«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
24
Abr 14
publicado por FireHead, às 11:57link do post | Comentar

 

Do interior da escuridão da minha vida, tão frustrada, ponho diante de ti a única coisa grandiosa a amar na Terra: o Santíssimo Sacramento. Aí encontrarás romance, honra, fidelidade, e o verdadeiro sentido de todos os teus amores na Terra, e mais ainda: a Morte - pelo divino paradoxo que põe fim à vida e exige a rendição de tudo e, no entanto, também pelo único saborear (ou pré-saborear) que permite manter o que procuras nas tuas relações terrenas (amor, fidelidade, alegria) ou assumir a compleição da realidade, da eterna resistência que todo o coração humano deseja.

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21
Abr 14
publicado por FireHead, às 07:09link do post | Comentar

20
Abr 14
publicado por FireHead, às 00:19link do post | Comentar

04
Abr 14
publicado por FireHead, às 09:11link do post | Comentar

 

A Carta abaixo foi escrita pelo Americano Gary Hoge (ex-baptista) em resposta ao protestante no Site "Estamos Sendo Conduzidos a Roma?" do dr. Ed DeVries. A carta é longa, mas vale a pena cada linha.

 

 

 

Prezado dr. DeVries,

Li a sua página na Internet e senti a necessidade de respondê-la. Eu era um protestante evangélico (baptista) e converti-me ao Catolicismo; assim, dentro do espírito da caridade cristã, venho dizer-lhe que o senhor não possui real compreensão da Igreja Católica ou das doutrinas que esta ensina.

Nenhuma das sete diferenças apontadas pelo senhor entre o Catolicismo e os "Cristãos da Bíblia" reflecte os reais ensinamentos da Igreja Católica. O que o senhor atacou não é a Igreja Católica como ela realmente é, mas uma caricatura dela.

Provarei isso citando as relevantes secções do Catecismo da Igreja Católica (CIC), que é um escrito de autoridade.

 


1. OS CATÓLICOS PREGAM UM EVANGELHO FALSO

O senhor escreveu que a Bíblia ensina que fomos salvos pela graça através da fé e não pelas obras, mas que o Catolicismo nega isso. Isso é falso. Conforme a Igreja Católica, "a justificação nos foi merecida pela paixão de Cristo, que se ofereceu na cruz como hóstia viva, santa e agradável a Deus, e cujo sangue se tornou instrumento de propiciação pelos pecados de toda a humanidade... Nossa justificação vem da graça de Deus... Esta vocação para a vida eterna é sobrenatural. Depende integralmente da iniciativa gratuita de Deus, pois apenas ele pode se revelar e dar-se a si mesmo... Ninguém pode merecer a graça primeira, na origem da conversão, do perdão e da justificação" (CIC 1992, 1998, 2010).

O Concílio de Trento, reunido em resposta à Reforma Protestante, declarou o mesmo: "também se diz que somos salvos pela graça pois nenhuma das coisas que precedem à salvação, seja a fé ou sejam as obras, merece a graça da salvação porque se é graça, não provém das obras, ou como diz o Apóstolo, a graça não seria graça" (Decreto sobre a Justificação, de 13.01.1547, [cap. VIII]).

2. OS CATÓLICOS CRÊEM NA SALVAÇÃO ANTERIOR AO ARREPENDIMENTO

O senhor declara que a Bíblia está em "firme oposição à doutrina da regeneração pelo Baptismo". Como, então, o senhor explica o facto de que esta doutrina é ensinada não apenas pela Igreja Católica, mas também pelas Igrejas Ortodoxas Orientais e também pela maioria das [Igrejas] protestantes?

Se a sua doutrina é conforme o Evangelho, como o senhor explica o facto de que ninguém acreditava nela antes da Reforma?

Acaso o senhor já leu os escritos dos primeiros cristãos?


Seus escritos, mais que quaisquer outros, convenceram-me que a Igreja primitiva era Católica, e não Pprotestante. Entre outras coisas, eles são bem enfáticos na crença de "um só Baptismo para a remissão dos pecados" (Credo de Niceia).

Porém, esta doutrina não é tão má quanto o senhor pensa. No caso de adultos, o arrependimento é sempre necessário para que o seu Baptismo seja lícito. E se algum pecador não arrependido for ilicitamente baptizado, a Igreja Católica ensina que ele não receberá os frutos do Baptismo (regeneração e remissão dos pecados). Não há remissão [dos pecados] sem arrependimento, nem mesmo na Igreja Católica. "Não existe ninguém, por mau ou culpado que seja, que não deva esperar com segurança o seu perdão, desde que o seu arrependimento seja sincero" (CIC 982).

Posso perguntar o que o senhor pensa que acontece com as crianças que morrem antes de atingirem a idade da razão? 

Na minha igreja baptista era comum dizer que todas essas crianças seriam salvas porque Jesus disse que o Reino dos Céus a elas pertencia (cf. Mat. 19,14). Portanto, embora digamos que a fé e o arrependimento são necessários para os adultos, sentimos que Deus abre uma excepção no caso das crianças.

A Igreja Católica (e quase todas as demais igrejas também) admitem essa mesma excepção; logo, não consigo compreender a base de sua objecção para essa prática. Lembre-se também que a Igreja Católica, bem como as Igrejas Ortodoxas Orientais e muitas igrejas protestantes, crêem que é possível perder a salvação [depois do Baptismo].

Desta forma, se uma criança baptizada cresce, se transforma num pecador e não se arrepende [dos seus pecados], certamente não será salvo. Deus não pode ser ridicularizado, nem pode ser "manipulado" para conceder a salvação para um pecador não arrependido.

3. OS CATÓLICOS DEPRECIAM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

O senhor parece estar dizendo aqui que, em razão de existir "um só Deus e mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus", ninguém mais poderia servir como mediador entre Deus e o homem, nem mesmo em sentido secundário. Assim sendo, permita-me formular esta questão:

O senhor intercede a Deus em benefício de seus irmãos e irmãs?


O senhor pede a estes para que intercedam pelo senhor?

Em caso positivo, não estaria o senhor agindo como mediador entre eles e Deus? E não estariam eles agindo como mediadores entre o senhor e Deus? Obviamente que sim!

A oração intercessória, na qual um cristão se põe perante Deus em benefício de outro(s), é a melhor definição de "mediador". Verifique bem os versículos imediatamente precedentes àquele que o senhor citou:

 

"Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, intercessões e acções de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1Tim. 2,1-4).

Deus ordena que todos nós, cristãos, sejamos mediadores. Porquê? Porque "há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus homem" (1Tim. 2,5).

Jesus é o único mediador da Nova Aliaça; assim, nossa mediação em benefício dos nossos irmãos e irmãs depende inteiramente da Dele.

Ao dizer que "toda vez que a Missa é realizada, eles (os católicos) cerimonialmente recrucificam nosso Salvador", o senhor cai num erro comum, mas elementar: este não é o ensinamento da Igreja Católica.

Ao contrário, a Igreja ensina que "Cristo, nosso Deus e Senhor, ofereceu-se a si mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, a fim de realizar por eles (os homens) uma redenção eterna. Todavia, como a sua morte não devia pôr fim ao seu sacerdócio [Heb. 7,24.27], na Última Ceia, 'na noite em que foi entregue' [1Cor 11,13], quis deixar à Igreja, Sua esposa muito amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza humana) em que seria re-presentado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se uma vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício este cuja memória haveria de perpetuar-se até ao fim dos séculos [1Cor 11,23]" (CIC 1366).

 

Portanto, Cristo não é cerimonialmente recrucificado na Missa; Ele foi crucificado uma vez por todas no Calvário.

Também a sua "charge" de que realizamos um "canibalismo religioso" se volta contra o senhor, já que me encoraja a recordá-lo que no segundo século os pagãos fizeram essa mesma acusação contra a Igreja primitiva. Tertuliano e Minúcio Félix dedicaram muitas de suas obras para refutar essa "charge" do "canibalismo".

Isto demonstra que a Igreja primitiva, possuindo a memória viva dos Apóstolos, também acreditava na transubstanciação, como poderia o senhor saber se lesse essas obras. Darei ao senhor um exemplo, livre de qualquer "charge": assim escreveu Inácio de Antioquia:

"Observem aqueles que têm opiniões heterodoxas sobre a graça de Jesus Cristo que veio até nós e notem como suas opiniões são contrárias à mentalidade de Deus... Eles se abstêm da Eucaristia e da oração porque não confessam que a Eucaristia é a carne de Nosso Salvador Jesus Cristo, carne esta que sofreu pelos nossos pecados e que, pela bondade do Pai, foi novamente erguida. Eles, que negam o dom de Deus, estão perecendo em suas próprias disputas" (Epístola aos Romanos; 110 dC).

Inácio foi discípulo pessoal de João, o "discípulo que Jesus amava". Ele aprendeu sobre a Eucaristia directamente da boca do homem que disse que Jesus afirmara "a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida" (Jo. 6,55).

O senhor realmente acha que João (e os demais apóstolos) eram mestres incompetentes de maneira a não serem capazes de explicar algo tão simples quanto uma Ceia memorial simbólica?

Talvez sim, porque a interpretação simbólica que o senhor advoga nunca foi ensinada a não ser mais de mil anos depois de Cristo (já que foi Berengério de Tours, falecido em 1088 dC, o primeiro cristão conhecido a defender tal entendimento).

4. OS CATÓLICOS IGUALAM O PAPA A DEUS

Esta afirmação certamente causaria grande surpresa ao Papa!

A Igreja Católica ensina que ninguém é igual a Deus. Ao contrário, a Igreja ensina que "a fé cristã é diferente da fé em uma pessoa humana. É justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente o que Ele diz. Seria vão e falso colocar tal fé em uma criatura" (CIC 150).

Para declarar que o Papa não tem pecados, temo que o senhor tenha confundido "infalibilidade" (ausência de erro) com "impecabilidade" (ausência de pecado).

O Papa é um pecador salvo pela graça, como o senhor e eu também somos. Certamente ele não é uma pessoa sem pecados, e a Igreja também não afirma isso.

Com efeito, existiu um pequeno número de Papas (durante a Renascença) que estava tão ocupada com luxúria que mal tinham tempo a dedicar para a Igreja! Actualmente somos abençoados por ter um Papa muito bom e de moral irrepreensível, mas a teologia católica não garante que todo aquele que vem a ser eleito Papa também o seja.

Por outro lado, o conceito de infalibilidade não significa que tudo aquilo que o Papa diz seja Palavra de Deus. A maioria dos pronunciamentos dos Papas são tão falíveis quanto os seus e os meus. Contudo, a Igreja crê que quando o Papa, em sua capacidade oficial, faz uma declaração a respeito de fé ou moral, obrigando toda a Igreja, o Espírito Santo o previne de ensinar qualquer erro.

Tais declarações, porém, são extremamente raras; a maioria dos Papas jamais fez esse tipo de declaração. Além disso, o Papa está atado ao ensino dos 2000 anos anteriores da Igreja (o que inclui o que está escrito na Bíblia); ele não pode ir em sentido contrário. Nenhum Papa jamais contradisse a Palavra de Deus escrita. Jamais.

5. OS CATÓLICOS ADORAM ÍDOLOS

Isto é ridículo. Os católicos adoram o Deus Uno e Trino (Pai e Filho e Espírito Santo) e somente Ele.

O senhor parece não conhecer a diferença entre "adoração" e "veneração".

Os católicos veneram (guardam respeito) as imagens de Jesus, por exemplo, exactamente da mesma forma quanto uma pessoa patriota venera (guarda respeito) a bandeira de seu país. A bandeira é tão somente um pedaço de pano colorido, mas nós a veneramos por aquilo que ela representa. Do mesmo modo, uma imagem de Jesus é apenas gesso e tinta, mas nós a veneramos por causa Daquele a quem ela representa. Um católico não "adora" mais a imagem de Jesus do que um cidadão "adora" a bandeira de seu país.

6. A IGREJA CATÓLICA ESCRAVIZA E É HOMICIDA

O senhor disse: "A Igreja Católica sempre desencorajou seus membros de ler a Bíblia".

De onde o senhor tirou essa ideia? Ao contrário, a Igreja Católica sempre encorajou a leitura da Bíblia:

S. João Crisóstomo (354-407 dC), doutor da Igreja, escreveu:

"É isto que tem destruído todas as coisas: vós pensardes que a leitura da Escritura é tarefa apenas para os monges, quando na verdade vós precisais dela muito mais do que eles. Aqueles que se põem no mundo e diariamente são feridos têm mais necessidade da medicina. Assim, age bem pior aquele que não lê as Escrituras, supondo que são supérfluas. Tais coisas são invenção do diabo" (Homilia sobre Mat. 2,5).

Papa S. Gregório I (+604 dC), escreveu:

"O Imperador dos Céus, o Senhor dos homens e dos anjos, enviou suas epístolas para vós, para que aproveiteis a vossa vida, mas vós negligenciais a lê-las devidamente. Estudai e meditai diariamente sobre as palavras do vosso Criador - eu vos imploro. Aprendei o coração de Deus nas palavras de Deus, para que possais aspirar as coisas eternas, para que vossas almas possam ser despertadas pelo desejo da alegria celestial" (Epístola V,46).

S. Bernardo de Clairvaux (1090-1153 dC), doutor e padre da Igreja, escreveu:

"A pessoa que deseja muito a Deus estuda e medita sobre a Palavra inspirada, para conhecer o que ela diz. É assim que essa pessoa certamente encontra Aquele a quem deseja" (Comentário ao Cântico dos Cânticos, Sermão 23,3).

Papa S. Pio X (1903-1914 dC) escreveu:

"Nada poderia nos alegrar mais do que ver nossos queridos filhos criarem o hábito de ler os Evangelhos, não apenas de tempos em tempos, mas diariamente".

Finalmente, o Catecismo da Igreja Católica declara:

"A Igreja exorta com veemência e de modo peculiar todos os fiéis cristãos... a que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, aprendam «a eminente ciência de Jesus Cristo» [Fil. 3,8]. «Porquanto ignorar as Escrituras é ignorar Cristo»' [S. Jerónimo]" (CIC 133).

O senhor ainda escreveu:

"Durante a Idade das Trevas, a Igreja Católica derramou o sangue de aproximadamente 68 milhões de baptistas, na tentativa de evitar que a Bíblia fosse posta nas mãos das pessoas comuns".

De onde o senhor retira tais factos?

Primeiro, não havia baptistas na Idade das Trevas, já que a denominação baptista não existia antes de sua fundação em Amsterdão, em 1607.

Como pode, então, o senhor alegar que a Igreja Católica assassinou 68 milhões (?!) de supostos baptistas?

Que evidências teria o senhor para suportar tão selvagem acusação?

O senhor acusou a Igreja Católica de genocídio e crimes contra a humanidade! Espero que, por amor a si mesmo, consiga o senhor provar tamanha calúnia, pois Deus certamente pedirá satisfações a respeito.

7. O CATOLICISMO NEGA A INSPIRAÇÃO E A AUTORIDADE DA BÍBLIA

Que dureza, hein! Eis o que a Igreja Católica realmente ensina sobre a "inspiração e autoridade da Escritura":

"Os livros inspirados ensinam a verdade. Portanto, já que tudo o que os autores inspirados ou os hagiógrafos afirmam, deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus em vista da nossa salvação quis fosse consignada nas Sagradas Escrituras'" (CIC 107).

O senhor escreveu:

"Em 300 dC, nossos antepassados baptistas decidiram viver nas cavernas ao invés de submeter suas igrejas a Roma".

Com todo o respeito, senhor, sua compreensão de História da Igreja é pura fantasia. O primeiro baptista não viu a luz do dia até 1307 anos depois de 300 dC!

Estou seguro de que o senhor não é capaz de mostrar a continuação histórica de sua denominação até os tempos de Cristo, simplesmente pelo facto de que não tem como fazê-lo.

A igreja baptista só existia antes de 1607 na sua imaginação. Quem são estes supostos baptistas dos tempos primitivos?

Quais eram os seus nomes? Onde estão os seus escritos?

Por favor, não me diga que a Igreja Católica destruiu seus escritos e suprimiu toda memória deles (se isto fosse verdade, como o senhor ficou sabendo disso?).

Os escritos dos antigos hereges (Arianos, Monofisitas, Nestorianos, Docetistas etc.) chegaram até nossos dias. Poderia o senhor afirmar que a Igreja Católica sumiu apenas com os escritos desses míticos baptistas primitivos e permitiu que os escritos de todos os outros hereges sobrevivessem até nós?

Talvez seja este o pensamento desejado, mas é pura fantasia.

Finalmente, o senhor escreve:

"Eu poderia escrever um livro inteiro explicando que o Catolicismo não é cristão".

Eu aposto como o senhor realmente pode, mas tão somente porque os seus "factos" não têm base na realidade. O que o senhor faz é criar um espantalho, uma caricatura da Igreja Católica, preenchido com doutrinas ridículas que a Igreja realmente não ensina.

É lógico que esse seu espantalho não pode ser considerado cristão, da mesma forma como também não é o Catolicismo. Eu o convido, senhor, a aprender o que a Igreja Católica diz de suas próprias doutrinas e, então, tente o senhor provar que estas doutrinas não são realmente cristãs.

Eu mesmo tentei fazê-lo e não consegui; essa é a razão porque abandonei o protestantismo. Descobri que não apenas as doutrinas católicas estavam em harmonia com a Bíblia, como também essas doutrinas eram as mesmas da primitiva Igreja, como está evidenciado nos escritos das pessoas que pertenciam à Igreja primitiva.

Suponho que o senhor, de boa-fé, está tentando conduzir as pessoas àquilo que o senhor acha que é verdade; que Deus o abençoe por isso.

Quanto a mim, fico pedindo a Deus para que Ele o conduza à Verdade plena do Cristianismo bíblico, a qual só pode ser encontrada na Igreja Católica. Que Deus o abençoe!


publicado por FireHead, às 08:35link do post | Comentar
A Origem do Ocidente
 
Nestes últimos anos tem aumentado o coro dos que propõem a erradicação da religião por considerá-la perniciosa para a civilização. Repetem sem reflectir as vozes que começaram com o anticlericalismo da Revolução Francesa, que insistia que a religião – especialmente a Católica – era uma superstição que apenas atrasava o desenvolvimento potencial da humanidade.
 
Desde aqueles distantes dias, sempre houve aqueles que querem facilmente posar de “intelectuais” e para isso não há nada mais normal do que opor algo que rejeite a religião em nome de uma suposta superioridade intelectual. O sujeito anti-religioso é imediatamente considerado um “livre pensador”, um transgressor das regras do “sistema” e infinitas outras rotulagens que não encontram qualquer amparo na realidade. Para quem consegue enxergar o jogo, a famosa postura anti-religiosa revela sempre as mesmas coisas: má formação intelectual, pobreza no manejo de conceitos abstractos, pouca leitura e muitos preconceitos alimentados geralmente pelo desejo de não se submeter aos limites da moral sexual.
 
Dizíamos que a Revolução Francesa – sim, a mesma que cortou a cabeça de Lavoisier, pai da Física moderna - começou com esta moda do intelectualismo automático. Nada melhor e mais sucinto para um ignorante com pretensão de pensador que se alimente de dois padres no café da manhã para se transformar “ipso facto” em um “arauto da liberdade” e em um “sujeito inteligente e bem-informado”.
 
Porém, sempre há retrógrados medievais como eu (como podem ver, eu sei que sou assim e sou feliz por ser assim) que se empenham em provar com factos que os tais secularistas inimigos da religião estão bastante equivocados. Insisto que é o Cristianismo, as ideias cristãs, que criaram primeiramente o intelecto ocidental, com sua genuína e original mistura de individualismo, curiosidade e equanimidade cívica, valores que por sua vez deram origem a sociedades concretas que promovem os direitos do ser humano, a ciência e os governos democráticos.
 
A incoerência do secularismo de hoje é comparável a de um homem que certo dia diz para o seu vizinho, com a maior cara de pau, que ele é o inventor da Internet e também construtor da Torre Eiffel. Os secularistas modernos crêem que de alguma maneira essa vaga mistura de darwinismo, psicologia freudiana e marxismo que professam, criou e impôs os direitos humanos, a justiça social, a democracia e a ciência no mundo moderno, que até então era “atrasado” pelas “superstições religiosas”. Uma incoerência tão grave que se esquecem do cesto com a cabeça de Lavoisier, possivelmente a cabeça mais valiosa do Ocidente nessa época, até que a guilhotina revolucionária a separasse do corpo que a sustentava. Talvez se Lavoisier tivesse vivido por mais alguns anos, Newton e Einsten não teriam que trabalhar tanto...
 
E apenas para apontar alguns exemplos, como é possível que as religiosas cabeças de Newton ou Mendel, cheias de “superstições”, fossem tão brilhantes para perceber o que ninguém havia percebido por séculos? Até agora nenhum dos entusiastas secularistas da Internet conseguiu me explicar isso. Ademais, uma investigação da História das Ciências revela (a contribuição de) uma enorme quantidade de padres, monges, bispos e fiéis. De Copérnico a Polkinghorne, os fiéis parecem possuir uma habilidade sobrenatural (desculpem-me!) para encontrar soluções concretas para problemas de toda espécie.
 
Os não-crentes ou os cépticos, no entanto, são bons para criar ciências “nebulosas” como o Darwinismo que, além de acumular pilhas e mais pilhas de fósseis, conseguiu gerar mais perguntas incontestáveis do que respostas irrefutáveis. Não esqueçamos a psicologia freudiana, cujos desregramentos todavia estamos sofrendo e que nunca pôde alcançar a maturidade epistemiológica – digamos – das leis genéticas que Mendel começou a descobrir. O pináculo das ciências nebulosas deve ser reconhecido a Marx; continuamos aguardando o paraíso dos operários, mas pela insistência com que os operários do mundo emigram para os países capitalistas, parece que o paraíso operário não faz parte da geografia marxista que certa vez cobriu a maior parte da Ásia e uma boa parte da Europa... Seu legado – pobreza, contaminação e desregramentos sociais – continua sendo a prova mais evidente da incoerência secularista. Mas, é claro, eles dirão que tudo isso foi apenas experiências fracassadas em que as coisas não foram bem feitas... O bom do secularismo é que sempre há outro lugar para onde ir experimentar e, se falhar, lança-se a culpa nos outros.
 
Alguns destes secularistas chegaram a ler livros ou, ao menos, ler as capas. Até existe entre eles alguns que falam “dos gregos” e lhes atribuem a fundação do Ocidente, que ia bem – segundo eles – até que chegaram os cristãos com as suas ideias atrasadas. O problema com a “Teoria dos Gregos e Romanos” como fundadores do Ocidente que temos hoje (por ora) é que realmente não é possível estabelecer uma relação directa entre o total das ideias dessas civilizações e o total da identidade intelectual e cultural disto que denominamos “Ocidente” ou “Civilização Ocidental”. Entretanto, para enfrentar esta contradição, devem se educar extraordinariamente mais e não basta alimentarem-se com uns padres a mais.
 
Os gregos e os romanos não eram muito diferentes dos persas ou dos chineses quando comparamos as estruturas intelectuais que criaram e as sociedades que estabeleceram como consequência. Gregos e romanos acreditavam na “anakuklosis”, ou seja, nos inevitáveis ciclos ou eras que dominam a vida da humanidade. Não apenas eles, mas todos os outros povos da Europa e Ásia compartilhavam esse “Weltanschung”. Pode-se dizer que esse tipo de conceito é o que evitou que sociedades bastante avançadas como a China ou a Índia fossem capazes de desenvolver as matemáticas avançadas que logo foram desenvolvidas no Ocidente e que tornaram possível a explosão tecnológica europeia.
 
Outra consequência dessa concepção fatalista do mundo é a atrofiação das sociedades em sistemas de castas impossíveis de serem superadas e que historicamente evitaram que essas sociedades desenvolvessem sistemas de Direito e maneiras democráticas de governo, também estes principais elementos do assombroso desenvolvimento do Ocidente.
 
Naquelas sociedades de concepção pagã predominaram sempre sentimentos profundamente pessimistas em que o medo e a morte impregnavam a psique social. O pagão entende a vida como um jogo incompreensível de gato e rato, onde ele é o rato e os deuses são os gatos. Mesmo aqueles que puderam atirar os deuses para cima – por exemplo, Epicuro – não puderam compreender a vida humana além do prazer e desprazer que a governam e que termina na aniquilação final do ser. A morte é inevitável, a vida não tem sentido, os deuses não podem ajudar... “Comamos e bebamos porque amanhã haveremos de morrer; e, por via das dúvidas, rendamos algum sacrifício aos deuses para, caso existam, nos sejam propícios”.
 
De todo esse complexo panorama desesperador, mas decorado pelo prazer e amor, talvez o Budismo seja o melhor produto. O Budismo prega a aniquilação total do ser e do desejo do ser como condição para a realização absoluta no Nirvana. Algo perfeitamente oposto à ideia cristã da satisfação de todo desejo humano na contemplação da visão beatífica. Porém, aqui, já estou me desviando do tema...
 
 
Voltemos aos pagãos... A esse mundo de quieto e não tão quieto desespero chegou Abraão. Um senhor que de intelectual não tinha nada. Um pastor nómada comum, guerreiro simples e comerciante que viajava entre o Crescente Fértil da Mesopotâmia e o Egipto. Definitivamente um tipo original porque acreditava ter falado com Deus, o Deus único e verdadeiro, nada menos. E acreditava que Deus lhe havia feito uma promessa: “Farei tua descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu”, o que, ao pobre Abraão, com 90 anos, sem filhos e casado com uma senhora de 80 anos, poderia soar mais como uma brincadeira de mau gosto. Porém, acreditou e confiou em Deus, com quem continuou conversando. Acreditando ou não, hoje mais da metade da população do mundo afirma crer no Deus de Abraão.
 
Este Deus tão peculiar foi transmitindo as Suas doutrinas gradualmente aos descendentes de Abraão; entre elas, uma doutrina que o resto do mundo da Idade do Ferro certamente NÃO compartilhava e que a ciência do mundo NÃO acreditou até que foi comprovada no início do século XX, cerca de 40 séculos após a morte de Abraão, e confirmada por Penzias e Wilson na década de 1960. A ciência demorou quatro mil anos para concordar com um hebreu montado sobre um camelo!
 
Essa doutrina única dos hebreus (assim chamados em honra à casa de Heber, antepassado de Abraão) diz que o Universo teve um início e que tudo o que existe foi criado por Deus. Os deuses daquela época eram como as donas de casa de hoje: compravam tudo pronto. Zeus, Hórus, Marduk e todos os demais são deuses que encontram o Universo pronto e, às vezes, “fazem” coisas novas, mas sempre a partir de coisas que já estavam ali presentes, como por exemplo, a lua, um touro, uma esposa, etc. Os equivalentes pagãos do génesis universal são comparáveis ao Génesis hebraico como uma redacção de jardim de infância se compara com uma obra de Shakespeare.
 
Com o passar do tempo, chegou à família de Abraão um mestre galileu chamado Jesus. Ele nos deu o que hoje denominamos “Cristianismo”. Esta força inesperada irrompeu no Império Romano do século I e transformou totalmente a sociedade. Os fiéis cristãos não podiam abortar os seus bebés, nem expô-los ao frio ou afogá-los como faziam os pagãos. Também não podiam ir-se divertir no circo, para ver as feras destroçarem os pobres condenados. Nem acreditavam que o imperador fosse um deus, negando-se a queimar-lhe incenso. Esses “loucos” acreditavam que a alma do imperador era igual, aos olhos de Deus, à alma de qualquer escravo. Os cristãos enfrentavam a morte com serenidade e dignidade, o que frustrava o público do circo que esperava ver um pouco de drama. Os cristãos acreditavam, como os hebreus, que tudo tem um início e, para eles, a morte era o início da eternidade.
 
Uma das ideias mais caras dos cristãos era a caridade. No mundo antigo, apenas os judeus tinham algum conceito de caridade como Mandamento divino. Quando as pragas açoitavam uma cidade, os cristãos entravam nela ao invés de fugir, e ajudavam os outros, inclusive aqueles que iam ao circo vê-los morrer despedaçados. Quando o Império caiu e os bárbaros invadiram a Europa com gosto e prazer, foram os cristãos que preservaram os livros e a cultura em geral. Após algumas décadas, os bárbaros invasores tornaram-se também cristãos e saíram a invadir o que restava da Europa pagã, não mais empregando armas e exércitos, mas o Evangelho.
 
Os cristãos introduziram na Europa a ideia – até então raríssima – de que Deus era razoável e não podia se contradizer a Si mesmo. Nessa breve doutrina estão contidos dois pilares do progresso do Ocidente: (1) A verdade existe, pode ser encontrada e deduzida mediante a observação e a razão; (2) A razão não é arbitrária ou contraditória consigo mesma, já que provém de Deus, o qual é a Fonte de toda verdade.
 
Assim cresceram as ciências no jardim que Jesus plantou no Mediterrâneo, lentamente no princípio e, depois, cada vez mais rápido, e que não se deteve até os nossos dias. Assim, foram inventados na Europa os mosteiros, os hospitais, as universidades, os técnicas dos artesãos, as imprensas... A Igreja limitou o poder dos reis, que já não podiam ser “deuses” e eram chamados a ser justos (mesmo que poucos o tenham conseguido ser)... Pouco a pouco chegaram as instituições democráticas, a partir da Magna Carta; descobriu-se um Novo Mundo e os seus habitantes foram somados à família de Abraão...
 
E agora, 40 séculos depois de Abraão, surgem estes secularistas e nos dizem que a verdade é relativa; que Deus não existe; que os que renegam a religião são mais inteligentes que os que se deixam guiar por ela... e toda uma longa série de loucuras que não dá para escrevê-las todas aqui.
 
 
Na verdade, estes neopagãos têm apenas duas opções: a primeira é aprender bem as coisas e tornarem-se cristãos (que é muito mais divertido do que ser pagão); a segunda é sofrer as consequências de aplicar em suas vidas as próprias ideias. Espero que sejam tão espertos quanto os bárbaros e que se unam a nós para melhorar o mundo, pois fazem muita falta após estes últimos cinco séculos de incoerências.

 
 
Carlos Caso-Rosendi
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Abr 14
publicado por FireHead, às 06:33link do post | Comentar
A sala de refeições da Casa Santa Marta, outrora com pouco movimento, agora está sempre cheia. As mesas raramente têm lugares livres desde que Francisco optou por viver na famosa casa de hóspedes do Vaticano. É que entre os comensais está o próprio Papa. Ao lado do refeitório principal há uma sala reservada para convidados especiais, mas, na maioria dos casos, Francisco prefere tomar as refeições na sala grande, junto dos outros hóspedes. 


A mesa do Papa é sempre a mesma e está colocada a um canto da sala, mas já aconteceu o sucessor de Pedro sentar-se de surpresa num lugar vago de outras mesas, conversando de surpresa e animadamente com os outros comensais. O serviço, tipicamente italiano, inclui primeiro e segundo pratos, mas – tal como os outros hóspedes - Francisco levanta-se para ir ao "buffet" servir-se de salada e outros acompanhamentos e, sempre que passa entre as mesas, não resiste e mete conversa com quem está sentado. 


Quem vive na Casa Santa Marta garante que o clima é muito cordial e bem-disposto. Mas os homens da segurança têm agora mais dores de cabeça, porque a rotina não encaixa no "estilo Bergoglio" e, por isso, nunca se sabe o que pode acontecer.


Há dias, durante o pequeno-almoço, o Papa não estava na sua mesa habitual, nem em qualquer outro lado. Começou a gerar-se uma grande agitação, com vários homens de fato escuro e agentes de segurança enervados a passar revista a toda a casa. Onde estava o Papa? Por onde se teria metido? Toda a gente foi interrogada, a casa passada a pente fino, mas nada! Depois de uns valentes minutos de angústia, descobriram-no finalmente. Bergoglio caminhava pelo jardim, com passada decidida e um saco de papel na mão. Quando finalmente os homens da segurança lhe falaram do susto devido à sua ausência inesperada, Francisco riu-se e explicou que ia ao mosteiro Mater Ecclesia, onde vive Bento XVI, levar-lhe uns croissants mornos, "acabadinhos de fazer, como ele gosta".


É assim este Papa: terno e atencioso com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos e, se não atendem, deixa afectuosos recados no voicemail do telemóvel. Dedica mais horas a saudar, abraçar e beijar pessoas de todas as idades do que a falar e a ler discursos. Preocupa-se sobretudo com o lado humano e concreto das pessoas com quem se cruza, ao ponto de ter pedido à mãe de um bebé acabado de beijar que lhe pusesse um chapéu porque tinha a cabeça muito quente, ou ainda, no caso de um outro pequenino que chorava com fome, devolveu-o à mãe para ela amamentar o bebé, mesmo ali, na Praça de São Pedro! E como é um Papa "todo-o-terreno", tão preocupado com o quotidiano da vida terrena quanto o é com a vida eterna e salvação de cada um, a misericórdia é talvez a sua palavra preferida, porque remete para a esperança e alegria. 


Se pudesse, Francisco gostaria de abraçar todos, "com amor e ternura como fazem as mães" – tal como explicou numa entrevista, arqueando os braços como se segurasse um bebé – porque "é assim que deve ser a Igreja: dar carinho, cuidar e abraçar". E não é este também o melhor retrato de Francisco?



Aura Miguel

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