«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Jul 13
publicado por FireHead, às 05:58link do post | Comentar

 

Reproduzimos abaixo o texto de Pe. José Fernandes de Oliveira, SCJ ('Padre Zezinho'), que propõe uma reflexão especialmente necessária nestes nossos tempos, em que mulheres se vestem, se portam e caminham pelas ruas como se oferecessem os seus corpos, qual mercadoria. Tempos em que mulheres reivindicam o "direito" de cortarem fora de seus ventres os seus próprios filhos, como se fossem tumores, e outras tantas marcham pelo direito de serem "vadias"...

 

 

Era um prodígio de ser humano feminino. Chamava-se Lis. Como era bonita! Dos velhinhos às crianças e jovens, homens e mulheres, negros e brancos, todos admitiam: era a mulher mais bonita da cidade.

 

Caminhava com a desenvoltura e a graciosidade de uma garça. Era o sonho de todo homem na idade de casar e o orgulho de todos os pais. Quem não quereria uma filha gentil, estudada, bonita e bem educada como aquela?

 

Ela sabia disso! A beleza nunca lhe subira à cabeça. Mas parece que adivinhava! Um camião que se perdeu na curva, para desespero do motorista arruinou aquela beleza. Oito meses de hospital e ela voltou amarrada numa cadeira de rodas, rosto reconstruído e cortes profundos por todo o corpo. Tinham destruído o mais lindo monumento da região e do Estado!

 

Naquele dia de Corpus Christi o padre lhe passou a palavra. Ao lado do altar, no púlpito da sua cadeira de rodas ela disse arrancando lágrimas de todos:

 

“- Vocês me viam desfilar minha beleza pela cidade e me abençoavam, galanteavam, propunham noites de amor. Os que me respeitavam me queriam como esposa. A cidade tinha orgulho de mim porque, pelo meu rosto, minha pele, meus olhos e meu corpo que herdei de meus pais, eu era um monumento vivo. Casei-me e meu marido me devotou enorme respeito. Tivemos dois lindos filhos que o meu corpo amamentou. Acho que eu soube ter o meu corpo e usá-lo correctamente.

 

Mas tudo mudou com o acidente. Hoje eu tenho o meu corpo crucificado a esta cadeira. Ele já não inspira desejo, nem admiração. Foi quebrado em onze lugares. Tudo que tenho a oferecer é minha luta, meu sorriso, minha paciência e meu olhar resignado.

 

Mas tenho orgulho de ser católica. Nossa Igreja, todos os dias, nos oferece o Corpo de Cristo que também foi torturado e massacrado naquela cruz e hoje se oferece em sacrifício pelo povo. Eu estou oferecendo o meu por esta cidade. Vocês não me vêem me queixando. Continuo a ser filha, esposa, mãe e mulher. O meu corpo não me atrapalhava e não me atrapalha agora. Eu sempre acreditei no Corpo de Cristo.”

 

As meninas da cidade aprenderam uma coisa. Concurso de miss podia até ser bom, mas umas horas com a Lis mudava uma cabeça adolescente. Soube que ela continua dando catequese em casa e que a frequência dos grupos é impressionante. Mas e porque naquele ontem lindo corpo de mulher havia uma linda alma de mulher. Quando o corpo se feriu a alma saiu ilesa!

 

 

Pe. Zezinho

 

Fonte: Voz da Igreja


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