«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Ago 14
publicado por FireHead, às 11:26link do post | Comentar

Pergunta: Gostaria de fazer uma pergunta: porquê na época de Jesus havia tantos endemoninhados, como nos atesta a Sagrada Escritura? Por ex: Mc 1,34 e 1,39.

 

 

Resposta: Realmente, nos relatos evangélicos está dito que Jesus Cristo “expulsava muitos demónios, e não permitia que eles [os demónios] falassem, porque sabiam quem Ele era” (Mc 1,34). São Lucas explica que os demónios “clamavam dizendo: Tu és o Filho de Deus; e, increpando-os, [Jesus] não permitia que falassem, porque sabiam que Ele era o Cristo [o Ungido de Deus]” (Lc 4,41).

 

Com base nessas passagens, o missivista pergunta “porquê na época de Jesus havia tantos endemoninhados”. De onde se infere que o missivista julga que, hoje em dia, talvez não sejam tantos.

 

O tema realmente merece um esclarecimento.

 

A humanidade sob o império do demónio

 

Antes da vinda de Jesus, o demónio reinava sobre a face da Terra. E isso a tal ponto que foi preciso Deus separar para Si um povo — o povo judeu — a fim de conservar a verdadeira fé e fazer nascer em seu seio o Messias, que havia de resgatar a humanidade do império do demónio.

 

Da incorrespondência do povo eleito fala bastante a Sagrada Escritura, mostrando como várias vezes ele se deixou contaminar pelos cultos idolátricos dos povos vizinhos. Ora, todos os deuses dos pagãos são demónios, como se lê no Salmo 95, versículo 5: “Omnes dii gentium, daemonia”.

 

Assim, não espanta que também entre os judeus o número de endemoninhados fosse grande. E que dizer, então, dos povos pagãos, totalmente imersos na idolatria?

 

Operada a redenção do género humano, pela sacrossanta Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, o poder do demónio foi quebrado. Por toda a parte onde a Boa Nova do Evangelho se implantava, os demónios eram expulsos e os ídolos caíam (ou eram derrubados pelos primeiros cristãos, com a força das suas mãos).

 

Como se sabe, a implantação do Cristianismo não se deu sem luta e sem derramamento do sangue de muitos cristãos. Depois da era das perseguições, por fim instaurou-se uma nova era para a humanidade, com o édito de Constantino no ano de 313. A Igreja, por fim, pôde exercer livremente o seu ministério. O número de endemoninhados diminuiu, porém nunca desapareceu totalmente.

 

 

“Até os demónios se submetem a nós”

 

Durante a guerra civil de Arezzo, São Francisco exortou o irmão Silvestre a expulsar os demónios que habitavam na cidade. Enquanto o santo faz recolhidamente as suas orações, Silvestre executa a acção proposta.

 

Para enfrentá-los, Nosso Senhor Jesus Cristo havia comunicado a Seus discípulos o poder de expulsar os demónios. Quando os enviou em missão pela Judeia, disse-lhes: “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demónios” (Mt 10,8). De volta, os discípulos estavam exultantes, dizendo: “Senhor, até os demónios se submetem a nós, em virtude do Teu nome. E Ele disse-lhes: Eu vi Satanás cair do céu como um raio. Eis que vos dei o poder de calcar as serpentes e escorpiões, e toda potência do inimigo, e nada vos fará dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, antes alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos no Céu” (Lc 10,17-20).

 

“Eu vi Satanás cair do céu como um raio” significa que com a Sua ciência sobrenatural Jesus estava vendo, durante a missão dos discípulos, a derrota do império satânico. Satanás, palavra que vem do aramaico “Sataná”, quer dizer inimigo. Ele é o adversário por excelência da instauração do reino de Deus. O céu do qual cai é o céu do universo físico (cfr. Ef 2,2; 6,12). Cair “como um raio” indica que, com a vinda de Cristo, o seu poder ia diminuindo rapidamente, e diminuiria ainda mais com a expansão do Cristianismo. Esse poder, que Jesus conferiu aos discípulos, está expresso, no trecho citado, por diversos animais venenosos: serpentes e escorpiões (cfr. Ps 90,13). A alegria que os discípulos sentem vendo os demónios se submeterem a eles, em nome de Jesus, é inteiramente justa. Mas, para que nela não se misturasse nenhum elemento humano, como em outra ocasião já ocorrera (cfr. Mt 17,19-21), Jesus lhes lembra que muito maior deve ser a sua alegria por terem os seus nomes escritos no Céu (tomamos estas explicações exegéticas do Pe. Manuel Tuya O.P., Bíblia Comentada, BAC, Madrid, 1964, tomo V, p. 836).

 

 

Mundo moderno traz de volta o império de Satanás

 

A influência da Igreja sobre a humanidade atingiu o seu auge na Idade Média, época da qual falou Leão XIII em trecho célebre, tantas vezes citado em Catolicismo, mas cujo brilho nunca evanesce: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que Lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à protecção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (Immortale Dei, 1°-11-1885, n° 28).

 

Descontente com essa situação, o demónio organizou um movimento para derrubar essa ordem cristã. Para isso desencadeou um processo revolucionário que se desdobra em várias etapas magistralmente descritas por Plinio Corrêa de Oliveira na sua obra-prima “Revolução e Contra-Revolução”. Ao longo desse processo, o demónio foi minando a influência da Santa Igreja, dilacerando-a por crises internas e paganizando a sociedade. Desse modo, a presença e a actuação de Satanás vai-se manifestando cada vez mais em crimes espantosos e desvarios de toda ordem. Não é de estranhar, pois, que também os casos de endemoninhados cresçam na mesma velocidade em que a sociedade se paganiza.

 

Foi muito oportuno, pois, que o missivista trouxesse à baila o problema, com a sua pergunta cheia de propósito.

 

Nestas condições, abre-se para a Santa Igreja uma nova etapa, em que é preciso fazer uso dos poderes que Jesus Cristo lhe conferiu, incrementando fortemente o trabalho dos exorcistas autênticos. Assim o têm pedido alguns teólogos de renome. Mas é preciso que a sua voz seja ampliada pela de todos os católicos que se convenceram dessa assustadora realidade. E, sobretudo, é necessário rezar, pedindo a intercessão d’Aquela que uma vez esmagou a cabeça da serpente com os seus pés imaculados, a sempre Virgem Maria!

 

 

Fonte: Catolicismo


Esses demónios são, segundo os cristãos primitivos, os desejos e as paixões.
Odisseia na Internet a 5 de Agosto de 2014 às 00:15

E não poderão ser mesmo espíritos malignos?
FireHead a 8 de Agosto de 2014 às 11:13

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