«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
23
Mar 12
publicado por FireHead, às 17:14link do post | Comentar

O Pe. Santiago Martín apresenta-nos um manuscrito desconhecido, dos primeiros séculos da nossa era, que narra a vida da Virgem Maria, supostamente escrito por S. João. Aquela que sempre viveu oculta aparece aqui em primeiro plano e de uma forma muito directa. Santiago Martín nasceu em Madrid em 1954, é formado em Biologia, Teologia Moral e Jornalismo, é o Director da Secção de Religião do Diário ABC e Director do Programa da TVE "Testemunho". Autor de uma dezena de livros de espiritualidade, é também fundador de uma associação Católica - os Franciscanos de Maria - dedicada ao trabalho voluntário e gratuito com todo o tipo de excluídos e que já está presente em seis nações.

 

 

Em 1884, um especialista em manuscritos antigos surpreendeu o mundo ao descobrir uma valiosíssima peça de arqueologia. Não se tratava de um jarro antiquíssimo nem de uma escultura grega. Tratava-se de um manuscrito. J. F Gamurrini encontrou, na biblioteca de Santa Maria de Arezzo (Itália), um documento que continha um relato quase completo de uma viagem à pátria de Jesus - O Itinerarium. Tratava-se do registo das impressões vivenciadas por uma monja que, no final do século IV, decidiu desafiar todos os perigos, embarcando na aventura de visitar a Terra Santa. Aquela mulher, nascida na Espanha ainda sob o domínio romano, escreveu tudo aquilo que viu e sentiu, com a intenção de, como ela mesma relata, não privar as suas irmãs de comunidade - as que denomina "veneráveis senhoras" e "amigas da alma" - das reconfortantes dádivas espirituais que recebeu durante a sua visita aos locais santos. O Itinerarium descoberto por Gamurrini na Abadia de Arezzo era uma cópia elaborada na Abadia de Montecassino, centro do mundo beneditino e fonte do saber e da produção intelectual vigente na Idade Média. Os monges beneditinos copiaram esse livro como o fizeram com tantos outros, porque isto fazia parte de seu trabalho quotidiano. "Exportavam" para catedrais e palácios em Montecassino como em outras abadias beneditinas, os livros eram copiados em série nos Scriptorium, enquanto um monge lia em voz alta o original.


Uma dessas cópias chegou a Arezzo, onde foi descoberta por Gamurrini. O Itinerarium, da monja espanhola Egeria (ou Eteria, ou Echeria, como outros a conhecem), na forma descoberta em 1884, estava incompleto. Faltavam o início e a última parte. Além disso, no seu interior, notava-se a falta de algumas páginas, provavelmente perdidas, embora estas lacunas tenham sido preenchidas pelos especialistas com dados sobre a situação de Israel na época, recorrendo a outras fontes de informação, principalmente o Liber de Locis Sanctis, de Pedro Diácono, escrito no século XI. É evidente que a cópia que saiu de Montecassino estava completa, bem como a cópia extraída do original naquela importante abadia. Os azares da história, as pilhagens e os saques sofridos pelos mosteiros, promovidos por gente ambiciosa e sem escrúpulos, destruíram uma infinidade de obras de arte ligadas em sua origem à fé. O que ocorreu com o Itinerarium foi um caso a mais. De facto, teria desaparecido para sempre se em Santa Maria de Arezzo não tivesse sido salvo, quase milagrosamente, um dos muitos exemplares que circulavam pelo Ocidente na Idade Média. Porém, não foi Montecassino o único local que conservou o documento legado pela monja Egeria. Ela morava num mosteiro situado na Galícia espanhola, que tinha por capital, nessa época (final do século IV), a Bracara Augusta, porém contava com um número apreciável de cidades importantes, herdeiras de passados brilhantes (as actuais Astorga, León, Lugo e Oviedo, para citar somente algumas). Na época da viagem de Egeria a Israel, reinava uma certa paz no conjunto imperial. Teodósio, espanhol como Egeria, acabava de morrer (395) e deixara o seu território praticamente pacificado, dividido entre seus dois filhos. A Honório coube o território do Ocidente, e a seu irmão Arcadio, o do Oriente, incluíndo a Palestina. As peregrinações, interrompidas havia muitos anos pelas contínuas lutas e pela repressão aos Cristãos praticada pelo imperador apóstata Juliano, floresceram. Numa delas embarcou Egeria. Embora o Itinerarium tivesse sido perdido, o nome de Egeria não desapareceu, devido ao facto de que a sua obra chamou a atenção quase em seguida. Dela fala o monje galego Valério, em meados do século VII, em uma carta - Ad frates Bergidensis - dirigida a um mosteiro, hoje também desaparecido, situado em El Bierzo. Tanto a linguagem utilizada por Egeria, os seus modismos ao escrever em latim, quanto o texto de Valério confirmam a origem espanhola dessa singular monja. Esses dados confirmam também a sua elevada posição social e económica, razões que possibilitaram a sua viagem, pois isso não era barato nem seguro, a não ser que se contasse com dinheiro suficiente e com influências para receber protecção nas numerosas escalas que um peregrino do século IV se via forçado a fazer para viajar do noroeste da Espanha até o outro extremo do Mediterrâneo. Pois bem, Egeria partiu e regressou. Foi anotando tudo durante o seu trajecto como um moderno turista e, ao concluir seu périplo, redigiu as suas impressões, confiando-as às suas irmãs de comunidade, bem como aos seus superiores e aos que proporcionaram e tornaram possível a sua experiência através de donativos. O Itinerarium começou a circular e teria obtido um enorme êxito "editorial" não fosse por uma circunstância infeliz. No ano de 407, pouco depois de Egeria chegar à sua pátria, com somente algumas cópias do manuscrito original circulando pelo mundo, a Espanha sofreu invasões de vândalos, que a arrasaram. Enquanto os visigodos se fixavam na Itália, na qualidade de aliados e protetores do imperador, outras tribos godas promoviam saques, contando com o auxilio de mercenários. Neste contexto de instabilidade, foi destruído o mosteiro de Egeria. Nada se sabe do seu destino final, nem do das suas companheiras de comunidade. Os invasores estabeleceram-se na antiga província galega e conservaram a actual cidade portuguesa de Braga como a sua capital. Os vândalos, por sua vez, deixaram a península - haviam se fixado em toda a Andaluzia - e passaram a invadir a África (429) destruindo, entre outras, a cidade de Hipona, onde, na época, Santo Agostinho era bispo. A lacuna deixada pelos vândalos em Espanha foi ocupada imediatamente pelos visogodos, que se encontravam estabelecidos no sul de França e possuíam uma próspera capital em Toulouse. Com tantas idas e vindas, não só foi destruído o mosteiro de Egeria, mas também foram arrasadas diversas vilas rurais, prósperos povoados e algumas cidades. A obra de Egeria desapareceu, salvando-se milagrosamente algumas das poucas cópias que foram elaboradas, uma das quais por fim permaneceu em Montecassino.


Tudo teria acabado assim não fosse pelo recente achado que deu origem a este livro. No conjunto de desastres e guerras que sofreu a Espanha, regista-se a política anticlerical de algumas de suas autoridades. Uma delas, Juan Álvarez Mendizábal, ordenou, para maior glória das hostes reais, "desamortizar" o capital "investido", segundo ele, pelo povo durante séculos nos conventos e mosteiros. A desamortização (1835 e 1836) não passou de uma maneira delicada de justificar um roubo gigantesco, um latrocínio monumental que sequer alcançaria os seus objectivos, pois foram os ricos que adquiriram, a preço baixo, o material leiloado procedente dos mosteiros, sendo que os pobres, na sua maior parte, não obtiveram nem migalhas. Como tudo foi posto à venda de uma só vez, a liquidação foi a preço de saldo, de maneira que nem o Tesouro Real conseguiu resolver os seus problemas. O que ocorreu, em contrapartida, foi que o património cultural veio abaixo e hoje se vêem centenas de ruínas por toda a Espanha, testemunhas mudas daquilo que antes foram florescentes mosteiros, centros de espiritualidade, de cultura, bem como centros de apoio à economia rural. Num desses espólios desapareceu um antigo centro arquitectónico beneditino, o de Obona, encravado no distrito asturiano de Tineo. Nesse fértil e elevado vale tinham-se estabelecido os monges beneditinos, que, durante o século XI evangelizaram a região e auxiliaram os seus agrestes moradores a melhorar o nível de vida. Os dois mosteiros geminados de Ibona e Bárcena foram chaves na operação. Ambos caíram vítimas da rapina inútil de Mendizábal. Ambos os templos passaram a pertencer à arquidiocese de Oviedo, excepto as terras e parte dos seus tesouros culturais e artísticos.


A maior parte das posses de Obona foi adquirida por uma rica família asturiana que havia constituído a sua primeira fortuna com a importação de café procedente de Cuba e com a instalação de uma fábrica para a torrefação do produto. A biblioteca do mosteiro tornou-se apetitosa para aquele indiano, que a transladou quase toda para o seu casarão em Oviedo, sem saber exactamente o que levava, como se comprasse livros a quilo ou a metro e não pelo seu conteúdo. Tais obras passaram anos na obscuridade das estantes, embora todos na família soubessem que encerravam grandes tesouros e discutissem a necessidade de repartir a herança de bens tão incalculáveis e valiosos, que ninguém sabia precisar.

 

Por fim, numa dessas ocasiões, um fragmento do tesouro inicial, cortado e repartido ao longo do tempo, como se fossem peças de tecido ou número de contas correntes, chegou às mãos de um amigo meu, ilustre sacerdote da arquidiocese de Oviedo, cuja dedicação à leitura e ao pó dos manuscritos quase igualava-se à sua fidelidade ao Papa e aos aspectos legítimos da liturgia romana. Um dia, faz alguns meses, recebi um telefonema seu. Já me havia falado, em incontáveis ocasiões, do legado que havia recebido por herança de um tio, descendente directo da família que se beneficiara com as tropelias de Mendizábal. A ele, como sacerdote, foram confiados alguns livros procedentes do mosteiro de Obona. Folheava-os, pouco a pouco, e doava alguns ao acervo da arquidiocese, porém retinha para si aqueles que traziam mais iluminuras, entre eles uma cópia dos antigos beatos escrita originalmente nas proximidades do vale de Liébana.


Meu amigo, ao qual chamaremos de dom Ignácio, estava nervoso quando me contactou. Sabia do meu interesse pela história antiga e medieval e de meus contactos profissionais com editoras. Embora Oviedo não esteja a um passo de Madrid, ele reclamava urgentemente a minha presença na capital asturiana. Ele poderia ir a Madrid, porém não desejava transladar o "tesouro" que, segundo me disse, acabara de descobrir. Aquilo que mostrou não me decepcionou. É certo que Oviedo guarda tesouros ainda maiores - são cada vez mais consistentes os dados que identificam o sudário custodiado na santa câmara de sua Catedral com o tecido que serviu como mortalha para o rosto de Cristo -, mas aquilo que dom Ignácio possuía podia ser considerado um descobrimento comparável aos famosos manuscritos de Qumran, os rolos dos antigos essénios que viviam junto ao Mar Morto, ou, quem sabe, ainda mais importante do que esses. Era, como o leitor já pode imaginar, uma cópia do Itinerarium da monja Egeria. Uma cópia muito antiga, talvez dos primeiros anos do século VII. Possivelmente a quarta ou quinta geração das primeiras que foram feitas e levadas a algum mosteiro da Galiza hispano-romana, passando depois, junto com outros livros preciosos, por vicissitudes e perigos, até que, após a reconquista empreendida pelo mítico dom Pelágio, algum exemplar tenha ficado depositado nos mosteiros beneditinos que floresceram no novo reino Cristão, e dali, por volta do século X, tenha passado a Obona, sempre em terras asturianas. Dom Ignácio estava a par tanto da aventura da monja Egeria, quanto do seu Itinerarium. Entendia que o antigo livro que possuía era um tesouro extraordinário. Comparava-o com o de Arezzo, porque sabia que neste último faltavam alguns capítulos, e o seu estava completo. Entrei em contacto com a embaixada italiana em Espanha e com a delegação espanhola no país vizinho. Graças aos seus bons préstimos, pudemos obter, não a baixo custo, uma cópia microfilmada do texto encontrado na Itália, que cotejamos com o texto procedente de Obona. As diferenças eram mínimas, naturais das sucessivas cópias, com os habituais erros de transcrição dos copistas medievais. E foi então que decidimos traduzir os dois capítulos que foram conservados no texto asturiano mas destruídos no de Arezzo. Como não sei latim e dom Ignácio estava deslumbrado com a importância do empreendimento, ainda em segredo e sem dar a conhecer o descobrimento a ninguém, demos o trabalho relativo ao primeiro capítulo a alguns peritos da Biblioteca Nacional de Madrid; e o do último, a especialistas do Museu Nacional de Arqueologia. Não os colocamos em contacto nem dissemos de onde procedia o material cuja tradução estávamos solicitando. No primeiro caso, tudo transcorreu conforme o esperado. Era uma introdução devotada em que Egeria explicava os motivos de sua viagem e agradecia a ajuda recebida dos seus patronos e protectores. Havia somente um trecho que nos deixou confusos, porque a monja fazia uma alusão, quase como uma desculpa, à inclusão que faria no último capítulo, pois ela mesma não estava segura de que se tratava de algo correcto, de uma obra ortodoxa e não de um texto procedente de um desvio herético. Nada mais dizia e deixou que o leitor e as autoridades da Igreja julgassem por si mesmos, reiterando as suas desculpas para o caso de não ter agido correctamente ao incluir aquele texto, que não era seu, no conjunto da obra.


Quando nos chegou o relatório dos peritos do Museu de Arqueologia, o meu amigo e eu pensamos que iríamos sofrer um enfarte. A emoção de um crente se mesclava com os nervos de dois aficcionados pelos documentos antigos que possuíam em mãos, uma obra não só majestosa como também até então desconhecida. O próprio título já nos deixava estupefactos. Tratava-se do Evangelho Apócrifo da Virgem Maria. Um texto ao qual se referiram alguns dos primitivos padres da Igreja, que, no entanto, não tinham a certeza de ter existido. Naturalmente que Egeria, quando o recebeu, já traduzido para o latim, das mãos de um monge grego companheiro de São Jerónimo (que vivia em Belém, na época em que Egeria ali estivera, e havia residido na cidade natal de Jesus entre os anos 387 e 420), sentiu-se emocionada, porém teve receio de tratar-se de um texto herético, devido à confusão que envolvia o santo dálmata, em plena luta contra a heresia pelagiana, que tivera de fugir de Roma após a morte do Papa Dâmaso, acusado por Rufino de fidelidade à heresia origenista.


Egeria explica os seus temores na introdução que faz ao apócrifo mariano. Diz com clareza que não aposta na sua autenticidade e que, embora o monge que lhe fornecera a cópia garantisse se tratar de um texto autêntico e ortodoxo, ela não poderia afirmar isso com convicção. Em todo o caso, a monja espanhola não hesita em assegurar que a sua leitura revelara-se piedosa e de grande proveito espiritual, motivo pelo qual, após muito vacilar, atrevia-se a incluí-la como um apêndice do seu Itinerarium. É possível que esta dúvida de Egeria tivesse contagiado os monges de Santa Maria de Arezzo. É possível que a falta dos dois capítulos no texto que se conservava na sua biblioteca não fosse casual. É possível que algum zeloso defensor da ortodoxia chegasse a pensar que as recordações da Virgem Maria pudessem diminuir a divindade de Cristo, pois nelas se mostra o lado humano do Seu Filho. Poderia alguém ter receio que, na época mais dura da Inquisição, a inclusão de um apócrifo naquela biblioteca pudesse despertar suspeitas de conivência com as odiadas heresias. É possível até que algum severo inquisidor tenha ordenado separar e queimar os dois capítulos que faltavam à cópia italiana do Itinerarium. Em todo o caso, em Espanha se conserva agora o texto integral e o melhor que se pode fazer é ler e interpretar o que durante séculos permaneceu oculto.


Este é, segundo uma piedosa tradição, O Evangelho Secreto da virgem Maria, as suas memórias, narradas a João Evangelista em muitas daquelas tardes em que ambos descansavam das suas respectivas tarefas, nas cercanias da cidade grega de Éfeso. Que julgue o leitor o valor espiritual do texto e que deixe penetrar em si a ternura com que uma velha mãe fala de si mesma, do Seu filho e da aventura que Deus, num dia de Primavera, havia posto em andamento.

Fonte: http://www.visionvox.com.br/biblioteca/o/o-evangelho-secreto-da-virgem-maria.txt (Para quem quiser ler o apócrifo todo)


Tenho-me interessado pelo período balizado pelo (reais e coevos)Mss.do Mar Morto,e os reais Evangelhos de Dag Hammadi,(séc.IV,descobertos na Etiópia,mas já constantinianos,com tudo o que isso implica e é conhecido.O manuscrito agora mostrado,com figuras geométricas (triângulos rectângulos,p.ex.,)recorda-me um pergaminho,escrito e rescrito(prática frequente nos "scriptoria",onde a cameda MAIS ANTIGA continha qualquer coisa...de Arquimedes,se bem me lembro...Parece esse manuscrito...
sivispacem a 23 de Março de 2012 às 17:44

Pois, isso eu não sei. Eu também já me interessei bastante pela literatura apócrifa, não apenas a gnóstica, e já li imensos "evangelhos". Não é difícil perceber porque é que apenas os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João foram canonizados pela Igreja Católica.
FireHead a 24 de Março de 2012 às 01:29

Fiquei muito interessada em contactar os responsáveis pelo achado do itinerarium completo de Egeria.Estou a fazer uma dissertação de mestrado e os elementos que referem (1ª parte do itinerário- que não se encontra no manuscrito de Arezzo e que, segundo percebi, se encontra no manuscrito de Obona, assim como a parte final que Egéria teria anexado e que diz respeito ao Evangelho apócrifo da Virgem Maria) são muito importantes para preencher algumas lacunas e desenvolver com mais consistência o tema da minha dissertação - Olhares sobre o olhar de Egéria.
Fico muito grata se o Padre Santiago Martin e o seu amigo, a quem chamou "Ignacio", me pudessem ajudar nesta investigação que estou a fazer.
Com os melhores cumprimentos e antecipados agradecimentos,
Rosa Manuela B. Oliveira
barbosaoliveira@sapo.pt
Esposende
Portugal
rosa oliveira a 4 de Fevereiro de 2013 às 15:52

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