«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
07
Fev 12
publicado por FireHead, às 23:15link do post | Comentar | Ver comentários (2)

O protestantismo é uma forma de Cristianismo que tem como principais características:

 

1 - A justificação pela fé sem as obras;

2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;

3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.

 

Vem de 1529 a origem do termo "protestante", durante a campanha da reforma luterana, quando a Dieta de Espira (conselho político do Sacro Império Romano Germânico formado para discutir assuntos religiosos) resolveu interromper o andamento das transformações religiosas até a realização de um concílio geral. Este facto provocou um protesto (escrito num documento chamado "Protestati") de seis príncipes e de catorze cidades alemães, que tinham aderido à reforma e desejavam a sua continuidade. Posteriormente, este adjectivo "protestante" passou a designar todos os cristãos reformados que se opõem a Roma. Na actualidade, os cristãos reformados têm-se autodenominados "evangélicos", termo que os denominavam no princípio da reforma. A seguir examinaremos as três características básicas e comuns do protestantismo:

 

1 - A justificação pela fé sem as obras:

 

"Justificatio sola fide" - Justificação só pela fé e não pelas obras. Sabemos também que a fé precisa de ser testemunhada por meio de obras. A Bíblia Sagrada diz: "Fé sem obras é morta em si mesma" (Tg 2, 17; 2, 16). Diz ainda: "De que aproveitará, irmãos, alguém falar que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?" (Tg 2, 14). Portanto, as duas coisas são necessárias: a Fé e as obras.

Para se entender este princípio é preciso ir a Lutero, que foi o primeiro a formulá-lo e defendê-lo. Segundo Lutero, a concupiscência (desejo de bens, gozo por bens materiais e fornicação) seria impossível de ser dominada mediante a penitência e boas obras. Lutero antes de rebelar-se contra a Igreja foi frade agostiniano. Entrou para o sacerdócio mais por medo de se entregar à concupiscência do que por autêntica vocação, no entanto, mesmo após a reforma este temor manteve-se. Então, segundo ele, bastaria apenas aceitar Jesus Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não levaria em conta os pecados do indivíduo. A fé confiante (independente de boas obras) faz com que Deus nos cubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos, a fim de nos conceber a Salvação e a Vida Eterna.

Esta concepção não atinge o interior da natureza humana, que continua pecadora, mas apenas a justifica pela fé. Daí a afirmação de Lutero "peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio."

O que dizer o Católico sobre isso? Na Sagrada Escritura (Rm 5,8s; Gl 3,12.22) Deus nos ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente concedida aos homens mediante os méritos de Cristo. Contudo, a Bíblia também ensina que o perdão concedido por Deus não é apenas justificado pela fé, é, sobretudo, regeneração (Jo 3, 3.5; Tt 3,5) e a conseguinte elevação à qualidade de filhos de Deus. Nesta medida, o crente se transforma não de nome apenas (aceitação de Cristo como Salvador), mas na realidade (1Jo 3,1), de modo a nos tornarmos companheiros da natureza divina (2Pd 1,4), isto é, capazes de produzir actos que imitem a santidade do Pai celeste (Mt 5,48). Enfim, se Deus nos concede uma nova natureza ao perdoar as nossas faltas, logo as boas obras também fazem parte da vida cristã e são fundamentais para se obter de Deus a graça da Vida Eterna (Tg 2,14-26).

 

2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;

 

* "Sola Scriputa" - Apenas a Escritura é fonte da fé, interpretada individualmente, o chamado livre exame, com isso, ele deixou a porta aberta para que a própria doutrina luterana se ramificasse e muitas igrejas divergissem entre si. Para nós Católicos a Bíblia é a Palavra de Deus que nos chama a fé, mas o Senhor nos fala também pela Igreja. A Palavra escrita e a palavra falada se completam. O Evangelho, antes de ser escrito, foi anunciado de viva voz pela Igreja, pois foi à Igreja que Jesus confiou a missão divina de fazer a sua salvação chegar a todos os povos, até o fim do mundo (cf. Mt 28, 16-20)

Os Reformadores, a fim de dar base a justificação pela fé e não pelas obras, sentiram a necessidade de revisionar os conceitos de fonte da Revelação cristã. Esta é a Palavra de Deus e ela é composta pela Sagrada Escritura e pela Tradição oral (apregoada pelo ministério da Igreja). Esta revisão definiu a rejeição da Tradição oral e do magistério da Igreja em nome da afirmativa: toda a Palavra de Deus está contida na Bíblia.

Os protestantes afirmam também que o indivíduo é livre para interpretar a Bíblia. O crente lê e a entende tendo a ajuda do Espírito Santo, que dá o seu testemunho interior, iluminando e dirigindo o seu coração. Esta postura subjectivista (individualista) faz com que seja negado a Igreja visível e hierárquica a função dada por Cristo de guardiã dos Seus ensinamentos e da Sua transmissão.

O valor da Tradição oral se explica pelo facto de que a Revelação oral antecedeu a redacção das Escrituras e não foi, explicitamente, toda registada nos livros sagrados (Jo 20, 30s; Jo21,25; Hb 2,3; 2Ts 2,15). Portanto, vê-se o quanto é arbitrário e insuficiente interpretar a Bíblia independente da corrente de doutrina da qual a Escritura se originou, conservou-se e sempre se transmitiu.

Porém, apesar da negação das diversas correntes protestantes, a Tradição transmitida desde o início do Cristianismo, do qual originou a Bíblia, não abandonaram, todavia, o sentido de tradição, pois cada corrente reformadora segue a linha estabelecida por seu fundador (Luteranismo, Lutero; Calvinismo, Calvino; Metodismo,Wesley; os Baptistas, Smyth;etc), o que nega na prática a livre interpretação bíblica pelo indivíduo.

 

3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.

 

* "Sola gratia" - Não aceita a mediação da Igreja Hierárquica entre Deus e os Homens. Para nós, Católicos, a salvação vem realmente de Deus, mas o ser humano não fica passivo, como pedra que é colhida pela pá carregadeira. A salvação é como uma corda que desce do alto, à qual o homem se agarra, ajudado pela graça de Deus. Deus quer a colaboração do homem e da Sua Igreja.

Como vimos, o protestantismo dá um valor decisivo à atitude do indivíduo diante de Deus; é a fé do crente (subjectiva) que lhe garante a salvação. Os canais transmissores da graça divina, os sacramentos, administrados por uma sociedade visível e hierarquicamente constituída (a Igreja) são portanto negados como fonte de salvação. Para o protestante, entre o homem pecador justificado pela fé em Deus, não há nenhum sacerdote senão o Senhor Jesus invisível que está nos Céus (cf 1Tm 3,15). Então nada além do Espírito Santo, que fala no intímo do crente, pode ser Mestre e guia da fé, não havendo a necessidade de recorrer a nenhum magistério visível e objectivo.

Existe apenas no protestantismo uma igreja invisível que vai tomando corpo a partir do século XVI, sem distinção entre os fiéis e uma hierarquia organizada. Fica a pergunta sempre muito difícil de ser respondida: Como é governada a igreja invisível? Sobre esta desdobra-se outra: Sem critérios muitos seguros para se estabelecer o governo da Igreja é possível manter a fé cristã unida como pregam as Sagradas Escrituras? Não é difícil responder a esta última pergunta, basta olharmos às milhares de ramificações existentes dentro do protestantismo na actualidade, que já no tempo de Lutero o fez dizer "Há tantos credos quantas cabeças há."

 

As ramificações protestantes

 

O protestantismo não é um movimento religioso homogéneo, tendo muitas diferenças internas entre as suas igrejas e muitas das vezes estas são tão diversas entre si que se afastam em demasia da mensagem da Igreja Cristã Primitiva. As diversas ramificações protestantes têm como causa o princípio da livre interpretação bíblica pelo indivíduo que traz consigo o germe da fragmentação e da radicalidade. Muitos movimentos reformadores movidos por sentimentos radicais destruíram igrejas e imagens bem como torturaram e mataram vários opositores; qualquer um que se opusesse às directrizes de um dos movimentos era considerado inimigo daquela igreja. Temos como exemplo o governo teocrático (Governar em nome de Deus) da Nova Sião estabelecido pelos reformadores anabistas que dirigiram uma forte perseguição aos adversários das suas convicções religiosas. Vê-se na prática o quanto é errado a noção da livre interpretação bíblica pelo indivíduo, pois cada movimento reformador, ao ganhar preponderância política sobre os demais, fazia com que as suas convicções fossem sobrepostas as dos outros (é o caso dos congregacionistas ao tornarem-se religião oficial do estado de Massachusets nos Estados Unidos).

A fragmentação é um outro aspecto observado no protestantismo. Bastava um grupo, ou até um indivíduo, segundo a sua interpretação das Sagradas Escrituras, discordar e julgar imprópria determinada prática feita pelos membros daquela comunidade religiosa, para ser um forte motivo para se fundar uma nova agremiação (Reflectir 2Pd 3, 15-16). Daí a dificuldade em mapear as suas ramificações e as origens de cada uma delas. Todavia, é sabido que as igrejas reformadas tem como base três origens: a reforma luterana, na Alemanha; a calvinista, na Suíça; e a anglicana, em Inglaterra.

A história do protestantismo nos lembra da triste sorte que geralmente toca aos cristãos que cedem ao individualismo e ao subjectivismo em matéria religiosa: vão-se afastando cada vez mais das fontes do Cristianismo, a ponto de, por vezes, só guardarem o nome de cristãos. É, entre outros, o caso das Testemunhas de Jeová.

Foi precisamente para evitar cisões e rupturas devido ao individualismo, às vezes fantasioso e erróneo, que o Senhor Jesus quis instituir o primado de Pedro e de seus sucessores. A Pedro disse Jesus: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti a fim de que tua fé não desfaleça... Confirma os teus irmãos" (Lc 22, 31s). É o ministério de Pedro, assistido pelo Senhor Jesus e o Espírito Santo, que garante a unidade da doutrina e da moral da Igreja, conservando-as fiéis ao Evangelho original.

Por isso São Cipriano (+ 258), diante das ameaças de cisma no século III, ensinava: "Não pode possuir a vesta inconsútil de Cristo aquele que divide e dilacera a Igreja",: ou ainda, "Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por Mãe na terra". Posteriormente, dizia muito sabiamente Santo Agostinho: "Na cátedra da unidade colocou Deus a doutrina da verdade". Cientes disso, nós fiéis cristãos Católicos devemos reconhecer o valor de estarmos na barca de Pedro, onde Jesus navega com os seus.

Veremos a seguir algumas igrejas protestantes e as suas origens, bem como alguns aspectos doutrinais.

 

 

Genealogia Protestante

Alemanha

 

* Luteranismo ----> Anabistasx1 ------>Menonitas

 

 

Inglaterra

* Anglicanismo ------> Congregacionistas

* Anglicanismo -------> Metodismo ---> Pentecostalismo (Assembleia de Deus, Universal do Reino de Deus, Nova Vida, Evangelho Quadrangular, etc)

* Anglicanismo --------> Baptistas ( x1 Influência das ideias Anabistas)  ---> Adventistas

 

Suíça, Escócia e Inglaterra (Conhecidos como Puritanos)

 

*Calvinismo  ---> Presbiterianismo ---> Testemunhas de Jeová

 

Os três troncos iniciais:

Os Luteranos

 

O fundador do Luteranismo foi Martinho Lutero. Mestre em Filosofia, entrou para a ordem dos frades agostinhos (1505), ordenou-se padre em 1507 e foi teólogo em 1513. A divulgação das suas 95 teses contra a hierarquia eclesiástica e as indulgências da Igreja, em 1517, marcam o seu rompimento contra a Santa Sé. Publicou posteriormente obras de combate à doutrina católica onde critica a submissão da igreja à autoridade romana, influenciado pelo nacionalismo germânico, e os sete sacramentos cristãos.

A doutrina luterana não admite a mediação da igreja entre o crente e Deus, por defender a livre interpretação bíblica pelo indivíduo, e discorda da necessidade de se praticar boas obras como forma de se obter a graça da salvação. Tem, portanto, a visão de que a natureza humana é completamente manchada pelo pecado e por isso não existe forma de buscar a santificação (Esta visão vem da interpretação de Lutero da Sagrada Escritura em Rm 1,17 e Gl 3,12.22 a luz dos escritos pessimistas de Santo Agostinho em relação à natureza humana). Todavia, os pecados do crente serão perdoados e justificados pela fé em Jesus como seu único Salvador, a chamada justificação (dos pecados) pela fé.

Discordam, também, do sacerdócio ministerial transmitido através do sacramento da Ordem. Todos os crentes participam de um único e universal sacerdócio derivado do baptismo. Os sacramentos são reduzidos para apenas dois: O baptismo e a Santa Ceia.

No Brasil as diversas igrejas luteranas reúnem-se, não de forma centralizada, em duas associações: CIL (Conselho de Igrejas Luteranas) e IECLB (Igrejas Evangélicas de Confissão Luterana do Brasil). Nutrem em Lutero, como em todas as igrejas luteranas do mundo, um respeito profundo e chamam-no grande mensageiro de Deus. Todavia, afastam-se de Lutero em muitos pontos, como por exemplo na veneração a Maria como Mãe de Deus que podemos ver explicitamente nas palavras do mensageiro: "Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei David) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na Cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade."

Alguns anos atrás surgia em muitas igrejas luteranas, principalmente na Alemanha, um movimento, liderado por leigos e até pastores, de revisão de alguns dogmas desta igreja em vista aos milagres acontecidos em Lourdes e Fátima. Esta revisão prega o resgate do culto a Virgem que segundo eles, ao ser sufocado, no coração dos evangélicos, foram destruídos os sentimentos mais delicados da piedade cristã. Este movimento pode ser visto como um álibi para uma maior aproximação (já existe um bom diálogo) entre católicos e luteranos.

 

Os Calvinistas ou Presbiterianos

 

O Fundador do Calvinismo ou Presbiterianismo foi João Calvino. Em 1527/8, embora educado na fé Católica, passou para as ideias reformadoras que percorriam a Europa desde o brado de Lutero em 1517. Emigrou para Genebra e depois para Basileia, ambas cidades suíças, onde escreveu várias obras de profundas críticas à doutrina Católica. A teologia de Calvino, embora semelhante à de Lutero, dá ênfase na magestade divina, engrandece demasiamente o poder de Deus, a ponto de dizer que há duas predestinações: uma para a salvação e a outra para a condenação eterna. Deus, segundo Calvino, proíbe o pecado a todos, mas na verdade quer que alguns pequem, porque devem ser condenados. Ele, apesar desta doutrina ser espantadora, sabia atrair discípulos, pois afirmava que todo aquele que crê realmente na justificação por Cristo, pertence ao grupo dos predestinados, tendo a salvação garantida. Esta concepção difere dos demais cristãos que adoptam a remissão dos nossos pecados por Jesus na cruz.

Ao organizar a igreja em Genebra, Calvino colocou o governo desta nas mãos de um conselho misto formado por leigos e pregadores (pastores) chamado de presbitério que tinha ainda como função zelar pela disciplina, à semelhança da inquisição medieval. Este conselho visitava casas, servia-se de denúncias e espionagem paga; os réus gravemente culpados, se persistissem no erro, eram entregues a um tribunal, onde poderiam ser torturados e até condenados à morte.

Os Calvinistas propagaram-se pela França, Inglaterra, Escócia e Holanda. Com o desenvolvimento das grandes navegações partiram também para os Estados Unidos.

 

Os Anglicanos ou Episcopais

 

O fundador da igreja Anglicana (chamada também de Episcopal) foi o rei inglês Henrique VIII. Este recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" pela sua obra "Afirmação dos Sete Sacramentos" em resposta à obra de Lutero chamada "O Cativero Babilónico". Todavia, em resposta à recusa da anulação de seu casamento feita pelo Papa (posteriormente Henrique VIII casou-se e descasou-se sete vezes), o Rei instigou, em Fevereiro de 1531, a assembleia do clero a proclamá-lo "Chefe Supremo da Igreja em Inglaterra", o que na prática rompia a relação e a subordinação eclesiástica com a Santa Sé. Em 1532, o rei elevou à categoria de arcebispo de Cantuária (cargo mais alto da hierarquia anglicana) Thomas Cranmer que, numa viagem a Alemanha, tinha entrado em contacto com o luteranismo.

A partir daí, a Igreja Anglicana afastou-se em muitos aspectos da doutrina Católica, sendo muito influenciada por ideias calvinistas e luteranas. Consequentemente, muitos mosteiros foram fechados, relíquias e imagens foram destruídas. Apesar de guardar alguns aspectos da doutrina Católica como os sete sacramentos e a hierarquia episcopal, nega a comunhão dos santos e a veneração à Virgem Maria. Não obstante, a hierarquia episcopal anglicana não é reconhecida pelo Vaticano, uma vez que foi reconstituída por Isabel I no ano de 1559, após ter sido praticamente extinta pelo rei anterior, quando nomeou um capelão dela a categoria de arcebispo de Cantuária, segundo um ritual novo chamado "Ordinal", confeccionado no reinado de Eduardo VI.

Hoje em dia, o reatamento entre a Santa Sé e a hierarquia anglicana é ainda mais dificultado pela ordenação de mulheres ao presbiterato e até para o episcopado. Este facto tem aberto distância crescente entre os anglicanos e os Católicos (acompanhados pelos ortodoxos orientais, muito fiéis à Tradição). Porém, no século passado registou-se em Inglaterra o chamado movimento de Oxford, chefiado por teólogos anglicanos (entre os quais John Newman, depois convertido ao Catolicismo e feito cardeal) que propunha um estudo à literatura teológica dos primeiros séculos do Cristianismo ou os Padres da Igreja; mediante esse retorno à fonte, verificaram que a Igreja Católica havia guardado puramente a mensagem de Cristo e das primeiras gerações cristãs. A continuidade desse estudo é muito importante, pois pode preparar o reatamento da comunhão entre o anglicanismo e o Catolicismo.

 

Os Congregacionalistas

 

Os congregacionalistas surgiram de um grupo de cristãos radicais que desejavam ir mais adiante com a reforma anglicana, segundo eles ainda muito Católica. Os cristãos radicais, muitos eram pastores anglicanos, criticavam a hierarquia episcopal e a liturgia tradicional (mantidas na igreja anglicana). Ambas deviam ser abolidas em nome da "purificação" do credo e das práticas da igreja, daí serem conhecidos como puritanos. Um destes cristãos chamava-se Browne e em 1580 pregou e realizou a separação de um grupo radical da igreja Anglicana oficial em Inglaterra. Este grupo declarou-se isento de qualquer imposição doutrinária ou disciplinar; deveriam ser considerados todos iguais entre si e livres na interpretação da Bíblia.

Estas teses por serem muito individualistas trouxeram ao grupo o germe da desagregação. Com efeito, dois anos depois de ser fundado, tal grupo se dividiu por motivos de dissensões internas. As teses de Browne foram reassumidas por John Greenwood, Henry Barrow e Francis Jonhson, que em 1592 fundaram uma comunidade de independentes congregacionalistas, porque afirmavam que a igreja consta de grupos (congregações) de cristãos santos sob direcção própria e independentes de qualquer controlo. Portanto cada igreja seria governada pela sua congregação sem nenhum vínculo entre si.

Como se vê, a falta de uma autoridade central e o elevado grau de independência entre as congregações expuseram-nas a cisões, assim como às incursões do racionalismo que levaram à negação de alguns dogmas, como a negação da Santíssima Trindade. Temos como exemplo a cisão de 1833 que separou os congregacionalistas unitários (contrários a Trindade) dos ortodoxos trinitários (favoráveis a ela).

 

Os Metodistas

 

O Fundador do Metodismo é John Wesley. Este participava juntamente com o seu irmão Charles de uma "comunhão" semanalmente na Universidade de Oxford, no qual praticavam o jejum, a santidade e a caridade. Devido à regularidade da sua vidas, ambos eram chamados de metodistas, designação esta que conservaram. Em 1738, Wesley, após julgar ter recebido o testemunho de que conseguiria a salvação, começou a pregar e a formar pequenas comunidades em Londres e Bristol. Em 1739 passaram a pregar em casas particulares e praças públicas e não mais em templos, por não terem sido reconhecidos pela religião anglicana (oficial em Inglaterra). Posteriormente, Wesley deu a nova comunhão constituição eclesiástica própria e ele mesmo impôs as mãos e nomeou um dos seus ministros "bispo metodista". Portanto é assim que o metodismo tem os seus "bispos" no sentido impróprio da palavra, pois lhes falta o essencial, ou seja, a sucessão apostólica.

A atenção dada ao Espírito Santo e à santificação pessoal, sentida pela experiência da acção do Espirito Santo no íntimo do crente (subjectivismo), prepara o surto dos grupos pentescostais no século XX, que começaram com o desejo de Holiness (Santidade) nos Estados Unidos.

 

Os Baptistas

 

Os baptistas têm por fundador o inglês John Smyth (+1617). Foi, primeiramente, pastor anglicano. Movido pelo espirito reacionário que agitava não poucos cristãos de sua pátria, queria uma reforma ainda mais radical do que a anglicana; em particular, não se conformava com a organização hierárquica (episcopal) e a liturgia dos anglicanos, que ele julgava supérfluas. Foi influenciado pelas ideias anabistas (não reconhecimento da tradição cristã do baptismo em crianças, presente na igreja primitiva e também na Católica) e pregava assim o rebatismo em todo o crente baptizado quando criança. Por isso formou, em Gainsborough, uma pequena comunidade dissidente do anglicanismo no ano de 1604; foi, porém, obrigado a exilar-se com os seus companheiros, indo ter a Amesterdão (Holanda), onde o calvinismo predominava. Na verdade, afastam-se da tradição bíblica e cristã pois lemos que várias personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram baptizar "com toda a sua casa"; assim o centurião romano Cornélio (At 10, ls.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (At 16,14s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8) e a família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão "casa" (oikos, em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças.

Cada comunidade baptista é independente de qualquer autoridade visível, seja eclesiástica, seja civil; é regida directamente "por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo", que agem na assembleia. Esta tem todo poder de eleger os seus pastores e diáconos e substituí-los, não havendo, portanto, hierarquia nem jurisdição eclesiástica.

Em sua teologia, os baptistas seguem teses calvinistas. Assim, por exemplo, ensinam que Deus predestina os homens, directamente não só para a glória, mas também para a condenação eterna. Afirmam também que a justificação ou a graça é obtida mediante a fé apenas e esta encobre os pecados.

Professam os "sacramentos" do baptismo e da Santa Ceia, todavia estes não são meios comunicadores da graça (que vem somente pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé. Logo, divergem da Tradição cristã primitiva (seguida pelo Catolicismo) no qual o sacramento é um canal da graça que realiza o seu efeito ou comunica a graça mesmo a uma criancinha antes do uso da razão

Hoje em dia se contam mais de 20 ramos baptistas, que em 1905 se uniram de maneira um tanto vaga na Liga Mundial Baptista; são, entre outros, os baptistas calvinistas, os baptistas congregacionalistas, os baptistas primitivos, os baptistas do livre pensamento, os baptistas dos seis princípios (porque aceitam como único fundamento da fé e da vida cristã os seis pontos mencionados em Hb 6,1s: arrependimento, fé, baptismo, imposição das mãos, ressurreição dos mortos, juízo eterno), os baptistas tunkers, os baptistas campbellitas, os baptizantes a si mesmos, os baptistas abertos, os baptistas fechados, os baptistas do sétimo dia (observantes do sábado e não do domingo), etc.

 

Os Adventistas

 

O fundador da denominação adventista (termo que quer dizer vinda) é William Miller, camponês nascido de pais piedosos baptistas. Em 1816, de acordo com a sua interpretação de uma passagem bíblica (Dn 8,5-11), Miller chegou à conclusão que a segunda vinda de Jesus se daria em 1843. Erroneamente interpretou os 2300 dias mencionados na passagem como se fosse anos. Quando a comunidade baptista o excomungou, em 1843, Miller tinha realizado várias assembleias nos campos, com a participação de milhares de ouvintes. O ano passou e nada aconteceu e Miller refez o cálculo para 1844. Esta nova previsão falhou e é desta época a origem do termo adventista. Na verdade, as previsões são contrárias ao evangelho que no diz: "Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai" (Mt 24, 36).

Como as suas previsões falharam, os adventistas justificaram o seu erro dizendo que Jesus estava a examinar os homens defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando esta obra gigantesca acabasse, os vivos passariam pelo mesmo jugalmento, e o fim estaria próximo. Nota-se aqui a ideia do homem como ser mortal e a morte física como um estado de repouso (inconsciência) das almas. Isto é uma interpretação judaica do Antigo Testamento que defendia a tese do "cheol" ou região subterrânea onde, após a morte, as almas dos bons e dos maus adormeceriam (Sl 87,11-13; Is 38,18s...). O Novo Testamento, ao declarar a superioridade da nova aliança, ensina que logo após a morte o homem entra na sua sorte definitiva; os bons verão a Deus face a face (Fl 1,21-23; 2Cor 5,6-10; 1Jo 3,1-3...).

Actualmente, devidos a cisões comuns a todos os protestantes, os Adventistas se dividem em: adventistas evangélicos, a Igreja de Deus, adventistas do sétimo dia (defendem os sábados como dia santo e não os domingos, como tradicionalmente fazem os demais cristãos por ser o dia da ressurreição de Jesus) a União da Vida e do Advento, adventista da era vindoura...

 

Os Pentecostais

 

O movimento pentecostal tem a sua origem nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Surgiu dentro do metodismo como um novo movimento de renovação dito "Holiness" (Santidade). Esse movimento ensinava que depois da conversão (necessária para a salvação) o cristão deveria passar por uma "segunda bênção" ou uma nova e mais profunda experiência religiosa, que era chamada de "baptismo no Espírito Santo".

Em 1900, um grupo de metodistas que tinham aderido ao "Holiness", após interpretarem passagens da Bíblia (At 2,1-12; 10, 44-48; 19, 17), chegaram à conclusão que o sinal característico do baptismo em línguas é o dom das línguas (Glossolalia). Posteriormente, o grupo buscou os outros dons do Espírito Santo, entre os quais a cura de doenças pela imposição das mãos.

Todavia, como em todo o protestantismo, estes grupos se dividiram e acabaram por formar novas comunidades religiosas. Não é à toa que o pentecostalismo é o ramo do protestantismo que possui o maior número de grupos e seitas completamente independentes entre si, estão hoje divididos em milhares de agremiações, e isto é contrário à união entre os cristãos pregada pelo Evangelho. Não tem sacramentos, pois, como os baptistas, estes não são meios comunicadores da graça (que vem somente pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé.

No Brasil os pentecostais se subdividem em vários seitas. Veremos, abaixo, bem rapidamente as duas seitas pentecostais de maior número e que mas crescem no Brasil.

 

Assembleia de Deus:. Esta seita tem a sua origem numa assembleia geral de pastores de várias agremiações que se uniram e formaram em 1914 na cidade de Hot Springs (EUA) a Assembleia de Deus. No Brasil, o movimento pentecostal que deu origem a Assembleia de Deus foi o primeiro a chegar (no 1910, em Belém) por intermédio de dois jovens suecos. Este movimento, como todo pentecostal, caracteriza-se por ter uma mentalidade pouco crítica e também pela interpretação da Bíblia ao "pé da letra".

 

Universal do Reino de Deus: Esta seita foi fundada no Brasil em 1977 por Edir Macedo Bezerra. Quatro anos mais tarde ele e o seu cunhado Romildo Soares se outorgaram "bispos". Em 1991, segundo a entrevista concebida pelo seu cunhado, após ter rompido com Edir Macedo, o fundador da seita teria dito que "este negócio de bispo serve apenas como título para envolver os Católicos". O grande interesse da sua doutrina não é o louvor a Deus e a sua adoração, mas o serviço do homem, numa espécie de pronto socorro. Concomitantemente, o culto a Deus torna-se secundário, afastando-se do principio básico da religião que é de ser teocêntrica (Glorificar à Deus) e não antropocêntrica (satisfazer os desejos do homem).

 

 

Fonte: Veritatis Splendor


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