«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
24
Jul 14
publicado por FireHead, às 08:32link do post | Comentar

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04
Abr 14
publicado por FireHead, às 08:35link do post | Comentar
A Origem do Ocidente
 
Nestes últimos anos tem aumentado o coro dos que propõem a erradicação da religião por considerá-la perniciosa para a civilização. Repetem sem reflectir as vozes que começaram com o anticlericalismo da Revolução Francesa, que insistia que a religião – especialmente a Católica – era uma superstição que apenas atrasava o desenvolvimento potencial da humanidade.
 
Desde aqueles distantes dias, sempre houve aqueles que querem facilmente posar de “intelectuais” e para isso não há nada mais normal do que opor algo que rejeite a religião em nome de uma suposta superioridade intelectual. O sujeito anti-religioso é imediatamente considerado um “livre pensador”, um transgressor das regras do “sistema” e infinitas outras rotulagens que não encontram qualquer amparo na realidade. Para quem consegue enxergar o jogo, a famosa postura anti-religiosa revela sempre as mesmas coisas: má formação intelectual, pobreza no manejo de conceitos abstractos, pouca leitura e muitos preconceitos alimentados geralmente pelo desejo de não se submeter aos limites da moral sexual.
 
Dizíamos que a Revolução Francesa – sim, a mesma que cortou a cabeça de Lavoisier, pai da Física moderna - começou com esta moda do intelectualismo automático. Nada melhor e mais sucinto para um ignorante com pretensão de pensador que se alimente de dois padres no café da manhã para se transformar “ipso facto” em um “arauto da liberdade” e em um “sujeito inteligente e bem-informado”.
 
Porém, sempre há retrógrados medievais como eu (como podem ver, eu sei que sou assim e sou feliz por ser assim) que se empenham em provar com factos que os tais secularistas inimigos da religião estão bastante equivocados. Insisto que é o Cristianismo, as ideias cristãs, que criaram primeiramente o intelecto ocidental, com sua genuína e original mistura de individualismo, curiosidade e equanimidade cívica, valores que por sua vez deram origem a sociedades concretas que promovem os direitos do ser humano, a ciência e os governos democráticos.
 
A incoerência do secularismo de hoje é comparável a de um homem que certo dia diz para o seu vizinho, com a maior cara de pau, que ele é o inventor da Internet e também construtor da Torre Eiffel. Os secularistas modernos crêem que de alguma maneira essa vaga mistura de darwinismo, psicologia freudiana e marxismo que professam, criou e impôs os direitos humanos, a justiça social, a democracia e a ciência no mundo moderno, que até então era “atrasado” pelas “superstições religiosas”. Uma incoerência tão grave que se esquecem do cesto com a cabeça de Lavoisier, possivelmente a cabeça mais valiosa do Ocidente nessa época, até que a guilhotina revolucionária a separasse do corpo que a sustentava. Talvez se Lavoisier tivesse vivido por mais alguns anos, Newton e Einsten não teriam que trabalhar tanto...
 
E apenas para apontar alguns exemplos, como é possível que as religiosas cabeças de Newton ou Mendel, cheias de “superstições”, fossem tão brilhantes para perceber o que ninguém havia percebido por séculos? Até agora nenhum dos entusiastas secularistas da Internet conseguiu me explicar isso. Ademais, uma investigação da História das Ciências revela (a contribuição de) uma enorme quantidade de padres, monges, bispos e fiéis. De Copérnico a Polkinghorne, os fiéis parecem possuir uma habilidade sobrenatural (desculpem-me!) para encontrar soluções concretas para problemas de toda espécie.
 
Os não-crentes ou os cépticos, no entanto, são bons para criar ciências “nebulosas” como o Darwinismo que, além de acumular pilhas e mais pilhas de fósseis, conseguiu gerar mais perguntas incontestáveis do que respostas irrefutáveis. Não esqueçamos a psicologia freudiana, cujos desregramentos todavia estamos sofrendo e que nunca pôde alcançar a maturidade epistemiológica – digamos – das leis genéticas que Mendel começou a descobrir. O pináculo das ciências nebulosas deve ser reconhecido a Marx; continuamos aguardando o paraíso dos operários, mas pela insistência com que os operários do mundo emigram para os países capitalistas, parece que o paraíso operário não faz parte da geografia marxista que certa vez cobriu a maior parte da Ásia e uma boa parte da Europa... Seu legado – pobreza, contaminação e desregramentos sociais – continua sendo a prova mais evidente da incoerência secularista. Mas, é claro, eles dirão que tudo isso foi apenas experiências fracassadas em que as coisas não foram bem feitas... O bom do secularismo é que sempre há outro lugar para onde ir experimentar e, se falhar, lança-se a culpa nos outros.
 
Alguns destes secularistas chegaram a ler livros ou, ao menos, ler as capas. Até existe entre eles alguns que falam “dos gregos” e lhes atribuem a fundação do Ocidente, que ia bem – segundo eles – até que chegaram os cristãos com as suas ideias atrasadas. O problema com a “Teoria dos Gregos e Romanos” como fundadores do Ocidente que temos hoje (por ora) é que realmente não é possível estabelecer uma relação directa entre o total das ideias dessas civilizações e o total da identidade intelectual e cultural disto que denominamos “Ocidente” ou “Civilização Ocidental”. Entretanto, para enfrentar esta contradição, devem se educar extraordinariamente mais e não basta alimentarem-se com uns padres a mais.
 
Os gregos e os romanos não eram muito diferentes dos persas ou dos chineses quando comparamos as estruturas intelectuais que criaram e as sociedades que estabeleceram como consequência. Gregos e romanos acreditavam na “anakuklosis”, ou seja, nos inevitáveis ciclos ou eras que dominam a vida da humanidade. Não apenas eles, mas todos os outros povos da Europa e Ásia compartilhavam esse “Weltanschung”. Pode-se dizer que esse tipo de conceito é o que evitou que sociedades bastante avançadas como a China ou a Índia fossem capazes de desenvolver as matemáticas avançadas que logo foram desenvolvidas no Ocidente e que tornaram possível a explosão tecnológica europeia.
 
Outra consequência dessa concepção fatalista do mundo é a atrofiação das sociedades em sistemas de castas impossíveis de serem superadas e que historicamente evitaram que essas sociedades desenvolvessem sistemas de Direito e maneiras democráticas de governo, também estes principais elementos do assombroso desenvolvimento do Ocidente.
 
Naquelas sociedades de concepção pagã predominaram sempre sentimentos profundamente pessimistas em que o medo e a morte impregnavam a psique social. O pagão entende a vida como um jogo incompreensível de gato e rato, onde ele é o rato e os deuses são os gatos. Mesmo aqueles que puderam atirar os deuses para cima – por exemplo, Epicuro – não puderam compreender a vida humana além do prazer e desprazer que a governam e que termina na aniquilação final do ser. A morte é inevitável, a vida não tem sentido, os deuses não podem ajudar... “Comamos e bebamos porque amanhã haveremos de morrer; e, por via das dúvidas, rendamos algum sacrifício aos deuses para, caso existam, nos sejam propícios”.
 
De todo esse complexo panorama desesperador, mas decorado pelo prazer e amor, talvez o Budismo seja o melhor produto. O Budismo prega a aniquilação total do ser e do desejo do ser como condição para a realização absoluta no Nirvana. Algo perfeitamente oposto à ideia cristã da satisfação de todo desejo humano na contemplação da visão beatífica. Porém, aqui, já estou me desviando do tema...
 
 
Voltemos aos pagãos... A esse mundo de quieto e não tão quieto desespero chegou Abraão. Um senhor que de intelectual não tinha nada. Um pastor nómada comum, guerreiro simples e comerciante que viajava entre o Crescente Fértil da Mesopotâmia e o Egipto. Definitivamente um tipo original porque acreditava ter falado com Deus, o Deus único e verdadeiro, nada menos. E acreditava que Deus lhe havia feito uma promessa: “Farei tua descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu”, o que, ao pobre Abraão, com 90 anos, sem filhos e casado com uma senhora de 80 anos, poderia soar mais como uma brincadeira de mau gosto. Porém, acreditou e confiou em Deus, com quem continuou conversando. Acreditando ou não, hoje mais da metade da população do mundo afirma crer no Deus de Abraão.
 
Este Deus tão peculiar foi transmitindo as Suas doutrinas gradualmente aos descendentes de Abraão; entre elas, uma doutrina que o resto do mundo da Idade do Ferro certamente NÃO compartilhava e que a ciência do mundo NÃO acreditou até que foi comprovada no início do século XX, cerca de 40 séculos após a morte de Abraão, e confirmada por Penzias e Wilson na década de 1960. A ciência demorou quatro mil anos para concordar com um hebreu montado sobre um camelo!
 
Essa doutrina única dos hebreus (assim chamados em honra à casa de Heber, antepassado de Abraão) diz que o Universo teve um início e que tudo o que existe foi criado por Deus. Os deuses daquela época eram como as donas de casa de hoje: compravam tudo pronto. Zeus, Hórus, Marduk e todos os demais são deuses que encontram o Universo pronto e, às vezes, “fazem” coisas novas, mas sempre a partir de coisas que já estavam ali presentes, como por exemplo, a lua, um touro, uma esposa, etc. Os equivalentes pagãos do génesis universal são comparáveis ao Génesis hebraico como uma redacção de jardim de infância se compara com uma obra de Shakespeare.
 
Com o passar do tempo, chegou à família de Abraão um mestre galileu chamado Jesus. Ele nos deu o que hoje denominamos “Cristianismo”. Esta força inesperada irrompeu no Império Romano do século I e transformou totalmente a sociedade. Os fiéis cristãos não podiam abortar os seus bebés, nem expô-los ao frio ou afogá-los como faziam os pagãos. Também não podiam ir-se divertir no circo, para ver as feras destroçarem os pobres condenados. Nem acreditavam que o imperador fosse um deus, negando-se a queimar-lhe incenso. Esses “loucos” acreditavam que a alma do imperador era igual, aos olhos de Deus, à alma de qualquer escravo. Os cristãos enfrentavam a morte com serenidade e dignidade, o que frustrava o público do circo que esperava ver um pouco de drama. Os cristãos acreditavam, como os hebreus, que tudo tem um início e, para eles, a morte era o início da eternidade.
 
Uma das ideias mais caras dos cristãos era a caridade. No mundo antigo, apenas os judeus tinham algum conceito de caridade como Mandamento divino. Quando as pragas açoitavam uma cidade, os cristãos entravam nela ao invés de fugir, e ajudavam os outros, inclusive aqueles que iam ao circo vê-los morrer despedaçados. Quando o Império caiu e os bárbaros invadiram a Europa com gosto e prazer, foram os cristãos que preservaram os livros e a cultura em geral. Após algumas décadas, os bárbaros invasores tornaram-se também cristãos e saíram a invadir o que restava da Europa pagã, não mais empregando armas e exércitos, mas o Evangelho.
 
Os cristãos introduziram na Europa a ideia – até então raríssima – de que Deus era razoável e não podia se contradizer a Si mesmo. Nessa breve doutrina estão contidos dois pilares do progresso do Ocidente: (1) A verdade existe, pode ser encontrada e deduzida mediante a observação e a razão; (2) A razão não é arbitrária ou contraditória consigo mesma, já que provém de Deus, o qual é a Fonte de toda verdade.
 
Assim cresceram as ciências no jardim que Jesus plantou no Mediterrâneo, lentamente no princípio e, depois, cada vez mais rápido, e que não se deteve até os nossos dias. Assim, foram inventados na Europa os mosteiros, os hospitais, as universidades, os técnicas dos artesãos, as imprensas... A Igreja limitou o poder dos reis, que já não podiam ser “deuses” e eram chamados a ser justos (mesmo que poucos o tenham conseguido ser)... Pouco a pouco chegaram as instituições democráticas, a partir da Magna Carta; descobriu-se um Novo Mundo e os seus habitantes foram somados à família de Abraão...
 
E agora, 40 séculos depois de Abraão, surgem estes secularistas e nos dizem que a verdade é relativa; que Deus não existe; que os que renegam a religião são mais inteligentes que os que se deixam guiar por ela... e toda uma longa série de loucuras que não dá para escrevê-las todas aqui.
 
 
Na verdade, estes neopagãos têm apenas duas opções: a primeira é aprender bem as coisas e tornarem-se cristãos (que é muito mais divertido do que ser pagão); a segunda é sofrer as consequências de aplicar em suas vidas as próprias ideias. Espero que sejam tão espertos quanto os bárbaros e que se unam a nós para melhorar o mundo, pois fazem muita falta após estes últimos cinco séculos de incoerências.

 
 
Carlos Caso-Rosendi
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28
Fev 14
publicado por FireHead, às 09:33link do post | Comentar
"Todo reino dividido contra si mesmo será destruído." (Mateus XII, 25)
 
Os protestantes dizem: "A Bíblia é fácil de se entender, quem a lê está livre do erro."
 
O que diz a Bíblia: "Isto mesmo ele (Paulo) faz em todas as suas cartas, ao falar nelas desse assunto. Nelas existem pontos difíceis de se entender, que algumas pessoas ignorantes e sem firmeza deturpam, como fazem com as demais Escrituras, para a própria perdição." (2 Pedro 3,16)

"Disse então o Espírito a Filipe: Aproxima-te para bem perto do carro. Filipe acelerou o passo. Ouvindo que lia o profeta Isaías, disse-lhe: Porventura, entendes o que lês? Ele respondeu: Como posso entender se não há quem me explique? E convidou Filipe a subir e sentar-se ao lado dele". (Act os8,29-31).

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A livre interpretação da Bíblia resultou em milhares de seitas protestantes, cada uma interpretando a Bíblia de forma diferente e ensinando doutrinas opostas entre si. Se a Bíblia protestante é tão fácil de entender, então porque:

1. Existem diversas igrejas baptistas (umas a favor do baptismo infantil e outras contra)?
2. Primeira igreja baptista? Quer dizer que existe a segunda?
3. Porque presbiterianos baptizam crianças, e os da assembeia de Deus não usam a mesma Bíblia?
4. Porque presbiterianos crêem na predestinação calvinista negada por todos os outros protestantes se todos têm a mesma Bíblia?
5. Porque luteranos têm imagens de esculturas em suas igrejas, e as outras seitas dizem que é idolatria?
 
Ora, se a Bíblia fosse realmente fácil de entender, e qualquer um pudesse interpretá-la, não existiriam tantas divisões no meio protestante. É muita burrice acreditar que o Espírito Santo está guiando todas estas seitas ao mesmo tempo, o Espírito Santo não é Deus de confusão! Ele não iria inspirar doutrinas diferentes para cada placa! A resposta é uma só: só a Igreja Católica é a intérprete das Escrituras, pois a Igreja quem as fez. E portanto é a única Igreja de Cristo.
 
 
Cai a Farsa

30
Out 13
publicado por FireHead, às 09:03link do post | Comentar


07
Mai 13
publicado por FireHead, às 10:35link do post | Comentar

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24
Abr 13
publicado por FireHead, às 15:11link do post | Comentar

 


20
Abr 13
publicado por FireHead, às 06:39link do post | Comentar

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09
Abr 13
publicado por FireHead, às 07:30link do post | Comentar

Por que os protestantes são protestantes? Porque protestam. Porque protestar faz parte da sua essência. Porque as suas seitas protestam contra a Igreja Católica, que é a Verdade. No dia em que os protestantes não estiverem mais contra a Igreja Católica, deixam de ser protestantes. Do mesmo modo que um bêbedo deixa de ser bêbedo no dia em que deixar de beber ou um ladrão deixa de ser um ladrão se deixar de roubar. Protestar é a essência do protestantismo: é isso a sua razão de existir.

 

Segundo o professor Sabatier, duma universidade protestante de Paris, no dia em que os protestantes deixarem de protestar, de se reformar, ou seja, no dia em que reconhecerem uma autoridade exterior como regra e prova de Fé, deixariam de ser protestantes e nesse momento matar-se-iam.

 

Os ídolos de verdade são, para além dos gnósticos, eles próprios, os protestantes, que em boa verdade também são gnósticos, mas com uma pretensa capa cristã. Eles é que são os ídolos porque eles rejeitam a Verdade que é a Igreja Católica. Já dizia o profeta: Têm olhos e não enxergam, têm ouvidos e não ouvem; têm língua e não falam (Ezequiel 12,2).


26
Mar 13
publicado por FireHead, às 00:31link do post | Comentar
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27
Fev 13
publicado por FireHead, às 15:32link do post | Comentar

Do antro protestantóide não se espera outra coisa senão heresias...

 

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07
Jan 13
publicado por FireHead, às 13:54link do post | Comentar

 

Os luteranos acreditam na Eucaristia, os baptistas negam-nA e dizem que é apenas um símbolo.

 

Os adventistas do Sétimo dia dizem que o "Sábado" é o dia da adoração, mas os presbiteriano dizem que é o Domingo.

 

Os luteranos dizem que Maria foi e sempre permaneceu virgem, mas os da Assembleia de Deus dizem que ela teve outros filhos.

 

Os episcopalistas baptizar crianças, mas os pentecostais dizem que o baptismo infantil é inválido.

 

Os mórmones dizem que a Trindade Santa não está em três pessoas, mas os metodistas dizem que a Trindade de três pessoas está em um só Deus.

 

 

Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os! (Romanos 16,17)

 

Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores (Efésios 4,14).

 

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências (2 Timóteo 4,3).

 

 

Fonte: Cai a Farsa

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10
Out 12
publicado por FireHead, às 20:35link do post | Comentar

IGREJA EVANGELICA CRIA BEBE DEUS

 

Não são esses mesmos "evangélicos" que acusam os católicos de terem imagens?

 

Ler a notícia.

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23
Set 12
publicado por FireHead, às 02:43link do post | Comentar

O blogue Christi Fidei tem a alegria de apresentar, de forma inédita, os relatos acerca de Padre Pio no que se refere ao protestantismo.


Agradecemos novamente ao Frei Carlo Maria, do Convento di Santa Marie delle Grazie, em San Giovanni Rotondo, idealizador do projecto Casa di Riposo per frati anziani (Casa de Repouso para frades idosos) por nos presentear com tão belas histórias.

O texto é de Carlos Wolkartt.


*     *     *

Um dos factos pouco conhecidos relacionado com o Padre Pio é a sua brutal e impiedosa aversão às heresias, em particular ao protestantismo. A sua repugnância à herança de Lutero era tamanha, que em certa ocasião deixou escapar, comicamente: “Não sabeis que o protestantismo também [1] possui um fundador sobrenatural? Sabeis agora, trata-se de um anjo, e o seu nome é Lúcifer”.

É preciso salientar, ademais, que Padre Pio vivia num convento, e não tinha contacto pleno com o mundo externo, e a sua ira contra o protestantismo certamente era movida de alguma forma pela sua misticidade. Isso fica bem claro quando ele diz: “É a Virgem quem chora porque não combatemos este inimigo [o protestantismo]”.

O santo estigmatizado ainda faz duas simples e contundentes analogias – Padre Pio era excelente a fazer comparações – para advertir contra o perigo do protestantismo:

“O protestantismo é como uma nuvem negra que rapidamente cobre todo o brilho do sol. Sabeis, pois, que uma nuvem não é mais grandiosa que o sol, e que ela não o cobre para sempre. A nuvem passa pelo sol, assim como o protestantismo passará perante a Igreja, sem lhe causar dano algum, pois o que não provém do céu jamais poderá vencer o próprio céu.” [2].

“Olha para o protestantismo como um grande hospital, onde os médicos não são verdadeiros médicos, e os remédios não fazem efeito porque não possuem a substância correcta. Verás, pois, que se um moribundo adentrar nesse hospital suplicando que lhe cure, sequer ouvirá uma solução para a sua doença, ou será atendido de forma desleixada, e a morte será o seu único fim. Assim é o protestantismo: há pastores que não são pastores, e há doutrinas que não salvam, por não serem as doutrinas de Cristo. E o seu único fim [do protestante] é a morte eterna, se a misericórdia divina não contrapuser a justiça temerosa”.

Por fim, a forma radical com a qual Padre Pio tratava a heresia protestante deve ser tomada como um exemplo para nós que somos filhos da Igreja de Cristo, pois, como o próprio santo disse, “é impossível amar a Igreja e não lutar para destruir [3] esta heresia.”

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Notas


[1] Padre Pio usa o “também” porque, antes, referiu-se a Nosso Senhor como fundador da Igreja Católica.

[2] Aqui, Padre Pio também afirma que a Igreja é “o próprio céu”.

[3] No original: annientare [aniquilar].



10
Set 12
publicado por FireHead, às 00:53link do post | Comentar | Ver comentários (1)

 
A Bíblia lança em rosto aos pagãos, o facto de eles divinizarem o mundo e a natureza; de buscarem, por detrás da natureza e dos seus fenómenos, forças míticas e mágicas. Das estrelas, do fogo, da luz e do ar fazem divindades. Deixaram-se enganar. A fascinação da criação levou-os a divinizar as criaturas. Neste sentido, a Bíblia é a primeira "iluminista". De um certo modo, Ela "desencanta" o mundo; despoja-o do seu poder mágico e mítico, "desmitologiza" o mundo, desdiviniza-o.
Teremos consciência de que, sem esta desdivinização do mundo, a moderna ciência não teria sido possível? Só a fé de que o mundo foi criado, de que ele não é divino, mas sim finito e "contingente" (...), que não é necessário e podia não ter existido – só isto é que tornou possível que o mundo e tudo o que nele existe fosse estudado por si mesmo. O que encontramos são realidades finitas e criadas e não deuses ou seres divinos. Este desencantamento da natureza tem também algo penoso: detrás da árvore, ou da nascente já não se escondem ninfas nem divindades, forças míticas e mágicas, mas apenas o que Deus nelas colocou, e que a razão humana pode investigar. Por esta razão diz o livro da Sabedoria que Deus tudo criou "com medida, número e peso". Este é o fundamento de toda a investigação científica da realidade.



Christoph Schönborn in Acaso ou Vontade de Deus?
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16
Ago 12
publicado por FireHead, às 00:49link do post | Comentar
O paganismo é um tipo de religiosidade que agrega crenças e cultos a distintas formas de divindades. Existe uma variedade muito grande sobre aquilo que se pode denominar pagão. Os movimentos pagãos geralmente são politeístas, panteístas e animistas. Por via da regra, o paganismo atribui divindade aos elementos do universo e da natureza. Para se ter uma ideia mais ampla, o paganismo confere um espírito ou entidade divina a todos os elementos da criação.

Desde os tempos mais antigos da humanidade o paganismo foi sendo desenvolvido por grupos nómadas que atribuíam divindades aos elementos da natureza. Toda a cultura e religião se apoiam na mãe natureza.

Assim existe o deus do sol, a deusa da lua, o deus da caça, a deusa da fertilidade, o deus do mar, etc. Um atributo comum entre todos os povos pagãos é a existência de deuses e deusas, mas às vezes tendo a figura feminina como dominante por estar ligada a mãe natureza.

Dentro do paganismo tudo pode ser relativo, pois a ideia de dualismo não é absoluta. Assim não há oposição entre o bem e o mal, o céu e o inferno, o espírito e a matéria. Desta maneira, não permanece a noção de pecado como um mal integral. No entanto, existem correntes do paganismo que são altamente dualistas principalmente as que foram influenciadas pelo pensamento platónico e alguns outros pensadores gregos.

Como existem diversas formas de paganismo, cada individuo pode manifestar a sua fé de forma individual ou através de grupos que comungam da mesma tradição, popularmente conhecidos como tribos ou clãs. Para muitos estudiosos, o paganismo é uma espécie de cultura que expressa uma espiritualidade peculiar de vários povos em diversas localidades. Entre os povos da antiguidade se destacam como pagãos os celtas, os egípcios, os babilónicos, os gregos e os romanos.

(...)

No Egipto antigo, os principais deuses eram: Amon-Rá - deus do sol, Ísis – deusa da fertilidade e Osíris – deus da fecundidade. A personificação destes deuses na terra era através do Faraó que também era adorado e venerado pelos os egípcios.

Na antiga Grécia dentre a diversidade de deuses, os principais deuses eram: Zeus – deus dos deuses, Poseidon – deus dos mares e Hades – deus das regiões inferiores (Inferno). Todos eram filhos de Gaia – A mãe da terra ou mãe natureza.

Com relação aos deuses as afrontas são sempre directas e pessoais, ou seja, um deus pode castigar um ao outro como um ser humano pode ser castigado por uma divindade ofendida.

Em Roma os deuses eram semelhantes aos deuses gregos, assim Júpiter era o deus dos deuses, Neptuno o deus dos mares e Marte o deus da guerra. O politeísmo pagão foi perdendo forças com o avanço do Cristianismo em Roma.

(...)

O paganismo é um cancro na humanidade, pois apoia-se no relativismo para distorcer os princípios morais da verdade.

Na mente pagã não existe nada errado, tudo é permitido – cada pessoa deve viver em satisfação dos seus próprios desejos e prazeres. Deste modo, existe um deus ou uma força na natureza para satisfazer cada desejo humano. Assim como existe a deusa do amor (Afrodite), também existe a deusa da castidade (Diana). Como existe o deus do Inferno (Hades) também existe o deus dos Céus (Zeus). Existe o deus da glutonaria (Momo), também o deus da bebedice (Baco) – E por ai vai...

Há milhares de divindades pelo mundo fora, elas podem ser conhecidas por nomes diferentes, mas a entidade é a mesma. Um grande exemplo é Poseidon deus grego dos mares, Neptuno deus romano dos mares e Iemanjá deusa brasileira do mares. A mesma Afrodite conhecida entre os gregos como a deusa das orgias sexuais é a mesma entidade Pomba Gira entre o brasileiros.



“São deuses, deusas, entidades e divindades para dar e vender”.


Giliardi Rodrigues
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28
Jul 12
publicado por FireHead, às 03:27link do post | Comentar

Evangeliario

 

É muito comum intitularmos os protestantes, em especial os pentecostais, de “evangélicos”. Tal classificação, porém, é imprópria e inverídica, pois sabemos que se quisermos seguir realmente o Evangelho de Nosso Senhor precisamos de dar ouvidos à Santa Igreja Católica (Lc 10,16), fiel depositário da fé e da verdade (I Tem 3,15).

 

Abaixo segue uma lista com 12 frequentes questionamentos protestantes ante a Fé da Santa Igreja “baseando-se” nos Evangelhos e as suas respectivas refutações:


Os “evangélicos” dizem:

1.- Já estou salvo e se morro vou para o céu, não posso perder a salvação.

O Evangelho ensina:

1.- “Mas aquele que persevere até o final, esse se salvará” (Mt 24,13)

Os “evangélicos” dizem:

2.- Sou salvo somente pela fé, nem as obras nem a obediência nos salvam.

O Evangelho ensina:

2.- “Nem todos aqueles que me dizem: Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus: mas, sim aquele que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, mas nós não profetizámos em teu nome, e em teu nome expulsámos demónios, e em teu nome fizemos muitos milagres?

E então lhes protestarei: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, servidores do mal.” (Mt 7,21-23)

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então se sentará sobre o trono da sua glória. E serão reunidas frente a Ele todas as gentes: e os separará uns dos outros, como separa o pastor as ovelhas das cabras. E colocará as ovelhas à sua direita, e as cabras à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à sua direita: Venham, abençoados do meu Pai, entrem no reino preparado para vocês desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui hóspede, e me aconchegastes; estive sem abrigo e me cobristes; doente, e me visitastes; preso, e vestes a mim.” (Mt 25,31-36)

Os “evangélicos” dizem:

3.- Cristo não está presente na Eucaristia, isso é somente algo simbólico.

O Evangelho ensina:

3.- “Eu sou o pão vivo que desceu do céu: se alguém come deste pão, viverá para sempre; e o pão que lhes darei é minha carne, a qual darei pela vida do mundo.” Então os judeus discutiam entre eles, dizendo: ” Como pode este dar a sua carne para comer?” (Jo 6,51-52)

“E Jesus lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não terás vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna: e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim, e eu nele.” (Jo 6,53-56)

“E muitos dos seus discípulos escutando-o, disseram: Dura é está palavra: quem pode ouvi-la?” (Jo 6,60)

“Desde isto, muitos dos seus discípulos voltaram para trás, e já não andavam com Ele”. (Jo 6,66)

“Disse então Jesus aos doze: Quereis voltar atrás também? E respondendo-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde iremos? Só tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6,67-68)

Os “evangélicos” dizem:

4.- Tenho que me confessar directamente com Deus, não com homens pecadores.

O Evangelho ensina:

4.- “Então lhes disse Jesus outra vez: Paz a vós: como me enviou o Pai, assim também eu vos envio. E como disse isso, soprou, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo: aos que perdoais os pecados, ficam perdoados: e a quem lhes reterdes, serão retidos.” (Jo 20,21-23)

“Na verdade lhes digo que tudo o que vós ligardes aqui na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu.” Mt 18,18

Os “evangélicos” dizem:

5.- Não tenho que chamar de “Pai a ninguém”, a Bíblia me proíbe.

O Evangelho ensina:

5.- “Então Ele, dando a sua voz , disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo em água, e refresque a minha língua; porque sou atormentado nesta chama.” (Lc 16,24)

“Conheces os mandamentos: não mates, não cometas adultério, não roubes, não dês falso testemunho. Honra ao teu pai e a tua mãe.” (Lc 18,20)

“Me levantarei, e irei ao meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti.” (Lc 15,18)

Os “evangélicos” dizem:

6.- Tudo está escrito na Bíblia, se não está não vale.

O Evangelho ensina:

6.- “E tem também outras muitas coisas que fez Jesus, que se fossem escritas cada uma delas, não caberiam no mundo tantos livros que se haveriam de escrever. Amém.” (Jo 21,25)

“E lhes disse: Ide por todo o mundo; predicai o Evangelho a toda criatura.” (Mc 16,15)

“E eles, saindo, predicaram em todas partes, obrando”. (Mc 16,20)

Os “evangélicos” dizem:

7.- Não temos que baptizar as crianças, elas não necessitam. Aliás, deve fazer-se a imersão num rio porque Jesus Cristo recebeu o Espírito Santo quando desceu à água.

O Evangelho ensina:

7.- ”Respondeu Jesus: Na verdade, na verdade, te digo, que o que não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, carne é; e o que é nascido do Espírito, espírito é.” Jo 3,5-6

“E logo, saindo da água, viu abrirem-se os céus, e ao Espírito como pomba, que descia sobre Ele” Mc 1,10.

Os “evangélicos” dizem:

8.- Maria é uma mulher como as outras, não deve ser venerada pois a Bíblia não a menciona.

O Evangelho ensina:

8.- “E entrando o anjo onde estava, disse, Ave, cheia de Graça! O Senhor esteja contigo: bendita és tu entre as mulheres“. (Lc 1,28)

“E aconteceu, que como escutou Isabel o cumprimento de Maria, a criança pulou no seu ventre; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre”. (Lc 1,41-42)

“Porque doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. (Lc 1,48)

Os “evangélicos” dizem:

9.- Maria não pode fazer nada porque está morta como os santos, e aliás a Bíblia não diz que ela pode interceder por nós.

O Evangelho ensina:

9.- “Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob? Deus não é Deus dos mortos, senão dos vivos.” (Mt 22,32)

“E lhes apareceu Elias com Moisés, que conversavam com Jesus.” (Mc 9,4)

“E faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não há vinho. E disse-lhe Jesus: Que tenho eu contigo, mulher? Ainda não chegou minha hora. Sua mãe disse aos que serviam: Façam tudo o que Ele vos disser. E como o mestre-sala gostou da água feita vinho”. (Jo 2,3-9)

Os “evangélicos” dizem:

10.- Não se deve dizer as mesmas palavras ao rezar, como no terço. Repetir não é bíblico.

O Evangelho ensina:

10.- “E (Jesus) voltando a ir-se, orou, repetindo as mesmas palavras.” (Mc 14,39)

Os “evangélicos” dizem:

11.- Todos os apóstolos foram iguais. Isso sobre o Papa é uma invenção que não está na Bíblia. Pedro foi igual aos onze.

O Evangelho ensina:

11.- “E lhe trouxe a Jesus. E olhando-o, Jesus, disse: Tu es Simão, filho de Jonas: tu serás chamado Cefas (que quer dizer, Pedra)”. (Jo 1,42)

“Mas eu também te digo, que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E a ti darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-19)

“Disse também o Senhor: Simão, Simão, olha que Satanás pediu para crivá-los como o trigo; mas eu roguei por ti para que a tua fé não falte: e tu, uma vez convertido, confirma aos teus irmãos.” (Lc 22,31-32)

“E veio e os encontrou dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? Não velaste uma hora?” (Mc 14,37)

“E quando comeram, Jesus disse a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais que estes? Disse-lhe; Sim Senhor: tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Volta a dizer-lhe a segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor: tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe a terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Entristeceu-se Pedro de que lhe dissesse pela terceira vez: Amas-me? e disse-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” (Jo 21,15-17)

Os “evangélicos” dizem:

12.- A Igreja não importa, somente Cristo salva. É a mesma coisa estar em qualquer uma. O necessário é aceitar a Cristo, não a Igreja.

O Evangelho ensina:

12.- ”Aquele que os escuta, a mim escuta; e aquele que os despreza, a mim despreza; e aquele que a mim despreza, despreza aquele que me enviou.” (Lc 10,16)

“Aquele que recebe a vocês, a mim me recebe; e aquele que a mim recebe, recebe ao que me enviou.” (Mt 10,40)

“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, di-lo à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão ou um publicano.” (Mt 18,15-17)

“Mas eu também te digo, que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18)

 

Esses 12 temas são apenas uma fracção dos engodos e inverdades pregados pelas seitas auto-intituladas “cristãs”. Não aceite imitações. Cristo fundou apenas uma igreja (Mt 16,18), que perdura até hoje e sempre irá existir até o dia da Sua vinda gloriosa, que apenas Deus sabe quando irá ocorrer. (Mt 24,36)

 

Paz e Bem a todos!

 

 

Fonte: ACIDigital


06
Jun 12
publicado por FireHead, às 14:07link do post | Comentar

Cuidai que ninguém vos seduza. (S. Mateus XIV, 4)

 

 

Introdução

 

Em suas memoráveis “Controvérsias” – compilações apologéticas destinadas a reconquistar as almas protestantizadas de Chablais – São Francisco de Sales demonstrou com brilhante lógica a falsa autoridade dos patriarcas do protestantismo. Acusados de heresia, alguns adeptos da nova seita defendiam a sua rebelião contra a Igreja alegando uma extraordinária missão divina. Contra isso argumentava São Francisco que toda missão imediata, isto é, recebida directamente de Deus, deve ser confirmada com milagres e profecias.

 

Assim, para dar provas da sua divina missão, Moisés operou milagres e profecias. Nosso Senhor Jesus Cristo, por virtude própria, também os fez para comprovar a veracidade da Sua divina missão. E a Igreja Católica, desde a sua fundação, tem sido acompanhada de verdadeiros milagres e profecias.     

 

Os pais da reforma, pelo contrário, não apresentaram qualquer prova da sua suposta “missão reformadora”. Neles não encontramos nem milagres nem profecias. Lutero, que exigia de Thomas Münzer provas milagrosas que confirmassem a sua pregação, não realizou nenhum e ainda garantiu que não os faria. Calvino, o tirano de Genebra, deu provas apenas do seu descontrolado fanatismo, perseguindo e matando quem se opusesse ao seu exame “infalível”. Henrique VIII, com a sua vida devassa, provou ser um assassino e um adúltero perverso. O protestantismo não apresentou milagre algum na sua origem. E nem poderia, pois Deus jamais concederia milagres para confirmar mentiras, induzindo os homens ao engano e à perdição.      

 

Apesar desse fracasso inicial, suficiente para desmascarar a fraude dos hereges, os seus discípulos inconformados, embora tardiamente, ousaram apresentar de modo abundante “sinais milagrosos” que o passado protestante não realizou. Gerados na ruptura e na insubmissão, os hereges precisavam urgentemente dos milagres para que não desmoronassem num paulatino descrédito. Era preciso aumentar a fileira dos seguidores. A pregação sectária precisava de um atractivo convincente.

 

Prometer muitos sucessos e uma vida fácil, com certeza de salvação, não seria tão atraente quanto realizar grandiosos eventos “milagrosos”. Não bastava ensinar uma nova “fé”: era preciso dar um show de prodígios. Com absoluta confiança, os profetas da mentira passaram a anunciar com data e hora marcada o próximo espectáculo de milagres.  Nesse frenesim de “prodígios maravilhosos”, somos inevitavelmente surpreendidos por uma imensidão de “milagres” exibidos quase diariamente pela multiplicidade de seitas.

 

Em qualquer subúrbio, em qualquer esquina, os mesmos fenómenos “inexplicáveis”. Aleijados voltando a caminhar, cegos recuperando a visão, doentes sendo curados, nada escapa à mão milagrosa do “pastor”. Parece-nos que fazer milagres tornou-se tão comum quanto fazer “arroz com feijão”.  Apesar desse surto de “fenómenos inexplicáveis” por todos os lados, a qualquer alma com o mínimo de bom senso custa aceitar que em todas essas seitas ocorrem verdadeiros milagres. E essa recusa se fundamenta, principalmente, na oposição de credos que dividem as seitas.  

 

Se Deus fosse o autor de todos esses “milagres”, estaria em evidente contradição, visto que favoreceria doutrinas contraditórias. Ora, como Deus não pode ratificar o erro e tão pouco levar as almas a acreditarem nesse erro, podemos concluir indubitavelmente que esses “milagres” são falsos.

 

Mas, mesmo diante desse raciocínio lógico, muitos teimam e se perdem por confiar em aparências fantásticas, e não na verdade que desmascara as obras fraudulentas do demónio e de seus asseclas. Colocam o sentimento e a impressão pessoal acima da doutrina. Ignoram a contradição, a falta de unidade e as mais evidentes mentiras, focando apenas o maravilhoso manancial de “cura e libertação”.

 

Aparentemente, esses caçadores de milagres acreditam que Nosso Senhor teria dito “Ide e realizai milagres”, e não “Ide e ensinai a todos”. Em outras palavras, a religião de Cristo seria essencialmente uma máquina de fazer milagres, quando, na verdade, o milagre é algo excepcional, concedido especialmente para conversão dos incrédulos.  

 

Neste tempo em que o encanto dos falsos milagres seduz as almas para o abismo das seitas, é preciso desmascarar os hereges milagreiros e prevenir os Católicos abandonados na ignorância por um clero que, preocupado unicamente com as coisas da terra, se recusa a ensinar as verdades do Céu.  

 

 

Pode um herege fazer milagres?

 

Conforme explica São Tomás na sua Suma Teológica, milagre é tudo aquilo que se realiza fora de toda a ordem natural (Parte I, q.110, art. 4). A ressurreição, por exemplo, é um evento milagroso que ultrapassa a ordem de toda a natureza criada.

 

Embora Deus seja o único Autor capaz dessa espécie de milagres, existem outros efeitos igualmente admiráveis, apesar de inferiores, que não recebem o título de verdadeiros milagres. São, por vezes, fenómenos naturais ou produções diabólicas. A concepção desse princípio, referido pelo Aquinate, é indispensável no processo de averiguação dos milagres divinos.  

 

Conhecendo a astúcia do demónio, Nosso Senhor estabeleceu alguns critérios pelos quais a Igreja distingue a Sua acção extraordinária no mundo das meras invenções do diabo. Neste intento, a fé em Cristo constitui o primeiro e principal elemento, mister para admissão de um verdadeiro milagre.

 

Pouco antes de ascender aos Céus, Nosso Senhor revelou os sinais que acompanhariam os convertidos:

 

Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demónios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados (S. Marcos XVI, 16-19).

 

Cristo estabelece uma ligação entre os milagres e a Fé. O Evangelho, disse Ele, será anunciado a toda criatura pelos Apóstolos. Aos que acreditarem, Deus concederá o poder de fazer milagres.

 

Dessas claras palavras, proferidas pelo Verbo Encarnado, podemos inferir que sem Fé verdadeira é impossível fazer milagres.

 

Comentando esse trecho do Evangelho de São Marcos, ensina São Jerónimo:

 

Uma e outra coisa são necessárias aos que servem ao Senhor: que as obras se provem com as palavras, e as palavras, com as obras (apud Santo Tomás. Catena Áurea, Comentário ao Evangelho de São Marcos XVI, 16-19).

 

Fé e obras se confirmam mutuamente. Não pode existir contradição entre uma e outra. No caso dos milagres a relação é idêntica: o milagre é confirmado pela Fé, enquanto esta é confirmada pelos milagres. Neste sentido, Deus não pode validar a palavra enganosa dos hereges concedendo-lhes obras milagrosas.

 

Uma árvore ruim não pode produzir bons frutos (S. Mateus VII, 17-18).

 

Esses frutos, explica Santo Agostinho, são as acções do homem. Enquanto este persistir na sua maldade, não poderá fazer obras boas (Santo Agostinho, De Sermone Domini, 2, 24).

 

Alguns espíritos ecuménicos, esforçando-se para incluir as seitas entre os meios de salvação, afirmam a possibilidade de milagres em qualquer religião citando o seguinte trecho do Evangelho de São Marcos:

 

João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demónios em teu nome, e lho proibimos. Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor (S. Marcos, IX, 38-40). 

 

Distorcendo a correcta interpretação desta passagem, argumentam os indiferentistas em defesa do ecumenismo pós-conciliar, respeitador e favorecedor de todas as heresias. No entanto, o escrito sagrado, se examinado atentamente, não permite essa conclusão modernista.

 

Ao corrigir o Apóstolo São João, que havia proibido alguém de expulsar demónios porque não os seguia, Nosso Senhor fornece duas importantes informações:

 

1) Ninguém que faça um prodígio pode em seguida falar mal de mim;

 

2) Quem não é contra nós (Cristo e os Apóstolos), é a nosso favor.

 

 

Considerando esses dois princípios, a ideia ecuménica dos milagres não se sustenta. Ora, os hereges sempre acusam a Igreja Católica, recusando aceitar a sua doutrina e as suas legítimas autoridades. Desprezando a Igreja e os seus representantes, rejeitam a Nosso Senhor como Ele mesmo asseverou: Quem vos ouve, a mim ouve, e quem vos despreza a Mim despreza (São Lucas X, 16).

 

Com isso Deus fornece mais uma luz para que os homens não caiam na sedução de certos “festivais de prodígios”. Sabendo que o “milagre” se realiza entre os que atacam e recusam submeter-se à Igreja de Cristo, pregando uma doutrina contrária ao que ela sempre ensinou, não podem concluir senão pela falsidade ou diabolicidade do prodígio.

 

Na Catena Áurea de São Tomás encontramos várias interpretações dos padres e doutores da Igreja que esclarecem os versículos do Evangelho segundo São Marcos (IX, 38-40).

 

O primeiro deles apresenta a seguinte explicação:

 

Muitos dos crentes haviam recebido certos poderes ainda que não estivessem com Cristo, como o de expulsar os demónios, mas nem todos os haviam recebido por ordem, posto que uns haviam-no recebido de uma vida simples… (Pseudo-Crisóstomo apud São Tomás. Catena Áurea: Comentário ao Evangelho de São Marcos, IX, 38-40).

 

Ainda sobre o mesmo texto:  

 

E acrescenta para manifestar que nada deve opor-se ao bem: "Ninguém que faça milagres em meu nome poderá, portanto, falar mal de mim". E o diz àqueles que cairiam em heresia, como Simão, Menandro e Cherinto, os que por outra parte, não operavam milagres em nome de Cristo, senão que os simulavam com certos enganos. Estes ainda que não nos seguem – disse – não poderão dizer verdadeiramente nada importante contra nós, posto que, fazendo milagres, honram meu nome (Op. Cit.).

 

Para concluir, as palavras de Santo Agostinho:

 

Manifesta assim que aquele de quem havia tratado São João não havia se separado da companhia dos discípulos como para reprovar-lhe como aos hereges, mas como muitas vezes se separa os que, não se atrevendo a receber os Sacramentos de Cristo, se mostram benévolos com os Cristãos sem outro objectivo que o de honrar seu nome (Op. Cit.)

 

O conjunto dos comentários supra-expostos descarta a interpretação modernista dos milagres. Aquele que expulsava demónios, sem estar com os apóstolos, não era contra Cristo, como os hereges. Pelo contrário, acreditavam sinceramente em Cristo, falando e agindo em Seu Nome, mesmo sem pertencerem ao grupo dos apóstolos. Portanto, o exorcista censurado por São João, de facto, seguia Nosso Senhor, embora não andasse com os Seus discípulos.

 

Enquanto o exorcista do Evangelho honrava o nome de Cristo e nada poderia dizer contra Ele e os Seus discípulos, Deus lhe concedia o dom de fazer milagres. Mas, como os hereges blasfemam contra Nosso Senhor, atacando a Sua Santa Igreja e ao mesmo tempo chamando o seu divino fundador de mentiroso, não fazem senão falsos milagres, que afastam as almas da verdadeira religião.

 

Por isto – diz São Gregório Magno – a Igreja despreza os "milagres" dos hereges, porque não reconhece neles coisa alguma de santidade (São Gregório Magno, Moralia, 20, 9).

 

Se o exorcista defendido por Cristo como sendo seu favorável fazia verdadeiros milagres, outros, embora recorressem ao Nome de Nosso Senhor, não lograram o mesmo êxito, porque não eram convertidos.

 

O mencionado evento consta nos Actos dos Apóstolos. Vejamo-lo a seguir:

 

Alguns judeus exorcistas que percorriam vários lugares inventaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que se achavam possessos dos espíritos malignos, com as palavras: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Assim procediam os sete filhos de um judeu chamado Cevas, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno replicou-lhes: Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois? Nisto o homem possuído do espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois deles e subjugou-os de tal maneira, que tiveram que fugir daquela casa feridos e com as roupas estraçalhadas (Actos XIX, 12-18).

 

Evidentemente, esses judeus não obtiveram sucesso no seu exorcismo porque não seguiam sinceramente Nosso Senhor. O mesmo se pode dizer dos hereges, inimigos ferozes da verdadeira Fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hebreus XI, 6). Separados de Cristo e excluídos da Igreja, nada podem fazer de sobrenatural, a não ser com auxílio das forças diabólicas.   

 

A própria finalidade dos milagres suplanta o “show prodigioso” dos hereges.

 

Segundo expõe São Tomás, o milagre visa:

 

1) Confirmar a verdade predicada;

2) Demonstrar a santidade de alguém.

 

Quanto à primeira espécie de milagres, ensina o Aquinate que qualquer um que ensina a verdadeira Fé e invoca o nome de Cristo, pode fazê-los; Quanto à segunda espécie, somente os santos podem realizá-los para dar provas da sua santidade (Parte II-II, q.178 art. 2).

 

A primeira finalidade dos milagres (confirmar a verdade ensinada) pode ser constatada no seguinte trecho do Evangelho de São Marcos:

 

Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam (S. Marcos XVI, 20).

 

A segunda (demonstrar a santidade de alguém) verifica-se neste outro trecho:

 

Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos (Actos dos Apóstolos XIX, 11-12).

 

Acerca desse trecho, ratificador da santidade de São Paulo, escreve Teofilato:

 

Mas devemos ter presente que a palavra se confirma com a obra, como nos Apóstolos, cujas palavras confirmavam os milagres que os acompanhavam (Cf. Catena Aurea).

 

Quando estava diante de Pilatos, Nosso Senhor declarou que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (S. João XVIII, 37-38). Os milagres, diz São Tomás, são testemunhos daquilo para o qual se realizam (Parte I-II, q.178 art.2, 2). Ora, Deus não pode dar testemunho contra Si mesmo. Portanto, não pode a Verdade Eterna testemunhar com milagres a mentira das seitas.  

 

Orientando-se por essas inconfundíveis verdades, dificilmente alguém seria atraído pela propaganda “milagrosa” dos hereges. Os erros contra a Fé bastariam para menosprezar esses falsos milagreiros de subúrbio, por mais numerosos e fantásticos que possam parecer os seus espectáculos.

 

Caso Deus Sapientíssimo concedesse milagres aos hereges, muitos seriam enganados por uma falsa santidade e por uma falsa doutrina. E Deus, decreta a divina Escritura, não pode e não quer nos enganar (Números XXIII, 19).

 

 

O demónio e os seus prodígios

 

 

Alguns, por ignorância ou por orgulho, recebem positivamente os “maravilhosos” prodígios exibidos pelas seitas. Na maioria dos casos, são impelidos a este erro grosseiro não porque recusam a ideia de que os verdadeiros milagres só acontecem na Igreja Católica, mas porque não encontram outra explicação para o que vêem de extraordinário nas reuniões dos hereges. Encantados pelos efeitos “inexplicáveis”, deixam-se arrastar para o abismo da heresia.  

 

Com razão advertiram os Apóstolos contra as seduções do demónio. O alerta é enfático. São Paulo, referindo-se à segunda vinda de Nosso Senhor, previne os Cristãos quanto à origem dos efeitos fantásticos que serão produzidos pelo ímpio:

 

A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores (II Tessalonicenses 2,9).

 

Falando sobre os sinais que precederão o Seu glorioso retorno, Nosso Senhor acautela contra os prodígios enganadores:    

 

Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos (São Marcos XIII, 22).

 

O poder dos ímpios será de origem diabólica. Os seus prodígios, por mais fantásticos, não serão propriamente milagres, cuja finalidade é dar testemunho da verdade.

 

É da astúcia do diabo camuflar a mentira sob a aparência da verdade. E ele se esforça para aproximar as suas produções, tanto quanto possível, dos milagres divinos. Entretanto, como o anjo das trevas também é criatura finita, com poderes limitados, não pode fazer nada que ultrapasse a ordem da natureza criada, por exemplo, ressuscitar um morto.

 

Comentando o referido trecho do Evangelho de São Marcos, Santo Agostinho ensina que, enquanto os bons Cristãos operam milagres pela pública justiça, os magos e hereges o fazem por contratos ocultos, auxiliados pelas potestades infernais. Concluindo, afirma o santo Doutor não ser absurdo crer que, por intervenção dos poderes inferiores dos anjos rebeldes, seja possível realizar verdadeiros prodígios (Cf. Catena Áurea, Comentário ao Evangelho de São Marcos XIII, 22).

 

Tratando das manifestações do Anticristo, Santo Agostinho escreve:

 

Então ficará Satanás em liberdade, e implantará pelo Anticristo todo o seu poder de um modo maravilhoso, ainda que falso. Ocorre que, com frequência, se duvida da razão que teve o Apóstolo para chamá-los milagres e prodígios falsos. Pode ser que, ofuscados os sentidos, vejam uma aparição que faz o que não pode fazer, ou que, sendo verdadeiros prodígios, enganem aos que crêem que só Deus pode fazê-los, não conhecendo o poder do diabo, e menos naquele tempo em que o terá maior que nunca (op. cit.).

 

Este poder do príncipe das trevas é detalhadamente descrito no livro de Jó.

 

O texto sagrado diz que, para comprovar a fidelidade do justo chamado Jó, Deus permite ao demónio destruir os bens deste servo. Para executar o que lhe foi previamente concedido, o demónio fez cair fogo do céu, consumindo as ovelhas e os escravos de Jó. Além disso, produziu um furacão, fazendo desabar a casa sobre os filhos deste justo.

 

Nota-se com isso que, sob a concessão divina, o demónio tem poder sobre os fenómenos da natureza, podendo provocá-los para atingir os seus fins, sempre malévolos.

 

Sobre isso, Santo Agostinho – e nele apoia-se São Tomás – afirma que o demónio pode manipular elementos da natureza, e com o seu poder, produzir certos efeitos.

 

Na última tentativa de abalar a fidelidade de Jó a Deus, o demónio lança sobre ele uma terrível maldição: Satanás retirou-se da presença do Senhor e feriu Jó com uma lepra maligna, desde a planta dos pés até o alto da cabeça (Jó II, 7).

 

Vemos, portanto, que certas doenças também podem ser produzidas pelo demónio. E se ele pode causá-las, também pode retirá-las, sempre visando a perdição das almas.

 

São Tomás faz uma pertinente distinção:

 

Alguns milagres não são verdadeiros, mas factos fantásticos, pelos quais o homem é enganado, de tal modo que pareça ver o que não é. Outros são factos verdadeiros, mas não são propriamente milagres, e que se devem às causas naturais. Estas duas classes podem ser realizadas pelo demónio (Parte II-II, q.178, art.2).

 

Assim sendo, no que diz respeito às curas exibidas aos montes nas reuniões dos hereges, estas podem advir da imaginação e de fraude humana; podem ser “factos fantásticos” destinados a iludir, ou ainda verdadeiros prodígios produzidos por meio de fenómenos naturais, forjados pelo pai da mentira.

 

São Francisco de Sales, relatando certas curas entre os não Cristãos, não estranha a hipótese de que, com auxílio do diabo, Vespasiano tenha de facto curado um cego e um coxo, cujas deficiências não eram absolutamente incuráveis (Las Controvérsias. Madrid: Casa editorial San Francisco de Sales, 1898, p.199).

 

Em resposta a uma objecção, São Tomás argumenta que os poderes espirituais podem fazer aquelas coisas que se fazem visivelmente neste mundo, utilizando por movimento os germes dos corpos (Parte I, q.110, art.4, 3). Santo Agostinho é do mesmo parecer, dizendo que os demónios podem utilizar certos germes que se encontram nos elementos materiais (Parte I, q. 114, art.4, 2).

 

Ainda sobre os poderes do demónio, escreve São Tomás:

 

[...] todas as mudanças das coisas corporais que podem realizar-se por qualquer virtude natural, entre os quais estão os germes mencionados, podem realizar-se pela operação dos demónios utilizando tais germes. Exemplo: Ao converter certas coisas em serpentes ou rãs, as quais podem engendrar-se na putrefação. Mas as mudanças das coisas materiais que não podem realizar-se por virtude da natureza, de nenhum modo podem realizar-se na realidade pela acção dos demónios, como que o corpo humano se converta em corpo de besta ou que um corpo morto ressuscite. E se assim alguma vez parece fazer-se isso por virtude dos demónios, não é assim na realidade, mas só na aparência (op. cit.).

 

Por sua natureza angélica, o demónio consegue fazer coisas que ultrapassam o poder e a previsão dos homens. Assim como certos truques, pela habilidade de quem os realiza, escapam ao alcance dos sentidos causando admiração, o demónio, com muito mais facilidade, executa acções que excedem o poder e o conhecimento humano, induzindo a crer que constituem verdadeiras manifestações milagrosas. Embora pareçam milagres para os homens, as obras prodigiosas dos demónios não chegam a essa categoria.

 

Ademais, se os anjos decaídos podem operar certas coisas dentro da ordem da criação, produzindo fenómenos naturais, manipulando ou movendo certos elementos contidos nos corpos, podem também alterar a imaginação e mesmo os sentidos das pessoas, levando-as a perceber algo como real, quando na verdade não é (Parte I, q.114, art.4).

 

Essa ilusão demoníaca também pode ocorrer quando, a partir do ar, o demónio forma um corpo de qualquer forma e figura para aparecer visivelmente disfarçado. E o anjo das trevas não só pode assumir uma falsa aparência, como pode ocultar qualquer objecto corpóreo sob qualquer forma corpórea, de tal modo que não seja visto (Op. cit.).

 

Ora, São Paulo advertiu os Cristãos de Corinto sobre o disfarce do diabo de “anjo da luz”. Aquele que é treva se apresenta em forma disfarçada de luz, ocultando a si mesmo e aos objectos.   

 

Assim compreendemos porque Nosso Senhor preveniu os homens contra os embustes do demónio. Ele conhece bem esta criatura rebelada que, possuindo natureza superior à dos homens, os enganaria com a sua astúcia. Por isso instituiu a Igreja, que pela luz da Fé, confirma a verdade e destrói as manobras mentirosas do diabo.   

 

Apesar dos grandes poderes do diabo, as suas falcatruas, embora prodigiosas, não resistem ao brilho da verdade. Quem sabe, se o demónio não estivesse tão esquecido nos seminários, nas Igrejas e até nos sermões clericais, o povo não seria tão facilmente enganado pelas seduções milagreiras dos hereges, algumas vezes auxiliados pelos anjos malignos.

 

A religião relativizada, somada à extinção – ou corrupção – da instrução religiosa nas paróquias, favoreceu essa busca por espectáculos sobrenaturais, onde quer que aconteçam. Um simples “prodígio” já é suficiente para arrastar multidões. Por desejo insaciável de milagres, desprezam as palavras que Nosso Senhor dirigiu ao apóstolo incrédulo, porque exigiu provas de sua divindade: Felizes aqueles que crêem sem ter visto (S. João XX, 29).

 

É verdade que para a rápida difusão e adesão ao Evangelho de Cristo, os milagres foram abundantes nos primeiros séculos. Segundo explica São Gregório Magno, isso foi necessário no começo da Igreja porque era preciso regar a semente da Fé com milagres. Porém, observa este santo Papa e doutor da Igreja que, na medida em que a “árvore” da Fé está devidamente enraizada, tal como as plantas, deixa-se de regá-la com a “água” dos milagres (Cf. Catena Áurea: Comentário ao Evangelho de São Marcos XVI, 16-19).  

 

Sobre isso explica Santo Agostinho:

 

A Igreja Católica, estando uma vez difundida e estabelecida por toda a terra, aqueles milagres não foram mais consentidos ao nosso tempo. Isso para que o nosso espírito não exija sempre coisas visíveis, e que o género humano não se arrefeça pelo costume de se apoiar nesses bens, com cuja novidade se tinha inflamado (A Verdadeira Religião. 2ª ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1987, p.80, grifo nosso).

 

Embora haja em Deus uma sapientíssima razão para esse arrefecimento dos milagres em relação aos primeiros séculos, eles nunca deixaram de existir na Igreja Católica, seja para confirmar a sua doutrina e divindade, seja para confirmar a santidade de alguns dos seus membros.

 

Acontece que, paralelamente, o diabo nunca deixou de tentar falsificar as obras de Deus. Ele não só quer enganar com os seus plágios mal feitos, mas também vulgarizar os milagres divinos com os seus prodígios, de modo a produzir, concomitantemente, fanatismo e desprezo.

 

Como sempre, quer enganar os Católicos propondo falsos dilemas: ou se aceita tudo como milagre ou os nega completamente. Os dois extremos são falsos e cooperam para distorcer ou negar as maravilhas de Deus a fim de confundir as almas.

 

O diabo, por mais poderoso que seja em relação aos homens, sempre deixa falha em suas obras. Os seus prodígios, ainda que fantásticos, nunca conseguem copiar perfeitamente os milagres divinos. Somente Deus perfeito pode produzir milagres perfeitos. Os anjos decaídos, apesar dos poderes que possuem, estão privados de perfeição. Ademais, enquanto criaturas que são, situam-se infinitamente abaixo de Deus.

 

Daí que, mesmo tratando-se de um anjo, é possível distinguir os sinais das obras do demónio se comparados aos das obras de Deus.

 

Na sua Apologética Cristã, o Padre W. Devivier faz algumas importantes ponderações:

 

Sejam quais forem as faculdades naturais de que ele [o demónio] dispõe e de que na sua queda não ficou despojado, é certo que este inimigo de Deus nada pode fazer sem a permissão do soberano Senhor de todas as criaturas. Ora nunca a verdade, bondade e santidade de Deus poderão permitir que este anjo rebelde imite as divinas obras a ponto de invencivelmente induzir o homem ao erro e o levar deste modo à eterna perdição. Dizemos invencivelmente, porque havendo Deus feito o homem racional, não o dispensa do uso da razão para se garantir contra as ilusões (Pe. W. Devivier S.J. Apologética Cristã. São Paulo: Editora-Proprietaria, 1924, p. 151).  

 

Na distinção de factos miraculosos e prodígios diabólicos, deve-se levar em contra três pontos, segundo orienta São Tomás: a pessoa que opera o milagre, a intenção pela qual opera e a maneira como opera. Assim, as qualidades pouco recomendáveis dos indivíduos de que se serve o diabo, a doutrina imoral que sustentam e os procedimentos pouco dignos que os acompanham, são alguns sinais da intervenção diabólica (op. cit.).

 

As obras de Nosso Senhor possuem efeitos diametralmente opostos, pois que sempre apresentam os sinais do poder divino, da simplicidade e da bondade. Nelas não encontramos extravagância, nem ostentação ou intenção de espantar, além de estarem sempre relacionadas com os ensinamentos dogmáticos e morais (op. cit., p. 152).

 

De todos esses sinais reveladores da autoria divina nos milagres, a verdade é a arma mais eficaz contra as falsificações do diabo. Jamais o pai da mentira fará um prodígio para confirmar uma verdade de Deus. O seu invencível desejo é precipitar as almas no Inferno, induzindo-as ao pecado e aos erros contra a Fé. Podemos dizer então que, onde reina a verdade, não pode haver prodígio diabólico destinado a confirmá-la. E, onde reina a mentira, não podem existir os milagres que ratificam a ortodoxia e a autoridade.

 

+++

 

 

Grande parte do clero infelizmente aposentou a verdade. Depois do Vaticano II, voltou-se para as coisas da terra, desprezando e até negando os tesouros do Céu.

 

Privadas do nobre alimento da verdade, as almas famintas partiram em busca das novidades, encontrando na mentira o doce atractivo para saciá-las. Abandonadas pelos pastores e vazias da verdade espiritual, não lhes restou alternativa senão apegar-se aos sinais concretos. Diante da fome e da sede de verdade, os prodígios lhes pareceram então como agradável consolo.

 

E, quando já não se tem mais o pão da verdade, qualquer coisa parece verdadeira e agradável. Até mesmo as seduções do diabo…

 

Quando os pastores voltarem a ensinar, as trevas serão novamente desmascaradas. E o que hoje se tornou obscuro pela ignorância e pela falta de virtude, tornar-se-á claro pelo sol da verdade. É pelo anúncio da verdade revelada que as almas serão libertadas dos erros, das ilusões diabólicas e dos falsos milagres, cumprindo assim o que disse Nosso Senhor:

 

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (S. João VIII, 32).

 

 

Conclusão: milagres apenas na Igreja Católica

 

 

Não discutiremos as objecções racionalistas contra a realidade dos milagres. Como este artigo se direcciona àqueles que acreditam na sua possibilidade, limitamo-nos a demonstrar unicamente que, por sua natureza e finalidade, apenas na Igreja de Cristo eles se realizam.

 

Que Nosso Senhor fez muitos milagres é facto indiscutível. Que Ele prometeu testemunhar a Sua divina religião com factos milagrosos, atestam-nos as suas próprias palavras. Disso se deduz que, para descobrir os verdadeiros milagres, requer-se antes a identificação da verdadeira religião.

 

É um erro, portanto, ignorar os princípios em favor dos milagres, tal como acontece em nossos dias.

 

São vários os caminhos que levam a origem divina da Igreja Católica. A perfeição da sua doutrina, o heroísmo e a fidelidade dos seus mártires, a sua própria história, repleta de glórias contra os erros e as perseguições, a sua sobrenatural caridade, convertendo povos inteiros, mudando costumes e leis, promovendo o progresso e a elevação cultural das nações, todos esses caminhos indicam a santidade e a divindade da religião Católica.

 

Poderíamos provar a ligação existente entre a Igreja e o seu divino fundador pelo estudo das fontes Cristãs. Examinado a Escritura Sagrada e os textos da Tradição, enxergamos com inevitável clareza que a Igreja Católica é a Igreja de Nosso Senhor. Somente ela recebeu de Cristo os poderes de ensinar, governar e santificar. As seitas não passam de criações humanas, geradas no cisma e no ódio à verdadeira religião.

 

A açcão da Igreja no mundo, transformando as sociedades de modo milagroso, constitui outro terreno também indicador da sua divindade. Sendo fonte inesgotável de virtudes, é a única sociedade perfeita edificada por Nosso Senhor. Do contrário, não poderia ser causa de valores tão sublimes.        

 

Desses sinais característicos da verdadeira revelação, os santos padres preferiram destacar o valor demonstrativo dos milagres e das profecias, tendo-os por testemunhos irrecusáveis da divindade e santidade da Igreja. Nada se compara aos milagres da Igreja Católica, cuja magnitude ultrapassa os limites da capacidade humana e de toda a ordem da natureza criada.  

 

Poderíamos aduzir uma infinidade deles. Aqui citaremos apenas três, suficientes para ridicularizar as miseráveis realizações dos hereges. 

 

A liquefação do sangue de São Januário, presenciada todos os anos com dia e hora prevista pela multidão de fiéis de Nápoles, compõe a lista dos espectaculares milagres, tesouros exclusivos da Igreja Católica.    

 

Conservado em estado sólido numa pequena redoma de cristal, o sangue do santo mártir volta ao seu estado líquido, quando exposto diante da sua cabeça, começando a ferver e borbulhar, como se estivesse fresco e recém derramado.

 

Este estupendo milagre, jamais interrompido, também sofreu os ataques racionalistas, sempre empenhados em negar qualquer realidade milagrosa. Como sempre, apesar dos esforços em contrário, o fenómeno permanece intacto ante a incredulidade dos cépticos.

 

Nem mesmo nos ataques o diabo age com perfeição. Por mais subtis que sejam os seus argumentos, sucumbem diante das obras de Deus. Assim, como em outros numerosos casos, nada resiste ao glorioso milagre de São Januário, sublime e desafiador do racionalismo dos ateus.

 

Como os demais, este milagre visa testemunhar a santidade do mártir e, concomitantemente, a santidade e divindade da Igreja. Não há quem o explique por meios naturais. Por sua grandeza e perfeição inexplicável, apresenta-se definitivamente como mais um selo de Deus em favor da Sua única religião verdadeira.        

 

Outro milagre, também magnífico pelas proporções, aconteceu em Fátima, sob os olhares atentos de 70 mil pessoas. Conforme prometido pela Virgem Maria aos três pastorinhos, no dia 13 de outubro de 1917 o sol literalmente “bailou”, e após girar de modo enlouquecido, caiu em ziguezague em direcção à terra. O facto foi testemunhado pela imprensa da época, a saber, o jornal “O Século”.

 

Esse fenómeno extraordinário foge às leis físicas, emudecendo, pelo eloquente espetáculo, as vozes ateias do mundo moderno. Não pode o diabo operar prodígio tão estupendo. Por sua natureza finita, ele não pode suspender uma lei de Deus, menos ainda para seu próprio benefício. E, de modo algum, eventos desse porte poderão existir entre os hereges. O nível do milagre Católico denota a majestade da Igreja e a certeza de que somente nela Deus manifesta o Seu poder sobrenatural.

 

Igualmente surpreendentes são os corpos dos santos preservados da corrupção natural, após muito tempo do falecimento. Assim que morre, o corpo humano entra em estado gradativo de decomposição. No entanto, em casos particulares de intervenção divina, essa lei universal não exerceu influência nos corpos de alguns santos, permanecendo até hoje intactos.

 

Submetidos ao exame da ciência, não há causa natural ou artificial que explique a incorruptibilidade dos corpos. Por exemplo, o corpo de Santa Catarina de Bolonha, falecida em 1463, portanto, há mais de 500 anos. Exalando perfume, após o seu sepultamento, seguido de muitos milagres, o seu corpo foi examinado e sua incorruptibilidade devidamente confirmada.

 

Muitos outros corpos de santos foram maravilhosamente preservados da corrupção, indubitavelmente por intervenção divina.  

 

Nada se compara a esses feitos milagrosos. Enquanto as seitas rivalizam entre si, oferecendo curas e poções milagrosas, nenhuma delas ousa sequer reproduzir os fascinantes milagres da Igreja Católica. Ou as seitas se contentam com seus falsos e ridículos prodígios, ou são obrigadas a reverenciar os verdadeiros milagres que testemunham, sem possibilidade de contestação, a santidade e divindade da Igreja Católica.

 

Os frutos das trevas não se comparam aos frutos da luz (Efésios V, 9).

 

E pelos frutos, diz Nosso Senhor, se conhece a árvore…

 

 

In Corde Jesu, semper

Éder Silva

 

 

Fonte: Associação Cultural Montfort


04
Jun 12
publicado por FireHead, às 13:11link do post | Comentar

II Tessalonicenses 2, 15: Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa.

 

De acordo com os protestantes, a Bíblia ensina que a Escritura (a palavra escrita de Deus) é a única regra de Fé para um Cristão. Junto com a justificação pela Fé somente (Sola Fide), a Escritura apenas (Sola Scriptura) foi um dos dogmas centrais da “reforma” protestante.

 

Porém, a verdade é que a Bíblia não ensina que a Escritura é a única regra de Fé para um Cristão. Nós veremos que a Bíblia ensina que tanto a Escritura quanto a Tradição Apostólica são fontes da revelação Cristã, e que se deve aceitar ambas na Igreja. Isso é o motivo pelo qual a Igreja Católica sempre ensinou que há duas fontes da revelação (Escritura Sagrada e Tradição Sagrada); e que à Igreja instituída por Jesus Cristo foi dada autoridade para determinar o significado autêntico da Escritura e da Tradição.

 

 

Jesus diz que se deve ouvir a Igreja, o que Ele nunca teria dito se a Bíblia ensinasse somente a Escritura

 

Se a Bíblia é a única regra de Fé para um Cristão, então logicamente a Igreja não seria uma regra de Fé para um Cristão. Porém, a Bíblia ensina claramente que se deve ouvir a Igreja.

 

Mateus 18, 17: Se recusa ouvi-los, di-lo à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.

 

Lucas 10, 16: Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.

 

Esse ensinamento de Jesus, que se deve ouvir a Igreja sob pena de ser considerado um pagão, refuta a ideia completa da Escritura somente.

 

João 15, 20: ...Se guardaram a minha palavra, hão-de guardar também a vossa.

 

Hebreus 13, 17: Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta)...

 

 

A Bíblia ensina que a Igreja, não a Bíblia, é o pilar e o fundamento da Igreja

 

I Timóteo 3, 15: Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.

 

 

A Bíblia ensina que a palavra falada é “palavra de Deus”, em acréscimo à palavra escrita

 

Descrevendo a Tradição oral como “palavra de Deus”, a Bíblia está indicando que a Tradição Apostólica oral é infalível; e que representa, junto com a Escritura, uma das fontes da revelação de Jesus Cristo que deve ser aceite.

 

I Tessalonicenses 2, 13: "Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a palavra de Deus, que de vós ouvistes, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como palavra de Deus, que age eficazmente em vós, os fiéis.

 

São Paulo está claramente se referindo à Tradição (falada) oral.

 

Colossences 1, 5-6: em vista da esperança que vos está reservada nos céus. Esperança que vos foi transmitida pela pregação da verdade do Evangelho, que chegou até vós, assim como toma incremento no mundo inteiro e produz frutos sempre mais abundantes. É o que acontece entre vós, desde o dia em que ouvistes anunciar a graça de Deus e verdadeiramente a conhecestes...

 

A palavra falada é descrita como “a pregação da verdade” e o Evangelho. A referência à “pregação” tendo vindo ao mundo inteiro confirma que essa passagem está-se referindo à palavra falada e não à Bíblia; pois isso não poderia ter sido dito da Bíblia naquele tempo.

 

João 17, 20: Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão-de crer em mim.

 

Jesus roga àqueles que acreditarão através da “palavra” dos Seus apóstolos. Mas somente uns poucos dos Seus Apóstolos escreveram palavras na Bíblia. A maioria deles não o fez. “Sua palavra”, através da qual as pessoas crerão, deve, portanto, ser a sua pregação e a comunicação da Tradição oral, não a sua escrita.

 

Lucas 8, 11-13: Eis o que significa esta parábola: a semente é a palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem; mas depois vem o demónio e lhes tira a palavra do coração, para que não creiam nem se salvem. Aqueles que a recebem em solo pedregoso são os ouvintes da palavra de Deus que a acolhem com alegria; mas não têm raiz, porque crêem até certo tempo, e na hora da provação a abandonam.

 

Isso claramente descreve a palavra falada como “Palavra de Deus”.

 

Lucas 4, 44: E andava pregando nas sinagogas da Galileia.

 

Lucas 3, 2: sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João, filho de Zacarias.

 

Isso se refere a uma revelação dada a São João Batista.

 

Actos 4, 31: Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a palavra de Deus.

 

 

A Bíblia ensina que a Tradição oral deve ser aceite junto com a Escritura

 

As seguintes passagens refutam completamente a ideia da Escritura somente. Elas demonstram que a Bíblia ensina que a Tradição Apostólica deve ser também aceite. Essa Tradição Apostólica foi dada por Jesus aos apóstolos, mas não toda a parte dela estava necessariamente escrita na Bíblia. Como um exemplo, em Judas 1, 9 nós lemos: Ora, quando o arcanjo Miguel discutia com o demónio e lhe disputava o corpo de Moisés, não ousou fulminar contra ele uma sentença de execração, mas disse somente: Que o próprio Senhor te repreenda!

 

Essa disputa entre o demónio e Miguel Arcanjo não é descrita em qualquer detalhe na Bíblia. O escrito está inspirado na Tradição. As seguintes passagens do Novo Testamento confirmam o ensinamento Católico sobre a necessidade de aceitar tanto as Escrituras quanto a Tradição:

 

II Tessalonicenses 3, 6: Intimamo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à tradição que de nós tendes recebido.

 

II Tessalonicenses 2, 15: "Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa.

 

Isso demonstra claramente que a própria Bíblia ensina que nem tudo que deve ser acreditado está anotado, mas alguma coisa disso é comunicada pela Tradição oral.

 

II Timóteo 2, 1-2: Tu, portanto, meu filho, procura progredir na graça de Jesus Cristo. O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros.

 

I Coríntios 11, 16: Se, no entanto, alguém quiser contestar, nós não temos tal costume e nem as igrejas de Deus.

 

I Coríntios 11, 23: Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão...

 

I Coríntios 15, 2-3: Por ele sereis salvos, se o conservardes como vo-lo preguei. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé. Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras...

 

Como essas passagens provam, a condenação de Jesus à “tradição dos homens” (Mateus 15, 9; Marcos 7, 8 etc.) nada tem a ver com a verdadeira Tradição Apostólica, que a Bíblia diz que nós devemos aceitar. Jesus estava condenando as práticas feitas pelo homem dos fariseus.

 

 

A Igreja existia por décadas antes que a Bíblia fosse mesmo acabada

 

De acordo com estudiosos, o último livro da Bíblia (o livro da Revelação) foi escrito em aproximadamente entre 68 DC a 95 DC. Jesus Cristo ascendeu aos Céus em aproximadamente 33 DC. Portanto, não interessa qual visão se toma sobre a data do Livro da Revelação, não há dúvida que a Igreja de Cristo existia e operava por décadas (30 a 60 anos) antes que a Bíblia fosse mesmo terminada. Assim, quem guiou os Cristãos durante esse período? Como eles sabem exactamente o que eles tinham que acreditar e fazer para serem salvos? Foi a Igreja que os ensinou.

 

 

A Bíblia ensina que houve incontáveis coisas que Jesus disse e fez que não foram nela escritas

 

João 20, 30: Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro.

 

João 21, 25: Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.

 

Nem tudo o que Jesus disse e ensinou aos apóstolos foi escrito na Bíblia. Isso está claro.

 

 

Jesus mandou os Seus apóstolos pregarem o Evangelho, não escrevê-lo

 

Com a excepção do mandamento dado a São João para escrever o Livro do Apocalipse, Jesus não mandou ninguém escrever nada. Particularmente, Ele mandou-os pregar o Seu Evangelho e baptizar.

 

Marcos 16, 15-16: E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado.

 

Mateus 28, 19-20: Ide, pois, e ensinai a todas as nações; baptizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

 

Se a palavra escrita da Bíblia fosse a única regra de Fé, como sustentam os protestantes, então Jesus tê-los-ia mandado escrever e estabelecer clubes de leitura da Bíblia. Mas Ele não fez algo do tipo. Jesus mandou-os ensinar a todas as nações toda a Sua Verdade através da palavra falada, através da pregação. Essas simples considerações mostram que a posição protestante da Sola Scriptura é completamente falsa.

 

 

A Bíblia não ensina que a interpretação privada da Escritura foi tentada por Jesus

 

Actos 8, 30-31: Filipe aproximou-se e ouviu que o eunuco lia o profeta Isaías, e perguntou-lhe: Porventura entendes o que estás lendo? Respondeu-lhe: Como é que posso, se não há alguém que mo explique? E rogou a Filipe que subisse e se sentasse junto dele.

 

Basta à ideia protestante que quem quer que leia a Escritura será iluminado por Deus automaticamente. Nós podemos ver que isso não é o ensinamento da Bíblia.

 

Neemias 8, 8: Liam distintamente no livro da lei de Deus, e explicavam o sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura.

 

II Pedro 1, 20: Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal.

 

 

Paulo consultou a Igreja, não a Bíblia, quando se deparou com dilema doutrinal em Actos 15

 

Actos 15, 1-2: Alguns homens, descendo da Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos. Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém.

 

Quando se deparou com um dilema doutrinal em Actos 15, Paulo não consulta a Bíblia, mas vai até a liderança da Igreja.

 

Eis alguns outros poucos exemplos na Bíblia onde os ensinamentos ou instruções foram aprendidas por comunicação e Tradição oral, não pela leitura da Bíblia.

 

I Coríntios 11, 34: ...As demais coisas eu determinarei quando for ter convosco.

 

II João 1, 12: Apesar de ter mais coisas que vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre vós e conversar de viva voz, para que a vossa alegria seja perfeita.

 

 

Objecção: protestantes dizem que II Timóteo 3, 15-17 ensina apenas a Escritura

 

II Timóteo 3, 15-17: E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.

 

Essa passagem não ensina apenas a Escritura. Ensina que toda Escritura é inspirada. Ensina que toda Escritura é útil. Ensina que a Escritura capacita um homem para boas obras. Mas protestantes apontam para a parte a qual diz que possibilita que um homem de Deus seja capacitado a toda boa obra. Eles alegam que aquelas palavras ensinam uma auto-suficiência da Escritura: que nada mais é necessário. Isso é refutado por numerosos pontos.

 

É refutado, primeiro de tudo, consultando-se versículos com expressão similar. Na realidade, nós somente precisamos retornar uns poucos versículos no capítulo precedente para encontrar um exemplo que prova o ponto.

 

II Timóteo 2, 21: Quem, portanto, se conservar puro e isento dessas doutrinas, será um utensílio nobre, santificado, útil ao seu possuidor, preparado para todo uso benéfico.

 

A Bíblia diz que quem purgar-se de certas obras más, estará preparado para “toda boa obra”. Essa é a mesma frase de II Timóteo 3, 17.

 

 

A Bíblia especificamente previne sobre o mau uso das Escrituras para criar falsas doutrinas que levam à destruição

 

II Pedro 3, 15-16: Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar, como também vosso caríssimo irmão Paulo vos escreveu, segundo o dom de sabedoria que lhe foi dado. É o que ele faz em todas as suas cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras.

 

É interessante que essa admoestação a respeito de torcer as Escrituras até a danação vem na Carta de São Pedro, o único que foi escolhido a ser o primeiro Papa. É São Pedro quem previne contra o mau uso dos escritos de São Paulo. São os escritos de Paulo que são os mais frequentemente usados impropriamente e mal entendidos pelos protestantes para inventarem falsas doutrinas, tais como a justificação somente pela Fé e a Sola Scriptura.

 

 

Peter Dimond

 

Fonte: The Bible Proves the Teachings of the Catholic Church, pp. 111- 118


22
Mai 12
publicado por FireHead, às 17:20link do post | Comentar

Os adventistas do sétimo dia levantam dezoito objecções contra o Catolicismo, baseadas em falta de conhecimento da história do Cristianismo e preconceitos que não resistem a uma análise criteriosa.

 

Um leitor enviou uma lista de dezoito razões pelas quais alguém não se pode tornar Católico. Trata-se de objecções mal fundamentadas e preconceituosas, às quais não é difícil responder, como se verá abaixo. Não há dúvida, a polémica religiosa não é desejável. Mas também é certo que não se pode deixar de atender ao povo de Deus quando Este pede resposta aos ataques dirigidos contra a Sua Fé. Eis porquê passamos a analisar as razões alegadas pelos irmãos adventistas.

 

 

1) “Não sou Católico, porque Jesus disse: ‘Examinai as Escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de Mim testificam’ (João 5,39). Se é pelas Escrituras e pelos ensinos de Jesus que alcançamos a salvação, exclui-se que o seja pelo Catecismo Romano.”

 

Em resposta observamos:

 

a) Não á oposição entre as Escrituras e o Catecismo. Este é um compêndio da doutrina contida nas Escrituras, redigido com fins didácticos ou a fim de facilitar a iniciação nas verdades da Fé.

 

b) O estudo do Catecismo leva à leitura do texto bíblico, pois cita-o frequentemente e mostra o valor da Palavra de Deus.

 

c) Toda denominação protestante tem o seu manual de doutrina e os seus livros usuais, que ajudam a assimilar e praticar a mensagem bíblica. Os reformadores protestantes redigiram os seus credos ou as suas profissões de fé, tencionando assim exprimir a doutrina das Escrituras; tenha-se em vista, entre outras, a Confessio Augustana de Lutero.

 

 

2) “Não sou Católico romano, porque, sendo a religião Cristã fundada por Jesus Cristo, durante uns 200 anos divulgada sem modificações nem acréscimos, surgiram de lá para cá novas doutrinas, falsificações de toda sorte de cerimónias estranhas ao Novo Testamento que foram discutidas em concílios e aprovadas por homens, nascendo daí a Igreja Católica Romana. ‘Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais à criatura do que ao Criador, que é bendito eternamente’ (Romano 1,25).”

 

Em resposta observamos que a objecção é assaz vaga:

 

Porquê em 200 ou aproximadamente em 200 começaram as inovações do Cristianismo? Quem lhes deu início? Que modificações e falsificações foram essas? Pode-se compreender que, no decorrer dos tempos, os Cristãos tenham deduzido, da doutrina apregoada por Jesus pelos Apóstolos, conclusões contidas nas premissas do Novo Testamento; essas conclusões referiam-se, por exemplo, à divindade do Logos, negadas pelo arianismo e definida no Concílio de Niceia I em 325; referia-se ao mistério da Encarnação e foram promulgadas pelos Concílios de Éfeso (431) e de Calcedónia (451), que afirmaram haver em Jesus uma só Pessoa (um só Eu) divina e duas naturezas (a humana e a divina)... Era necessário que os Cristãos procurassem guardar a pureza da doutrina revelada no tocante a estas e outras grandes verdades da Fé. Estas estavam contidas no Novo Testamento sob força de semente, que aos poucos foi homogeneamente desabrochando as suas virtualidades. Também se compreende que a Liturgia se tenha desenvolvido, pois é a oração do povo de Deus expressa mediante os elementos culturais desse povo.

 

De resto, pode-se redarguir: no século XVI a doutrina dos Cristãos ocidentais e orientais foi drasticamente modificada pela reforma protestante, que inovou o Credo apregoado até então. As modificações introduzidas pelo protestantismo foram autênticos desvios; tenha-se em vista, por exemplo, a recusa da presença real de Jesus Cristo na Santa Eucaristia, que os escritos do Novo Testamento professam com grande ênfase; ver João 6,24-58; Mateus 26,26-28 e paralelos. Tenha-se em vista, outrossim, a tentativa adventista de definir a data do advento ou da segunda vinda de Cristo, data que o Senhor Jesus recusou peremptoriamente revelar; conforme Marcos 13,32; Actos 1,7. Tal tentativa foi frustrada pelo mesmo desenrolar dos acontecimentos.

 

 

3) “Não sou Católico porque, ao examinar as Escrituras, nunca encontrei o ‘Ofício da Missa’. Não encontrei porque o ‘Ofício da Missa’ foi composto pelo Papa Gregório I uns 600 anos após Cristo.”

 

Em resposta perguntamos: que é esse “Ofício da Missa”? – Deve-se tratar da Liturgia Eucarística, que não é senão a execução da ordem do Senhor Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22,19; I Coríntios 11,23-25). A missa é a celebração da Ceia do Senhor e a perpetuação da Sua morte e ressurreição. Ela tem a sua origem nos escritos no Novo Testamento e não em 600. Já em 56 São Paulo, escrevendo a I Coríntios, dava instruções relativas à Ceia do Senhor ou estruturava desde então o ‘Ofício da Missa’. O Papa São Gregório Magno (+604) continuou a obra normativa do Apóstolo. Aliás, é de notar que o ‘Ofício da Missa’ existe não só entre os Católicos ocidentais, mas também entre os Cristãos ortodoxos orientais, que desenvolveram a sua Liturgia própria. Somente a partir do século XVI existem correntes de Cristãos que negam o valor da Santa Missa.

 

 

4) “Não sou Católico romano porque não encontrei uma passagem no Novo Testamento apresentando algum dos apóstolos num altar incensando imagens. Pois o culto de imagens foi declarado pelo II Concílio de Niceia (787 depois de Cristo).”

 

Respondemos:

 

A objecção é clássica. A Lei de Moisés proibia fazer imagens para adorá-las (conforme Êxodo 20,4-6). Ocorre, porém, que o próprio Deus mandou confeccionar querubins no templo de Salomão (I Reis 6, 23-30). Uma vez passado o perigo da idolatria e depois que Cristo nos apareceu como a imagem viva do Pai (conforme Colossense 1,15), os Cristãos não hesitaram em pintar e esculpir imagens tanto para fins didácticos e catequéticos como para ajudar a mente a se elevar a Deus, passando do visível ao invisível. Os antigos cemitérios Cristãos (catacumbas) atestam esse costume, que se protraiu até o século VII. Nesta época, por influência de judeus e maometanos, desencadeou-se a controvérsia iconoclasta (quebra de imagens); os Cristãos ortodoxos lutaram corajosamente para atender os seus ícones. O Concilio de Niceia II em 787 apenas confirmou o costume antigo: as imagens podem ser veneradas, não adoradas... e veneradas não por serem de gesso ou madeira, mas porque representam o Senhor Jesus e os Seus Santos. O culto das imagens é relativo às pessoas que elas recordam. Também neste particular o protestantismo está isolado, contra toda a Tradição ocidental e oriental. Incensar uma imagem (cerimónia muito frequente entre os ortodoxos orientais) significa reverenciar o Santo por ela representado.

 

 

5) “Não sou Católico romano porque não encontrei um trecho no Novo Testamento que fale ter ocorrido na Igreja Primitiva alguma procissão eucarística. Não encontrei, porque começou após 1360 anos depois de Cristo.”

 

A resposta começara por lembrar que as procissões têm fundamento bíblico; a Arca da Aliança do Senhor foi processionalmente transportada por David para Jerusalém (II Samuel 6,12-17). Ora, se a Arca da Aliança mereceu um cortejo tão solene da parte dos israelitas, muito mais a Eucaristia deve ser estimulada e celebrada publicamente pelos Cristãos. Aliás, a data de 1360 é falha. As procissões eucarísticas tiveram início no século XIII, com a finalidade de proclamar solenemente a real presença de Jesus na Hóstia consagrada.

 

 

6) “Não sou Católico romano porque não encontrei um texto sequer em que a Bíblia recomende o uso do Rosário. A razão que encontrei, é que apareceu com Pedro Eremita em 1090 depois de Cristo.”

 

Respondemos que o rosário, em grande parte, não é mais do que a recitação de preces bíblicas: Pai Nosso (Mateus 6,9-12) e a primeira parte da Ave Maria (Lucas 1,29,42). Aos poucos foi-se organizando essa maneira de utilizar a Bíblia para orar, fazendo que a mente do orador se ocupe com as grandes verdades Redenção enquanto os lábios proferem as palavras da oração. A organização do ritual e do modo de orar corresponde a uma necessidade humana. Cada denominação protestante possui os seus hinários e livros de oração. Tenha-se em vista especialmente o Book of Common Prayer (Livro de Oração Comum) promulgado pelo rei Eduardo VI em 1549 e revisto em 1552.

 

 

7) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia Sagrada um mandamento que proibia o casamento dos ministros da religião. A razão por que não encontrei é que foi proibido pelo Papa Gregório VII em 1074 depois de Cristo. A Bíblia diz que o Bispo deve ser marido de uma só mulher (1 Timóteo 3,2).”

 

Os irmãos protestantes, que tanto lêem a Bíblia, não parecem conhecer o texto de I Coríntios 7,25-35, em que São Paulo recomenda a vida una ou indivisa (celibatária) como a condição mais favorável para servir a Deus: “quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido” (I Coríntios 7,32-34). Na base dessa intuição os ministros do culto Cristão foram abraçando espontaneamente o celibato. Os Concílios e os Papas sancionaram o costume, tornando-o lei da Igreja, muito consentânea com o pensamento do Apóstolo.

 

O Papa Gregório VII não fez senão reafirmar quando as leis da Igreja prescreviam. O texto de I Timóteo 3,2 deve ser entendido dentro do seu contexto histórico: em 63 (?) o Apóstolo escrevia a uma comunidade em que só havia adultos convertidos; dentre esses adultos São Paulo quer que sejam ordenados aqueles homens que só tenham uma esposa, e não viúvos casados de novo. Os dizeres do Apóstolo, em vez de incitarem ao casamento dos clérigos, impõem uma certa restrição: dois casamentos sucessivos, ainda que legítimos excluiriam da ordenação o candidato.

 

 

8) “Não sou Católico romano porque não existe a palavra purgatório na Bíblia, mas foi confirmado pelo Concílio de Trento em 1563 depois de Cristo, ou seja, antes disso nenhuma alma ia ao Purgatório, pois ainda não havia sido criado pelo Papa.”

 

Respondemos que a crença na existência do Purgatório nunca foi criada por um Concílio, pois é crença que já os judeus antes de Cristo professavam. Com efeito, é atestada pelo livro II Macabeus, capítulo 12, vv. 39-45. Verdade é que a Bíblia dos protestantes não contém esse livro... e não o contém porque Lutero o retirou do catálogo escriturístico. Sim; os dois livros dos Macabeus foram controvertidos pelos Cristãos nos primeiros séculos, pois os judeus da Palestina não os reconheciam, ao contrário do que faziam os judeus da Alexandria. Prevaleceu na Igreja o cânone alexandrino, de modo que, após a fase de hesitação, em 393 o Concílio regional de Hipona promulgava o cânone bíblico incluindo os dois livros dos Macabeus. Assim por toda a Idade Média não se punha em dúvida a canonicidade de 1/2 Macabeus. No século XVI, porém, Lutero houve por bem adoptar o catálogo dos judeus da Palestina, retirando da Bíblia consequentemente os 1/2 Macabeus. Mas mesmo os irmãos que não reconhecem a canonicidade de 1/2 Macabeus, podem tomar consciência de que a crença na existência do Purgatório é algo de pré-Cristão, professado pelo povo de Deus do Antigo Testamento. A Igreja não criou o Purgatório.

 

De resto, este artigo de Fé é muito lógico. Com efeito; todo pecado, mesmo depois de absolvido, deixa resquícios de si na alma do pecador; a absolvição perdoa a culpa, mas não apaga as más tendências alimentadas pelo pecado. Ora o Cristão é chamado a ver Deus face-a-face (I Coríntios 13,12); todavia na presença de Deus não pode subsistir a mínima sobra de pecado; por isto, se o Cristão não extingue as raízes do pecado nesta vida terrestre, deveria fazê-lo na vida póstuma, não mediante fogo, mas através de um amor a Deus mais forte e puro, apto a apagar qualquer escória de amor desregrado. Rezar pelas almas do Purgatório é pedir a Deus que fortaleça o amor existente nessas almas, tornando-o capaz de extirpar qualquer tendência desordenada, para que possam, sem demora, gozar da visão da Beleza infinita face-a-face.

 

 

9) “Não sou Católico romano pois o Novo Testamento não apresenta ministros aspergindo água benta em caixão de morto nem cobrando por isso. Essa prática foi criada pela Igreja Católica Romana no ano 1000 depois de Cristo.”

 

A água benta é sacramental; faz lembrar o Baptismo; aspergi-la sobre um cadáver significa pedir a Deus que receba quanto antes a respectiva alma no regaço da visão beatífica. Esse tipo de oração tem nome próprio de “sufrágio (voto, anseio) em favor dos mortos”; seja entendido à luz do que foi dito em resposta à oitava objecção. Quanto às espórtulas do culto sagrado, vêm a ser a maneira como os fiéis colaboram com a Igreja no plano material. Não devem constituir condição absoluta para a prestação de serviços religiosos. Hoje em dia a Igreja preconiza o dízimo em lugar das espórtulas, a fim de separar claramente dinheiro e culto divino. Os protestantes cobram o dízimo com muita frequência.

 

 

10) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Palavra de Deus que se deva orar e render culto aos santos e aos anjos. Isso foi criado pela Igreja Católica no ano 788 depois de Cristo e o culto das imagens foi decretado pelo 2º Concílio de Niceia em 787 depois de Cristo. Apoc. 22:8 e 9”.

 

Não resta dúvida, existe um só Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo. Acontece, porém, que Ele quer comunicar a Sua acção mediadora aos fiéis. A prova disto é que os irmãos na Terra pedem aos seus semelhantes que orem por eles ou exerçam a função de mediadores. São Paulo mesmo solicitava aos fiéis que rezassem por ele; conforme Efésios 6,19; Colossenses 4,3. O Senhor nos fez responsáveis pela salvação uns dos outros, e essa responsabilidade é posta em prática mediante a oração (e a acção apostólica). A comunhão que assim nos une e que é devida ao facto de que somos membros de um só Corpo, cuja Cabeça é Cristo, não é dissolvida pela morte; os justos no céu “torcem” pelos irmãos que ainda lutam na terra; Deus dá-lhes a conhecer as nossas necessidades e permite assim que intercedam por nós. Essa crença também pertence ao património religioso do Antigo Testamento. Em II Macabeus 15,12-16 lê-se que o profeta Jeremias já falecido orava pelos seus irmãos na Terra: “Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus”. Infelizmente Lutero retirou este livro da Bíblia Sagrada.

 

É de notar que os justos no além não estão adormecidos, mas conservam toda a lucidez de espírito para poderem ajudar-nos na procura do prémio celeste. Por conseguinte, é certo que não foi em 788 que começou a invocação dos Santos na Igreja. Ele brota do coração do fiel (já do fiel judeu), que sabe existir entre nós uma santa comunhão, que nos faz solidários para além da morte.

 

 

11) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia outro intercessor entre Deus e o homem fora de Jesus Cristo: 1 Timóteo 2:5. Portanto, se torna impossível que ‘Santa Maria” possa regar por nós pecadores. Só Jesus roga, intercede, media por nós.”

 

A resposta a esta objecção já foi formulada no item anterior. Seja aqui registado o papel muito significativo que Jesus atribuiu a Maria Santíssima quando a constitui Mãe dos Homens ao entregar-lhe João como seu filho; conforme João 19,25-27. Na qualidade de Mãe, Maria não pode deixar de ser especial intercessora em favor da humanidade e ela confiada. Note-se, aliás, que o primeiro milagre de Jesus foi realizado em Caná por intercessão de Maria Santíssima; conforme João 2,1-11. Na comunidade dos Santos a Virgem Maria ocupa uma posição muito particular.

 

 

12) “Não sou Católico romano porque não encontro na Bíblia Sagrada a ‘confissão auricular’. A razão é que essa modalidade de confissão foi estabelecida como doutrina pelo Concílio de Latrão em 1215 depois de Cristo.”

 

A confissão auricular tem o seu fundamento no Evangelho mesmo. Com efeito, na noite do primeiro dia da semana (domingo de Páscoa), Jesus apareceu aos Seus discípulos, soprou-lhes a face e disse: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles aos quais os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20,19-23). Jesus assim confiou aos seus ministros a faculdade de perdoar os pecados alheios não porque sejam mais santos, mas porque recebem especial carisma do Espírito Santo. O Senhor admite também que o seu ministro não possa absolver o penitente por falta de disposições (propósito firme de evitar as ocasiões de pecado) da parte deste. Ora, para que o ministro possa exercer o ministério de absolver ou não absolver, deve conhecer a situação íntima do penitente – o que só pode ocorrer mediante uma confissão secreta ou auricular. A Igreja compreende todo o alcance das palavras do Senhor e põe em prática o sacramento da Reconciliação, incluindo a confissão secreta dos pecados ao Bispo ou ao presbítero. Tal história se acha delineada no PR 473/2001, pp.460-472.

 

O Concílio de Latrão IV apenas confirmou a prática, preceituando a confissão dos pecados ao menos uma vez por ano.

 

 

13) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia a ‘Transubstanciação’, doutrina da Hóstia transformada no corpo de Cristo. Esta inovação também foi criada no Concílio de Latrão no ano 1215 depois de Cristo.”

 

É estranho que um assíduo leitor da Bíblia não tenha encontrado aí a doutrina da conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Na verdade, nada há de mais claro do que esta doutrina expressa em Mateus 26,26-28; Marcos 14,22-25; Lucas 22,19; I Coríntios 11,23-25: entregando o pão aos discípulos, disse o Senhor: “Isto é meu corpo” e, entregando o vinho, disse: “Isto é meu sangue”. Além do que, em João 6,51-58 Jesus promete dar a Sua carne e o Seu sangue como alimento espiritual; ver especialmente João 6,51: “O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo”.

 

Por conseguinte a doutrina da conversão eucarística está no Evangelho. A teologia medieval apenas criou o vocábulo técnico “transubstanciação” para designar a mensagem bíblica.

 

 

14) “Não sou Católico romano porque a Bíblia diz que, se alguém tirar ou acrescentar alguma palavra das Escrituras, Deus fará vir sobre ele as pragas escritas nesse Livro, ‘e Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa’ (Ap 22:18-19; Deut 4:2,12 e 32).”

 

Antes do mais, uma observação se impõe: quando São João escreveu o Apocalipse, ainda não existia a colecção dos livros sagrados encadernada num só volume; o Apóstolo apenas tinha em vista o Apocalipse, que ele declarava intocável. Os citados textos do Deuteronómio proíbem qualquer alteração da Lei de Deus. A objecção está incompleta. Ela insinua que a Igreja Católica acrescentou à Bíblia os sete livros Deuterocanónicos ou controvertidos nos primeiros séculos, até 393, como dito atrás; seriam os livros de Tobias, Judite, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria, 1/2 Macabeus. Foi Lutero quem no século XVI retirou esses escritos do Livro Sagrado. Apesar disto, as edições protestantes da Bíblia incluíam esses escritos em apêndice até o século XIX.

 

 

15) “Não sou Católico romano porque disse Jesus em Apocalipse: ‘Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e não tomes parte das suas pragas’ (Apocalipse 3:13 a 17).”

 

Observamos, antes do mais, que a citação é falha; o texto transcrito se encontra em Apocalipse 18,4 – A exortação para sair... refere-se a Babilónia, imagem da Roma pagã e perseguidora dos Cristãos; nada tem a ver com a Igreja Católica, à qual o autor do Apocalipse pertencia. Não se pode interpretar um texto bíblico isoladamente do seu contexto.

 

 

16) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia nenhum relato de Baptismo de crianças, e o próprio Jesus, nosso exemplo em todas as coisas, foi baptizado com cerca de 30 anos (Lucas 3:21 a 23) – Não encontro na Bíblia o Baptismo por aspersão, pois Jesus foi baptizado nas águas do rio Jordão (Mateus 3:13 a 17).”

 

A Escritura não refere explicitamente o Baptismo de crianças. Todavia narra que vários personagens pagãos professaram a Fé Cristã e se fizeram baptizar “com toda a sua casa”; assim, o centurião romano Cornélio (Actos 10,1s, 24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (Actos 16,14s), o carcereiro de Filipos (Actos 16,31-33), Crispo de Corinto (Actos 18,8), a família de Estéfanes (I Coríntios 1,16). A expressão “casa” (domus, em latim, oikos, em grego) tinha sentido amplo e enfático na Antiguidade; designava o chefe da família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que geralmente não faltavam). Indirectamente, pois, as Escrituras propõem o Baptismo de crianças.

 

Ademais Orígenes de Alexandria (+250) e Santo Agostinho (+430) atestam que “o costume de baptizar crianças é tradição recebida dos Apóstolos”. Jesus só foi baptizado aos 30 anos porque somente com 30 anos Ele proclamou e instituiu o Baptismo.

 

Quanto à imersão na água, nem sempre era (e é) possível praticá-la, por falta de rio ou por motivos de saúde...; donde a prática da aspersão: a água corre sobre a pele do catecúmero, significando a purificação interior.

 

 

17) “Não sou Católico romano porque esta Igreja está repleta de doutrinas pagãs, como a doutrina da imortalidade da alma e a vida pós-morte, ao passo que a Bíblia afirma que a alma é mortal (Ezequiel 18:2 e 20) e ‘que após a morte não há nenhuma consciência ou existência (Ecles 9:5, 6,19: Jô 7:8 a 10).”

 

Para negar a imortalidade da alma, o autor da objecção se apoia em textos do Antigo Testamento apenas. Na verdade, os judeus originariamente julgavam que, após a morte do homem, subsistia um núcleo da sua personalidade chamado refaim adormecida e inconsciente. Ezequiel chega a dizer que a alma morre para significar não a destruição da alma, mas sim a punição que ocorre ao pecador endurecido no seu pecado.

 

Essas concepções judaicas primitivas foram cedendo à noção de imortalidade da alma consciente no além; assim no século I a.C. o livro da Sabedoria, nos seus capítulos 2 a 5, professa tal doutrina, que o Novo Testamento ensina claramente. Basta citar as palavras de Jesus ao bom ladrão prometendo-lhe o paraíso após a morte (conforme Lucas 23,43); os dizeres de São Paulo em Filipenses 1,23: “O meu desejo é partir e ir estar com Cristo, pois isso me é muito melhor”. Ademais o Apocalipse apresenta a Liturgia celeste celebrada pelos mártires e justos, “que lavavam as suas vestes no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7,14). Os justos no céu acompanham a vida de seus irmãos na terra e bradam ao Senhor: “Até quando... tardarás a fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Apocalipse 6,10). Por conseguinte, é falso dizer que a alma humana é mortal ou que no além se encontra adormecida e inconsciente.

 

 

18) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia nenhuma passagem que mande santificar o Domingo como dia de Descanso Semanal. Na realidade, o Domingo foi instituído pelo Imperador Constantino romano, pagão, na data de 7 de março de 321 depois de Cristo, esse decreto dominical pagão foi aceite e confirmado pela Igreja Católica Romana no ano de 364 d.C. Ao contrário disto, mais de 140 passagens bíblicas falam do Sábado como o dia de repouso de Deus, deixando para o nosso repouso semanal. Veja Êxodo 20:8 a 11; Isaías 58:13,14; 66:22 e 23; Atos 13:14,43,44; 16:13; 17:2; Apoc 14:12.”

 

Mais uma vez o autor das objecções privilegia o Antigo Testamento em detrimento do Novo. Com efeito, a Lei de Deus manda observar todo sétimo dia como dia de repouso dedicado ao Senhor. Os Cristãos cumprem exactamente essa norma; diferem, porém, dos judeus (e dos adventistas) pelo facto de começarem a semana na segunda-feira e a terminarem no dia seguinte ao sábado judaico. E porquê houve esse deslocamento do sétimo dia ou do sábado? – Porque Jesus ressuscitou como novo Adão no dia seguinte ao sábado ou no primeiro dia da semana judaica; Ele recriou o ser humano. Os Cristãos compreenderam logo que deveriam reverenciar tal dia como o Dia do Senhor por excelência, celebrando então a Eucaristia ou a Páscoa do Senhor. É o que atestam certos textos do Novo Testamento:

 

I Coríntios 16,2: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de lado o que conseguir poupar; deste modo não se esperará a minha chegada para se fazerem as colectas” – O Apóstolo se refere à assembleia litúrgica realizada “no primeiro dia da semana”.

 

Actos 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão, Paulo entretinha-se com eles”.

 

Em Apocalipse 20,10 está dito que esse primeiro dia da semana era a Kyriakè heméra, o Dia do Senhor, a dominica dies (em latim) ou a dominga (no português arcaico). O que importa não é a palavra sábado como tal, mas o seu significado de 7º dia dedicado ao repouso e ao culto do Senhor. Para o Cristão, celebrar o sábado judaico é, de certo modo, ignorar a Páscoa ou o fundamento da Fé Cristã.

 

Seja lícito acrescentar: Não sou protestante (nem adventista do 7º Dia) porque, por mais que tenha procurado, não encontrei na Bíblia passagem alguma que recomende escrever panfletos injuriosos e caluniadores contra os irmãos Católicos a fim de propagar o Evangelho – Ao contrário, só encontrei na Bíblia textos que mandam amar a todos os homens, inclusive aos inimigos (Mateus 5,43-48). Também encontrei na Bíblia a notícia de que Jesus Cristo é a Verdade (João 14,6) e Satanás é o pai da mentira (João 8,44s). Quem se afasta dessa norma, não é evangélico.

 

 

Apêndice:

 

Os adventistas costumam dizer que o Papa é a Besta do Apocalipse (13,18), porque as letras do título VICARIUS FILLI DEI perfazem o total 666. Tal exegese é falsa, pois São João e os seus leitores imediatos não conheciam o latim. Mas, usando a mesma táctica, pode-se dizer que a grande mestra dos adventistas é a Besta, como se vê abaixo:

 

E L L E N G O U L D W H I T E = 50 50 5 50 500 10 1 = 666

 

Em suma, eis alguns dados que podem servir aos fiéis Católicos quando agressivamente interpelados por seus irmãos.

 


Fonte: A Fé Explicada


07
Mai 12
publicado por FireHead, às 13:35link do post | Comentar

 

Como se diz, os primeiros Cristãos professavam a teo­ria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Cons­tantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introdu­zindo a ideia do Inferno. Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla?

 

Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos­-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla.

 

 

I. Antigos documentos Cristãos e reencarnação

 

1. Sagrada Escritura.

 

Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Pelo contrário, a Escritura professa categoricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente jul­gado: Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento (Hebr 9,27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso (Lc 23,43).

 

Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1,21; 3,3; 9,1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de os analisar novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores Cistãos.

 

2. Os Padres da Igreja.

 

Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte: A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jeronimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41).

 

Contudo, os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de as comprovar citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas.

 

Quem, ao contrário, investiga directamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega à conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos.

 

S. Ireneu († 202) rejeitava explicitamente a tese da reen­carnação, lembrando que em nossa memória não nos fica ves­tígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé Cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. II 33).

 

Tertuliano († 220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo na famosa passagem «De anima» 28-35, que assim se pode resumir:

 

Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Tróia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele a Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe (sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe)? E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios hereges ousaram de­fendê-la.

 

Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contra­ria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afecte o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro.

 

Clemente de Alexandria († 215) tinha a doutrina da reen­carnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências no-la atestam nem a fé Cristã: Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fora sustentada por conventículos de hereges ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas).

 

São Gregório de Nissa († 394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregório considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade hu­mana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracio­nal (ave, peixe, rã...) e à planta o mesmo princípio vital (cf. «De hominis opificio» 28). Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao facto de que em al­guns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 destaresposta).

 

São Jerónimo († 421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo, seria difícil ou impossível jus­tificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerónimo, pois o S. Doutor se pronunciou directamente contrário à teoria, e isto... precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias: João é chamado Elias, observa S. Jerónimo, não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo facto de ter ele vindo cheio da força e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho (cf. Lc 1,17).

 

Santo Agostinho († 430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o "codi­ficador", terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Santo Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfirio, que ele assim comenta: Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfirio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas consequências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adoptada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfirio admitiu que as almas entram sempre em novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que a sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho se lhe acontecesse reen­carnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha ver­gonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram... fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos! (De civitate Dei X 30).

 

Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura Cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Santo Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais anti­gos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de en­sinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente.

 

Eis, porém, que a história regista o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concilio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção.

 

 

II. Orígenes, Origenismo e Constantinopla

 

É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos Cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré­-Cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais:

 

1. Quem era Orígenes?

 

Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egipto) numa época em que os autores Cristãos começavam a confrontar a revelação do Evan­gelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de Fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das propo­sições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em conse­quência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arqui­tectasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da Fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia do seu tempo e, em particular, da filosofia platónica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, per­tencentes ao património da Fé e da Igreja, e proposições hipo­téticas, que ele formulava em seu nome pessoal, à guisa de su­gestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes.

 

Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de facto vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico.

 

Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas actualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, por­tanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo na sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado.

 

Note-se bem: o alexandrino propunha tais ideias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justa­mente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não tinham sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obsti­nação consciente contra o magistério da Igreja).

 

2. A desgraça de Orígenes

 

A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos dis­cípulos e admiradores... Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da Fé.

 

É preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexan­drino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora esta não implica necesariamente a reencarnação; signi­fica apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois... ; daí não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita).

 

Aliás, Orígenes pronunciou-se directamente contrário à doutrina da reencarnação... Com efeito; em certa passagem das suas obras, con­sidera a teoria do gnóstico Basílides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: Vivi outrora sem lei... (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basílides não percebeu que a palavra «ou­trora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII).

 

Contudo, os discípulos de Orígenes professaram como ver­dade de Fé não somente a preexistência das almas (delicada­mente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese).

 

Os principais defensores destas ideias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egipto, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando uma vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco ver­sados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o ale­xandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabe­dal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes.

 

A tese da reencarnacão, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores Cristãos mesmos, que a tinham como contrária à Fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Eneias de Gaza († 518), autor do «Diálogo sobre a imor­talidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocinio: Quando castigo o meu filho ou o meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e reco­mendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os cas­tiga? Haveria de lhes subtrair a recordação das suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vítima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta? (ed. Migne gr. t. LXXXV 871).

 

Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista. Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc.VI provocou famosa celeuma teo­lógica. Como se terá desenrolado?

 

3. Séc. VI

 

No início do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de pro­pagação o cenóbio dito da «Nova Laura», a sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste.

 

Em 531, o abade São Sabas, que, com os seus 92 anos de idade, se opunha energicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a pro­tecção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo, alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opi­niões origenistas; regressou à Palestina, para aí morrer a 5 de De­zembro de 532.

 

Após a morte de São Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em consequência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo facto de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestígio mesmo em Constantino­pla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesareia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira.

 

Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instância superior. Foi o que se deu em 539 num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na compa­nhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de facto transmitida, logrando o alme­jado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sen­tenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e aria­nos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes:

 

1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, des­viando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema.

5. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que actualmente temos, seja anátema.

9. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demónios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim, e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demónios, seja anátema.

 

Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos.

 

Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este tam­bém condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento. Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo per­manente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto:

 

1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema.

2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos cria­dos independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a actos ilícitos, cada qual seguindo as suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema.

3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema.

4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em consequência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios e tenebrosos, tornando-se o que chamamos demónios e espíritos maus, seja anátema.

 

O Papa Virgílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não, como se costuma dizer, pelo II concílio ecuménico de Constantinopla, o qual só se rea­lizou em 553. Neste concílio ecuménico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com alguns hereges por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencio­nado concílio ecuménico). Os historiadores recentes rejeitam a opi­nião de autores mais antigos segundo os quais o II concílio ecuménico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas.

 

Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituidos de autoridade para tratar do assunto.

 

4. O Inferno

 

Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não somente na base dos teste­munhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais re­presentam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explícitas do II concílio ecuménico de Lião (1274): As almas... são imediatamente recebidas no céu, e do con­cílio ecuménico de Florença (1439): As almas... passam imediatamente para o Inferno a fim de aí receber a punição (Denzinger, Enchiridion 464. 693).

 

Quanto à doutrina do Inferno, ela está contida na Sagrada Escri­tura e sempre foi professada pelos Cristãos; cf. «P. R.» 371957, qu. 5. Erróneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI.

 

5. Conclusão

 

Em conclusão, observamos o seguinte:

 

a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores Cristãos aqui citados);

 

b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particu­lares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»);

 

c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação não teve a voga que tiveram, por exemplo, as teses da preexistên­cia das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventu­rança inicial;

 

d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o origenismo versaram explicitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente im­plica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos orígenístas);

 

e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não somente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrístícos, mas tam­bém pelo magistério extraordinário nos concílios ecuménicos de Lião II (1274) e de Florença (1439).

 

 

D. Estevão Bettencourt, OSB

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos, PR 051/1962


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