«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
01
Jun 12
publicado por FireHead, às 16:12link do post | Comentar

Desde a época da escola, escutamos que a Idade Média foi a Idade das Trevas. Onde, abandonada por Deus, nada de bom foi produzido. Fala-se das Inquisições, pestes, nas Cruzadas e de Papados corruptos. Bom, então vou mostrar um outro lado, de forma bem concisa, de quem realmente foi o homem da Idade “Média”.

 

Para tanto, faz-se necessária uma contextualização histórica. Vamos a ela:

 

De 400 a 1050, ocorreu o que é conhecido por “Invasões Bárbaras”. Onde toda a Europa foi assolada e o Império Romano teve o seu fim.

 

Factores Importantes quanto a este acontecimento:

 

- Os povos bárbaros entraram no Império Romano como colonos.

 

- A grande vastidão do Império dificultava o seu governo.

 

- Foram recrutados os bárbaros para integrar o exército romano (mercenários).

 

- Iniciou-se os ataques dos povos Germânicos (Unos, Celtas, Galeses, Vikings, vândalos, Francos, Jutos, Germanos e etc)


- Os hunos pressionaram os germanos a adentrar o Império Romano.

 

- Fragmentação do Império Romano do Ocidente que o levou a cair por incessantes ataques Germânicos e fragilidade sócio-económica Romana.

 

Durante esse processo, absolutamente tudo foi destruído e depredado pelos Bárbaros. Desde os hospitais, às bibliotecas e escolas. Apenas a Igreja Católica veio a sobreviver desta imensa destruição. Logo, ficou ao seu encargo guardar e proteger todo o património literário, arquitectónico, científico, cultural, económico e etc; até ali conhecido.

 

Como disse o historiador Will Darant:  A causa básica da regressão Cultural não foi o Cristianismo, mas o Barbarismo, não a religião, mas a Guerra.

 

Diante de todo esse caos, os Mosteiros viraram grandes centros de desenvolvimento científico e intelectual. Se não fosse a Igreja a fazer esse trabalho, toda a cultura Greco-Romana não teria chegado aos nossos tempos. O património filosófico e cultural ter-se-ia perdido, ninguém conheceria sequer quem foi Platão. Teríamos sofrido o mesmo que os Gregos Mecenos e, XII a.C., quando foram invadidos pelos Dórias. Resultado desta invasão: três séculos sem conhecer a literatura, a chamada Era Grega Escura.

 

Em 452 São Leão Magno colocou-se à frente de Átila, rei dos Unos, impedindo-o de destruir Roma (o último refúgio da sociedade Greco-Romana). Até hoje não se sabe como São Leão o teria convencido a não adentrar Roma e destruí-la. Conta-se que Átila vira um grande homem iluminado atrás de São Leão Magno apontando-o uma espada, e diante disso recuou.

 

Em 1050 a Igreja começou a recivilizar a sociedade com o fim das invasões bárbaras, baptizando os Húngaros e Normanos, humanizando assim o mundo feudal (como disse o grande historiador Daniel Rops).

 

Em 1064, A Igreja Ortodoxa se separa da Igreja Romana, graças ao Cesaropapismo dos Imperadores Basileus que chamavam para si a questão da Fé. E também por influência dos maometanos, dando origem assim ao “Sisma de Cesareia”.

 

Em 1073-1095, o Papa São Gregório VII, tentando recriar o ideal agostiniano, libertou a Igreja da prática da Sumonia (comércio de funções e objectos sagrados).

 

De 1050 a 1350 foi o tempo de ouro da Igreja. Por meio de Inocêncio III (1198-1216) surgiram as grandes Catedrais e Universidades. “Lúmem Gentium” (Luz das Nações). Onde se viu uma explosão cultural e científica por toda a Europa. Vou citar alguns desses feitos:

 

Nas Universidades e em tantas outras partes da sociedade, nenhuma outra fez mais para prover o saber que a Igreja Católica (Thomas Woods).

 

O modelo que hoje se tem de Universidade foi criado pela Igreja Católica, que na época ministrava cursos baseados em duas divisões, o quadrivium: aritmética, geometria, música, e astronomia. E o trivium: gramática, retórica e lógica. Estes dois conjuntos permitiam uma formação académica dos alunos e uma forma inteligente de expressão para com o mundo.

 

Até 1440 foram erguidos na Europa 55 Universidades e 12 Instituições de ensino Superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. E como falar então que a Igreja era obscurantista, se foi ela que criou as Universidades?

 

Como pode uma instituição obscurantista criar e desenvolver a arte, as Catedrais, Arquitectura, escultura, vitrais (que até hoje se desconhece a técnica usada), música, agricultura, mineração, metalurgia, energia hídrica, irrigação, drenagem de pântanos, produção de vinho, cerveja e champanhe; fabricação de relógios, planadores, lente de óculos, a roda com aros, o moinho, a máquina, a ferradura, a máquina a vapor, a impressão, a caravela e os moinhos. O vasto uso das ciências exactas (matemática, física e química), astrologia, a trigonometria, cinemática e dinâmica; além de enorme influência na geologia e navegação. Todos estes feitos vieram principalmente dos Monges que se dedicaram plenamente às ciências.

 

Como grandes mentes Cristãs podemos citar: Alexandre de Hales, São Abelardo, Duns Sorto, Santo Agostinho, Cassidoro, Santo Isidoro de Sevilha, Rábano Moura, Alamino e ainda escolásticos como Santo Anselmo, Pedro Abelardo, Santo Alberto Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino, Roger Bacon, São Bernardo que criaram pontes entre Fé e razão por meio de calorosos debates e palestras que ministravam.

 

Esta mesma Igreja foi reduto do Padre Jean Burlan que pavimentou o que deu origem a lei da inércia. O postulado sobre Impulso Divino inicial do universo (por não possuir atrito os objectos permanecem em movimento). Ou outros grandes nomes da ciência como: Louis Pasteur, pai da microbiologia, Edward Milikan, Galileu, Descartes, Leibniz, Isac Newton, Kepler, Mendel, monge e pai da genética; Nicolau Copérnico, Willian Herschel, Alessandre Volta, André Marie Ampère, Guglielmo, Padre Mateo Rico e os seus sucessores que revolucionaram a China, reformando até o calendário Chinês.

 

A Igreja ainda deu origem ao primeiro sistema de leis conhecido. Criou o primeiro sistema de leis internacionais. E ainda teve muita influência no campo da economia, proibindo e reprimindo a prática da usura.

 

A Igreja combateu arduamente o infanticídio (muito comum na Roma antiga, principalmente com meninas) e o abandono de idosos. Combateu também a prática do suicídio que era comumente aceite pela sociedade, por vezes vista até como um acto de bravura e praticado como forma de fugir do sofrimento ou da depressão.

 

Sempre defendeu o lado das mulheres, tanto que em nenhum outro lugar via-se mulher à frente de instituições como as abadessas nos mosteiros. Ainda apoiando e reconhecendo o legítimo poder dar rainhas. Facto ainda visto pelas inúmeras Santas canonizadas em todos os tempos.

 

No séc. XII, uma abadessa fora autora da primeira enciclopédia conhecida, que recebera o nome de “Hortuns Deliciarim” (Jardim das delícias).

 

Em 1308, na época dos “Estados Gerais”, as mulheres tinham direito de voto, direito que fora revogado em 1593 em Fança pela retomada do Direito Romano antigo, feito pelo parlamento. E no Séc. XIX fora novamente desvalorizadas por Napoleão.

 

E mais: no séc. XIII, existia registo de mulheres médicas, dentistas, boticárias, tintureiras, copistas, etc.

 

Quanto à escravatura, a Igreja sempre se opôs. Prova cabal é o facto de um ex-escravo chamado Calisto ter chegado ao Papado.

 

Em 1102 o Concilio da Inglaterra disse-nos: Está proibida o ignóbil comércio pelo qual se vendem homens como se fossem animais.

 

Como hoje, uma total supressão do trabalho assalariado seria impossível, antigamente também era assim o trabalho escravo. Dada esta realidade, a Igreja como grande pedagoga da humanidade, na impotência da total supressão da escravatura, lutou para atribuir direitos aos escravos Cristãos, como legitimar os seus casamentos, proibir a sua venda além das fronteiras, e para Judeus. Se algum homem tomasse uma escrava como concubina e chegasse a Igreja esse facto, ele era obrigado a casar com ela, e fazer dela sua esposa.

 

Ainda criou medidas como no tempo pascal, era aconselhável aos Cristãos oferecer um “dízimo” libertando parte dos seus escravos. Isso até o séc. XVI d.C. quando foi restaurada a escravatura Romana que veio durar até o séc. XX.

 

No intuito de cessar as guerras, pelo menos os conflitos pessoais, a Igreja criou pactos e tratados como a “Liga de Amigos da Paz”, “Paz de Deus” e ainda tréguas das 9 horas de sábado até a 1ª hora da segunda e também no Advento e na Quaresma.

 

Veio também a criar “Os voluntários para a Defesa da Paz”, milícias criadas para punir quem violasse esses acordos. Sob o lema: Guerras para os que vivem de guerras.

 

Introduziu também a concepção de Guerra Justa (legitimidade de Defesa) pela força militar. Se não era possível botar fim a estes combates, tinha-se de cristianizar o seu uso, assim foram criados os Cavaleiros que deveriam ser pautados pela honra e justiça, uma mistura de guerreiros e Santos. Exemplos deles foram os Cavaleiros de São João (Conhecidos também como Hospitaleiros), e os Cavaleiros de São Lázaro, que ainda existem até os dias actuais.

 

E quanto à caridade? 25% De todas as obras de auxílio a pessoas com Sida no mundo são mantidas pela Igreja Católica. Nenhuma outra instituição veio a socorrer os necessitados, seja por hospitais, abrigos para crianças, asilos, hospitais para leprosos (doença comum na época), manicómios, auxílio aos viajantes e escolta aos romeiros até a Terra Santa.

 

Não há um Santo da Igreja que não teve forte vínculo com a caridade. Os próprios mosteiros foram grandes centros assistenciais de onde ao seu redor iam surgindo cidades. Todas as obras sociais da Igreja são incontáveis, ela nos tempos mais difíceis foi a única a estender a mão ao necessitado. Obras assistenciais que duram até os dias de hoje, nos mais diferentes campos de atuação.

 

Como ver obscurantismo, pensamento retrógrado diante de tantos feitos da Santa Igreja?

 

A ciência não precisa de opor-se a Fé! E a Igreja deu e continua dando provas disso à sociedade! Na Babilónia Antiga, o animismo (panteísmo) desencorajava a evolução das ciências, tal era o caos imaginado, já que era impossível poder definir leis naturais, por conta da superstição ao contrário do que vimos na Europa Cristã da Idade Média. Mesmo caso observado na China e também nos países islâmicos, que considera as leis naturais como uma forma de Alá agir, que poderia mudar a qualquer instante inutilizando as ciências.

 

A tradição antiga era meramente especulativa, por isso não podemos chamar de ciência, mas sim de herança cultural.

 

Já o Cristianismo reconhecia parâmetros constantes e inteligíveis, portanto também seriam mensuráveis. Vide os grandes avanços proporcionados pela Igreja na Idade Média.

 

Como então dizer que a Igreja é retrógrada, atrasada, assassina, obscurantista, manipuladora? Sendo a Igreja a mãe e a gestora da sociedade moderna, pegando-a nos braços nos momentos mais difíceis, corrigindo-a, protegendo-a, educando-a e deixando-a livre para desenvolver-se por si própria. Como pode essa mesma sociedade dar as costas à Sua Mãe?

 

Com que autoridade moral o homem moderno acusa o medieval? Se eles nos tivessem conhecido, veriam em nosso tempo a verdadeira barbárie, além de uma sociedade hipócrita querendo pregar um falso puritanismo para poder fazer os seus julgamentos. Antes de criticar os nossos antepassados vamos cuidar de nossas mazelas que são muitas, e teriam sido muito piores sem a assitência da Igreja Católica. Nunca se matou tanto como no século XX, seja pelas guerras ou pelos regimes autoritários. E quer-se olhar para o passado e chamar de obscurantista o homem que viveu na luz, um homem fervoroso e que via na Fé não motivo de conflito, mas o amparo e alicerce para ser cocriador do mundo.

 

A Igreja Católica compreende os seus antagonistas, os seus antagonistas não entendem a Igreja Católica (Hilaire Belloc, As Grandes Heresias).

 

 

André Luiz T. Calcagno

 

Fonte: Ágora


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