«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
15
Jul 15
publicado por FireHead, às 06:56link do post | Comentar

Kalman J. Kaplan ensina nas universidades americanas de Wayne State e Illinois. Tem escrito sobre paralelos bíblicos para os mitos gregos e publicou uma comparação das histórias de Isaac e Édipo, duas versões para o drama familiar que, segundo a ortodoxia freudiana, está na origem da civilização e das suas neuroses. Isaac era o filho amado que Deus mandou Abraão imolar, Édipo o filho enjeitado condenado  a cumprir a profecia feita a seu pai de que um filho o mataria.

 

São duas figuras igualmente sacrificiais e expiatórias, e Kaplan estranha que Freud, mesmo sendo um judeu secular, não tenha preferido o exemplo bíblico ao grego para a sua tese sobre o conflito mais antigo da humanidade.

 

O que diferencia Isaac de Édipo é a natureza do sacrifício e a consequência da expiação de cada um. Deus poupa Isaac da imolação e pai e filho chegam a um acordo que, no fim, é o acordo inaugural do judaísmo. Os terrores do filho diante do pai são atenuados pela sua ritualização - como a circuncisão, que é uma castração simbólica - e o terror do pai diante do filho é transferido: a vinda do Messias, o filho que susterá ele mesmo a faca imoladora e desafiará o pai, fica para um futuro indefinido.

 

Já Édipo cumpre a sua danação. Mata o pai, ganha as glórias passageiras do reino de Tebas e da cama da mãe, mas é derrotado pelo remorso. Sucumbe ao destino reincidente de todo homem e inaugura não uma religião mas um complexo.

 

O Jesus das Escrituras tem muitos precedentes em mitos da antiguidade, heróis expiatórios de outras culturas cujo martírio precede a ressurreição e voltam dos seus abismos e das suas provações como líderes ou deuses. A especulação, hoje disputada, de Freud era que todos os mitos de redenção tinham origem na revolta dos filhos rebeldes contra o pai tirano, nas hordas primitivas.

 

Os filhos matavam e comiam o pai e aplacavam o remorso, o medo de serem literalmente comidos por dentro em retribuição, designando um dos seus como o culpado, sacralizando o crime e o criminoso e imolando o irmão/herói numa oferenda ao pai vingativo. Os mitos judaicos e os mitos gregos substituiam o monomito primevo de formas diversas, mesmo que os dois mitos fossem essencialmente os mesmos.

 

A história de Isaac é um mito de conciliação, a de Édipo um mito de recorrência trágica. As duas buscam a superação do conflito pai x filhos, a de Isaac pela integração sob os olhos de Jeová - nas palavras do profeta Malaquias, “e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” - a de Édipo pela resignação aos ciclos da condição humana, inegociáveis, pelo menos até que venha a psicanálise.

 

Já a tradição messiânica dá no Cristo, cujo triunfo histórico se deve ao seu ineditismo. No mito cristão o filho confronta o pai, mas filho e pai são a mesma coisa. O pai não mata o filho, o filho é imolado em oferenda a si mesmo. E é a carne do irmão/herói, não a do pai, que os irmãos comem, simbolicamente, na Eucaristia, subvertendo o rito primevo enquanto o repetem.

 

E o mito cristão não é cíclico. Ele rompe a reincidência protelatória do mito judaico e a dos eternos retornos do mito grego. Seu herói venceu, expiou a culpa colectiva transformando-se por nós no seu próprio pai sem precisar matá-lo, e em vez de um acordo como o de Isaac com Abraão com a benção de Jeová ou a submissão a um destino trágico como a de Édipo, trouxe uma novidade que nenhum mito, antes, oferecera: a salvação.

 

 

Fonte: Blog do Noblat

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27
Jun 15
publicado por FireHead, às 04:11link do post | Comentar

O One Minute Apologist explica como pode um Deus de amor matar no Antigo Testamento:

 

 

O "pastor" adventista brasileiro Rodrigo Silva analisa de forma interessante o porquê de Deus ter mandado matar:

 

 

O padre Paulo Ricardo responde porque é que Deus do Antigo Testamento é tão sanguinário:

 


11
Mai 15
publicado por FireHead, às 17:48link do post | Comentar

Centrais-300x200.jpg

 

Estava calor, muito calor. Uma daquelas tardes quentes e abafadas de Macau. Fui para o centro da cidade. Passei na Livraria Portuguesa, como sempre que podia. Mas naquele fim de tarde o meu rumo era outro. Sim, era a igreja do Convento dos Dominicanos de Nossa Senhora do Rosário. Assim quase ninguém a conhece, a igreja de São Domingos, como é comum ser designada popularmente. Ou “Pan Cheong Miu” (o “templo de tábuas de madeira”), como lhe chamam os habitantes chineses de Macau, pois, originalmente, a igreja, fundada em 1587 por frades dominicanos hispano-filipinos, fora construída em madeira. No século XVII seria então reedificada, aparecendo a actual construção.

 

E já agora, não esqueçamos que o primeiro jornal português de Macau e também o primeiro jornal da História moderna da China, A Abelha da China, viu o seu primeiro número ser precisamente publicado nesta igreja, a 12 de Setembro de 1822. A memória do lugar, do espaço, que eu contemplava, naquele fim de tarde plúmbeo e cálido, naquele 13 de Maio, outras histórias… Mas naquele dia, havia – há! – outros motivos para se ir ali. E curiosamente, parece que milhares de outras pessoas têm motivos para ali estar, dentro e fora da igreja, aos milhares no seu todo. É verdade, parece que desde 1929 assim se passa.

 

Com a introdução do culto a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, anualmente, a 13 de Maio, sai desta igreja a “Procissão de Nossa Senhora de Fátima” (organizada pela Confraria de Nossa Senhora do Rosário da Mãe de Deus), talvez a maior manifestação de culto da Igreja Católica em Macau. De São Domingos, uma imensa multidão ruma, recitando o Rosário trilingue (Português, Inglês, Cantonense), até à Ermida de Nossa Senhora da Penha, larga cópia de fiéis, turistas ou curiosos acompanham, ano após ano, a imagem da “Senhora de Fátima” e o clero, com o Senhor Bispo à frente, em preito de devoção e fervor como dificilmente se vê. Confesso, permitindo-me o estimado leitor, o uso da primeira pessoa, que poucas vezes, ou nenhuma até, testemunhei tal piedade filial de tão grande concurso de gente em torno de uma devoção.

 

Sim, Fátima é isto, tem disto. Mobiliza, enfatiza, acrisola fé e comunhão, dimensiona a espiritualidade e irmana, em qualquer paragem deste mundo, o vale de lágrimas que clama piedade, com intercessão da Virgem. Em tudo e para Tudo, como dizia o beato D. Álvaro del Portillo, Maria, a Virgem de Fátima, assume-se como a luz no caminho para os que querem seguir fielmente a Jesus. A via para a santidade que é Maria, na sua invocação de Fátima, está bem evidente nos ânimos e esperanças de todos aqueles que seguem a sua imagem redentora e salvífica em todos os 13 de Maio, por ali acima, até à Penha. Iriam até Coloane, se fosse preciso, pois acreditam, como D. Álvaro, que a Mãe está em tudo, para tudo.

 

Mas afinal o que está por detrás desta enorme devoção, que move multidões e enxameia por todo o mundo em expressão de adesões plurais de fé? Para começar, a festa litúrgica foi instituída em 1949, vinte anos depois da primeira procissão em Macau em devoção à Virgem. Nossa Senhora de Fátima, ou mais correctamente, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, é uma das designações, ou invocações, atribuídas à Virgem Maria que, segundo os relatos que surgiram na época e depois por parte da Igreja Católica, terão sido registadas várias aparições, repetidamente a três pastores, então crianças, no lugar de Fátima, na freguesia de Aljustrel, concelho de Ourém, distrito de Leiria, no centro de Portugal.

 

A primeira aparição terá ocorrido no dia 13 de Maio de 1917. As restantes aparições sucederam-se durante os seis meses seguintes, sempre no mesmo dia (exceptuando em Agosto). A aparição está relacionada também com a invocação de Nossa Senhora do Rosário, pois de acordo com os relatos, a Virgem ter-se-á dirigido aos pastorinhos como “Nossa Senhora do Rosário”. Na narrativa das Aparições é aliás coerente, pois a mensagem que a Virgem trazia era uma súplica de oração, em particular a oração do Santo Rosário.

 

As Aparições de Fátima surgiram na sequência de outros fenómenos idênticos, de âmbito Mariano também, em França, no século XIX. O primeiro foi em Notre-Dame de La Salette, na montanha de La Salete, Isére, nos Alpes franceses. Nossa Senhora apareceu então, a 19 de Setembro de 1846, a duas crianças, Maximin Giraud de 11 anos e Mélanie Calvat de 15 anos. Em 11 de Fevereiro de 1858, em Lourdes, na gruta de Massabielle, na diocese de Tarbes, e até 16 de Julho desse ano, a Virgem apareceu a Bernardette Soubirous.

 

O acolhimento popular a estas aparições foi grande, embora com problemas, suscitados por resistências políticas, institucionais e governamentais. Mas Fátima, como as congéneres francesas, resistiu e impôs-se. Como prenunciaria a Virgem, refira-se, a Jacinta Marto, umas das videntes de Fátima: «Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o Mesmo».

 

As Aparições de Fátima, assim, começaram a 13 de Maio de 1917, quando três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, em Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos. Cerca do meio dia, já tinham rezado o terço, como costume, estando a brincar, no local onde hoje se encontra a Basílica. Surgiu então uma luz brilhante. Era um relâmpago, acharam, hora de ir embora mas mais abaixo, um clarão iluminou o lugar: no cimo de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), avistaram uma «Senhora mais brilhante que o Sol», de cujas mãos pendia um terço branco. A Senhora de Branco incitou os três pastorinhos a rezar muito, lembrando-os de que iria aparecer na Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. Nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Virgem apareceu e falou-lhes, como prometido; a 19 de Agosto, a aparição ocorreu no lugar de Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, pois, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém. Foi na última aparição, a 13 de Outubro, perante cerca de 70 mil pessoas, a Senhora anunciou-se como “Senhora do Rosário”, exortando que ali se fizesse uma capela para seu louvor, que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois desta aparição, conforme prometera aos meninos nas aparições de Julho e Setembro, deu-se o milagre do Sol, que girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra, tudo perante aquela gente. A Virgem apareceria ainda a Lúcia, a única das crianças que viveria para além da adolescência, em 1925, 1926 e 1929, no convento das Doroteias em Espanha onde esteve recolhida.

 

Francisco morreria em 1919 e Jacinta em 1920. Em 1921 celebrou-se a primeira missa na Capelinha das Aparições. Em 3 de Maio de 1922 deu-se a abertura do processo canónico sobre os acontecimentos de Fátima, ano em que se inicia a publicação da Voz de Fátima. A primeira pedra da Basílica foi lançada em 13 de Maio de 1928, dois anos antes da abertura oficial do culto de Nossa Senhora de Fátima, por parte da diocese de Leiria-Fátima. A Basílica de Nossa do Rosário, a igreja do Santuário de Fátima, será sagrada em 7 de Outubro de 1953, a qual se torna Basílica Menor no ano seguinte. Em 2007 foi inaugurada a Basílica da Santíssima Trindade, completando um conjunto de valorizações do grande santuário mariano universal que é Fátima.

 

Desde 1917 podíamos contar como milhões os peregrinos que têm afluído à Cova da Iria, vindos de todo o mundo. Primeiro, vinham nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno. Actualmente, segundo o Santuário, cada vez mais há peregrinos todos os fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de cinco milhões. Do outro lado do mundo, em Macau, Fátima também move multidões e aquece corações.

 

 

Vítor Teixeira 

Universidade Católica Portuguesa

 

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29
Out 14
publicado por FireHead, às 04:59link do post | Comentar

Só se for da igreja do Papa Chico. Vejo no noticiário da uma a reportagem sobre uma freira italiana que vai lançar um disco após ter ganho um concurso na Itália. O primeiro single é uma cover de Like a Virgin, da sra. Madonna. Depois, ligo a internet e deparo-me com uma "batalha de dança" entre padres. O Papa Chico afasta cardeais e bispos a sério e promove estas merdas. Transforma-se a Igreja em circo. Pensam que assim atraem crentes? Não. Estes hereges sabem perfeitamente que, assim, só afastam as pessoas que procuram a verdade, lançando-as nas seitas e outras alternativas. Quem quer canto, dança e ilusões procura-os nos cultos neopentecostais. Fazem-no bem e mais eficazmente do que os falsos católicos. A Igreja é fé e Verdade. É Mistério e Autoridade. É dificuldade. Não é uma companhia ou um clube de futebol preocupado em angariar sócios, que muitas vezes não pagam as quotas. Preocupa-se em salvar almas, certo, mas não as salva assim, fazendo números patetas, de ilusionismo rasca. O Anticristo está a fazer um bom trabalho. O Vaticano está infiltrado, os crentes verdadeiros vão precisar de força para resistir a esta nova ofensiva contra Cristo, mais perigosa porque vem de dentro.

 

in A Cidade do Sossego


15
Set 14
publicado por FireHead, às 07:39link do post | Comentar

O americano Harold Bloom é o autor do bestseller "O Código Ocidental" e reconhecido como um dos maiores críticos literários do nosso tempo. Escreveu, em 2002, o livro "Genins - A mosaic of one hundred exemplary creative minds", traduzido este ano para Português pela "Círculo de Leitores", com o título "Génio, os 100 autores mais criativos da história da literatura".

De entre os génios da literatura portuguesa escolheu Camões, Eça de Queirós e Fernando Pessoa. O pronunciamento sobre estes cem génios varia entre as sete e dez páginas. O livro é de 902 páginas.

O maior de todos os génios é William Shakespeare. Há, portanto, um antes e um depois de Shakespeare. Mas também se agigantam Dante, Cervantes, Goethe, Emerson, Machado de Assis...

Da bíblia hebraica apresenta o génio do "Javista", autor-redactor anónimo que terá escrito, durante o exílio babilónico, as narrativas e memórias de história e saga dos patriarcas, Moisés, Josué, Samuel, David... O Deus monoteísta deste autor pouco tem a ver com mandamentos e receitas identitárias do judaísmo rabínico. É um Deus carregado de ironia e mistério de vida e acção.

Do Novo Testamento apresenta São Paulo como génio pelo que escreveu e, sobretudo, pelo que fez. Para o autor, Paulo é o verdadeiro fundador do cristianismo universal. É o judeu fariseu esmagado pela Lei de Moisés (como também Lutero), da qual se liberta por um acto de génio na crença da ressurreição: "Ó morte, onde está a tua vitória!"

O autor fala de Jesus com esta afirmação: "A lenda de Jesus é a mais poderosa que o Ocidente conheceu, transcendendo os mitos de Homero, a bíblia hebraica e o alcorão. Apesar da longa história do cristianismo, com a sua enorme variedade de componentes, a lenda baseia-se numa voz: Acendi um fogo na Terra e vigiá-lo-ei até que ele nos ilumine".

O autor refere o texto de Lucas 12,49 (Par. Mateus 10, 34-36): "Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado!" Os conteúdos são bem diferentes.

Harold Bloom afirma-se continuamente como judeu gnóstico e defensor da cabalística judaica. Os gnósticos, à maneira da caverna de Platão, defendem a ideia do homem "carnal-corpóreo", ser prisioneiro da verdade que nos vem por obra e graça da plenitude da gnose (conhecimento) que reside numa outra instância extraterrestre. O "carnal" esmaga-se a si mesmo para se abrir ao "espiritual" gnóstico. E é neste processo, mais ou menos consciente, que reside o "génio" do escritor, romancista, poeta, dramaturgo...

Jesus, neste sentido, não foi, nem é, um "génio". Percebê-lo, compreendê-lo é viver de acordo com Ele. Trata-se de fé e não de gnose ou de génio. A luz de Jesus Cristo é uma revelação e não uma auto-iluminação de conhecimento esotérico.

 

Frei Joaquim Carreira das Neves

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20
Ago 14
publicado por FireHead, às 09:52link do post | Comentar

"Então, cara...", comecei, um pouco nervoso. Esta foi a nossa primeira conversa de verdade sobre a fé. "Tem algum livro específico da Bíblia sobre o qual você gostaria de saber mais?"
  
Ele hesitou brevemente e, com olhar pensativo, respondeu: "Bom, eu queria que você me contasse tudo sobre o Cristianismo. Como é que ele começou? O que ele significa hoje em dia?"
  
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Nunca me tinham feito perguntas desse tipo. Ficámos uma hora repassando a história da salvação, de Adão e Eva aos Actos dos Apóstolos e terminando com um intenso debate sobre a missa. Foi impressionante. Mesmo!
 
Eu tinha conhecido Ling, um estudante de Pequim, durante um evento do Newman Center, algumas semanas antes. Novo nos Estados Unidos e com vários amigos cristãos, Ling tinha muitas perguntas sobre essa estranha pessoa chamada Jesus, de quem ele só tinha ouvido rumores até então.
 
Por que eu estou contando essa história? Porque havia algo de diferente em Ling. Ele era receptivo. Ele fazia perguntas sinceras, humildes, curiosas. Ele queria saber mais. Depois de conversar com ele durante vários meses, um súbito lampejo me chamou a atenção: Ling tinha sido poupado de um fenómeno que, em nossa juventude, atingiu quase todos nós que crescemos na sociedade pós-cristã: ele não tinha sido vacinado contra o Cristianismo.
 
Você sabe como funciona a inoculação: uma versão enfraquecida de uma doença é injectada no seu sangue. O seu sistema imunológico, percebendo o intruso, dispara o alarme e começa a produzir anticorpos que atacam os invasores, destruindo-os.
 
Depois disso, toda vez que a versão real da doença tentar entrar no seu corpo, o seu sistema imunológico vai reagir e matá-la. A inoculação é uma óptima forma de treinar o seu corpo no reconhecimento e no combate às doenças que ele já viu antes. Bom, eu não sou microbiólogo, mas acho que você entendeu a ideia.
 
É claro que tomar uma vacina para prevenir doenças como varicela e hepatite B é muito bom. Mas o que acontece quando nos vacinamos contra uma visão de mundo? Contra um sistema de crenças? O que acontece quando, numa época repleta de destroços de uma cultura cristã que já foi robusta e abrangente, nós ficamos imunes e incapazes de receber a verdadeira, autêntica e salvadora mensagem de Jesus Cristo?
 
O que acontece quando o Cristianismo se reduz a "uma doença que já vimos antes"?
 
Uma vacina contra a Verdade
 
Fulton Sheen estava certo sobre uma série de coisas, incluindo a seguinte:
 
"Não há nem sequer cem pessoas nos Estados Unidos que odeiam a Igreja Católica. Mas há milhões que odeiam o que erroneamente acham que a Igreja Católica é".
 
Sheen entendeu a tragédia da nossa inoculação. Muita gente odeia ou abandona a Igreja porque foi levada a acreditar em um falso evangelho.
 
Vou destacar três das mais insidiosas "falsificações" do Cristianismo; três mentiras que, mascaradas de verdade, levam as pessoas a rejeitar o Cristianismo por inteiro. Precisamos de acabar com elas.
  
Três motivos que levam os católicos a abandonar a Igreja
 
1. "Eu imaginava Deus como um velho de longas barbas brancas, sentado numa nuvem do céu. Agora eu já enxergo o quanto isso é ridículo. O Cristianismo é simplesmente uma fantasia".
 
Eu não sei dizer quantas vezes já ouvi ex-católicos fazendo comentários desse tipo. Imagens de desenho animado de um Deus barbudo ou de anjos com asas foram incorporadas ao nosso subconsciente. Até Miguel Ângelo pintou Deus desse jeito na sua famosa "Criação".
 
Mas nós temos que lembrar que as imagens de seres imateriais nunca foram feitas para ser interpretadas literalmente. Elas são apenas símbolos que pretendem ilustrar verdades metafísicas abstratas que a imaginação sozinha não consegue entender. A representação de Deus feita por Miguel Ângelo era muito menos uma descrição literal do que um "comentário visual" sobre a sabedoria, a atemporalidade e a eternidade de Deus.

 

Nós somos humanos e amamos imagens. Mas até as imagens sacras podem-nos vacinar contra a verdade se não formos cuidadosos com elas. Não podemos deixar uma imagem física substituir uma realidade espiritual ou permitir que a imaginação derrote a inteligência na tarefa de discernir o que é a verdade.
 
"Não há nada a ser feito com o intelecto até que a imaginação seja posta com firmeza em seu lugar" (Frank Sheed).
 
2. "O ponto central do Cristianismo é fazer o bem e ser uma boa pessoa. Eu posso fazer isso sem religião".
 
Quando eu pergunto às pessoas qual elas acham que é a mensagem central do Cristianismo, a resposta mais comum é esta: "ser uma boa pessoa".
 
Se esta fosse a verdadeira mensagem do Cristianismo, eu não culparia as pessoas por abandoná-lo. Quem é que iria querer seguir todas essas regras, manter todas essas posições políticas impopulares e passar todas essas horas sentado, ajoelhado e em pé quando poderia muito bem abandonar todos esses aspectos da religião e ainda assim ser "uma boa pessoa"?
 
Jesus Cristo não foi apenas uma boa pessoa. Ele é o Filho de Deus feito homem e morreu para que pudéssemos viver em eterna relação de amor com Deus. Cabe a nós responder a este convite comprometendo a nossa vida com Ele.
 
"Deixe a religião ser menos teoria e mais um caso de amor" (G.K. Chesterton).
 
3. "Muitos indivíduos da Igreja cometeram uma enormidade de erros e de decisões erradas. Esta Igreja está cheia de pecadores e eu não quero fazer parte disso".
 
Temos que ter sempre muita sensibilidade para com quem foi machucado por indivíduos que fazem parte da Igreja. Eles têm razão: a Igreja está cheia de pecadores e sempre esteve, desde as traições de Pedro e de Judas.
 
Mas, ao mesmo tempo em que a Igreja está cheia de pecadores, ela também é a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica fundada por Jesus Cristo e guiada pelo Espírito Santo. Abandonar a Igreja porque ela está cheia de pessoas pecadoras é como desistir da academia porque ela está cheia de pessoas fora de forma. Temos que promover a reforma da nossa Igreja, mas de dentro dela!
 
"A Igreja não é um museu de santos, mas um hospital de pecadores" (Abigail Van Buren).
 
O remédio: redescobrir o mistério
 
Citei três das maiores mentiras sobre o Cristianismo; mentiras que, incutidas em nosso subconsciente, podem-nos impedir de chegar algum dia a compreender de verdade a mensagem autêntica do Evangelho.
 
Felizmente, há maneiras de combater a síndrome do "eu já vi isso antes". Se alguém que você conhece caiu nessa armadilha, tente algumas destas técnicas de "desvacinação":
 
1. Derrube os mitos. Ajude as pessoas a enxergar que a nossa cultura as vacinou com falsos evangelhos.
 
2. Proponha as Escrituras. Não deixe a fé ficar velha. Ensine as pessoas a experimentar os milagres da Encarnação e da Ressurreição de novo, através dos olhos dos primeiros cristãos.
 
3. Seja como Ling. Desafie as pessoas a se aproximarem de nosso Senhor com honestidade, humildade e de coração aberto. Se nós fizermos isso, o Deus que torna novas todas as coisas vai-nos transformar de uma forma que nunca imaginamos que fosse possível!
 
Eu mencionei apenas alguns dos falsos evangelhos que vejo por aí. E você, também percebe outras formas "moles" da fé cristã que impedem as pessoas de receber a verdadeira mensagem vivificante de Jesus Cristo?

 

 

Daniel Paris

in Ateleia


24
Abr 14
publicado por FireHead, às 11:57link do post | Comentar

 

Do interior da escuridão da minha vida, tão frustrada, ponho diante de ti a única coisa grandiosa a amar na Terra: o Santíssimo Sacramento. Aí encontrarás romance, honra, fidelidade, e o verdadeiro sentido de todos os teus amores na Terra, e mais ainda: a Morte - pelo divino paradoxo que põe fim à vida e exige a rendição de tudo e, no entanto, também pelo único saborear (ou pré-saborear) que permite manter o que procuras nas tuas relações terrenas (amor, fidelidade, alegria) ou assumir a compleição da realidade, da eterna resistência que todo o coração humano deseja.

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24
Nov 13
publicado por FireHead, às 07:46link do post | Comentar
Não há felicidade maior do que saber que Deus, o Deus supremo, sublime, transcendente, que fez o céu e a terra, se entregou à morte para me salvar. A mim pessoalmente. Nas nossas cidades e aldeias, nas casas e capelas de Portugal, em especial neste Ano da Fé que agora termina, tudo lembra este facto radical. Apesar disso, ele é esquecido a cada passo. Por isso as nossas vidas não são felizes. Ele está pendurado por minha causa. Nas paredes das salas, nas frontarias das igrejas, nos quadros dos museus, até no meu peito, em todo o lado a imagem da cruz lembra que Aquele ali, coberto de sangue, foi condenado à morte por minha causa. Eu vivo a minha vida, em cada momento, sob o olhar do que está num patíbulo em vez de mim.

As razões da condenação acumulo-as a cada momento. Pequenas e grandes traições, mentiras e violências, egoísmo e mesquinhez; sobretudo a terrível tibieza e mediocridade em que mergulham os meus dias. De fora não se vê a podridão que tenho dentro. Nem os meus inimigos, que têm tanta razão nos insultos, nem eles sabem do mal a metade. Sou todos os dias muito justamente condenado à morte.

Todos estamos condenados à morte e um dia, cedo ou tarde, a sentença será executada. Aliás, a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males. Que seria viver para sempre em tanta maldade? "Deus não institui a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça" (S. Ambrósio Na Morte do Irmão Sátiro, II, 47).

Isto posso compreendê-lo bem olhando com honestidade para a minha vida. Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar. Exalto o pouco bem que vou fazendo, mas essa ilusão de óptica não impede a sentença inevitável.

Mas não sou eu que estou ali pendurado. É Ele. Ele, a única pessoa a poder dizer com verdade não merecer a morte, é Ele que está ali. "Jesus estará em agonia até ao fim do mundo" (Pascal , 1670, Pensées, ed. Brunschvicg n.º 553, ed.Lafuma n.º 919). Ele está em agonia, e a culpa é minha. E graças à morte d"Ele a minha tem remédio. A morte, em si mesma, é definitiva. Quem morre fica morto. Mas porque Ele quis morrer por mim, a minha morte tem saída. A minha morte pode ir para a vida. Se me agarrar a Ele, o único que voltou da morte.

Porque essa morte, que Ele sofreu por minha causa, durou apenas três dias. Porque Ele, o único a poder dizer que não merece a morte, destruiu a morte com a morte que sofreu por minha causa. Assim não há mais morte, não há mais culpa. Tudo foi levado na enxurrada da ressurreição de Cristo.

Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui. Os meus pecados não desapareceram por Ele ter morrido e ressuscitado. Aliás, todos os meus pecados foram já cometidos depois de Ele ter morrido e ressuscitado por mim. Mas, porque Ele morreu e ressuscitou, eu sei que existe algo que cobre a multidão dos meus erros, misérias, podridões. Existe a Sua eterna misericórdia. E essa, por ser infinita, ganha ao meu mal. Se eu a procurar.

Agora posso viver a minha vida debaixo do olhar que Ele me lança da cruz. Daquela cruz que vejo a cada passo nas cidades e aldeias. Daquela cruz onde Ele está pendurado por minha causa. E isso muda a minha vida. Até muda a desgraça, a tacanhez, a maldade da minha vida. Assim, até ela fica quase boa. Por me lembrar do facto de Ele estar ali pendurado por minha causa. E não se ir embora, por grandes que sejam os meus crimes. Por ficar ali pendurado, esperando sempre que eu O veja. Que caia em mim. Que volta para Ele. Que tenha fé. E isso é a vida eterna.
 
 
João César das Neves
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03
Mar 13
publicado por FireHead, às 14:37link do post | Comentar

Santo Padre, adeus!

Santo Padre, que está em comunhão com Deus,

resigna no sentido de humildade

e a força da verdade!

Será sempre tratado por Santidade,

Bento XVI, que vai dedicar-se à oração,

com devoção e piedade,

tendo a Igreja no coração!

Estejamos com o Papa que diz adeus,

rezemos pelo Sucessor que estará, sempre, com Deus!

Nós Portugueses, oremos a Nossa Senhora,

Virgem de Fátima, Nossa penhora!

Que a mensagem da Cova da Iria,

esteja, neste momento, na nossa alegria!

Seja Medianeira nesta resignação,

do Sucessor de Pedro sempre no coração desta Nação!

 

José Carneiro de Almeida

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02
Mar 13
publicado por FireHead, às 13:39link do post | Comentar

Tenho ouvido e lido opiniões mais ou menos radicais apelando à “mudança” na Igreja Católica, com a eleição do novo Papa. O que é que essa gente entende por “mudança”? “Mudança”, para essa gente, é defender que a Igreja Católica renegue os seus próprios princípios em matéria ética; ou seja, “mudança”, para eles, é a aniquilação da Igreja Católica.

 

O que é “mudança”?

 

Mudança pode ser a modificação do sujeito, mediante uma metanóia qualquer; ou pode ser a transformação de uma coisa (ou de uma instituição) em outra diferente da anterior. Dizer que a transformação de uma instituição — por exemplo, a Igreja Católica — em outra instituição diferente é sempre boa, é incorrer numa falácia lógica conhecida por ad Novitatem. Mas algumas pessoas que aparecem na televisão a defender a “mudança” não têm a mínima noção do que estão a dizer quando defendem que “o novo é sempre melhor do que o antigo”. A verdade é que há coisas novas que são boas, e há coisas antigas que são boas.

 

O mais espantoso é ver agnósticos e ateus a exigir “mudança” na Igreja Católica. Se um indivíduo é ateu ou agnóstico, porque é que lhe interessa qualquer “mudança” em uma determinada religião? Porque é que não se preocupa, em vez disso, com uma mudança no dogmatismo darwinista que transforma a ciência em cientismo (por exemplo)?

 

No dia em que um Papa concorde, por exemplo, com o aborto, a Igreja Católica acabou, porque acaba de negar o direito fundamental à vida que caracteriza o Cristianismo. Portanto, em relação ao aborto — e ao feminismo — não é possível qualquer “mudança” na Igreja Católica. E o mesmo aplica-se à eutanásia.

 

Dado que a Igreja Católica, para além do Direito Positivo, tem em consideração a lei natural e o Direito Natural, o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de gays nunca poderá ser aceite como equivalente ao casamento natural (entre uma mulher e um homem), por um lado, e à adopção de crianças por um casal em que os adoptantes assumem um papel e uma função análogas à da família natural da criança, por outro. No dia em que um Papa diga que o “casamento” gay é igual, ou idêntico, ou equivalente, ou semelhante, ou análogo, ao casamento natural, a Igreja Católica terá chegado ao fim dos seus dias.

 

E o tempo passa, e a “mudança” exigida pelos maiorais de hoje será diferente da “mudança” dos maiorais de amanhã. A mudança muda conforme a mudança da mudança. Para o poder político, o que é verdade hoje será mentira amanhã. E no meio desta efemeridade da mudança e da instabilidade da verdade, a Igreja Católica foi, é, e será um porto seguro onde o Ser (Deus) se mantém sempre presente e num eterno presente, desde o início do universo.

 

 

Orlando Braga

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27
Fev 13
publicado por FireHead, às 15:39link do post | Comentar

 

Deus deu-me, no Pastor que me conduz,
um homem para quem olhar.

É o que para mim significa
a figura imponente do Papa Bento XVI.

Antes da sua eleição, pedi muito a Deus que me fizesse amar o Papa
que haveria de suceder ao muito querido João Paulo II.

O Senhor ouviu as minhas orações
e depressa o novo Papa conquistava o meu coração
confortando as razões da minha obediência.

Nunca vi alguém tão livre como este homem.
Livre no desassombro com que enfrentou os problemas da Igreja e do mundo,
livre no vigor de afirmar a verdade sem medo,
livre na hora de decidir,
mesmo quando se sentiu só entre os seus.

Só a verdade o conduzia, ajuizada à luz da Fé
e alimentada na oração intensa.
Porque amava os homens, surpreendeu o mundo;
porque foi fiel e firme na sua missão, despertou a Igreja;
porque sabia dizer a verdade, com a santa eloquência de um mestre,
tocou muitos corações afastados de Cristo.

Com ele, fui mais longe no amor a Deus e aos homens,
amadureci na Fé e cresci como nunca na Esperança.

Hoje sou diferente: a ele o devo!

 

 

Rui Corrêa d'Oliveira

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25
Fev 13
publicado por FireHead, às 16:35link do post | Comentar

Existe um indivíduo que assina com Rui A., que escreve umas coisas no Blasfémias e que, por isso, é transcrito em todo o lado. Quem escreve no blogue Blasfémias passa a ter automaticamente um alvará de inteligente. Desta feita, o dito cujo escreveu esta coisa.

 

Vamos lá ver: ninguém é obrigado a ser sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.

 

Um indivíduo que goste de frequentar o parque Eduardo VII à noite, não é obrigado a seguir o sacerdócio. Ninguém lhe aponta uma pistola e o obriga a ser Padre. Portanto, o argumento do escriba parte de um sofisma, segundo o qual parece fazer crer às pessoas de que os padres foram obrigados a seguir essa vocação.

 

Um indivíduo segue o sacerdócio porque quer seguir o sacerdócio, como é evidente. Entendamo-nos bem! E vem um liberalóide da treta pretender afirmar que os padres estão nessa função por obrigação, e que, por isso, coitadinhos, deveriam casar.

 

Faz, o liberalóide, referência aos padres casados da igreja ortodoxa, mas “esqueceu-se” de dizer que os bispos dessa confissão não podem ser casados ou viúvos. Por norma, o liberal “esquece-se” sempre daquilo que não lhe convém.

 

O celibato, no sacerdócio católico, está ligado ao exemplo da praxis de Jesus Cristo, e a Igreja Católica continua a ser a verdadeira e única intérprete actual da tradição segundo Jesus Cristo. E quem não se sente bem dentro dela, tem a liberdade de sair dela, ou então que lhe passem uma “guia de marcha”.

 

A Igreja Católica não é um local próprio para “campeonatos de cu aberto”: para isso existem as saunas gay em Lisboa, ou o parque Eduardo VII à noitinha.

 

 

Orlando Braga

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24
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:35link do post | Comentar

Quando surge na agenda um tema relacionado com a Igreja, o engraçadismo anticristão vem logo ao de cima e acaba por dominar a atmosfera das conversas e debates. Estou a falar daquele gozo permanente em relação ao Papa e Cristianismo, em relação à própria fé. Não, não estou a falar de críticas e perguntas sérias e sólidas. Isso seria outra conversa, conversa com nível. Estou a falar do gozo fácil, do nariz empinado que nem sequer admite diálogo com o crente, estou a falar da piadola que se julga moderna. Mas será assim tão moderna? Em 1843, Kierkegaard iniciou o seu "Temor e Tremor" com esta irónica arrancada: "ninguém hoje se detém na fé (...) passarei, sem dúvida, por néscio se me ocorrer perguntar para onde por tal rumo se caminha". Ou seja, o nosso ar do tempo é uma velharia com, pelo menos, 170 anos. A crença na transcendência é um saco de boxe para a gozação cínica há mais de século e meio.

 

Moral da história? Os nossos modernaços, que gostam de transformar a fé num sinónimo de idiotice, não têm nada de moderno. São sucateiros de um ferro-velho mental.

 

 

Henrique Raposo

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14
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:47link do post | Comentar

 

Neste Dia dos Namorados (penso ser ainda assim que o dia que se diz de São Valentino também se chama), julgo oportuna uma visita a um dos textos mais admiráveis do Papa Bento XVI. Refiro-me, naturalmente, à Encícilia Deus Caritas est, a primeira deste notável Pontificado, promulgada na Igreja com data de 25 de Dezembro de 2005. Trata-se, como todos saberão, de uma profunda reflexão sobre Deus e o Amor, ou melhor, sobre o Deus que é Amor e o Amor que reflecte, como nenhuma outra realidade, a Realidade que Deus mesmo, em pessoa, é. Pessoalmente, estou convencido que Bento XVI, que em breve voltará a ser apenas Joseph Ratzinger, Bispo Emérito de Roma, ficará conhecido como um dos grandes Pensadores sobre o Amor e as suas implicações, sejam elas antropológicas, sociopsicológicas e, naturalmente, também, se não mesmo sobretudo, eclesiológicas. Penso, portanto, que pode ser uma excelente ideia para qualquer namorado/a, apaixonado/a ou já casado/a, ou seja, quem quer que alguma vez no seu corpo e na sua alma faça ou tenha feito a experiência de se sentir amado/a e de amar em retorno, ideia que acho tanto mais interessante e útil num dia como este, um que lamentavelmente vejo tão instrumentalizado mais para fins comerciais do que para a descoberta e a realização de propósitos que penso serem fundamentais à dimensão propriamente humana da vida,  dizia, acho sumamente importante, pois pode ser útil e até salvífico, recordar hoje linhas do pensamento do nosso querido Papa Bento XVI tais como as seguintes:

 

«O amor de Deus por nós é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós. A tal propósito, o primeiro obstáculo que encontramos é um problema de linguagem. O termo «amor» tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes. (…). Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?»

 

Depois, explicando a diferença e a unidade entre as noções de «Eros» e «agape», o Santo Padre acrescenta: «Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros. Diga-se desde já que o Antigo Testamento grego usa só duas vezes a palavra eros, enquanto o Novo Testamento nunca a usa: das três palavras gregas relacionadas com o amor — erosphilia (amor de amizade) e agape — os escritos neo-testamentários privilegiam a última, que, na linguagem grega, era quase posta de lado. Quanto ao amor de amizade (philia), este é retomado com um significado mais profundo no Evangelho de João para exprimir a relação entre Jesus e os seus discípulos. A marginalização da palavra eros, juntamente com a nova visão do amor que se exprime através da palavra agape, denota sem dúvida, na novidade do Cristianismo, algo de essencial e próprio relativamente à compreensão do amor. Na crítica ao Cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o Cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. Este filósofo alemão exprimia assim uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não nos torna porventura amarga a coisa mais bela da vida? Porventura não assinala ela proibições precisamente onde a alegria, preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?»

 

Dito isto, a questão é a de saber até que ponto é verdade a suspeita de Nietzsche segundo a qual o Cristianismo não terá feito mais do que destruir a dimensão erótica da vida. Nesse sentido, o Papa explica: «Os gregos − aliás de forma análoga a outras culturas − viram no eros sobretudo o inebriamento, a subjugação da razão por parte duma «loucura divina» que arranca o homem das limitações da sua existência e, neste estado de transtorno por uma força divina, faz-lhe experimentar a mais alta beatitude. Deste modo, todas as outras forças quer no céu quer na terra resultam de importância secundária: «Omnia vincit amor — o amor tudo vence», afirma Virgílio nas Bucólicas e acrescenta: «et nos cedamus amori — rendamo-nos também nós ao amor». Nas religiões, esta posição traduziu-se nos cultos da fertilidade, aos quais pertence a prostituição «sagrada» que prosperava em muitos templos. O eros foi, pois, celebrado como força divina, como comunhão com o Divino.»

 

Ora é precisamente a esta «forma de religião» que, segundo Bento XVI, a literatura bíblica opõe uma forte resistência, fazendo-lhe face como a uma «perversão da religiosidade» mais autêntica. E o Santo Padre prossegue dizendo que o Antigo Testamento «não rejeitou de modo algum o eros enquanto tal, mas declarou guerra à sua subversão devastadora, porque a falsa divinização do eros, como aí se verifica, priva-o da sua dignidade, desumaniza-o. De facto, no templo, as prostitutas, que devem dar o inebriamento do Divino, não são tratadas como seres humanos e pessoas, mas servem apenas como instrumentos para suscitar a «loucura divina»: na realidade, não são deusas, mas pessoas humanas de quem se abusa. Por isso, o eros inebriante e descontrolado não é subida, «êxtase» até ao Divino, mas queda, degradação do homem. Fica assim claro que o eros necessita de disciplina, de purificação para dar ao homem, não o prazer de um instante, mas uma certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser.»

 

Desta forma, segundo o pensamento do Papa, dois aspectos se tornam particularmente claros. «O primeiro é que entre o amor e o Divino existe qualquer relação: o amor promete infinito, eternidade − uma realidade maior e totalmente diferente do dia-a-dia da nossa existência. E o segundo é que o caminho para tal meta não consiste em deixar-se simplesmente subjugar pelo instinto. São necessárias purificações e amadurecimentos, que passam também pela estrada da renúncia. Isto não é rejeição do eros, não é o seu «envenenamento», mas a cura em ordem à sua verdadeira grandeza.» E Bento XVI explica: «Isto depende primariamente da constituição do ser humano, que é composto de corpo e alma. O homem torna-se realmente ele mesmo, quando corpo e alma se encontram em íntima unidade; o desafio do eros pode considerar-se verdadeiramente superado, quando se consegue esta unificação. Se o homem aspira a ser somente espírito e quer rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, então espírito e corpo perdem a sua dignidade. E se ele, por outro lado, renega o espírito e consequentemente considera a matéria, o corpo, como realidade exclusiva, perde igualmente a sua grandeza. O epicurista Gassendi, gracejando, cumprimentava Descartes com a saudação: «Ó Alma!». E Descartes replicava dizendo: «Ó Carne!». Mas, nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade, é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor — o eros — pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza.»

 

Proponho ainda que se considerem palavras como as seguintes contidas na mesma primeira parte da Encíclica Deus caritas est: «Hoje não é raro ouvir censurar o Cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido. Mas o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro «sexo» torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma «coisa» que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico. A aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade. Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o homem como um ser uni-dual, em que espírito e matéria se compenetram mutuamente, experimentando ambos precisamente desta forma uma nova nobreza. Sim, o eros quer-nos elevar «em êxtase» para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos.»

 

A grande questão, porém, permanece a de saber como melhor se pode configurar este caminho de «ascese e purificação» de que nos fala Bento XVI na sua extraordinária Encíclica. Assim, perguntando-se sobre como deve, ou pode, o amor ser vivido para que em nós plenamente se realize a promessa humano-divina de felicidade e plenitude, o Papa remete-nos para o Cântico dos Cânticos, um dos livros mais belos, e enigmáticos, do Antigo Testamento. Escreve o Papa: «Segundo a interpretação hoje predominante, as poesias contidas neste livro são originalmente cânticos de amor, talvez previstos para uma festa israelita de núpcias, na qual deviam exaltar o amor conjugal. Neste contexto, é muito elucidativo o facto de, ao longo do livro, se encontrarem duas palavras distintas para designar o «amor». Primeiro, aparece a palavra «dodim», um plural que exprime o amor ainda inseguro, numa situação de procura indeterminada. Depois, esta palavra é substituída por «ahabà», que, na versão grega do Antigo Testamento, é traduzida pelo termo de som semelhante «agape», que se tornou, como vimos, o termo característico para a concepção bíblica do amor. Em contraposição ao amor indeterminado e ainda em fase de procura, este vocábulo exprime a experiência do amor que agora se torna verdadeiramente descoberta do outro, superando assim o carácter egoísta que antes claramente prevalecia. Agora o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura, ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes procura-o.» E o Papa como que nos oferece uma primeira conclusão nestes termos: «Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade − «apenas esta única pessoa» − e no sentido de ser «para sempre». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade. Sim, o amor é «êxtase»; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus: «Quem procurar salvaguardar a vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á» (Lc 17, 33) — disse Jesus; afirmação esta que se encontra nos Evangelhos com diversas variantes (cf. Mt 10, 39; 16, 25; Mc 8, 35; Lc 9, 24; Jo 12, 25).»

 

Dito isto, desejo concluir a presente Nota com as seguintes observações de Bento XVI, certamente admiráveis, desde logo pela sua pertinência e acuidade: «No debate filosófico e teológico, estas distinções foram muitas vezes radicalizadas até ao ponto de as colocar em contraposição: tipicamente cristão seria o amor descendente, oblativo, ou seja, a agape; ao invés, a cultura não cristã, especialmente a grega, caracterizar-se-ia pelo amor ascendente, ambicioso e possessivo, ou seja, pelo eros. Se se quisesse levar ao extremo esta antítese, a essência do Cristianismo terminaria desarticulada das relações básicas e vitais da existência humana e constituiria um mundo independente, considerado talvez admirável, mas decididamente separado do conjunto da existência humana. Na realidade, eros e agape − amor ascendente e amor descendente − nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente − fascinação pela grande promessa de felicidade − depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará «existir para» o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom. Certamente, o homem pode − como nos diz o Senhor − tornar-se uma fonte donde correm rios de água viva (cf. Jo 7, 37-38); mas, para se tornar semelhante fonte, deve ele mesmo beber incessantemente da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo coração trespassado brota o amor de Deus (cf. Jo 19, 34).»

 

Em suma, neste Dia dos Namorados, e num tempo que na Igreja se vive à sombra do anúncio de Bento XVI da sua renúncia ao ministério Petrino, gesto de sublime, corajoso e radical amor agápico pela Igreja e a própria Humanidade, penso que todos podemos, e devemos, considerar de novo nas nossas vidas o que seja não só a força, ou até os ímpetos do amor (de um certo tipo de amor), mas também a qualidade que vemos, reconhecemos e, sobretudo, queremos e podemos imprimir ao mesmo. É que, de entre todas as coisas, amar é preciso, pois sem amor ninguém pode, de verdade, viver. Só que a questão não é essa, mas antes esta: que tipo de amor é aquele que busco na vida; mais ainda: que tipo de amor é aquele que ofereço, tanto mais que o amor que se impõe não é amor, ou se o é nada tem a ver com a caritas de que nos fala a Igreja, mas apenas se reduz às loucuras de um eros à solta e sem obediência alguma. Ora se o amor é tudo, uma coisa é certa entre todas: não há melhor amor, mais doce e mais sublime, do que aquele que é construtivo, que edifica, que transforma, que nos eleva e, desse modo, nos permite o gozo da mais autêntica e inconfundível transcendência.

 

 

Pe. João J. Vila-Chã

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13
Fev 13
publicado por FireHead, às 16:42link do post | Comentar

Segundo o cónego José Luiz Villac, as ditas profecias de São Malaquias sobre os Papas são consideradas uma mistificação para muitos estudiosos, pois estas teriam sido inventadas. O silêncio de São Bernardo, seu amigo que escreveu um livro sobre a sua vida (biografia de São Malaquias), a respeito das profecias e o facto de o manuscrito ter permanecido durante 450 anos desconhecido dos estudiosos do Papado são argumentos que colocam em dúvida a autenticidade das mesmas. A Historia de la Iglesia Católica, da BAC, afirma mesmo que as ditas profecias foram compostas por volta de 1590 por uma falsário anónimo, daí que os 74 Papas anteriores a essa data estejam bem caracterizados. "Os dísticos seguintes são vagos e imprecisos (...) porém, a maioria não tem conexão alguma com o interessado, ou são tão gerais que se poderiam apicar a qualquer um" (op. cit. Ricardo Garcia-Villoslada, S. J. Madrid, 1976, vol. II, p. 432).

 

Segundo a suposta profecia, o último Papa seria Pedro Romano, "que apascenterá a sua grei no meio de muitas tribulações; quando estas tiverem terminado, a cidade de sete colinas (Roma) será destruída, e o tremendo Juiz julgará o seu povo. Fim". Várias revelações, por sua vez, prevêem um grande triunfo final da Igreja Católica antes do fim do mundo. As de Fátima, por exemplo, falam de um tempo de paz que seria dado ao mundo, a instauração do Reino de Maria, depois de tremendos castigos. Também São Luís Grignion de Montfort dizia que o advento do Reino de Maria significará o advento do Reino de Cristo.

 

O cónego tranquiliza-nos assim em relação ao fim do mundo, que não será para já. Esperemos é que o próximo Papa seja tão bom ou ainda mais firme na defesa da Fé quanto o querido Papa Bento XVI.

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publicado por FireHead, às 16:36link do post | Comentar


12
Fev 13
publicado por FireHead, às 00:29link do post | Comentar

O Papa Bento XVI foi escolhido em Abril de 2005. Portanto, ainda não fez oito anos de papado. Em 600 anos, é o primeiro Papa a apresentar a sua resignação.

 

A resignação de Bento XVI espelha a enorme pressão exercida pelo laicismopolítico organizado — e coordenado essencialmente pela maçonaria europeia — sobre a Igreja Católica. O próprio Papa reconhece isso. Casos inéditos, como por exemplo o do recente roubo de documentos pessoais do Papa pelo próprio mordomo pessoal de Bento XVI — mordomo com ligações comprovadas à maçonaria —, ou a constante querela ideológica divisionista de certos clérigos reconhecidamente ligados a lojas maçónicas, ou à Nova Teologia, ou à Teologia da Libertação, fizeram com que Bento XVI compreendesse que ser Papa hoje já não é a mesma coisa que ser Papa há apenas vinte anos.

 

Os inimigos da Igreja Católica não debatem ideias; pelo contrário, evitam o debate ideológico racional porque sabem bem que o perdem. Os inimigos da Igreja Católica actuam na sombra da falácia e do erro, transformando, aos olhos dos povos, o erro em virtude. E é, também, dentro da Igreja Católica que se encontram alguns dos inimigos da Igreja Católica, e alguns bem alto na hierarquia, como é o caso do “arcebispo colorido” português que, apesar dos escândalos das suas posições contra ecclesiam, nunca teve a humildade de apresentar a sua resignação e seguir com a sua decisão até ao fim.

 

 

Orlando Braga

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17
Ago 12
publicado por FireHead, às 00:03link do post | Comentar

 

Leah Libresco, blogueira americana ateia, anunciou no seu conhecido site a conversão ao Catolicismo


Por Salvatore Cernuzio



ROMA — É uma história maravilhosa de conversão nos nossos dias, aquela de Leah Libresco, a popular blogueira americana ateia responsável do Patheos Atheist Portal.


No passado 18 de Junho uma postagem desta jovem filósofa, formada em Yale e colaboradora do Huffington Post, definitivamente chocou muitos seguidores — especialmente ateus — do seu blogue, chegando rapidamente a todas as partes do mundo.

“Esta é a minha última postagem” anunciava dramaticamente o título do artigo, onde a blogueira declarava ter finalmente encontrado a resposta para aquela sua “moral interna” que até agora o ateísmo não conseguia satisfazer: o Cristianismo. A resposta que durante anos Leah refutava e rejeitava com “explicações que buscam colocar a moralidade no mundo natural”. 

“Durante anos eu tentei argumentar a origem da lei moral universal que reconhecia presente em mim” explicou a blogueira; uma moralidade “objectiva como a matemática e as leis da física”. Nesta busca contínua de respostas, Leah se refugiou, por exemplo, na filosofia ou na psicologia evolutiva.

“Eu não pensava que a resposta estivesse ali” admite, mas ao mesmo tempo “não podia mais esconder que o Cristianismo demonstrava melhor do que qualquer outra filosofia aquilo que reconhecia já como verdadeiro: uma moral dentro de mim que o meu ateísmo, porém, não conseguia explicar”. 

Os primeiros “sinais” de conversão vieram no dia de Domingo de Ramos, quando a blogueira participou num debate com os alunos de Yale para explicar de onde deriva a lei moral. Durante a explicação, foi interrompida por um jovem que “buscava fazer-me pensar — como ela mesma lembra — pedindo-me para não repetir a explicação dos outros, mas para dizer o que eu pensava sobre isso”. 

“Não sei, não tenho uma ideia” é a resposta da Leah diante de uma pergunta simples, mas inquietante. “A sua melhor hipótese?”, continuou o jovem, “não tenho uma”, ela responde.

“Terá talvez alguma ideia”, continua ele; “não o sei... mas acho que a moral tenha se apaixonado por mim ou algo parecido” tenta falar a filósofa, mas o rapaz neste momento diz-lhe o que pensava.

Reflectindo, a mulher diz: “Percebi que, como ele, eu acreditava que a moral fosse objectiva, um dado independente da vontade humana”. Leah descobre portanto que também ela crê “numa ordem, que implica alguém que o tenha pensado” e “na existência da Verdade, na origem divina da moral”.

“Intuí — explica ainda — que a lei moral como a verdade pudesse ser uma pessoa. E a religião católica me oferecia a estrada mais razoável e simples para ver se a minha intuição era verdadeira, porque diz que a Verdade é vivente, que se fez homem".

Pedindo depois àquele jovem o que lhe sugeria fazer, a filósofa ateia convicta, começa a rezar com ele a Completa no Livro dos Salmos e continua “a fazê-lo sempre, também sozinha”.

Anos e anos de teorias, provas, convicções, desmoronados diante da única Verdade: Deus. Publicada no portal, a história de Leah provocou reacções diversas e milhões de comentários. Basta pensar no facto de que tenha sido postada no Facebook 18 mil vezes e que a sua página web tenha recebido, segundo o director do blogue, Dan Welch, cerca de 150 mil acessos.

Muitos comentários são acusadores, pessoas ateias que se sentem “traídas” por aquela que era para eles uma líder. Muitos outros, ao contrário, são de católicos que, como muitos não-crentes, seguiam o blogue. Alguns expressaram as suas felicitações e disseram: “Estou tão feliz por você. Rezei tanto. A aventura está apenas começando.”

Entrevistada pela CNN, Libresco, no entanto, confessou ter ainda muito a entender e estudar sobre aquilo que sustenta a Igreja sobre questões de moral, como por exemplo a questão da homossexualidade que a deixa ainda “confusa”. “Mas não é um problema” afirmou, enquanto que tudo do que ela se convenceu “é razoável”.

Depois da conversão, a mulher procurou também uma comunidade católica, “escandalizando os amigos” mais incrédulos. “Se me perguntam como estou hoje respondo que estou feliz — diz a blogueira — o melhor período que você pode viver é quando você se dá conta de que quase tudo o que você pensava que era verdadeiro, na verdade era falso”.

Ainda à CNN, a blogueira contou que se sentia “renascida uma segunda vez”: “É óptimo participar da Missa e saber que ali está Deus feito carne — declarou — um facto que explica tantas outras coisas inexplicáveis”. 

Neste ponto, a questão que mais causa curiosidade é o que fará Leah do seu popular blogue ateu? Uma pergunta que tem assombrado a mesma autora todos os dias depois daquela fatídica tarde em Yale.

“Parar de escrever? — Diz na sua postagem — continuar em um estilo cripto-católico esperando que ninguém perceba (como fiz no último período)?” Após um exame demorado, a solução foi outra: “A partir de amanhã, o blogue será chamado Patheos Catholic Channel e será usado para discutir com os ateus convictos, como fazia antes com os católicos”. 

O motivo? “Se a pessoa é honesta — explica — não tem medo de entrar em diálogo. Eu recebi uma resposta sobre o que buscava porque aceitei colocar-me em diálogo. O interessante de muitos ateus é que fazem críticas e pedem provas. Uma coisa utilíssima à Igreja, que não deve ter medo porque está do lado dos factos e da razão”.



Fonte: Zenit (30 de Julho de 2012)

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07
Jul 12
publicado por FireHead, às 00:06link do post | Comentar

 

Dom Henrique

 

A situação da Igreja: uma ameaça, uma chance.


Caro Internauta, saiu o resultado do último censo no tocante à religião no Brasil. Diminuiu o número de católicos, como já era de se esperar. Por todos os lados aparecem análises desse resultado. Em Maio de 2006 escrevi sobre este tema. Não mudo uma vírgula do que escrevi naquela época. Cada vez que sai uma nova pesquisa, republico o meu texto, porque é o que penso e me apraz compartilhar com outros esta análise… Aqui vai ela mais uma vez, toda inteira, tal como escrevi em Maio de 2006, sem tirar nem pôr!


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Um recente estudo, apresentado na PUC de São Paulo, dá conta que a cada ano, no Brasil, a Igreja Católica perde 1% dos seus fiéis. Há gente muitíssimo preocupada com isso. É bom mesmo! Gostaria de partilhar com você, caro Visitante, alguns pensamentos sobre esta realidade.


(1) É necessário, antes de tudo, compreender que parte deste fenómeno é típico da nossa época e, neste sentido, não podemos fazer nada para detê-lo. Pela primeira vez na história humana a população mundial é preponderantemente urbana, vivendo num intenso processo de massificação, desenraizamento cultural e despersonalização e pressionada por uma gama desumanizante de informação. Os meios de comunicação, com a sua incrível força de penetração, e o excesso de ideias em circulação desestabilizam os valores das pessoas e das sociedades de modo nunca antes imaginado. Esse fenómeno faz com que se perca o sentido e o valor da tradição.


Não faz muito tempo, cada pessoa era situada em relação à sua família à sua comunidade. O indivíduo sabia quem era, de onde vinha, quais os seus valores, qual o seu universo existencial… Agora, isso acabou: cada um se sente só, numa corrida louca para ser feliz a qualquer custo, iludido, pensando que os valores dos antepassados e do seu grupo só são valores se interessarem a si próprio, individualmente: é verdade o que é verdade para mim; é bom o que realiza meus desejos e expectativas; cada um é a medida do bem e do mal. É triste, mas cada pessoa acha que tem o direito e o dever de começar do zero e “redescobrir a roda”, de fabricar a sua receita de felicidade, determinando de modo autónomo o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que não é. Isto é pura loucura, mas é assim! E lá vamos nós, gritando: “Eu tenho o direito de ser feliz; a vida é minha e faço como eu quero. Eu decido o que é certo e o que é errado…”


(2) No tocante à religião, o homem da sociedade consumista e hedonista do Ocidente não está à procura da verdade, mas sim do bem-estar. A sociedade ocidental já não crê que se possa atingir a Verdade e viver na Verdade. Agora há somente a verdadezinha de cada um, feita sob medida: é “verdade para mim” o que me faz sentir bem, o que resolve as minhas necessidades imediatas. Religião não é mais questão de aderir à Verdade que dá sentido à existência, mas sim de entrar num grupo que resolva os meus problemas afectivos, emocionais, de saúde e até materiais… Religião não é um modo de servir a Deus e nele me encontrar, mas um modo de me servir de Deus para resolver as minhas coisas... Como diz o Edir Macedo, a Bíblia é uma ferramenta para se conseguir aquilo que se quer! Vivam RR Soares, Edir Macedo e companhia…


(3) A urbanização violenta e massificante faz com que as pessoas busquem refúgio em pequenos grupos que lhes proporcionem aconchego e segurança. Por isso as seitas atraem tanto: elas criam um diferencial entre mim e o mundo cão; dão-me a sensação de estar livre do monstro da desumanização, do anonimato, da nadificação…

 

Veja bem, meu Leitor, que contra esta realidade a Igreja não pode fazer muito. A multidão continuará presa das ideias desvairadas dos meios de comunicação; a busca do bem-estar egoístico continuará fazendo as pessoas buscarem a religião como um refúgio e um pronto socorro e, finalmente, a busca de se sentir alguém, fará as pessoas procurarem pequenos grupos nos quais se sintam acolhidas e valorizadas.

 

 

Mas, por que este fenómeno atinge sobretudo os católicos?

 

Por vários motivos:

 

a) Somos a massa da população brasileira e não temos como dar assistência pastoral personalizada a todos os fiéis. Isso seria praticamente impossível, mesmo que tivéssemos o triplo do número de padres e agentes de pastoral…

 

b) Historicamente, a nossa catequese deixou muito a desejar e nas últimas décadas piorou muito: é uma catequese de ideias vagas, mais ideológica que propositiva, ambígua, que não tem coragem de apresentar a fé com todas as letras… Ao invés, apresenta a opinião desse ou daquele teólogo… Assim, troca-se a clareza e simplicidade da fé católica (como o Catecismo a apresenta) por complicadas e inseguras explicações, fazendo a fé parecer uma questão de opinião e não uma certeza que vem de Deus; algo acessível a especialistas letrados e não aos simples mortais. Céu, inferno, anjos, diabo, purgatório, valor da missa, doutrina moral – cada padre diz uma coisa, cada um acha que pode construir sua verdade… Tudo tende a ser relativizado… Uma religião assim não segura ninguém e não atrai ninguém. Religião é lugar de experimentar a certeza que vem de Deus, não as dúvidas e vacilações dos tacteamentos das opiniões humanas. É preciso que as opiniões cedam lugar à certeza da fé da Igreja!

 

c) No Brasil há, desde os anos setenta, uma verdadeira anarquia litúrgica, ferindo de morte o núcleo da fé da Igreja. Bagunçou-se de tal modo a liturgia, inventou-se tanta moda, fez-se tanta arbitrariedade, que as pessoas saem da missa mais vazias que o que entraram. A missa virou o show do padre ou o show “criativo e maravilhoso” da comunidade. A missa tornou-se autocelebração… Mas, as pessoas não querem show, criatividade nem bom-mocismo: as pessoas querem encontrar Deus nos ritos sagrados! Hoje, infelizmente, celebra-se com mais respeito e seriedade um culto protestante ou um toque da umbanda que uma missa católica!


No culto não se inventa, na umbanda não se inventa; na liturgia da Igreja do Brasil, o clero se sente no direito absurdo de inventar! Isso é um gravíssimo abuso e uma tirania sobre a fé do povo de Deus! É muita invenção, é muita criatividade fajuta. Bastaria abrir o missal e celebrar com devoção e unção, cumprindo as normas litúrgicas…

 

d) A Igreja no Brasil, em nome de uma preocupação com o social (que em si é necessária e legítima) descuidou-se dos valores propriamente religiosos e muitas vezes fez pouco da religiosidade popular (quantas vezes se negou uma bênção, uma oração de cura, a administração de um sacramento, uma procissão com a presença do padre, o valor de uma novena e de uma romaria…). Ora, hoje o “mercado” de religião é diversificado: se o padre não sabe falar de Deus, o pastor sabe; se na homilia não se prega a palavra, mas se a instrumentaliza política e ideologicamente, o pastor prega a palavra; se o padre não dá uma bênção, o pastor dá… Infelizmente, às vezes, tem-se a impressão que a Igreja é uma grande ONG, preocupada com um monte de coisas e não muito atenta a pregar Jesus Cristo e a sua salvação… Não se vê muito nossos padres e freiras apaixonados por Cristo e pelo Evangelho. Fala-se muito em valores do Reino, compromisso cristão, etc… Isso não encanta! Quem encanta, atrai, comove, converte e dá sentido a vida é uma Pessoa: Jesus Cristo!

 

e) Outra triste realidade é o processo de dessacralização. Parece que o clero e os religiosos perderam o sentido do sagrado. Adeus ao hábito religioso, adeus à batina, adeus ao clergyman, adeus à oração fiel e obediente da Liturgia das Horas, adeus ao terço diário (”para que terço?”), adeus ao ethos, isto é, àquele conjunto de realidades, de modo de ser e de viver que fazia com que o povo reconhecesse o padre como padre, o religioso como religioso, a freira como freira. Parece que se faz questão de transgredir, de chocar, de desnortear a expectativa do povo, de negar a identidade… Hoje tudo é ideologizado: a pobreza é “espiritual” e não real, material, concreta; assim também a obediência, a vida mística, a penitência e a mortificação e, muitas vezes, os votos e compromissos… Tem-se, portanto,uma religião cerebral e não encarnada na carne da vida, da existência concreta material… E nada mais anticristão que um Cristianismo cerebral…


f) As nossas comunidades são meio frias; os nossos padres não têm muito tempo. Não temos leigos capacitados para dar acolhida, que faça com que as nossas igrejas estejam abertas e tenham pessoas para ouvir, aconselhar, consolar… Infelizmente, ainda que não queiramos, às vezes a Igreja parece uma grande repartição pública e impessoal… A paróquia somente terá futuro como cadeia de comunidades vivas e aconchegantes, nas quais se façam efectivamente a experiência da proximidade de Deus e dos irmãos…

 

g) As homilias em nossas missas são chatas e moralizantes: só dizem que devemos ser bonzinhos, justos, honestos… A homilia deveria ser anúncio alegre da Palavra que comunica Jesus e a Sua salvação, tal como a Igreja sempre creu, celebrou e anunciou. A homilia deve ainda ser fruto de uma experiência de Deus; somente assim reflecte um testemunho e não um exercício de propaganda. A fé que devemos anunciar é a fé da Igreja, não nossas teorias e nossas ideias estapafúrdias… Isso desnorteia e destrói a fé do povo de Deus. Por que alguém seria católico se nem os ministros da Igreja acreditam realmente na sua doutrina e na sua moral? Os padres nisso têm uma imensa responsabilidade e uma imensa parcela de culpa!

 

 

Sinceramente, penso que o número de católicos diminuirá mais e drasticamente. Mas, não devemos nos assustar. Veja, caro Visitante, e pense:


1. O Cristianismo nunca deveria ser uma religião de massa. A fé cristã deve nascer de um encontro pessoal e envolvente com Cristo Jesus. Somente aí é que eu posso abraçar o ser cristão com todas as suas exigências de fé e moral. Nós estamos vendo o fim do Cristianismo de massa, que começou com o Édito de Milão, em 313, e com o baptismo de Clóvis, rei dos francos, e de todo o seu povo, em 496, na Alta Idade Média. No Brasil, esse Cristianismo de massa começou com a colonização e o sistema do padroado. Aí, ser brasileiro e ser católico eram a mesma coisa. Ora, será que no Cristianismo pode mesmo haver conversão de massa?


2. A Igreja voltará a ser um pequeno rebanho, presente em todo o mundo, mas com cristãos de tal modo comprometidos com o Evangelho, de tal modo empolgados com Cristo, de tal modo formando comunidades de vida, oração, fé e amor fraterno, que serão um sinal, uma luz, uma opção de vida para todos os povos da terra. Era isso que os Padres da Igreja desejavam: não que todos fossem cristãos a qualquer custo, mas que os cristãos fossem, a qualquer custo, cristãos de verdade, sal da terra e luz do mundo, entusiasmados por Cristo e por Sua Igreja Católica.


3. O facto de sermos minoria e mais coerentes com o Evangelho, nos fará diferentes do mundo e redescobriremos a novidade e singularidade do ser cristão. Isso nos fará atraentes para aqueles que buscam com sinceridade a Luz e a Verdade. Por isso mesmo, a Igreja não deve cair em falsas soluções de um Cristianismo frouxo e agradável ao mundo, de uma moral ao sabor da moda, de um ecumenismo compreendido de modo torto e de um diálogo interreligioso que coloque Cristo no mesmo nível das outras tradições religiosas

 

Ecumenismo e diálogo religioso sim, mas de acordo com a fé católica! O remédio para a crise actual e o único verdadeiro futuro da Igreja é a fidelidade total e radical a Cristo, expressa na adesão total à fé católica.


4. É imprescindível também melhorar e muito a formação dos nossos padres e religiosos. Como está, está ruim. Precisamos de padres com modos de padres e religiosos com modos de religiosos; precisamos de padres e religiosos bem formados humana, acfetiva, teológica e moralmente. O padre e o religioso são pessoas públicas e devem honrar a imagem da Igreja e o nome de cristãos; devem saber portar-se ante o mundo, as autoridades e a sociedade. Nisso tem havido grave deficiência no clero e nos religiosos do Brasil…


É importante perceber que, apesar de diminuir o número de católicos, nunca as comunidades católicas foram tão vivas, nunca os leigos participaram tanto, nunca se sentiram tão Igreja, nunca houve tantas vocações. Muitas vezes, os leigos são até mais fervorosos e radicais (no bom sentido) que padres e religiosos. A Igreja está viva, a Igreja é jovem, a Igreja continua encantada por Cristo! O clero e os religiosos deveriam deixar de lado as ideologias, as teorias pouco cristãs e nada católicas defendidas em tantos cursos de teologia e livros muito doutos e pouco fiéis, e serem mais atentos ao clamor do povo de Deus e aos sinais dos tempos – sinais de verdade, que estão aí para quem quiser ver, e não os inventados por uma teologia ideologizada de esquerda! Além disso, é necessário considerar que a Igreja não é nossa: é de Cristo. Ele a está conduzindo, está purificando-a, está levando-a onde ele sabe ser o melhor para que o Seu testemunho seja mais límpido, coerente e puro. Nós temos os nossos caminhos, Deus tem os Dele; temos os nossos planos e modos que, nem sempre, coincidem com os do Senhor. Pois bem, façamos a nossa parte. Deus fará o resto!


Isso é o que eu penso, sinceramente, e com todo o meu coração.

 

 

Fonte: Blog Carmadélio

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30
Jun 12
publicado por FireHead, às 02:03link do post | Comentar

A propósito do despropósito dos católicos não praticantes


 

Foi há já algum tempo que uma pessoa, algo impertinente, disparou contra mim, à queima-roupa, a razão da sua não prática religiosa:

 

- Eu não vou à Missa porque está cheia de hipócritas!


Apesar de não ser um argumento propriamente original – na realidade, nem sequer é um argumento – o tópico deu-me que pensar, sobretudo porque é esgrimido, com frequência, pelos fervorosos «católicos não praticantes» que, como é sabido, abundam. São, em geral, fiéis descomprometidos, ou seja, pessoas baptizadas que dispensam a prática religiosa colectiva, com a desculpa de que nem todos os praticantes são cristãos exemplares.
 

Alguns praticantes são, no sumário entendimento dos que o não são, pessoas duplas, porque aparentam uma fé que, na realidade, não vivem, enquanto outros há, como os ditos não praticantes, que mesmo não cumprindo esses preceitos cultuais, são mais coerentes com a doutrina cristã. A objecção faz algum sentido, na medida em que a vida cristã não se reduz, com efeito, a uns quantos exercícios piedosos. 
 

Mas o Cristianismo é doutrina e vida: é fé em acção, esperança viva e caridade operativa. Portanto, a prática comunitária é essencial à vida cristã e a praxe litúrgica, embora não seja suficiente, é-lhe necessária. Assim sendo, mesmo que os praticantes não vivam cabalmente todas as virtudes cristãs, pelo menos não descuram a comunhão eclesial, nem a prática sacramental e a vida de oração. Deste modo, cumprem uma das mais importantes exigências do seu compromisso baptismal, ao contrário dos não praticantes, não obstante a sua auto-proclamada superioridade moral. 
 

Os fiéis que não frequentam a igreja, à conta dos fariseus que por lá há, deveriam também abster-se de frequentar qualquer local público, porque provavelmente está mais pejado de hipócritas do que o espaço eclesial. Estes novos puritanos deveriam também abster-se de ir aos hospitais que, por regra, estão cheios de doentes, e às escolas, onde pululam os ignorantes. É de supor que o único local digno da sua excelsa presença seja tão só o Céu, onde não consta qualquer duplicidade, pecado, fraqueza, doença, ignorância ou erro. Mas também não, ao que parece, nenhum católico não praticante…
 

Segundo a antropologia cristã, todos os homens, sem excepção, são bons, mas nem todos praticam essa bondade. Um mentiroso não é uma pessoa que não acredita na verdade, mas que não é sincero, ou seja, não pratica a veracidade. Os ladrões são, em princípio, defensores da propriedade privada, mas não a respeitam em relação aos bens alheios. Um corrupto não o é porque descrê da honestidade, mas porque a não pratica. Aliás, as prisões estão repletas de boa gente, cidadãos que crêem nos mais altos e nobres valores éticos, mas que os não praticam.
 

Mas, não são farisaicos os cristãos que são assíduos nas rezas e nas celebrações litúrgicas, mas depois não dão, na sua vida pessoal, familiar e social, um bom testemunho da sua fé? Talvez. Só Deus sabe! Mas, mesmo que o sejam, convenhamos que são uns óptimos hipócritas. Os hipócritas são bons quando sabem que o são e procuram emendar-se, e são maus quando pensam que o não são, justificam-se a si próprios, julgam e condenam os outros. Os crentes que participam assiduamente na eucaristia dominical, sempre que o fazem recebem inúmeras graças e reconhecem, publicamente, a sua condição de pecadores, de que se penitenciam, com propósito de emenda. Mesmo que não logrem de imediato a total conversão, esse seu bom desejo e a participação sincera na celebração eucarística é já um grande passo no caminho da perfeição. 
 

Foi por isso que, com alguma ironia e um sorriso de verdadeira amizade, não pude deixar de responder àquele simpático «católico não praticante»:


- Não se preocupe por a Missa estar cheia de hipócritas: há sempre lugar para mais um!

 

 

Pe. Gonçalo Portocarrero

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