregos."

São Tomás na Exposição ao Credo diz que porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30).

Quanto à idade, ele diz que todos ressurgirão na idade perfeita, aos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: "Até que cheguemos todos ... ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo" (Ef 4,13).

Quanto aos maus, este também recuperarão os seus membros, ainda que lhes caiba a culpa da amputação. Só que quanto maior for a restituição, maior serão os tormentos, pois ela não lhe acarreta felicidade, mas dores sem fim.

Todos, bons ou maus, serão imortais após a ressurreição, pois por Cristo, pela Sua Cruz, a morte foi vencida, foi o último inimigo a bater. Mas os corpos dos justos terão como que adornos lhes conferindo uma nobreza a que nunca sonharam neste mundo: impassibilidade, subtileza (ou penetrabilidade), agilidade e claridade. Pois bem, os corpos dos justos serão transformados e glorificados segundo o modelo do Corpo de Cristo, o que nos faz exultar e querer a todo custo a vida diante de Deus.

Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos, segundo São Tomás e o catecismo Romano, estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incómodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz o Apóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina

Subtileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando as suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44). É bom notar que a subtilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui actualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus.

Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da subtileza, poderão mover-se para onde a alma queira. Em Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afecto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente a restituir os dons perdidos, mas a ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.

Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, que sofrerão as penas eternas, os seus corpos possuirão quatro qualidades más:

Serão obscuros, conforme se lê: Os seus rostos serão como fisionomias inflamadas (Is 13,8) e serão como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para sempre no fogo e nunca serão consumidos: “Os vermes nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se extinguirá” (Is 66,24). Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas: “Para prender os seus reis com grilhões” (SI 149,8).

Finalmente, os corpos e as almas serão, de certo modo, carnais: “Os animais apodrecerão nos seus excrementos” (Jl 1,17). São passíveis de dor.

Numa palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

“Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer... Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes” (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Podemos depois de todo o exposto, dar graças a Deus que não nos deixou na ignorância, já que Ele não esconde os Seus mistérios aos pequenos. Pois quantos neste mundo têm perdido a vida pelo desconhecimento de tão grandes bens? Bendito seja Jesus, Nosso Senhor, que nos mereceu o Céu e que nos chama à vida juntamente com Ele. É preciso tirar bons frutos deste conhecimento, rejeitando a todo instante o pecado que nos alicia, mata e nos afasta de Deus, buscando solidamente o bem, na esperança de uma futura ressurreição.

Deus seja louvado!

 

 

Ana Bueno Maria Cunha

 

Fonte de pesquisa: Catecismo Romano, A Fé Explicada - padre Leo Trese, Catecismo da Igreja Católica - Exposição sobre o Credo segundo São Tomás de Aquino e Escritos dos Santos

 

Veritatis Splendor


Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

18

21
25

30


Links
Pesquisar blogue
 
subscrever feeds
blogs SAPO