«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
02
Mar 13
publicado por FireHead, às 13:39link do post | Comentar

Tenho ouvido e lido opiniões mais ou menos radicais apelando à “mudança” na Igreja Católica, com a eleição do novo Papa. O que é que essa gente entende por “mudança”? “Mudança”, para essa gente, é defender que a Igreja Católica renegue os seus próprios princípios em matéria ética; ou seja, “mudança”, para eles, é a aniquilação da Igreja Católica.

 

O que é “mudança”?

 

Mudança pode ser a modificação do sujeito, mediante uma metanóia qualquer; ou pode ser a transformação de uma coisa (ou de uma instituição) em outra diferente da anterior. Dizer que a transformação de uma instituição — por exemplo, a Igreja Católica — em outra instituição diferente é sempre boa, é incorrer numa falácia lógica conhecida por ad Novitatem. Mas algumas pessoas que aparecem na televisão a defender a “mudança” não têm a mínima noção do que estão a dizer quando defendem que “o novo é sempre melhor do que o antigo”. A verdade é que há coisas novas que são boas, e há coisas antigas que são boas.

 

O mais espantoso é ver agnósticos e ateus a exigir “mudança” na Igreja Católica. Se um indivíduo é ateu ou agnóstico, porque é que lhe interessa qualquer “mudança” em uma determinada religião? Porque é que não se preocupa, em vez disso, com uma mudança no dogmatismo darwinista que transforma a ciência em cientismo (por exemplo)?

 

No dia em que um Papa concorde, por exemplo, com o aborto, a Igreja Católica acabou, porque acaba de negar o direito fundamental à vida que caracteriza o Cristianismo. Portanto, em relação ao aborto — e ao feminismo — não é possível qualquer “mudança” na Igreja Católica. E o mesmo aplica-se à eutanásia.

 

Dado que a Igreja Católica, para além do Direito Positivo, tem em consideração a lei natural e o Direito Natural, o “casamento” gay e a adopção de crianças por pares de gays nunca poderá ser aceite como equivalente ao casamento natural (entre uma mulher e um homem), por um lado, e à adopção de crianças por um casal em que os adoptantes assumem um papel e uma função análogas à da família natural da criança, por outro. No dia em que um Papa diga que o “casamento” gay é igual, ou idêntico, ou equivalente, ou semelhante, ou análogo, ao casamento natural, a Igreja Católica terá chegado ao fim dos seus dias.

 

E o tempo passa, e a “mudança” exigida pelos maiorais de hoje será diferente da “mudança” dos maiorais de amanhã. A mudança muda conforme a mudança da mudança. Para o poder político, o que é verdade hoje será mentira amanhã. E no meio desta efemeridade da mudança e da instabilidade da verdade, a Igreja Católica foi, é, e será um porto seguro onde o Ser (Deus) se mantém sempre presente e num eterno presente, desde o início do universo.

 

 

Orlando Braga

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