«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Nov 12
publicado por FireHead, às 00:39link do post | Comentar

 

"A Infância de Jesus" é o terceiro livro de Joseph Alois Ratzinger, vulto Papa Bento XVI, sobre a biografia de Jesus Cristo. Jesus histórico, segundo o Papa. Polémicas à parte, não belisca em nada a minha Fé na Igreja Católica se estavam ou não no presépio o burro e a vaca ou se a estrela que guiou os magos era na verdade uma supernova. Deixo isso para os tradicionalistas ferrenhos ou acérrimos conservadores. Até porque eu sei separar as águas e, apesar de Bento XVI ser Papa, ele é uma pessoa como qualquer um de nós, logo também tem as suas próprias opiniões. Ele não escreveu nada que seja um dogma, não escreveu como poderia falar ex-Cathedra.

 

A Bíblia pouco fala da infância de Jesus. "Resumindo, Mateus e Lucas – cada um à sua maneira – queriam não tanto narrar «histórias», mas escrever história: história real, sucedida, embora certamente interpretada e compreendida com base na Palavra de Deus. Isto significa também que não havia a intenção de narrar de modo completo, mas de escrever aquilo que, à luz da Palavra e para a comunidade nascente da fé, se revelava importante. As narrativas da infância são história interpretada e, a partir da interpretação, escrita e condensada", pode-se ler no novo livro do Papa.

 

"Eu não vejo como se possa aduzir, em apoio de tal teoria (nascimento de Jesus em Nazaré, ndr), fontes verdadeiras. De facto, a propósito do nascimento de Jesus, não temos outras fontes além das narrativas da infância de Mateus e Lucas. Vê-se que os dois dependem de representantes de tradições muito diferentes; são influenciados por perspectivas teológicas diferentes, e inclusive as suas informações históricas divergem parcialmente. Parece que Mateus desconhecia que tanto José como Maria habitavam inicialmente em Nazaré. Por isso, quando voltam do Egipto, a intenção primeira de José é ir para Belém, e só a notícia de que na Judeia reina um filho de Herodes é que o induz a retirar-se para a Galileia. Ao passo que, para Lucas, é claro, desde o início, que a Sagrada Família, depois dos acontecimentos do nascimento, voltou para Nazaré. As duas linhas diversas de tradição concordam na informação de que o local do nascimento de Jesus era Belém. Se nos ativermos às fontes, fica claro que Jesus nasceu em Belém e cresceu em Nazaré.

 

(...)

 

Os dois capítulos da narrativa da infância em Mateus não são uma meditação expressa sob a forma de histórias, antes pelo contrário: Mateus narra-nos verdadeira história, que foi meditada e interpretada teologicamente, e assim ajuda-nos a compreender mais profundamente o mistério de Jesus.

 

(...)

 

Também é importante aquilo que Lucas diz acerca do crescimento de Jesus não só em idade, mas também em sabedoria. Por um lado, na resposta de Jesus com 12 anos, tornou-se evidente que Ele conhece o Pai – Deus – a partir de dentro. Só Ele conhece Deus, e não através de pessoas humanas que dão testemunho d’Ele – reconhece-O em Si mesmo. Como Filho, encontra-Se directamente com o Pai; vive na sua presença; vê-O. João diz que Ele é o Unigénito, que «está no seio do Pai» e, por isso, pode revelá-l’O (Jo 1, 18). É precisamente isto que se torna evidente na resposta daquele adolescente de 12 anos: Jesus está com o Pai, vê as coisas e os homens na sua luz" ("A Infância de Jesus", por Papa Bento XVI).

 

Na verdade a Bíblia, a respeito da infância de Jesus, salienta apenas poucos pormenores: natividade, adoração dos magos, a Sua circuncisão, a Sua apresentação no Templo, a fuga para o Egipto e o encontro no Templo entre os doutores.

 

Os apócrifos, e não apenas os gnósticos, contêm também informações sobre a infância de Jesus, muito movidas pela piedade popular.

 

O Evangelho Árabe da Infância, publicado em 1677, atribuído a Pedro alegadamente com dados fornecidos por Nossa Senhora, é baseado no Proto-Evangelho de Tiago, que relata a viagem de José e Nossa Senhora até Belém antes do nascimento de Jesus. O Evangelho Árabe de Infância narra também a infância de Jesus no Egipto, baseada aparentemente em tradições locais, e inclusive há um filme de Jesus em que retrata uma cena que consta no apócrifo: o menino Jesus olha para um templo com imagens de ídolos e estes caem para o chão, assustando as pessoas que estavam lá dentro a adorá-los. Segundo o apócrifo, a região tremeu e os ídolos quebraram depois de terem caído para o chão. O Alcorão islâmico possui informações que foram certamente extraídas do apócrifo árabe, como o facto de Jesus ter supostamente falado no berço aos magos, criando assim a sua própria versão islamizada de Jesus, o Isa para os muçulmanos.

 

O Evangelho de Pseudo-Tomé foi atribuído a um filósofo israelita e terá sido escrito no século II procurando igualmente dar informações sobre a vida de Jesus dos 5 aos 12 anos. É uma história mirabolante na medida em que ele diz que o menino Jesus era cruel, tendo matado uma criança (sim, isso mesmo), o filho do escriba Anás, depois de o ter secado como uma árvore. O apócrifo contraria os Evangelhos canónicos porque fala que Jesus, já em criança, fazia milagres: aos 5 anos de idade, no leito de um riacho, Jesus transformou passarinhos de barro por Ele moldados em passarinhos verdadeiros.

 

Uma outra obra apócrifa, "A História de José, o carpinteiro", escrita entre o século VI e VII, confirma o dogma da virgindade perpétua de Nossa Senhora e esclarece que os "outros" filhos dela - Judas, Justo, Tiago, Simão, Ássia e Lídia - são na verdade filhos de José de um casamento anterior. Há uma cena engraçada no apócrifo: a morte é personalizada numa figura que vinha buscar a alma de José e que ficou com medo da presença de Jesus. Somente depois de Jesus lhe ter dito para fazer o que tinha a fazer é que a morte levou a alma de José com ela.

 

O padre modernista brasileiro Frei Jacir de Freitas Faria, fransciscano, especializou-se no estudo dos apócrifos. Segundo ele, os apócrifos da infância devem ser entendidos no âmbito do imaginário da fé. O problema deste padre é acreditar que existiram mais do que um Cristianismo e que a Igreja Católica foi o resultado duma vitória da actual doutrina sobre as outras, precisamente as apócrifas.

 

Também o Livro de Urântia fala, na sua parte IV, da vida e dos ensinamentos de Jesus. Este livro de teor gnóstico ao bom estilo da New Age afirma ter sido apresentado por seres celestiais como uma revelação do nosso planeta, que afinal se chama Urântia, instruíndo-nos sobre a sua génese, história e o destino da humanidade e sobre o relacionamento do homem com Deus. Segundo o livro, Jesus nasceu no dia 21 de Agosto do ano 7 a.C. (sim, isso mesmo) ao meio-dia com a ajuda de carinhosas mulheres viajantes. Fala também da estadia da sagrada família em Alexandria, Egipto, quando Jesus tinha 2 anos e o regresso a Nazaré um ano depois. Com 5 anos de idade, Jesus teve uma irmã, a Míriam, e com 7 anos iniciou a Sua instrução formal nas escolas das sinagogas, entre outras informações que roçam mais o ridículo que outra coisa.


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