«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
16
Mar 12
publicado por FireHead, às 17:02link do post | Comentar

A reencarnação é uma doutrina que se baseia na falsa asseveração de que os mortos retornarão a este mundo em outros corpos. Segundo esse ensino, os homens não necessitam de Deus a fim de serem salvos do Inferno, pois "purificam-se" a si mesmos em "ciclos" de vida e morte até que acabem as consequências de todos os erros que cometeram em vida. É um dos ensinos predilectos dos mestres cegos e dos guias sem rumo. Está presente em sistemas idolátricos como o hinduísmo, o budismo, o espiritismo e na sopa esotérica da New Age Movement (Movimento Nova Era).

No hinduísmo, o pai do budismo e da New Age, o Karma ruim seria a causa das repetidas transmigrações das almas dos homens que, para os hindus, retornam a este mundo (em corpos de seres humanos, em corpos de vacas, em corpos de cães, de répteis, de insectos ou até de plantas) a fim de “ascenderem” rumo à “libertação” dos ciclos reencarnacionistas. Para o hinduísmo, o pecado é tratado como coisa de somenos, e o que importa é a “libertação” da “ignorância” dos homens em relação à sua necessidade de unir-se a Brahman (a “coisa” sem consciência e sem inteligência a que chamam deus), o que se daria através da meditação, da prática do Yoga, das recitações dos mantras e através dos ciclos reencarnacionistas.

O cerne da doutrina da reencarnação, bem como da sua congénere "transmigração da alma", é apenas mais uma tentativa inútil de escapar ao juízo divino, quer seja por uma opção consciente por uma religião onde Deus é deixado de lado (hinduísmo, budismo, espiritismo, New Age), quer pela submissão imposta pelo engano sedutor de Satanás, o pai da mentira (João 8:44). A doutrina da reencarnação invoca a auto-justificação e a auto-salvação por um meio fantasioso e irreal.

Segundo a doutrina da reencarnação, os homens não necessitariam do sacrifício de Cristo para nada, pois eles “salvar-se-iam a si próprios” pelos repetidos ciclos reencarnacionistas e por todo um enorme e variável conjunto de leis, normas, regras, rituais e comportamentos auto-suficientes que “elevariam” o homem a uma “condição superior”.

 

 

Reencarnação, a causa do infame sistema de castas da Índia

 

A reencarnação é o sistema doutrinário básico para cerca de 800 milhões de hindus, cerca de 300 milhões de budistas, 6 milhões de adeptos do jainismo, etc. Para essas seitas, a reencarnação é um aspecto essencial dos seus ensinos. Também para quase todos os cultos orientais e para práticas relacionadas com o Yoga e a meditação transcendental, as suas proposições baseiam-se na busca de uma "consciência mais elevada" em função da premissa da reencarnação.

A Cientologia (tão propagada por Tom Cruise e John Travolta) se propõe a remover traumas de vidas passadas com o uso de um artefacto a que chamam de E-meter; alguns psiquiatras e muitos psicólogos praticam a "terapia de vidas passadas", e têm os seus consultórios cheios, e há estatísticas que mostram que um enorme contingente populacional considera a reencarnação como uma "possibilidade". Na mente de muitos, a clássica pergunta "quem sou eu?" está sendo substituída por "quem fui eu?". Há até mesmo casos em que terapeutas chegam ao ponto de documentar "casos de reencarnação".

O conceito de reencarnação é muito popular e há um crescente interesse nesse tópico nos dias actuais, incentivado, em enorme medida, por livros e por revistas, programas de TV, filmes e palestras. A maioria deles relacionada com o mundo da "sabedoria esotérica" e do ocultismo. A reencarnação é também muito falada na Internet.

Muitos têm aceitado o conceito da reencarnação, não apenas os adeptos de religiões orientais e da Nova Era, mas mesmo por parte de quem não possui tais convicções e interesses esotéricos.

As doutrinas da reencarnação e do Karma resultaram no perverso sistema de castas da Índia, e os que são a ele submissos não podem vislumbrar a mínima possibilidade de melhorarem as suas vidas dentro desse sistema, pois os seus destinos miseráveis foram, como eles próprios afirmam, determinados pelas suas vidas passadas.

Se a reencarnação e a lei do Karma fossem tão benéficas a nível prático, como propõe a doutrina da reencarnação, como explicar os imensos problemas sociais e económicos da Índia, os quais a cada dia mais se agravam? Pobreza e miséria generalizada, fome, doenças, e um horrível sofrimento são persistentes e se agravam numa nação onde a reencarnação tem sido sistematicamente ensinada ao longo da História. Basta uma rápida passagem pelas terras onde a reencarnação tem sido ensinada há séculos para que se possa ver de perto o nível de vida subumano em que vivem multidões de pessoas guiadas por tais ensinamentos. Da próxima vez que algum guru hindu, algum mestre em meditação transcendental ou algum mestre zen lhe oferecer ajuda para terminar com todos os seus problemas, diga-lhe que vá para a Índia, eles lá precisam de muita ajuda!

A simples e mera lógica do pensamento humano, assim como o bom senso natural que há nos homens, pode aniquilar as pretensões da reencarnação: que benefício poderia haver em alguém ser punido por algo do qual nem sequer se lembra de ter feito? E por que se tiraria alguém do fundo do poço, se limparia as suas feridas, o alimentaria, se alguma lei impessoal se encarregará de perpetuar o seu estado de fome e de dores, a lei do Karma?

O conceito de reencarnação é proveniente dos Vedas do Hinduísmo e chegou à Europa durante a Idade Média com o Hermetismo proveniente do Neo-Platonismo. A reencarnação só começou a ser mais amplamente promovida no Ocidente no começo do século XX com a Teosofia e, posteriormente, com a Antroposofia. Os seus esforços persistentes, juntamente com o de diversos gurus orientais, e, principalmente, pelos esforços do Movimento Nova Era, combinados, foi o que desencadeou uma ampla aceitação da reencarnação como hoje vemos na nossa sociedade ocidental. A reencarnação, totalmente oposta aos ensinos do Cristianismo, tornou-se em uma doutrina sedutora a fim de explicar a origem e o significado da vida.

Novos formatos e novas versões remodeladas surgiram para "explicar" a reencarnação, com versões substancialmente diversas das que são propaladas pelas religiões orientais. Por exemplo, diferentemente do ensino de que a reencarnação seria um tormento do qual muitos deveriam escapar a qualquer preço, pela abolição de suas individualidades, a Nova Era declara que a reencarnação faz parte de um eterno processo de progressão da alma rumo a níveis mais elevados de existência espiritual, o que é, do mesmo modo, totalmente oposto aos ensinamentos do Cristianismo.

 

 

A reencarnação é impossível pelas leis numéricas

 

Se há uma alma por pessoa, e se a população do mundo está a crescer (e muito), de onde estão a vir essas novas almas? Por outras outras palavras, a população mundial mais do que dobrou, desde a viragem do século XIX até o século XXI, de cerca de 2 mil milhões para mais de 7 mil milhões de pessoas hoje. Se cada uma dessas 7 mil milhões de pessoas tivesse vivido pelo menos uma única vida passada, de onde veio esse excedente de tantos milhares de milhões de almas? Mas, segundo os reencarnacionistas, parece haver algumas "explicações possíveis" para isto:

 

- Essas novas almas estariam a vir de animais ou de rochas (rochas, um ser não vivo?) e de plantas.

- Essas novas almas estariam a vir de outros planetas (e fica-se com um défice de almas neles?), como afirmou uma das mais activas promotoras da Nova Era, Shirley MacLaine.

- Haveria pessoas a viver com mais do que uma alma (!!!)...

 

Mas como a definição clássica de reencarnação envolve uma alma por pessoa, a última opção está descartada. Agora, se se aceita o ensino clássico hindu sobre a reencarnação, o que envolve a aceitação de que se pode reencarnar numa barata ou num verme intestinal se tiver vivido uma vida realmente má, então a primeira opção parece poder ser uma solução. E se a tolice for uma de suas características, então a segunda opção é a solução.

 

 

A reencarnação é impossível porque afronta o bom senso, a inteligência e a razão

 

A reencarnação não faz o menor sentido, pois a razão de vivermos supostas vidas futuras seria com a finalidade de progredir sobre o mal que fizemos noutras vidas, e também para que sejamos punidos. Mas quem, honestamente e em sã consciência, pode dizer que se lembra das suas vidas passadas? Como é que eu poderei tornar-me melhor em relação ao que eu fiz em vidas passadas se eu não lembro do que fiz? Há pessoas que afirmam lembrar-se de vidas passadas quando submetidas a algumas técnicas, principalmente a hipnose. Porém, é facto cientificamente documentado que a hipnose não é um método nada confiável. Não pode sequer ser chamada ciência. Há pessoas que, sob hipnose, declaram ter viajado em naves espaciais, terem tido relações sexuais com extraterrestres e até que foram responsáveis por mudar o curso da História! É realmente possível acreditar nesses disparates?

O psiquiatra canadiano Ian Stevenson alega que já documentou 2500 casos de reencarnação, uma documentação fraudulenta, evidentemente. Se não for fraudulenta pelo facto de envolver algumas pessoas criadas em ambientes propícios a fazê-las acreditar na reencarnação, é fraudulenta pela actuação de Satanás, o qual pode fornecer diversas informações a fim de que se procure "confirmar" uma suposta existência prévia nesta terra; especialmente quando a hipnose é usada. Estados de transe hipnótico podem ser facilmente manipulados por forças demoníacas a fim de que sejam simuladas existências pregressas.

A reencarnação é um ciclo de desesperança, depressivo e ultrajante. A própria doutrina hindu afirma que o mal é apenas uma "ilusão".

A crença na reencarnação é também incompatível com a razão, com o raciocínio lógico mais elementar. Afinal, para que seja possível aprender com um erro, é necessário que nos lembremos do erro cometido. Isto ocorre não apenas com os seres humanos, mas também com os animais. Um cachorro aprende a não satisfazer suas necessidades fisiológicas no lugar errado sendo castigado quando o fez, ou sentindo o cheiro do que fez para que se lembre de seu acto. Alguém que tentasse ensinar um cachorro a controlar a sua bexiga à espera da hora em que o animal não mais se lembrasse do acto proibido para, de sopetão, castigá-lo, conseguirá na melhor das hipóteses traumatizar o pobre animal, nunca ensiná-lo a controlar a bexiga. Afinal, o pobre animalzinho não saberá porque terá sido castigado! 

A crença na reencarnação pressupõe na existência de um deus punitivo e sem misericórdia, ou melhor, um mecanismo que funciona por conta própria em que as pessoas são punidas com uma vida pelos pecados de que não se lembram, por erros que não sabem que cometeram, com o único objectivo de expiar uma falta que desconhecem totalmente ter cometido. Assim, evidentemente, não pode haver aprendizagem. Como poderia uma pessoa que sofre com as consequências de um suposto pecado numa suposta vida passada aprender a não mais cometer aquele pecado, se ela nunca soube tê-lo cometido? Como poderia ela saber que errou, que está a ser punida por aquele erro e que não mais deve cometê-lo, se ela não tem lembrança alguma dessa suposta vida anterior e só vê as misérias que sofre e que lhe parecem absolutamente desprovidas de valor, já que não tem como ligá-las com aquilo que teria sido a causa destes sofrimentos e que teoricamente os faria justos?

A justiça humana exige que o reú castigado saiba por que é punido; o bom senso revolta-se contra uma punição que não tenha explicação. Para que eu me possa emendar dos erros pelos quais sou punido, devo saber quais foram. A lei do Karma reduz o conceito de Deus ao de um juiz ou tirano inexorável, induzindo ao fatalismo e ao mecanismo físico no plano moral.

A crença na reencarnação é também incompatível com a razão pelo simples facto de que não ajuda em nada uma pessoa pelos pecados que ela não sabe ter cometido, como não faz sentido dizer ser a mesma pessoa (ou dar a ela uma punição!) quando ela nasceu de outros pais, com outro nome, noutro lugar, sem lembrança alguma da sua suposta vida anterior, da sua personalidade nesta "vida passada", dos seus erros, acertos, ignorâncias e saberes.

Uma pessoa que não fala a mesma língua, não tem a mesma cultura, nasceu de outros pais, num outro país, não se lembra da "encarnação" anterior, não tem conhecimento algum de nada do que agora o afectaria, não é nem pode ser considerada a mesma pessoa que uma sua suposta "encarnação" anterior. Qual seria o ponto em comum entre essas pessoas? Apenas uma espécie de "carné" de pecados para pagar, que seria passado de uma pessoa/"encarnação" para outra pessoa/"encarnação", sem que seja possível lembrar-se da origem daqueles sofrimentos, sem que seja levado nada de uma "encarnação" a outra a não ser os pecados a pagar. 

Assim, podemos dizer que a crença na reencarnação pressupõe na verdade que os pecados cometidos por uma pessoa (João da Silva, nascido em Botucatu dia 25 de Janeiro de 1965 e falecido em Belo Horizonte em 30 de Agosto de 1997, teria por pura maldade quebrado a perna de uma criança) são pagos por outra (José de Souza, nascido em 27 de Setembro de 1997 em Belém do Pará, nascido com a perna aleijada). Ora, isso não apenas é injusto como é absurdo! Não é a mesma pessoa, já que não há nada (paternidade, nome, personalidade, naturalidade, cultura, conhecimentos...) em comum, e José de Souza não teria como saber que sofre pelos pecados de João da Silva, que teria morrido e deixado assim de ser punido pelos seus pecados, passados a José para que a pobre criança os pagasse! 

A crença na reencarnação, além disso, é incompatível com a razão (ao menos quando os reencarnacionistas afirmam que todas as "encarnações" ocorrem em seres humanos e na Terra) porque a população de hoje no planeta é equivalente à soma de todas as pessoas que cá já viveram até o século passado. Assim, cada pessoa poderia no máximo estar na primeira ou segunda "encarnação". 

A crença na reencarnação é também incompatível com o bom senso mais elementar e é facilmente perceptível como apenas um reflexo do eterno orgulho humano quando percebemos que praticamente todas as pessoas que acreditam em reencarnação fazem questão de citar imediatamente supostas "encarnações" anteriores como reis, rainhas, pessoas famosas... conheço umas cinco ou seis Cleópatras! 

Hoje em dia, com a queda dos padrões morais da sociedade, está também na moda ter sido uma prostituta elegante de alguma corte em supostas vidas anteriores. Isto reflecte-se apenas as ânsias das pessoas, a sua incapacidade de enfrentar a realidade, mas evidentemente não corresponde à realidade.

 

 

O espiritismo e a reencarnação

 

O espiritismo e a reencarnação pressupõem uma concepção dualística platónico-cartesiana de alma e corpo que nega a unidade substancial do ser humano e leva à posição errada do materialismo.

Escreve Carlos Aldunate no seu livro "O Cristão frente ao paranormal" – Provocar esses fenómenos significa entrar voluntariamente no estado particular de receptividade que se chama TRANSE. Nele, o médium deixa de lado o seu espírito crítico e se faz transportar da sua própria sensibilidade. Por isso, o transe é um estado degradado do homem. (...) O médium em transe suspende as próprias capacidades superiores, por estar permeável às forças do inconsciente inferior. (...) Essas forças são desconhecidas: podem vir do inconsciente do médium, do inconsciente do cliente ou do inconsciente colectivo. Podem vir também de um espírito desconhecido, porque não há nunca plena segurança que venham do espírito invocado. Podem, enfim, vir de um demónio. Certamente, não podem vir de Deus, porque Deus não pode ser captado e obrigado a responder às nossas perguntas. Cria-se facilmente uma dependência dos espíritos; dependência que pode resultar bastante funesta. Conhecemos vários casos nos quais a invocação dos espíritos provocou obsessões com vozes, sensações corporais, impulsos ao suicídio etc. (...) Se uma actividade é essencialmente insalubre para o homem, é sinal de que ela não é conforme à sua natureza, não entra na intenção do Criador. Aquela actividade é simplesmente contra a ética; não se deve realizar. Os perigos das práticas espíritas, os efeitos perniciosos que frequentemente produzem, advertem-nos que eles não devem ser realizados. O transe sempre comporta uma diminuição da clareza intelectual, do espírito crítico e da liberdade humana; portanto, deriva sempre uma diminuição da responsabilidade, que é a característica própria do homem adulto e maturo.O homem em transe é como um homem mais ou menos drogado, um homem diminuído. Este transe verifica-se no médium e também na pessoa que o consulta e que entra na sugestão desencadeada pelo médium.

A doutrina da reencarnação é, na sua realização prática, como uma roda que parte de um ponto para retornar ao lugar de partida. A diversidade dos seres é momentânea, presente apenas nas existências intermediárias que se manifestam entre a partida e a chegada: minerais, depois plantas, depois animais, depois homens entre eles desiguais e enfim a igualdade e isto é um espírito perfeito, idêntico. Segundo tal doutrina, os homens seriam mais ou menos avançados dependendo se estiverem mais ou menos próximos do ponto da chegada, que é similar ao pleroma gnóstico: o pleroma gnóstico é uma espécie de magma originário e indistinto e o gnóstico Basílides o chama abertamente de nada.

Na doutrina da reencarnação:

 

- Os homens não têm um ser próprio, uma identidade pessoal própria: de facto, eles não têm conhecimento das próprias existências anteriores, não podem traçar a própria continuidade e a própria unidade. Esta amnésia das existências precedentes está em contradição mesmo com a teoria da reencarnação, a qual pressupõe a existência de um espírito independente do corpo, isto é, de um espírito que está no corpo como uma substância de natureza completa e que, portanto, guia o corpo como o piloto guia a nave. De facto, se o espírito é uma substância em si mesma completa, no desencarnar deveria levar embora consigo as lembranças e, sem perder a posse delas, deveria entrar no novo corpo do mesmo modo como o piloto não perde as próprias lembranças no passar de uma nave a outra.

- A ignorância das existências anteriores torna inútil a reencarnação. De facto, considerando a ignorância das existências precedentes, não se vê de que modo a reencarnação possa servir a favorecer o progresso individual. Para os reencarnacionistas, a doutrina da reencarnação serviria para fazer progredir os indivíduos através das vidas sucessivas correspondentes ao seu estado de avanço espiritual: esta seria a chamada lei do Karma. Para que o avanço do espírito possa ter lugar, ele deveria ser perfeitamente consciente da experiência adquirida em cada uma das existências precedentes, mas como se pode realizar um tal progresso se o espírito perde a lembrança das existências precedentes?

- Os homens não têm mais uma verdadeira família: de facto, para a doutrina da reencarnação, os filhos já existiam antes que os progenitores lhes concedessem um corpo no qual se encarnar. Antes de serem nossos – segundo tal doutrina – os filhos foram de outros progenitores, que foram provavelmente também de outra família, de outra nação, de outra pátria, de outra raça. Os próprios progenitores poderão se reencarnar num corpo concedido a eles pelos filhos.

- Os homens não teriam mais uma verdadeira identidade sexual: de facto, a reencarnação pode acontecer num corpo sexualmente diferente do precedente.

- E não haveria verdadeira diferença entre o homem e o animal: porque podemos ter sido animais e podemos sê-los no futuro.

 

Admitida a doutrina da reencarnação, se torna fácil, de um ponto de vista filosófico, justificar comportamentos desviados como o incesto, a homossexualidade, a zoofilia. Além do mais, deste núcleo filosófico reencarnacionista, é inevitável que tenham origem doutrinas contrárias à família e às justas e naturais desigualdades entre os homens.

Da doutrina da reencarnação deriva também uma concepção panteísta: o homem se salva por si através das sucessivas reencarnações e Deus termina por identificar-se com a soma de todas as coisas. Mas se não existe mais um Deus pessoal e transcendente, a natureza não é mais a obra do Criador, não é mais o fruto do Logos, o resultado de um projecto racional e, portanto, não existiram mais nem verdade, nem leis, nem direitos absolutos, sagrados, invioláveis. A natureza tornar-se-ia apenas uma espécie de material nascido do acaso, fruto de simples e momentâneas conexões de força, um material sobre o qual o mais forte tem o direito de exercer a sua força: ficaria um só direito e também um só dever, o da força.

Na realidade, o verdadeiro e autêntico domínio do homem sobre a natureza pode actuar somente através do conhecimento e o respeito das leis naturais.

A natureza não pode ser dominada atropelando-se as leis: a natureza se deixa dominar somente conhecendo-se as leis e aplicando-as. O domínio concedido pelo Criador ao homem não é um poder absoluto, nem se pode falar de liberdade de ‘usar e abusar’, ou de dispor das coisas como melhor agrade. A limitação imposta pelo mesmo Criador desde o princípio, e expressa simbolicamente com a proibição de ‘comer o fruto da árvore’ (cf. Gn 2,16), mostra com suficiente clareza que, no que diz respeito à natureza visível, estamos submetidos a leis não somente biológicas, mas também morais, que não se podem impunemente transgredir.

 

 

Mais algumas objecções científicas à reencarnação

 

A regressão hipnótica seria, para os reencarnacionistas, prova da reencarnação. Na realidade, no subconsciente acontece uma reelaboração caótica de todos os dados recebidos durante a existência e é possível que haja uma identificação com dados, histórias e acontecimentos depositados e reelaborados no inconsciente, identificação induzida pelo hipnotizador: o influxo do hipnotizador é evidente no facto de que, se sugere ao sujeito um retorno à infância, este age e fala como um menino; se lhe sugere ter sido um animal, este fala e age como um animal; se lhe sugere voltar a uma outra vida, começa a elaborar a história de uma outra vida. Além disso, as histórias dos sujeitos em estado de hipnose são sugeridas mais ou menos conscientemente pelos próprios hipnotizadores.

De facto, os sujeitos hipnotizados por Keeton aceitam o esquema do hipnotizador deles: declaram que todos são reencarnados logo após a morte. Aqueles hipnotizados por Arnall Bloxham transcorrem longos períodos nas esferas astrais. Aqueles de Helen Wambach escolhem o sexo antes de se reencarnarem e aqueles de Edith Fiore se reencarnam entre parentes que se odeiam. As famosas experiências do Dejà vu são facilmente explicáveis com dados e elaboração dos dados que ressurgem do subconsciente seguidos a associações emotivas induzidas por imagens, sensações, lugares, pessoas, situações que contêm elementos análogos àqueles depositados no subconsciente. Além do mais, a própria parapsicologia fornece instrumentos analíticos para demonstrar como muitos casos de suposta reencarnação são na realidade fenómenos de possessão.

Todos os relatos obtidos em transe hipnótico como sendo de existências pregressas até hoje foram reduzidos à qualidade de narrações de factos vividos pelo próprio narrador na vida presente. Sim, é notório que temos na nossa consciência psicológica apenas 1/8 dos conhecimentos que adquirimos desde a infância; 7/8 ficam latentes no nosso subconsciente ou inconsciente. Ora, colocados em sono hipnótico, perdemos o controlo sobre as nossas faculdades e dispomo-nos a obedecer cegamente ao operador. Por conseguinte, se este manda que alguém narre a trama da sua pretensa vida pregressa, tal pessoa associará, de maneira mais ou menos livre e arbitrária, as reminiscências e imagens que guarda no seu subconsciente; constituirá assim, um enredo que surpreenderá os ouvintes e o próprio paciente, mas que nada de novo apresentará, submetido a controlo, tal enredo será identificado como a soma de experiências vividas pelo paciente no decorrer mesmo desta vida. O mais famoso caso que a propósito se conhece, é o de Bridey Murphy, relatado e comentado no opúsculo "Reencarnação: prós e contras", Escola Mater Ecclesiae, CP 1362, 20001-970 Rio de Janeiro.

Os génios? As pessoas geniais, segundo os reencarnacionistas, seriam os espíritos que se aperfeiçoaram em numerosas encarnações anteriores. Tal explicação é gratuita. Quem observa os génios, verifica que não nasceram sabendo, mas são pessoas que estudam e pesquisam concentradamente ou sem dispersão. Ora , isto supõe inteligência perspicaz e vontade decidida, mas não supõe encarnações anteriores.

E as crianças-prodígio? Muitas vezes as crianças-prodígio são as que aprendem com rapidez e facilidade. Todavia, estes predicados devem-se à constituição nervosa de tais crianças, de tal modo que raramente elas se tornam pessoas talentosas. Ao contrário, as crianças aparentemente não talentosas, mas  dotadas de natureza calma, aprendem de maneira mais contínua, podendo chegar a ser pessoas de importância ou mesmo geniais. Deve-se também observar que as crianças tidas como prodígios na matemática ou na música são como as demais crianças em outros sectores de actividade intelectual. Ora, verifica-se que os prodígios do cálculo são os mais mecânicos que há, pois as máquinas calculadoras os podem reproduzir (sem ter inteligência); às vezes, pessoas pouco prendadas têm extraordinária facilidade para o cálculo - o que mostra que este não é sinal de prodígio nem genialidade. Algo de semelhante se verifica em relação aos prodígios musicais.Em relação ao fenómeno da paramnésia (dejà vu), muitas pessoas que vão pela primeira vez a determinado lugar têm a impressão de já terem lá estado, reconhecendo o ambiente com as suas características. Pergunta-se: como explicar tal fenómeno, dito de paramnésia, senão pela reencarnação? Na vida pregressa, a pessoa já teria visitado tal lugar. A propósito podem-se fazer quatro ponderações, que dispensam a reencarnação:

 

- Às vezes, a pessoa não esteve conscientemente no lugar, mas lá esteve inconscientemente; ora o inconsciente (mesmo o de uma criança de colo) colhe impressões e as guarda latentes. Digamos, pois, que uma criança seja levada a uma praça pública ou a um cemitério; trinta anos mais tarde supostamente, essa pessoa volta a tal ambiente; compreende-se que o reconheça imediatamente. Afirmará conscientemente já ter visitado o lugar - o que será verdade, não, porém, numa encarnação anterior.

- Pode acontecer também que a pessoa tenha visto imagens do lugar em fotografias de livros ou filmes - o que leva a crer que já tenha estado no lugar.

- Existe também a explicação pela hiperestesia. Há pessoas cujo inconsciente é capaz de ler o inconsciente de outrem, como dito. Ora, se vou ao Japão pela primeira vez e tenho a impressão de já ter estado lá, posso perguntar-me se nunca me achei ao lado de uma pessoa que já tivesse estado no Japão. Caso positivo (o que é plausível), eu terei percebido inconscientemente o que o amigo vira conscientemente e trazia no seu inconsciente.

- Acontece também que há muitos objectos semelhantes, de modo que, ao dizermos que já vimos algo, podemos estar confundindo esse algo com algum semelhante. Em suma, há várias explicações para o fenómeno da paramnésia dotadas de base científica; a única destituída de fundamento seria o recurso à reencarnação.

- E será que os lugares/espaços permanecem imutáveis com o passar do tempo de modo a que permaneçam conhecíveis?

 

 

Aprender é recordar

 

Há pessoas que aprendem com tanta facilidade que dão a impressão de estar apenas avivando conhecimentos já adquiridos (no caso... adquiridos na vida pregressa). A respeito, observe-se que a arte de estudar e aprender é uma actividade psicossomática; está em relação não só com o psíquico do estudioso, mas também com as suas disposições físicas ou corporais; a imbecilidade, a debilidade mental ou a idiotice são consequências de lesões do organismos e, em especial, do cérebro. De outro lado, os espíritos ditos mais "evoluídos" beneficiam de disposições orgânicas e fisiológicas que tornam a aprendizagem mais fácil, imediata e intuitiva. Uma alma bem dotada, num corpo sadio, é naturalmente propensa a célere e perspicaz apreensão da verdade.

 

 

 

Fonte:

Intellectus

Veritatis Splendor

Sinais dos Tempos


15
Mar 12
publicado por FireHead, às 02:18link do post | Comentar

Gnose: total perversão da moral

 

Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos... hão-de possuir o Reino de Deus. (I Coríntios, 6,9-10)

 

Toda a ética ou moral tem uma base filosófica e/ou teológica. Assim, a ética e a moral gnósticas são fruto da sua cosmovisão, da sua "teologia". Suas concepções e "percepções" a respeito de Deus, do universo e do homem têm consequências nefastas sobre o agir humano; e, como resultado, sobre a vida social.

 

 

Completo amoralismo

 

Se, de acordo com a Gnose, a causa do mal é a matéria, para o homem o mal moral vem do seu corpo; de onde fica eliminada toda a noção de responsabilidade pessoal. Mais ainda: para o gnóstico, o aperfeiçoamento moral é consequência da aquisição de um saber mágico , de uma iluminação que põe o homem em contacto directo com a divindade. Daí cair por terra a necessidade de boas obras e da prática da virtude: basta apenas o conhecimento (Gnose) .

Por fim, se a verdadeira essência do homem está na partícula divina aprisionada nele, nada do que faça de bom ou mau pode alterar para melhor ou pior essa sua natureza. De onde se segue que tanto faz praticar o bem como o mal moral; existe uma liberdade sem freios.

Santo Irineu de Lião (130-202), no seu célebre livro Contra as Heresias (Adversus Haereses), apresenta a argumentação dos gnósticos para justificar o seu amoralismo:

 

"Eles afirmam que as boas obras são necessárias a nós outros, do contrário é impossível salvar-nos. Mas, para eles mesmos, julgam que estão indubitavelmente salvos, não por causa de sua conduta, mas porque eles são espirituais (pneumáticos) por natureza. Porque, assim como é impossível que a substância material compartilhe da salvação, assim também é impossível para a substância espiritual (pela qual eles se designam a si mesmos) ser corrompida, sejam quais forem as acções que pratiquem. E exemplificam que, assim como o ouro tombado na lama não perde seu valor e beleza, da mesma forma eles não podem sofrer dano ou perder a beleza de sua substância espiritual, quaisquer que sejam as acções nas quais estejam envolvidos."

Não se trata de mera liberdade ou permissão para agir deste ou daquele modo. Essa licenciosidade é requerida como um meio de libertar a partícula divina, conforme explica Hans Jonas: "Essa liberdade, entretanto, é mais do que meramente permissiva; a sua prática está ligada a um interesse metafísico. Existe um positivo dever de realizar qualquer tipo de acção, de não deixar de explorar nenhuma possibilidade, de realizar tudo o que for possível, com o fim de esgotar todas as capacidades da natureza; somente assim é que se pode finalizar o ciclo das reencarnações."

 

 

Duas vertentes da Gnose: libertinagem e ascetismo

 

De acordo com as psicologias individuais, esse desprezo pela matéria conduz a dois extremos aparentemente contraditórios, mas que na realidade se complementam: de um lado a completa libertinagem (Gnose libertina); de outro, o mais rigoroso ascetismo (Gnose ascética). Na primeira modalidade, a matéria é achincalhada por práticas sexuais aberrantes; na segunda, a matéria é castigada por macerações desequilibradas e pela proibição ou limitação de todo o contacto carnal. Em ambas o fim é o mesmo: evitar a procriação e a consequente multiplicação de partículas divinas aprisionadas. É o que explica o mesmo Hans Jonas: "Nesta vida, os pneumáticos (como os possuidores da Gnose chamam-se a si mesmos) colocam-se como seres à parte em relação ao resto da humanidade. A iluminação imediata não somente torna a pessoa soberana na esfera do pensamento, mas também na da acção. De um modo geral, a moralidade pneumática é determinada pela hostilidade em relação ao mundo (a matéria) e o desprezo pelas obrigações mundanas. Deste princípio, entretanto, são estabelecidas duas conclusões contraditórias, ambas as quais encontram os seus representantes extremos: a ascética e a libertina. A primeira deduz da posse da Gnose a obrigação de evitar qualquer contaminação com o mundo, e portanto reduzir ao mínimo os seus contactos mundanos; a segunda deriva da mesma posse o privilégio da liberdade desenfreada."

A "ascese" praticada na Gnose nada tem em comum com a ascese Cristã. Ao contrário desta, está totalmente desvinculada da perfeição moral, tendo como finalidade destruir a ligação com a matéria, aviltar o corpo humano e impedir a propagação da espécie. É o que está afirmado num artigo divulgado online em 2000 pelo Institute for Gnostic Studies:

A finalidade da vida gnóstica é a libertação (da partícula divina), e não o moralismo . O foco é o retorno ao Reino da Luz (Pleroma), não a sustentação de padrões morais. Mesmo que a Gnose não aceite totalmente a afirmação de que os fins justificam os meios, ela chega extremamente perto disso. Ainda que a moral e a ética tenham a sua razão de ser para a classe dos hílicos , entretanto, para aqueles que estão acima da massa da humanidade, sejam psíquicos, sejam pneumáticos , a moralidade e as leis deste mundo material têm para eles pouco valor . (...) Ascetismo ou indulgência são parte do mesmo processo. Enquanto a Gnose rejeita de todo o coração a família e a reprodução, fora disto o uso da sexualidade ou do ascetismo é uma escolha que o estudante pode fazer ao longo do caminho.

 

 

Violar a lei moral por ódio a Deus

 

No seu estudo sobre o Gnosticismo, o Pe. J. P. Arendzen escreve a respeito dos gnósticos dos primeiros tempos do Cristianismo: "Como a lei moral tinha sido dada pelo Deus dos judeus, era um dever (para os gnósticos) violar essa lei como sinal de oposição a esse mesmo Deus. Assim ensinava a seita dos nicolaítas, existente nos tempos apostólicos, cujo princípio, segundo Orígenes, era parachresthai te sarki (deve-se abusar da carne)."

 

 

Moral de perdição

 

Ninguém dotado de são julgamento pode deixar de concordar que a disseminação do Gnosticismo e da sua negação da moral conduz necessariamente à destruição da vida social organizada. Pois a moral é a força que mantém coesa a sociedade, permitindo aos homens viver em harmonia e colaboração entre si.

Em vez da humildade, da castidade e da obediência Cristãs, o orgulho, a sensualidade e a revolta propugnados pelo Gnosticismo transformam o homem num inimigo do seu semelhante, num homo homini lupus, num lobo voraz em relação a outro homem, no qual vê tão somente um meio de satisfazer os seus desejos e vantagens.

 

 

Gnose: tentativa de infiltrar-se na Igreja

 

Por muito tempo pensou-se que a Gnose era uma heresia Cristã, uma vez que tão logo a Igreja foi fundada e começou a difundir-se, esse sistema religioso pagão tentou infiltrar-se nela. Para tanto adoptavam uma linguagem Cristã, que servia de invólucro para encobrir as suas reais doutrinas e lhes permitia servir-se do Cristianismo para propagá-las.

 

 

Tempos apostólicos

 

A luta da Igreja contra o Gnosticismo, nos primeiros tempos, foi renhida.

Essa luta, entretanto, não foi infrutífera - assinala o Pe. Jules Lebreton -, pois deu maior vigor à autoridade da Igreja e maior precisão ao dogma.

Tomamos conhecimento dessa luta, já nos tempos apostólicos, através dos textos do Novo Testamento, dos escritos dos Padres da Igreja e dos Escritores Eclesiásticos.

Os Actos dos Apóstolos (Act 8,9-25) falam-nos de Simão o Mago, o qual, por suas artes diabólicas, seduzia o povo da Samaria. Graças à pregação do diácono Filipe, e depois dos Apóstolos São Pedro e São João, o povo se converteu. Simão, tendo visto os prodígios operados pelo Espírito Santo, aproximou-se dos Apóstolos e ofereceu-lhes dinheiro para que obtivessem os mesmos dons para ele.

São Justino, na sua Primeira Apologia, escreve que esse Simão posteriormente foi adorado como um deus em Roma, e era seguido por uma mulher de nome Helena , uma ex-prostituta que ele afirmava ter libertado dessa vida pelo seu poder.

 

 

Infiltração gnóstica em Corinto

 

Tem sido observado que certas passagens das cartas de São Paulo parecem referir-se aos gnósticos. Em especial, escrevendo aos coríntios, o Apóstolo denuncia a presença de libertinos e blasfemadores, os quais chegam a dizer "Jesus seja maldito".

Ora, como poderia alguém pretender ser Cristão e ao mesmo tempo maldizer o Salvador? Encontramos a resposta a essa pergunta na tentativa dos gnósticos de se infiltrarem na Igreja. Para eles, a Encarnação, a Paixão e a Morte de Nosso Senhor eram uma "loucura".

Trata-se dos mesmos "Cristãos" condenados por São João, quando diz que aqueles que negam a Jesus Cristo são mentirosos. 

São Paulo condenou com vigor esses gnósticos, mostrando que só tem o Espírito de Deus quem aceita Jesus Cristo, e que esta aceitação é um efeito da graça de Deus, dispensada pelo Paráclito: Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a acção divina, pode dizer: Jesus seja maldito; e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a acção do Espírito Santo. (1Cor 12,3); Se alguém não amar o Senhor, seja maldito! (1Cor 16,23)

 

 

Condenações nas Epístolas, nos Evangelhos e no Apocalipse

 

As Epístolas dos Apóstolos, os Evangelhos e o Apocalipse de São João denunciam e condenam os erros gnósticos.

São Judas fala de certos homens que se infiltram secretamente nas comunidades Cristãs e que não têm a graça de Deus. Trata-se de revoltosos que renegam a graça divina e a soberana autoridade de Nosso Senhor: Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam em dissolução a graça de nosso Deus e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor.

São João tem palavras de fogo contra esses "Cristãos" que rejeitam a divindade de Cristo negando que Ele seja um só com o Pai. A esses tais ele chama "anticristos" .  

O autor do Apocalipse condena especialmente os nicolaítas, gnósticos que iam contra toda a lei moral por ódio ao "Deus da Bíblia". Tais "Cristãos" não são verdadeiros Cristãos, antes pertencem à "sinagoga de Satanás".  

São Pedro deixa claro que os Cristãos não se baseiam em "hábeis fábulas", mas no testemunho directo dos Apóstolos: Na realidade, não é baseando-nos em hábeis fábulas imaginadas que nós vos temos feito conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a Sua majestade com nossos próprios olhos.

São Paulo caracteriza as loucuras gnósticas como "doutrinas diabólicas" que proíbem o casamento e as coisas legítimas criadas por Deus para os homens.

Por fim, São Tiago  condena essa pretensa "sabedoria": Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é uma sabedoria terrena, humana, diabólica.

 

 

Evangelho de São João: refutação do Gnosticismo

 

Segundo São Jerónimo, o Apóstolo São João foi solicitado a escrever seu sublime Evangelho para refutar os gnósticos.

O último apóstolo, João Evangelista - a quem Jesus dedicou especial dileção, e que, reclinado sobre o peito do Senhor, hauriu um rio de puríssima doutrina, o qual foi o único que mereceu ouvir junto à Cruz as palavras "Eis a tua mãe" - estando na Ásia, quando já pululavam as sementes dos hereges cerintanos e ebionitas, e de outros que negam haver Cristo vindo ao mundo em carne, os quais foram por ele qualificados de anticristos na sua epístola, e constantemente combatidos pelo apóstolo Paulo, foi instado pelos bispos da Ásia e por representantes de muitas igrejas a escrever sobre a divindade do Salvador, e para tal, como direi, formular com temeridade tanto audaz quanto feliz o que é o Verbo de Deus. Donde narrar a História Eclesiástica que, pressionado pelos seus irmãos a escrever, respondeu que escreveria caso fizessem todos eles em conjunto um jejum para imprecar a Deus. Tendo feito o jejum, saturado pela Revelação, exprimiu as palavras iniciais vindas do Céu: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus .

Ante as fantasias gnósticas segundo as quais o mundo teria sido criado por uma "semi-divindade", o Demiurgo; que Jesus não era Deus, mas apenas um éon, um mensageiro; e que não tomou a natureza humana, mas apenas a sua aparência , São João proclama: Jesus é o Verbo de Deus, consubstancial com Ele, e o Criador de todas as coisas, o qual se fez homem para nos salvar:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.

Contra as fantasias gnósticas de um deus aprisionado em nós, o que nos faria divinos por nossa própria natureza, ele proclama a verdadeira participação na vida divina, por meio da graça, a filiação adoptiva de Deus.

(O Verbo) era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O reconheceu. Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam. Mas a todos aqueles que O receberam, aos que crêem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.

Todos nós recebemos da Sua plenitude graça sobre graça.

 

 

O testemunho da verdade e do sangue

 

O Cristianismo derrotou a Gnose não apenas pela força sobrenatural da Revelação divina, pela sabedoria e zelo dos Apóstolos e dos Doutores, pela beleza de sua moral e sublimidade de sua fé. Tudo isso seria magnífico, mas insuficiente caso não fosse capaz de despertar um entusiasmo que levasse ao heroísmo do martírio. Só ama inteiramente a verdade aquele que está disposto a lutar e a morrer por ela.

A Igreja nasceu no sangue divino do Redentor e vicejou no sangue dos mártires, a começar pelo dos Apóstolos, os quais, com a excepção de São João, morreram em testemunho da fé.

Em três séculos de perseguições cruentas (da morte de Cristo até o édito de tolerância de Constantino, em 313), milhares de Cristãos de todas as condições uniram-se a esse testemunho: eruditos filósofos, como São Justino; donzelas da mais alta nobreza, como Santa Cecília; soldados endurecidos pelas batalhas, como a Legião Tebana; sacerdotes, bispos, Papas.

A sublimidade desse testemunho do sangue move as almas, como escreve muito bem Daniel-Rops sobre a Igreja primitiva.

Há algo que arrasta no heroísmo, ao qual a alma humana, embora possa não conter grande dose de nobreza, é muito susceptível. Dessa forma, a epopeia dos mártires (dos primeiros séculos) não é apenas um episódio no tempo, perdido no passado, num período definido da História. Ela é um facto de importância única, que jaz no próprio coração da fé Católica, estando ligado com o mais essencial dos dogmas Cristãos.

Em suma, a Igreja não venceu o Gnosticismo pelo auxílio - aliás, tardio e incompleto - de Constantino, mas pela força intrínseca da sua doutrina, pelo seu elevado ensinamento moral e pelo testemunho de seus mártires. Com o Pe. Jules Lebreton, S.J., dizemos que as causas da vitória do Cristianismo sobre a Gnose podem ser reduzidas a uma: oCristianismo trouxe uma resposta às mais profundas aspirações da humanidade, a resposta que ela nunca tinha recebido antes.

 

 

Fonte:

- Santo Irineu, Adversus Haereses , Livro I, Capítulo 6, nº 2, in http://www.newadvent.org/fathers/0103106.htm .

- Objectivamente falando, e sem julgar intenções, não se pode deixar de ver certo fundo gnóstico em campanhas sistemáticas contra a procriação - seja pela contracepção, pelo aborto ou pela disseminação do homossexualismo - ainda quando as pessoas envolvidas não se dêem conta disso.

- "Eis o sentido profundo da ascese Cristã. 'Ascese': a própria palavra evoca a imagem do subir para metas elevadas. Isto exige necessariamente sacrifícios e renúncias. De facto, convém levar só o equipamento essencial para que a viagem não se torne pesada; estar dispostos a enfrentar todas as dificuldades e superar qualquer obstáculo para alcançar o objectivo estabelecido. Para sermos autênticos discípulos de Cristo, é preciso renunciar a si mesmo, tomar a própria cruz todos os dias e segui-lo (cf. Lc 9, 23). É o caminho difícil da santidade, que cada Cristão está chamado a percorrer" (Homilia do Papa João Paulo II na quarta-feira de cinzas,  25 de fevereiro de 2004 in http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2004/documents/hf_jp-ii_hom_20040225_ash-wednesday_po.html ).

- Jules Lebreton, Christian Life at the End of the First Century, p. 359.

- Padres da Igreja  (ou Santos Padres): são certos escritores eclesiásticos antigos, que se distinguiram pela pureza de doutrina e santidade de vida e são reconhecidos pela Igreja como testemunhas da Tradição divina. Entre estes, distinguem-se os Padres apostólicos, os quais viveram por volta de fins do século I ou da primeira metade do século II (incluídos também os autores anónimos de certos escritos da mesma época), que se julga terem conhecido os Apóstolos e recebido deles a sua doutrina. Destacam-se São Clemente de Roma, discípulo e terceiro sucessor de São Pedro; Santo Inácio, bispo de Antioquia, e São Policarpo, bispo de Esmirna e discípulo de São João Evangelista. Os principais escritos anónimos são: A Doutrina dos Doze Apóstolos (ou Didaqué) ; O Pastor de Hermas e o Símbolo dos Doze Apóstolos (todos do século II).
- Escritores Eclesiáticos: São escritores sacros dos primeiros séculos notáveis pelo seu saber, aos quais, porém, falta alguma das características dos Santos Padres, a saber: santidade de vida ou pureza da doutrina. Os principais são Tertuliano e Orígenes. Naquilo que têm de ortodoxo, eles são testemunhas da Tradição e, embora não tenham a mesma autoridade dos Padres da Igreja, são citados pelos Papas e pelos teólogos.

- De onde vem a palavra simonia, para designar o tráfico de coisas sagradas.

- São Justino, Primeira Apologia, Cap. 26, 1-3, in Veritatis Splendor - Patrística, http://www.veritatis.com.br/conteudo.asp?pubid=333

- Cfr. Walter Schmithals, Gnosticism in Corinth , Abingdon Press, New York, 1971.

- Walter Schmithals, Gnosticism in Corinth, p. 127.

- "Os cerintianos distinguiam entre Jesus e Cristo; este último, um dos mais altos éons , desceu sobre Jesus, o filho do Demiurgo, e depois abandonou-o e retornou para o Pleroma" (Jules Lebreton, The Gnosis and Montanism, in Lebreton e Zeiler, op. cit., v. II, p. 620, nota 7).

- "As doutrinas desta seita, de acordo com Santo Irineu, são semelhantes às dos cerintianos e às dos carpocratianos. Eles negavam a divindade e o nascimento virginal de Cristo; aferravam-se em manter a Lei judaica; viam São Paulo como um apóstata, e usavam apenas o Evangelho segundo S. Mateus (Adv. Haer., I, xxvi, 2; III, xxi, 2; IV, xxxiii, 4; V, i, 3)." (J. P. Arendzen, Ebionites , in The Catholic Encyclopedia, s. v., NewAdvent.org-Catholic Encyclopedia on CD-ROM.

- Apud Cornelii a Lapide, Comentarius in Evangelium S. Joannis, in Commentaria in Scripturam Sacram, Parisiis, MDCCCLXXXI, Tomus Decimus Sextus, p. 288.

- Henri Daniel-Rops, The Church of Apostles And Martyrs, Image Books, Garden City, NY, 1960, pp. 248-149, 253.

- Lebreton-Zeiller, The History of the Primitive Church, t. II, p. 1228.

 

Sinais dos Tempos


13
Mar 12
publicado por FireHead, às 23:08link do post | Comentar
Os três falsos princípios protestantes são o sola fide, o sola scriptura e o sola gratia. Esses três princípios conduzem o homem a um pecado contra o Espírito Santo, o pecado da presunção da salvação, o que ao invés de agradar a Deus constitui uma ofensa muito grave.
Neste mundo existe apenas uma única religião que é a Igreja Católica. Existe, do outro lado, a anti-religião, que é a religião do demónio. Em Génesis 3, 15, apercebemo-nos da existência da religião verdadeira que é composta por aqueles que são da raça da mulher e a religião falsa constituída pela raça da serpente. Esta última é a Gnose e ela é composta por uma infinidade de seitas que, de forma mais ou menos descarada, têm na religião verdadeira a sua obsessão porque o que ela mais deseja é destrui-la para assim poder ocupar o seu lugar.
 
Para a Gnose, o mundo é mau porque foi criado por Demiurgo, o deus mau e arrogante. Demiurgo criou o mundo como prisão para o verdadeiro deus, que seria formado por inúmeras partículas divinas, as quais estariam presas na matéria, e que passariam pela evolução, do mineral ao vegetal, depois ao animal e então ao homem, onde então adquiririam consciência de seu estado. A finalidade da Gnose (conhecimento) seria, pois, libertar as partículas divinas aprisionadas no mundo, formando novamente a Divindade, com a união das partículas libertadas de todas as criaturas. E como se faz isso? Superando as prisões que Demiurgo criou, tais como a matéria, a inteligência e a moral, para assim dar ao homem o conhecimento salvífico, que é a compreensão de que o homem é deus, e de que deve libertar-se dessas três prisões que impedem a sua parcela de divindade de retornar ao todo divino. O homem seria assim redentor de si próprio.
O protestantismo é uma das seitas, que originou milhares de outras seitas, da falsa religião, da raça da serpente, porque é contra a Igreja Católica, e não estando com Cristo, logo está necessariamente contra Ele. A doutrina segue exactamente o mesmo esquema da Gnose. Por outras palavras, o protestantismo é uma "versão cristianizada" da Gnose.
 
Compreendamos, então, os três solæ protestantes:

 

1. O sola scriptura é contra a Escritura, pois impinge ao livro sagrado um poder mágico de auto-interpretação que ele não possui. Quando os protestantes pretendem exaltar a Bíblia, destroem-na. O próprio Lutero, ao dar início à primeira seita protestante (luteranismo), retirou vários livros da Bíblia (não materialmente, mas desqualificando-os, como considerando Tiago como sendo uma "epístola de palha" ou o Apocalipse como sendo nem evangélico nem profético), mostrando que a Bíblia era escrava da vontade dos reformadores. Ao desprezar tudo o que Lutero considerava humano em relação à revelação, como os sete livros deuterocanónicos e a Tradição, bem como os concílios e a hierarquia, de facto ele estava-se a opor a tudo o que era material, à criação. Segundo Lutero, esses livros retirados da Bíblia não produziam a experiência que despertaria no fiel a noção de salvação, e como tal não poderiam ser inspirados. Tais livros não traduziam de facto o kerigma, que é - mais importante que as verdades reveladas - o anúncio salvífico. Ao propor o sola scriptura, Lutero queria a libertação da matéria, para ouvir somente a voz (divina) que falaria ao interior do homem. É a libertação da primeira prisão da partícula divina, como na Gnose.

 

2. O sola fide é qualquer coisa menos fé verdadeira. Para os protestantes o que vale é a experiência com Cristo, e não a aceitação das verdades reveladas por Deus. Geralmente se considera que o sola fide se opõe apenas às boas obras. Porém, se nos detivermos um pouco mais nesse princípio, veremos que ele se opõe à participação da inteligência na obra da regeneração, pois a fé protestante não pode passar pela razão, mas provém unicamente da emoção e da experiência vivencial. A inteligência - desprezada e odiada por Lutero - impede que o homem chegue ao verdadeiro conhecimento de Deus, que segundo Lutero se dá através da experiência catalisada pela leitura da Bíblia. A fé protestante é confiança: confiança de que está salvo, confiança de que realmente Cristo revelou o Deus inerente ao homem. Ao desprezar a inteligência e confiar somente na experiência religiosa, o fiel protestante elimina a segunda prisão do Demiurgo, a inteligência.

 

3. O sola gratia vai contra a verdadeira graça santificante. Esse princípio diz que o fiel justificado está livre do pecado, não porque não o possua mais ou não possa cometê-lo, mas porque o tem encoberto pela graça de Cristo. Assim, o justificado tem graça e pecado ao mesmo tempo - simul iustus et peccator. Com isso, dá-se ao fiel a ilusão de impecabilidade, e mesmo a permissão de pecar com a garantia do perdão antecipado - é o pecca fortiter. Assim Lutero habilmente conseguiu impugnar os dez mandamentos, ao dizer que o homem é incapaz de praticá-los e, portanto, não pode ser culpado por cometer pecado. Ora, a graça é propriamente a participação na vida divina, pois a Santíssima Trindade de facto habita na alma justificada pelos méritos de Cristo. Como poderia habitar Deus e pecado na mesma alma? É impossível, e uma ofensa à graça divina. Por isso o pecado mortal é a expulsão de Deus da alma, cuja presença se adquire com o Baptismo e se recupera com a confissão. O sola gratia é a libertação da terceira prisão do Demiurgo: a moral.

 

Conclusão: no que é que se torna o fiel protestante libertado das três prisões através dos três solæ? Torna-se um "Cristão", segundo Lutero, livre para fazer o que bem entender, incluindo o livre-exame da Bíblia, não limitado por nenhum mandamento, pois estaria salvo, certo da sua salvação pela confiança (Fé) na remissão de Cristo. (Lutero, A liberdade do Cristão, de 1520). E o "Cristão" protestante passa a fazer parte do número dos eleitos, não porque tivesse mudado de vida, passando de pecador a justo, pois para Lutero o homem é predestinado para o Céu ou para o Inferno e nada pode fazer para mudar a sua condição (doutrina da predestinação). Na verdade, o "Cristão" é justificado porque Deus já o predestinara à salvação. E como o "Cristão" sabe que está salvo? Através da riqueza material e do sucesso, que são os sinais da sua amizade com Deus. A busca da glória e da riqueza terrenas passa a ser a vocação - beruf, como explica Max Weber - o objectivo do protestante justificado, do "Cristão" protestante. Começando pelos príncipes alemães que roubaram as terras da Igreja, tornando-se tiranos civis e religiosos. O "Cristão" protestante é uma caricatura do santo, que adquire a sua liberdade não pela imitação de Cristo, mas pela libertação das prisões do Demiurgo, como num rito iniciático.

 
O protestantismo actualmente faz sucesso porque é a Gnose "cristianizada", daí o seu apoio e a sua crescente propagação pelo mundo. Conclui-se, portanto, que cada vez existem mais inimigos de Deus.
 
 
Fonte: Montfort Associação Cultural

09
Mar 12
publicado por FireHead, às 02:16link do post | Comentar

Já por algumas vezes reparei, na Internet, que os espíritas e gnósticos de outra ordem afirmam que a doutrina da reencarnação foi uma crença suprimida pelo Cristianismo. Dizem eles, os supostos entendidos, que a Igreja Católica condenou a reencarnação dos dogmas cristãos no II Concílio de Constantinopla de 553 d.C., crença que, até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava. Presume-se que para atender às exigências do Império Bizantino, em decisão política, "o Concílio resolveu abolir tal convicção, cientificamente justificada, substituindo-a pela ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos". Segundo consta, Teodora, a esposa do famoso imperador Justiniano, adepta da escravatura e muito preconceituosa, tinha medo de regressar ao mundo na pele duma escrava negra, o que a levou a decidir pressionar o então Papa da altura, Virgílio, para abolir, enfim, essa anátema crença. O Concílio condenou, assim, o teólogo Orígenes de Alexandria e a doutrina reencarnacionista que próprio Cristo terá admitido, em várias passagens do Evangelho, sobretudo quando identificou em João Baptista o espírito do profeta Elias, "falecido séculos antes", e que deveria voltar como precursor do Messias (Mateus 11:14 e Malaquias 4:5).

 

O que é que as questões políticas têm a ver com a reencarnação? Como foi possível meros preconceitos pessoais duma tal mulher do imperador desembocarem numa mudança política no império só por causa duma crença? Se afirmam que toda a Cristandade acreditava na reencarnação até então, que diferença fazia suprimir tal lei irreversível e espiritual? Se Teodora realmente soubesse e acreditasse nessa suposta doutrina Cristã, adiantaria alguma coisa a subversão da reencarnação? Essa desculpa simplesmente não cola, mas acreditai vós que os espíritas e demais gnósticos devem com certeza acreditar piamente nela!
Convém realçar que em nenhum momento o citado Concílio mencionou sequer a doutrina da reencarnação como ensina o espiritismo moderno. Não há em nenhuma de suas actas referência a tal doutrina de origem oriental, e isto pode ser verificado ainda hoje através de uma tradução latina (o original da época perdeu-se devido a invasão de Constantinopla em 1453). Por séculos, a fé de milhões de Cristãos se baseava apenas na ressurreição e não na reencarnação. Todos os documentos antigos de escritores Cristãos antes desse Concílio afirmam como base da fé a ressurreição. Por outro lado, esses mesmos escritores não pouparam esforços em condenar fortemente a reencarnação, doutrina essa alheia à fé Cristã, só mencionada em seitas heréticas provindas do paganismo egípcio, babilónico ou hindu. Também é bom lembrarmo-nos que não só este Concilio, mas todos os demais antes ou depois deste, alguma vez mencionaram qualquer condenação que seja sobre a reencarnação, simplesmente porque ela nunca foi ponto de fé dos Cristãos. É mesmo difícil de acreditar que uma doutrina que supostamente era parte do credo Cristão desde a época de Cristo tivesse sido abolida assim tão bruscamente sem nenhuma contestação por parte dos demais.

O II Concílio de Constantinopla proclamou o dogma das naturezas de Cristo (humana e divina) contra o monofisismo, que acreditava só haver a natureza humana em Cristo. O mais próximo que este Concílio chegou, no que se refere à reencarnação, é que este Concílio, num dos seus cânones (mais precisamente o de número 11), condena Orígenes de Alexandria. Quem era Orígenes?


Orígenes (Ὠριγένης, 185-283 d.C.) foi um teólogo e escritor Cristão egípcio que acreditava na pré-existência da alma antes da encarnação e na doutrina da restauração universal (palingenesia, i.e., doutrina da apocatastase). Os espíritas confundem erroneamente a pré-existência das almas com a reencarnação, defendendo que Orígenes era então reencarnacionista, o que não é verdade. Seja como for, não existe nenhuma condenção explícita à reencarnação no Concílio. Segundo Orígenes, todas as pessoas já tinham sido previamente criadas no Céu como espírito e a Terra funcionava como um tipo de provação às mesmas. A pessoa viria à Terra de acordo com o seu pecado nasua pré-existência. Ela poderia receber a Cristo e ir para o Céu novamente ou então rejeitá-l'O e perder-se eternamente no Inferno, mas em momento algum ele fala sobre as pessoas se reencarnarem porque a reencarnação é, segundo o fundador do espiritismo, Allan Kardec, a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo. Nota-se, portanto, que não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Orígenes na verdade chegou a refutar veementemente as ideias reencarnacionistas de um tal Basilídes que pretendeu basear-se para tal nas palavras de São Paulo, que escreveu vivi outrora sem lei. Chegou a chamar tal doutrina de fábulas ineptas e ímpias. É importante realçar que esta doutrina da pré-existência das almas foi elaborada por Orígenes como uma solução para o problema filosófico do mal, mas como não havia base bíblica para tal, foi condenada no II Concílio de Constantinopla.

 

Está ordenado ao homem morrer uma só vez vindo depois disto o juízo. (Hebreus 9:27)

 

Alguns judeus criam que João Baptista era Elias ressuscitado, não reencarnado (Lucas 9:7,8). Se a reencarnação é o acto ou efeito de reencarnar - pluralidade de existência com um só espírito - é evidente que um vivo não pode ser reencarnação de alguém que não morreu. Fica claro assim que João Baptista não era Elias porque Elias não morreu, como erroneamente acreditam os espíritas, pois foi arrebatado vivo para Deus.

A reencarnação nunca fez parte dos dogmas Cristãos e o II Concílio de Constantinopla jamais se debruçou sobre esse assunto. Apenas pessoas obstinadas levadas por pressupostos errados e preconceitos é que ainda persistem em acreditar poder encontrar vestígios dessa doutrina no Cristianismo.


08
Mar 12
publicado por FireHead, às 03:14link do post | Comentar | Ver comentários (2)
Hoje em dia o movimento/culto New Age está infiltrado de forma subtil e silenciosa por tudo onde é lado na nossa sociedade e também nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia. Constato que existem pessoas que dizem que acreditam em tretas como o karma ou a reencarnação, com a agravante de muitas delas também dizerem, ingenuamente, que são Católicas. Quantas e quantas vezes eu não me deparo com referências à Gnose em tantas coisas, como por exemplo nas novelas e revistas, ou mesmo no pensamento de tantas pessoas de hoje em dia cuja mente parece estar mais corrompida por fábulas e mentiras, que parecem estar cada vez mais na moda, do que sei lá o quê?
Acredito de facto que as coisas não acontecem por acaso e que tudo tem uma razão de ser. Mas isso não significa que eu acredite no karma. É completamente estúpida e ilógica a ideia de eu ter o que tenho e ser o que sou porque os pecados que eu cometi numa vida anterior assim o ditaram. Acredito na singularidade de toda a vida. Cada um de nós é único e só vivemos uma única vez, vindo depois o juízo, conforme escreveu São Paulo. Acredito na Justiça Divina e que teremos o que merecemos fruto do que fazemos nesta única vida que temos.
A doutrina da reencarnação é comum em vários sistemas religiosos de fundo gnóstico, como é o caso do budismo corrompido (é conveniente salientar que o buda histórico, o único buda que existiu, o príncipe indiano Siddharta Gautama, jamais se pronunciou acerca da reencarnação e muito menos fundou alguma religião porque nem sequer afirmou ser uma divindade), do hinduísmo e do espiritismo. Essas pseudo-religiões defendem a ideia de que cada pessoa tem várias vidas e que a reencarnação é uma forma de pagar os pecados duma vida anterior, fazendo-se cumprir assim a lei do famoso karma. Estaríamos, portanto, a expiar erros cometidos numa vida que não conhecemos e que teríamos tido. O castigo do homem seria viver neste mundo material onde existe sempre uma nova oportunidade para mudar de vida, não o fazendo agora. Para os hindus, a reencarnação pode dar-se pela transmigração do espírito até ao corpo dum animal ou duma planta. Para os espíritas, a reencarnação dá-se apenas em corpos humanos.
 

1. Se a reencarnação existe para pagarmos os erros cometidos numa vida anterior, então a vida é uma punição e não um dom. Se a vida fosse um castigo, nós quereríamos era deixá-la. No entanto ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Afinal a vida é o maior bem natural que temos ou não?

2. Quando é que começou a série de reencarnações? O primeiro homem que existiu onde estava quando pecou pela primeira vez? Ele tinha corpo ou era puro espírito? Era parte da divindade? Teria sido Deus a pecar?

3. A humanidade está em crescendo número. Se existisse reencarnação, com o passar dos séculos, a população teria de ser sempre forçosamente a mesma (tipo, se morrem 50 pessoas teriam de nascer obrigatoriamente outras 50 pessoas). De onde vieram então as pessoas excedentes que supostamente não tiveram vidas anteriores? Respondem os espíritas que Deus estaria a criar continuamente novos espíritos. Mas então, esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre de reencarnar? Jamais cria Ele espíritos perfeitos?

4. Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois seria cair em estado de punição. Assim, todo o nascimento causar-nos-ia tristeza em vez de alegria, e a morte de alguém dar-nos-ia alegria e não o contrário. Para isso ninguém quereria ter filhos, o que teria implicações nos fluxos reencarnacionistas.

5. Os filhos têm necessariamente que ter a ver com os seus pais. Se os filhos nascessem em função dos pecados duma vida anterior, a sua relação com os seus pais seria uma perfeita casualidade, o que não faz sentido. Desse modo também a herança genética não significaria nada.

6. Se existissem vidas futuras, então qual é o sentido da nossa existência? A reencarnação apelaria então à imoralidade. É precisamente por sabermos que só vivemos uma vez e que depois da morte seremos julgados que devemos dar valor ao dom que é a vida.

7. Porque haveríamos então de honrar a memória dos nossos entes queridos que já morreram? Se existe a reencarnação, a esta hora eles estarão a viver outras vidas ou então estarão à espera de reencarnar. Não faria de todo sentido estarmos a pensar neles, visto que eles se tornarão pessoas que nada nos dizem, além de que fica o vazio de nós não os vermos jamais após a nossa morte.

8. O ciclo das reencarnações terminaria, segundo as crenças gnósticas, após o homem se tornar perfeito, como parte da divindade que ele supostamente é. Ora, querer ser Deus é a tentação da Gnose, que foi exactamente a tentação da serpente a Adão e Eva, que disse: em qualquer dia que comerdes dele (do fruto proibido) se abrirão os vossos olhos e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal. (Génesis: 3, 5). E a ser verdade que se terminaria o ciclo das reencarnações, a humanidade estaria por certo a esta hora a enfrentar a extinção, ou já estaria mesmo extinta, o que é um perfeito disparate.

As pessoas que se dizem Católicas e que mesmo assim acreditam no karma e na reencarnação não são Católicas de verdade porque o Cristianismo nega claramente as doutrinas gnósticas. A base da fé cristã é a esperança da ressurreição da carne (o que não significa que seja com os mesmos átomos) e que nada tem a ver com a reencarnação! A Igreja Católica é a Verdade e fora dela não existe salvação! Se existisse reencarnação, qual seria o significado da morte de Jesus? Com a reencarnação, o homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese fundamental da Gnose. Se o homem fosse divino por natureza, como é que ele pode pecar? Se, através de sucessivas reencarnações, o homem tende a atingir a perfeição, como é possível que ele não se torne perfeito de modo absoluto?

Está declarado que o homem morra uma só vez, e depois disso siga-se o juízo. (Hebreus: 9, 27)

Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará do seu sono. (Jó: 14, 12)

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença e os seus discípulos perguntaram-lhe: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais pecaram; mas foi para se manifestarem nele as obras de Deus". (João: 9, 1-3).

Ainda hoje estarás comigo no Paraíso. (Lucas: 23, 43)

Porque prometes fazer, num futuro que não tens, aquilo que recusas fazer no tempo que tens?

06
Mar 12
publicado por FireHead, às 00:45link do post | Comentar

O protestante Ralph Woodrow sustentou que Maria era uma deusa pagã e escreveu um livro muito popular ligando o Catolicismo ao paganismo, baseando-se num livro escrito em 1857 por Alexander Hislop chamado "As Duas Babilónias". Depois que a seriedade das pesquisas de Hislop foram questionadas, Woodrow resolveu pesquisar o assunto por conta própria... e ficou boquiaberto ao descobrir que as pesquisas de Hislop, se não escandalosas, foram no mínimo falhas. Dessa forma, tirou de circulação o seu primeiro livro e publicou outro em seu lugar chamado "A Conexão Babilónia". Neste livro, nas páginas 33-38, Woodrow aborda detalhadamente os argumentos de Hislop contrários a Maria. Ele se envergonha dos seus irmãos "evangélicos" que utilizam este enfoque para condenar a relação existente entre a Igreja Católica e Maria e pede desculpas por ter propagado anteriormente esses pontos de vista. Ele permanece como "evangélico", porém já não associa a Igreja Católica com o paganismo.

 

 

Problemas oriundos do Sincretismo

 

Um estudo cuidadoso e honesto dos cultos da(s) deusa(s) pagã(s) revelaram que, tirando alguns raros símbolos superficiais (p.ex.: a deusa ser considerada virgem ou mãe), não há nada em comum com a relação Católica com Maria. A relação dos Católicos com Maria não pode ser comparada à adoração profana e corrompida que era oferecida à(s) deusa(s). A deusa Gaia (=a mãe terra) é um símbolo de tudo o se que opõe ao que cremos sobre Maria. Maria não nos obriga a adorar a terra, nem nos faz exaltar o prazer sexual fora do matrimónio; Maria não permitiria jamais que profanássemos o nome de seu Filho Jesus. Maria não alimenta o culto de outras religiões em detrimento à mensagem de seu Filho. Maria está próxima apenas disto e somente isto: seu Filho Jesus.

"...cada Católico Romano que conheci vê Maria como uma mulher irrepreensível, uma virgem totalmente dedicada a Deus e à prática das virtudes. Nenhum destes atributos pode ser atribuído à deusa pagã Semíramis. O seu estilo de vida é exactamente o contrário." (Woodrow, pág. 35).

Os primeiros Cristãos, convertidos do paganismo, abandonaram a obscuridade e a superstição de sua antiga fé. Muitos deles se tornaram mártires, entregando as suas vidas ao invés de oferecer incenso a uma imagem de César. Nunca adoraram Gaia, Ísis ou Cibele, inclusive sob o aspecto da Mãe de Jesus.

Acusar a Igreja primitiva de ter duvidado da sinceridade de conversão dos pagãos? Estes convertidos eram atirados aos leões pela sua fé em Jesus. Por que continuariam a sustentar os seus antigos deuses pagãos? Os Cristãos consideravam as deidades pagãs como demónios e a fórmula do Baptismo exigia (e continua a exigir) a renúncia a Satanás. Com efeito, para receber o Baptismo, os catecúmenos deviam renunciar os seus antigos deuses. Como poderiam continuar adorando os demónios após terem renunciado a eles? E como poderiam identificar a Mãe do Salvador com demónios impostores? Entendo que as pessoas que promovem esta teoria não são práticos, racionais ou sérios nas suas investigações.

Maria é uma Cristã "renascida", que recebeu o Espírito Santo em Pentecostes e falou em línguas 2000 anos antes dos pentecostais terem recebido este dom (Actos 1,14-2,3). Ela sabe como orar (sim, inclusive em línguas).

1Ralph Woodrow, The Babylon Connection, (Palm Springs, CA: Ralph Woodrow Evangelistic Association, 1997, pág. 34). De qualquer forma, "A Conexão Babilónia" é, na sua maior parte, uma sonora refutação às acusações de "paganismo" que se tem levantado contra a Igreja Católica. Os parágrafos citados aqui são um bom exemplo disso.

 

 

Coliridianos?

 

Assim era denominada uma pequena seita do século IV na Arábia. Composta maioritariamente por mulheres que abertamente adoravam a bem-aventurada Virgem, ofereciam-lhe refeições durante as suas cerimónias religiosas. Alguns observam que este é um exemplo dos antigos pagãos adorando Maria como "deusa".

Ora, os coliridianos não eram Católicos, mas uma religião sincrética que, da mesma forma que os gnósticos e outros grupos daquele tempo, mesclava práticas de várias tradições religiosas. Eram hereges: tomaram a figura de Maria do Catolicismo e lhe ofereciam sacrifícios (a respeito dos sacrifícios oferecidos a algumas deusas pagãs, ver Jeremias 44,18-19). Foi uma rara mesclagem de crenças contraditórias e foi, de facto, condenado pela Igreja Católica. Só viemos a conhecer da existência desta pequena seita porque Santo Epifânio, um dos Padres da Igreja, os condenou num de seus escritos chamado "Panarion".

 

 

Mãe de Deus?

 

Recebi um e-mail dizendo: "Maria necessitava de um salvador". Os Católicos concordam que Maria necessitava de um Salvador. Ela foi salva pelo seu Filho e, ao mesmo tempo, foi Sua mãe:

 

"Minha alma glorifica ao Senhor,

E meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

Porque olhou para a baixeza de sua escrava

Por isso, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1,46-49)

 

Maria necessitava de um Salvador e todas as gerações a chamarão bem-aventurada.

Alguns "evangélicos" entendem que Maria é uma "deusa Católica" em razão do título mariano "Mãe de Deus". Em razão disto, pensam que os Católicos a chamam desta forma porque crêem que deu a Jesus a Sua divindade.

Jesus nasceu de Maria para se fazer Homem. Se ela fosse um ser divino, como teria Ele, Jesus, derivado a Sua natureza humana a partir dela, Maria?

A maioria dos Cristãos diria que é impossível separar a divindade de Jesus da Sua humanidade. Ele é, ao mesmo tempo, totalmente Deus e totalmente Homem. Há uma união inseparável destas duas naturezas de Deus e Homem em Jesus Cristo. Chamamos Maria de "Mãe de Deus" porque Jesus é Deus e ela é a Sua mãe. Já que as duas naturezas de Jesus (divina e humana) são inseparáveis, os Católicos crêem que é apropriado chamar Maria de Mãe de Deus. Isabel disse: "Quem sou eu para que a Mãe do meu Senhor venha me visitar?" (Lucas 1,43). Logo, este não é um título pagão, mas sim um título bíblico.

Transcrevo aqui o que Martinho Lutero, fundador da Reforma (Protestante), disse a respeito do título mariano "Mãe de Deus":

"São Paulo disse: 'Deus enviou seu Filho, nascido de mulher'. Estas palavras, que tenho por verdadeiras, realmente sustentam com toda firmeza que Maria é Mãe de Deus" (Martinho Lutero, Obras de Martinho Lutero, volume 7, pág. 592).

"Este artigo de fé - que Maria é a Mãe de Deus - está presente na Igreja desde os seus primórdios e não é uma nova criação oriundo de concílio, mas a apresentação feita pelo Evangelho e as Escrituras" (Martinho Lutero, Obras de Martinho Lutero, volume 7, pág. 572).

"...ela é correctamente chamada não apenas mãe do homem, mas também Mãe de Deus... é certo que Maria é a Mãe do real e verdadeiro Deus" (Martinho Lutero, Sermão sobre João 14,16: Obras de Martinho Lutero, volume 24, p. 107 - St. Louis, Pelican, Concordia).

 

Maria é a deusa pagã Ishtar?

 

A declaração de "Rainha do Universo" feita pela Lumen Gentium (Constituição Católica de 1964) provocou que certas pessoas pensassem que a Igreja Católica estava colocando Maria como cabeça do céu. Eles fizeram observar que "Rainha do Céu" foi um título atribuído à deusa Ishtar, pelos seus devotos na Babilónia (Jeremias 44,18-19). Inclusive chegaram a propagar que de algum modo isto prova que Maria e Ishtar são a mesma pessoa e que os Católicos na verdade adoram Ishtar quando honram Maria.

Primeiramente, vamos ver a citação da Escritura que é usada contra a Igreja Católica nesta matéria:

"Por acaso não vês o que eles fazem nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém? Os filhos recolhem lenha, os pais acendem o fogo, as mulheres amassam a pasta para fazer bolos para a Rainha do Céu e se derramam libações a outros deuses a fim de ofender-me" (Jeremias 7,17-18).

Ora, jamais a Igreja Católica ofereceu refeições (ou qualquer outro sacrifício a Maria). A passagem, ademais, diz: "e se derramam libações a outros deuses". Os Católicos nunca apresentaram qualquer oferenda a outro que não seja o único Deus verdadeiro descrito na Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).

O propósito com que foi dado [tal título] a Maria encontra-se delineado na Escritura: "Minha alma glorifica ao Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lucas 1,46).

Muitos reis de diferentes nações são chamados "Sua Majestade" pelos seus súbditos, porém isso não prova que todos eles são a mesma pessoa! Numerosos foram os pagãos que chamavam seus deuses de "Pai", como Zeus ("Pai dos deuses e dos homens") e Odin ("Pai de todos"). No entanto, isto não significa que Zeus e Odin possam ser confundidos com Deus Pai.

Eu chamo-me David. Existiram muitos assassinos chamados David e também magníficos líderes chamados David. Obviamente que não sou nenhum deles; eu sou eu. E Maria, a Mãe de Jesus é Maria, Mãe de Jesus.

Talvez seja compreensível que os "evangélicos" tenham-se alarmado com a declaração de Maria como "Rainha", dado o contexto cultural desta geração. Vivemos um momento em que a Rainha da Inglaterra é a autoridade máxima de Commonwealth. Não há um rei. É ela quem manda, ela é o centro; todos nós falamos sobre a rainha e cantamos "Deus salve a rainha". Desta forma, é natural que o nosso entendimento contemporâneo quanto a rainha é que se trata de alguém com autoridade máxima. Porém, o que ocorre com a rainha quando existe um rei? Quem detém a autoridade? Na lei de Commonwealth, quando há um rei a rainha não possui nenhuma espécie de autoridade, a não ser o direito de sussurar no ouvido do rei para influenciar alguma decisão.

JESUS É O REI. Ele é. Maria é a Rainha; significa que ela não possui qualquer autoridade senão a de que pode sussurrar-lhe ao ouvido (João 3,3). Deste modo, não creio que chamar Maria de "Rainha do Universo" diminui a autoridade do Rei Jesus. Na verdade, a reforça. Que Rei respeitável não possui uma rainha?

Os Católicos sustentam com as Escrituras o reinado de Maria. Apocalipse 11,19 diz:

"Então o templo de Deus no céu se abriu e a Arca da Aliança foi vista em seu templo... um grande sinal apareceu no céu: uma mulher revestida do sol, com a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas sobre sua cabeça. Ela estava grávida... e deu à luz um filho varão que reinará sobre todas as nações com cetro de ferro... Porém, o filho foi elevado até Deus e até seu trono..."

Esta passagem apresenta Jesus como Rei. E também apresenta a Sua Mãe portando uma coroa no Céu. Os Católicos percebem que a Escritura é muito clara.

 

 

Lumen Gentium

 

Apresento aqui alguns parágrafos da Lumen Gentium, documento oficial da Igreja redigido no Concílio Vaticano II, que é frequentemente citado pelos "evangélicos" quando tratam do título "Rainha do Céu". Penso que a Lumen Gentium claramente afirma a autoridade de Jesus sobre o céu e a terra:

60. "Um só é nosso Mediador segundo as palavras do Apóstolo: 'Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem; ele também se entregou para resgatar a todos' (1Timóteo 2,5-6). Porém a missão maternal de Maria diante dos homens de nenhuma forma obscurece nem diminui esta mediação única de Cristo; pelo contrário, melhor demonstra o Seu poder. Porque todo o influxo salvífico da bem-aventurada Virgem em favor dos homens não nasce de nenhuma lei mas sim do divino beneplácito, provém da superabundância dos méritos de Cristo, se apoia na Sua mediação, dela depende totalmente e da mesma retira todo o Seu poder e, longe de impedi-la, fomenta a união imediata dos crentes em Cristo".

62. "...Porque nenhuma criatura pode-se comparar jamais com o Verbo Encarnado, nosso Redentor; porém, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversas maneiras, tanto pelos ministros como pelo povo fiel, e assim como a bondade única de Deus se difunde realmente de formas distintas nas criaturas, assim também a mediação do Redentor não exclui, mas suscita nas suas criaturas uma múltipla cooperação que participa da única fonte. A Igreja não duvida em professar esta missão subordinada de Maria, a experimenta continuamente e a recomenda ao coração dos fiéis para que, apoiados nesta protecção maternal, se unam mais intimamente ao Mediador e Salvador".

66. "...Segundo as palavras proféticas dela mesma: 'Daqui por diante todas as gerações me chamarão feliz, porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas' (cf. Lucas 1,48-49)... enquanto se honra a Mãe, o Filho - em razão do qual foram criadas todas as coisas (cf. Colossenses 1,15-16) e em quem o Pai quis que residisse toda plenitude (cf. Colossenses 1,19) - seja melhor conhecido, seja amado, seja glorificado e sejam cumpridos os seus mandamentos".

67."...Assim mesmo, exorta encarecidamente aos teólogos e aos pregadores da Palavra divina, que se abstenham com cuidado, tanto de todo falso exagero, como também de uma excessiva estreiteza de espírito, ao considerar a singular digninade da Mãe de Deus. Cultivando o estudo das Sagradas Escrituras, dos Santos Padres e doutores e das liturgias da Igreja, sob a direcção do Magistério, ilustrem rectamente os dons e privilégios da Santíssima Virgem, que sempre se referem a Cristo, origem de toda verdade, santidade e piedade".

 

Estátuas da Mãe e do Menino

 

Alguns sustentam que as imagens de Maria com o Menino Jesus nos braços foram inspiradas nas estátuas de Ísis carregando nos seus braços Hórus, ou alguma outra deusa carregando o seu respectivo filho.

A maternidade é comum a todas as culturas ao redor do mundo; portanto, não é difícil entender por que as imagens que se referem à maternidade sejam parecidas nas diferentes religiões.

Os Católicos apresentam Maria com o Menino porque foi isto que ela fez quando Ele era pequenino. A maioria das mães carregam nos seus braços os seus filhos e Maria carregou o seu Filho quando Ele era pequeno. Isto não a torna uma deusa pagã! Poderíamos culpar qualquer artista plástico ou escultor que fizesse o mesmo, apresentando uma mãe com o seu filho - mas isto não seria justo.

"E chegando à casa, encontraram o Menino nos braços de Maria, Sua Mãe; se prostraram e O adoraram" (Mateus 2,11). Por acaso os magos cometeram idolatria ao reverenciar o Menino nos braços da Sua Mãe? Você seria capaz de não adorar a Cristo se O visse nos braços da Sua Mãe?

 

 

A verdadeira origem da Devoção Mariana

 

Quando e como começou a devoção mariana? Com o santo anjo Gabriel, quando disse a Maria: "Salve, cheia de graça: o Senhor é contigo" (Lucas 1,27). Quando a sua prima Isabel, inspirada pelo Espírito Santo gritou: "Bendita sois entre as mulheres... bendita sois porque creste" (Lucas 1,41-45), foi Deus quem inspirou estas primeiras homenagens a Maria! Inclusive, Ele inspira a Maria a proclamar uma profecia sobre si mesma: "De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1,47). Estes são os fundamentos bíblicos para a devoção mariana.

Logo, a relação dos Católicos com Maria não tem origem na adoração de deusas pagãs, mas sim nos primeiros cristãos que abandonaram o paganismo e nunca mais adoptaram a prática dos pagãos.

 

 

Condenação do Vaticano às deusas da Nova Era (New Age)

 

O Vaticano publicou a sua posição num documento sobre a Nova Era. Este documento fala de como as teorias da Nova Era sobre a mãe-terra (a deusa pagã Gaia ou suas equivalentes) são contrárias à fé Católica e à fé de todos os Cristãos. Você pode acessar a esse documento no site do Vaticano. A seguir, apresento alguns extractos retirados dele, onde trata de Gaia, a mãe-terra.

"O livro 'A Hipótese Gaia', de James Lovelock, declara erroneamente que 'todos os tipos de matéria viva sobre a terra, desde as baleias até os vírus, desde os carvalhos até as algas podem ser entendidas como uma única entidade vivente, capaz de manipular a atmosfera terrestre para satisfazer às necessidades do todo e dotada com faculdades e poderes que superam aos das partes constituintes' (38). Para alguns, a "Hipótese Gaia" é uma 'estranha síntese de individualismo e colectivismo. Como tudo o que ocorre e tem a ver com a Nova Era, que tendo conquistado pessoas de diversos fragmentos políticos, não pode esperar empurrá-los para o grande caldeirão da mentalidade global'. O cérebro global precisa de instituições que o regulem; em outras palavras, um governo mundial. 'Para lidar com os problemas de hoje, a Nova Era sonha com uma aristocracia espiritual, ao estilo da República de Platão, regida por sociedades secretas...' (39). Isto pode ser uma afirmação exagerada sobre o caso, porém há muita evidência de que um elitismo gnóstico e um 'governo global' coincidem em muitos pontos com a política internacional.

Isto pode ser visto na promoção de um governo mundial desde o início do século XX. A consciência da unidade da humanidade casa perfeitamente com a hipótese Gaia... O pensamento 'positivo': a convicção de que as pessoas podem alterar a realidade física ou as circunstâncias externas mudando a sua atitude mental, pensando positivo e construtivamente...

O que tem obtido êxito é a generalização da ecologia como uma fascinação pela natureza e a ressacralização da terra, Mãe Terra ou Gaia, com o zelo missionário, característico dos políticos verdes. O gerente da Terra é a raça humana no seu conjunto e a harmonia e o entendimento são requeridos para um governo responsável que é progressivamente entendido como um movimento global apoiado sobre uma estrutura ética. O aquecimento da (Mãe) Terra, cuja divindade se difunde através de toda a criação, é erguido como obstáculo para fechar a brecha entre a criação e o Deus Pai transcedente judeu-cristão, evitando assim ser entendido como 'Ser'.

Tal visão de um universo fechado que contém a 'Deus' e outros seres espirituais junto de nós, reconhecemos como o reaparecimento implícito do panteísmo. Este é um ponto fundamental que atravessa a prática e o modo de pensar da Nova Era em todas as suas formas, e condiciona qualquer outro aspecto, ainda que positivo, de sua espiritualidade. Como Cristãos, cremos que, ao contrário, 'o homem é essencialmente uma criatura e assim permanecerá por toda a eternidade, de modo que uma 'absorção' do humano 'no divino' nunca será possível' (31)...

De qualquer maneira, é suficiente esclarecer que a Nova Era compartilha com um grande número de grupos influentes a nível internacional, o objectivo de substituir ou transcender as religiões particulares de modo a criar espaço para uma 'religião' universal que poderá unificar a humanidade. Muito relacionado com isto está o esforço orquestrado por muitas instituições para inventar uma ética global, uma estrutura ética que reflicta a natureza global da cultura contemporânea, a economia e a política. Mais ainda, a politização das questões ecológicas certamente acrescenta cor à questão total da hipótese Gaia ou adoração da mãe-terra...

... O Santo Padre remarca o grande interesse na espiritualidade que pode ser encontrada hoje no mundo secular e como as outras religiões estão respondendo a essas demandas de formas excitantes. O avanço sobre este ponto desafia os Cristãos com esta frase: 'Porém nós que recebemos a graça da fé em Cristo, que revela o Pai e o Salvador do mundo, temos o dever de mostrar quão profunda a relação com Cristo pode nos levar' (nº 33). A todos aqueles que compram estas propostas religiosas ao redor deste mundo de mercado, o chamado à Cristandade se dará primeiro por intermédio do testemunho dos membros da Igreja, na sua confiança, calma, paciência e carinho, no seu amor concreto ao próximo, todo fruto de sua fé alimentada por uma autêntica oração pessoal."

[Vemos assim que] a Igreja Católica não quer nada com Gaia, nem com as deusas pagãs adoradas pelos seguidores da Nova Era. [Essas deusas] tão pouco têm a ver com Maria, a Mãe de Jesus.

 

 

Uma nota pessoal acerca de Maria

 

Espero não ter causado animosidades com este artigo. Muitos desejariam que tudo acerca de Maria fosse deixado de lado pela Igreja, visando obter uma maior unidade com os "demais Cristãos". Eu somente desejo ajudar a construir uma ponte entre Católicos e protestantes. Não creio que evitar Maria ajudaria a construir essa unidade. A maior parte dos sentimentos mais fechados contra Maria tem surgido dentro do movimento protestante nos últimos 100 anos. Muitos dos pais da Reforma nutriam fortes sentimentos positivos em favor de Maria, inclusive C. S. Lewis, Calvino, Heinrich, Bullinger e John Wesley. Inclusive o próprio Martinho Lutero falou dela em primeira pessoa, dizendo:

"Nenhuma mulher é como tu. Tu és mais que Eva ou Sara, bendita sobre toda nobreza, sabedoria e santidade" (Sermão, Festa da Visitação de 1537).

Alguns "Cristãos" sentem que haveria uma maior unidade dentro da Igreja se todos deixássemos de falar de Maria. No entanto, Maria não sairá da minha vida (nem da sua), a menos que se lhe peça. E com toda a franqueza, isso seria como dizer para a minha mãe para que se vá e nunca mais pense em mim. Eu fiz isso uma vez com a minha mãe biológica e foi muito doloroso para ela. Maria corrigiu-me. Maria ficaria imensamente ferida se lhe pedisse para que se vá, porém isso causaria mais dano a mim mesmo. Assim, não posso deixar de lado o que tenho a ver com ela, ao menos em minha própria vida, assim como ocorre na vida de milhões de cristãos que vivem no espírito de Cristo e foram enriquecidos pela Sua relação com Maria.

 

 

Fonte: http://www.davidmacd.com

Tradução: Carlos Martins Nabeto


05
Mar 12
publicado por FireHead, às 00:05link do post | Comentar | Ver comentários (2)
Muitos certamente gostariam de saber o porquê de eu achar a Gnose (do grego Gnosis, i.e. conhecimento) uma palhaçada pegada. Muitos possivelmente não sabem nem sonham que eu assim que me reconverti ao Catolicismo desenvolvi um lógico e gradual asco para com a Gnose, tida como a mais mortal inimiga da Santa Igreja desde sempre.
 

Os gnósticos acreditam que o ser humano é divino por natureza, pois ele tem uma centelha divina, maravilhosa e "crística" (que vem da palavra Cristo, o Messias, um "cargo" que qualquer pessoa pode aspirar a ter, ideia essa defendida pelos adeptos do movimento New Age), que tem como objectivo levar o homem a conhecer-se a si próprio, e assim conhecer o todo, o universo e Deus, entrando em comunhão com o divino. No fundo resume-se assim toda a filosofia pagã, tanto a panteísta como a da gandaia cósmica, e encontra paralelo em muitos sistemas religiosos como o budismo, o hinduísmo e várias seitas de cunho esotérico, como muitas das seitas derivadas de movimentos gnósticos que, apesar das perseguições, sobreviveram até aos dias de hoje (Fraternidade Rosacrussiana, Teosofia, etc.). A New Age ajudou a fazer florescer essa filosofia do oculto.
 

Para os gnósticos, somos nós próprios que encontramos o caminho para a nossa própria salvação através do conhecimento intuitivo e transcendental, o que pressupõe dizer que Jesus Cristo não morreu para nos salvar. Para a New Age, Jesus ocupou o cargo de Cristo, que é o mesmo que Buda, cargo ocupado por Siddharta Gautama, o Buda histórico. Tal comparação é no mínimo ridícula. Segundo a doutrina gnóstica, existem dois deuses: um mau e um bom. O primeiro terá criado o mundo, que é imperfeito, com a existência do sofrimento, e a humanidade vive aprisionado nele. A centelha divina do homem corresponde à essência humana que perspassa todo o cosmos mesmo sem se situar nele, pois o deus bom, cheio de misericórdia e pena, deu ao ser humano a possibilidade de ele se despertar deste mundo de ilusões e imperfeições. É de notar que essa filosofia enquadra-se perfeitamente nos sistemas religiosos orientais como o budismo e o hinduísmo, que apelam à transcendência e à comunhão com o divino através da superação dos sentidos (Nirvana, o estado de iluminação, enfim, o cargo de Buda) e englobam conceitos gnósticos como o karma, o dharma e também a reencarnação como forma de aperfeiçoamento espiritual. O conhecimento liberta o homem de todo o tipo de sofrimento que está apegado à matéria, a parte má, e o aperfeiçoamento é de facto a palavra-chave da Gnose, sendo o termo técnico para o seu desenvolvimento.
 

Nos Evangelhos Gnósticos considerados apócrifos (ocultos) e não aceites pela Igreja Católica, ou seja, que não têm inspiração divina, está contida muita coisa que concorda com a doutrina gnóstica: a existência dos éons - emanações do absoluto que se apresentam como entidades intermédias entre a divindade suprema e o mundo perceptível ao conhecimento (usada inclusive por Platão na Alegoria da Caverna para denotar o mundo inteligível em contraposição com o mundo sensível) - que se reúnem no pleroma (a plenitude; o todo), abaixo do qual existe o manifestado plano material, e que, por sua vez, resultam da separação do Todo Uno. A descida do pleroma constitui o estado de infelicidade que ocasiona o sofrimento humano no mundo. Um dos éons, Sophia, pariu o deus mau Demiurgo que criou o mundo material mau (esse deus mau seria o Deus do Antigo Testamento, também conhecido por Yaldabaoth, como é referenciado no Evangelho de Judas). Esse mundo é regido por doze éons e a salvação do homem viria dum décimo terceiro éon, identificado como Jesus Cristo, que se "esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (Gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado". Segundo os gnósticos, Cristo veio assim ao mundo para ensinar uma doutrina secreta aos Seus discípulos, ou seja, precisamente a Gnose. Os Evangelhos Gnósticos (Evangelho de Judas, Evangelho de Filipe, Evangelho de Maria Madalena, Evangelho de Tomé, etc.) e demais livros apócrifos foram muito possivelmente escritos a partir do século II por pessoas duma imaginação tremendamente fértil e fantasiosa, que levam a muitas contradições entre os escritos, e por seitas gnósticas para difundirem a sua doutrina e desencaminharem os Cristãos daqueles tempos. Já li vários apócrifos que só me fizeram rir e também me deixaram a matutar seriamente como é que naqueles tempos já era possível haver tamanha doutrina marada. Qualquer pessoa que conheça os Evangelhos Canónicos e os apócrifos, e que tenham dois dedos de testa, compreendem facilmente o porquê de a Santa Igreja ter adoptado uns e considerado outros como heréticos.
Como disse a serpente à Eva, se ela e o Adão comessem do fruto que Deus lhes proibiu, sereis como Deus, sabendo o bem e o mal (Génesis 3:5). Eis a primeira tentação da Gnose. A Igreja Católica é a verdadeira Religião, a Religião dos Filhos da Mulher (Santíssima Virgem Maria) em oposição à Gnose, que é a Religião dos Filhos da Serpente: E o dragão (a antiga serpente) irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra contra os seus descendentes, os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus (Apocalipse 12:17).

21
Fev 12
publicado por FireHead, às 02:38link do post | Comentar | Ver comentários (3)

Um certo biólogo americano, ateu, gestor de um site (daqueles também ateus, onde se reúnem ateus) disse que eles, os ateus, não acreditam em fantasmas nem em elfos ou no coelhinho da Páscoa – nem em Deus. Devo confessar que eu, que não sou ateu - já duvidei da existência de Deus – nunca acreditei em elfos ou no coelhinho da Páscoa. Nunca sequer acreditei no Pai Natal quando era miúdo, ao contrário de muitas crianças.

Há que fazer os possíveis para iluminar as mentes. Ao contrário de alguns ateus, que até têm sites próprios para fomentarem o ateísmo militante ao mesmo tempo que, incompreensivelmente (ou talvez compreensivelmente), criticam as crenças das outras pessoas precisamente porque a maior alegria consiste sempre em gozar com as outras pessoas, eu cá prefiro gostar de deixar as coisas em pratos limpos, doa o que doer.

Ora bem, o ateísmo é o quê? É algo que rejeita a natureza espiritual do homem, muito embora a sua mera existência e condição de ser racional, por mais incrível que pareça, clamem em favor dessa mesmíssima natureza espiritual. O ateísmo é uma revolta contra a natureza. Não sei onde é que está o brilhantismo nas pessoas cuja mente opaca, centralizada num auto-suficiente narcisismo, se revela mais impenetrável à luz da verdadeira intelectualidade. Será que o ateísmo é mesmo uma consequência duma madura reflexão ou é resultado inelutável do conhecimento científico ou filosófico? Ou será que é antes uma escolha pré-racional de ordem metafísica, fruto do orgulho e da rebeldia, uma manifestação de puberdade intelectual, tal como é o acne na biologia?

Um ateu bem formado é aquele que é tolerante e que respeita as crenças alheias. Coisa diferente é o ateu militante, cujo aderente encara a descrença como um dogma e a destruição da fé como um apostolado. Esses são adolescentes eternos que elegem o próprio ego como deus de si mesmos. Buscam justificações racionais para a escolha feita e encantam-se com a sua própria inteligência. Esse processo não será mais emocional do que propriamente racional? Os ateus olham de cima para os que crêem em Deus, considerando-os pessoas de mentes infantis, incapazes de escalar as alturas da sua própria compreensão. E isso enche-os de uma enorma auto-importância e de satisfação para com eles próprios. Eles precisam de reforçar a sua própria descrença com a corroboração de outros egos e de aplauso público.

A crença em elfos deve calhar melhor ao ateísmo, pois, como disse Chesterton, o problema do céptico não é não crer em nada, mais sim crer em tudo. Basta que eles sejam convenientemente chancelados com o aval da comunidade científica. E isso é o racionalismo, a fé irracional na razão. Mas como pode a ciência explicar, por exemplo, o que existia antes do que existe? A ciência pode apenas dizer que não existem muitos factos comprovados da mesma natureza, mas entre “não poder afirmar que acontece” e “afirmar que não pode acontecer” é uma diferença simplesmente brutal. A ciência não consegue provar a não existência do que não é observado, mas só a existência do que dá para ver (seja através dos olhos, microscópios, telescópios ou modelos matemáticos). Ela não está do lado dos ateus, embora eles gostem de pensar que sim. Talvez aí, com um pouquinho de honestidade intelectual em vez de cegueira pela paixão dogmática, se deva conceder à crença em Deus pelo menos o benefício da dúvida. A apresentação de hipóteses e teorias incomprovadas e incomprováveis como verdades científicas cabalmente demonstradas não podem servir como argumento para alimentar o ateísmo.

Já o agnóstico é aquele que se opõe à possibilidade de a razão humana conhecer Deus (já a Gnose, ao invés, tem a sua origem etimológica na palavra grega que significa «conhecimento»). O agnosticismo dita que, assim como é impossível provar racionalmente a existência de Deus, também é impossível provar a Sua inexistência. O agnosticismo contradiz-se na sua essência porque a questão de Deus não deve sequer ser colocada como um problema porque simplesmente não há como provar racionalmente se Deus existe ou não. No fundo, o agnosticismo separa aqueles que defendem a capacidade da razão de afirmar ou negar a veracidade da crença teísta.

Falar do agnosticismo pressupõe falar da Gnose. A Gnose afirma que existe uma centelha divina no homem e que o conhecimento de Deus se tem quando se conhece que se é divino e se estabelece uma experiência pessoal interior do eu com a partícula divina que existiria dentro de nós. Afirma, portanto, que o mistério de Deus é o mistério do homem. Para a Gnose, o homem é deus em evolução. Todo o homem então estaria salvo, sendo ele de que religião for e obedecendo ou não à moral, uma vez que o Deus criador do mundo seria o Deus do mal, que pretende mandar no homem. Logo, conclui-se que a Gnose é satânica, do anjo portador da luz. Logo, conclui-se também que as seitas heréticas do novo paganismo que existem no mundo, como por exemplo o movimento Nova Era, não é mais que uma simples palhaçada que visa colocar o homem num patamar que ele jamais conseguirá alcançar. A Gnose é a maior heresia que o mundo já viu.

Contudo, em termos de finalmente, cada qual é livre de fazer o que quer e de ser como quer ser ou de acreditar ou deixar de acreditar no que bem entender, pois realmente há coisas que não são para quem quer, mas sim para quem pode. Acredito piamente que existe um fim quando acabarmos a nossa caminhada e que haveremos de enxergar a verdadeira verdade… e isso sem uma segunda hipótese para corrigirmos os erros cometidos no único tempo que temos, por não existir um tempo que não teremos.

“Nunca devemos esquecer-nos de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.” (Epicuro, na sua “Carta sobre a Felicidade”)


PS. Não existe ateu num avião em queda livre.


18
Fev 12
publicado por FireHead, às 03:48link do post | Comentar

Eu já tinha lido um excelente texto de James Hannam sobre o mito de que Cristo não existiu.  Hannam é físico e historiador e escreveu um livro excepcional que eu recomendo fortemente, chamado God's Philosopher: How Medieval World Laid out the Modern Science. Mas ontem eu li outro texto excepcional, desta vez de Carl Oslon sobre quem foi Cristo. Muitos dizem que Ele foi apenas um homem ou é apenas um guru. Olson é teólogo e autor de vários livros, um deles detona o livro Código Da Vinci.

Leiam estes dois textos para entender o Cristo histórico e as comprovações de sua existência. Aqui vou traduzir apenas partes dos dois textos.

1. James Hannam - O mito de que Cristo não existiu (escrito em 4 partes)

 
As pessoas perguntam por que não há registo de Jesus nos arquivos romanos. A resposta é que não há registos de sobreviventes romanos. Tudo o que temos são ilustres paroquiais historiadores romanos que tinham pouco interesse nas idas e vindas de cultos menores e eram muito mais preocupados com imperadores e reis. Jesus fez um impacto muito pequeno, enquanto Ele estava vivo e não havia nenhuma razão para os historiadores romanos observá-lO. O Cristianismo é mencionado pelo historiador Tácito no início do século II. Mas ele fala sobre a religião porque os cristãos tiveram a infelicidade de ser transformados em bodes expiatórios pelo imperador Nero para o grande incêndio de Roma. Tácito está interessado no Imperador, não nas vítimas.

O historiador de quem poderíamos esperar mencionar Jesus é Flávio Josefo, um judeu que escreveu uma história de seu povo até 66 dC, o que é chamado de Antiguidades Judaicas. Na verdade, Josefo menciona Jesus duas vezes, e assim Cristos Mitologistas têm que dedicar muita atenção a atacar as passagens relevantes. O seu trabalho é facilitado porque Josefo, um fariseu, provavelmente não sentiu nada além de desprezo por Jesus. Isso significou mais tarde que os cristãos tentaram "corrigir" o seu fraseado negativo.

Quando publiquei este texto, foi levado a sério, embora, em retrospecto, parece absurdo. [Mas] gostaria de convidar qualquer Cristo Mitologista para me explicar as diferenças substanciais entre a teoria dele e a teoria espúria abaixo.

Na verdade, embora há muito textos sobre Aníbal (líder de Cartago), nada disso é contemporâneo e não há nenhuma evidência arqueológica que ele tenha existido (não é surpreendente dado que os romanos arrasaram a cidade de onde ele veio). Além disso, ele não é mencionada em nenhuma fonte cartaginese, o que é incrível, dado que ele era suposto ser o seu maior líder.

No final, se Jesus não existisse, a ascensão do Cristianismo é ainda mais incrível e quase impossível de explicar.
 
 
2. Carl Olson - Três Cristos falsos - o mito, o mortal e o guru

Albert Schweitzer, nas páginas iniciais do seu famoso e influente livro 1906 A Busca do Jesus Histórico, escreveu: "E assim cada época encontrou as suas próprias ideias sobre Jesus... Não só épocas encontraram diferentes Cristos. Cada indivíduo por vezes recria a sua própria imagem."
 
Os exemplos abundam:
• Os ateus insistem que Jesus não existiu
ou que, se Ele existiu, Ele é perdido nas brumas do tempo ou usurpada por cristãos fanáticos.
• Os racionalistas tendem a retratar Jesus como um filósofo de boas ou questionáveis intenções.
Os socialistas frequentemente apresentam Jesus como um protomarxista e líder de libertação cuja luta foi, em última análise política e não religiosa ou espiritual. Outros esquerdistas pintam um retrato de Jesus organizador da comunidade ou de um agitador.
• Os habitantes do reino da Nova Era regularmente igualam Jesus ao Buda e falam de "consciência de Cristo".
• Alguns cristãos falam de um amigável Jesus, que não está interessado em adoração e outros falam que Cristo que não está interessado em caridade ou discípulos, apenas julga.
  
Alguns desses "Cristos" são apenas falsos, outros são também heréticos. "Toda heresia tem sido um esforço para estreitar a Igreja", escreveu G. K. Chesterton em St. Francisco de Assis.
Mais recentemente, a mesma ideia mitológica de Cristo foi trazida pelo Christopher Hitchens no seu livro best-seller 2007 God Is Not Great: How Religion Poisons Everything. Hitchens nega que os quatro Evangelhos têm qualquer valor histórico e diz que os relatos da vida de Jesus são "lenda". [Não é de se assustar que Histchens diga isso] considerando o quão preso Hitchens está nos textos do século XIX [em que foi  publicado muitos livros que são completamente desacreditados hoje] . Hitchens cita os argumentos de apenas um estudioso cristão dos últimos cem anos, o apologista anglicano e autor C. S. Lewis.

Hitchens desconhece ou despreza a abundância de estudos a partir de informações tanto cristãos e não cristãos que Jesus de Nazaré realmente existiu e que os Evangelhos, de facto, fornecem informações que os historiadores levam a sério como prestação de contas reais de pessoas reais fazendo coisas reais. Nenhum historiador moderno respeitável do mundo antigo nega que Jesus de Nazaré existiu, é por isso que Graham Stanton, nos Evangelhos e Jesus (Oxford University Press, 2002), escreveu: "Hoje quase todos os historiadores, sejam cristãos ou não, aceitam que Jesus existiu e que os Evangelhos contêm muitas evidências valiosas, que têm de ser ponderado e avaliado criticamente. "A quantidade de evidência textual para a existência de Jesus é impressionante, especialmente para uma antiga figura histórica". 
Que Jesus era meramente mortal é agora tarifa padrão entre aqueles que não se pode negar a evidência histórica básica, mas rejeitam a singularidade do homem de Nazaré. As variações são muitas: Jesus era apenas um profeta equivocado, um filósofo cínico, um rabino judeu, um fanático político, um guru itinerante, um agitador para a mudança social. Isto não é novo. Desde o início, alguns duvidaram ou ridicularizam a "alegação de divindade:" Eles disseram, 'Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como ele diz agora "Eu desci do céu"? '"(Jo 6:42). Judeus, romanos e outros pagãos dos primeiros séculos zombaram dos primeiros cristãos pela sua crença de que Jesus é o Filho de Deus.
Modernas variações sobre este tema são numerosas e aparecem em romances históricos apresentados, bem pesquisado e teologicamente sofisticado. historiador Leigh Teabing, um personagem principal de O Código Da Vinci, diz: "[Jesus foi] um profeta mortal... um grande e poderoso homem, mas um homem, no entanto. Um mortal." Ele e o herói do romance, Robert Langdon, declararam que Jesus foi "feito" divino no Concílio de Niceia em AD 325 e que antes desse tempo, ninguém, nem mesmo os seguidores de Jesus, acreditavam que Ele era o Filho de Deus. Não importa a evidência óbvia ao contrário (ver Mt 1:23, 3:16-17; Jo 1:1 ss, 5:18, 8:56 e ss, Jo 20, etc.).

Jesus, para dar apenas um exemplo, afirma: "Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse, Eu sou" (Jo 8:58).
Os judeus discutindo com Jesus entenderam as Suas palavras, "pegaram em pedras para atirar contra Ele." Que opções existem, então, para o céptico? C. S. Lewis famosa ofereceu o "trilema" de "mentiroso, Senhor, ou lunático", ao que Peter Kreeft acrescentou "professor guru."  
Algo semelhante pode ser encontrada no Cristo do movimento da Nova Era, um movimento que geralmente engloba panteísmo ou monismo, a crença de que "tudo é Um" e este é impessoal. Um exemplo excelente e recente pode ser encontrada nos escritos do prolífico Deepak Chopra, especialmente no seu livro best-seller O Terceiro Jesus (2008, ver "Chopra Cristo: A criação mítica de uma Pantevangelista Nova Era" para uma revisão detalhada e crítica). Chopra propositadamente procura primeiro remover Jesus a partir de qualquer contexto histórico e a realidade, em seguida, destaca Jesus de reflexão teológica e formulação doutrinária. O "Jesus em primeiro lugar", então, "é histórico e sabemos quase nada sobre Ele". Claro, Chopra passa a dizer coisas específicas sobre o Jesus histórico, mas ainda insiste em que Ele é completamente desconhecido. Estudos históricos reais e as provas não são consideradas ou mesmo reconhecidas, em vez disso, esta abordagem anti-histórica é um dado adquirido, como algo de um acto de fé cega. O "segundo Jesus", diz Chopra, é "o construído por teólogos e outros estudiosos." Este Jesus, Chopra insiste, "nunca existiu" . Novamente, nenhuma evidência é oferecida e não há envolvimento em tudo com a rica tradição teológica da Igreja Católica. Mas isso não é surpreendente, como Chopra, como a maioria dos novos aderentes, é anti-teológica e anti-metafísico. Ele considera a teologia inútil ou propaganda. 
O "terceiro Jesus" é o Cristo de Chopra, o epítome de um salvador subjectivo, embora Chopra não tem necessidade de ser salvo do pecado e do mal. Pelo contrário, "Jesus pretendia salvar o mundo, mostrando aos outros o caminho para a consciência de Deus". Esta jornada a "consciência de Deus" acontece através de "consciência de Cristo", a ambiguidade do que pode ser refinado e moldado como se deseja para um dos gostos pessoais. Cristo, o "guia", é um ser espiritualmente avançado que ajuda a atingir candidatos à "evolução espiritual". Ele é comparado a ou mesmo se tornou em alguma forma como o Buda. Chopra, tendo acabado convenientemente com a história e a teologia, não vê diferença entre as duas, afirmando que "o cristão que busca chegar a Deus não é diferente do budista. Ambos são dirigidos para a sua própria consciência".

Uma vez que a ênfase no gnosticismo e no movimento da Nova Era é sobre o ensino da elite, a morte de Jesus e a Sua ressurreição dos mortos são de pouca ou nenhuma importância. O resultado é que uma parte significativa dos Evangelhos, cerca de um quarto dos textos, é simplesmente ignorada ou rejeitada como irrelevante. Desde contexto histórico que não é de interesse, os detalhes específicos dos Evangelhos são ignorados ou mal interpretados descontroladamente.
 
Em última análise, este falso Cristo é parte do tema cansado, mas popular, "A religião é ruim, a espiritualidade é boa".


Esses três falsos Cristos estão enraizados em três visões defeituosas de Deus e do mundo: o ateísmo, o deísmo, e o panteísmo. Todos falham, em aspectos essenciais, a levar a sério os eventos históricos, o que é descrito nos Evangelhos e proclamado pela Igreja. A importância da história é sublinhada pelo Papa Bento XVI no primeiro volume de Jesus de Nazaré: "Pois é da essência da fé bíblica se cercar de acontecimentos reais, acontecimentos históricos. Ela não conta estórias simbolizando verdades suprahistóricas, mas se baseia na história, que teve lugar aqui na terra."

 

 

Fonte: THYSELF, O LORD


11
Fev 12
publicado por FireHead, às 14:09link do post | Comentar | Ver comentários (6)
Era Aquariana: “Segundo a visão de algumas correntes do Cristianismo, a era de Aquário surgiria para substituir a de Pisces (Peixes), sendo que o peixe no caso teria o sentido de representar o símbolo do Cristianismo (devido às iniciais de Jesus Cristo em grego), como teria sido usado pelos primeiros cristãos. Assim, era de Aquário seria a era definida na Bíblia de domínio do Anticristo, a era em que a Terra estaria fora de uma influência cristã.”

"Chegando Jesus à região de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? Responderam-lhe: Uns dizem: João Baptista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou um dos profetas. Perguntou-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". (Mateus 16,13 a 16).

"Ao ver as gravuras dos quadros pintados daquilo que dizem ser o meu Senhor, meu ser não aceita o que está na tela. É falsa a inspiração do pintor. Não creio, não creio num Cristo vencido, cheio de amargura, semblante de dor. Eu creio num Cristo de rosto alegre. Eu creio num Cristo que é vencedor!". (Josias Menezes, em “O Rosto de Cristo”).

Os místicos subtraíram Jesus ao máximo e agora estão redefinindo-O. Os esotéricos tentam passar uma esponja sobre os Evangelhos neo-testamentários, querem reeditar os evangelhos de uma forma que espelhe o misticismo oriental e tencionam recriar um "novo" Cristo. Conhecemos cada vez mais pessoas que aceitam esse "novo" Jesus. Falam de um Jesus de mente aberta, que não censura, que não reivindica ser o caminho para o céu, que ensina os dogmas das religiões orientais, o esoterismo e a busca de um suposto deus introvertido em cada indivíduo.

Os esotéricos querem um Jesus, tipo "Santo Isa", que sincretize com Buda, Krishna, Iman Mahdi e talvez até com o futuro Messias judaico. Anseiam por um Jesus que seja um mestre perfeito entre muitos mestres perfeitos. Vêem Jesus como um iluminado que não apenas alcançou a consciência do "Cristo cósmico", mas também que estava em perfeita simbiose com o futuro "Cristo cósmico" (vide Maitreya*). Para os nova erenses (do Movimento Nova Era / Nova Consciência), o termo "o Cristo" não se refere a uma pessoa específica. "O Cristo" é um cargo, uma função, como por exemplo "o presidente" de um país. Dizem que o título "o Cristo" pertence ao "Senhor Maitreya*", mas já foi compartilhado temporariamente com alguns seres espiritualmente elevados, como por exemplo Jesus.

Esse Jesus do Movimento da Nova Consciência seria um mero homem com um espírito bastante evoluído. Muitos sectários deste "movimento aquariano" asseguram que o seu Jesus teve uma formação académica esotérica no Oriente durante a Sua mocidade e se tornou semelhante a muitos gurus orientais da antiguidade.


Quem é Jesus para Bhagwan Shree Rajneesh?

Bhagwan Shree Rajneesh, também chamado de Osho (1932-1990), ficou conhecido como o guru sexual por ter difundido as "cerimónias tântricas "*. Estabeleceu o seu centro espiritual em Antelope, Oregon, reivindicou ser Deus, precipitou um escândalo internacional sobre imoralidade e drogas e foi investigado pela Receita Federal americana. Foi deportado dos Estados Unidos de volta para a Índia, sem ter o direito de levar consigo os seus noventa carros Rolls Royce. Apesar dos críticos o considerarem um perverso, Rajneesh é respeitado e amado por muitos esotéricos e os seus livros são vendidos aos montes.

Observem o conceito que este guru indiano, Rajneesh, tinha acerca de Jesus Cristo: "Para lhe dizer a verdade, Jesus é um caso psíquico. [...] Ele é um fanático. Ele tem o mesmo tipo de mente de Adolf Hitler. Ele é um fascista. Ele acha que somente aqueles que o seguem serão salvos. [...] E os bobos continuam acreditando que eles serão salvos se seguirem Jesus. Até Jesus não está salvo e Ele sabe disto".

Quem é Jesus para Matthew Fox?

Matthew Fox é um ex-padre, excomungado da ordem dominicana em virtude das suas ideias homossexuais. Posteriormente, foi ordenado pelo clero da igreja episcopal americana. Autor do "best-seller" esotérico The Coming of The Cosmic Christ (A Vinda do Cristo Cósmico), Fox exerce uma tremenda influência mística no círculo protestante.

O Cristo cósmico, pregado por Fox, como também Jesus (que supostamente assimilou a consciência deste Cristo cósmico) podem ser tanto hetero como homossexual:

"Muitos cristãos têm sido levados a acreditar que o Cristo não está presente no fazer amor. Isso não faz sentido. De facto, o Cristo cósmico é radicalmente presente a todas as sexualidades e em todas as suas dimensões e possibilidades. O Cristo cósmico celebra a diversidade sexual – "Em Cristo não há macho nem fémea", diz Paulo (Gálatas 3:28). O Cristo Cósmico não é obcecado com identidades sexuais. O Cristo cósmico pode ser ambos, feminino e masculino, heterossexual e homossexual".

"Fox também pede uma substituição da pesquisa do Jesus histórico pela pesquisa do Jesus cósmico. Ele diz que é tempo de ‘reivindicar’ o Cristo cósmico. Nós precisamos de nos mudar de um Cristianismo do ‘Salvador Pessoal' para um Cristianismo do ‘Cristo cósmico"'.


Quem é Jesus para Elizabeth Clare Prophet?

Prophet acredita que "Deus" habita em cada ser humano e não somente em Jesus e que todos nós aspiramos tornar-nos também o Cristo:

"Deus habita em cada homem e não apenas em Seu filho Jesus, o Cristo. O unigénito Filho do Pai, cheio de graça e verdade, é o Cristo pelo qual a Imagem do Senhor tem sido reproduzida repetidas vezes como a identidade-Cristo de cada filho e filha que tem vindo do Espírito infinito de Deus Pai-Mãe".

"Tornar-se um Cristo é, pois, o objectivo de cada filho de Deus".

Prophet também assegura que Jesus não foi o expiador dos nossos pecados:

"A doutrina errónea que diz respeito ao sacrifício sanguinário de Jesus – a qual Ele mesmo nunca ensinou – tem sido perpetuada até os dias actuais. Deus o Pai não requereu o sacrifício de Seu Filho Jesus Cristo [...] como uma expiação pelos pecados do mundo; e nem é possível de acordo com as leis cósmicas que qualquer sacrifício humano equilibre o pecado original e nem os subsequentes pecados de alguém ou de muitas pessoas".


Quem é Jesus para Lauro Trevisan?

Lauro Trevisan é um padre brasileiro conhecido como "o arauto do pensamento positivo e da Nova Era". Trevisan é autor de vários livros místicos e afirma que Jesus só se tornou o Cristo a partir do Seu baptismo no rio Jordão:

"Lucas narra que, ao receber o baptismo de João, desceu o Espírito Santo sobre Jesus, em forma corpórea de pomba", e do céu veio uma voz: ‘Tu és meu Filho bem-amado; eu, hoje, te gerei!' (Lucas 3, 21 a 22). Neste momento, era gerado o Cristo, o Filho de Deus. A partir deste instante, já não era mais apenas o filho de Maria e José. Já não era mais apenas o Jesus. Era o Cristo, o Iluminado, o Messias, o Salvador. E começou a transmitir a mensagem que a luz Divina lhe inspirara, chamando-a de Boa Nova".

Lauro Trevisan estimula os seus leitores a aprofundarem os seus conhecimentos sobre a mensagem de Jesus mergulhando nas doutrinas do ocultismo:

"À medida em que a humanidade mais evolui no campo da mente, do espírito, das chamadas ciências ocultas e do conhecimento das leis universais, melhor entenderá a mensagem de Jesus".


Afinal, é Jesus Cristo o verdadeiro e único Cristo?

"Vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho feito. Poderia ser este o Cristo?" – a mulher samaritana questionando acerca de Jesus (João 4, 29).

Cristo é a palavra grega que significa Messias. Messias, por sua vez, vem do hebraico Mashiah que quer dizer "ungido". Para os cristãos só houve um único Messias: Jesus Cristo. A polémica levantada pelos esotéricos é que Jesus não é o Messias, mas que assumiu a função de Messias temporariamente durante alguns anos da Sua vida terrena. Como já frisamos, para os místicos, o Messias integral é o vindouro "Cristo cósmico" (Maitreya*).

O facto é que, falem o que quiserem, "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente" (Hebreus 13,8). Mas, quem é esse imutável Jesus?

Sobre a questão da cristandade de Jesus, salienta-se apenas cinco aspectos:

 
Jesus, o embrião Cristo:

Ao contrário do que o Movimento da Nova Consciência ensina, Jesus e o Cristo não são duas personalidades separadas e distintas. Jesus Cristo é uma única pessoa desde o começo e é inseparável. Jesus não incorporou o espírito do "Cristo cósmico" (Maitreya*), mas sempre foi o Cristo.

Houve tantos fenómenos e acontecimentos extraordinários cercando a gravidez de Maria, o nascimento e a infância de Jesus, que fica difícil desmentir que aquele menino era de facto o Cristo. Observemos alguns destes episódios:

O povo de Israel conhecia uma profecia de Isaías (de mais ou menos 750 a.C.) que vaticinava que o Messias nasceria de uma virgem e seria chamado Emanuel: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: A virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel". (Isaías 7,14). Jesus cumpriu literalmente esta profecia quando nasceu, veja o texto: "Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta (Isaías): A virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus connosco" (Mateus 1,22 e 23).

No dia do nascimento de Jesus, um anjo desceu dos céus até os pastores na circunvizinhança de Belém e garantiu-lhes que o Cristo tinha nascido: "Na cidade de Davi vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor". (Lucas 2:11).

Talvez um dos eventos mais marcantes de reconhecimento da cristandade na infância de Jesus foi quando os Seus pais O levaram ao templo em Jerusalém para O consagrarem. Havia duas personagens no templo, Simeão e a profetisa Ana, que, ao verem Jesus, reconheceram de imediato que aquele menino era o Messias: "Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; este homem, justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para com ele procederem segundo o que a lei ordenava, ele então o tomou nos braços, e louvou a Deus, dizendo: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois os meus olhos já viram a tua salvação [...]. O pai e mãe do menino admiraram-se das coisas que dele se diziam. [...] Estava ali a profetisa Ana [...] Era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. Chegando na mesma hora, dava graças a Deus, e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém”. (Lucas 2,25 a 38).

Compreende-se, nestas passagens dos evangelhos bíblicos, que o ser que foi engendrado no útero da Virgem Maria era o embrião Cristo. Jesus é Deus encarnado desde a "barriguinha" de Maria e José que o diga. José, ao saber que sua virgem noiva, Maria, encontrava-se grávida, tentou fugir secretamente, mas um anjo o alertou: "... em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: 'José, filho de David, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo'". (Mateus 1:20).


Jesus não compartilhou o Seu título de Cristo com ninguém:

Jesus se identificou como o Cristo” (Mateus 16,13 a 20; João 11,24 a 27). Jesus nunca incentivou as pessoas a tornarem-se o Cristo, pois jamais disse: "desenvolve a tua consciência crística – tu também podes aspirar um dia tornar-se um Cristo como Eu".


Jesus alertou acerca de falsos Cristos:

É importante para nós, cristãos, observar o surgimento de falsos Cristos, pois assim temos a certeza de que estamos perto do fim do mundo. "Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. [...] Tais coisas devem acontecer, mas ainda não é o fim". (Mateus 24,4 a 6).


O Oriente honrou Jesus:

Não há qualquer menção na Bíblia de que Jesus tenha visitado o Oriente, no entanto, os orientais vieram visitar Jesus. A Bíblia relata que homens sábios, estudiosos das profecias, perceberam que uma brilhante estrela no céu anunciava o nascimento do Salvador. Viajaram do Oriente até a pequena vila de Belém para presentearem e honrarem o bebé Jesus: “...e a estrela que (os sábios orientais) tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Vendo eles a estrela, alegraram-se imensamente. Entrando na casa, viram o menino com Maria, Sua mãe e, prostrando-se, O adoraram. Então, abrindo os seus tesouros, Lhe apresentaram suas dádivas: ouro, incenso e mirra”. (Mateus 2,9 a 11).

Não podemos imaginar quanto tempo aqueles magos orientais esperaram por aquele sublime momento de estarem ajoelhados aos pés de Jesus. Eles reconheceram o senhorio de Cristo e a Ele expressaram o seu louvor.

Ah... como seria bom se os adeptos da Nova Consciência entendessem a profundidade desta mensagem. Os magos orientais vieram contemplar e honrar Jesus; não houve qualquer tentativa do Jesus adulto de retribuir esta honra aos sábios orientais. Os nova erenses, sob pretextos infundados e sob alegações baratas querem forçar Jesus a curvar-se diante das doutrinas das religiões orientais.

Fabricaram um "Jesus" que abraçou o budismo e o hinduísmo, mas que na verdade não passa de uma manipulação forçada da personalidade de Jesus Cristo.


Negar que Jesus Cristo é o Cristo: aliar-se ao Anticristo:

Negar que Jesus é o Cristo é fazer parceria com o Anticristo. Infelizmente, consciente ou inconscientemente, os sectários da Nova Consciência já assimilaram o espírito do Anticristo e preparam o palco para a aparição dele – o seu "Cristo cósmico". "Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho, tem também o Pai". (I João 2:22 e 23).

"Nisto conheceis o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus, mas todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus. Este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e agora já está no mundo". (I João 4:2 e 3).

Apenas para a reflexão dos cristãos: Satanás está a deixar muito claro para todo mundo que o Cristo é o "Maitreya", conhecido como o futuro "Cristo cósmico". Fica, portanto, muito óbvio para o cristão que o "Maitreya" é o Anticristo. No entanto, o diabo é safado e mentiroso por natureza – Será que ele não está a fazer bluff? Será que o maligno não nos está a esconder o verdadeiro Anticristo? Será que o diabo vai colocar o "Maitreya" no planeta só para desviar a atenção dos cristãos do verdadeiro Anticristo? Será que o "Maitreya" é mesmo o Anticristo ou apenas o testa-de-ferro do verdadeiro Anticristo?

O Movimento da Nova Consciência criou um Jesus diferente do original. Não é mais o Jesus Cristo que viveu e fixou a Sua própria história num tempo determinado. No entanto, estamos a presenciar um surgimento de um "novo" Jesus forçado a oscilar e a submeter-se a uma "nova" história de Sua vida sancionada pelos esotéricos. Querem tentar fazer com que o Jesus Cristo dos Evangelhos abandone a Sua cristandade e se amolde ao "Santo Isa" dos evangelhos "aquarianos".

Esperamos no Senhor que reconheçam que, além de Jesus, nunca houve e nem haverá outro Cristo. O que surgir por aí é simples falsificação. E mais, sem Jesus Cristo não nos resta esperança: "Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos" (Actos 4,12).

E os anos obscuros da mocidade de Jesus Cristo? O argumento de que Jesus foi um aprendiz no Oriente e um iniciado no esoterismo entre os essénios torna-se nulo e desnecessário quando cremos que Jesus é o Messias (o Cristo) desde o ventre de Maria. Jesus Cristo não precisou de ser ensinado a ser um líder religioso e muito menos a ser um Cristo. Jesus sempre foi o Cristo e estava nos planos de Deus que viesse ao planeta Terra resgatar o pecador. O próprio Jesus sabia disto: "Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Marcos 10,45). Jesus veio ao nosso planeta já ciente do que tinha de fazer e cumpriu impecavelmente a Sua missão. Ter discernimento espiritual para identificar o verdadeiro e único Cristo é fundamental para assimilarmos uma outra verdade sobre o Cristo: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há-de vir, assim como para o céu o vistes ir" (Actos 1,11b).

 
Glossário

• Cerimónias tântricas: São relações sexuais realizadas como parte das doutrinas de uma pequena variante do budismo, chamado budismo tântrico. Os seus seguidores basearam-se na crença do poder sexual de uma divindade do hinduísmo chamada Shakti. Os adeptos do tantrismo praticam o intercurso sexual como uma forma de alcançarem uma união com o divino. Acreditam que o coito é a combinação de forças opostas do Universo (o positivo masculino e o negativo feminino), resultando nas habilidades dos praticantes de realizarem actos sobrenaturais.

• Maitreya: Segundo a divisão Mahayana (Grande Veículo) do budismo, "Maitreya" é um título outorgado a um ser que adquiriu méritos e prerrogativas para se transformar num Buda. O budismo afirma que o seu quinto Buda era chamado de "Maitreya" e que no futuro ele retornará ao planeta Terra. Pelo menos dois grandes monumentos ao Buda Maitreya podem ser encontrados no Oriente: um é uma estátua esculpida em baixo-relevo numa rocha vertical de doze metros de altura, no norte da Índia (fronteira entre Caxemira e Ladakh). O outro é uma estátua com vinte e seis metros de altura e revestida com trezentos quilos de ouro, contida no templo budista de Tashilunpo, em Lhasa, capital do Tibete. O templo é também a residência oficial do Pachen-lama, a segunda autoridade do budismo tibetano. Os esotéricos afirmam que Jesus não foi o Cristo e sim apenas um ser humano que conseguiu uma consciência crística. Declaram que o Cristo será o "Maitreya". "Maitreya" também é conhecido como o "Cristo cósmico". Para os cristãos, "Maitreya" será apenas um dos títulos do vindouro Anticristo.

Outubro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


Links
Pesquisar blogue
 
blogs SAPO