«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
27
Fev 12
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O Evangelho segundo os protestantes

São basicamente 12 verdades do Evangelho que, como autênticos cristãos, devemos conhecer:

1. Os protestantes dizem: "Sou salvo e se morrer vou para o céu; não posso perder a salvação".
O Evangelho ensina: "Mas aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mateus 24,13).

2. Os protestantes dizem: "Sou salvo apenas pela fé; as obras e a obediência não nos salvam".
O Evangelho ensina: "Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor!' entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demónios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?' E então lhes direi abertamente: 'Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade" (Mateus ,21-23). ; "E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; estive na prisão, e fostes ver-me'" (Mateus 25,31-36).

3. Os protestantes dizem: "Cristo não está presente na Eucaristia; isso é apenas algo simbólico".
O Evangelho ensina: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: 'Como nos pode dar este a sua carne a comer?' / Jesus, pois, lhes disse: 'Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele'. / Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: 'Duro é este discurso; quem o pode ouvir?' / Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. / Então disse Jesus aos doze: 'Quereis vós também retirar-vos?' Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: 'Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna'" (João 6,51-52.53-56.60.66.67-68).

4. Os protestantes dizem: "Devemos confessar-nos directamente a Deus e não a homens pecadores".
O Evangelho ensina: "Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: 'Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós'. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos'" (João 20,21-23). ; "Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu" (Mateus 18,18).

5. Os protestantes dizem: "Não devemos chamar ninguém de 'Pai', pois a Bíblia o proíbe".
O Evangelho ensina: "E, clamando, disse: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe na água a ponto do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama" (Lucas 16,24). ; "Sabes os mandamentos: não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe" (Lucas 18,20). ; "Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: 'Pai, pequei contra o céu e perante ti'" (Lucas 15,18).

6. Os protestantes dizem: "Tudo está escrito na Bíblia; se não estiver na Bíblia, não vale".
O Evangelho ensina: "Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém" (João 21,25). ; "E disse-lhes: 'Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura'. / E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes" (Marcos 16,15.20).

7. Os protestantes dizem: "Não devemos baptizar crianças, pois não é necessário. Além disso, o baptismo deve ser feito por imersão num rio porque foi assim que Jesus recebeu o Espírito Santo quando desceu na água".
O Evangelho ensina: "Jesus respondeu: 'Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito" (Mateus 24,13). ; "E, logo que saiu da água, viu os céus abertos, e o Espírito, que como pomba descia sobre ele" (Marcos 1,10).

8. Os protestantes dizem: "Maria é uma mulher igual às outras; não deve ser venerada porque a Bíblia não o diz".
O Evangelho ensina: "E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: 'Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres'" (Lucas 1,28). ; "E acontece que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. E exclamou com grande voz, e disse: 'Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre'" (Lucas 1,41-42). ; "Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão 'bem-aventurada'" (Lucas 1,48).

9. Os protestantes dizem: "Maria não pode fazer nada pois está morta, como os demais santos; ademais, a Bíblia não diz que podem interceder".
O Evangelho ensina: "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mateus 22,32). ; "E apareceu-lhes Elias, com Moisés, e falavam com Jesus" (Marcos 9,4). ; "E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: 'Não têm vinho'. Disse-lhe Jesus: 'Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora'. Sua mãe disse aos serventes:'Fazei tudo quanto ele vos disser' [...] E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho" (João 2,3-4.9).

10. Os protestantes dizem: "Não devemos dizer as mesmas palavras quando oramos, como no Rosário. Repetir palavras não é bíblico".
O Evangelho ensina: "E [Jesus] foi outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras" (Marcos 14,49).

11. Os protestantes dizem: "Todos os Apóstolos eram iguais. Essa história de 'Papa' é uma invenção que não se encontra na Bíblia. Pedro era igual aos outros Onze".
O Evangelho ensina: "E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: 'Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)" (João 1,42). ; "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mateus 16,18-19). ; "Disse também o Senhor: 'Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos'" (Lucas 22,31-32). ; "E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: 'Simão, dormes? Não podes vigiar uma hora?'" (Marcos 14,3). ; "E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: 'Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?' E ele respondeu: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe: 'Apascenta os meus cordeiros'. Tornou a dizer-lhe segunda vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' Disse-lhe: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas' Disse-lhe terceira vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: 'Amas-me?' e disse-lhe: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo' Jesus disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas'" (João 21,15-17).

12. Os protestantes dizem: "Não importa a Igreja, somente Cristo salva. Dá no mesmo estar em qualquer uma. A única coisa necessária é aceitar a Cristo e não a Igreja".
O Evangelho ensina: "Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (Lucas 10,16).
"Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou" (Mateus 10,40). ; "Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E se não as escutar, diz-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano" (Mateus 18,15-17). ; "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16,18).

 
Martin Zavala M. P.

As objecções protestantes


1ª Objecção — A Bíblia diz que Jesus teve irmãos. Portanto Maria não permaneceu virgem, como dizem os católicos.
Resposta — Tanto no hebraico como no aramaico, a palavra “irmão” pode ter vários significados: a) os filhos do mesmo pai, podendo ser da mesma mãe ou de outra mãe (cfr. Génesis 20, 5); b) e, em sentido mais largo, “irmão” designa também os parentes próximos; ou amigos; ou vizinhos; ou mesmo seguidores, o que se pode comprovar em numerosos lugares da Bíblia.
Um exemplo de parentesco está bem claro no Livro de Tobias. Aconselhado pelo Arcanjo Rafael a casar-se com Sara, filha única de Raquel e de Ana, parentes próximos de seu pai, Tobias assim rezou a Deus: “Senhor, sabeis que não é por motivo de luxúria que recebo por mulher esta minha irmã” (Tobias 8, 9).
Também Abraão disse a Lot: “Nós somos irmãos”. Ora, Abraão era filho de Tare; e Lot filho de Arão, irmão de Abraão (cfr. Génesis 13, 8).
Nada mais natural, portanto, que os evangelistas se conformassem a esse linguarejar judaico.
Assim, por exemplo, ao narrar a aparição de Jesus ressuscitado a Santa Maria Madalena, o Evangelho de São João descreve deste modo o final da cena: “Disse-lhe Jesus [a Maria Madalena]: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai a meus irmãos, e diz-lhes: Subo para meu Pai, e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Foi Maria Madalena dar a nova aos discípulos: Vi o Senhor, e ele disse-me estas coisas” (João 20, 17-18). Nestes versículos do Evangelho, irmãos equivale evidentemente a discípulos.
Tomemos agora o Evangelho de São Mateus, que menciona os nomes dos “irmãos” de Jesus: “E indo [Jesus] para a sua pátria, ensinava nas suas sinagogas, de modo que se admiravam e diziam: Donde lhe vem esta sabedoria e estes milagres? Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago e José e Simão e Judas? E suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde vem pois a este todas estas coisas?” (Mateus 13, 54-56). Também São Marcos cita os mesmos nomes dos “irmãos” de Jesus (cfr. Marcos 6,3). Nenhum dos dois evangelistas menciona os nomes das “irmãs” de Jesus.
Os exegetas procuram identificar esses “irmãos” de Jesus, e por isso saem à procura de outros textos da Sagrada Escritura ou de elementos da Tradição que possam trazer esclarecimentos.
Assim, ao falar das mulheres presentes no Calvário, São Mateus e São Marcos nomeiam especificamente: “Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” (Mateus 27, 56); “Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago o Menor e de José, e Salomé” (Marcos 15, 40). Ficam assim identificados dois dos “irmãos” de Jesus, Tiago o Menor e José, filhos de uma outra Maria, distinta da Mãe de Jesus. Eram, pois, parentes de Jesus. A Salomé, mencionada por São Marcos, é a mulher de Zebedeu nomeada por São Mateus, mãe de Tiago o Maior e de São João, o evangelista. Salomé ficou célebre por ter reivindicado junto a Jesus um lugar privilegiado para seus filhos no seu futuro reino (cfr. Mateus 20,20-23; Marcos 10,35-40). Tal reivindicação parece indicar que o parentesco lhe dava liberdade de fazer tal pedido a Jesus.
São João consigna também a presença das várias Marias durante a Crucifixão, distinguindo claramente a Mãe de Jesus das outras: “Estavam de pé junto à Cruz de Jesus sua Mãe, e a irmã [prima] de sua Mãe, Maria mulher de Cleofás, e Maria Madalena” (João 19, 25). Observe-se de passagem que aqui igualmente se registra o uso judeu de chamar de “irmã” de Maria uma sua parenta, pois como é universalmente admitido, Maria era filha única. Por outro lado, sabe-se que essa “Maria, mulher de Cleofás” é a mãe de Simão (cfr. Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, III 2,32).
Assim, dos quatro nomes citados por São Mateus como “irmãos” de Jesus, só não foi indubiamente identificado o último, Judas, nome aliás comum naquele tempo (dois dos Apóstolos tinham esse nome: São Judas Tadeu e Judas Iscariotes, o traidor). Mas não há por que supor que esse não identificado Judas tivesse um grau de parentesco com Jesus diferente dos outros três mencionados. Alguns pensam tratar-se de São Judas Tadeu, baseados em São Lucas (6, 16), mas a interpretação é incerta.
Resulta claro, portanto, que a palavra “irmãos” não corresponde a uma irmandade de sangue, mas a um parentesco — ou até a um relacionamento — mais ou menos próximo.
Aliás, que a Virgem Maria não teve outros filhos, a Bíblia o manifesta em outras passagens. Limitemo-nos a lembrar a pungente cena do Calvário: Cristo, moribundo, encomenda Maria a São João, o qual, desde então, a recebeu em sua casa (cfr. João 19, 26-27). Se Maria tivesse tido outros filhos, Jesus não teria por que se preocupar com o cuidado temporal de sua Mãe, pois este dever corresponderia aos demais filhos... Tanto mais quanto, muitos anos depois, São Paulo comenta que ainda vivia em Jerusalém “Tiago, o irmão do Senhor” (Gálatas 1,19). São Tiago o Menor, como foi lembrado acima, era parente de Nosso Senhor.
A objecção protestante fica, pois, refutada por diversas passagens da Sagrada Escritura e por alguns elementos colhidos na Tradição.

2ª Objecção — Nosso único mediador junto a Deus é Jesus Cristo, como afirma peremptoriamente o apóstolo Paulo (cfr. I Timóteo 2, 5). Não temos necessidade de outros mediadores. Os católicos erram ao proclamarem Maria medianeira entre Deus e os homens.
Resposta — É certo que São Paulo afirmou, em sua primeira Epístola a Timóteo (2, 5), que “há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem”. Mas esse mediador único e insubstituível não exclui que possa haver outros mediadores secundários, pois o próprio Apóstolo dos Gentios é o primeiro a pedir a intercessão de outros junto a Deus. Assim, diz ele em sua Epístola aos Romanos: “Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Romanos 15, 30). E na segunda Epístola aos Coríntios, diz que espera que Deus o livrará de futuros grandes perigos, “se nos ajudardes também vós com orações em nossa intenção” (II Coríntios 1, 11).
Se simples fiéis podem interceder por nós, exercendo assim o papel de mediadores nossos junto a Deus, quanto mais aqueles que praticaram as virtudes em grau heróico, como são os Santos — que os protestantes rejeitam —, e sobretudo Aquela que teve a dita de ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, e é, por isso, igualmente Mãe dos membros de seu Corpo Místico, que é a Igreja.
Os católicos estão pois certos em recorrer a Maria Santíssima como nossa grande Medianeira junto a seu Divino Filho. E essa mediação não é apenas possível, mas necessária, como ensinam grandes doutores da Igreja. Não se trata de uma necessidade absoluta, e sim hipotética, de acordo com a terminologia dos teólogos. Isto é, necessária porque Deus quis que assim fosse, e não porque estivesse obrigado a isso.
Explica-o com sua habitual clareza e calor apostólico São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande doutor mariano, no seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (Vozes, Petrópolis, 4ª edição, 1949):
“Confesso com toda a Igreja que Maria é uma pura criatura saída das mãos do Altíssimo. Comparada, portanto, à Majestade infinita ela é menos que um átomo, é, antes, um nada, pois só Ele é ‘Aquele que é’ (cfr. Êxodo 3, 14) e, por conseguinte, este grande Senhor, sempre independente e bastando-se a Si mesmo, não tem nem teve jamais necessidade da Santíssima Virgem para a realização de suas vontades e a manifestação de sua glória. Basta-lhe querer para tudo fazer.
Digo, entretanto, que, supostas as coisas como são, já que Deus quis começar e acabar suas maiores obras por meio da Santíssima Virgem, depois que a formou, é de crer que não mudará de conduta nos séculos dos séculos, pois é Deus imutável na sua conduta e nos seus sentimentos” (op. cit., nºs 14-15).
E mais adiante ele põe a pergunta: “Nosso Senhor é nosso advogado e medianeiro de redenção junto de Deus Pai; [...] é por intermédio dele que obtemos acesso junto de Sua Majestade, em cuja presença não devemos jamais aparecer, a não ser amparados e revestidos dos méritos de Jesus Cristo. [...] Mas temos necessidade de um medianeiro junto do próprio medianeiro? [...] Digamos [...] ousadamente, com São Bernardo, que temos necessidade de um medianeiro junto do Medianeiro por excelência, e que Maria Santíssima é a única capaz de exercer esta função admirável. Por ela Jesus Cristo veio a nós, e por ela devemos ir a ele. [...] Ela não é o sol, que pela força de seus raios nos poderia deslumbrar em nossa fraqueza, mas é bela e suave como a lua (cfr. Cant 6, 9), que recebe a luz do sol e a tempera para que possamos suportá-la. É tão caridosa que a ninguém repele, que implore a sua intercessão, ainda que seja pecador; pois, como dizem os santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, tenha sido desamparado ou repelido” (Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, nºs 84-85).
Como se vê, ao exaltar a tal ponto a mediação de Nossa Senhora junto a seu Divino Filho, a doutrina da Igreja não diminui em absolutamente nada a Mediação única e insubstituível de Jesus Cristo junto ao Pai celeste.

3ª Objecção — O sacramento da Confissão é uma invenção dos católicos. Jesus nunca mandou confessar os pecados a outra pessoa. Basta professarmos nossa fé diante de Deus, e Ele cobrirá nossos pecados com os méritos infinitos de Jesus Cristo. O padre não tem nenhuma interferência nesse processo, e a confissão dos pecados é inútil.
Resposta — Os protestantes consideram inútil o sacramento da Confissão porque têm uma ideia completamente errada da remissão dos pecados.
Eles consideram que, se Jesus Cristo já pagou, de uma vez por todas, os nossos pecados, a aplicação a nós desses méritos infinitos se dá exclusivamente por nossa adesão à Fé, mais precisamente pelo dom gratuito da fé que recebemos.
Mas, segundo eles, não há verdadeira remissão — isto é, apagamento ou limpeza de nossa alma — desses pecados. Nossa justificação perante Deus se dá apenas porque Jesus Cristo nos cobre com o manto de seus méritos. Por baixo desse manto, continuamos os pecadores de sempre, imundos por efeito de nossos pecados. Porém, vendo-nos Deus cobertos pelo manto de seu Divino Filho, Ele nos considera justificados, “não vê” os nossos pecados, que permanecem indeléveis sob esse manto, e nos acolhe na vida eterna do Céu.
É por essa mesma razão que os protestantes não vêem necessidade do Purgatório (ver objecção nº 4): não há nada a purgar depois da morte, porque tudo já foi antecipadamente pago por Cristo.
A única condição é a demonstração de nossa fé, a qual, esta sim, não pode vacilar. Tem que ser inteiramente firme. A tal ponto que, se por causa de nossos pecados começarmos a duvidar de nossa salvação eterna, isso indica uma vacilação de nossa fé nos merecimentos de Jesus Cristo e pode pôr tudo a perder.
Neste caso, o remédio que Lutero recomendava a seus seguidores era pecar novamente, para demonstrar a confiança em Cristo. E se a dúvida persistisse — insistia ele — “peca ainda mais fortemente”, para mostrar a firmeza de sua fé em Cristo!
Como se vê, toda esta doutrina é um desvario do começo ao fim.
De acordo com a doutrina católica, o perdão de nossos pecados começa com o nosso arrependimento, que de si já é um fruto da graça de Deus actuando em nós. Mas o arrependimento normalmente não basta para obtermos o perdão: é preciso acusarmo-nos dos nossos pecados perante o ministro de Deus — o sacerdote — e pedirmos que ele, em nome de Deus, nos perdoe. Aí sim, o padre, munido do poder — a ele dado por Cristo — de perdoar os pecados, no-los perdoa efectivamente em nome de Cristo, aplicando-nos os méritos infinitos do Filho de Deus feito homem. Então nossa alma fica realmente limpa dos seus pecados e alva como a neve, diante de Deus e dos homens.
É essa limpeza de alma que explica a alegria e leveza com que tantas vezes nos levantamos do confessionário, após recebermos a absolvição do sacerdote.
Em que ocasião Jesus Cristo conferiu aos seus ministros esse poder de perdoar os pecados? Foi pouco antes de subir aos Céus, quando disse aos Apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio. E tendo dito isto, soprou sobre eles, dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20, 21-23).
Ora, para que o sacerdote exerça esse poder de perdoar, ou de reter os pecados — segundo o mandato de Cristo — é preciso que o pecador confesse ao sacerdote as suas culpas, nomeando-as circunstanciadamente, a fim de que o sacerdote as julgue, as perdoe, se for o caso, e estipule a penitência que o pecador deve cumprir.
A contrição perfeita — isto é, aquele arrependimento de nossos pecados por exclusivo amor de Deus, e não pelo temor das penas do inferno — nos obtém de imediato o perdão dos pecados. Mas permanece a obrigação de confessá-los ao sacerdote na primeira oportunidade e, em todo caso, antes de receber qualquer outro Sacramento.

 

4ª Objecção — Na Bíblia não está escrito que exista o Purgatório. Isso é outra invenção dos católicos.
Resposta — A palavra Purgatório não está escrita na Bíblia, mas a realidade do Purgatório ali está consignada. A regra próxima da Fé é o Magistério vivo da Igreja, que nos explica a Bíblia e a Tradição.
Ora, a existência do Purgatório é um dogma definido por três Concílios Ecuménicos: o II Concílio de Lião (1274), o Concílio de Florença (1438-1445) e o Concílio de Trento (1545-1563). Este último declara que “a Igreja Católica, [...] apoiada nas Sagradas Escrituras e na antiga tradição dos Padres [isto é, daqueles grandes escritores da Antiguidade cristã], [...] ensinou [...] que existe o Purgatório e que as almas ali detidas são ajudadas pelos sufrágios dos fiéis”.
Assim, na Bíblia estão os elementos suficientes para se concluir que o Purgatório existe.
Conforme o comentário do Pe. Javier de Abárzuza, OFM, sobre o segundo Livro dos Macabeus (12, 38-46), “Judas Macabeu, feita a colecta de dois mil dracmas, a enviou a Jerusalém, para oferecer sacrifícios pelo pecado dos [seus soldados] mortos, obra digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição; de onde se vê que Judas creu que os que tinham morrido não estavam nem no ‘seio de Abraão’ [isto é, no Limbo, como os antigos Patriarcas, à espera do Redentor que os levaria para o Céu], nem no inferno, mas em um estado em que tinham que satisfazer por faltas cometidas na vida anterior, e que podiam ser aliviados com os sacrifícios de expiação. [...] E o autor inspirado [desse livro da Bíblia] termina a narração aprovando deste modo o proceder de Judas: ‘Obra santa e piedosa é rezar pelos mortos’” (Teologia del Dogma Católico, Studium Ediciones, Madrid, 1970, nº 1451).
Esta passagem do segundo Livro dos Macabeus contradiz de tal maneira a doutrina protestante que, como já se podia prever, Lutero arbitrariamente resolveu considerá-lo apócrifo, não o admitindo entre os livros canónicos da Bíblia.
Por outro lado, em São Mateus (12, 32), lemos: “Se alguém falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro”. Esta formulação — “nem no século vindouro” — seria supérflua e inepta, se não se supõe que, após a morte, de algum modo é possível a remissão de pecados. Pois se há pecados que no século vindouro se perdoam, com razão se conclui a possibilidade de tal expiação post mortem. A isso a Igreja chama de Purgatório, no qual ficam confinadas as almas que têm algo a pagar por seus pecados.
Também na primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios (3, 12-15), os exegetas vêem uma alusão ao fogo do Purgatório, no qual purgarão suas culpas os pregadores que não cumprirem direito a sua missão. Como a passagem requer uma explicação teológica mais profunda, apenas a mencionamos para conhecimento dos leitores eruditos.

 

5ª Objecção — A Igreja, na época de Lutero, praticava o comércio dos bens espirituais, vendendo indulgências. Lutero manteve-se fiel a Jesus Cristo, separando-se dessa falsa igreja e fundando a crença protestante, denominada luteranismo.
Resposta — É uma distorção completa da prática de concessão das indulgências apresentá-la como comércio de bens espirituais. Historicamente pode ter havido abusos nesta matéria — e ainda os há hoje em matérias correlatas — da parte destes ou daqueles pregadores católicos, com o objectivo de angariar mais facilmente as esmolas dos fiéis. E estamos cansados de ver abusos enormes, em matéria de dinheiro, também em várias seitas protestantes...
Lutero, aparentando indignar-se contra esses abusos, foi mais longe e condenou a própria doutrina católica sobre as indulgências.
Segundo Lutero, somente a fé conta para a salvação. As boas obras não contam para nada, porque — como já foi explicado em resposta anterior (cfr. nº 3) — segundo a doutrina protestante somos salvos exclusivamente pelos méritos de Jesus Cristo, sem nenhuma necessidade de nossa cooperação pessoal. Daí que tanto faz praticarmos boas obras ou pecados, porque a nossa salvação já foi comprada superabundantemente pela Paixão e Morte de Jesus Cristo.
A doutrina católica apresenta diferenças essenciais em relação a essa teoria falsa. Porque, embora a nossa salvação já tenha sido comprada pelo sacrifício redentor de Jesus Cristo, é preciso que esse mérito nos seja aplicado individualmente, o que exige a nossa cooperação pessoal. Sem dúvida, essa cooperação de si também é fruto da graça que Cristo nos mereceu, porém não é sem algum mérito de nossa parte, mérito infinitamente pequeno, mas que, por disposição divina, tem de ser necessariamente associado aos méritos infinitos de Cristo.
Daí a necessidade das boas obras, como salienta São Tiago em sua epístola: “O que aproveitará, meus irmãos, se alguém diz que tem fé e não tem boas obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé?” (Tiago 2, 14).
Não é pois sem razão que Lutero se negava a aceitar a canonicidade da epístola de São Tiago — que nega tão rotundamente um ponto essencial da doutrina que ele queria pôr em voga — considerando-a um livro apócrifo, e portanto excluindo-o da Bíblia...
Por contraposição, fica fácil compreender a doutrina católica das indulgências.
O tesouro espiritual da Igreja é constituído essencialmente pelos méritos infinitos de Jesus Cristo, aos quais se somam os méritos superabundantes de Maria Santíssima e os dos demais Santos e pessoas virtuosas. É desse tesouro espiritual que a Igreja retira os méritos que nos dispensa através das indulgências, que servem para aliviar as penas temporais devidas pelos nossos pecados. Pelo sacramento da Confissão, o homem fica livre da culpa do pecado, porém não da pena temporal (castigo) a ele devida (a pena eterna correspondente ao pecado mortal é-nos remitida pelo sacramento da Confissão). A penitência imposta pelo sacerdote na Confissão satisfaz tão-só parcialmente as penas temporais merecidas pelos nossos pecados. Por isso devemos recorrer às boas obras, às penitências e às indulgências, a fim de aliviarmos quanto possível essas penas temporais. O que sobrar, será pago no Purgatório.
Coerentes com os seus princípios falsos, os protestantes negam a necessidade das boas obras, das indulgências e do Purgatório!
Cabe dizer uma rápida palavra sobre a pretensa fidelidade de Lutero a Jesus Cristo. A história de sua vida registra as blasfémias horríveis que ele lançou contra Deus, contra Nosso Senhor Jesus Cristo, o Santíssimo Sacramento e a Virgem Maria. De Deus, diz ele de modo blasfemo: “Certamente Deus é grande e poderoso, bom e misericordioso [...] mas é estúpido” (Propos de table, nº 963, ed. de Weimar I, 487, apud Frantz Funck-Brentano, Luther, Grasset, Paris, 1934, 4a tiragem, p. 231). Deus — dizia ele — “é um tirano. Moisés agia movido por sua vontade, como seu lugar-tenente, como carrasco que ninguém superou, nem mesmo igualou em assustar, aterrorizar e martirizar o pobre mundo” (Propos de table, nº 2115 B, apud op. cit., p. 231).
A respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo, o heresiarca não poupou infames blasfémias. Transcrevemo-las a contragosto, só pela necessidade de esclarecer os leitores: “Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala João. Não se murmurava em torno dele: ‘O que fez, então, com ela?’ Depois com Madalena, em seguida com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (Propos de table, nº 1472, ed. de Weimar II, 107, apud op. cit., p. 236).
Para terminar, uma citação sobre o que Lutero pensava que se devia fazer com o Papa. Falava Lutero da guerra que os protestantes moviam contra os católicos. E exclamou: “Punimos os ladrões à espada. Por que não havemos de agarrar o Papa, cardeais e toda a gangue da Sodoma romana e lavar as mãos no seu sangue?” (op. cit., p. 104).
Tal a doutrina, tal o homem que a concebeu!

 

6ª Objecção — Os católicos consideram o Papa como autoridade suprema na Igreja, alegando o primado de Pedro. Mas isto não tem base suficiente nas Escrituras.
Resposta — A preeminência de São Pedro no Colégio apostólico não é um facto isolado no Evangelho. Com efeito, o Príncipe dos Apóstolos é citado 171 vezes no Novo Testamento, seguido de São João, que o é apenas 46 vezes. E invariavelmente os Evangelistas, quando fazem a enumeração dos Apóstolos, citam em primeiro lugar São Pedro. Mesmo em circunstâncias das mais solenes da vida de Nosso Senhor, como na ressurreição da filha de Jairo, em sua transfiguração no Tabor e em sua agonia no Horto das Oliveiras: três Apóstolos foram testemunhas desses factos, mas São Pedro é citado sempre em primeiro lugar (cfr. Marcos 5, 37; 9, 2; 14, 33).
E há vezes em que São Pedro é citado para encabeçar a menção ao conjunto dos Apóstolos: “Simão e os que estavam com ele...” (Marcos 1, 36).
As passagens em que Nosso Senhor indica a supremacia de Pedro sobre os demais Apóstolos são bem conhecidas:
No primeiro encontro do pescador da Galileia com Nosso Senhor, disse-lhe Jesus: “Tu és Simão, filho de Jonas; serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)” (João 1, 42).
Logo depois que São Pedro exprimiu sua fé na divindade de Jesus Cristo, disse-lhe o Divino Mestre: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus” (Mateus 16, 17-19). A afirmação do primado de São Pedro e do poder das chaves a ele conferido não podia ser mais clara.
Em outra ocasião, confirmou o Divino Mestre a missão de Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás te procurou para te joeirar como trigo, mas Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lucas 22, 31-32).
Isto vem praticamente repetido nas últimas recomendações que Nosso Senhor fez aos Apóstolos antes da Ascensão: “Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta minhas ovelhas” (João 21, 15-17).
Ora, conforme o uso corrente das línguas orientais, a palavra apascentar significa governar. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade soberana a Igreja de Cristo; é ser o chefe supremo; é ter o primado. Além disso, a imagem de pastor designa, na Sagrada Escritura, o Messias e sua obra (cf. Malaquias 2,13; 4,6s; Sofonias 3,18s, Jeremias 23,3; 31,19; Isaías 30,11; 49,9s). Confiando a São Pedro a missão de pastor, Nosso Senhor o constituiu seu representante visível na terra.
Depois da Ascensão, a primazia de jurisdição de Pedro sobre os outros manifesta-se claramente quando ele: 1) Preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (Actos 1, 15-25); 2) É o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes (Actos 2, 14 ss.); 3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (Actos 4, 5 ss.); 4) Acolhe na Igreja o primeiro pagão (Actos 10,1 ss.); 5) Fala em primeiro lugar no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: “Então toda a assembleia silenciou” (Actos 15, 7-12).
Como Sucessor de Pedro, o Papa exerce na Igreja as funções de Pastor Supremo. Como poderia Jesus Cristo fundar a sua Igreja — Una, Santa, Católica e Apostólica — sem prover à sua continuidade através dos tempos com base numa autoridade universal e única?

 

7ª Objecção — Para que essa verdadeira violência contra a natureza, que é o celibato eclesiástico? Não há nenhum fundamento na Bíblia para tal imposição tirânica, fruto de cérebros paranóicos. Não é de espantar esse festival de escândalos que vemos ocorrer no clero católico. Afrontaram a natureza: como consequência, surgiram os escândalos...
Resposta — Bem ao contrário de ser uma violência e uma afronta contra a natureza humana, a castidade perpétua é preconizada pelo próprio Jesus Cristo como sendo um estado de maior perfeição humana e espiritual. Com efeito, após haver proclamado a indissolubilidade do matrimónio, apresentou Ele a continência como um estado mais perfeito e mais apto a merecer o Reino dos Céus.
Assim, lê-se no evangelho de São Mateus: “Seus discípulos disseram-lhe: Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar! Respondeu-lhes Ele: Nem todos compreendem estas palavras, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre de suas mães; e há eunucos a quem os homens fizeram tais; e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda” (Mateus 19, 10-12).
Cabe aqui uma rápida explicitação do final desse texto: “e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus”. Tais eunucos, evidentemente, são os sacerdotes e os religiosos que, por um chamado especial de Deus, levam uma vida consagrada, mantendo o celibato.
O admirável equilíbrio da doutrina católica nessa matéria encontra-se formulado já por São Paulo, na primeira Epístola aos Coríntios: “Isto digo como concessão, e não como ordem. Pois quereria que todos fossem como eu [celibatário]; mas cada um tem de Deus um dom particular, uns este, outros aquele. Aos solteiros e às viúvas digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (I Coríntios 7, 6-9).
E continua dizendo: “Estás ligado a uma mulher? Não procures desligar-te. Estás desligado de mulher? Não procures mulher. Mas, se quiseres casar, não pecarás; e se uma virgem casar, não peca. Todavia, padecerão a tribulação da carne; e eu quisera poupar-vos” (I Coríntios 7, 27-28).
Quanto aos escândalos morais que têm sido noticiados entre membros do clero de diversos países, a verdadeira causa deles de nenhum modo é o celibato — estado, como vimos, mais perfeito, recomendado por Nosso Senhor.
A causa mais profunda desses escândalos está no desfalecimento da fé, e mesmo perda da fé, de muitos membros do clero, que em consequência caíram no relaxamento espiritual e no permissivismo moral.
É conveniente lembrar que entre os pagãos da Antiguidade não tinha vigência o celibato. No entanto, o vício da homossexualidade alastrou-se escandalosamente, entre homens e mulheres...
Qual foi a causa desse alastramento? São Paulo no-lo diz na Epístola aos Romanos: porque eles recusaram-se a conhecer o verdadeiro Deus e adoraram ídolos (cfr. Romanos 1, 23).
Devido a esse gravíssimo pecado de idolatria, “Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario” (Romanos 1, 27).
Os ídolos que são adorados em nossos dias são os ídolos do mundo moderno: o secularismo (o ateísmo de toda a vida social e política), a luxúria e toda essa pasmosa decadência de costumes, que afastam os nossos contemporâneos de Deus, num processo multissecular que bem descreveu o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em sua obra máxima, Revolução e Contra-Revolução.
Quando os homens e as nações voltarem ao regaço materno da Santa Igreja, e Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima reinarem na sociedade, o celibato eclesiástico deixará de ser um espantalho e será encarado com a tranquila naturalidade de quem vive numa sociedade sacralizada, sem as excitações e devassidões do mundo moderno.

 

 
Afonso de Souza
 
 
Fonte:
- Veritatis Splendor - Algumas afirmações dos evangélicos refutadas nos Evangelhos, por Martin Zavala M. P.
- Catolicismo: Revista de Cultura e Actualidades - Reposta a algumas objecções de protestantes contra a Igreja Católica, por Afonso de Souza

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