«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Abr 12
publicado por FireHead, às 18:15link do post | Comentar

A máxima: “Fora da Igreja não há salvação, não condena senão os adultos de má-fé.”

“É injusto, é cruel que Deus grite a todos os homens de má-fé: Fora da Igreja não há salvação! Há injustiça em excluir da beatitude os que dela se excluem voluntariamente, conscientemente? Há barbárie em recusar uma salvação aos que absolutamente não a querem?”

 

“Fora da Igreja não há salvação” não é uma máxima desumana, cruel e bárbara, tirânica, ou, digamos, de outra época!

 

(...)

 

I. O indiferentismo em matéria religiosa.

 

Os primeiros protestantes admitiam, como os Católicos, que para a salvação é obrigatório pertencer à verdadeira Igreja de Jesus Cristo. “Fora do seio da Igreja, diz Calvino, não se pode esperar a remissão dos pecados nem a salvação”, e as confissões helvécia e écossaise retomam a mesma doutrina. Nessa época, cada seita pretendia ser a verdadeira Igreja e condenava todas as outras. Mas o princípio do livre exame, reivindicado igualmente por todas as seitas, iria fatalmente levar ao indiferentismo eclesiástico relativo, que consiste em admitir a possibilidade da salvação em todas as confissões "Cristãs": luteranismo, calvinismo, anglicanismo, etc. (cf. Guarde a Fé nº 1: Apologética).

 

 

II. Vejamos o que nos ensina a doutrina Católica sobre a necessidade de pertencer à Igreja

 

A Igreja é, segundo a doutrina de São Paulo, um corpo vivo, de que Jesus Cristo é a cabeça, o chefe. Deve-se pois distinguir nela uma alma e um corpo. Mas, assim como, no homem, certas funções da alma, como a razão e a vontade, não dependem necessariamente do corpo, e assim como um membro, um braço morto, por exemplo, faz parte do corpo humano sem ser vivificado pela alma, assim se pode pertencer à alma da Igreja sem pertencer ao seu corpo, e pertencer a seu corpo sem pertencer à sua alma.

 

· Pertencer à alma da Igreja é estar unido a Jesus Cristo pela Fé junto à graça santificante.

· Pertencer ao corpo da Igreja é professar exteriormente a doutrina de Jesus Cristo, participar dos Seus sacramentos e obedecer aos Seus ministros.

 

Posto isto, diga-se que, para a salvação, é necessário:

 

- como necessidade de meio, pertencer à alma da Igreja;

- como necessidade de preceito, pertencer ao corpo da Igreja.

 

Prova desta doutrina pela Santa Escritura

 

Para salvar-se, é necessário, como necessidade de meio, pertencer à alma da Igreja: a nossa salvação, com efeito, não vem senão de Jesus Cristo:

 

Deus enviou seu Filho ao mundo... para que o mundo seja salvo por Ele.” (S. João, III, 17)

“Não há salvação senão por Cristo; Seu nome é, sob o céu, o único nome que nos pode salvar.” (Actos, IV, 12)

 

Se pois não há salvação fora de Jesus Cristo, não há salvação fora da alma da Igreja, que não é, essencialmente, senão a participação na vida sobrenatural de Jesus Cristo. A necessidade, para a salvação, de pertencer à alma da Igreja é necessidade de meio, ou seja, todo homem está irrevogavelmente excluído do Reino dos Céus se privado da graça santificante, seja isto por sua culpa ou não, conheça ele ou ignore a existência da Igreja. Para salvar-se, é necessário, como necessidade de preceito, pertencer ao corpo da Igreja.

 

“O que tiver crido, diz o Salvador, e tiver sido baptizado, será salvo; mas o que não tiver crido será condenado.” (S. Marcos, XVI, 16).

“Se alguém não renasce da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus.” (S. João, III, 5)

“Se alguém não escuta a Igreja, que ele vos seja como um pagão e um publicano.” (S. Mat. XVIII, 17)

 

Vê-se por estes textos que não poderá salvar-se ninguém que não se tenha unido à Igreja por estes três laços que constituem o corpo, a saber: a profissão exterior da fé, a participação dos sacramentos e a submissão aos legítimos pastores.

 

Prova pela Tradição

 

Para os Padres da Igreja, é a arca de Noé: aquele que nela não está corre perigo nas águas do dilúvio; é o corpo de Cristo: aquele que dele está separado não pode ser vivificado pelo Redentor. A necessidade, para a salvação, de pertencer ao corpo da Igreja é necessidade de preceito, ou seja, todo homem que, por uma negligência gravemente culpável, deixa de buscar a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, ou que, após a ter reconhecido com certeza, recusa professar exteriormente o seu símbolo, participar dos seus sacramentos, obedecer aos seus pastores, é excluído da salvação eterna.

 

 

III. Condenação do indiferentismo pelo Syllabus (cf. Guarde a Fé nº 1: Apologética): Proposições XV, XVI, XVII, XVIII.

 

 

IV. Uma objecção!

 

A esta doutrina Católica sobre a necessidade de pertencer à Igreja e que nos deu o dogma de fé “fora da Igreja não há salvação” nos vem uma forte objecção: “Se houvesse uma religião na terra fora da qual não houvesse senão uma pena eterna, e da qual em qualquer lugar do mundo um só mortal de boa-fé não tivesse sido tocado por sua evidência, o Deus desta religião seria o mais cruel e o mais iníquo dos tiranos” (J.J. Rousseau).

 

Esta objecção supõe que a doutrina Católica envie sem remissão às chamas eternas todos os que vivem fora da Igreja romana, os heréticos, os cismáticos, os infiéis, as crianças mortas sem o baptismo. Isso é puro sofisma, o sofisma chamado pelos lógicos ignorância da questão, sofisma habitual entre os inimigos da Igreja, que blasfemam o que ignoram. Segundo a doutrina exposta mais acima, não há nada na máxima incriminada que implique nem o mais leve atentado à justiça e à bondade de Deus.

 

Com relação à alma da Igreja

 

Esta máxima não exclui da visão beatífica senão as crianças mortas antes de ser regeneradas. Sendo esta felicidade um dom puramente gratuito, Deus não é de modo algum injusto e cruel a este respeito; ele absolutamente não lhes deve uma felicidade que não tem relação com a Sua natureza. Teria sido necessário um milagre para que elas não fossem privadas da graça baptismal. Pode-se exigir que Deus intervenha sobrenaturalmente, para suprir a falha das diversas causas que levam a tal privação? Ademais, esta espécie de crianças não é a dos condenados ao fogo eterno. Pode-se afirmar sem ferir a Fé que não somente elas não estão submetidas a penas sensíveis, mas também, sem ter ideia alguma dos desfrutes da visão intuitiva, elas não experimentarão nenhuma aflição da privação de tão grande bem, e são felizes de toda a felicidade natural de que é capaz a natureza humana.

A máxima em questão não exclui necessariamente da visão beatífica nenhum dos que vivem fora da comunhão eclesiástica, nem os heréticos, nem os cismáticos, nem os infiéis. Eles podem, sendo de boa-fé, pertencer à alma da Igreja pela Fé, pela esperança e pela caridade, alma que se estende bem além de seu organismo visível, de sua hierarquia oficial.

Quanto aos que, diz o Papa Pio IX, “ignoram invencivelmente a religião Católica mas observam a lei natural e os mandamentos que Deus inscreveu no coração de todo homem, obedecem prestamente a Deus e levam uma vida honesta e direita podem, sob a acção da luz e da graça divina, obter a vida eterna; pois Deus, que perscruta as almas, vê claramente e conhece os sentimentos, os pensamentos, as disposições, não pode de modo algum sofrer, em Sua suprema bondade e clemência, que alguém seja punido com as penas eternas se não se afastou d’Ele por uma falta voluntária” (Encíclica de 10 de Agosto de 1863). Se pois um herético, um cismático, um infiel é condenado, tal não se deve propriamente ao facto da heresia, do cisma ou da infidelidade, mas a faltas não expiadas. Deus não condena a ignorância invencível, mas somente a violação voluntária do dever. Onde está aqui a injustiça, a crueldade?

 

Com relação ao corpo da Igreja

 

A máxima: “Fora da Igreja não há salvação, não condena senão os adultos de má-fé”.

Deus estabeleceu, como meio ordinário para nos comunicar e manter a Fé e na graça santificante, o magistério doutrinador, o ministério santificante e a autoridade governamental do Papa e dos bispos. Ele instituiu o preceito de crer neste magistério, de receber deste ministério os sacramentos, e de obedecer às leis que edita esta autoridade. Este preceito, por ser positivo, absolutamente não obriga os que o ignoram invencivelmente, é só os condena por sua próprias faltas. Mas, para quem o conheça, há a obrigação grave de observá-lo. Por conseguinte, o herético, o cismático, o infiel que, supondo e, com mais razão ainda, sabendo que está num caminho ruim, se recusa a esclarecer-se, a render-se à verdade, desobedecendo gravemente a Deus, encontrará a sanção terrível.

“É injusto, é cruel que Deus grite a todos os homens de má-fé: Fora da Igreja não há salvação! Há injustiça em excluir da beatitude os que dela se excluem voluntariamente, conscientemente? Há barbárie em recusar uma salvação aos que absolutamente não a querem?”

Sejamos apóstolos, façamos o dever de caridade de esclarecer os que estão nas trevas da ignorância e da morte, repetindo-lhes alto e bom som esta bela e grande máxima, este dogma de fé, razão de ser de todas as obras missionárias da Igreja, que é Una, Santa, Católica e Apostólica: Fora da Igreja não há salvação!

 

 

Fonte: Boletim Guarde a Fé

 

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