«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Set 14
publicado por FireHead, às 10:02link do post | Comentar

Exórdio

 

1. Gregos, não vos mostreis tão inimigos dos bárbaros, nem julgueis desfavoravelmente as suas doutrinas. Com efeito, qual das vossas instituições não teve origem entre os bárbaros? Os mais famosos entre os telmísios inventaram a adivinhação pelos sonhos; os cários, a previsão pelos astros; e os vôos dos pássaros foram observados primeiro pelos frígios e os mais antigos dos isáurios; os cipriotas encontraram a arte de sacrificar; os babilónios, a astronomia; os persas, a magia; os egípcios, a geometria; os fenícios, o conhecimento das letras. Cessai, portanto, de chamar invenções o que são puras imitações. De facto, Orfeu vos ensinou a poesia e o canto, e também a iniciação nos mistérios; os etruscos, a plástica; os egípcios, com suas tábuas dos tempos, a compor histórias. De Mársias e Olimpo tomastes a arte da flauta e, apesar de ambos serem frígios, com toda a sua rudeza, conseguiram extrair harmonia do bambu. Os tirrenos vos ensinaram a trombeta; os ciclopes, a lavrar metais; e uma mulher que, como disse Helânico, imperou outrora sobre os persas, vos ensinou a compor cartas. Seu nome era Atosa. Portanto, deixai de lado esse vosso orgulho e não frente a elegância de vossas palavras, vós que, ao elogiar-vos a vós mesmos, tendes para vos aplaudir os de vossa própria casa. O homem que possui inteligência deve esperar o testemu­nho dos outros e concordar com eles quando fala. Acontece, porém, que só a vós sucede que não coincidis nem em vossa maneira de falar.

 

Com efeito, os dórios não falam como os atenienses, nem os eólios pronunciam como os jónios. Havendo, pois, tão grande discussão entre vós onde não deveria existir, eu me acho em dúvida sobre a quem deveria dar o nome de grego. O mais estranho de tudo é que favorecestes expressões não castiças e, abusando de palavras bárbaras, transformastes a vossa fala numa verdadeira algaravia. Por isso renunciamos à vossa sabedoria, por mais que algum de nós tenha sido extremamente ilustre nela. De facto, segundo o cómico, tudo isso não passa de "galhos secos, palavrório afectado, escolas de andorinhas, corruptores da arte", e os que se deixam dominar por isso sabem apenas roncar e emitir grasnados de corvos. A retórica que compusestes para a injustiça e a calúnia, vendendo a peso de ouro a liberdade de vossos discursos, e muitas vezes o que de imediato vos parece justo, logo o apresentais como coisa não boa; a poesia, porém, vos serve para cantar as lutas, os amores dos deuses, e a corrupção da alma.

 

Zombaria contra os filósofos

 

2. Com a vossa filosofia, o que produzistes que mereça respeito? Quem, dos que passam pelos mais notáveis ficou isento de arrogância? Diógenes, com a bravata do seu barril, ostentava a sua independência; depois comeu um polvo cru e, atacado por cólicas, morreu de intemperança; Arístipo, passeando com o seu manto de púrpura, entregava-se à dissolução mantendo a aparência de gravidade; Platão, com toda a sua filosofia, foi vendido por Dioniso por causa de sua glutonaria. Aristóteles, que nesciamente estabeleceu limites para a providência e definiu a felicidade pelas coisas de que ele gostava, agradava muito depressa o rapaz louco. Alexandre que, por certo muito aristotelicamente, colocou numa jaula um amigo seu porque este não quis adorá-lo, e o levava em todo lugar como um urso ou um leopardo. Ao menos obedecia fielmente aos preceitos do seu mestre, mostrando o seu valor e a sua virtude nos banquetes, e atravessando com a sua lança o mais íntimo e querido de seus amigos, depois chorando e negando-se a comer para fingir tristeza, a fim de não atrair o ódio dos seus.

 

Também poderia rir-me dos que até agora seguem as doutrinas de Aristóteles que, afirmando que as coisas aquém da lua carecem de providência, apesar de estarem mais perto da terra do que a lua e mais baixo do que o curso desta, elas provêm o que a providência não alcança; os que não têm beleza, nem riqueza, nem força corporal ou nobreza de origem, segundo Aristóteles também não possuem felicidade. Que estes continuem filosofando.

 

3. Não posso aprovar Heráclito, quando diz: "Eu ensinava a mim mesmo", por ser autodidata e também soberbo. Nem o louvaria por ter escondido o seu poema no templo de Ártemis, para que depois a sua edição ficasse envolta em mistério. Os que se interessam por essas questões dizem que o poeta trágico Eurípedes foi lá, leu o livro e propagou de memória e com todo empenho as trevas de Heráclito. Mas o que pôs em evidência a sua ignorância foi o modo como morreu: atacado de hidropisia, e tratando a medicina como a filosofia, envolveu-se com estrume de boi e, quando este endureceu, produziu convulsões em todo o seu corpo e ele morreu de espasmo. Também se deve rejeitar Zenão, quando ele afirma que por meio da conflagração universal os mesmos homens ressuscitarão para as mesmas acções: Amito e Meleto para acusar Sócrates; Busíris para matar seus hóspedes e Herácles para repetir seus trabalhos. Na hipótese da conflagração, Zenão admite mais maus do que bons, pois houve apenas um Sócrates e um Herácles e outros do mesmo tipo, que sempre foram poucos e não muitos. Segundo ele, sempre haverá mais maus do que bons, e o próprio Deus aparecerá como autor do mal ao ter que morar em cloacas, entre vermes e malfeitores.

 

Quanto à charlatanice de Empédocles, as erupções da Sicília demonstraram que, não sendo deus, ele mentia dizendo que o era. Também me rio dos contos de velha de Ferecides e de Pitágoras, que herda a sua doutrina, e de como Platão, embora alguns não o queiram, imita um e outro. De facto, quem aprovaria o casamento de cão de um Crates e não, de preferência, rejeitando a grande charlatanice de seus seguidores, voltará a procurar o que é verdadeiramente bom? Não vos deixeis, portanto, arrastar por esses bandos de pessoas que gostam mais do barulho do que do saber e que dogmatizam coisas contraditórias, cada um dizendo o que lhe vem à boca. São muitos os choques que acontecem entre eles, pois um odeia o outro, criando doutrinas opostas por pura fanfarronice, desejando postos eminentes. Seria melhor que, não se antecipando à realeza, não adulassem os que mandam, mas esperasse que os grandes se aproximassem deles.

 

Contra o culto imperial e a idolatria

 

4. Gregos, por que vos empenhais, como em uma luta de pugilato, para que as leis do Estado se choquem contra nós? Se eu não quero submeter-me a certos costumes, por que tenho que ser odiado como ser mais abominável? O imperador manda que lhe paguem tributos, e eu estou disposto a pagá-los; meu amo me ordena que lhe obedeça e o sirva, e eu reconheço a minha servidão. De facto, ao homem se deve honrar humanamente; temer, porém, só se deve temer a Deus, que não é visível por olhos humanos, nem compreensível por qualquer arte. Não estou disposto a obedecer, somente se me mandam negar a Deus; prefiro morrer, para não ser condenado como embusteiro e ingrato.

 

Nosso Deus não tem princípio no tempo, pois só ele é sem princípio e, ao mesmo tempo, princípio de todo o universo. Deus é espírito, mas não aquele que penetra a matéria, e sim o criador dos espíritos materiais e das formas da própria matéria; sendo invisível e intangível, ele é o pai das coisas sensíveis e visíveis. Conhecemo-lo através da criação e compreendemos o invisível do seu poder através de suas criaturas. Não quero adorar a obra que, por amor a mim, foi feita por ele. Como declararei deuses a madeira e as pedras? Porque o próprio espírito que penetra a matéria, sendo como é inferior ao espírito divino e assimilado como está à matéria, não deve ser honrado do mesmo modo que o Deus perfeito. Também não devemos pretender ganhar com presentes o Deus que não tem nome, pois aquele que de nada necessita, não deve ser rebaixado por nós à condição de um necessitado. Quero expor com mais clareza a nossa doutrina.

 

A geração do Verbo por participação

 

5. Deus existia no princípio, mas nós recebemos da tradição que o Princípio é a potência do Verbo. Com efeito, o Senhor do universo, que é por si mesmo o sustentáculo de tudo, enquanto a criação não tinha ainda sido feita, estava só. Mas enquanto estava com ele toda a potência do visível e invisível ele próprio sustentou tudo consigo mesmo, por meio da potência do Verbo. Por vontade de sua simplicidade sai o Verbo e o Verbo, que não cai no vazio, gera a obra primogénita do Pai.

 

Sabemos que ele é o princípio do mundo, mas produziu-se não por divisão, e sim por participação. De facto, o que se divide, fica separado do primeiro, mas o que se faz por participação, tomando carácter de uma dispensação, não deixa em falta aquilo de onde se toma. Da mesma forma que de uma só tocha se acendem muitos fogos, mas o facto de acender muitas tochas não diminui a luz da primeira, assim também o Verbo, procedendo da potência do Pai, não deixou sem razão aquele que o havia gerado. E assim que eu mesmo estou falando e vós me escutais e certamente não porque a minha palavra passe a vós eu fico vazio de palavras ao conversar convosco. Ao emitir a minha voz, eu me proponho ordenar a matéria que está desordenada em vós. Da mesma forma que o Verbo, gerado no princípio, depois de fabricar a matéria, gerou por sua vez ele próprio para si mesmo a nossa criação, também eu, regenerado à imitação do Verbo e compreendido que tenho a verdade, trato de organizar a confusão da matéria cuja origem participo. Com efeito, a matéria não é sem princípio como Deus, nem por ser princípio é igual a Deus em poder, mas foi criada e não foi criada por outro, e sim por aquele que é criador de todas as coisas.

 

Cremos na ressurreição e no julgamento

 

6. Por isso, também cremos que acontecerá a ressurreição dos corpos depois da consumação do universo, não como dogmatizam os estóicos, segundo os quais as mesmas coisas nascem e perecem depois de determinados períodos cíclicos, sem utilidade nenhuma, mas de uma só vez. Totalmente acabados os tempos que vivemos, dar-se-­á a reintegração de todos os homens por razão do julgamento. Então seremos julgados não por Minos ou Radamante, antes de cuja morte, como dizem os mitos, nenhuma alma era julgada, mas o juiz é o próprio Deus que nos criou. Por mais que nos considereis charlatães e palhaços, nada disso nos importa, depois que cremos nesta doutrina. Com efeito, do mesmo modo como, não existindo antes de nascer, eu ignorava quem eu era e só subsistia na substância da matéria carnal - mas uma vez nascido, eu, que antes não existia, acreditei em meu ser pelo nascimento - assim também eu, que existi e que pela morte deixarei de ser e outra vez desaparecerei da vista de todos, novamente voltarei a ser como não tendo antes existido e portanto nasci. Mesmo que o fogo destrua a minha carne, o universo recebe a matéria evaporada; se me consumo nos rios ou no mar, ou sou despedaçado pelas feras, permaneço depositado nos tesouros de um senhor rico. O pobre ateu desconhece esses depósitos, mas Deus, que é rei, quando quiser, restabelecerá em seu ser primei­ro a minha substância, que é visível apenas para ele.

 

A obra do Verbo: criação dos homens e dos anjos

 

7. O Verbo celeste, espírito que vem do Espírito e Verbo da potência racional, à imitação do Pai que o gerou, fez o homem imagem da imortalidade, a fim de que, como em Deus existe a incorruptibilidade, assim o homem, participando da porção de Deus, possua o ser imortal. Entretanto, o Verbo, antes de criar os homens, foi artífice dos anjos, e algumas criaturas foram feitas livres, sem ter em si a natureza do bem (que não existe senão em Deus), mas que se realiza através dos homens, graças à liberdade de escolha. Desse modo, o mau é castigado justamente, pois se tornou mau por sua própria culpa; o justo é merecidamente louvado por suas obras, pois não transgrediu a vontade de Deus, embora por seu livre-arbítrio pudesse fazer isso. Essa é a nossa doutrina sobre os anjos e os homens.

 

Todavia, como a virtude do Verbo tem em si a presciência do futuro, não por fatalidade do destino, mas por livre determinação dos que escolhem, predisse os acontecimentos futuros, freou a maldade por suas proibições e louvou os que perseveram no bem. Aconteceu, porém, que os homens e os anjos seguiram e proclamaram Deus àquele que, por ser criatura primogénita, superava os demais em inteligência, justamente ele que se havia revelado contra a lei de Deus. Então a virtude do Verbo negou a sua convivência não só ao que se tornara cabeça desse louco orgulho, mas também a quantos o haviam seguido. E o homem, que tinha sido criado à imagem de Deus, apartando-se dele o espírito mais poderoso, tornou-se mortal e aquele que fora primogénito, por sua transgressão e insensatez, foi declarado demónio, e os que imitaram suas fantasias se transformaram no exército dos demónios que, por razão de seu livre-arbítrio, foram entregues à própria perversidade.

 

Contra o destino e os deuses

 

8. O objecto da perversão deles são os homens, pois, mostrando­-lhes, como os jogadores de dados, uma tábua com a descrição da posição dos astros, introduziram o destino, "império" extremamente injusto, porque foram produzidos conforme o destino tanto o que julga como aquele que é julgado; os que assassinam e os que são assassinados, os ricos e os pobres, todos são gerados pelo próprio destino; e todo nascimento, como no teatro, provoca prazer para aqueles entre os quais, como diz Homero: "Gargalhada inextinguível se levantou entre os deuses afortunados".

 

Os que estão contemplando a luta corpo a corpo, quando um favorece a outro, e aquele que se casa e corrompe os jovens, adultera e ri, irrita-se, foge e é ferido, de que modo não será considerado mortal? Com efeito, pelas mesmas acções com as quais os deuses mostraram aos homens de que natureza eram, incitaram aqueles que as ouviram a praticar coisas semelhantes. Não é assim que os próprios demónios, com seu capitão Zeus à frente, caíram também sob o destino, ao serem dominados pelas mesmas paixões que os homens? Por outro lado, como honrar aqueles entre os quais existe tal contrariedade de pareceres? De facto, Rea, a quem os habitantes das montanhas da Frígia chamam Cibele, por causa de seu querido Átis, erigiu em lei a mutilação dos órgãos viris; Afrodite, em troca, se compraz nos braços do matrimónio; Ártemis entrega-se à magia; Apolo, à medicina. Depois de cortada a cabeça de Gorgo, a querida de Poseidon, da qual brotou o cavalo Pégaso e Crisador, Atena e Asclépio repartiram as gotas de sangue; com elas, Asclépio curava e Atena, com as mesmas gotas, transformou-se em assassina de homens. Creio que os atenienses, não a querendo desonrar, atribuem o fruto de sua união com Hefesto à terra, para que não se pense que, como aconteceu com Atalanta e Meleagro, também Atena tenha sido privada de sua honradez, por Hefesto. Com efeito, é natural que o coxo de ambos os pés, que fabrica broches e braceletes flexíveis, seduzira com esses adornos femininos a menina sem pai e órfã Poseidon é navegante; Ares se compraz nas guer­ras; Apolo tange a cítara; Dioniso é tirano dos tebanos; Crono é tiranicida; Zeus se une com sua própria filha e esta concebe de seu pai. Agora me dará testemunho Elêusis, a serpente mística e Orfeu, que grita: "Fechai as portas aos profanos".

 

Aidoneo rapta Coré e seus feitos se transformaram em mistérios. "Deméter chora sua filha", e muitos se deixam enganar pelos atenienses. No sagrado recinto do filho de Leto há um ponto que se chama o Umbigo e o Umbigo é a sepultura de Dioniso. Agora, louvo a ti, Dáfne, que depois de vencer a intemperança de Apolo, confundiste a sua arte divinatória, pois não sabendo de antemão o que seria de ti, de nada lhe serviu a sua arte. Diga-me agora o Flecheiro certeiro como Zéfiro matou Jacinto. Zéfiro o venceu. Apesar de o trágico dizer: "A aura é o carro mais glorioso dos deuses", vencido por uma leve aura, perdeu o seu querido.

 

Somos superiores ao destino

 

9. Tais são os demónios que definiram ou fixaram o destino numa tábua, e seu primeiro elemento foi a descrição dos animais. Com efeito, aqueles que se arrastam pela terra, os que nadam nas águas e os que andam de quatro pelos montes, com os quais eles passaram a vida ao serem expulsos da vida do céu; a todos esses consideraram dignos da honra celeste, em parte para fazer crer que eles ainda vivem no céu, e em parte para justificar como racional, através de sua colocação nas estrelas, a conduta irracional que tinham sobre a terra. Dessa forma, o colérico e o sofrido, o temperante e o intemperante, o pobre e o rico dependem dos demónios que estabeleceram a lei do seu horóscopo. Com efeito, a configuração do círculo do Zodíaco é obra de seus deuses e a luz de um deles, quando predomina, triunfa sobre todos os outros, embora aquele que agora foi derrotado costume, mais adiante, vencer. Mas os que se divertem com eles são os sete planetas, como aqueles que jogam os dados. Nós, porém, somos superiores ao destino e, ao invés de demónios errantes, reconhecemos um só Senhor inerrante, e aqueles de nós que são conduzidos pelo destino, rejeitaram aqueles que estabeleceram suas leis. Por Deus, dize­m: "Triptólemo semeou o trigo e depois de seu luto Deméter se transforma em benfeitora dos atenienses? Então, por que, antes de perder a sua filha, ela não foi benfeitora dos homens? No céu se mostra o cão de Erígona, o escorpião que ajudou Ártemis, a metade da nave Argos, o centauro Quíron, e o urso de Calisto. Então, como é que o céu estava sem ornamento antes que todos esses ocupassem seus postos? A quem não parecerá ridículo que a letra delta se tenha colocado entre os astros, segundo alguns por causa da forma da Sicília e, segundo outros, por ser o primeiro elemento do nome de Zeus? Então, por que Sardenha e Chipre não são honradas no céu? Porque não se colocaram também entre os astros os monogramas dos irmãos de Zeus, que com ele repartiram os reinos? Por fim, de que modo Cronos, que foi acorrentado e expulso do seu reino, foi constituído administrador do destino? Como pode dar reinos aquele que já não é rei? Deixai, pois, tanta igno­rância e não cometais uma iniquidade, odiando-nos injustamente.

 

As metamorfoses dos deuses

 

10. Atribuem-se aos homens transformações fabulosas, mas entre vós até os deuses se transformam. Rea se transforma em árvore e, por causa de Persífone, Zeus se transforma em serpente; as irmãs de Faetonte em choupos, e Leto num animal vil, codorniz, pela qual a actual Delos se chama Ortígia. Por tua vida, diz-me: Deus se transforma em cisne, toma a forma de águia e, para ter Ganimedes como copeiro, se orgulha de sua pederastia? Como posso cultuar deuses que se deixam subornar pelos presentes e que se irritam quando não os recebem? Que eles se acertem com o destino, porque eu não estou disposto a adorar os planetas. Que significam essas madeixas de Berenice? Onde estavam as estrelas de sua constelação antes de ela morrer? De modo que Antínoo, um belo rapaz, foi colocado na lua depois de morto? Quem o levou até lá? Certamente também a este, como aos imperadores, alguém que se ria dos deuses disse, com perjúrio pago, que o havia visto subir ao céu, e foi acreditado e, por ter feito Deus semelhante a si mesmo, foi tido como merecedor de honra e prémio. Com que direito despojastes o meu Deus? Por que desonrais a sua criação? Matas uma ovelha e depois a adoras. O touro está no céu e degolas a sua imagem. O Ingenículo procura exterminar um animal nocivo e, em troca, tributa honra à águia, que devora Prometeu, plasmador do homem. O cisne é formoso por ter sido adúltero, formosos também são os Dióscuros, raptores das filhas de Leucipo, que alternam um em cada dia da vida. Melhor é Helena, que abandonou Menelau, de cabelos loiros, e seguiu Páris, rico em ouro e mitrado; justo e discreto, foi ele que transportou essa prostituta para os Campos Elísios, porém não, tão pouco a filha de Tindaro foi tornado imortal, com razão Eurípedes encenou a morte de tal mulher, levada a cabo por Orestes.

 

Intransigente afirmação de independência

 

11. Portanto, como vou reconhecer o horóscopo do nascimento, quando vejo tais administradores do destino? Sou eu que não quero ser rei; sou eu que não busco a riqueza, recuso o comando militar, odeio a fornicação, não me dedico à navegação levado por cobiça insaciável, não sou atleta para ser coroado, fujo da vanglória, desprezo a morte, coloco-me acima de qualquer doença, não deixo que a tristeza consuma a minha alma; sou eu que, sendo escravo, suporto a escravidão ou, sendo livre, não me orgulho de minha nobreza. Vejo que apenas um é sol para todos e que também existe uma só morte, ora através do prazer, ora através da indigência. O rico semeia e o pobre participa da mesma colheita; os ricos morrem e os mendigos têm o mesmo fim da vida. Os ricos e os que, por sua aparente glória, conseguem as honras necessitam de muitas coisas; mas o pobre e modesto, que não deseja mais do que está a seu alcance, consegue isso com mais facilidade. Para que passar a noite em vigília, cumprindo teu destino através da avareza? Para que, para cumprir teu destino, mil vezes preso de teus instintos, mil vezes morrer? Morre para o mundo renunciando à tua loucura. Vive para Deus, recusando, através do teu conhecimento, teu velho horóscopo. Nós não fomos criados para a morte, mas morremos por nossa própria culpa. A liberdade nos deixou; nós que éramos livres, nos tornamos escravos; fomos vendidos pelo pecado. Deus não fez nada mau; fomos nós que produzimos a maldade; nós que a produzimos, porém somos também capazes de recusá-la.

 

Duas espécies de espíritos

 

12. Conhecemos duas espécies de espíritos: um, que se chama alma, e outro que é superior à alma, por ser imagem e semelhança de Deus. Um e outro existiam nos primeiros homens, para que, de um lado, fossem materiais e de outro, superiores à matéria. A coisa se explica assim: é fácil de constatar que toda a construção do mundo e a criação inteira é feita de matéria e que a própria matéria foi produzida por Deus. Deve-se pensar que, antes que os elementos dela fossem separados, a matéria era indefinida e informe, mas ficou ordenada e bela depois da divisão. Portanto, o céu é de matéria e também suas estrelas; a terra e todo vivente que é produzido sobre ela têm a mesma constituição, de modo que o nascimento de todos é comum. Embora isso seja assim, há certas diferenças nas coisas materiais, de maneira que algumas são particularmente belas; embora também sejam belas, são inferiores a belezas superiores. O corpo é de constituição única e a causa de sua existência é a mesma, e mesmo sendo assim, existem nele diferenças de glória. De facto, um é o olho, outra a orelha, outro o ornamento dos cabelos, a disposição das entranhas, a junção das medulas, os ossos e os nervos. Contudo, mesmo uma parte sendo diferente da outra, existe harmonia entre elas por causa da dispensação de concórdia. De maneira semelhante, também o mundo, segundo o poder de quem o fez, tem alguns elementos mais esplêndidos e outros menos e, por vontade de seu Criador, recebeu parte do espírito material. Isso será possível ser entendido em pormenores a quem, de maneira vã, não despreze os diviníssimos ensinamentos que, conforme os tempos, foram postos por escrito e que tornaram absolutamente gratos a Deus os que lhes deram atenção.

 

Igualmente, também os que vós mesmos chamais de demónios, por terem a constituição da matéria e possuírem espírito que dela procede, converteram-se em luxuriosos e gulosos. De facto, só alguns deles se dirigiram para o mais puro, enquanto outros escolheram o inferior da matéria e tiveram conduta conforme a ela. Gregos, estes são aqueles que vós adorais, apesar de terem sido feitos de matéria e se encontrarem muito distantes de qualquer disciplina. Com efeito, os supracitados, entregues à vanglória pela sua estupidez, soltas todas as rédeas, decidiram ser salteadores da divindade. Mas o Senhor do universo os deixa entregues à própria soberba até que o mundo, chegado a seu termo, se dissolva e venha o juiz, e todos os homens que, após a rebelião dos demónios, aspiraram ao conhecimento do Deus perfeito recebam no dia do julgamento o mais perfeito testemunho, por causa de seus próprios combates.

 

Portanto, existe espírito nas estrelas, espírito no anjos, espírito nas palavras, espírito nos homens, espírito nos animais; no entanto, sendo um e o mesmo, contém em si diferenças. E nós dizemos isso não só com a língua, nem por meras razões verossímeis, nem por especulações e confusão sofista, mas valendo-nos de discursos de grande expressão divina. Vós que desejais aprender, apressai em aproximar-vos. E vós que não desdenhais nem mesmo cita Anarcasis, não desdenheis também em ser instruídos por aqueles que professam uma religião bárbara. Fazei de nossa doutrina pelo menos o uso que fazeis da mântica babilónia; escutai-nos pelo menos como escutais o carvalho fatídico, embora tudo isso seja invenção de demónios extraviados. Contudo, as doutrinas de nossa ciência estão além da compreensão mundana.

 

Por si, a alma não é imortal

 

13. Gregos, a nossa alma não é imortal por si mesma, mas mortal; ela, porém, é também capaz de não morrer. Com efeito, ela morre e se dissolve com o corpo se não conhece a verdade; ressuscita, porém, novamente com o corpo na consumação do tempo, para receber, como castigo, a morte na imortalidade. Por outro lado, não morre, por mais que se dissolva com o corpo, se adquiriu conhecimento de Deus. Porque, de si, a alma é treva e nada de luminoso há nela, e é isso o que sem dúvida significam as palavras: "As trevas não apreenderam a luz". Não é a alma que salva o espírito, mas é salva por ele, e a luz apreendeu as trevas, no sentido que o Verbo é a luz de Deus e a alma ignorante é treva. Por isso, quando vive só, inclina-se para a matéria, morrendo juntamente com a carne, mas formando parelha com o espírito de Deus, já não carece de ajuda e se ergue às regiões onde o Espírito a guia. De facto, a morada do Espírito está no alto, mas a origem da alma é em baixo. Originariamente, o espírito habitava junto com a alma, mas, não querendo segui-lo, o espírito a abandonou e ela, que conservava como que um resplendor de seu poder, mas pela separação já não era capaz de contemplar o perfeito, na sua busca de Deus, representou para si, por extravio, uma multidão de deuses, seguindo aos demónios enganadores. O espírito de Deus, porém, não está em todos os homens, mas somente desce para alguns que vivem justamente e, estreitamente abraçado à alma, anuncia, por meio de predições, o escondido para as demais almas. E aquelas que obedecem à sabedoria, atraem para si mesmas o espírito que lhes é congénito. Todavia, as que não obedecem, mas recusam aquele que é mensageiro do Deus que sofreu, mostram-se almas que fazem guerra a Deus, e não são religiosas.

 

O castigo eterno dos demónios

 

14. Também vós sois assim, gregos, elegantes no falar mas loucos no pensar, pois chegastes a preferir a soberania de muitos deuses em vez da monarquia de um só Deus, como se acreditásseis estar seguindo demónios poderosos. Com efeito, assim como os salteadores, por sua desumanidade, costumam audaciosamente dominar os seus semelhantes, também os demónios, depois de fazer as vossas almas abandonadas se desviarem no lodaçal da maldade, as enganaram por meio de ignorâncias e fantasias. É facto que eles não morrem facilmente, pois não têm carne; mas, vivendo, praticam acções de morte, e também eles morrem tantas vezes quantas ensinam a pecar aqueles que os seguem. Portanto, a vantagem que agora têm sobre os homens, isto é, não morrer de modo semelhante a eles, esse mesmo facto lhes será mais amargo quando chegar a hora do castigo, pois não terão parte na vida eterna participando dela, em lugar da morte na imortalidade. E como nós, para quem morrer é agora um acidente tão fácil, receberemos depois a imortalidade junto com o gozo, ou a pena junto com a imortalidade, também os demónios que abusam da vida presente para pecar a todo momento, e que durante a vida estão morrendo, terão depois a mesma imortalidade que os homens que deliberadamente realizaram tudo o que eles lhes impuseram como lei durante o tempo em que viveram. Não digamos nada sobre o facto de que, entre os homens que os seguem, aconteceu menos espécies de pecados por não viverem longo tempo, enquanto nos citados demónios o pecado se prolonga muito mais, em razão do tempo indefinido da sua vida.

 

O que é o homem propriamente

 

15. É preciso, portanto, que daqui para a frente busquemos novamente aquilo que já tivemos e perdemos: unir a nossa alma com o espírito santo e cuidarmos para que ele forme uma parceria com Deus. Entretanto, a alma dos homens compõe-se de muitas partes, e não de uma só; ela é composta, de modo que se manifesta por meio do corpo. Com efeito, nem a alma poderia por si mesma jamais se manifestar sem o corpo, e nem a carne ressuscita sem a alma. O homem não é, como dogmatizam os que têm voz de gralhas, animal racional, capaz de inteligência e ciência, pois, segundo eles, pode-se demonstrar que também os irracionais são capazes de inteligência e ciência. Contudo, só o homem é imagem e semelhança de Deus, e chamo homem não ao que realiza acções semelhantes aos animais, mas àquele que, indo além da humanidade, chega até o próprio Deus. Esse ponto já foi mais tratado mais em pormenores por nós em nosso Sobre os animais. O que agora nos interessa dizer é que natureza é a imagem e semelhança de Deus. 0 incomparável não é outra coisa que o ser em si mesmo, e o que se compara também não é outra coisa que o ser parecido. O Deus perfeito está isento de carne; o homem, porém, é carne; o vínculo da carne é a alma e o que a alma retém é a carne. E se tal espécie de constituição funciona como templo, Deus quer nele habitar por meio do Espírito, que é o seu legado; mas se não é tal santuário, o homem não se avantaja aos animais a não ser por sua voz articulada; no restante, não sendo imagem de Deus, a sua vida não se diferencia da deles. Os demónios, porém, não têm carne, mas possuem estrutura espiritual, como a do fogo ou do ar. E por isso que os corpos dos demónios são visíveis apenas para aqueles que são dotados do espírito de Deus; para os outros, isto é, para os psíquicos, de modo nenhum, pois o inferior não tem força para compreender o superior. Esta é, portanto, a razão pela qual, a essência dos demónios não admite lugar para a penitência, pois são reflexos da matéria e da maldade, e a matéria quis dominar a alma; e, conforme o seu livre-­arbítrio, os demónios deram aos homens leis de morte; mas os homens, depois de perderem a imortalidade, com sua morte pela fé, venceram a morte e, por meio da penitência, foi-lhes outorgado o dom de uma nova vocação, conforme a palavra que diz: "Pois por um pouco de tempo foram tornados inferiores aos anjos". De facto, é possível para todo aquele que foi vencido vencer por sua vez, contanto que rejeite a constituição da morte, e qual seja esta é fácil de ver para aqueles que desejam a imortalidade.

 

A possessão não vem das almas

 

16. Os demónios que dominam os homens não são as almas dos mortos. Com efeito, como podem ser capazes de agir depois de mortos? A não ser que creiamos que, enquanto vive, um homem é ignorante e impotente e, depois que morre, recebe daí para a frente um poder mais eficaz. Isso, porém, não é assim, como já demonstramos em outro lugar, nem é fácil compreender como a alma imortal, impedida pelos membros do corpo, se torne mais inteligente quando se separa dele. Não. São os demónios aqueles que, por sua maldade, se enfurecem contra os homens e, com variadas e enganosas representações, desviam os pensamentos dos homens, já por si inclinados para baixo, a fim de torná-los incapazes de empreender a sua marcha de ascensão para os céus. Mas nem a nós ficam ocultas as coisas do mundo nem a vós será difícil compreender as divinas, contanto que chegue até vós a potência do Verbo que imortaliza a alma.

 

Mas os demónios também são vistos pelos psíquicos, quando eles se mostram a si mesmos para os homens, seja para serem considerados, seja para lhes causar algum dano como a inimigos - pois são amigos de muito más intenções -, seja, finalmente, a fim de procurar pretexto para o seu culto aos que lhes são semelhantes. Se estivesse em seu poder, eles, sem dúvida, poriam o céu abaixo junto com toda a criação; se agora não fazem isso é porque não podem; mas com a matéria inferior fazem guerra à matéria que é semelhante a eles. Quem, portanto, quiser vencê-los, rejeite a matéria, pois, armado com a couraça do espírito celeste, será capaz de salvar tudo o que por ela foi recoberto.

 

Existem também doenças e rebeliões em nossa própria matéria, e os demónios, quando nos sobrevém a dor, atribuem a si mesmos as causas delas. Há também vezes em que eles próprios, por causa da tempestade da sua própria maldade, agitam o estado do nosso corpo, mas, feridos pela palavra do poder de Deus, saem temerosos, e o doente fica curado.

 

As doenças vêm dos demónios

 

17. O que vamos dizer das simpatias e antipatias de Demócrito, a não ser que, conforme o dito popular, esse homem de Abdera fala abderiticamente? E como aquele que deu nome à cidade que, segundo dizem, era amigo de Herácles, foi devorado pelos cavalos de Diomedes; de modo semelhante, aquele que se gloria do sábio Ostanes, no dia da consumação será entregue como pasto do fogo eterno. E vós também, se não puserdes fim ao vosso riso, sofrereis os mesmos castigos que os feiticeiros. Por isso, ó gregos, escutai-me! Eu vos grito como que do céu, e não queirais com vossas zombarias voltar à vossa falta de razão contra o arauto da verdade. Não há doença que possa ser expulsa por meio da antipatia, nem louco que se cure amarrando-se com tiras de couro. São ataques dos demónios, e aquele que está doente, aquele que diz estar enamorado, aquele que odeia, aquele que quer se vingar, são tomados como auxiliares. A maneira do seu artifício é a seguinte. Os caracteres das letras e das linhas por elas formadas não podem por si mesmas expressar o sentido da frase, mas são sinais que os homens inventaram para expressar seus pensamentos; é preciso conservar a ordem das letras, conhecendo por sua posição o sentido que lhes foi determinado. Do mesmo modo, nas variedades de raízes, nem as receitas de nervos e ossos têm alguma eficácia por si mesmas, mas são símbolos da maldade dos demónios, os quais determinaram que tenha força cada uma dessas coisas. Vendo que os homens aceitam o serviço que tais meios lhes proporcionam, atribuindo-o a si mesmos, fazem dos homens seus escravos. Mas como pode ser bom colocar-­se a serviço de adultérios? Como pode ser honroso que alguns corram em auxílio daqueles que odeiam? Como pode ser moral atribuir a cura dos loucos à matéria e não a Deus? Toda a sua astúcia se orienta para apartar os homens da religião, fazendo-os crer em ervas e raízes. E o próprio Deus, se tivesse ordenado essas coisas, para fazer o que os homens desejam, seria autor de acções más; todavia, como ele é autor de tudo o que de qualquer forma é bom, e a intemperança dos demónios abusa das coisas do mundo para fazer mal, também a eles deve ser atribuída essa espécie de maldade, e não ao Deus perfeito. De facto, como é possível que, não tendo eu sido absolutamente mau enquanto vivi, os meus restos, depois de morto, sem eu fazer nada, os meus restos, que já não se movem nem sentem, realizem alguma coisa sensível? Como aquele que morreu com a mais desastrosa morte poderá ajudar alguém a se vingar? Com efeito, se fosse capaz, muito melhor vingaria a si mesmo contra o seu próprio inimigo, pois aquele que pode ajudar a outros, com muita maior razão poderá fazer justiça a si mesmo.

 

A cura vem de Deus

 

18. A arte dos medicamentos, em todas as suas espécies, tem a mesma artimanha. Com efeito, se alguém se cura por meio da matéria, crendo nela, curar-se-á muito melhor dirigindo-se ao poder de Deus, pois da mesma forma que os venenos são composições materiais, da mesma natureza são também os medicamentos curativos. Contudo, até quando rejeitamos a matéria claramente má, não faltarão muitas vezes pessoas que se dediquem a curar, misturando algo mau com o que é bom e, definitivamente, até para fins bons, valem-se de meios maus. Assim como aquele que se assenta para comer com um ladrão, ainda que não o seja, todavia, pelo facto de participar de sua mesa, participa também de seu castigo, da mesma forma, aquele que sem ser mau se mistura com o mau e o emprega para um suposto bem, será castigado por essa comunicação pelo mesmo Deus que julga o mau. E por que razão aquele que crê na dispensação da matéria não quer acreditar em Deus? Por que não recorres ao Senhor mais poderoso e te curas a ti mesmo, como o cão com as ervas, o cervo pela víbora, o porco por meio dos caranguejos dos rios e o leão pelos macacos? Por que divinizas os elementos do mundo? Por que, ao curar o teu próximo, és chamado de seu benfeitor? Segue a potência do Verbo. Os demónios não curam, mas com seus artifícios procuram escravizar os homens e, com razão, o admirável Justino disse que se assemelhavam aos bandidos. Com efeito, assim como estes têm por costume colher vivos alguns e depois os devolvem aos seus a preço de ouro, também esses supostos deuses visitam os membros de alguns e depois, em vista de sua própria glorificação, por meio de sonhos, mandam que os enfermos se apresentem publicamente diante de todo mundo e, depois de ter recebido os louvores, saem voando dos enfermos e, pondo fim à doença que eles mesmos causaram, restituem os homens ao seu primeiro estado.


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