«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
16
Mar 12
publicado por FireHead, às 17:02link do post | Comentar

A reencarnação é uma doutrina que se baseia na falsa asseveração de que os mortos retornarão a este mundo em outros corpos. Segundo esse ensino, os homens não necessitam de Deus a fim de serem salvos do Inferno, pois "purificam-se" a si mesmos em "ciclos" de vida e morte até que acabem as consequências de todos os erros que cometeram em vida. É um dos ensinos predilectos dos mestres cegos e dos guias sem rumo. Está presente em sistemas idolátricos como o hinduísmo, o budismo, o espiritismo e na sopa esotérica da New Age Movement (Movimento Nova Era).

No hinduísmo, o pai do budismo e da New Age, o Karma ruim seria a causa das repetidas transmigrações das almas dos homens que, para os hindus, retornam a este mundo (em corpos de seres humanos, em corpos de vacas, em corpos de cães, de répteis, de insectos ou até de plantas) a fim de “ascenderem” rumo à “libertação” dos ciclos reencarnacionistas. Para o hinduísmo, o pecado é tratado como coisa de somenos, e o que importa é a “libertação” da “ignorância” dos homens em relação à sua necessidade de unir-se a Brahman (a “coisa” sem consciência e sem inteligência a que chamam deus), o que se daria através da meditação, da prática do Yoga, das recitações dos mantras e através dos ciclos reencarnacionistas.

O cerne da doutrina da reencarnação, bem como da sua congénere "transmigração da alma", é apenas mais uma tentativa inútil de escapar ao juízo divino, quer seja por uma opção consciente por uma religião onde Deus é deixado de lado (hinduísmo, budismo, espiritismo, New Age), quer pela submissão imposta pelo engano sedutor de Satanás, o pai da mentira (João 8:44). A doutrina da reencarnação invoca a auto-justificação e a auto-salvação por um meio fantasioso e irreal.

Segundo a doutrina da reencarnação, os homens não necessitariam do sacrifício de Cristo para nada, pois eles “salvar-se-iam a si próprios” pelos repetidos ciclos reencarnacionistas e por todo um enorme e variável conjunto de leis, normas, regras, rituais e comportamentos auto-suficientes que “elevariam” o homem a uma “condição superior”.

 

 

Reencarnação, a causa do infame sistema de castas da Índia

 

A reencarnação é o sistema doutrinário básico para cerca de 800 milhões de hindus, cerca de 300 milhões de budistas, 6 milhões de adeptos do jainismo, etc. Para essas seitas, a reencarnação é um aspecto essencial dos seus ensinos. Também para quase todos os cultos orientais e para práticas relacionadas com o Yoga e a meditação transcendental, as suas proposições baseiam-se na busca de uma "consciência mais elevada" em função da premissa da reencarnação.

A Cientologia (tão propagada por Tom Cruise e John Travolta) se propõe a remover traumas de vidas passadas com o uso de um artefacto a que chamam de E-meter; alguns psiquiatras e muitos psicólogos praticam a "terapia de vidas passadas", e têm os seus consultórios cheios, e há estatísticas que mostram que um enorme contingente populacional considera a reencarnação como uma "possibilidade". Na mente de muitos, a clássica pergunta "quem sou eu?" está sendo substituída por "quem fui eu?". Há até mesmo casos em que terapeutas chegam ao ponto de documentar "casos de reencarnação".

O conceito de reencarnação é muito popular e há um crescente interesse nesse tópico nos dias actuais, incentivado, em enorme medida, por livros e por revistas, programas de TV, filmes e palestras. A maioria deles relacionada com o mundo da "sabedoria esotérica" e do ocultismo. A reencarnação é também muito falada na Internet.

Muitos têm aceitado o conceito da reencarnação, não apenas os adeptos de religiões orientais e da Nova Era, mas mesmo por parte de quem não possui tais convicções e interesses esotéricos.

As doutrinas da reencarnação e do Karma resultaram no perverso sistema de castas da Índia, e os que são a ele submissos não podem vislumbrar a mínima possibilidade de melhorarem as suas vidas dentro desse sistema, pois os seus destinos miseráveis foram, como eles próprios afirmam, determinados pelas suas vidas passadas.

Se a reencarnação e a lei do Karma fossem tão benéficas a nível prático, como propõe a doutrina da reencarnação, como explicar os imensos problemas sociais e económicos da Índia, os quais a cada dia mais se agravam? Pobreza e miséria generalizada, fome, doenças, e um horrível sofrimento são persistentes e se agravam numa nação onde a reencarnação tem sido sistematicamente ensinada ao longo da História. Basta uma rápida passagem pelas terras onde a reencarnação tem sido ensinada há séculos para que se possa ver de perto o nível de vida subumano em que vivem multidões de pessoas guiadas por tais ensinamentos. Da próxima vez que algum guru hindu, algum mestre em meditação transcendental ou algum mestre zen lhe oferecer ajuda para terminar com todos os seus problemas, diga-lhe que vá para a Índia, eles lá precisam de muita ajuda!

A simples e mera lógica do pensamento humano, assim como o bom senso natural que há nos homens, pode aniquilar as pretensões da reencarnação: que benefício poderia haver em alguém ser punido por algo do qual nem sequer se lembra de ter feito? E por que se tiraria alguém do fundo do poço, se limparia as suas feridas, o alimentaria, se alguma lei impessoal se encarregará de perpetuar o seu estado de fome e de dores, a lei do Karma?

O conceito de reencarnação é proveniente dos Vedas do Hinduísmo e chegou à Europa durante a Idade Média com o Hermetismo proveniente do Neo-Platonismo. A reencarnação só começou a ser mais amplamente promovida no Ocidente no começo do século XX com a Teosofia e, posteriormente, com a Antroposofia. Os seus esforços persistentes, juntamente com o de diversos gurus orientais, e, principalmente, pelos esforços do Movimento Nova Era, combinados, foi o que desencadeou uma ampla aceitação da reencarnação como hoje vemos na nossa sociedade ocidental. A reencarnação, totalmente oposta aos ensinos do Cristianismo, tornou-se em uma doutrina sedutora a fim de explicar a origem e o significado da vida.

Novos formatos e novas versões remodeladas surgiram para "explicar" a reencarnação, com versões substancialmente diversas das que são propaladas pelas religiões orientais. Por exemplo, diferentemente do ensino de que a reencarnação seria um tormento do qual muitos deveriam escapar a qualquer preço, pela abolição de suas individualidades, a Nova Era declara que a reencarnação faz parte de um eterno processo de progressão da alma rumo a níveis mais elevados de existência espiritual, o que é, do mesmo modo, totalmente oposto aos ensinamentos do Cristianismo.

 

 

A reencarnação é impossível pelas leis numéricas

 

Se há uma alma por pessoa, e se a população do mundo está a crescer (e muito), de onde estão a vir essas novas almas? Por outras outras palavras, a população mundial mais do que dobrou, desde a viragem do século XIX até o século XXI, de cerca de 2 mil milhões para mais de 7 mil milhões de pessoas hoje. Se cada uma dessas 7 mil milhões de pessoas tivesse vivido pelo menos uma única vida passada, de onde veio esse excedente de tantos milhares de milhões de almas? Mas, segundo os reencarnacionistas, parece haver algumas "explicações possíveis" para isto:

 

- Essas novas almas estariam a vir de animais ou de rochas (rochas, um ser não vivo?) e de plantas.

- Essas novas almas estariam a vir de outros planetas (e fica-se com um défice de almas neles?), como afirmou uma das mais activas promotoras da Nova Era, Shirley MacLaine.

- Haveria pessoas a viver com mais do que uma alma (!!!)...

 

Mas como a definição clássica de reencarnação envolve uma alma por pessoa, a última opção está descartada. Agora, se se aceita o ensino clássico hindu sobre a reencarnação, o que envolve a aceitação de que se pode reencarnar numa barata ou num verme intestinal se tiver vivido uma vida realmente má, então a primeira opção parece poder ser uma solução. E se a tolice for uma de suas características, então a segunda opção é a solução.

 

 

A reencarnação é impossível porque afronta o bom senso, a inteligência e a razão

 

A reencarnação não faz o menor sentido, pois a razão de vivermos supostas vidas futuras seria com a finalidade de progredir sobre o mal que fizemos noutras vidas, e também para que sejamos punidos. Mas quem, honestamente e em sã consciência, pode dizer que se lembra das suas vidas passadas? Como é que eu poderei tornar-me melhor em relação ao que eu fiz em vidas passadas se eu não lembro do que fiz? Há pessoas que afirmam lembrar-se de vidas passadas quando submetidas a algumas técnicas, principalmente a hipnose. Porém, é facto cientificamente documentado que a hipnose não é um método nada confiável. Não pode sequer ser chamada ciência. Há pessoas que, sob hipnose, declaram ter viajado em naves espaciais, terem tido relações sexuais com extraterrestres e até que foram responsáveis por mudar o curso da História! É realmente possível acreditar nesses disparates?

O psiquiatra canadiano Ian Stevenson alega que já documentou 2500 casos de reencarnação, uma documentação fraudulenta, evidentemente. Se não for fraudulenta pelo facto de envolver algumas pessoas criadas em ambientes propícios a fazê-las acreditar na reencarnação, é fraudulenta pela actuação de Satanás, o qual pode fornecer diversas informações a fim de que se procure "confirmar" uma suposta existência prévia nesta terra; especialmente quando a hipnose é usada. Estados de transe hipnótico podem ser facilmente manipulados por forças demoníacas a fim de que sejam simuladas existências pregressas.

A reencarnação é um ciclo de desesperança, depressivo e ultrajante. A própria doutrina hindu afirma que o mal é apenas uma "ilusão".

A crença na reencarnação é também incompatível com a razão, com o raciocínio lógico mais elementar. Afinal, para que seja possível aprender com um erro, é necessário que nos lembremos do erro cometido. Isto ocorre não apenas com os seres humanos, mas também com os animais. Um cachorro aprende a não satisfazer suas necessidades fisiológicas no lugar errado sendo castigado quando o fez, ou sentindo o cheiro do que fez para que se lembre de seu acto. Alguém que tentasse ensinar um cachorro a controlar a sua bexiga à espera da hora em que o animal não mais se lembrasse do acto proibido para, de sopetão, castigá-lo, conseguirá na melhor das hipóteses traumatizar o pobre animal, nunca ensiná-lo a controlar a bexiga. Afinal, o pobre animalzinho não saberá porque terá sido castigado! 

A crença na reencarnação pressupõe na existência de um deus punitivo e sem misericórdia, ou melhor, um mecanismo que funciona por conta própria em que as pessoas são punidas com uma vida pelos pecados de que não se lembram, por erros que não sabem que cometeram, com o único objectivo de expiar uma falta que desconhecem totalmente ter cometido. Assim, evidentemente, não pode haver aprendizagem. Como poderia uma pessoa que sofre com as consequências de um suposto pecado numa suposta vida passada aprender a não mais cometer aquele pecado, se ela nunca soube tê-lo cometido? Como poderia ela saber que errou, que está a ser punida por aquele erro e que não mais deve cometê-lo, se ela não tem lembrança alguma dessa suposta vida anterior e só vê as misérias que sofre e que lhe parecem absolutamente desprovidas de valor, já que não tem como ligá-las com aquilo que teria sido a causa destes sofrimentos e que teoricamente os faria justos?

A justiça humana exige que o reú castigado saiba por que é punido; o bom senso revolta-se contra uma punição que não tenha explicação. Para que eu me possa emendar dos erros pelos quais sou punido, devo saber quais foram. A lei do Karma reduz o conceito de Deus ao de um juiz ou tirano inexorável, induzindo ao fatalismo e ao mecanismo físico no plano moral.

A crença na reencarnação é também incompatível com a razão pelo simples facto de que não ajuda em nada uma pessoa pelos pecados que ela não sabe ter cometido, como não faz sentido dizer ser a mesma pessoa (ou dar a ela uma punição!) quando ela nasceu de outros pais, com outro nome, noutro lugar, sem lembrança alguma da sua suposta vida anterior, da sua personalidade nesta "vida passada", dos seus erros, acertos, ignorâncias e saberes.

Uma pessoa que não fala a mesma língua, não tem a mesma cultura, nasceu de outros pais, num outro país, não se lembra da "encarnação" anterior, não tem conhecimento algum de nada do que agora o afectaria, não é nem pode ser considerada a mesma pessoa que uma sua suposta "encarnação" anterior. Qual seria o ponto em comum entre essas pessoas? Apenas uma espécie de "carné" de pecados para pagar, que seria passado de uma pessoa/"encarnação" para outra pessoa/"encarnação", sem que seja possível lembrar-se da origem daqueles sofrimentos, sem que seja levado nada de uma "encarnação" a outra a não ser os pecados a pagar. 

Assim, podemos dizer que a crença na reencarnação pressupõe na verdade que os pecados cometidos por uma pessoa (João da Silva, nascido em Botucatu dia 25 de Janeiro de 1965 e falecido em Belo Horizonte em 30 de Agosto de 1997, teria por pura maldade quebrado a perna de uma criança) são pagos por outra (José de Souza, nascido em 27 de Setembro de 1997 em Belém do Pará, nascido com a perna aleijada). Ora, isso não apenas é injusto como é absurdo! Não é a mesma pessoa, já que não há nada (paternidade, nome, personalidade, naturalidade, cultura, conhecimentos...) em comum, e José de Souza não teria como saber que sofre pelos pecados de João da Silva, que teria morrido e deixado assim de ser punido pelos seus pecados, passados a José para que a pobre criança os pagasse! 

A crença na reencarnação, além disso, é incompatível com a razão (ao menos quando os reencarnacionistas afirmam que todas as "encarnações" ocorrem em seres humanos e na Terra) porque a população de hoje no planeta é equivalente à soma de todas as pessoas que cá já viveram até o século passado. Assim, cada pessoa poderia no máximo estar na primeira ou segunda "encarnação". 

A crença na reencarnação é também incompatível com o bom senso mais elementar e é facilmente perceptível como apenas um reflexo do eterno orgulho humano quando percebemos que praticamente todas as pessoas que acreditam em reencarnação fazem questão de citar imediatamente supostas "encarnações" anteriores como reis, rainhas, pessoas famosas... conheço umas cinco ou seis Cleópatras! 

Hoje em dia, com a queda dos padrões morais da sociedade, está também na moda ter sido uma prostituta elegante de alguma corte em supostas vidas anteriores. Isto reflecte-se apenas as ânsias das pessoas, a sua incapacidade de enfrentar a realidade, mas evidentemente não corresponde à realidade.

 

 

O espiritismo e a reencarnação

 

O espiritismo e a reencarnação pressupõem uma concepção dualística platónico-cartesiana de alma e corpo que nega a unidade substancial do ser humano e leva à posição errada do materialismo.

Escreve Carlos Aldunate no seu livro "O Cristão frente ao paranormal" – Provocar esses fenómenos significa entrar voluntariamente no estado particular de receptividade que se chama TRANSE. Nele, o médium deixa de lado o seu espírito crítico e se faz transportar da sua própria sensibilidade. Por isso, o transe é um estado degradado do homem. (...) O médium em transe suspende as próprias capacidades superiores, por estar permeável às forças do inconsciente inferior. (...) Essas forças são desconhecidas: podem vir do inconsciente do médium, do inconsciente do cliente ou do inconsciente colectivo. Podem vir também de um espírito desconhecido, porque não há nunca plena segurança que venham do espírito invocado. Podem, enfim, vir de um demónio. Certamente, não podem vir de Deus, porque Deus não pode ser captado e obrigado a responder às nossas perguntas. Cria-se facilmente uma dependência dos espíritos; dependência que pode resultar bastante funesta. Conhecemos vários casos nos quais a invocação dos espíritos provocou obsessões com vozes, sensações corporais, impulsos ao suicídio etc. (...) Se uma actividade é essencialmente insalubre para o homem, é sinal de que ela não é conforme à sua natureza, não entra na intenção do Criador. Aquela actividade é simplesmente contra a ética; não se deve realizar. Os perigos das práticas espíritas, os efeitos perniciosos que frequentemente produzem, advertem-nos que eles não devem ser realizados. O transe sempre comporta uma diminuição da clareza intelectual, do espírito crítico e da liberdade humana; portanto, deriva sempre uma diminuição da responsabilidade, que é a característica própria do homem adulto e maturo.O homem em transe é como um homem mais ou menos drogado, um homem diminuído. Este transe verifica-se no médium e também na pessoa que o consulta e que entra na sugestão desencadeada pelo médium.

A doutrina da reencarnação é, na sua realização prática, como uma roda que parte de um ponto para retornar ao lugar de partida. A diversidade dos seres é momentânea, presente apenas nas existências intermediárias que se manifestam entre a partida e a chegada: minerais, depois plantas, depois animais, depois homens entre eles desiguais e enfim a igualdade e isto é um espírito perfeito, idêntico. Segundo tal doutrina, os homens seriam mais ou menos avançados dependendo se estiverem mais ou menos próximos do ponto da chegada, que é similar ao pleroma gnóstico: o pleroma gnóstico é uma espécie de magma originário e indistinto e o gnóstico Basílides o chama abertamente de nada.

Na doutrina da reencarnação:

 

- Os homens não têm um ser próprio, uma identidade pessoal própria: de facto, eles não têm conhecimento das próprias existências anteriores, não podem traçar a própria continuidade e a própria unidade. Esta amnésia das existências precedentes está em contradição mesmo com a teoria da reencarnação, a qual pressupõe a existência de um espírito independente do corpo, isto é, de um espírito que está no corpo como uma substância de natureza completa e que, portanto, guia o corpo como o piloto guia a nave. De facto, se o espírito é uma substância em si mesma completa, no desencarnar deveria levar embora consigo as lembranças e, sem perder a posse delas, deveria entrar no novo corpo do mesmo modo como o piloto não perde as próprias lembranças no passar de uma nave a outra.

- A ignorância das existências anteriores torna inútil a reencarnação. De facto, considerando a ignorância das existências precedentes, não se vê de que modo a reencarnação possa servir a favorecer o progresso individual. Para os reencarnacionistas, a doutrina da reencarnação serviria para fazer progredir os indivíduos através das vidas sucessivas correspondentes ao seu estado de avanço espiritual: esta seria a chamada lei do Karma. Para que o avanço do espírito possa ter lugar, ele deveria ser perfeitamente consciente da experiência adquirida em cada uma das existências precedentes, mas como se pode realizar um tal progresso se o espírito perde a lembrança das existências precedentes?

- Os homens não têm mais uma verdadeira família: de facto, para a doutrina da reencarnação, os filhos já existiam antes que os progenitores lhes concedessem um corpo no qual se encarnar. Antes de serem nossos – segundo tal doutrina – os filhos foram de outros progenitores, que foram provavelmente também de outra família, de outra nação, de outra pátria, de outra raça. Os próprios progenitores poderão se reencarnar num corpo concedido a eles pelos filhos.

- Os homens não teriam mais uma verdadeira identidade sexual: de facto, a reencarnação pode acontecer num corpo sexualmente diferente do precedente.

- E não haveria verdadeira diferença entre o homem e o animal: porque podemos ter sido animais e podemos sê-los no futuro.

 

Admitida a doutrina da reencarnação, se torna fácil, de um ponto de vista filosófico, justificar comportamentos desviados como o incesto, a homossexualidade, a zoofilia. Além do mais, deste núcleo filosófico reencarnacionista, é inevitável que tenham origem doutrinas contrárias à família e às justas e naturais desigualdades entre os homens.

Da doutrina da reencarnação deriva também uma concepção panteísta: o homem se salva por si através das sucessivas reencarnações e Deus termina por identificar-se com a soma de todas as coisas. Mas se não existe mais um Deus pessoal e transcendente, a natureza não é mais a obra do Criador, não é mais o fruto do Logos, o resultado de um projecto racional e, portanto, não existiram mais nem verdade, nem leis, nem direitos absolutos, sagrados, invioláveis. A natureza tornar-se-ia apenas uma espécie de material nascido do acaso, fruto de simples e momentâneas conexões de força, um material sobre o qual o mais forte tem o direito de exercer a sua força: ficaria um só direito e também um só dever, o da força.

Na realidade, o verdadeiro e autêntico domínio do homem sobre a natureza pode actuar somente através do conhecimento e o respeito das leis naturais.

A natureza não pode ser dominada atropelando-se as leis: a natureza se deixa dominar somente conhecendo-se as leis e aplicando-as. O domínio concedido pelo Criador ao homem não é um poder absoluto, nem se pode falar de liberdade de ‘usar e abusar’, ou de dispor das coisas como melhor agrade. A limitação imposta pelo mesmo Criador desde o princípio, e expressa simbolicamente com a proibição de ‘comer o fruto da árvore’ (cf. Gn 2,16), mostra com suficiente clareza que, no que diz respeito à natureza visível, estamos submetidos a leis não somente biológicas, mas também morais, que não se podem impunemente transgredir.

 

 

Mais algumas objecções científicas à reencarnação

 

A regressão hipnótica seria, para os reencarnacionistas, prova da reencarnação. Na realidade, no subconsciente acontece uma reelaboração caótica de todos os dados recebidos durante a existência e é possível que haja uma identificação com dados, histórias e acontecimentos depositados e reelaborados no inconsciente, identificação induzida pelo hipnotizador: o influxo do hipnotizador é evidente no facto de que, se sugere ao sujeito um retorno à infância, este age e fala como um menino; se lhe sugere ter sido um animal, este fala e age como um animal; se lhe sugere voltar a uma outra vida, começa a elaborar a história de uma outra vida. Além disso, as histórias dos sujeitos em estado de hipnose são sugeridas mais ou menos conscientemente pelos próprios hipnotizadores.

De facto, os sujeitos hipnotizados por Keeton aceitam o esquema do hipnotizador deles: declaram que todos são reencarnados logo após a morte. Aqueles hipnotizados por Arnall Bloxham transcorrem longos períodos nas esferas astrais. Aqueles de Helen Wambach escolhem o sexo antes de se reencarnarem e aqueles de Edith Fiore se reencarnam entre parentes que se odeiam. As famosas experiências do Dejà vu são facilmente explicáveis com dados e elaboração dos dados que ressurgem do subconsciente seguidos a associações emotivas induzidas por imagens, sensações, lugares, pessoas, situações que contêm elementos análogos àqueles depositados no subconsciente. Além do mais, a própria parapsicologia fornece instrumentos analíticos para demonstrar como muitos casos de suposta reencarnação são na realidade fenómenos de possessão.

Todos os relatos obtidos em transe hipnótico como sendo de existências pregressas até hoje foram reduzidos à qualidade de narrações de factos vividos pelo próprio narrador na vida presente. Sim, é notório que temos na nossa consciência psicológica apenas 1/8 dos conhecimentos que adquirimos desde a infância; 7/8 ficam latentes no nosso subconsciente ou inconsciente. Ora, colocados em sono hipnótico, perdemos o controlo sobre as nossas faculdades e dispomo-nos a obedecer cegamente ao operador. Por conseguinte, se este manda que alguém narre a trama da sua pretensa vida pregressa, tal pessoa associará, de maneira mais ou menos livre e arbitrária, as reminiscências e imagens que guarda no seu subconsciente; constituirá assim, um enredo que surpreenderá os ouvintes e o próprio paciente, mas que nada de novo apresentará, submetido a controlo, tal enredo será identificado como a soma de experiências vividas pelo paciente no decorrer mesmo desta vida. O mais famoso caso que a propósito se conhece, é o de Bridey Murphy, relatado e comentado no opúsculo "Reencarnação: prós e contras", Escola Mater Ecclesiae, CP 1362, 20001-970 Rio de Janeiro.

Os génios? As pessoas geniais, segundo os reencarnacionistas, seriam os espíritos que se aperfeiçoaram em numerosas encarnações anteriores. Tal explicação é gratuita. Quem observa os génios, verifica que não nasceram sabendo, mas são pessoas que estudam e pesquisam concentradamente ou sem dispersão. Ora , isto supõe inteligência perspicaz e vontade decidida, mas não supõe encarnações anteriores.

E as crianças-prodígio? Muitas vezes as crianças-prodígio são as que aprendem com rapidez e facilidade. Todavia, estes predicados devem-se à constituição nervosa de tais crianças, de tal modo que raramente elas se tornam pessoas talentosas. Ao contrário, as crianças aparentemente não talentosas, mas  dotadas de natureza calma, aprendem de maneira mais contínua, podendo chegar a ser pessoas de importância ou mesmo geniais. Deve-se também observar que as crianças tidas como prodígios na matemática ou na música são como as demais crianças em outros sectores de actividade intelectual. Ora, verifica-se que os prodígios do cálculo são os mais mecânicos que há, pois as máquinas calculadoras os podem reproduzir (sem ter inteligência); às vezes, pessoas pouco prendadas têm extraordinária facilidade para o cálculo - o que mostra que este não é sinal de prodígio nem genialidade. Algo de semelhante se verifica em relação aos prodígios musicais.Em relação ao fenómeno da paramnésia (dejà vu), muitas pessoas que vão pela primeira vez a determinado lugar têm a impressão de já terem lá estado, reconhecendo o ambiente com as suas características. Pergunta-se: como explicar tal fenómeno, dito de paramnésia, senão pela reencarnação? Na vida pregressa, a pessoa já teria visitado tal lugar. A propósito podem-se fazer quatro ponderações, que dispensam a reencarnação:

 

- Às vezes, a pessoa não esteve conscientemente no lugar, mas lá esteve inconscientemente; ora o inconsciente (mesmo o de uma criança de colo) colhe impressões e as guarda latentes. Digamos, pois, que uma criança seja levada a uma praça pública ou a um cemitério; trinta anos mais tarde supostamente, essa pessoa volta a tal ambiente; compreende-se que o reconheça imediatamente. Afirmará conscientemente já ter visitado o lugar - o que será verdade, não, porém, numa encarnação anterior.

- Pode acontecer também que a pessoa tenha visto imagens do lugar em fotografias de livros ou filmes - o que leva a crer que já tenha estado no lugar.

- Existe também a explicação pela hiperestesia. Há pessoas cujo inconsciente é capaz de ler o inconsciente de outrem, como dito. Ora, se vou ao Japão pela primeira vez e tenho a impressão de já ter estado lá, posso perguntar-me se nunca me achei ao lado de uma pessoa que já tivesse estado no Japão. Caso positivo (o que é plausível), eu terei percebido inconscientemente o que o amigo vira conscientemente e trazia no seu inconsciente.

- Acontece também que há muitos objectos semelhantes, de modo que, ao dizermos que já vimos algo, podemos estar confundindo esse algo com algum semelhante. Em suma, há várias explicações para o fenómeno da paramnésia dotadas de base científica; a única destituída de fundamento seria o recurso à reencarnação.

- E será que os lugares/espaços permanecem imutáveis com o passar do tempo de modo a que permaneçam conhecíveis?

 

 

Aprender é recordar

 

Há pessoas que aprendem com tanta facilidade que dão a impressão de estar apenas avivando conhecimentos já adquiridos (no caso... adquiridos na vida pregressa). A respeito, observe-se que a arte de estudar e aprender é uma actividade psicossomática; está em relação não só com o psíquico do estudioso, mas também com as suas disposições físicas ou corporais; a imbecilidade, a debilidade mental ou a idiotice são consequências de lesões do organismos e, em especial, do cérebro. De outro lado, os espíritos ditos mais "evoluídos" beneficiam de disposições orgânicas e fisiológicas que tornam a aprendizagem mais fácil, imediata e intuitiva. Uma alma bem dotada, num corpo sadio, é naturalmente propensa a célere e perspicaz apreensão da verdade.

 

 

 

Fonte:

Intellectus

Veritatis Splendor

Sinais dos Tempos


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