«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
02
Mai 12
publicado por FireHead, às 20:31link do post | Comentar

Introdução

 

Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo 20,22-23).

 

Sabemos que o Baptismo é o primeiro grande sacramento do perdão dos pecados. Através do Baptismo somos inseridos na família de Deus (a Igreja) e temos nossas culpas perdoadas.

Mas se o Cristão, que no acto do Baptismo recebeu a imagem de Cristo, vier a pecar e então manchar esta imagem? Como ele obterá o perdão do pecado se não pode ser rebaptizado?

A graça do Baptismo, embora seja regenerativa, não livra a natureza humana de cometer pecados. O Baptismo é na verdade a porta de entrada para a Graça do Senhor e não a única e exlcusiva opção. No combate contra a inclinação para o mal, nem todas as batalhas o homem vencerá; nem sempre conseguirá evitar a ferida do pecado.

É necessário então que haja uma outra chance para que o baptizado possa reconciliar-se com Deus e a Santa Igreja.

Foi para este caso que Nosso Senhor instituiu na Sua Igreja o Sacramento da Confissão.

 

 

Objecção protestante

 

Os protestantes afirmam que o perdão dos pecados deve ser pedido directamente a Deus. Afirmam que a Igreja Católica pregra contra o Evangelho porque ensina que os fiéis Católicos devem confessar os seus pecados ao padre, e que isto seria errado pois o padre é um homem pecador como qualquer outro e como poderia um homem pecador perdoar o pecado de outro pecador?

Se o padre pode baptizar, porque não pode perdoar pecados? Não é pelo Baptismo que obtemos o primeiro perdão dos pecados? Se podemos obter o perdão dos pecados quando o padre baptiza, porque não podemos obter este mesmo perdão pelo sacramento da penitência (ou confissão)?

Para sermos coerentes, ou deveríammos ser baptizados directamente por Deus ou o padre também pode perdoar os pecados.

Porque é que a Graça que opera no acto do Baptismo não pode operar também no acto da confissão ao sacerdote?

Qual será o ensinamento que Cristo deixou sobre o perdão dos pecados após o Baptismo?

Antes, veremos como Ele instituiu a confissão dos pecados na Antiga Aliança.

 

 

O perdão dos pecados na Antiga Aliança

 

Na Antiga Aliança os pecados não eram perdoados com a confissão directa a Deus. O pecado era confessado no Templo perante o sacerdote e o pecador tinha que oferecer um sacrifício especifico para obter o perdão de seu pecado (cf. Lv 4). Esta regra estabelecida por Deus era figura do Sacramento da Confissão. Como Ele mesmo disse, o Senhor não veio abolir a Lei, mas dar o seu correcto cumprimento. Cristo vem para realizar aquilo que antes era anunciado em figura. O que fez Ele com a antiga regra de Moisés quanto à confissão e perdão dos pecados?

Veremos agora como a confissão dos pecados deveria ser na Nova e Eterna Aliança.

 

 

O perdão dos pecados na Nova e Eterna Aliança

 

A Igreja foi fundada para que seja o Cristo na terra, isto é, para que opere na terra tudo o que Cristo operava, já que Ele deveria ir para o Pai. Como dizia Santo Ambrósio de Milão: O Senhor quer que os Seus discípulos tenham um poder imenso: quer que os Seus pobres servidores realizem em Seu nome tudo o que havia feito quando estava na terra (Sobre a Penitência, 370 DC).

O Senhor desejou que as coisas que Ele realizava fossem agora realizadas por meio da Sua Igreja.

Por isso Nosso Senhor primeiramente confere aos apóstolos o poder de baptizar e  a autoridade de pregar o Evangelho, já que sem a Fé Nele e sem o Baptismo ninguém pode se salvar (cf. Mt 16,15-16).

Depois Nosso Redentor confere aos apóstolos o poder de perdoar pecados: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão" (Jo 20,22-23).

O desejo de Cristo de que o perdão dos pecados deve ser obtido através da Igreja é bem claro. É um grande erro crer que o pecado pode ser confessado directamente a Deus. Não foi este o desejo de Nosso Senhor.

Da mesma forma que sem Cristo não há perdão, sem a Igreja também não há, já que ela é o Cristo na terra.

 

 

Precedentes contra o Sacramento da Confissão

 

No início do século III, Novato - um sacerdote da Igreja em Roma - ensinava que não haveria mais esperança para aquele que viesse a pecar depois do Baptismo. Para ele era inútil o poder da Igreja de perdoar os pecados. Novato consegue influenciar muitos membros do clero em Roma. Os seus ensinamentos provocaram grande turbulência na Igreja Católica em Roma e então um Concílio regional é convocado para tratar da questão. Segundo o historiador da Igreja Primitiva, o Bispo Eusébio de Cesareia, este Concílio "Contava com sessenta bispos  e ainda um número maior de presbíteros e diáconos; nas províncias, os pastores examiraram em particular, conforme cada região, o que importava fazer. Foi tomada uma decisão geral. Fossem considerados fora da comunhão da Igreja, Novato, simultaneamente com os que se rebelaram com ele, e adoptaram a opinião antifraterna e inteiramente desumana de Novato. Relativamente aos irmãos que haviam caído na infelicidade, era preciso tratá-los e curá-los pelos remédios da penitência" (História Eclesiástica VI, 43,2).

Em normas gerais, a heresia novaciana negava o perdão dos pecados aos que caíram em pecado após o Baptismo. Os sacerdotes novacianos negavam ministrar o Sacramento da Confissão aos fiéis da Igreja.

Embora o Concílio Reginal de Roma tivesse condenado as teses novacianas, além de outros Concílios Regionais na própria Itália, no Egipto e na África, a heresia novaciana ganhou grande terreno na Igreja Antiga.

Em meados do século IV, o Bispo Ambrósio de Milão (pai espiritual de Santo Agostinho) publica importante obra contra a heresia novaciana entitulada "Sobre a Penitência". A obra reafirmava a ortodoxia da Tradição recebida dos apóstolos, de que a Igreja não poderia negar o perdão dos pecados aos fiéis e que recebera especial poder de Cristo exactamente para este fim. "Sobre a Penitência" foi definitiva para varrer as teses de Novato do seio da Santa Igreja.

 

 

Conclusão

 

O catecismo da Igreja Católica quanto ao Sacramento da Confissão, é Fé antiga do Cristianismo. A Igreja Católica não modificou o Evangelho (como acusam os homens de má Fé ou ignorantes da memória Cristã), ao contrário ensina o Evangelho de sempre, assim como Cristo comunicou aos apóstolos e estes nos deixaram através da Sagrada Tradição. Vimos que a própria Bíblia dá testemunho de que Cristo deu aos Seus apóstolos o poder de perdoar pecados (cf. Jo, 20,22-23).

A tese que nega que a Igreja tenha o poder de perdoar os pecados sempre foi tida como heresia nos primeiros séculos. Como pode ser agora aceite como Fé legítima?

A verdade é verdade sempre: ontem e hoje. A falta de memória Cristã é arrastada e tem arrastados muitos a professarem o erro, achando que estão agradando a Deus.

Ficamos aqui com a reflexão de Santo Ambósio de Milão sobre aqueles que, como os novacianos, negam que a Igreja tenha o poder de perdoar pecados:

Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular os seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz no Seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos' (Jo 20,22-23). Quem é que O honra mais: aquele que obedece os Seus mandamentos ou aquele que resiste a eles? (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados? (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC)

É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de facto, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não têm a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados. (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC)

 

Autor: Alessandro Lima *.
* O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.
 

 

Fonte: Veritatis Splendor


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