«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
18
Set 14
publicado por FireHead, às 10:10link do post | Comentar

Desprezo hipócrita pela morte

 

19. Vós, porém, que não tendes conhecimento dessas coisas, aprendei-as de nós, que as conhecemos, e terminai agora de apregoar que desprezais a morte e praticais a frugalidade. O facto é que vossos filósofos estão tão distantes de semelhante ascese, que alguns recebem anualmente do imperador romano seiscentas moedas de ouro, as quais não têm outra finalidade útil, nem mesmo para cortar gratuitamente a longa barba. Ao menos Crescente, que colocou o seu ninho na grande cidade, sobrepujava a todos em pederastia e não tinha outro objectivo além do dinheiro; ele que aconselhava a desprezar a morte, de tal maneira a temia, que maquinou dá-la a Justino e também a mim, como se fosse um mal, porque, pregando a verdade, ele desmascarava os filósofos como glutões e embusteiros. E quem tinha a obrigação de perseguir o filósofo, senão exatamente vós? Se dizeis, coincidindo com nossas doutrinas, que não se deve temer a morte, não morrais por vanglória humana, como Anaxarco, mas tornai-vos desprezadores da morte, por causa do conhecimento de Deus. De facto, a feitura do mundo é boa, mas a conduta que nele se leva é má, e é fácil ver como em mercado público aplaudis teatralmente aos que não conhecem a Deus. Com efeito, o que é a mântica? Como te deixas extraviar por ela? Ela é para ti ministra das cobiças que imperam no mundo. Queres fazer guerras, e tomas Apolo como conselheiro de tuas matanças. Queres raptar uma donzela, e te propões que a divindade venha em tua ajuda. Estás enfermo por tua culpa e, como Agamenon pedia dez conselheiros, assim queres que outros tantos deuses estejam a teu lado. Uma mulher que bebe água enlouquece, e com os perfumes de incenso sai de si mesma, e tu dizes que ela adivinha. Apolo foi profeta e mestre de adivinhos e, no entanto, Dafne o enganou. Por tua vida, diz-­me: Como é que um carvalho adivinha, pássaros predizem o futuro, e tu és inferior às plantas e pássaros? Portanto, seria bom que te convertesses em árvore fatídica e tomasses as asas dos habitantes do ar. Aquele que te torna avaro é o mesmo que te Vaticana como enriquecer-te; aquele que provoca sedições e batalhas, esse mesmo te profetiza a vitória na guerra. Se te tornasses superiores às tuas paixões, desprezarias tudo o que existe no mundo.

 

Nós somos assim, e não deveis odiar-nos; ao contrário, rejeitando os demónios, seguir somente aquele que é Deus. Tudo foi por ele, e nada foi feito sem ele; se no mundo criado existe algo nocivo, isso sobreveio por causa dos nossos pecados. Posso mostrar-vos toda a economia disso. Escutai-me, e aquele que crer o compreenderá.

 

As asas da alma

 

20. Mesmo que te cures por medicamento (concedo-te isso apenas por cortesia), deves também dar testemunho a Deus. De facto, o mundo ainda nos arrasta para baixo, e por causa da minha fraqueza busco a matéria. As asas da alma são o espírito perfeito, e quando o pecado tirou-lhe o espírito, a alma ficou pairando como um pássaro implume, veio arrastar-se por terra e, por ter saído da convivência celeste, desejou a convivência das coisas inferiores. Com efeito, os demónios foram arrancados de sua morada, e nossos primeiros pais foram desterrados: aqueles foram expulsos do céu; estes da terra, mas não de uma terra como esta, e sim de uma outra de melhor constituição. E dever nosso, suspirando antecipadamente pelo primitivo, rejeitar tudo o que é impedimento para recuperá-lo. De facto, ó homem, o céu não é ilimitado, mas finito e limitado. Todavia, o que está além dele são éons ou tempos melhores, que não sofrem a variedade de estações, através das quais é produzida toda espécie de enfermidades. Aí se experimenta toda boa temperatura, dia que não tem fim e luz inacessível aos homens aqui debaixo. Aqueles que compuseram geografias ou descrições da terra nos deram a descrição dos diversos lugares, segundo a possibilidade do homem. Contudo, como não eram capazes de explicar os lugares além do céu, porque não são passíveis de observação, deliraram com fluxos e refluxos. Uns disseram que os mares eram cheios de algas, outros, cheios de barro; disseram que alguns lugares eram abrasados pelo calor, outros, gelados pelo frio. Nós, porém, aprendemos dos profetas o que ignorávamos; estes, persuadidos de que o espírito celeste, vestidura de nossa imortalidade, juntamente com a alma, um dia possuirá a imortalidade, predisseram o que as outras almas não sabiam. Entretanto, é possível a todo aquele que se despoja de si mesmo, possuir esse superenfeite do espírito e voltar ao primitivo parentesco com ele.

 

Não é loucura afirmar a encarnação

 

21. Ó gregos, nós não estamos loucos, nem pregamos idiotices, quando anunciamos que Deus apareceu em forma humana. Vós, que nos insultais, comparai os vossos mitos com as nossas narrativas. Deífobo, como se conta, era a própria Atena, para enganar Heitor; através de Adureto, Apoio, o de vasta cabeleira, dedicou-se a apascentar bois de andar torto e, em forma de uma velha, apresentou-se a Semeie, a mulher de Zeus. Como é que vós, entretendo-vos com tais cantos, podeis zombar de nós? O vosso deus Asclépio morreu, e aquele que numa só noite violou cinquenta donzelas em Tépias, morreu entregando-se como pasto das chamas. Prometeu, cravado no Cáucaso, sofre o castigo pelo benefício prestado aos homens. Segundo vós, Zeus é invejoso e manda um sonho enganador quando quer arruinar os homens. Portanto, olhai para os vossos próprios monumentos e aceitai-nos, ao menos por inventar fábulas semelhantes às vossas. Nós não somos insensatos, mas a vossa religião é pura charlatanice. Se dizeis que os deuses têm origem, afirmais também que eles são mortais. Como é que Hera não concebe mais? Será que ela se tornou velha, ou não tendes quem vos anuncie? Crede em mim, ó gregos, e deixai de explicar alegoricamente os vossos mitos e deuses. De facto, se procurais levar a cabo tal intento, vossos deuses são destruídos não somente por nós, mas também por vós. Com efeito, ou os demónios entre vós são o que se diz que são e, neste caso, têm condição perversa; ou interpretados para significar outra coisa, já não são o que se diz. Eu não me persuadiria jamais a adorar a substância de elementos materiais, nem procuraria persuadir o meu próximo a isso. Metrodoro de Lâmpsaco, em seu livro sobre Homero, discute com farta insensatez, reduzindo tudo a alegoria. Aí ele diz que nem Hera, nem Atena, nem Zeus são o que pensam aqueles que levantam templos e recintos sagrados para eles, mas forças da natureza e ordenação dos elementos. Naturalmente direis que são da mesma natureza Heitor, Aquiles e o próprio Agamenon e, numa palavra, todos os gregos e bárbaros, juntamente com Helena e Páris, e que somente por causa da economia e disposição poética o poeta introduziu todas essas personagens, embora nenhuma delas tenha existido. Advirto que adiantei tudo isso por pura concessão, porque por si não é reverente comparar a nossa ideia de Deus com aqueles que se revolvem na lama da matéria.

 

A imoralidade do teatro

 

22. Qual é a qualidade de vossas representações teatrais? Quem não zombará de vossos espectáculos públicos que, realizados com pretexto dos demónios perversos, conduzem os homens à desonra? Eu vi muitas vezes uma personagem e, vendo-a, admirei-me e, depois de me maravilhar, a desprezei, pois era uma por dentro e mentia por fora o que não era, extremamente efememinada e totalmente dissoluta; algumas vezes seus olhos brilhavam, outras vezes gesticulava agilmente com as mãos; ora fazia-se de louca com a sua máscara de barro, ora se convertia em Afrodite ou Apolo. Ela sozinha era a acusadora de todos os deuses, compêndio da superstição, caluniadora dos feitos dos heróis, representante de assassínios, intérprete de adultérios, depósito de loucuras, mestra de corrompidos, ocasião de condenações à morte. E tal homem que vi era por todos aclamado. Eu porém voltei as costas para aquele que em tudo era enganado: em seu ateísmo, em suas representações e em sua pessoa. Vós, porém, vos deixais arrebatar por tais pessoas e ultrajais os que não tomam parte em vossos entretenimentos. Não quero ficar de boca aberta quando um coro canta. Nem me dá vontade de me conformar aos gestos e movimentos contra a natureza. Que tipo de extravagância não se inventa e representa entre vós? Rouquejam e recitam indecências, praticam-se movimentos que não são lícitos, e vossas filhas e filhos contemplam os que dão aulas em cena sobre como cometer um adultério. São belas as vossas salas de audição que apregoam tudo de pecaminoso que se pratica no escuro da noite, e divertem os ouvintes com recitais de discursos desonestos. Bons também são os vossos poetas, embusteiros que com suas retóricas enganam aqueles que os escutam.

 

A luta de gladiadores

 

23. Vi também homens fatigados pelos exercícios de treinamento que levavam por todo lugar o peso de suas carnes. A estes são propostos prémios e coroas e os agonotetas ou organizadores de combates os incitam a competir não em alguma acção boa, mas na insolência e na luta, sendo coroado o que melhor golpeia. Esse é o menor mal; o mais grave quem não vacilará em explicá-­lo? Existem aqueles que de tal maneira se entregaram à ociosidade, que por dissolução vendem-se a si mesmos para serem mortos; o pobre se vende a si mesmo e o rico compra os que devem matá-lo. Aí se assentam os espectadores, e os lutadores combatem corpo a corpo, sem nenhum objecto, e não há ninguém que desça para ajudá-los. Por acaso são boas acções como essas que praticais? O homem proeminente entre vós reúne o exército de assassinos e anuncia publicamente que vai alimentar uma tropa de bandidos. Depois esses mesmos bandidos saem de sua casa e vós todos correis para o espectáculo, primeiro para serem juízes da maldade do agonoteta, e depois dos próprios gladiadores. E aquele que não pôde assistir à matança fica triste por não ter sido condenado a ser espectador de obras perversas e abomináveis. Sacrificais animais para comer a sua carne e comprais homens para infligir também à alma uma carnificina humana, saciando-a com os mais ímpios derramamentos de sangue. O salteador mata para roubar; o rico, porém, compra gladiadores somente para matar.

 

Novo ataque ao teatro

 

24. Para que me serve esse actor que, na tragédia de Eurípides, representa, furioso, o matricídio de Alcmeon? Ele não preserva nem a sua própria figura, abre desmesuradamente a boca, brande a espada à direita e à esquerda, inflama-se em gritos e veste uma roupa que ninguém usaria. Que pereçam as fábulas de Hegesipo e de Menandro, versifïcador da mesma língua daquele. Por que ficaria eu boquiaberto diante do flautista mítico? Que falta me faz trabalhar, como Aristóxeno, pelo tebano Antigenides? Concedemo-vos todas essas inutilidades, em troca acreditai em nossas doutrinas ou, imitando-nos, deixai-nos em paz com elas.

 

Outra vez contra os filósofos

 

25. O que é que os vossos filósofos fazem de grande e maravilhoso? Trazem um dos ombros desnudado, conservam sua longa cabeleira, cultivam sua bela barba, usam unhas de feras; fanfarroneiam que não têm necessidade de nada, quando, como Proteu, necessitam do curtidor por causa do alforje, do tecelão para o manto, do lenhador para o bastão, dos ricos e do cozinheiro para suas gulodices. Tu, homem que imitas o cão, não conheces a Deus e, por isso, vives imitando os irracionais: depois de proclamar aos gritos e publicamente com fingida seriedade, te constituis em vingador de ti mesmo; se não recebes, desatas em insultos, e a filosofia é para ti a arte do lucro. Tu segues as doutrinas de Platão, e aquele que faz sofismas conforme Epicuro opõe-se a ti com voz estridente. Queres ordenar tua conduta de acordo com Aristóteles, e um discípulo de Demócrito te cobre de injúrias. Pitágoras afirma ter sido Euforbo e é herdeiro da doutrina de Ferecides, enquanto Aristóteles nega a imortalidade da alma. Vós, entre os quais existem doutrinas contraditórias, combateis, discordando, contra os que são entre si concordes. Há quem diz que o Deus perfeito é corpo; eu, que é incorpóreo; que o mundo é indestrutível; eu, que é destrutível; que a conflagração universal acontece periodicamente; eu, que de uma só vez; que os juízes são Minos e Radamante; eu, que é o próprio Deus; que só a alma receberá a imortalidade; eu, que juntamente com ela também a carne. Gregos, em que vos prejudicamos? Por que odiais, como sendo os mais abomináveis, a nós que seguimos o Verbo de Deus? Entre nós não existe antropofagia; as informações que recebeis disso são falsos testemunhos. É entre vós que Pélope é preparado como ceia para os deuses, embora seja o querido de Poseidon; Cronos come seus próprios filhos e Zeus engole Métis.

 

Contra os gramáticos

 

26. Basta de jatar-vos com discursos alheios e de adornar-vos, como a gralha, com plumas dos outros. Se cada cidade vos despojasse das expressões que lhe pertence, já teriam acabado todos os vossos sofismas. Procurando averiguar quem é Deus, desconheceis o que há em vós mesmos, e, olhando boquiabertos o céu, acabais caindo num poço. As contradições de vossos livros parecem um labirinto, e aqueles que os lêem se parecem com o tonel das Danaides. Para que dividis o tempo, dizendo que uma parte é passado, outra presente e outra futuro? Como o futuro pode passar, se é o presente? Como os navegantes acreditam em sua ignorância, por causa do movimento acelerado do navio, que são os montes que correm, do mesmo modo sois vós que passais rapidamente, mas o tempo permanece parado, enquanto aquele que o fez quiser que exista. Por que, quando expondo minhas doutrinas, sou recriminado e pondes todo empenho em aniquilar o que me pertence? Será que não nascestes de modo semelhante a nós e não participais da mesma ordenação do mundo? Como é que dizeis que só entre vós existe a sabedoria, se não tendes outro sol, nem outros astros que vos iluminem, nem origem diferente, nem morte melhor do que os outros mortais? O princípio de vossa charlatanice foram os gramáticos; vós, que partilhais a sabedoria, vos separastes da verdadeira sabedoria e repartistes entre os homens os nomes das partes dela; como não conheceis a Deus, aniquilais uns aos outros, fazendo-vos guerra mútua. Por isso, não sois nada entre todos; e vos apropriais das palavras, mas em seguida falais como um cego com um surdo. Para que tendes nas mãos instrumentos de construção, se não sabeis construir? Para que vos ergueis com as palavras, se estais longe das obras? Envaidecidos na glória, abatidos nas desgraças, irracionalmente abusais de vossas figuras retóricas. Em público, andais pomposos, mas escondeis vossas doutrinas nos cantos. Ao dar-nos cabal conta de que assim sois, vos abandonamos e já não tocamos em coisa que é vossa, mas seguimos o Verbo de Deus. De facto, ó homem, que sentido tem desencadear a guerra das letras? Por que, como num pugilato, fazes chocar tuas pronúncias pelo sussuro dos atenienses, quando deverias falar de modo mais natural? Por que falas em ático, não sendo ateniense, dite-me, por que não falas em dórico? Por que este dialecto te parece mais bárbaro e aquele mais agradável para a conversação?

 

Não se castiga a ninguém por causa do nome

 

27. Se te aténs à instrução daqueles mestres de dialecto ático, por que me declaras guerra por escolher dentre o que se ensina as opiniões que quero? Com efeito, o que é mais absurdo do que não castigar um bandido pelo mero nome que lhe dão, antes de averiguar exactamente a verdade e, em troca, odiar-nos por uma preocupação caluniosa, sem nenhuma averiguação? Diágoras foi ateu e, embora divulgasse os mistérios que se praticam entre os atenienses, vós o honrastes e, enquanto ledes os seus discursos frígios. vós nos odiais. Tendo em vosso poder os Comentários de Leonte, vós vos irritais contra os vossos argumentos; correndo de mão em mão as opiniões de Apião sobre os deuses do Egipto, vós vos proclamais como os homens mais ímpios. Entre vós mostra-se o sepulcro de Zeus olímpico, por mais que se diga que os cretenses mentem. A turma inteira de vossos muitos deuses não é nada e, mesmo quando Epicuro, o negador deles, vá à frente com sua tocha, eu não presto aos príncipes um culto superior a Deus. Não quero ocultar a minha concepção sobre o universo. Por que me aconselhas a dissimular a minha conduta? Como, professando o desprezo da morte, nos anuncias a maneira de evitá-la com esperteza? Eu não tenho coração de cervo; mas todo esse aparato dos vossos discursos é pura charlatanice de Persites. Como vou acreditar em alguém que me diz que o sol é uma massa incandescente e que a lua é terra? Tudo isso são jogos de palavras e não ordenação da verdade. Existe maior estupidez do que crer nos livros de Herodoro, em sua história de Herácles, na qual se fala de uma terra superior, de onde desceu o leão que foi morto por Herácles? De que me serve a dicção ática, os sorites dos filósofos, as conclusões verossímeis dos silogismos, as medidas da terra, as posições dos astros e os cursos do sol? Ocupar-se em averiguar essas coisas é obra daqueles que impõem suas próprias opiniões como lei.

 

Contra a variedade das leis

 

28. Por isso, condeno também as vossas leis. Deveria haver uma só constituição política comum para todos; agora, há tantas legislações quantas cidades existem, e assim acontece que o que entre uns é vergonhoso, entre outros é tido por honroso. Os gregos, por exemplo, pensam que se deve evitar a união com a própria mãe, ao passo que entre os magos persas isso é tido como a mais bela instituição. A pederastia é perseguida entre os bárbaros; entre os romanos, porém, é considerada um privilégio, pois procuram reunir rebanhos de crianças para ela, como manadas de cavalos para o pasto.

 

Caminho para a fé: reflexão autobiográfica

 

29. Tendo visto isso tudo, e também depois que me iniciei nos mistérios e examinei as religiões de todos os homens, instituídas por eunucos efeminados, encontrando entre os romanos aquele que eles chamam de Júpiter Laciar, que se compraz em sacrifícios humanos e no sangue dos executados; que Diana, não longe da grande cidade, exigia o mesmo tipo de sacrifícios; por fim, que numa parte um demónio, e em outra, outros se entregavam em perpetrar iniquidades semelhantes, entrando em mim mesmo, co­mecei a perguntar-me de que modo ser-me-ia possível encontrar a verdade. Em meio às minhas graves refle­xões, caíram-me casualmente nas mãos algumas Escritu­ras bárbaras, mais antigas que as doutrinas dos gregos e, se considerarmos os erros destes, são realmente divinas. Tive que acreditar nelas, por causa da simplicidade de sua língua, pela maturidade dos que falam, pela fácil compre­ensão da criação do universo, pela previsão do futuro, pela excelência dos preceitos e pela unicidade de comando do universo. Com a alma ensinada pelo próprio Deus, com­preendi que a doutrina helénica me levava para a conde­nação; a bárbara, porém, livrava-me da escravidão do mundo e me afastava de muitos senhores e tiranos infini­tos. Ela nos dá, não o que não tínhamos recebido, mas o que, uma vez recebido, o erro nos impedia de possuir.

 

O tesouro escondido

 

30. Tendo compreendido essas coisas, quero tornar-me uma criança pequena e desvestir-me do homem terreno. De facto, sabemos que a natureza da maldade é semelhante a uma semente pequeníssima que, com a mais leve razão, lança raízes; novamente se desfaz se nós obedecemos ao Verbo de Deus e não nos dissipamos a nós mesmos. Por meio de um tesouro oculto, o Verbo de Deus se tornou dono do que é nosso. Desenterrando esse tesouro, nós nos enchemos de poeira, mas demos ao Verbo a ocasião para ele estar connosco. Somente aquele que recebe toda a posse dele terá poder sobre a mais preciosa riqueza. Além disso, essas coisas fiquem ditas para os da própria casa. Para vós, gregos, que outra coisa vos direi, senão que não insulteis aqueles que vos são superiores, e que pelo facto de se chamarem bárbaros não os tomeis como pretexto para vossos escárnios? Se quiserdes, podeis encontrar a causa pela qual nem todos se entendem em uma só língua. Estou disposto a dar uma explicação fácil e abundante sobre isso para aqueles de vós que desejam examinar a fundo a nossa doutrina.

 

A prova da antiguidade

 

31. Creio agora oportuno demonstrar-vos que a nossa filosofia é mais antiga do que as instituições gregas. Os limites serão Moisés e Homero. Tanto um como outro são antiquíssimos: um é o mais velho dos poetas historiadores; outro, autor de toda a sabedoria bárbara. Tomemo-los para estabelecer a comparação e veremos que a nossa religião não só é mais antiga que a cultura dos gregos, mas anterior à invenção do alfabeto. Não tomarei testemunhas da minha própria casa, e sim valer-me da ajuda dos próprios gregos. A primeira forma não teria sentido, nem mesmo nós aceitamos isso. A segunda, porém, se verá que é um maravilhoso plano, pois vos combateremos com vossas próprias armas e usaremos os vossos próprios argumentos insuspeitos.

 

Os mais antigos que se dedicaram a investigar a poesia de Homero, sua origem e o tempo em que floresceu, foram Teágenes de Régio, que viveu no tempo de Combises, Estesímbroto de Tasos, Calímaco de Colofon, Heródoto de Halicarnasso e Dionísio de Olinto; depois desses, Éforo de Cima, Filócoro de Atenas e os peripatéticos Megaclides e Camaleonte; depois os gramáticos Zenódoto, Aristófanes, Calímaco, Crates, Eratóstenes, Aristarco e Apolodoro.

 

Entre estes, os da escola de Crates dizem que Homero apareceu antes da volta dos heráclidas, o mais tardar oitenta anos depois da guerra de Tróia; as de Aristarco, durante a emigração jónia, que aconteceu cento e quarenta anos depois do que aconteceu com Tróia; Filócoro, depois da emigração jónia, durante o arcontado de Arquipo em Atenas, cento e oitenta anos depois dos acontecimentos de Tróia; os de Apolodoro, cem anos depois da emigração jónia, que equivaleria a duzentos e quarenta anos depois de Tróia. Alguns afirmaram que ele nasceu antes das Olimpíadas, isto é, quatrocentos anos depois da tomada de Tróia. Alguns abaixam o tempo, e o fazem contemporâneo de Arquíloco, que floresceu na vigésima terceira olimpíada, na época do lídio Giges, quinhentos anos depois da guerra de Tróia. Para os que podem examinar com exactidão os meus argumentos, é suficiente o que foi dito resumidamente sobre o poeta Homero e sobre a discussão e discrepâncias entre os que dele falaram. Daí é possível a qualquer um afirmar também a falsidade das opiniões sobre a sua vida. Com efeito, para aqueles que não possuem uma cronologia bem ordenada não é possível também com por história verdadeira. De facto, qual é a causa do erro ao escrever, senão combinar dados não verdadeiros?

 

Filosofia cristã

 

32. Entre nós não existe a ambição de glória e, por isso, não seguimos uma multiplicidade de doutrinas. Com efeito, afastados da razão vulgar e terrena, obedientes aos mandamentos de Deus e seguindo a lei do Pai da incorrupção, rejeitamos tudo o que se funda em mera opinião humana; não só os ricos filosofam, mas também os pobres tomam gratuitamente parte no ensinamento. O que vem de Deus ultrapassa a qualquer dom mundano que se poderia dar em troca. Nós, portanto, admitimos a todos os que querem ouvir-nos, ainda que sejam velhinhas e rapazes e, por fim, qualquer idade é honrada entre nós. A única coisa da qual estamos bem afastados é a dissolução. Nós não mentimos ao falar. Seria bom que pusésseis fim à vossa teimosia na incredulidade. Nossa doutrina está confirmada pelo pensamento de Deus e vós podeis rir, como pessoas que logo irão chorar. Que coisa mais absurda do que admirar vosso Nestor que, por fraqueza e peso da idade, só lentamente pode cortar as carreiras do terceiro cavalo e, todavia, procura lutar como qualquer jovem. Em troca, zombais daqueles nossos que lutam com a idade e se ocupam nas coisas divinas. Quem não rirá de vós, quando falais que existiram certas amazonas, uma tal Semíramis e outras mulheres guerreiras e, ao mesmo tempo, insultais nossas virgens? Aquiles era jovem e, contudo, é considerado muito nobre; Neoptólemo era mais jovem ainda, mal era forte; Filocteto estava doente e, todavia, a divindade precisava dele contra Troia. De que tipo era Tersites? Entretanto, era chefe e se, por sua ignorância, não tivesse sido tão charlatão, não teria sido denegrido por sua cabeça pontiaguda e com pouco cabelo. Todos os homens que desejam filosofar correm até nós, que não examinamos as aparências, nem julgamos, por sua figura, aqueles que se aproximam. Pensamos que a força da inteligência possa existir em todos, ainda que sejam fisicamente fracos. Vossas instituições, porém, estão cheias de maldade e de muita ignorância.

 

A imoralidade da escultura

 

33. Tomando a prova do que entre vós é tido como precioso, pensei em estabelecer que nossos costumes são castos, enquanto os vossos são acompanhados de muita sua arte. De minha parte, também condeno Pitágoras, que fez Europa sentar-se sobre um touro, e a vós, que honrais aquele que, por sua arte, é acusador de Zeus. Divirto-me também com a habilidade de Micon, que fez um bezerro e colocou Vitória montada nele, porque Zeus, ao raptar Europa, a filha de Agenor, ganhou a palma de adúltero e intemperante. Por que Heródoto de Olinto fabricou a prostituta Glicera e a tangedora Argiva? Briaxis colocou Pasifae em pé, e, recordando a sua dissolução, falta pouco para que prefirais que as mulheres de hoje sejam como ela. Houve tal Melanipa, mulher sábia, e por sua sabedoria Lisístrato lhe esculpiu uma estátua. E, contudo, não acreditais que também entre nós existam mulheres sábias.

 

34. Certamente é muito digno de veneração o tirano Faláris, que se fazia servir à mesa crianças de peito e por obra do ambraciota. Polístrato, é apresentado até hoje como homem maravilhoso. Os habitantes de Agrigento sentiam temor ao olhar semelhante monstro da desumanidade, enquanto os que se orgulham de sua própria cultura, vangloriam-se de contemplá-lo em imagem. Como não considerar coisa grave que se honre entre nós o fratricídio, pois vós mesmos, olhando as figuras de Polinices e Etéocles, não jogastes as estátuas num poço, juntamente com seu escultor Pitágoras, destruindo os monumentos da maldade? Por que me insinuais, através de Policlímeno, para que eu considere maravilha uma mulherzinha que gerou trinta filhos? Teria sido melhor abominar aquela que recolheu os frutos de sua grande incontinência, como a porca dos romanos que pelo mesmo motivo, como dizem, foi considerada digna de culto misterioso. Ares cometeu adultério com Afrodite, e Andron vos esculpiu Armonia, que deles nasceu. Sofron, que em suas comédias produziu tantas besteiras e inutilidades, é ainda mais famoso graças à escultura que até agora existe. O embusteiro Esopo não só se tornou imortal por causa de suas fábulas, mas a plástica de Aristodemo o tornou famoso no mundo todo. Como é que, tendo entre vós tantas poetisas que não valem nada, prostitutas incontáveis e homens malvados, não vos envergonhais de caluniar a pureza de nossas mulheres? Que me interessa saber que Evanta deu à luz durante o passeio, ficar boquiaberto diante da arte de Calístrato e erguer meus olhos para Neera de Calíades? Era uma hetera. Laís foi prostituta e seu cúmplice a tornou monumento de sua prostituição. Como não vos envergonhais da fornicação de Hesféstio, por mais artisticamente que Fílon o tenha representado? Porque honrais o andrógino Ganimedes, graças a Leocares, como se com ele possuísseis um tesouro, assim como a mulherzinha dos braceletes que Praxíteles cinzelou? O que deveríeis fazer é recusar tudo isso e buscar verdadeiramente o bem, e não abominar nossa conduta, tornando vossas as obscenidades de uma Filénis e de uma Elefantis.

 

Taciano viajante

 

35. Exponho-vos tudo isso, não porque soube de outros, mas porque percorri muitas terras, professei como mestre vossas próprias doutrinas, pude examinar muitas artes e ideias e, por fim, vivendo em Roma, pude contemplar detidamente a variedade de estátuas que para lá vós exportastes. De facto, não me preocupo, como o vulgo costuma fazer, em confirmar minhas doutrinas com opiniões alheias, mas só quero escrever aquilo que eu pessoalmente compreendi. Justamente por isso, dando adeus à altivez dos romanos, ao frio palavrório dos atenienses e aos contraditórios sistemas de vossa filosofia, aderi finalmente à nossa filosofia bárbara. Eu começara a escrever como ela é mais antiga que vossas instituições, mas diferi, porque estava premido para expor outro tema; agora, chegado o momento de falar de suas doutrinas, procurei terminar a minha exposição. Não leveis a mal a nossa instrução, nem objecteis contra nós a estupidez e a bufonaria de que "Taciano, saltando sobre os gregos, saltando sobre a incontável Caterva de filósofos, nos traz a novidade de sistemas bárbaros." Com efeito, o que há de mal que homens que se demonstraram ignorantes fossem convencidos por outro que há pouco sofreu a mesma enfermida­de? O que há de absurdo que, segundo vosso próprio sofista, alguém, tornando-se velho, vá ao mesmo tempo aprendendo muitas coisas?

 

Moisés é anterior a Homero

 

36. Concedamos que Homero tenha vivido, não após a guerra de Troia, mas no próprio tempo da guerra e que até tenha combatido no exército de Agamenon e que, se alguém se compraz com isso, tenha nascido antes da invenção do alfabeto. Ficará claro que o dito Moisés é, em muitos anos, mais antigo que a tomada de Troia, muito anterior à própria fundação da cidade, a Tros e a Dárdano. Para demonstrar isso, valer-me-ei de testemunhos caldeus, fenícios, egípcios e... para que mais? De facto, quem só procura persuadir sobre um ponto particular, tem que explicar a seus ouvintes de forma mais breve que Beroso, o babilónio, que foi sacerdote do deus Belo dos babilónios. Beroso viveu nos tempos de Alexandre e escreveu em três livros a história dos hebreus para Antíoco, terceiro sucessor de Alexandre. Contando as façanhas dos reis, começam por um chamado Nabucodonosor, que fez a campanha contra os fenícios e judeus. Sabemos que tais acontecimentos foram anunciados pelos nossos profetas e que aconteceram muito depois da época de Moisés, setenta anos antes do domínio dos persas. Pois bem, Beroso é homem muito autorizado e a prova está no fato de que Juba, em seu Sobre os assírios, afirma ter tomado de Beroso a história deles. Juba compôs dois livros Sobre os assírios.

 

O testemunho fenício

 

37. Depois dos caldeus, eis o testemunho dos fenícios. Houve três escritores entre eles: Teódoto, Hipsícrates e Moco, cujos livros foram traduzidos para o grego por Leto, o mesmo que investigou com exactidão as vidas dos filósofos. Nas histórias desses autores se esclarece em que época aconteceu o rapto de Europa e a chegada de Menelau à Fenícia, assim como os feitos de Hiram, que deu sua filha em casamento a Salomão, rei dos judeus, e lhe forneceu madeiras de toda espécie para a construção do templo. Menandro de Pérgamo também escreveu sobre essa mesma matéria. A época de Hiram já se aproxima dos acontecimentos de Tróia; Salomão, porém, contemporâneo de Hiram, é muito posterior a Moisés.

 

O que os egípcios dizem

 

38. Existem cronologias exactas dos egípcios, e seu historiador é Ptolomeu, não o rei, mas um sacerdote de Mendes. Contando as façanhas dos reis, ele diz que no tempo de Amósis, rei do Egipto, aconteceu a saída dos judeus, sob o comando de Moisés, para aterra que eles desejavam. Diz literalmente: "E Amosis foi contemporâneo do rei Ínaco." Depois de Ptolomeu, o gramático Apião, autor aprovadíssimo, no livro quarto de sua História Egípcia (a obra compreende cinco livros), diz também que Amósis, que viveu no tempo de Ínaco, rei de Argos, destruiu a cidade de Avario, como Ptolomeu de Mendes registrou em sua Crónica. Pois bem: o período de Ínaco até a tomada de Troia preenche vinte gerações, como será demonstrado em seguida.

 

Os reis de Argos

 

39. Os reis dos agravos foram os seguintes: Ínaco, Foroneu, Ápis, Argivo, Críaso, Forbante, Triopante, Crótopo, Estenelau, Dânaos, Linceu, Preto, Abas, Acrísio, Perseu, Estenelau, Euristeu, Atreu, Tiestes, Agamenon, no décimo oitavo ano do qual Tróia foi tomada. O leitor inteligente precisa notar com toda a diligência que, segundo a própria tradição dos gregos, não existia entre eles nenhuma história escrita. Com efeito, Cadmo, que introduziu entre eles as letras, chegou à Beócia muitas gerações mais tarde e, só depois de Ínaco, sob Foroneu, terminou a vida selvagem e nómada, quando os homens se civilizaram um pouco. Concluindo: Se Moisés aparece como contemporâneo de Ínaco, ele é quatrocentos anos mais antigo do que a guerra de Troia. E que assim o seja, fica demonstrado pela série dos reis áticos (assim como pelos da Macedónia, Ptolomeus e Antioquenos). Se os factos históricos mais ilustres dos gregos começaram a ser registados depois de Ínaco, e a partir daí são conhecidos, é evidente que foram também depois de Moisés. De facto, é sob Foroneu que os atenienses recordam Ógiges, em cuja época houve o primeiro dilúvio; sob Forbante, Acteão, a partir do qual a Ática se chamou Actea; sob Tiopante, Prometeu, Epimeteu, Atlas e Cécrope, aquele de dupla natureza, e Io; sob Crótopo, o incêndio de Faetonte e o dilúvio de Deucalião; sob Estenelau, o reinado de Anfiction, a chegada de Dânaos ao Peloponeso, a fundação de Dardânia por Dárdano e a vinda de Europa da Fenícia para Creta; sob Linceu, o rapto de Coré, a erecção do templo de Elêusis, a semeadura de Triptólemo, a chegada de Cadmo a Tebas e o reinado de Minos; sob Preto, a guerra de Eumolpo contra os atenienses; sob Acrísio, o passo de Pélope da Frígia, a chegada de Íon a Atenas, o segundo Cécrope, as façanhas de Perseu e Dioniso e Museu, discípulo de Orfeu. Por fim, sob o reinado de Agamenon, Troia foi tomada.

 

40. Assim, de tudo o que foi dito, fica claro que Moisés é mais antigo do que os antigos heróis, guerras e divindades. E vale mais acreditar naquele que precede em idade do que nos gregos, que foram retirar dessa fonte seus ensinamentos, sem entendê-los. De facto, muitos de seus sofistas, com grande curiosidade vã, procuraram adulterar aquilo que conheceram de Moisés e que filosofam à maneira de Moisés, primeiramente para dar aparência de dizer algo original, depois para falsificar a verdade como um conjunto de fábulas, dando um verniz de falsa retórica àquilo que não compreenderam.

 

Quanto à nossa religião e à história de nossas leis, o que os eruditos gregos disseram sobre ela, quantos e quais a mencionaram, falarei em minha obra Sobre os que afirmaram a respeito das coisas de Deus.

 

Moisés é anterior aos pré-homéricos: argumento da antiguidade

 

41. Apresso-me a esclarecer-vos sobre o que agora nos preme, isto é, que Moisés não só é anterior a Homero, mas também aos escritores anteriores a Homero: Lino, Filamon, Tamiris, Anfião, Orfeu, Museu, Demódoco, Fémio, a Sibila, Epiménides cretense, aquele que veio para Esparta; Aristo de Proconeso, autor das Arimaspias do Centauro Asbolo, Báquis, Drimon, Euplo de Chipre, Horos de Samos e Propânides de Atenas. Com efeito, Lino foi mestre de Herácles, e este evidentemente viveu uma geração antes da guerra de Tróia, como se prova pelo facto de que seu filho Trepólemo esteve no exército que marchou contra ela. Orfeu foi contemporâneo de Herácles, embora os poemas que lhe são atribuídos dizem ter sido compostos por Onomácrito de Atenas, que viveu durante a tirania dos Pisistrátidas, na quinquagésima Olimpíada. Museu foi discípulo de Orfeu e Anfião foi anterior em duas gerações à guerra de Troia; só esse facto me impede de dizer algo mais sobre eles aos estudiosos. Demódoco e Fémio viveram na época da guerra de Troia, pois um se achava entre os pretendentes e o outro com os feácios. Tamiris e Filámon não são muito mais antigos do que esses.

 

Desse modo, quanto à matéria de cada um dos eruditos, assim como quanto à cronologia e suas fontes escritas, creio ter tratado muito brevemente, mas com toda exactidão. Contudo, para completar o que ainda falta, estenderei minha demonstração até os legisladores considerados sábios. Minos, que é tido como o mais excelente em toda sabedoria, prudência e legislação, viveu sob Linceu, que reinou após Dárdano, onze gerações depois de Ínaco. Licurgo, que nasceu depois da tomada de Troia, entregou suas leis aos lacedemónios cem anos antes das Olimpíadas. Draco nasceu na trigésima nona Olimpíada. Sólon na quadragésima sexta, Pitágoras na sexagésima segunda. E já demonstramos que as Olimpíadas começaram quatrocentos e sete anos após a guerra de Troia. Isso demonstrado, só nos resta registar uma indicação sobre a idade dos outros sete sábios. Tendo Tales, o mais velho deles, nascido na quinquagésima Olimpíada, resumidamente fica dito sobre o que pensar das épocas dos posteriores a ele.

 

Conclusão

 

42. Essas são as coisas, ó gregos, que compus para vós, eu, Taciano, que professo a filosofia bárbara, nascido em terra dos assírios, formado primeiramente em vossa cultura e depois nas doutrinas que agora anuncio como pregador. Já conhecendo quem é Deus e sua criação, apresento-me a vós disposto ao exame de meus ensinamentos, advertindo que jamais renegarei minha conduta segundo Deus.

 

 

Taciano, Discurso aos Gregos

 

Fonte: Veritatis Splendor


Setembro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
19
20

21
22
23
24
26
27

28
29
30


Links
Pesquisar blogue
 
blogs SAPO