«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
28
Jan 15
publicado por FireHead, às 06:38link do post | Comentar
Um Deus que não pede mais nada aos homens é como se não existisse. Este é o desfecho trágico de uma Igreja pós-conciliar que, esposando uma visão mundana da misericórdia, chega a um agnosticismo prático. Sim, porque se é verdade que existe um ateísmo prático, aquele que vive como se Deus não existisse, apesar de não negar explicitamente a Sua existência, existe também um agnosticismo prático, aquele que fala de um Deus que permanece desconhecido, que não fala com clareza aos homens, de quem o homem consegue aquilo que quer dependendo da ocasião, um Deus que, no fundo, existe só para beneficiá-lo, sem pedir muito.

Parece ser justamente essa a situação de grande parte do Catolicismo hodierno, concretamente vivido pela maioria dos baptizados.

Prega-se um Deus puramente misericordioso, um Deus de consolação, que não pede a conversão pessoal, que não pede uma mudança de vida. Um Deus pronto para acolher os novos rumos da sociedade, pronto para declarar que as imoralidades, se vividas com o coração, no fundo não são propriamente imorais. Os debates em torno do último sínodo dão amplo exemplo disso. O matrimónio não existe mais no nosso Ocidente decadente, então vamos apressar-nos em dizer que Deus não pede uma indissolubilidade absoluta. As pessoas não se casam mais, então vamos apressar-nos em dizer que, se no convívio houver amor sincero, isso de alguma forma compensa o sacramento... E discursos como esses, não só referentes ao matrimónio, poderíamos citar vários.

No fim das contas, podemos dizer que estamos diante de uma nova mensagem de Deus, de um Deus que não pede nada aos homens, de um Deus que não proíbe nada. Na época da revolta estava em alta o termo “é proibido proibir”; hoje este slogan habita na Igreja renovada, na Igreja do pós-Concílio. “É proibido falar de um Deus que proíbe”: parece ser este o slogan com o qual se redesenhou os quadros dos católicos comprometidos e sobretudo do clero. Querem um clero que acolha, sem recordar o dever urgente da conversão. É proibido falar de castigo, de penitência, de temor de Deus. As pessoas necessitam de consolação, dizem, precisam de recuperar a confiança na Igreja — então, por favor, não proíbam! É um refrão maçante.

Com uma borracha se apaga toda a Sagrada Escritura, todo o Evangelho e todo o Antigo Testamento. Fala-se de um Deus que não cabe na Revelação, de um Jesus emprestado do laicismo maçónico, que não corresponde a nenhuma passagem do Evangelho. Um Senhor que não indica a estrada da vida, pedindo aos homens para se afastar do pecado — mas um Senhor que se apressa em contemplar o que os homens fazem em sua embriaguez de pecado.

Mesmo os esforços da hierarquia parecem destinados a controlar apenas aquela parte da Igreja que insiste em pregar um Deus que perdoa os pecados, que castiga o pecador, para que o homem possa se arrepender e voltar a uma vida santa. O “é proibido falar de um Deus que proíbe” transformou-se em “chega de uma Igreja que proíbe”. Com efeito, ainda há algo proibido em nossas paróquias e em nossas igrejas?

É de se perguntar o que pensam, fiéis e pastores, quando na Missa é proclamada a Palavra de Deus, quando escutam os profetas que anunciam os castigos de Deus e convidam à conversão, quando no Evangelho se fala dos últimos tempos, do Juízo Final e do retorno glorioso de Cristo.

Justamente nos anos em que se fala tanto, na Igreja, do diálogo com os judeus, o Antigo Testamento é censurado por completo. É um Deus moderno que está no centro de muitas igrejas, um Deus burguês que abençoa as escolhas emancipadas dos homens, em sintonia com os tempos, um Deus que não pede mais nada para ninguém.

Mas toda essa falsidade já está castigada. Sim, porque um Deus que não te pede nada é um Deus que, de facto, não existe. Isso é verdade também no dia-a-dia das pessoas: o que não faz o homem diante de um Deus que sempre lhe dá razão?

Nós cavamos o nosso próprio túmulo.

O Catolicismo modernizado cavou a sua própria cova: pregando um Deus que é pura condescendência, transformou-se num Catolicismo agnóstico, que apesar de não negar a existência de Deus, vive independente de Deus, porque para ele Deus é desconhecido. Se Deus sempre me dá razão, se sempre abençoa as minhas escolhas, se sempre se ajusta a mim e à minha vontade, Deus desaparece da minha vida. É a tragédia da Igreja pós-conciliar, que se tornou agnóstica.

É por isso que na Igreja de hoje se fala tanto da própria Igreja e do mundo, e quase nunca de Deus.

Vivendo o Santo Natal recordamos, porém, que Deus veio ao mundo, se fez Homem, mostrou o Seu rosto, falou-nos através dos séculos no Antigo e no Novo Testamento, nos ensinou e nos pediu, e nós devemos escutá-Lo e obedecê-Lo. E a Igreja deve ser simplesmente o eco fiel do Senhor que fala.


in Radicati nella fede (Dezembro de 2014)
Traduzido por Carlos Wolkartt in Renitência

23
Jan 15
publicado por FireHead, às 03:22link do post | Comentar

Papa Pio IX.jpg


01
Jan 15
publicado por FireHead, às 16:46link do post | Comentar | Ver comentários (2)
O professor de Química e Toxicologia da Universidade de Perúgia (capital da Úmbria, Itália), Tarcisio Mezzetti, experimentou uma profunda conversão ao Cristianismo com uma especial sensibilidade e capacidade de discernimento no que diz respeito às «espiritualidades obscuras» e o trato com o que é demoníaco.
O seu livro, Como un león rugiente (Ediciones Elledici), que aborda temas ocultos, tornou-se popular. Fundador da Comunidade Magníficat, com 24 fraternidades em Itália, Roménia, Argentina e Turquia, e com os estatutos aprovados pelo arcebispo de Perúgia, Mezzetti concedeu em 2012 uma entrevista a Sor Emmanuel Maillard, da Comunidade das Bem-Aventuranças, em que falou sobre o reiki (霊気 - «espírito e energia»), uma coisa que dizem ser «uma prática espiritual enquadrada no vitalismo» fundada pelo «monge» budista japonês Mikao Usui que «tem por base a crença na existência da energia vital "Ki" (a versão japonesa do conceito chinês "Qi" [ou "Chi"]), manipulável através da imposição de mãos» (Wikipédia) e que supostamente cura doenças apesar de não ser reconhecido pela medicina nem pela ciência.
«O reiki é uma coisa muito perigosa, quiçá a pior de todas da nossa época, porque apresenta-se como o meio quase milagroso de cura. Conheci muita gente que fez reiki, o primeiro curso, o segundo curso, e que depois precisaram de um exorcismo para poderem ser libertados», começou por dizer Mezzetti. «O terceiro nível de reiki é quando começam os maiores perigos já que os mestres dizem claramente que esse poder que cura é recebido dos espíritos da montanha sagrada do monge Usui». Os próprios caracteres 霊気 têm uma interpretação alternativa em japonês: ryōge, que significa «demónio; fantasma» (ou melhor, possessão espiritual). E avisou os cristãos: «a terapia reiki não é compatível com os ensinamentos cristãos e não tem nenhuma evidência científica, seria absolutamente inoportuno as instituições católicas - como por exemplo os centros de saúde, as casas de retiros espirituais ou pessoas que representam a Igreja, como os capelões - promoverem ou fomentarem a terapia reiki». E citou São Tomás de Aquino: «Ele disse na Suma Teológica: "Satanás, o que faz o mal, também às vezes faz o bem para preparar um mal maior!» As curas do reiki são, portanto, coisas que o demónio usa para manter o praticante de reiki preso a si, pois invoca-o e elogia-o ainda que a pessoa não saiba que se trata do demónio ou dos demónios. Porém, continuou Mezzetti, existem curas «assombrosas» que desafiam a Física e que o demónio não consegue realizar, mas sim Deus, e contou um caso em que viu, no santuário de Lourdes (França), um homem com a tíbia partida a mergulhar-se na água do lago e que saiu de lá curado: «Isso o reiki jamais poderá fazer! Os milagres que vêm de Deus são milagres autênticos de verdade. Satanás não pode fazer coisas parecidas».
Em Portugal, o exorcista Pe. Duarte Sousa Lara, filho do antigo subsecretário de Estado da Cultura de Cavaco Silva, António de Sousa Lara, que meu deu um 16 no relatório final do meu curso no ISCSP (Instituto Superior de Ciências Sociasi e Políticas), afina pelo mesmo diapasão e garante que «o aumento dos casos de pessoas com graves distúrbios espirituais tem a ver sobretudo com a paganização que grassa na Europa e com o incremento das práticas de bruxaria, feitiçaria, ciências do oculto, rituais satânicos e coisas desse género. Tantas coisas que agora estão muito na moda, como o yoga, o reiki ou outras formas de exercício espiritual, são caminhos facilmente percorridos pelo demónio. É preciso ter muito cuidado com essas coisas».
O jovem pároco de Folgosa, Desejosa e Valença do Douro, na diocese de Lamego, é um dos padres exorcistas autorizados pela Igreja, mas reconhece que são necessários mais exorcistas. «O demónio é muito inteligente, tenta sempre enganar quem lida com ele, e um exorcista não se improvisa. É como na medicina: seria imprudente pôr um estudante do 2.º ano a fazer uma operação ao coração, até lá chegar, tem de fazer muitas com os mestres", disse o Pe. Duarte Sousa Lara que acompanhou durante 11 anos o sacerdote italiano Gabriele Amorth, considerado o maior exorcista do mundo, e salvou a vida a uma professora universitária e designer de moda de nome Aldina, que experimentou diversas práticas esotéricas - reiki, astrologia, espiritismo e outras práticas ocultistas (Nova Era) -, após três exorcismos em 2013. Considera ele que em Portugal «as coisas, embora devagar, vão andando no sentido positivo, e há cada vez mais abertura, até dentro da própria Igreja, para debater estes assuntos».  «O demónio existe, é uma verdade de fé. Deus revelou-nos que o demónio existe. E constato todos os dias que há uma crescente necessidade de práticas de exorcismo. (...) O exorcismo tem uma razão de ser e tem acompanhado a nossa história. Em toda a Europa cristã, este era um ministério com grande expressão sobretudo nos primeiros séculos contra o paganismo e os ritos ocultos. Volta a fazer sentido agora com o aumento de casos com graves distúrbios espirituais pelo crescimento do neopaganismo (Nova Era), de que fazem parte tudo o que é astrologia, adivinhação, bruxaria, reiki, tarôs e por aí fora. O demónio mete aí a unha».
O Pe. Duarte de Sousa Lara costuma receber cerca de 60 pedidos de ajuda por semana. Tratam-se de pessoas que recorrem primeiro ao médico mas que não conseguem obter respostas para os seus males «porque nem tudo é explicável pela medicina». «Desses, só consigo atender à volta de seis, que são os mais graves. Gostaria de atender mais, mas tenho outros encargos. Divido-me entre as paróquias de Folgosa, Desejosa e Valença do Douro, em Lamego». Os possuídos «por vezes manifestam uma força física anormal», «entram em transe e depois falam os demónios por eles», proferindo «palavrões, blasfémias, insultos, tentam agredir as pessoas que estão à volta, cospem, gozam, riem-se». O sacerdote salienta ainda que «na nossa cultura sobressaem dois vícios especialmente graves que têm a mão do demónio: um é a luxúria, a idolatria do prazer sexual; outro é a superstição pela qual divinizamos alguma criatura ou força criada, caindo assim na idolatria, na adivinhação ou na magia. Não sei se a crise tem trazido o diabo para o meio de nós. Sou da opinião de que as aflições materiais ajudam-nos espiritualmente, no sentido que Deus às vezes permite abanões. Só nos lembramos de ir a Fátima e começar a rezar o terço quando não conseguimos pagar a luz. Há males que vêm por bem».
Quem acredita em Deus também acredita no demónio, isso é lógico. Mas o facto de haver quem não acredite em Deus e no demónio não significa que Deus não existe nem que o demónio não existe, como também é lógico. Aliás, como dizia o poeta francês Charles-Pierre Beaudelaire (1821-1867), «a maior astúcia do demónio é fazer acreditar que ele não existe». O Magistério e a Tradição da Igreja sempre defenderam a existência do demónio porque é um «adversário real, inimigo de Cristo e do Seu reino». Para além da Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica fala cerca de 40 vezes do demónio. A possessão diabólica é apenas uma das manifestações da existência e do poder do demónio. Infelizmente hoje em dia o tema da existência do demónio foi votado ao estatuto de tabu e a própria Igreja dos dias de hoje, conciliar e modernista, parece ter problemas em falar disso. Muitos até preferem dizer que o demónio é apenas um «simbolismo» e não uma entidade real. Se calhar é porque têm medo de assustar as crianças...

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