«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
07
Jul 15
publicado por FireHead, às 06:43link do post | Comentar

Frequentemente nos meios de comunicação social surgem teorias a defender que Jesus Cristo é apenas uma lenda, serão credíveis?

 

Num anedotário que ainda está por inventar, encontraremos um pedaço de literatura apócrifa que narra de forma pouco ortodoxa o episódio em que Jesus pergunta aos discípulos «Quem dizem os homens que eu sou?». Um dos discípulos responde «És João Baptista»; um outro diz «És Elias»; Pedro confessa a fé da Igreja proclamando «És o Cristo, o Filho do Deus vivo»; e um quarto elemento, um teólogo liberal, estranho à literatura canónica, toma palavra e declara: «És uma lenda». Este poderia muito bem ser um trecho de um evangelho dos modernos.

 

Uma lenda é uma narrativa de proporções épicas, com dotes de encantar ou de atemorizar, mas declaradamente falsa. É um produto da imaginação humana, que encontra prazer em transpor os limiares da realidade para se aventurar no mundo dos possíveis. Na raiz da lenda pode estar um facto, um acontecimento real, narrado por sucessivas gerações que o embelezaram e engrandeceram até assumir dimensões mitológicas. Estas lendas são a seiva de muitas religiões – há mesmo quem afirme que são a fonte de toda a religião. A religião do Ocidente, o Cristianismo, é para esses uma mitologia não diferente das mitologias orientais, e a sua lenda é a lenda de Jesus, o Homem-Deus.

 

Este ponto de vista, popularizado por documentários como Zeitgeist e apresentada de vez em quando por certos apologetas do ateísmo como a explicação mais razoável da origem do fenómeno cristão[1], começou a ser elaborado com alguma seriedade no último quartel do século dezanove nas fileiras dos historiadores e teólogos protestantes, por aquela que é designada como escola da História das Religiões[2]. A tese principal desta escola consiste em negar que o Cristianismo tenha alguma coisa de único ou original, porque é antes uma amálgama de elementos originários de mitologias da Babilónia, do Egipto e da Pérsia.

 

Um académico representativo desta linha de pensamento é o alemão Otto Pfleiderer. O argumento de Pfleiderer é de que existem muitas similitudes entre o relato evangélico e os mitos de várias religiões antigas. Ele encontra, por exemplo, similaridades entre os milagres de Jesus e lendas taumatúrgicas contidas em outras fontes antigas[3] ou entre a história da ressurreição de Jesus e os mitos de deuses ressuscitados[4]. O verdadeiro Jesus, pois, se se dignou a existir, está envolto por um véu de sombras que a ciência histórica não consegue levantar.

 

O teólogo Rudolf Bultmann tem a mesma opinião. O Novo Testamento é essencialmente mitológico, devedor dos mitos da escatalogia judaica e dos mitos de redenção gnósticos[5]. Os relatos de milagres de Jesus, diz Bultmann, têm significativos paralelos em textos da mitologia antiga[6]. A história da ressurreição é para ele definitivamente lendária, inspirada em uma certa interpretação de alguns versículos proféticos das escrituras judaicas[7] e – a julgar pelo que dela Paulo escreve – em doutrinas gnósticas[8]. A opinião de Bultmann em relação aos evangelhos e particularmente a respeito dos eventos sobrenaturais aí inscritos é a de que na idade da luz eléctrica e da telegrafia sem fios já não podemos conferir crédito algum a essas fantasias do mundo antigo[9].

 

Se entrarmos no exame das narrativas da ressurreição de Cristo, parece que as semelhanças com as mitologias pagãs se multiplicam. Citemos de modo breve algumas dessas narrativas das religiões antigas.

 

A antiga deidade suméria Dumuzi, conhecida na Mesopotâmia como Tamuz, segundo as antigas religiões destes lugares, depois de ter descido ao submundo, revive seis meses em cada ano[10].

 

Na mitologia egípcia, o rei Osíris é trazido de novo à vida por Ísis, sua irmã e sua mulher, depois de ter sido assassinado pelo irmão Set[11]. O mito conta ainda que Osíris morre e ressuscita em cada ano[12].

 

Na mitologia helénica, são muitas as divindades que têm uma história semelhante à de Jesus de Nazaré. Vejamos algumas. O mito diz do deus Dionísio que teve uma morte violenta e ressuscitou[13]. O escritor da Antiguidade, Macrobius, dá uma versão da história em que Dionísio terá ressuscitado e ascendido aos céus[14].

 

A morte de Adónis era celebrada em Biblos, no Egipto, e, no dia seguinte, a sua ressurreição e ascensão aos céus[15]. A celebração da morte e ressurreição de Adónis era realizada na Síria já no século V antes de Cristo[16].

 

Na Frígia, o deus Átis era celebrado, ano a ano, no Equinócio da Primavera, durante quatro dias[17]. No primeiro dia, era lamentada a sua morte[18]. No quarto dia, na «Festa da Alegria», era celebrada a sua ressurreição[19].

 

Estes são apenas alguns dos exemplos de mitos de deuses mortos e ressuscitados nas culturas circundantes da Palestina daqueles tempos. Da semelhança da narrativa evangélica da vida de Jesus, e, em particular, do relato da sua morte e ressurreição, com os mitos das religiões antigas, os autores mencionados, e outros que aderem à mesma hipótese, concluem uma relação de causa e efeito entre estas e aquela, ou, pelo menos, a atribuição à história tradicional de Jesus do mesmo carácter mitológico.

 

Exposta com a síntese necessária e oportuna a hipótese do Jesus lendário, acompanhada pelo breve sumário dos argumentos que a suportam, passamos ao exame da mesma.

 

É conveniente referir que a teoria do Jesus lendário só será verdadeira na presença de alguns requisitos. Estes seriam: i) que a narrativa da vida de Jesus não correspondesse aos relatos das eventuais testemunhas presentes no tempo e no local em que Cristo terá vivido; ii) que haja um real paralelo e uma real influência das mitologias antigas na história de Jesus. Ora, há algumas razões pelas quais a hipótese do Jesus lendário não é credível.

 

A primeira razão é que a narrativa da vida de Jesus corresponde à crença dos primeiros cristãos. O testemunho escrito mais precoce dos principais factos da vida de Jesus é dado pelo Apóstolo Paulo na primeira carta que escreveu à igreja de Corinto (15, 3-8). É consensual entre os historiadores que Paulo está a citar uma tradição muito mais antiga[20]. Há duas razões para acreditar que esta tradição tem uma origem temporal muito próxima à das aparições de Jesus ressuscitado[21]. A primeira razão é que Paulo quando escreve, referindo-se à tradição que cita, «eu recebi»[22], está a recorrer a jargão próprio do costume judaico para a transmissão de tradições antigas[23]. A segunda é que a formulação empregada não aparenta ser paulina, o que indica a transcrição de uma tradição previamente formulada por outro[24].

 

É provável que Paulo tenha recebido esta tradição quando visitou Pedro e Tiago em Jerusalém depois da sua conversão (1Gal 1, 18-19), o que é confirmado pela menção às aparições particulares do ressuscitado a Pedro e Tiago (1Cor 15, 5,7)[25]. Isto significa, portanto, que Paulo terá ouvido o testemunho da vida, morte e ressurreição de Jesus dentro dos primeiros anos após os eventos, quando fez aquela visita. Alguns apontam um limite de tempo de cinco anos[26], outros de seis a oito anos[27]. Contudo, estas são datas de limite e a formulação do testemunho pode ter cristalizado ainda antes.

 

A conclusão a tirar de tudo isto é que a pregação dos principais factos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus foi feita desde o princípio pelos discípulos cristãos. Além disso, confirmando esta conclusão, Paulo dá a entender claramente que esta pregação se baseia no testemunho ocular de grupos de primeiros discípulos de Jesus e não em qualquer lenda formada posteriormente.

 

A segunda razão é a existência de pessoas que foram reputadas como testemunhas oculares dos eventos descritos nos Evangelhos. Paulo, no mesmo trecho da carta aos coríntios, afirma que a pregação da vida, morte e ressurreição de Jesus que ele apresenta era também testemunhado pelos demais apóstolos (1Cor 15, 11). Isto é, aqueles que terão convivido com Cristo antes e depois da sua morte e ressurreição atestavam o mesmo relato. Paulo lembra ainda que a maior parte de um grupo de quinhentas pessoas que viram Jesus vivo depois da sua crucificação e morte ainda está viva (1Cor 15, 6).

 

Por outro lado, ainda que não se admita que os autores dos quatro evangelhos canónicos tenham testemunhado por si mesmos os eventos que narram, a maior parte dos académicos concorda que o conteúdo da sua pregação mergulha as suas raízes no relato daqueles primeiros cristãos reputados como testemunhas oculares[28]. Bultmann admite que os primeiros discípulos de Jesus acreditavam verdadeiramente nos factos respeitantes à sua vida, morte e ressurreição[29].

 

A terceira razão é que, ao contrário dos protagonistas dos mitos antigos que já referimos, a vida de Jesus é descrita num tempo e lugar determinados e aqueles que com Ele terão convivido são pessoas históricas[30]. Também em sentido contrário ao daqueles mitos, a história da vida, morte e ressurreição de Jesus foi divulgada desde o início com a pretensão de exprimir a verdade histórica. Em particular, a crença na ressurreição de Cristo surgiu num mundo que não estava predisposto a acreditar numa ressurreição real do corpo[31]. Quando Paulo subiu a colina do Aerópago para anunciar a boa-nova da Ressurreição, os gregos que a ouviram zombaram da ideia de que um morto pudesse voltar à vida, porque, para os gregos, os mortos eram skiai (sombras), psychai (espíritos), eidola (fantasmas) que habitavam o Hades, mas que jamais poderiam esperar um retorno à vida do corpo.[32]

 

A quarta razão é que não existe um verdadeiro paralelo entre a narrativa evangélica da Ressurreição e as lendas das religiões antigas. Em primeiro lugar, na Palestina do primeiro século não há vestígios significativos da influência dos cultos antigos a deuses ressuscitados[33]. Em segundo lugar, há que notar que os vários mitos dos deuses mortos e revividos são, na verdade, metáforas para o ciclo anual de vida e morte da vegetação[34]. Estes deuses morriam e reviviam em cada ano no mesmo ritmo dos ciclos naturais, conforme atestam as celebrações em sua honra[35]. Incluem-se neste padrão de morte e renascimento os já citados Dumuzi, Tamuz, Osíris, Dionísio, Adónis e Átis. Ora, este padrão está totalmente ausente da história de Jesus. Em terceiro lugar, há dúvidas que alguma espécie de reanimação tenha existido no mito original destes deuses. Os manuscritos conhecidos sobre o mito de Dumuzi não contêm qualquer relato de uma ressurreição; nos manuscritos sobre Tamuz não há qualquer menção específica à ressurreição; de Adónis só é dito que ressuscitou em manuscritos do segundo século depois de Cristo e a ressurreição de Átis só é descrita depois da segunda metade do segundo século depois de Cristo[36]. Osíris é expressamente tido como revivido, mas não para a vida terrena e sim para o submundo[37]. A ressurreição corpórea não tem sentido no sistema de crenças egípcio[38].

 

Ora, de tudo o que dissemos, podemos concluir que o evangelho dos modernos é falso. E, se a verdade avança a passos, este é já um passo importante. A teoria do Jesus lendário pertence ela mesma aos mitos e à pior classe dos mitos, que são aqueles que se quer fazer passar por ciência. O estudo diuturno da história revelará que, afinal, não passa de pseudociência.

 

 

Hugo Monteiro Dantas

 

 

[1] Dou o exemplo recente, revelado no sítio Patheos, do contra-apologeta Bob Seidensticker, que pode ser lido em http://www.patheos.com/…/2012/11/jesus-a-legend-a-dozen-re…/.
[2] Religionsgeschichtliche Schule. A Universidade de Gottingën, na Alemanha, foi a sede desta corrente historiográfica. Para mais desenvolvimentos sobre esta linha de pensamento, cf. HABERMAS, pág. 146.
[3] Cf. PFLEIDERER, Otto, The Early Christian Conception of Christ, Londres, Williams and Norgate, 1905, págs. 63-83, em que o autor enumera as semelhanças existentes entre os milagres de Cristo e as narrativas originadas em outras religiões antigas.
[4] Cf., e.g., PFLEIDERER, Primitive Christianity, vol.I, Londres, Williams and Norgate, 1906, págs. 4-5, muito explicitamente.
[5] BULTMANN, Rudolf, Kerigma and Myth – A Theological Debate, Nova Iorque, Harper and Row Publishers, pág. 15.
[6] BULTMANN, apud HABERMAS, idem, pág. 150.
[7] BULTMANN, apud HABERMAS, pág. 151.
[8] Idem.
[9] BULTMANN, Kerygma and Myth, págs. 4-5.
[10] Cf. o verbete Tammuz da Enciclopédia Britânica que pode ser lido emhttp://www.britannica.com/EBchecked/topic/582039/Tammuz. PFLEIDERER, pág. 99.
[11] Cf., para síntese do mito de Ísis e Osíris, Osiris na Enciclopédia Britânica, verbete que pode ser lido emhttp://www.britannica.com/EBchecked/topic/433922/Osiris. Cf. ainda FRAZER, ...;. Cf. PFLEIDERER pág. 93-94, sobre as semelhanças da ressurreição de Osíris com a ressurreição de Cristo.
[12] FRAZER, idem, pág.
[13] Idem, pág. 322.
[14] Idem.
[15] PFLEIDERER, idem, pág. 94; FRAZER, idem, págs. 278 a 281.
[16] FRAZER, idem.
[17] PFLEIDERER, pág. 94 e segs.
[18] Idem.
[19] Idem.
[20] HABERMAS, op.cit., pág. 154.
[21] Idem.
[22] 1Cor 15:3.
[23] HABERMAS, op.cit., pág. 155; cf. nota de rodapé 148 na mesma página.
[24] FULLER, Reginald, citado em HABERMAS, ibid.
[25] HABERMAS, ibid., 156.
[26] FULLER, citado por HABERMAS, ibid.
[27] PANNENBERG, citado por HABERMAS, ibid.
[28] HABERMAS, op. cit., pág. 159.
[29] BULTMANN, op.cit., pág. 42.
[30] HABERMAS, op.cit., pág. 161.
[31] WRIGHT, N.T., The Ressurrection of the Son of God, 2003, Minneapolis, Fortress Press, pág. 35.
[32] WRIGHT, op.cit., págs. 43-44.
[33] PANNENBERG, Wholfhart, citado em HABERMAS, pág. 163.
[34] WRIGHT, op.cit., pág. 80; FRAZER também admite isto, nos vários capítulos que dedica ao estudo das deidades antigas, op.cit., pág. 278 e segs.
[35] FRAZER, idem.
[36] Cf. HABERMAS, op. cit., págs. 164-165.
[37] Idem. WRIGHT, op.cit., pág. 80-81.
[38] WRIGHT, op. cit., pág. 47.


27
Mai 15
publicado por FireHead, às 11:07link do post | Comentar


Sempre que converso com neo-ateus me deparo com a seguinte aporia (deles): Deus é violento e gosta de sangue e, portanto, não pode ser um Deus bom. Assim sendo, é impossível crer neste Deus. Seu Deus não passa de um assassino, sanguinário, genocida, que mandou matar crianças, mulheres grávidas, mandou matar famílias inteiras, pessoas inocentes, animais! Como para corroborar, eis alguns textos mais ou menos usados por eles:

 

DEUTORONÓMIO 21, 18-21: Quando o filho se torna contumaz e rebelde, os pais devem levá-lo à porta da cidade para ser apedrejado pelos homens da cidade.

ÊXODO 21:20-21: Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente.
LEVÍTICO 26:29, DEUTERONÓMIO 28:53, JEREMIAS 19:9, EZEQUIEL 5:8-10: Como punição, o Senhor fará com que as pessoas comam a carne de seus próprios filhos, filhas, pais e amigos (aqui nem pensam nisso com sentido figurado)
NÚMEROS 15:32-36: Um homem que no Sábado estava pegando gravetos de lenha para uma simples fogueira é apedrejado até a morte segundo a ordem de Deus.
NÚMEROS 16:49: Uma praga divina mata 14.700 pessoas.
NÚMEROS 25:9: Mais outra praga divina mata 24.000 pessoas.
NÚMEROS 21:35: Com o apoio divino os Israelitas matam Ogue, seus filhos e todo o seu povo até não haver sequer um sobrevivente.
NÚMEROS 25:4: Disse Deus a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor diante do Sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel.
DEUTERONÓMIO 20:16: “Das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida”.
JOSUÉ 6:21-27: Com aprovação divina, Josué passa ao fio da espada todos os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó.
JOSUÉ 8:22-25: Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Ai, matando 12.000 homens e mulheres, sem que nenhum escapasse.
JOSUÉ 10:10-27: Com aprovação divina, Josué destrói todo os Gibeonitas.
JOSUÉ 10:28: Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Maqueda.
JOSUÉ 10:40: Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis. Nada deixou de resto; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o Senhor Deus de Israel.
JOSUÉ 11:6: O senhor ordena o mutilamento (corte dos tendões das pernas) dos cavalos.
Sl 137:9: Feliz o homem que arrebentar os seus filhinhos de encontro às rochas.
ISAÍAS 14:21-22: Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seus pais.
EZEQUIEL 9:4-6: Ordem do Senhor: “sem compaixão... matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los...”
EZEQUIEL 21:3-4: O Senhor diz que exterminará tanto o justo quanto o ímpio, ferindo-lhes a carne com sua espada.
 
 
A questão aqui não é refutar cada uma das citações como numa frenética necessidade de escusar Deus dessas acusações infamantes. A questão é ir entendendo, ponto por ponto, como e porquê tais textos foram escritos e por fim, a plenitude da revelação em Cristo. Aqui começo minha argumentação. Em primeiro lugar, o que os ateus não sabem ou preferem omitir é que sua abordagem de Deus é extremamente unilateral. Partem de textos estanques para tentar montar um quebra-cabeças que custou cerca de 14 séculos para ser montado. Logo de início depara-se com a dificuldade de se reconstruir historicamente os factos de cada texto destes supra-citados. Em segundo lugar, o ateu ou neo-ateu, toma por base que a Bíblia foi escrita tendo sido ditada por Deus no ouvido do escritor sagrado como uma espécie de crónica. Não levam em consideração nenhum aspecto antropológico na construção do texto bíblico, tão pouco ambiental ou cultural. Aqui já se percebe a pobreza da argumentação ateia sem tocar - o que logo faremos - no processo revelatório de Deus desde o Antigo até o Novo Testamento culminando em Jesus Cristo. Porém, para enfrentar mais amiúdo este tema, vamos usar o bom e velho método cartesiano: separar as partes diminutas, compreendê-las e depois juntá-las para compreender o todo.
 
1. O contexto do texto
 
O que é inspiração bíblica?
Todos os livros da Bíblia são inspirados por Deus. Os escritores da Bíblia foram muitos, às vezes com intervalo de centenas de anos de um livro para o outro. Porém, em todos eles, era Deus quem os inspirava a escrever. Quem escrevia (com a caneta) era o autor humano, mas quem colocava as ideias na cabeça do autor era Deus. A inspiração define-se assim: um influxo sobrenatural sobre o autor humano para escrever o que Deus quer. “Toda escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3,16; 1,21).
 
O que não é inspiração bíblica?
Inspiração é diferente de ditado mecânico. É iluminação que um escritor pode ter, de Deus, para escrever. Não descarta o linguajar humano e a cultura humana. A inspiração é diferentemente das ciências históricas que pretendem ser uma crónica dos acontecimentos. Ela é, outrossim, o influxo da graça no autor humano para escrever aquilo que é vontade de Deus, no tempo, mas com um alcance atemporal.
 
Onde entra Deus e onde entra o autor humano?
Deus inspira ao autor humano escrever. Porém, como se disse acima, Deus nada dispensa do autor humano na escrita: sua cultura pessoal, seu conhecimento pessoal da língua, da geografia e da política de seu tempo, seus laços pessoais e familiares, suas experiências profissionais (carpinteiro, agricultor, pastor de ovelhas, etc). Tudo isto está presente no texto bíblico como pano de fundo a ressaltar a importância da mensagem nele contida.
 
2. Como interpretar correctamente um texto biblico?
 
Parte-se do contexto do autor, depois, da intenção do autor, depois da intenção de Deus ao inspirar aquele texto, depois do próprio texto que nunca deve ser lido estanque, mas sempre dialogado com outros textos similares. Assim, pode-se chegar a ter alguma visão mais ampla do texto o que ajuda a fugir da leitura literal e da interpretação unilateral do texto sagrado. A Bíblia é toda sagrada e inspirada por Deus, porém, isto não dispensa o trabalho humano de compreendê-la em seu contexto vital (sitz in leben), ao contrário, exige-o para não falar asneiras como estas dos ateus/neo-ateus.
 
3.Deus mandou ou não matar pessoas?
 
A resposta é obviamente não. Ainda que um texto ou outro se pareça a uma crónica, ele não é uma crónica histórica no sentido moderno do termo. Pode se tratar de uma novela, uma saga, uma etiologia, um oráculo de salvação, uma lenda, um mito, um relato de vocação, uma acção simbólica, um vaticínio apocalíptico, etc. As formas e géneros literários do Antigo Testamento são a forma dentro da qual o texto foi composto e como tal possuem características suas, próprias, o que as diferenciam umas das outras, óbvio! "Ah, então a Palavra de Deus não é histórica" ou "Ah, tudo o que está escrito no Antigo Testamento (e por correspondência no Novo) é mentira?". Calma! Tudo o que está escrito na Bíblia é a mais pura verdade. Porém, uma verdade que não é necessariamente uma verdade histórica, factível, porque o autor sagrado não é preocupado em escrever uma crónica (estou aqui me referindo exclusivamente ao Antigo Testamento). A Bíblia é, sobretudo em seu Antigo Testamento, uma memória da fé de Israel que enxerga em seus portentos nacionais os mesmos portentos de Deus em favor de seu povo (relativo à segunda e terceira etapa da revelação: teologia da prosperidade e da retribuição). Todavia, esta leitura de fé dos eventos nacionais não exclui que estes tenham acontecido de facto, como a própria arqueologia bíblica hoje aponta. A pouca compreensão de todo este contexto não permite compreender os textos supra-citados como fruto do tempo, da cultura e da experiência do povo de Deus, pois, Deus é o mesmo e não pode mudar. Ele não pode mandar matar num dia e parar depois. Portanto, a falha está no homem (escritor sagrado, povo de Israel, leitor e intérprete da bíblia hoje) e não em Deus.
 
4. O processo revelatório
 
"Deus dá-se a conhecer, revela-se, entra na história, agindo por meio de mediadores, como Moisés, os Juízes, os Profetas, que comunicam ao seu povo a Sua vontade. Esta revelação alcança a sua plenitude em Jesus Cristo. N’Ele, Deus vem visitar a humanidade, de um modo que excede tudo o que se podia esperar: fazendo-Se homem" (Papa Bento XVI).
 
"Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso no Espírito Santo ao Pai e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2,18; 2Pd 1,4). Em virtude desta Revelação, Deus invisível (cf. Cl 1 ,15; 1Tm 1,17), no seu imenso amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33,11; Jo 15,14-15) e conversa com eles (cf. Br 3,38), para os convidar e admitir a participarem da sua comunhão" (Dei Verbum, n.2)
 
"Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas" (Hb 1,1-2).
 
Estes três textos que coloquei o fiz de modo intencional para compreender que de facto houve uma revelação de Deus na história do homem que aconteceu de modo processual, gradual, levando em consideração a condição do homem em acolher e compreender esta mesma revelação. Deus não chegaria, por exemplo, a se revelar em mandarim ao povo brasileiro, ninguém o entenderia. Também não chegaria falando de elevadores, escadas rolantes e aviões a um jeca como Pedro ou um colérico como Jeremias. Cada homem de cada tempo compreende Deus e sua revelação à sua maneira, com suas categorias de conhecimento, de cultura e ambiente. Isto posto, porque básico, vamos às etapas sucessivas da revelação. Inicialmente eu poderia seguir o esquema do Catecismo da Igreja Católica para explicar a revelação. Ele (o Catecismo) usa a sequência: criação e alianças com Noé, os patriarcas e os profetas. Assim, o Catecismo quer ensinar que Deus começa a se revelar à humanidade na criação mesma e depois nas sucessivas alianças que fez com Noé, com Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Josué e os profetas, Davi, Josias, Esdras e Judas Macabeu. Mas creio que esta explicação é por demais causal e teológica para o neófito a quem, espero, este texto possa iluminar. Por isso vou seguir outra via de explicação das etapas da revelação começando por aquela primeira experiência de Deus que teve o povo santo ao pé do monte Sinai. Uma primeira experiência de Deus terrificante e ao mesmo tempo fascinante. A percepção da omnipotência divina, da absoluta alteridade e transcendência de Deus sobre seu povo. Assim se expressa o livro do Êxodo: "Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus, e pararam ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio de chamas; o fumo que subia do monte era como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia com violência. O som da trombeta soava ainda mais forte; Moisés falava e os trovões divinos respondiam-lhe. O Senhor desceu sobre o cume do monte Sinai; e chamou Moisés ao cume do monte. Moisés subiu, e o Senhor lhe disse: “Desce e proíbe expressamente o povo de precipitar-se para ver o Senhor, para que não morra um grande número deles" (cf. Ex 19,17-21). Esta primeira etapa se dá no primeiro contacto do povo com seu Deus. É de facto no deserto que o Senhor forma seu povo: “Foi num deserto que o Senhor achou seu povo, num lugar de solidão desoladora; cercou-o de cuidados e carinhos, e o guardou como a pupila de seus olhos” (Dt 32,10). Catecismo n. 62: "Depois dos patriarcas, Deus formou Israel como seu povo, salvando-o da escravidão do Egipto. Fez com ele a Aliança do Sinai e deu-lhe, por intermédio de Moisés, a sua Lei, para que o reconhecesse e o servisse como o único Deus vivo e verdadeiro, Pai providente e juiz justo, e para que esperasse o Salvador prometido". Esta experiência do deserto é fundante para Israel e a ciência exegética a identifica como a experiência-raiz da fundação e estabelecimento da identidade e eleição do povo como povo de Deus. Esta primeira etapa da compreensão da revelação comporta os limites que lhe são próprios: Deus ainda é visto como um Deus distante, terrível e ao mesmo tempo fascinante, um Deus de força e poder capazes de fazer tremer todo o mundo (Salmo 28/9):
 
3 Eis a voz do Senhor sobre as águas, *
sua voz sobre as águas imensas!
= 4 Eis a voz do Senhor com poder! †
Eis a voz do Senhor majestosa, *
sua voz no trovão reboando!
 
– 5 Eis que a voz do Senhor quebra os cedros, *
o Senhor quebra os cedros do Líbano.
– 6 Faz o Líbano saltar qual novilho *
e o Sarion como um touro selvagem!
 
= 7 Eis que a voz do Senhor lança raios, †
8 voz de Deus faz tremer o deserto, *
faz tremer o deserto de Cades.
= 9 Voz de Deus que contorce os carvalhos, †
voz de Deus que devasta as florestas! *
 
A segunda etapa identificada pela exegese já dá um passo a mais na compreensão da revelação de Deus. É a teologia da prosperidade. Nesta etapa Deus é aquele que caminha com seu povo, é um Deus guerreiro que dá os despojos das guerras e entrega reinos e terras a Israel. A base desta teologia/compreensão de Deus é que Deus premia os bons com riquezas. Tais "bons" são os cumpridores estrictos da Lei, abençoados por Deus. A bênção do Senhor passou a ser objecto de distinção social via teologia da prosperidade que funcionava assim: os abençoados por Deus eram os bons cumpridores da Lei e dos costumes de Israel; os desafortunados e desfavorecidos eram os amaldiçoados por causa de sua má conduta (Dt 30,15ss) ou - no extremo - por causa de um pecado de seus pais (cf. Jo 9,2). Assim, o documento javista do Pentateuco, que é responsável por boa parte do livro do Génesis, situa a figura de Abraão dentro do contexto da bênção: "Abençoarei os que te abençoarem e amadiçoarei os que te amaldiçoarem" (cf. Gn 12,1-3). A bênção de Deus era, portanto, algo precioso sem o qual o homem ficaria desprotegido contra os intempéries da vida. Dada a precariedade da vida na antiguidade - escassez de comida, doenças, invasões de exércitos inimigos, etc - podemos supor que a busca da bênção de Deus que fazia o homem prosperar se tornava imprescindível.
 
No entanto, esta teologia começou a entrar em crise com a constatação de que o ímpio prospera enquanto o justo passa fome. "Porque o caminho do ímpio prospera" (Jr 12,1) se Deus abençoa e faz prosperar apenas os bons? Por que Deus não impede que as mazelas que acometem aos que não O amam caiam também sobre os que procuram viver do lado dEle? Esta foi a grande dúvida que inspirou Asafe a escrever o Salmo 73 (Sl 73,3-5): "porque me indignava contra os ímpios, vendo o bem-estar dos maus: não existe sofrimento para eles, seus corpos são robustos e sadios. Dos sofrimentos dos mortais não participam, não são atormentados como os outros homens". Aqui é também compreendido o sucesso e o insucesso militar. Deus, nesta etapa, caminha com o povo para o campo de batalha através da arca da aliança que acompanha o exército. É aqui que se compreende os textos que causam espanto e furor logo no topo deste texto: são resquícios da segunta etapa da revelação, quando esta ainda não estava concluída, mas, parcialmente concretizada. Nesta etapa também se torna presente a exclusão dos não prósperos entendidos como amaldiçoados por Deus.
 
Com a crise da prosperidade, veio a terceira etapa: a teologia da retribuição. Nesta teologia fica mais explícito que Deus premia os bons e castiga os maus. Esta teologia é uma reelaboração da teologia anterior (prosperidade) e um anelo para a solução do problema: "porque o justo sofre e o ímpio prospera?". Manifesta confiança em Deus e demonstra uma compreensão de Deus pela via da barganha. Nesta etapa da compreensão de Deus, ele é visto como aquele que pode ser comprado pelas atitudes puras, rectas e justas do homem, sendo assim obrigado a dar-lhe o shalon: paz, prosperidade financeira e saúde nesta vida. Mas logo esta terceira etapa entra em crise.
 
A crise da retribuição/prosperidade é captada pelos livros sapienciais: "A vida do homem é ilusão e correr atrás do vento" (Qohélet). O livro que mais agudamente apresenta o problema é a novela Jó, ou o livro de Jó. Um escrito do tempo sapiencial para meditar sobre a prosperidade para o justo sendo este justo um homem não próspero, Jó. Aqui volta a pergunta: porque o justo sofre? Nesta etapa do conhecimento de Deus, o homem compreende que a retribuição intra-terrena (Deus premeia os bons e castiga os maus) não resolve o problema do mau e da injustiça. Quanto ao livro de Jó se encontra um excelente e breve resumo aqui. A teologia judaica ainda não é capaz de dar esta resposta e a quarta etapa, do período Macabeu/Asmoneu vai relegar para a vida eterna a retribuição que, anteriormente, era intraterrena.
 
Perceba o leitor que nesta suscinta e pobre apresentação das primeiras quatro etapas da revelação não toquei no tema "compaixão" que, embora seja presente no Antigo Testamento (duas vezes) vai ser revelada totalmente em Cristo Jesus (29 vezes no Novo Testamento). "Misericórdia" aparece 166 vezes com inúmeras referências no Antigo Testamento. Bondade (de Deus) aparece 29 vezes (no N.T. apenas 5 vezes). O verbo grego ágapa (amor ao próximo, caridade) aparece 38 vezes com inúmeras referências no A.T. Isto posto uma pergunta se impõe: Será que Deus inspirou errado o povo que escreveu o Antigo Testamento? Claro que não! Ele inspirou certíssimo! Porém, como você pode perceber com sua razão, a consciência e o conhecimento a respeito de Deus foi crescendo com o passar do tempo. É como na nossa vida. Ninguém nasce adulto ou velho. Nascemos bebé e vamos crescendo, adquirindo consciência e conhecimento das coisas, da vida, etc. E isto é porque somos humanos!!! Exactamente por isso que a Revelação se fez tão pausada, respeitando os tempos e processos humanos, os avanços e retrocessos que o povo de Deus fazia durante a aliança com Deus. É do mesmo modo que Ele age hoje: Ele não invade nem exclui nossa liberdade. Espera nossos tempos e momentos, nossos avanços e retrocessos no seguimento D'Ele.
 
Mas, vamos à quinta etapa. Aqui colocarei um excerto da minha monografia de teologia:
 
Foi vontade do Pai revelar-se bondoso e misericordioso em seu filho Jesus. Mateus diz no capítulo 1, versículo 21 o nome do Messias. Com isso diz que a missão do Filho de Deus é salvar o povo de seus pecados. Jesus, Yehoshú’a, quer dizer Deus salva (Yehoshú’a). O nome e a missão do Filho de Deus estão ligados não como simples etiqueta, mas com sua identidade mesma. Seu nome é expressão de seu ser. Em consonância com a Revelação veterotestamentária, Jesus salva porque é Deus Connosco, o Emanuel (cf. Is 7,14; 8,8). A mesma presença salvífica de Deus a podemos encontrar em Ex 3,7-8. Deus que vê a opressão pela qual passa seu povo escolhido e não fica indiferente: decide libertá-lo. A libertação temporal no Egipto prefigura a libertação essencial realizada por Jesus. Jesus é a resposta de Deus aos clamores do pobre que anseia pela libertação plena de seu ser. Deus se revelou para que o homem o pudesse conhecer e assim conhecendo-o pudesse praticar o bem, a justiça, o ágape. Tivesse fé e esperança para viver na honradez de uma vida íntegra (cf. Fl 3,7-9). Jesus, cume desta revelação, a plenifica dando-lhe seu sentido último (cf. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 592), consumando a obra trinitária da salvação (cf. DV n. 4) em continuidade com a intenção primeira de Deus ao criar: para que tudo fosse bom (cf. Gn 1,31a).
 
Desde o início de seu ministério, Jesus se apresenta como o “hoje” da libertação proclamada pelo profeta para os tempos messiânicos (Lc 4,16-21 com Is 61,1-2). Os milagres realizados são os “sinais” desse cumprimento (Lc 7,18-23) e dessa libertação, que concerne em primeiro lugar ao pecado, mas diz respeito também a todo o homem, alma e corpo (Lc 5,17-26). O Evangelho que Cristo proclama aos homens é o Evangelho da libertação e da liberdade dos filhos de Deus (Jo 8,31-36; cf. também Hb 3,5-6). A expressão suprema da libertação de Cristo é constituída pelo mistério da cruz e da ressurreição da morte. Aquilo que se realiza no mistério pascal de Jesus é o acontecimento decisivo da história do mundo. Nada terá maior importância para a humanidade do que a libertação que se realiza naquele acontecimento. A existência finalmente é resgatada de sua condição de pecado e morte sendo “lavada” no sangue de Cristo para constituir a existência redimida, a existência de graça: “Não foi com coisas perecíveis, isto é, com prata ou com ouro, que fostes resgatados da vida fútil que herdastes dos vossos pais, mas pelo sangue precioso de Cristo, como cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pd 1,18-19) (ROCCHETTA, 1991, p. 101-102).
 
5. Quem é Deus? (Lc 15)
 
As atitudes de Jesus estavam levantando suspeitas e com isso ele estava se tornando incómodo (cf. Mc 1,40-42; Mt 15,3-9; Lc 13,15-16; 14,3-4; Jo 8,2-11) para aqueles que praticavam uma religião legalista, que dividiam a vida entre o puro e o impuro e os homens entre bons, cumpridores da Lei, e ímpios - todos os outros. Jesus de facto viveu num tempo em que crer em Deus e, sobretudo, trabalhar para Ele era um lucrativo negócio (cf. Lc 19,45-46). Como revelar a face misericordiosa de Deus a homens inteligentes, religiosos e convictos de suas verdades? Jesus ensina lições como um Rabi, um mestre.
 
Primeiro mostra quem é Deus. Compara-o a um extremoso pai de família com dois filhos (cf. Lc 15,11). Depois mostra o pecador como aquele que tem tudo na casa paterna, mas livremente prefere outra vida, outro caminho distante desta mesma casa (cf. v. 12-13). Depois mostra os filhos de Israel, os herdeiros da promessa (cf. Jo 1,11), os escribas e fariseus do versículo 2 do nosso texto, identificados com as atitudes do filho mais velho, mais ranzinza, mais amargo e que não entende o amor do Pai nem a queda do irmão (cf. v. 30).
 
As atitudes do Pai, de imediato, contrastam com as atitudes dos filhos: da liberalidade do Pai a dissolução de um filho. Da compaixão do Pai ao fechamento e falta de amor do outro filho. Da alegria do Pai à tristeza do filho mais velho e à vergonha do filho mais moço. Jesus pinta Deus com cores vivas: um Deus que se compadece dos mais fracos, sejam eles os fracos por causa dos pecados ou os fracos na compreensão do amor. O Rabi ensina quem é Deus, como Ele age, como Ele nos vê. Como Ele espera a resposta humana e o quanto ainda o homem carece de conhecê-lo. Ele ensina que a alegria no céu é por um pecador que se converte e não porque se condenou alguém em flagrante. Ensina que o Pai sabe esperar o tempo de cada filho voltar a casa e quando este volta, o que passou já não é mais lembrado. O Pai sabe entender o limite de cada filho sem julgar ou condenar a cada um por suas debilidades. O Pai sabe abraçar e beijar, ou seja, sabe demonstrar seu amor ao filho que volta. Amor-compaixão que restitui a humanidade e a filiação perdidas nas ondas da poeira do tempo. Por fim, Jesus ensina que o Pai não sabe fazer contas a respeito dos pecados cometidos quando o filho sinceramente se arrepende. Esse Pai que Jesus revela é simples: abraça, ama, perdoa e faz festa. Não anda com listas de deveres e obrigações, com listas de chamadas ou coisa semelhante. Anda somente com o coração aberto para amar e ser amado porque Ele é amor (cf. 1Jo 4,8; Ap 3,20).
 
É desta humanidade salva e resgatada com o abraço do amor que o Papa João Paulo II fala no número 6 da Dives in Misericordia. Comentado Lc 15,20 o Papa diz que é por ser fiel a si que Deus resgata a humanidade decaída, faz o homem reencontrar o sentido mais profundo de sua existência e reconhecer que o que se perde com o pecado não é somente uma lei transgredida, mas algo mais profundo e fundamental: perde-se a própria essência de homem e de filho. Como vimos, Cristo inaugurou o tempo da nova aliança em seu sangue (cf. Lc 22,20). Ele trouxe a libertação radical revelando um Pai que ama a todos. Em Cristo, o amor-compaixão de Deus se mostra capaz de salvar o homem através da celebração de um novo pacto. A encarnação do Verbo eterno do Pai representa o fundamento da nova e eterna aliança: em Jesus, é o próprio Deus que une irrevogavelmente a si a natureza humana. E nada mais poderá desfazer essa união, realizada “uma vez por todas”. Cristo é, em si mesmo, a aliança nova e eterna. Graças a Moisés, fora dada a lei aos pés do Sinai; graças a Jesus foram-nos dadas “a graça e a verdade” (Jo 1,17). Com efeito, a encarnação direcciona-se inteiramente para o mistério da morte e ressurreição, que constitui o mistério fundamental da salvação, adquirida definitivamente para toda a humanidade (ROCCHETTA, 1991, p.111).
 
Pronto. Explicadas as 5 etapas da revelação, o processo lento e contínuo de aprendizagem de "Quem é Deus?" espero que algumas dúvidas tenham sido sanadas. Ao mesmo tempo espero ter ficado claro a inconsistência da dúvida/pergunta dos ateus e neo-ateus quanto à suposta maldade em Deus. Sem entrar no mérito lógico da questão (Deus é bom e nele não há nenhum mal - princípio de não-contradição) e permanecendo apenas no campo escriturístico e racional, é possível compreender a revelação de Deus, o processo de conhecimento humano e como estes dois mundos se uniram em Cristo Jesus.
 
"Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de Cristo. Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, abolindo na própria carne a lei, os preceitos e as prescrições. Desse modo, ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade nova pelo restabelecimento da paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade" (cf. Ef 2,13-16)
 
 

26
Mai 15
publicado por FireHead, às 10:02link do post | Comentar
Um dos grandes cavalos de batalha da militância dos arautos de Satanás, entenda-se, os ateus, é a maneira como Deus é retratado no Antigo Testamento. Segundo eles temos um Deus que manda enforcar, saquear, fazer sacrifícios e matar crianças. Como base para tal argumentação eles citam trechos das Esrituras como os seguintes:
 
Êxodo XXXII, 27: Aos quais disse: Eis aqui o que diz o Senhor Deus de Israel: Cada um cinja a sua espada sobre a sua coxa: passai, e tornai a passar de porta a porta pelo meio do campo; e cada qual mate a seu irmão, a seu amigo, e a seu vizinho.
 
Números XXV, 4: Disse a Moisés: Toma todos os príncipes do povo, e pendura-os em forcas contra o sol: para que o meu furor se aparte de Israel.
 
Números XXXI, 17-18: Matai pois a todos os machos, ainda os que são crianças; e degolai as mulheres que tiveram comércio com os homens. Mas reservai para vós as meninas e todas as donzelas.
 
Deuteronómio II, 33-34: E o Senhor nosso Deus no-lo entregou: e nós o derrotamos com seus filhos  e com todo o seu povo. Tomamos-lhe ao mesmo tempo todas as suas cidades, mortos os seus habitantes, homens mulheres e meninos: e nela não deixamos nada.
 
Isaías XIII, 18: Mas eles matarão as crianças com as suas setas, e não se compadecerão das mães em cujo ventre elas andarem, e a seus filhos não perdoará o olho deles.
 
Jeremias XIX, 9: E dar-lhes-ei a comer as carnes de seus filhos, e as carnes de suas filhas: e cada um comerá a carne de seu amigo, no cerco, e no aperto, em que os terão encerrados os seus inimigos, e os que buscam as almas deles.
 
Ezequiel IX, 6: O velho, o moço e a donzela, o menino e as mulheres, todos matai, sem que nenhum escape; mas não mateis nenhum daqueles sobre quem virdes o thau, e começarei pelo meu santuário. Começaram pois a matança pelos homens mais velhos que estavam diante da casa. 
 
Melhor que tratar cada versículo de modo específico (coisa que poderei fazer futuramente neste blogue), o ideal é dar uma visão exegética geral que engloba a eles e a muitos outros. 
 
Em primeiro lugar, devemos saber que a inspiração divina se dá por meio do arcabouço cultural e das limitações pessoais do escritor sagrado. Nesse sentido, uma das características da linguagem semita era o uso de hipérboles; dada a sua vivacidade, o israelita era muito propenso às expressões fortes, exageradas e contrastantes.

 

Daí ocorrerem no Antigo Testamento, principalmente nos Salmos, fórmulas em que o autor sagrado ou outro personagem deseja mal àqueles que o angustiam. Diz D. Estevão Bettencourt:

 

Em verdade, os autores sagrados, ao pleitear sua causa perante o Senhor, advogavam os interesses do bem, da justiça ou da verdadeira religião; por conseguinte, explícita ou implicitamente a sua causa se identificava com a de Deus, e os seus inimigos vinham a ser adversários do próprio Deus. Assim entendida a situação, não podiam ver motivo para abrandar o rigor dos termos com que os antigos orientais, dotados de ânimo fervido, costumavam pedir a extirpação dos adversários; não pode haver compatibilidade entre o bem e o mal, o reino de Deus e o do pecado; a toda instituição que se opõe a Deus, o homem justo não pode deixar de desejar completa ruína.

 

Ou seja, eles procuravam mostrar qual o caminho recto, mas faziam isso imbuídos de toda a sua carga cultural.

Tal postura ainda é mais patente pelo facto de que não diferenciavam entre a pessoa que fazia o mal e o mal em si. Desconheciam o adágio retirado por Santo Agostinho da Lei aperfeiçoada e definitiva (o Evangelho):

Odeia o pecado, mas ama o pecador.

Daí, fazendo um parêntese, já se observa que a dicotomia promovida pelos protestantes liberais entre "o Deus do Antigo Testamento" e o "Deus revelado por Jesus" é falsa e absurda. É falsa porque deriva de conceitos que, em geral, não têm nenhuma relação com a religião, representando, tão somente, uma perspectiva culturalmente fechada. É absurda porque pressupõe a possibilidade de contradição num texto inspirado.
 

Isso é muito perigoso. As críticas que se fazem em torno dessa ideia levaram alguns a negar a necessidade de Cristo para nos salvarmos. Principiam contestando a “intolerância religiosa” presente na Antiga Aliança e disso passam a ver negativamente a exclusividade do culto ao Deus verdadeiro.

Mais uma ilusão dos hereges... eles não vão "descobrir a roda" e, no mínimo, deveriam procurar saber qual o status quaestionis antes de abrir a boca, seja para evitar erros conceituais, seja para não cair na posição orgulhosa de quem procura adaptar Deus a si.

A Sagrada Escritura é património da Igreja, sua penetração, sendo função da fé na Encarnação, não pode deixar também de estar intimamente associada à fé vivida eclesialmente. O Novo Testamento não é “complemento” do Antigo, mas ápice. O dedo de Deus na Bíblia só se torna visível a quem considere a direcção geral da mesma ou a quem observe as fases da história bíblica se encaminhando aos poucos para um termo único: o Messias. Isto é particularmente belo, pois para tal convergência Deus não violenta a natureza humana: a miséria humana actua sem pudor no Antigo Testamento, perfazendo uma base para a plena manifestação do Bem.

 
O Deus do Antigo Testamento é Jesus (que é a Revelação).
 
Bem, para continuar vale a leitura de um texto do Pe. Elílio de Faria Matos Júnior que certa vez foi postado pelo confrade Ricardo na comunidade Apologética Católica do Orkut:

 
A concepção que Israel alcançou de Deus se deu no âmbito da história, não da reflexão filosófica. Foi a experiência da acção de Deus em sua história que revelou o rosto de Deus ao povo, experiência esta que se acha documentada de forma canónica nos livros bíblicos do Antigo Testamento. O conjunto desses livros indica uma evolução que se elaborou durante quase mil anos, e, por isso mesmo, como registo da experiência de Deus que age poderosamente na história de Israel, não se presta a um tratado sistemático ou catecismo sobre Deus. Tal evolução percorre um caminho que vai desde o "Deus da história", experimentado como aquele que age junto de seu povo, ao "Deus cósmico", criador do céu e da terra. No entanto, ao estudioso perspicaz, é possível detectar certos atributos que pretendem dizer qual é o rosto desse Deus que age na história de Israel e manifesta, no percurso mesmo da história, sua identidade.

De acordo com os estratos mais antigos do Antigo Testamento, a experiência de Deus primeiramente se dá como uma experiência familiar: Deus é o Deus dos pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó. Deus escolhe a família para si e mantém relações pessoais com ela e promete-lhe descendência [Cf. Gn 46,3]
. Entretanto, a experiência decisiva de fé no Antigo Testamento se dá por ocasião da libertação da escravidão do povo hebreu do Egipto, da Aliança estabelecida no Sinai e da promessa da terra de Canaã. É nesse acontecimento, a libertação do Egipto, a Aliança e a promessa da terra, que Israel experimenta com vigor inédito a acção de Deus em seu favor e se constitui como o povo da Aliança. O nome do Deus que liberta o povo com poder e majestade, é Iahweh [Cf. Ex 3,14]. Segundo a tradição javista, o culto a Iahweh remonta aos tempos anteriores ao dilúvio [Cf. Gn 4,26]. Pela tradição sacerdotal, Iahweh ter-se-ia dado a conhecer aos patriarcas com o nome de El-Shaddai [Cf. Gn 17,1; Ex 6,2-3] . Para o texto de Ex 3,12ss, de tradição eloísta, é no momento da libertação egípcia que Deus revela seu verdadeiro nome - Iahweh - pelo qual deseja ser reconhecido doravante pelos israelitas.

Iahweh, ao que tudo indica, segundo os estudiosos, é uma forma primitiva do verbo ser. A tradição o traduziu por Aquele que é. Essa designação, na tradição filosófica, se tornaria a noção mais apropriada que o homem pode aplicar a Deus, no sentido de, por ela, designar o Ser Absoluto, o Ato Puro de existir. Entretanto, certamente a designação de Deus como Iahweh não foi fruto de especulações filosóficas entre os israelitas. Há várias interpretações para o nome: indicaria a solicitude de Deus para com o povo, e, assim, deveria ser traduzido por "Eu sou aquele que é convosco"; indicaria a existência do Deus verdadeiro em contraposição ao nada dos outros deuses; ou mesmo seria um artifício para evitar nomear Deus, pois Deus não se deixa nomear pelos homens, para que o dominem. Como quer que seja, Iahweh indica positividade e concretude, porque está associado à acção divina na libertação de Israel por meio de Moisés, com os atributos divinos de bondade que supõe.

Com os profetas, os atributos de Deus, tais como o poder sobre Israel, sobre outras nações e sobre o mundo inteiro, a misericórdia, a justiça, a santidade, desenvolvem-se. A partir do século VI, por ocasião dos reveses do Exílio, a ideia do Deus único, criador e organizador da matéria afirma-se de vez. Os escritos apocalípticos vétero-testamentários enfatizam a providência de Deus, em cujas mãos está a sorte de todos os povos e o domínio directo sobre todas as coisas.

A fé vétero-testamentária no Deus único, criador do céu e da terra, ao mesmo tempo transcendente e imanente ao mundo, é o resultado da experiência histórica da acção de Iahweh, que, por sua vez, mostra-se, cada vez mais, no decorrer dos acontecimentos, o Soberano dos povos e da natureza, o Princípio último de toda realidade.

Em síntese, podemos dizer que o Antigo Testamento apresenta-nos Deus como único ["Ouve, Israel, Iahweh, nosso Deus, é o único" (Dt 6,4)
], pessoal [sua personalidade não implica limitação, no sentido de ser uma entre outras pessoas, mas é experienciada como presença do Mistério no âmago da história e da vida das pessoas, Mistério este que é consciência, liberdade, vontade, palavra dirigida], transcendente, santo, eterno [Cf. Hab 1,12; Dt 32,40; Ex 15,18], imutável [Cf. Sb 7,27; Is 40,8; Sl 102,26-28], como alguém que ultrapassa os limites corpóreos ['Mesmo se a Escritura fala, várias vezes, de Deus como se ele tivesse um corpo, membros corpóreos, atribui a Deus coisas que não podem convir a um ser corpóreo: transcendência, eternidade, imutabilidade, onipresença' (Patfoort, A. O mistério do Deus vivo. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1983, p.43)], solícito para com os homens, benevolente, justo e sábio [Cf. Dt 10,14-15; Sl 116,6; Jr 24,6-7, Ez 11,19-20; Gn 18,25]; criador de tudo o que existe, infinito, como o Primeiro e o Último [Cf. Is 44,6; 48,12], como o Bem e a Beleza inebriante que causa gozo e admiração para quem o conhece e felicidade para quem o serve. Associado à ideia da beleza de Deus, o termo glória (kabod) é frequentemente usado e designa propriedade exclusiva de Deus, significando a riqueza e a transcendência do divino Ser e o esplendor inebriante e terrificante de suas teofanias [Cf. Is 6,3-5; Ex 29,43; 33,18.20; 40,34ss]. O livro da Sabedoria, partindo da observação da beleza das criaturas, convida a reconhecer a fonte de toda beleza, a Beleza mesma que as criou: "aprendam quanto lhes é superior o Senhor dessas coisas, pois foi a própria fonte da beleza que as criou" [Sb 13, 3].

Enfim, percebemos um eixo central da auto-revelação de Deus no Antigo Testamento: transcendente ao mundo, Deus interessa-se por ele em sua ilimitada autodisponibilidade, não para ter mais alguma coisa, mas para que o mundo e o homem sejam e tenham em Deus mesmo a sua plenitude.


Alguém, então, frente a esse texto, pode perguntar:

- Essa visão historicista não é perigosa? Ela não esvazia o conteúdo revelado presente nos Livros Sagrados?

Não, não esvazia.

Essa perspectiva, tão somente, leva em conta o conceito de inspiração nos Livros Sagrados. A inspiração não torna o hagiógrafo (aquele que recebe a inspiração) numa espécie de "caneta", mas respeita suas características particulares e seu arcabouço cultural.

Por exemplo, se Deus inspirasse um agricultor sertanejo, ele poderia passar a mensagem divina em forma de poesia de cordel e jamais falaria sobre a neve (já que isso não faz parte de seu imaginário).

O conteúdo espiritual, sobre fé ou moral, deve ser "peneirado" no meio disso. Historicismo seria querer ver esse conteúdo como algo condicionado (condicionada é a moldura dele).

Deus quis se acomodar na educação do seu povo. Já antes de receberem a lei de Moisés, os filhos de Israel praticavam o talião, em meio a muitas outras nações que consideravam tal praxe como normal. Pois bem, ao promulgar a Lei de Israel, o Senhor se dignou respeitar a tradição da sua gente; haveria de reformá-la, sim, mas aos poucos. Com efeito, os historiadores extrabíblicos referem que, entre os judeus próximos à era cristã, o talião podia ser substituído pela indemnização pecuniária. É o que atesta, por exemplo, o historiador judeu Flávio Josefo no século I da nossa era (Ant. IV, 8, 35):

Aquele que mutilar o próximo padecerá pena idêntica, sendo despojado daquilo que tiver tirado ao próximo. Dado, porém, que a pessoa lesada prefira receber uma quantia monetária, a lei lhe reconhece pleno direito de avaliar a perda sofrida, e autoriza-a a proceder assim, caso tema cometer alguma crueldade.

Por fim, o Messias, rematando o processo pedagógico do Antigo Testamento, aboliu a prática, aconselhando mesmo aos discípulos que perdoassem gratuitamente a quem os ofendessem (Mateus V, 39).

Um só tipo de talião continua em voga na legislação de Cristo:

Quem pratica a misericórdia, obterá misericórdia. (Mateus V, 7)

Quem não julga, não será julgado; cada qual será julgado conforme tiver ele mesmo julgado; de modo geral, a cada um será aplicada a medida que ele tiver aplicado ao próximo. (Mateus VII, 1s; Marcos IV, 24; Lucas VI, 37s)
 

Novamente, podemos ouvir o questionamento:
 

- Hum... mas permitir que se matem inocentes é um bem?
 

A isso eu respondo de maneira mais teórica, sem me ater ao contexto do Antigo Testamento.

 

Na Redenção, a grande Vítima inocente que se imolou por nossos pecados foi Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o Inocentíssimo por excelência, que Se fez vítima para nos salvar. E sua imolação foi de um valor divinamente infinito, e superabundante para resgatar os pecados de toda humanidade passada, presente e futura. Tal não significa porém que “não precisamos sofrer, porque Ele já sofreu por nós”. Para que os méritos infinitos de Jesus Cristo sejam aplicados a cada um de nós individualmente, torna-se indispensável unirmos os nossos sofrimentos aos Sofrimentos d´Ele. Daí que a cada um de nós cabe nesta vida a sua quota de expiação e de sofrimento.

 

Mas aqui entra outro mistério de nossa santa religião: o da Comunhão dos Santos. Deus convoca os justos para completar em sua carne a quota de reparação e sofrimentos que os outros não preencheram. Por isso se diz que os justos pagam pelos pecadores. E é uma honra fazermos isso, pois estamos atendendo ao apelo de Deus em favor de nossos irmãos, ou seja, “amando nosso próximo como nós mesmos”. Nessa misteriosa substituição dos justos pelos pecadores se vislumbra a explicação das vítimas inocentes que o Senhor suscita neste mundo. O sofrimento de tantos inocentes (aos quais Deus muitas vezes, não revela o motivo de seu sofrimento) não é porém sem sentido aos olhos do Criador.

 

Se nós sentimos comiseração por essas vítimas inocentes, a bondade e a consideração de Deus para com elas é infinitamente maior do que a nossa. E assim, ao permitir sofrimentos tão dilacerantes, aufere deles mérito para a salvação de incontáveis almas. Não obstante, é preciso confessar que estamos diante de um mistério de Deus, que só no Céu entenderemos perfeitamente.

 

Nesse quadro, no que se refere ao extermínio dos inimigos, temos ainda de lembrar que o facto dos hebreus possuírem a verdadeira religião num mundo idólatra fazia com que a sorte desse povo viesse a ser nada menos que a do Reino de Deus em meio do erro e do pecado.
 

E isso não é falar em evolução na Revelação (no que discordo do texto do Pe. Elílio). Não há “evolução” em nada. O que há é “desenvolvimento”. Evolução denota uma mudança ontológica e isso, no que tange a princípios revelados, é impossível.
 

Finalmente, trago uma colocação que um protestante certa vez escreveu num debate no Orkut:
 

- Mas Thiago, sendo Deus um pai amoroso como Ele pode permitir tantas mortes injustas nesses trechos criticados do Antigo Testamento? Nosso bem maior não é a vida?!? E a perspectiva universalista dos judeus, como interage com xenofobia demonstrada nessas passagens?
 

A vida não é o maior bem, o maior bem que podemos ter é a salvação. E isso, é bom lembrar, não vai de encontro ao entendimento da sacralidade da vida humana, pelo contrário, é o que dá razão a essa valorização.

 

A morte dos inocentes é mistério, como já expliquei.

Não conheço nenhuma perspectiva universalista judaica, tanto hoje como nos tempos antigos. Aliás, o desvio deles em relação ao Projeto de Deus tem a ver com isso: de um povo que devia servir aos outros como testemunha profética e sacerdotal, passaram a se considerar os únicos escolhidos para a Salvação.

 

Vamos, mais uma vez, tentar entender um pouco melhor o quadro do Antigo Testamento.

No Oriente antigo, ao povo vencedor de uma guerra reconhecia-se a faculdade de dispor das posses e da vida dos vencidos, mesmo de mulheres e crianças; felizes se poderiam considerar aqueles que, derrotados na batalha, fossem apenas despojados de suas posses e reduzidos à escravidão.

 

Além disso, aqueles povos (e também os de outras partes da terra) julgavam que na guerra a honra de seus deuses estava em jogo. Uma derrota militar seria escárnio para as divindades da nação vencida, assim como a vitória um triunfo. Por conseguinte, aos deuses do vencedor deviam ser religiosamente imolados, por um acto de extermínio total, os homens, as famílias, as cidades, os haveres.

 

Ora, tal praxe, familiar aos antigos, foi também respeitada pela Lei de Moisés; a mentalidade rude seria paulatinamente corrigida... Deve-se dizer que para os hebreus essa prática (chamada herém) se tornava particularmente necessária e imperiosa: este povo possuía a verdadeira fé, para um dia transmiti-la ao mundo (o que esqueceram); por conseguinte, era de sumo interesse que Israel não corrompesse sua religião. Todavia, a fim de manter incontaminada sua crença, não havia outra alternativa aos hebreus que a separação absoluta dos demais povos; a experiência mais de uma vez comprovou que, ao habitar pacificamente com tribos subjugadas em guerra, os judeus se deixaram seduzir pelas suas pompas religiosas. Em consequência, era absolutamente necessário que a legislação de Israel apelasse para o hérem e o sancionasse (repita-se: a fidelidade dos filhos de Abraão ao verdadeiro Deus era, na história, um valor insubstituível, que não podia ficar exposto a risco nenhum).

 

Apoiando-se nestas ideias, eis como o legislador sagrado incutia o hérem a Israel (Deuteronómio XX, 16-18):

Quanto àquelas cidades porém, que  te hão-de ser dadas, nenhum absolutamente deixarás com vida. Mas passá-los-as todos  ao fio de espada; convém a saber, aos heteus e aos amorreus, e aos cananeus, aos fereseus, e aos heveus, e aos jesubeus, assim como o Senhor teu Deus te mandou: para que não suceda que vos ensinem a cometer todas as abominações, que eles mesmos fizeram a seus deuses, e venhais a pecar contra o Senhor vosso Deus.

 

O facto de que os hebreus possuíam a verdadeira religião num mundo idólatra, fazia que a sorte desse povo viesse a ser nada menos que a do Reino de Deus em meio ao reino do erro e do pecado. Noutros termos: já que o Senhor decretaria realizar o seu plano salvífico através das vicissitudes de Israel, os hebreus não podiam evitar a conclusão de que os seus sucessos militares seriam vitórias do Reino de Deus. Dentro da mentalidade do Antigo Testamento, portanto, podia-se com toda razão dizer que o reino das trevas triunfava sobre o Reino da Luz cada vez que Israel sucumbia na guerra; nessas ocasiões parecia estar em perigo a causa messiânica, a salvação do género humano. Eis por que os judeus diziam que os inimigos de Israel eram inimigos de Javé e vice-versa; que as suas guerras eram “as guerras de Javé” (Êxodo XVII, 16) ou que“Javé combatia em favor de Israel” (Josué X, 14 e 42). Eis igualmente por que se afirmava, segundo um modo típico, que Deus mesmo inculcava o hérem (Josué X, 40) e, caso não fosse devidamente executado (o que geralmente se dava por desejo ganancioso que os israelitas tinham de se aproveitar dos bens alheios), puniria os próprios judeus.

 

É de notar, como já foi dito, que o extermínio dos homens e mulheres em guerra não implicava na condenação póstuma deles; podiam estar inocentes em sua consciência e merecerem o agrado divino.

Mais uma observação se impõe: embora a legislação de Israel reconhecesse o hérem, ela o abrandava assaz, em confronto do que faziam as outras.

 

Os monumentos e os textos assírios dão testemunho da maneira realmente bárbara como os soldados pagãos tratavam seus prisioneiros de guerra: crivavam-lhes os olhos, tomavam-nos como supedâneos para os pés dos monarcas, etc.

 

Na Sagrada Escritura mesma, o profeta Amós repreende os amonitas porque, entre outros crimes cometidos, abriram os ventres das mulheres israelitas grávidas (Amós I, 13).

 

O simples facto de que o extermínio dos inimigos figurava no catálogo das leis religiosas, devia concorrer para coibir a eventual tendência dos chefes hebreus ao seu abuso.Assim, tolerando o hérem, mas um hérem mitigado, o Senhor dava a entender que imperfeito era tal procedimento. Eis alguns testemunhos:

 

a) O Deuteronómio (Deuteronómio XX, 10-18) muito insiste na humanização do código militar de Israel; recomenda, por exemplo, que na campanha de conquista da terra prometida, ao defrontar uma cidade inimiga, não-cananeia, o povo eleito procure reduzir os seus habitantes a tributo e serviço temperados pela benevolência, evitando o derramamento de sangue; caso, porém, o adversário obrigue a uma campanha militar e seja derrotado, Israel vitorioso é exortado a poupar mulheres e crianças.

 

O modo de tratar as cidades cananeias seria outro, pois, estando localizadas na terra que os hebreus deviam habitar, a coexistência oferecia grave perigo de contaminação. Não era, portanto, permitido aos judeus abster-se do hérem ao vencer os cananeus, como inculda Deuteronómio VII, 2-5; XX, 15s. Isto vem confirmar a observação de que em Israel o preceito em análise era ditado principalmente pelo ideal religioso; era em vista da fidelidade de homens rudes ao verdadeiro Deus que ele fora sancionado.

 

b) A mulher não-cananeia feita prisioneira de guerra, podia ser tomada como esposa de um judeu, que a trataria com todo carinho; abusar de tal prisioneira era estritamente vedado (Deuteronómio XXI, 10-14).

c) Dois episódios da História Sagrada, um do período dos Juízes (Juízes XXI, 13) e o outro do reinado de David (II Samuel XX, 14-22), dão a ver que as exortações à brandura não ficaram sendo letra morta: em ambos os casos, os chefes israelitas entram em acordo com inimigos não-cananeus.

 

d) Houve também varões do povo de Deus que espontaneamente se mostraram humanitários para com os adversários. Por exemplo: conforme II Samuel VIII, 2, David, animado de louvável compaixão, não hesitou em romper o costume de matar todos os prisioneiros; resolveu exterminar “apenas” a metade dos cativos moabitas, metade designada pela sorte...! Para os padrões da época isso é o que explica que, em I Reis XX, 31, os sírios reconheçam a clemência rara de que dão provas os reis de Israel; com efeito, diziam os soldados a seu monarca Ben-Hadad, vencido por Acab:

 

Ouve: nós temos ouvido dizer que os reis de Israel são clementes. Ponhamos sacos sobre nossos rins e cordas ao nosso pescoço, e vamos ter com o rei de Israel; talvez ele te poupe a vida.

 

Acontecia também que os israelitas, ao aplicarem a lei do hérem, por vezes deixavam-se levar não pelo zelo de Deus, mas por paixão humana. É o que se verifica, entre outros casos, na história de Jeú: este general foi, por mandado divino, ungido rei de Israel e recebeu a incumbência de exterminar a Casa de Acab, mas, embora intencionasse zelar pelo interesses de Javé, cedeu a crueldade horrorosa (II Reis X, 1-17)... Ora, o feito de Jeú foi, um século mais tarde, explicitamente repreendido pelo Senhor mesmo, mediante o profeta Oseias (Oseias I, 4s). Este episódio permite concluir que nem tudo que a Sagrada Escritura refere ter sido mandado por Deus foi executado de maneira correspondente à vontade divina.

 

Também David parece ter-se deixado arrastar a excessos no episódio relatado em I Samuel XXVII, 8-11. Certa vez, perseguido por Saul, o futuro monarca se refugiou nas terras do rei filisteu Aquis, que o recebeu benevolamente; de sua nova mansão, porém, David fazia incursões contra populações vizinhas: os amalecitas, que Samuel condenara ao anátema (I Samuel XV, 3); os gessuruianos e os gezrianos, que eram provavelmente tribos amalecitas. O grande guerreiro tudo devastava, matando homens e mulheres, roubando gado e vestes. A seguir, voltava à presença do rei Aquis e, temendo o controlo ou represálias da parte deste, dizia-lhe ter feito expedições nas regiões do Negeb, regiões que pertenciam à tribo de Judá e seus aliados. Tais depredações procediam realmente zelo religioso? E a mentira subsequente que as encobria, poderia ser justificada?

 

De resto, a Bíblia fornece indícios de que os constantes derramamentos de sangue cometidos por David nem sempre corresponderam ao Plano Divino; antes, desagradaram ao Senhor. Com efeito, quando o rei de Israel desejou edificar o Templo de Javé em Jerusalém, recebeu formal recusa de Deus, pois, como reconheceu o próprio monarca, não convinha que o Templo, santuário da paz, fosse erguido por mãos que haviam feito correr tanto sangue (I Crónicas XXII, 8-10; XXVIII, 3).

 

Era igualmente a necessidade de manter pura a religião de Israel que fazia que o hérem fosse praticado entre os próprios hebreus, caso um ou mais indivíduos caíssem na idolatria ou em outro pecado grave. Tal sanção é prescrita por Moisés em Deuteronómio XIII, 13-19; foi a aplicação da mesma que motivou a guerra fraticida contra a tribo de Benjamim (Juízes XX, 1-48; XXI, 1-14). À medida, porém, que ia se elevando o nível cultural e moral dos hebreus, abrandava-se a praxe do hérem entre co-nacionais; assim na época de Esdras (século V/VI), implicava não já a morte do réu, mas a confiscação dos seus bens e sua exclusão das assembleias do povo (Esdras X, 8).
 
O hérem existe até hoje. No final do ano passado nosso país foi abalado pela notícia de um ataque contra 80 compatriotas (alguns foram mortos e muitos ficaram feridos) no interior do Suriname, como vingança colectiva pelo facto de um nativo daquele país ter sido assassinado por um imigrante brasileiro.

 

Ainda outro elemento que deve ser levado em conta para se entenderem devidamente as façanhas bélicas do Antigo Testamento é a mentalidade do clã. Entre os antigos, de modo geral, o indivíduo costumava ser prezado não somente como tal, mas também (e, não raro, preponderantemente) como membro de uma colectividade; dava-se muita importância à solidariedade natural que une todo homem à família, tribo ou nação. Isso se explica, em grande parte, pelo género de vida nómada que levavam os primitivos. De facto, os nómadas vivem da grei, dos rebanhos que os acompanham, e isto (dizem os psicólogos) não pode deixar de imprimir um caráter coletivista à vida do clã, fazendo com que o indivíduo como tal desapareça na engrenagem do todo. Ademais, nesse modo de vida é mais difícil que na vida sedentária descobrir o autor de um crime (fora os casos de delito flagrante); por conseguinte, julgava-se muitas vezes na antiguidade que os factores da história não são “este” e “aquele indivíduo”, mas “este” e “aquele clã”. Este modo de ver implicava que, ao se cometer um crime contra determinado sujeito, todo o grupo respectivo se julgava atingido. Por conseguinte, era a tribo inteira que se levantava para reagir, e reagir não contra o agressor isolado, mas contra a colectividade de que fazia parte o ofensor. É o que explica os frequentes choques de grupo contra grupo, choques em que nem as mulheres, nem as crianças eram poupadas; é também este o motivo por que muitas vezes filhos, netos e ulteriores descendentes da geração criminosa eram por um legislador condenados à maldição.
 
A História Sagrada apresenta disto um exemplo significativo em I Samuel XV, 1-3: Samuel manda a Saul que extermine os amalecitas – homens, mulheres e crianças – e todo o seu gado, pois em três ocasiões durante a travessia do deserto, havia mais de dois séculos, se tinham oposto à passagem do povo de Deus (Êxodo XVII, 8-13; Números XIV, 45; Juízes III, 13; VI, 3); Moisés, em consequência, os tinha condenado a completo extermínio (Deuteronómio XXV, 17-19; Números XXIV, 20). Segundo a ordem de Samuel, pois, uma geração bem posterior pagaria pela culpa de antepassados longínquos!
 

Vale notar que resquícios desse tipo de mentalidade existem até hoje no nosso país, em  especial nas regiões rurais (quem nunca ouviu falar de "guerras de famílias" no Nordeste?).
 
Aos poucos, porém, Deus quis corrigir também essa postura imperfeita. Acontecia no século VI que os judeus, punidos por guerras de deportações, se queixavam de que seus pais haviam “comido uvas amargas e os dentes dos filhos sofriam em decorrência” (um provérbio que os exilados aplicavam a si mesmos, lançando sobre os pais a falta cujo castigo suportavam - Ezequiel XVIII, 2; Jeremias XXXI, 29); apoiados em tal tese, dispensavam-se hipocritamente de qualquer propósito de penitência, pois se apregoavam inocentes. Foi então que o Senhor se dignou explicitamente negar a veracidade do pressuposto (Ezequiel XVIII, 4; cf, Jeremias XXXI, 30):

 

Eis que todas as almas Me pertencem: a alma do filho como a alma do pai é minha; a alma que pecar, essa morrerá.

 

Ainda mais uma vez se manifestava a paciência divina em lenta tarefa educacional.

 

Os dizeres de Ezequiel e Jeremias indicam bem que a mentalidade do clã está abolida. Não se diga, pois, que alguém está pagando pelos pecados de seus antepassados.
 

Sendo assim, podemos afirmar que a mensagem revelada tinha de ser passada segundo o grau de civilização em que estavam os ouvintes ou não seria entendida.

 

Consideremos uma criança.

 

A sua consciência é rudimentar, poucos deveres indica e poucas restrições impõe. O pequeno conhece, sem dúvida, o preceito fundamental da lei moral: "Faz o bem, evita o mal." Todavia, em que consiste exactamente o bem a praticar e o mal a evitar ele não sabe dizer com clareza; poucas são as conclusões práticas que ele deduz daqueles mandamento básico; assim o bem, para ele, vem a ser primeiramente o que os mais velhos lhe indicam como tal; o mal será desobedecer a estes. Só aos poucos é que o adolescente vai percebendo as consequências do princípio "Faz o bem, evita o mal."

 

Pois bem, Deus quis que se desse com o género humano inteiro algo semelhante ao que se verifica com toda criança: nos primórdios da história, os homens tinham uma consciência moral pouco desenvolvida, a qual através dos séculos foi-se tornando mais apurada, minuciosa.

 

Também os membros do Povo de Deus, que o Criador se dignou tornar portadores da verdadeira fé, possuíam, apesar da sua sublime vocação, uma consciência moral ainda embrionária. Percebiam bem que é preciso "fazer o bem e evitar o mal", obedecer a tudo que vissem ser a Vontade de Deus; mas a maioria das aplicações concretas deste princípio escapavam à sua percepção. Não há dúvida, o Senhor poderia ter revelado tudo que a Lei Natural nos incute; preferiu, porém, um lento desabrochar que, de resto, mais condizia com a maneira como Ele criou e rege o mundo.

 

Ao chamar Abraão, Deus não quis cortar bruscamente todas as suas tradições de família (isso seria anti-pedagógico); eliminou em termos severos o que era estritamente politeísta; quanto às outras observâncias, preferiu ir contemporanizando, tomando o israelita como era; permitiu, pois, que o povo vivesse, em parte, à semelhança dos demais povos orientais; às práticas antigas não politeístas, o Mestre Divino apenas quis insuflar novo espírito, comunicando nobres ideias e aspirações. Assim fazia com que o povo se fosse elevando espiritualmente, até um dia poder ouvir a mensagem do Evangelho (João XV, 12):

 

Este é o meu preceito: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.

 

É muito importante frisar, ainda, que uma consciência moral ora mais, ora menos embrionária, como tinham os homens do Antigo Testamento, não é incompatível com a santidade, e elevada santidade, pois esta consiste em cumprir generosamente a vontade de Deus manifestada através da consciência recta e sincera. Notemos o caso de Abraão, que não hesitou em deixar sua terra e sua parentela para ir à região à qual Deus o chamava (Génesis XII, 1-4). Também não vacilou quando o Senhor lhe pediu que oferecesse seu filhos em sacrifício (Géneses XXII, 1-18).

 

Em conclusão: a História Sagrada é, sim, apesar de todos os escândalos e vicissitudes que os homens nela disseminaram, um movimento ascensional contínuo, que tem por fundamento uma mensagem perene: Cristo. Infelizmente a má vontade para se entender essas coisas é muito grande; para tudo se tem condescendência, menos para se entender a Palavra de Deus. Façamos a nossa parte, expliquemos a verdade para quem tem um coração aberto, os outros que assumam a responsabilidade de sua falta de zelo no estudo da Revelação no dia de prestarem contas a Deus.
 
 
Thiago Santos de Moraes

29
Abr 15
publicado por FireHead, às 07:53link do post | Comentar
 
 
1. HAVIA UM TÚMULO VAZIO
Os fundadores de outras “fés” estão ainda enterrados ou foram cremados e as suas cinzas foram espalhadas por países estrangeiros. Jesus não. Os académicos modernos podem afirmar o que quiserem nos seus programas televisivos... a verdade é que o túmulo estava vazio.
 
2. O TÚMULO TINHA UM SELO ROMANO
Um pedaço de barro estava preso a uma corda (esticada à volta de uma pedra) e ao próprio túmulo. O selo romano estava estampado no barro. Quem quebra o selo, quebra a lei; e quem quebra a lei, morre.
 
3. O TÚMULO TINHA GUARDA ROMANA DE SERVIÇO
A guarda era constituída de pelo menos quatro homens (possivelmente mais), soldados altamente treinados. Estes soldados eram especialistas em tortura e combate, não se assustariam facilmente por um bando de pescadores ou cobradores de impostos. Caso adormecessem ou abandonassem o seu posto, violariam a lei, o que resultaria na sua morte.
 
4. O TÚMULO TINHA UMA PEDRA À SUA FRENTE
A maior parte dos académicos afirma que a pedra pesaria pelo menos duas toneladas, com provavelmente dois metros e meio de altura. Seria claramente necessário uma equipa para a levantar ou arrastar, não seria trabalho para um ou dois homens.
 
5. HOUVE VÁRIAS APARIÇÕES PÓS-RESSURREIÇÃO, A CENTENAS DE PESSOAS
Durante seis semanas, Ele apareceu a diversos grupos de variados tamanhos em locais diferentes. Uma vez, apareceu a mais de quinhentas pessoas – um número grande demais para ser uma fraude. Já para não falar que as pessoas a quem Ele aparecia não O viam simplesmente, mas comiam com Ele, andavam com Ele, tocavam-Lhe… Jesus até um pequeno-almoço preparou (Jo 21, 9).
 
6. O MARTÍRIO DAS TESTEMUNHAS É PROVA
Deixariam as pessoas para trás o seu trabalho, família e vida, iriam até ao fim do mundo, seriam horrível e brutalmente mortas e abandonariam as suas crenças religiosas anteriores, acerca da salvação, só para espalhar uma mentira? Ninguém, enquanto era decapitado, entregue aos leões, queimado em óleo, ou na fogueira, ou até crucificado ao contrário, mudou a sua história. Pelo contrário, cantaram hinos de louvor e confiança, sabendo que o Senhor que derrotou a morte os elevaria também.
 
7. A IGREJA PERDURA
Se a Ressurreição fosse mentira, ter-se-ia apagado há anos. A Igreja é a maior e mais velha instituição de qualquer tipo, na história da humanidade. A Igreja surgiu com os Apóstolos, após o dia de Pentecostes, no ano em que Cristo ascendeu ao Céu. Ela conquistou impérios, defendeu-se de ataques (quer vindos de dentro quer de fora) e cresceu, apesar dos seus membros pecadores, porque foi fundada por Cristo, e é guiada e protegida pelo Espírito Santo. A Igreja, tal como Cristo, é tanto divina como humana.
 
8. JESUS PROFETIZOU QUE IA ACONTECER
Jesus anunciou às pessoas o que ia acontecer. Para Ele não foi uma surpresa. E não disse apenas: “Eu serei morto” (que outros também poderiam ter previsto) mas também que “Ao fim de três dias se levantaria dos mortos.” Estes detalhes não são ironias, coincidências ou adivinhações — são profecias, e as verdadeiras profecias vêm de Deus.
 
9. ESTAVA PROFETIZADO NO ANTIGO TESTAMENTO
Já era anunciado séculos antes do próprio Cristo ter nascido ou ressuscitado. Centenas de profecias acerca do Messias, o que Ele diria, faria, como viveria e como morreria… foram anunciadas por pessoas escolhidas por Deus (a maioria sem nunca se ter conhecido, já agora). Isaías, Jeremias, Zacarias, Oseias, Miqueias, ou Elias (só para nomear alguns) todos apontavam para a morte e Ressurreição de Cristo, séculos antes de acontecer.
 
10. O DIA DO SENHOR MUDOU
Após a Ressurreição, milhares de judeus (quase de um dia para o outro) abandonaram os séculos de tradição de celebrar o Sábado (dia do Senhor) no último dia da semana e passaram a santificar o primeiro dia da semana, o dia em que o Senhor, Jesus Cristo, venceu a morte e selou a nova e eterna aliança com Deus.
 
11. AS PRÁTICAS DOS SACRIFÍCIOS MUDARAM
Os Judeus sempre foram ensinados (e ensinavam assim os seus filhos) que era necessário oferecer um sacrifício de carne (animal) uma vez por ano, para remissão dos seus pecados. Após a Ressurreição, os judeus convertidos na altura, grande parte deles, pararam estes sacrifícios.
 
12. É ÚNICA ENTRE TODAS AS RELIGIÕES
Nenhum outro líder religioso, em qualquer altura, afirmou ser Deus, excepto Cristo. Nenhum outro líder religioso alguma vez fez as coisas que Jesus fez. Nenhum outro líder religioso se provou com a Ressurreição. Confúcio morreu. Lao-zi morreu. Maomé morreu. Joseph Smith morreu. Sidarta Gautama (Buda) morreu. Cristo ressuscitou dos mortos.
 
13. A MENSAGEM VALIDA-SE POR SI MESMA
Um coração humilde é muito mais esclarecido e iluminado do que a lógica ou razão. Um verdadeiro crente não precisa de todos os factos para crer na Ressurreição, porque o Espírito Santo revela-nos Cristo, intima e poderosamente. S. Paulo fala disto. Corações duros e cegos nunca verão Deus, até aceitarem que não são Deus.
 
14. O MILAGROSO FIM ENCAIXA COM A VIDA MILAGROSA
Não se percebe a lógica? Jesus curou os cegos, os surdos e os mudos. Alimentou as multidões, curou os leprosos e curou os pecadores. Fez com que os coxos andassem e trouxe outros de volta à vida. Multiplicou comida, andou sobre as águas e acalmou tempestades apenas com a Sua voz. O milagre da Sexta-Feira Santa é que Ele não fez nenhum milagre. Ele morreu. O milagre do Domingo de Páscoa é que Ele ressuscitou dos mortos – um fim miraculoso para uma vida miraculosa. O que mais poderíamos esperar?
 
15. (E A ÚNICA RESPOSTA QUE REALMENTE PRECISAMOS) . . .  JESUS CONTINUA A SER RESPOSTA
O mundo não pode oferecer nenhuma cura para o sofrimento. O mundo pode ignorá-lo, insultá-lo, debatê-lo, bombardeá-lo, medicá-lo…mas não existe nenhuma cura ou sentido para o sofrimento sem olhar para Jesus Cristo. N’Ele, o nosso sofrimento faz sentido e vale a pena. Longe d’Ele, o sofrimento não tem qualquer sentido e é estéril. A fonte da eterna juventude não existe. Não existe uma droga miraculosa. Não existe cura para a morte, excepto Jesus Cristo. O que é ilógico é pensar que o Deus da Vida não deseja que vivamos eternamente.
 
Como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados. (1Cor 15, 12-18)
 
Irmãos e Irmãs, porque sabemos o que aconteceu na Última Ceia, na cruz e no sepulcro há 2000 anos, conhecemos Deus-Pai intimamente, caminhamos com o Filho diariamente e somos guiados pelo Espírito Santo eternamente. Esta é a verdade, e que bela verdade é.
 
Mark Hart in lifeteen.com
 
 
Fonte: Senza Pagare

 


15
Ago 14
publicado por FireHead, às 06:44link do post | Comentar

 

Hac causa credimus ut Deiparae virginis Mariae purissimum thalamum et spiritus sancti templum, hoc est, sacrosanctum corpus ejus deportatum esse ab angelis in coelum (Heinrich Bullinger, um dos mais influentes teólogos da Reforma Protestante do século XVI, sobre a sua crença na Assunção da Virgem Maria na sua polémica obra de 1539 contra a idolatria).


28
Fev 14
publicado por FireHead, às 09:41link do post | Comentar

 

O Papado surgiu depois de Constantino? Ah é mesmo? Se foi isso mesmo, então explica essa lista de Papas aqui antes de Constantino pensar em nascer? Ora ora irmãos, não é que a Igreja Primitiva tinha Papas???

São Pedro - Betsaida, Papa de 32 a 67
São Lino - Túscia, Papa de 67 a 76
Santo Anacleto - Roma, Papa de 76 a 88
São Clemente I - Roma, Papa de 88 a 97
Santo Evaristo - Grécia, Papa de 97 a 105
Santo Alexandre I - Roma, Papa de 105 a 115
São Sisto I - Roma, Papa de 115 a 125
São Telésforo - Grécia, Papa de 125 a 136
Santo Higino - Grécia, Papa de 136 a 140
São Pio I - Aquileia, Papa de 140 a 155
Santo Aniceto - Síria, Papa de 155 a 166
São Sotero - Campânia, Papa de 166 a 175
Santo Eleutério - Epiro, Papa de 175 a 189
São Vítor I - África, Papa de 189 a 199 S
ão Zeferino - Roma, Papa de 199 a 217
São Calisto I - Roma, Papa de 217 a 222
Santo Urbano I - Roma, Papa de 222 a 230
São Ponciano - Roma, Papa de 230 a 235
Santo Antero - Grécia, Papa de 235 a 236
São Fabiano - Roma, Papa de 236 a 250
São Cornélio - Roma, Papa de 251 a 253
São Lúcio I - Roma, Papa de 253 a 254
Santo Estevão I - Roma, Papa de 254 a 257
São Sisto II - Grécia, Papa de 257 a 258
São Dionísio - Papa de 259 a 268
São Félix I - Roma, Papa de 269 a 274
Santo Eutiquiano - Luni, Papa de 275 a 283 S
ão Caio - Dalmácia, Papa de 283 a 296
São Marcelino - Roma, Papa de 296 a 304
São Marcelo I - Roma, Papa de 308 a 309
Santo Eusébio - Grécia, Papa de 309 a 309
 
 
Cai a Farsa

publicado por FireHead, às 09:33link do post | Comentar
"Todo reino dividido contra si mesmo será destruído." (Mateus XII, 25)
 
Os protestantes dizem: "A Bíblia é fácil de se entender, quem a lê está livre do erro."
 
O que diz a Bíblia: "Isto mesmo ele (Paulo) faz em todas as suas cartas, ao falar nelas desse assunto. Nelas existem pontos difíceis de se entender, que algumas pessoas ignorantes e sem firmeza deturpam, como fazem com as demais Escrituras, para a própria perdição." (2 Pedro 3,16)

"Disse então o Espírito a Filipe: Aproxima-te para bem perto do carro. Filipe acelerou o passo. Ouvindo que lia o profeta Isaías, disse-lhe: Porventura, entendes o que lês? Ele respondeu: Como posso entender se não há quem me explique? E convidou Filipe a subir e sentar-se ao lado dele". (Act os8,29-31).

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A livre interpretação da Bíblia resultou em milhares de seitas protestantes, cada uma interpretando a Bíblia de forma diferente e ensinando doutrinas opostas entre si. Se a Bíblia protestante é tão fácil de entender, então porque:

1. Existem diversas igrejas baptistas (umas a favor do baptismo infantil e outras contra)?
2. Primeira igreja baptista? Quer dizer que existe a segunda?
3. Porque presbiterianos baptizam crianças, e os da assembeia de Deus não usam a mesma Bíblia?
4. Porque presbiterianos crêem na predestinação calvinista negada por todos os outros protestantes se todos têm a mesma Bíblia?
5. Porque luteranos têm imagens de esculturas em suas igrejas, e as outras seitas dizem que é idolatria?
 
Ora, se a Bíblia fosse realmente fácil de entender, e qualquer um pudesse interpretá-la, não existiriam tantas divisões no meio protestante. É muita burrice acreditar que o Espírito Santo está guiando todas estas seitas ao mesmo tempo, o Espírito Santo não é Deus de confusão! Ele não iria inspirar doutrinas diferentes para cada placa! A resposta é uma só: só a Igreja Católica é a intérprete das Escrituras, pois a Igreja quem as fez. E portanto é a única Igreja de Cristo.
 
 
Cai a Farsa

22
Jan 14
publicado por FireHead, às 02:23link do post | Comentar


30
Out 13
publicado por FireHead, às 09:03link do post | Comentar


24
Out 13
publicado por FireHead, às 07:39link do post | Comentar

Dizer que Jesus não tem mãe é a mais nova "teologia" dos neo-protestantes.

 


09
Out 13
publicado por FireHead, às 05:26link do post | Comentar

A pergunta-título deste post é bastante pertinente. Vivemos numa sociedade em que a tolerância “politicamente correcta” para com as diversas religiões não só está na moda como também constitui um verdadeiro compromisso para muita gente e para muitas organizações importantes.

 

Pluralismo e tolerância são palavras bastante populares na cultura actual. Todas as religiões teriam o mesmo valor, e a nenhuma delas é dado o crédito de ser a defensora da verdade. Quantas vezes ouvimos dizer que “o importante é crer em alguma coisa”, e quem afirma o contrário se arrisca a ser perseguido.

 

O mais grave é que mesmo dentro de ambientes religiosos, que teriam por obrigação defender a verdade perante o mundo, - sem a preocupação de atender os interesses de quem quer que seja, sem “ficar em cima do muro”, sem “fazer média” com ninguém, - os conceitos de tolerância e de pluralismo têm adquirido enorme espaço, a ponto de determinados ensinamentos catequéticos terem-se tornado, de certo modo, assuntos "politicamente incorrectos", que estão sendo evitados ou, pelo menos, suavizados. Já não se diz a verdade simplesmente, mas procura-se disfarçá-la ou “enfeitá-la”. É o caso, por exemplo, quando se trata da justiça de Deus. Muitos padres e catequistas já não querem mais falar em justiça divina: dizem apenas que Deus é Amor, é misericórdia infinita, como se de um dia para o outro a doutrina cristã tivesse mudado. Nesta época em que domina a pressão globalista a favor do relativismo religioso, "ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo", assim como já esclarecia o Cardeal Joseph Ratzinger/ Papa Bento XVI (Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, Abril de 2005).

 

O que se busca é uma espécie de religião única, globalista, que unifique todos os credos numa superreligião. Assim, cria-se a equivocada sensação de que qualquer proposta religiosa é válida para a salvação, até as mais absurdas, as mais contrárias aos valores que construíram a nossa civilização, a nossa sociedade. A táctica consiste na elaboração de um sistema neopagão para o qual não exista nenhuma autoridade planetária que não a política. Obviamente, a doutrina católica, sobretudo o que afirma sobre o Papado e o ensinamento sobre a necessidade da Igreja para a salvação, que são artigos irrenunciáveis da fé cristã, tornam-se pedras de tropeço para esse objectivo.

 

O Magistério da Igreja, preocupado com a onda relativista, procurou e vem procurando esclarecer esses assuntos em várias ocasiões. O Verbo de Deus encarnou-se uma única vez; somente Nele se encontra a plenitude da Revelação e os meios necessários para o autêntico encontro com Deus. É através de Jesus Cristo e da sua continuação histórica na terra, que é a Igreja Católica, que o homem pode ser salvo. Sabemos que não há outro Nome debaixo do céu pelo qual a humanidade possa alcançar a salvação (Actos 4,12), o que nos leva a lembrar a Declaração Dominus Iesus, que diz: "Assim como existe um só Cristo, também existe um só seu Corpo e uma só sua Esposa".

 

Portanto, nós, católicos, não podemos aceitar a proposta de globalização da religião. Cremos que já existe a religião global, universal. Esta religião é a católica, sendo que a palavra quer dizer exactamente isto, universal. A Igreja Católica é a Igreja para a qual todos os seres humanos foram criados, e Jesus veio a este mundo para que todos, aqui na Terra, ou derradeiramente lá no Céu, pertençam à Sua Igreja. Se alguém tem alguma dúvida de que esta é a doutrina católica, basta consultar os documentos oficiais da Igreja, como a Declaração Dominus Iesus (2000) e/ou a notificação da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o livro "Para uma teologia cristã do pluralismo religioso", do padre jesuíta Jacques Dupuis. Este documento (2001) elencou cinco pontos básicos e inegociáveis da doutrina católica, principalmente na temática da salvação. A Santa Sé visava corrigir certos equívocos do autor do livro, padre Dupuis, e, ao mesmo tempo, ajudar os católicos a praticarem uma recta reflexão acerca do pluralismo e da tolerância religiosa, dentro do que é aceitável e verdadeiramente católico.

 

Primeiro ponto: Jesus Cristo é o único e universal mediador da salvação de toda a humanidade. A notificação rechaça a tese de "uma acção salvífica do Verbo" alheia à Pessoa de Cristo, ou seja, "independentemente da humanidade do Verbo encarnado". Com isso, a Congregação reafirma a supremacia do Cristianismo sobre todas as outras religiões. Somente na fé cristã Deus se encarnou, sofreu e morreu na cruz pela humanidade. A ideia segundo a qual Deus teria, de algum modo, se encarnado em todas as religiões, e que Jesus seria portanto apenas mais uma dessas muitas encarnações ou avatares é para o Cristianismo simplesmente absurda, sem qualquer respaldo teológico ou bíblico.

 

O segundo ponto destaca a unicidade e a plenitude da revelação em Jesus Cristo. É um dever de todo cristão crer firmemente na Mediação de Cristo, no cumprimento e na plenitude da Revelação nEle e através dEle, sendo "contrário à fé da Igreja" afirmá-la "limitada, incompleta e imperfeita". Não há uma única verdade de fé necessária à salvação que não esteja contida na doutrina cristã e, embora existam elementos de verdade nas outras religiões, todas elas, de uma maneira ou de outra, derivam "em última análise da mediação frontal de Jesus Cristo". Nenhuma outra doutrina ou religião “completa” o Cristianismo.

 

O terceiro ponto recorda a capacidade do Espírito Santo de agir "de maneira salvífica tanto nos cristãos como nos não-cristãos". Todavia, a mesma notificação ensina ser "contrário à fé católica pensar que a acção salvífica do Espírito Santo possa estender-se para além da única e universal economia salvífica do Verbo encarnado". Isso quer dizer que toda acção do Espírito Santo tem por meio a Igreja - sacramento universal da salvação -, mesmo entre os não-cristãos. A acção do Espírito Santo fora da Igreja existe, mas tem a intenção de trazer todas as pessoas à Igreja de Cristo, que confere os Sacramentos para a santificação e salvação.

 

O quarto ponto recorda a vocação universal do homem. Toda a humanidade foi orientada para Jesus: existe uma vocação específica dos seres humanos de todos os tempos, de todos os lugares da história para a Igreja de Cristo. Com isso, a Congregação afirma que "também os seguidores das outras religiões estão orientados para a Igreja e todos são chamados a fazer parte dela", não sendo possível "considerar as várias religiões do mundo como vias complementares à Igreja em ordem à salvação".

 

O quinto e último ponto da Congregação para a Doutrina da Fé responde à pergunta central: "Nós podemos afirmar que todas as religiões são caminhos de salvação?" O esclarecimento é categórico ao definir que, se por um lado "é legítimo defender que o Espírito Santo realiza a salvação nos não-cristãos também mediante os elementos de verdade e de bondade presentes nas várias religiões", por outro "não tem qualquer fundamento na teologia católica considerar estas religiões, enquanto tais, caminhos de salvação, até porque nelas existem lacunas, insuficiências e erros que dizem respeito a verdades fundamentais sobre Deus, o homem e o mundo". As verdades contidas nestas religiões podem contribuir para a salvação dos seus membros enquanto verdades ligadas à Pessoa de Jesus Cristo.

 

 

Resumo

 

Finalmente, que dizer a respeito das muitas religiões? São elas caminhos de salvação? Por tudo o que vimos, a resposta é bastante clara: enquanto religiões, não; elas não são caminhos ou instrumentos de salvação. As verdades que estão contidas nelas, - e que se encontram também fora delas, pois o Espírito Santo age em diversos povos, culturas, religiões, orientando as pessoas para Cristo e para sua Igreja, - podem servir como instrumentos que acabarão, indirectamente, conduzindo à salvação.

 

Esta doutrina, que para o gosto dos homens modernos muitas vezes parece antiquada, ao contrário do que alguns podem imaginar, está em plena concordância com o que afirma o Concílio Vaticano II, citada na Constituição Lumem Gentium (nº16). Por isso, um pluralismo religioso é uma realidade incompatível com a doutrina católica.

 

Com estes ensinamentos a Igreja não quer dificultar o diálogo interreligioso, tão pouco insuflar a intolerância. A Igreja quer, sim, conviver pacificamente com todas as culturas e religiões. Não raras vezes convidou para o diálogo humano fraterno e respeitoso. Mas não pode renunciar àquela missão que lhe foi confiada por Nosso Senhor: "Ide pelo mundo e fazei discípulos entre todas as nações" (Mateus 28, 19). Para que exista um diálogo saudável, porém, é necessário que ambas as partes sejam sinceras e conscientes das suas identidades. Caso contrário, corre-se o risco de edificar a casa sobre a areia da mentira e da falsidade, condenando-a, futuramente, ao desmoronamento. Foi o que explicou o próprio Cardeal Ratzinger a propósito das polémicas relacionadas à Declaração Dominus Iesus.

 

A missão da Igreja é universal, pois corresponde ao chamado do Salvador, que quer que todos as pessoas sejam salvas. Mas esta missão se dá através dEle, o Filho de Deus encarnado, Jesus Cristo; a salvação dos homens só acontece por meio de Jesus Cristo, na sua continuação histórica nesta terra: a Igreja Católica.

 

 

Fontes: * DECLARAÇÃO "DOMINUS IESUS" SOBRE A UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE SALVÍFICA DE JESUS CRISTO E DA IGREJA, Congregação para a Doutrina da Fé NOTIFICAÇÃO ** NOTIFICAÇÃO A PROPÓSITO DO LIVRO DE JACQUES DUPUIS "PARA UMA TEOLOGIA CRISTÃ DO PLURALISMO RELIGIOSO" (ED. QUERINIANA, BRÉSCIA 1997), Congregação apra a Doutrina da Fé, disponível em http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20010124_dupuis_po.html Acesso 7/10/013 *** Adaptado do episódio 191 da série de vídeos "A Resposta Católica", do Pe. Paulo de Azevedo Jr., disponível em http://padrepauloricardo.org/episodios/nos-podemos-afirmar-que-todas-as-religioes-sao-caminhos-de-salvacao Acesso 7/10/013 vozdaigreja.blogspot.com

 

 

Fiel Católico


18
Jul 13
publicado por FireHead, às 06:06link do post | Comentar

 Segundo São Mateus, quando a Santíssima Virgem concebeu virginalmente Jesus, estava desposada com São José, apesar de não viverem juntos (Mt 1, 18). Tratava-se de uma situação anterior ao casamento que, entre os judeus, supunha um compromisso tão forte e real que os comprometidos já podiam ser chamados de esposo e esposa, e que só podia ser anulado mediante repúdio.


 Do texto de São Mateus, deduz-se que depois da aparição do anjo a José, explicando-lhe que Maria havia concebido por obra do Espírito Santo (Mt 1,20), os dois casaram-se e passaram a viver juntos. A narração da fuga e retorno do Egipto, o estabelecimento em Nazaré (Mt 2, 13-23) ou mesmo o episódio da perda do menino no Templo quando tinha doze anos, apontam nessa direcção. São Lucas, além disso, ao narrar a anunciação do anjo a Maria, apresenta-a como “uma virgem desposada com José da casa de David” (Lc 1, 27). Portanto, segundo os Evangelhos, São José casou-se com a Santíssima Virgem. Esse dado, com certeza, pertence à tradição histórica recolhida nos Evangelhos.


 Se essas foram as segundas núpcias de São José, ou se ele, já ancião e viúvo, não chegou a desposar a Virgem Maria, mas apenas cuidou dela como de uma virgem que teria a seu encargo, são temas que caem no terreno das lendas. Não oferecem garantia alguma de historicidade.


 A primeira menção dessas lendas encontra-se no chamado “Protoevangelho de São Tiago”, do século II. Relata que Maria permanecia no Templo desde os três anos e que, ao completar doze, os sacerdotes procuraram alguém que se encarregasse dela. Reuniram todos os viúvos do povo, e, depois de um sinal prodigioso – do cajado de José saiu uma pomba – entregaram-lhe a guarda da Virgem. Segundo esta lenda, contudo, José não tomou Maria por esposa. De facto, quando o anjo lhe aparece em sonhos, não diz a José como em Mt 1, 20 “não temas receber Maria por esposa”, mas “não temas por esta donzela” (XIV, 2). Outro apócrifo mais tardio, que reelabora esse relato, o chamado “Pseudo-Mateus”, talvez do século VI, dá a entender que Maria foi desposada por José, pois o sacerdote diz a ela: “deves saber que não pode contrair matrimónio com nenhum outro” (VIII, 4); mas, em geral, fala de São José como protector da Virgem. Por outro lado, o “Livro da Natividade de Maria - uma espécie de resumo do “Pseudo-Mateus”- e a “História de José, o carpinteiro” (IV, 4-5) dizem claramente que José desposou Maria.


 Portanto, não há dados históricos que permitam afirmar que São José era casado anteriormente. O mais lógico é pensar que fosse um homem jovem quando desposou a Santíssima Virgem e que só se casou uma vez.


 

BIBLIOGRAFIA  

 

DANIELOU, J.  Los evangelios de la infancia, Herder, Barcelona 1969.

MUÑOZ IGLESIAS, S. Los evangelios de la infancia. IV, BAC, Madrid 1990.

DE SANTOS, A. Los evangelios apócrifos. BAC, Madrid 1993 (8ª ed.)

 

 

Gonzalo Aranda

 

Fonte: Opus Dei


22
Mai 13
publicado por FireHead, às 13:01link do post | Comentar

Os vários "Jesuses" inventados pelas seitas é totalmente diferente do Jesus das Escrituras. Um Jesus do reino material não existe como também não existe o Jesus filho de uma mulher comum ou o Jesus que autorizou milhares de doutrinas diversas.

 

Porque quando aparece alguém pregando-vos outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro Espírito, diferente do que haveis recebido, ou outro Evangelho, diverso do que haveis abraçado, de boa mente o aceitais (2 Coríntios 11,4).


24
Abr 13
publicado por FireHead, às 15:11link do post | Comentar

 


20
Abr 13
publicado por FireHead, às 06:44link do post | Comentar

 

Quando a Palavra diz "ÚNICO MEDIADOR DE DEUS" não se refere à oração como pensam os "crentes" e sim à SALVAÇÃO.


1 Timóteo 2,5: Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem que se DEU EM RESGATE POR TODOS,J esus Cristo HOMEM - άνθρωπος (em carne) foi mediador da salvação, ou seja, da NOVA ALIANÇA, como Moisés mediou os anjos para a Velha Aliança (Gálatas 3,19-20)


Intercessores de oração existem vários:

 

Jó 33,23: Se perto dele se encontrar um anjo, UM INTERCESSOR ENTRE MIL, para ensinar-lhe o que deve fazer.

Êxodo 20,3: Não terás outros DEUSES diante de mim.


Deuses = ídolos - pesel - “פֶסֶל֙


Segundo as Escrituras, quem chama os santos do céu de ÍDOLOS é porque a besta está a falar pela sua boca.


Ao confundir os santos com ídolos está-se a difamar os que moram no céu; A PALAVRA DIZ QUE A BESTA DIFAMARÁ OS SANTOS DO CÉU - Apocalipse 13,6): Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam nos céus.


A Bíblia nenhuma vez diz que os santos quando morrem se tornam ídolos. A PALAVRA DIZ QUE OS SANTOS QUANDO MORREM SÃO COMO ANJOS NO CÉU (Mateus 22,30).


E DEUS MANDA FAZER IMAGENS DE ANJOS (Êxodo 25,18). No Velho Testamento mostra que Josué se prostra diante de uma imagem (Josué 7,6).


12
Abr 13
publicado por FireHead, às 06:47link do post | Comentar

 

Bendito o fruto do teu ventre, disse Isabel a Maria. Jesus disse: porque pelo fruto se conhece a árvore.

 

O sangue que Jesus herdou de Nossa Senhora não pode ser impuro, ou seja, é impossível que Nossa Senhora tenha cometido qualquer pecado. Quem cometesse qualquer infracção da lei (pecado) estaria sob a maldição da lei (Deutoronómio 28:15-43). Uma das maldições do pecador seria: maldito o fruto do teu ventre (Deutoronómio 28:18). Só quem não cometesse nenhuma infracção é que receberia as bênçãos (Deutoronómio 28:1-2).

 

Bendito será o fruto do teu ventre, disse Moisés a Israel.

 

O Santo dos santos só poderia ter nascido de um ventre santo. Jesus não poderia ser Filho de uma escrava do pecado. Deus separou o filho da escrava e o filho da livre, e disse que o filho da escrava não herdaria como o da livre. Maria é o tabernáculo mais excelente e perfeito, feito pelas mãos de Deus e através do qual veio Cristo (Hebreus 9:11). Maria esmagou o dragão (demónio), a antiga serpente.

 

São Paulo chama Maria de Mãe de Deus, pois diz que Deus é nascido da mulher (Gálatas 4:4).


09
Abr 13
publicado por FireHead, às 07:30link do post | Comentar

Por que os protestantes são protestantes? Porque protestam. Porque protestar faz parte da sua essência. Porque as suas seitas protestam contra a Igreja Católica, que é a Verdade. No dia em que os protestantes não estiverem mais contra a Igreja Católica, deixam de ser protestantes. Do mesmo modo que um bêbedo deixa de ser bêbedo no dia em que deixar de beber ou um ladrão deixa de ser um ladrão se deixar de roubar. Protestar é a essência do protestantismo: é isso a sua razão de existir.

 

Segundo o professor Sabatier, duma universidade protestante de Paris, no dia em que os protestantes deixarem de protestar, de se reformar, ou seja, no dia em que reconhecerem uma autoridade exterior como regra e prova de Fé, deixariam de ser protestantes e nesse momento matar-se-iam.

 

Os ídolos de verdade são, para além dos gnósticos, eles próprios, os protestantes, que em boa verdade também são gnósticos, mas com uma pretensa capa cristã. Eles é que são os ídolos porque eles rejeitam a Verdade que é a Igreja Católica. Já dizia o profeta: Têm olhos e não enxergam, têm ouvidos e não ouvem; têm língua e não falam (Ezequiel 12,2).


03
Abr 13
publicado por FireHead, às 15:24link do post | Comentar

Muita gente pensa que a Igreja Católica é "apenas" a Igreja Católica Apostólica Romana, desconhecendo que existem católicos não romanos (como os católicos maronitas, sírios, melquitas, etc.), ou seja, católicos que não são do rito latino. Existem no total 23 igrejas autónomas no universo católico (a palavra "católico" vem do grego καθολικός [katholikos], que significa universal), sendo a católica romana, ou latina, a maior de todas elas (cerca de 98% dos católicos do mundo são católicos romanos) que tem como chefe o Bispo de Roma, i.e., o Papa, também chamado de Patriarca de Roma, que é também o chefe de toda a Igreja Católica com as suas 23 igrejas sui juris (todas elas estão em comunhão completa e subordinadas ao Papa porque têm a mesma Fé). A Igreja de Roma é a que possui a primazia sobre todas as outras porque foi fundada pelos Apóstolos Pedro e Paulo.

 

 

Actos 2,47: (...) E todos os dias acrescentava o Senhor À IGREJA aqueles que se haviam de salvar.


A Vinha de Deus (o Reino) que estava com os judeus foi entregue por Deus à Igreja Romana:


Mateus 21,38: Os lavradores (judeus), porém, vendo o filho, disseram (...) MATEMO-LO e teremos a sua herança! 
40: (...) Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele ÀQUELES LAVRADORES? 
41: (...) Mandará matar (...) ARRENDARÁ SUA VINHA A OUTROS LAVRADORES (...)
42: (...) A pedra rejeitada (Jesus) pelos construtores (judeus) tornou-se a pedra angular (...)
43: (...) SER-VOS-Á TIRADO O REINO DE DEUS, E SERÁ DADO A UM POVO (...)

Roma foi enxertada no lugar de Israel. São Paulo diz à Igreja Romana:

Romanos 11,17: Se alguns dos ramos foram cortados, e se TU, oliveira selvagem, FOSTE ENXERTADA EM SEU LUGAR (...)
19: PODERÁS DIZER: OS RAMOS FORAM CORTADOS PARA QUE EU FOSSE ENXERTADA. 

Por isso a Fé anunciada em todo o mundo é a Fé dos romanos e não há qualquer dúvida em relação a isso:

 

Romanos 1, 7-8: A TODOS OS QUE ESTAIS EM ROMA... dou graças a Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, PORQUE EM TODO O MUNDO É ANUNCIADA A VOSSA FÉ. 

 

A Igreja escolhida para ter a primazia sobre as restantes igrejas católicas (que juntas formam a Igreja Una Santa Católica e Apostólica) foi a Igreja Romana. As Escrituras confirmam que ela foi eleita:

 

1 Pedro 5,13: A IGREJA QUE ESTÁ EM BABILÓNIA (i.e., Roma), ELEITA.

 

A Fé dos apóstolos é romana! São Paulo não nasceu em Roma, mas sim em Tarso, que fica hoje na Turquia, e ele era romano de nascimento.

 

Actos 22,27: Vindo o comandante, perguntou-lhe: Diz-me: és tu ROMANO? Respondeu ele: SIM SOU.

 

Cristo foi claríssimo, ELE TIROU O REINO DE ISRAEL:

 

Mateus 21,43: Por isso Eu vos afirmo: o Reino de Deus ser-vos-á tirado e será entregue a uma NAÇÃO que produzirá os seus frutos.

 

Nação do grego Εθνι. Os judeus não quiseram o Evangelho:

 

João 12:37: Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não acreditavam nele.

 

E perseguiam a Igreja:

 

1 Tessalonicences 2,15: AQUELES JUDEUS que mataram o Senhor Jesus, que NOS PERSEGUIRAM, que não são do agrado de Deus, que são inimigos de todos os homens.

 

É por isso que a Igreja de Deus tinha que ser em Roma e não mais Jerusalém, confirmando assim a profecia de Oséias (Oséias 2,25) citada na epistola de São Pedro (1 Pedro ,2,10)

 

Actos 23,11: Na noite seguinte, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Coragem! Deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em ROMA.

 

O livro dos Actos só termina quando se chega ao destino que Deus quer para a Sua Igreja (Actos 28, 14-31).


A Fé católica é a Fé dos romanos apesar de nem todos os católicos do mundo serem católicos romanos por terem tradições culturais, históricas, teológicas, litúrgicas diferentes e estruturas e organizações territoriais separadas. Mas todos os católicos do mundo têm a mesma Fé sustentada na primazia da Igreja de Roma porque, como escreveu São Paulo, há UM SÓ SENHOR, UMA SÓ FÉ, UM SÓ BAPTISMO (Efésios 4:5).


06
Mar 13
publicado por FireHead, às 16:27link do post | Comentar

 

O primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só Igreja e uma só cátedra.

 

Nota: 258 d.C. é antes do imperador romano Constantino.


26
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:01link do post | Comentar

Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus connosco. (Isaías 7,14)

 

Donde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor? (Lucas 1,43)

 

Deus (Javé) é, por respeito, chamado também de Adonai, ou seja, Kyrios, isto é, Senhor.

 

Jesus Cristo e Deus são um só, logo Maria é a Mãe de Deus.

 

Eu e o Pai somos um. (João 10,30)

 

Deus estava no princípio: Ele era o Verbo (João 1,1) que Se fez carne (João 1,14).

 

A negação de que Deus encarnou é uma heresia profetizada:

 

E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo. (1 João 4,3)

 

O mesmo João diz que os que seguem Jesus são a descendência da mulher e esses serão perseguidos pelos filhos do dragão (serpente, Satanás):

 

E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. (Apocalipse 12,17)

 

Deus disse a Satanás: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. (Génesis 3,15)

 

Jesus disse a Maria: Mulher, eis aí o teu filho (João 19,26). E disse ao João: Eis a tua mãe (João 19,27).


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