«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Abr 12
publicado por FireHead, às 22:46link do post | Comentar

Muitos protestantes, através de livros, folhetos e sítios na Internet, procuram defender a sua posição contra os livros deuterocanónicos do Antigo Testamento, afirmando que estes livros contêm heresias. Segundo eles, (que eles chamam de "apócrifos") não são livros canónicos porque ensinam as seguintes heresias:

 

1. Perdão do pecado mediante esmolas: Dizem que Tobias 12,9; 4,10; Eclesiástico 3,33 e 2 Macabeus 43-47 ensinam que as esmolas apagam os pecados, negando então a redenção do sacrifício de Cristo e por isso não podem ser considerados canónicos. Primeiro estas referências são do Antigo Testamento, portanto não podem ter qualquer relação com o sacrifício de Cristo. Segundo, elas estão em plena conformidade com o Antigo Testamento, que ensina que o bem feito ao próximo será considerado em nosso julgamento. Este é o princípio das esmolas. E esta mesma doutrina se encontra em Prov 10, 12, por exemplo. Será que o Livro dos Provérbios não é canónico também? Em terceiro lugar, esta mesma doutrina é confirmada no Novo Testamento, basta verificar Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma até mesmo o valor da esmola juntamente com outras formas de piedade (cf. Mt 6,2-18). Veja também 1 Pd 4,8; Act 10,3-4; 10,31.

 

2. A vingança e a prática do ódio contra os inimigos: Dizem que isto está em Eclo 12,6 e Judite 9,4 e contradiz ferozmente Mt 5,44-48. Mais uma vez Eclesiástico diz respeito ao Antigo Testamento, onde valia a lei do retalião. Se o Livro do Eclesiástico não é canónico por esta razão, também não são Êxodo, Deuteronómio e Levítico, veja Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,19-21.

 

3. Prática do suicídio: Dizem que o ensino sobre a prática do suicídio está em 2 Macabeus 14,41-42. Entretanto em Jz 16,28.30 Sansão se suicida e a sua morte é tida como grandiosa pelo autor do Livro de Juízes. A Bíblia possui diversos casos de suicídio - principalmente entre guerreiros -, basta ver: Jz 9,54; 16,28-29; 1Sm 31,4-5; 2Sm 17,23; 1Rs 16,18.

 

4. Ensino de artes mágicas: Dizem que Tobias 6,8-9 favorece a prática de artes mágicas. Ora, em Tobias 8,3 vemos que não é Tobias quem expulsa o demónio, mas sim o Anjo Rafael. O interesse era ocultar a acção do Anjo para Tobias. Em Jo 9,6 vemos que Jesus reconstituiu os olhos de um cego com saliva e logo, em Tg 5,14 há instruções para usar óleo na cura dos enfermos; será que por isso estes livros também deixaram de ser canónicos?

 

5. Prática da mentira: Dizem que Judite 11,13-17 e Tob 5,15-19 favorecem a prática de mentiras. Abrão disse ao rei Abimelec que Sara era a sua irmã, e na verdade era a sua esposa (Gn 20,2). Jacó, auxiliado pela mãe, mente ao pai cego, dizendo que era o filho mais velho e no entanto era o mais novo (cf. Gn 27,19), além de também enganar o sogro (cf. Gn 31,20). Será que o livro de Génesis também não é canónico?

 

6. Erros históricos e cronológicos: Dizem ainda que os livros de Baruc e Judite estão cheios de contradições em relação aos protocanónicos do Antigo Testamento. Devemos lembrar-nos que a Sagrada Escritura não é um livro histórico ou geográfico, nela Deus através das limitações humanas comunicou os Seus desígnios. Veja que II Reis 8,26 se contradiz com II Cro 22,2; II Reis 23,8 também se contradiz com I Cro 11,11. Isto também faz deles livros não canónicos?

 

 

Há citações dos deuterocanónicos do Antigo Testamento no Novo Testamento?

 

Um grande motivo de disputa entre Católicos e protestantes em relação ao Cânone Bíblico diz respeito a um conjunto de sete livros disponíveis na Septuaginta, além de acréscimos nos Livros de Daniel e Ester; e que se encontram no Antigo Testamento Católico e ortodoxo e não no protestante. Estes livros são considerados apócrifos pelas confissões protestantes e deuterocanónicos pelas confissões Católica e ortodoxa. São eles: Judite, Baruc, Sabedoria de Sirac, Eclesiástico1 Macabeus2 Macabeus e Tobias.

As confissões protestantes acreditam que este conjunto de livros apresenta erros doutrinários e até mesmo heresias; por isso seriam contrários à Fé Cristã. Porém, o facto do Novo Testamento possuir tantas referências à versão da Septuaginta, que continha esses livros, pode ser um indício de que nem os judeus de Alexandria, nem os da Palestina, nem Jesus e nem os Apóstolos, tiveram qualquer restrição a esses livros, ou então por que usariam uma versão bíblica que continham livros heréticos?

Há ainda objecções que afirmam que nem Jesus e os Apóstolos citaram os deuterocanónicos. Ora, se este fosse um critério verdadeiro para determinar a conformidade de um livro com a Fé Cristã, estariam em não conformidade pelo menos os livros Juizes, Crónicas, Ester, Cântico dos Cânticos, que também não são citados por eles. Entretanto, não é verdade que falta no Novo Testamento referências aos deuterocanónicos do Antigo Testamento.

Por exemplo, em Hebreus 11, somos encorajados a imitar os heróis do Antigo Testamento, as mulheres [que] receberam a seus mortos pela ressurreição. Alguns foram torturados, recusando aceitar ser libertados, para poder levantar-se novamente a uma vida melhor (Hb 11,35). Nos protocanónicos do Antigo Testamento (que corresponderia ao Antigo Testamento protestante), encontramos vários exemplos de mulheres recebendo a seus mortos mediante a ressurreição. Encontraremos Elias ressuscitando o filho da viúva de Sarepta em 1 Reis 17, encontraremos o seu sucessor Eliseu ressuscitando o filho da mulher sunamita em 2 Reis 4. Mas jamais encontraremos (desde Génesis até Malaquias) algum exemplo de alguém sendo torturado e recusando aceitar ser liberto por causa de uma melhor ressurreição. A história, cuja referência é feita em Hebreus, encontra-se em um dos livros deuterocanónicos, a saber, em 2 Macabeus. Vejamos:

 

[Durante a perseguição dos Macabeus] Também foram detidos sete irmãos, juntos com a sua mãe. O rei, flagelando-os com açoites e feixes de couro de boi, tratou de obrigá-los a comer carne de porco, proibida pela Lei. [...] Os outros irmãos e a mãe se animavam mutuamente a morrer com generosidade, dizendo: "o Senhor Deus está nos vendo e tem compaixão de nós..." Uma vez que o primeiro morreu [...] levaram o suplício ao segundo [...] também ele sofreu a mesma tortura que o primeiro. E quando estava por dar o último suspiro, disse: "Tu, malvado, nos privas da vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará a uma vida eterna, se morrermos por fidelidade às suas leis’" (2 Mac 7,1.5-9)

 

Um após outro os filhos morrem, proclamando que serão recuperados na ressurreição. Vejamos ainda:

 

Incomparavelmente admirável e digna da mais gloriosa lembrança foi aquela mãe que, vendo morrer os seus sete filhos em um só dia, suportou tudo valorosamente, graças à esperança que tinha posto no Senhor. Exortava a cada um deles, [dizendo] "Eu não sei como vocês apareceram em minhas entranhas; não fui eu que lhes dei o espírito e a vida nem fui eu que ordenei harmoniosamente os membros do seu corpo. Por conseguinte, é o Criador do universo, o que formou o homem no seu nascimento e determinou a origem de todas as coisas, quem lhes devolverá misericordiosamente o espírito e a vida, já que vós vos esqueceis agora de vós mesmos por amor à suas leis", dizendo ao último: "Não temas a este verdugo: mostra-te digno dos seus irmãos e aceita a morte, para que eu volte a encontrá-lo com eles no tempo da misericórdia" (2 Mac 7,20-23.29).

 

Perceba o leitor que em Hb 11,35, o escritor sagrado, ao ensinar um artigo de Fé refere-se a um exemplo de testemunho, que se encontra somente num dos livros deuterocanónicos. Ora, se por isto o livro dos Macabeus contivesse alguma doutrina estranha à Fé, com toda certeza o autor da Carta aos Hebreus evitaria mencioná-lo na sua pregação.

Esta informação possui mais um detalhe muito importante: a Carta aos Hebreus foi escrita para os judeus da Palestina, demonstrando mais uma vez que a versão da Septuaginta foi também aceite por eles; caso contrário, não faria sentido o escritor sagrado fazer referência a uma história que não era conhecida pelos seus destinatários.

Também é importante saber que em alguns dos livros deuterocanónicos do Antigo Testamento, há revelações divinas confirmadas no Novo Testamento. Por exemplo:

 

Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor. Mas porque eras agradável ao Senhor, foi preciso que a tentação te provasse. Agora o Senhor enviou-me para curar-te e livrar do demónio Sara, mulher de teu filho. Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistem na presença do Senhor (Tobias 12,12-15) (grifos meus).

 

Em nenhum lugar nos livros protocanónicos do Antigo Testamento, há alguma revelação dos sete anjos que assistem na presença do Senhor e que Lhe entregam as orações dos justos. Esta revelação é confirmada no livro do Apocalipse:

 

Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos (Ap 8,2-5) (grifos meus).

 

Um outro caso interessante está no livro da Sabedoria:

 

Ele se gaba de conhecer a Deus, e se chama a si mesmo filho do Senhor! A sua existência é uma censura às nossas ideias; basta a sua vista para nos importunar. Sua vida, com efeito, não se parece com as outras, e os seus caminhos são muito diferentes. Ele nos tem por uma moeda de mau quilate, e afasta-se dos nossos caminhos como de manchas. Julga feliz a morte do justo, e gloria-se de ter Deus por pai. Vejamos, pois, se as suas palavras são verdadeiras, e experimentemos o que acontecerá quando da sua morte, porque, se o justo é filho de Deus, Deus o defenderá, e o tirará das mãos dos seus adversários. Provemo-lo por ultrajes e torturas, a fim de conhecer a sua doçura e estarmos cientes da sua paciência. Condenemo-lo a uma morte infame. Porque, conforme ele, Deus deve intervir (Sabedoria 2,13-21).

 

A profecia acima se refere ao escárnio promovido pelo Sinédrio contra o Senhor Jesus. Veja o testemunho do Novo Testamento sobre o seu cumprimento:

 

A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus! [...] Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. [...] Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós! (Lc 23,35.37.39).

 

Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito? [...] Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas (Mc 14,61.65)

 

Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado. [...] Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo. Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar (Mc 15,15.19-20).

 

Salva-te a ti mesmo! Desce da cruz! Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou os outros e a si mesmo não pode salvar! Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam” (Mc 15,30-31).

 

É importante dizer que nos protocanónicos do Antigo Testamento há registo de coisas muito reprováveis, como as filhas de Lot se engravidaram dele, depois de o embebedar (Gn 19,30-36). O Rei Saul consultou uma espírita (I Reis 28,8), Abraão arrumou um filho fora do seu casamento (Gn 16), e o Patriarca Jacó vários (Gn 30,4-5.7.9-10.12). David planeou a morte de um dos seus soldados para ficar com a sua esposa (cf. 2 Sm 11). Alguém poderia dizer ainda que o Livro de Génesis promove a poligamia (cf. Gn 29,28-30) e todos os Cristãos sobre a terra ainda o consideram canónico apesar disso. Portanto, se não é o juízo subjectivo e pessoal que coloca ou retira livros no Cânone Bíblico, o que é? Qual foi o juízo adoptado pelos primeiros Cristãos para receber ou não um livro como canónico?

O critério deles foi o mesmo dos Cristãos que viveram na era apostólica quando aceitaram que a Lei de Moisés não era necessária para alcançar a Justiça (cf. Act 15): o discernimento da Única e Verdadeira Igreja de Cristo.

 

 

Fonte: Veritatis Splendor


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