«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
28
Fev 13
publicado por FireHead, às 16:54link do post | Comentar

 

Dobrai sinos de Roma,
Dobrai!
Dobrai de tristeza porque um Papa sai de vossas muralhas eternas
Para eternizar-se na história.

Dobrai sinos das montanhas,
Bentos e Anselmos,

Dobrai
Porque um Bispo vestido de branco
Subindo o Monte
Entrará em vosso claustro,
Empunhando a Cruz de Cristo e nela também crucificado.

Dobrai sinos da Igreja,
Dobrai de tristeza numa Esperada Esperança
De que a Barca, mesmo em tempestades
Jamais sucumbirá.

É eterna,
Perene,
Indestrutível...

Dobrai sinos de Roma,
Dobrai.

Dobrai sinos de Paulo,
Além dos muros

De João, o de Latrão

E de Maria Maior.

Porque o anel foi quebrado,
Mas não a promessa
Que sendo também Maior
É inquebrantável,
Indestrutível:

“Tu és Petrus!”

Dobrai sinos do Mundo Inteiro

Dobrai.

Dobrai de tristeza.
Chorai o Pontífice vivo
Que se faz morto

Por amor

E esperai o alegre momento,
Da chegada do outro

Que sem nome e sem rosto,
- ainda –
Se aproxima
Do trono e do altar.

 

Pe. Marcelo Tenório


publicado por FireHead, às 16:48link do post | Comentar

 


27
Fev 13
publicado por FireHead, às 15:39link do post | Comentar

 

Deus deu-me, no Pastor que me conduz,
um homem para quem olhar.

É o que para mim significa
a figura imponente do Papa Bento XVI.

Antes da sua eleição, pedi muito a Deus que me fizesse amar o Papa
que haveria de suceder ao muito querido João Paulo II.

O Senhor ouviu as minhas orações
e depressa o novo Papa conquistava o meu coração
confortando as razões da minha obediência.

Nunca vi alguém tão livre como este homem.
Livre no desassombro com que enfrentou os problemas da Igreja e do mundo,
livre no vigor de afirmar a verdade sem medo,
livre na hora de decidir,
mesmo quando se sentiu só entre os seus.

Só a verdade o conduzia, ajuizada à luz da Fé
e alimentada na oração intensa.
Porque amava os homens, surpreendeu o mundo;
porque foi fiel e firme na sua missão, despertou a Igreja;
porque sabia dizer a verdade, com a santa eloquência de um mestre,
tocou muitos corações afastados de Cristo.

Com ele, fui mais longe no amor a Deus e aos homens,
amadureci na Fé e cresci como nunca na Esperança.

Hoje sou diferente: a ele o devo!

 

 

Rui Corrêa d'Oliveira

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publicado por FireHead, às 15:32link do post | Comentar

Do antro protestantóide não se espera outra coisa senão heresias...

 

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26
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:01link do post | Comentar

Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus connosco. (Isaías 7,14)

 

Donde me vem a honra de vir a mim a mãe do meu Senhor? (Lucas 1,43)

 

Deus (Javé) é, por respeito, chamado também de Adonai, ou seja, Kyrios, isto é, Senhor.

 

Jesus Cristo e Deus são um só, logo Maria é a Mãe de Deus.

 

Eu e o Pai somos um. (João 10,30)

 

Deus estava no princípio: Ele era o Verbo (João 1,1) que Se fez carne (João 1,14).

 

A negação de que Deus encarnou é uma heresia profetizada:

 

E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo. (1 João 4,3)

 

O mesmo João diz que os que seguem Jesus são a descendência da mulher e esses serão perseguidos pelos filhos do dragão (serpente, Satanás):

 

E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. (Apocalipse 12,17)

 

Deus disse a Satanás: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. (Génesis 3,15)

 

Jesus disse a Maria: Mulher, eis aí o teu filho (João 19,26). E disse ao João: Eis a tua mãe (João 19,27).


25
Fev 13
publicado por FireHead, às 16:35link do post | Comentar

Existe um indivíduo que assina com Rui A., que escreve umas coisas no Blasfémias e que, por isso, é transcrito em todo o lado. Quem escreve no blogue Blasfémias passa a ter automaticamente um alvará de inteligente. Desta feita, o dito cujo escreveu esta coisa.

 

Vamos lá ver: ninguém é obrigado a ser sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana.

 

Um indivíduo que goste de frequentar o parque Eduardo VII à noite, não é obrigado a seguir o sacerdócio. Ninguém lhe aponta uma pistola e o obriga a ser Padre. Portanto, o argumento do escriba parte de um sofisma, segundo o qual parece fazer crer às pessoas de que os padres foram obrigados a seguir essa vocação.

 

Um indivíduo segue o sacerdócio porque quer seguir o sacerdócio, como é evidente. Entendamo-nos bem! E vem um liberalóide da treta pretender afirmar que os padres estão nessa função por obrigação, e que, por isso, coitadinhos, deveriam casar.

 

Faz, o liberalóide, referência aos padres casados da igreja ortodoxa, mas “esqueceu-se” de dizer que os bispos dessa confissão não podem ser casados ou viúvos. Por norma, o liberal “esquece-se” sempre daquilo que não lhe convém.

 

O celibato, no sacerdócio católico, está ligado ao exemplo da praxis de Jesus Cristo, e a Igreja Católica continua a ser a verdadeira e única intérprete actual da tradição segundo Jesus Cristo. E quem não se sente bem dentro dela, tem a liberdade de sair dela, ou então que lhe passem uma “guia de marcha”.

 

A Igreja Católica não é um local próprio para “campeonatos de cu aberto”: para isso existem as saunas gay em Lisboa, ou o parque Eduardo VII à noitinha.

 

 

Orlando Braga

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24
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:35link do post | Comentar

Quando surge na agenda um tema relacionado com a Igreja, o engraçadismo anticristão vem logo ao de cima e acaba por dominar a atmosfera das conversas e debates. Estou a falar daquele gozo permanente em relação ao Papa e Cristianismo, em relação à própria fé. Não, não estou a falar de críticas e perguntas sérias e sólidas. Isso seria outra conversa, conversa com nível. Estou a falar do gozo fácil, do nariz empinado que nem sequer admite diálogo com o crente, estou a falar da piadola que se julga moderna. Mas será assim tão moderna? Em 1843, Kierkegaard iniciou o seu "Temor e Tremor" com esta irónica arrancada: "ninguém hoje se detém na fé (...) passarei, sem dúvida, por néscio se me ocorrer perguntar para onde por tal rumo se caminha". Ou seja, o nosso ar do tempo é uma velharia com, pelo menos, 170 anos. A crença na transcendência é um saco de boxe para a gozação cínica há mais de século e meio.

 

Moral da história? Os nossos modernaços, que gostam de transformar a fé num sinónimo de idiotice, não têm nada de moderno. São sucateiros de um ferro-velho mental.

 

 

Henrique Raposo

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23
Fev 13
publicado por FireHead, às 15:33link do post | Comentar


20
Fev 13
publicado por FireHead, às 00:54link do post | Comentar

 

Sim, como o cardeal nigeriano Francis Arinze, por mim pode ser.

 

19
Fev 13
publicado por FireHead, às 00:46link do post | Comentar

Quando tive conhecimento da renúncia de Bento XVI ao ministério papal, confesso que fiquei surpreendido e um pouco confuso. A surpresa resultava do inesperado acontecimento, que nada fazia prever, nem ninguém antecipara, não obstante a profusão de profetas que enxameiam a comunicação social.

 

A confusão nascia do insólito da situação, agora criada, e sem precedentes nos últimos séculos da história da Igreja e do papado. E também das suas causas e consequências. Porque renunciara? Será que alguma razão oculta levara o Papa a esta dolorosa decisão? Que iria ocorrer agora? Como continuaria, sem ele, o Ano da Fé?

 

Se me doeu o sentimento de uma antecipada orfandade, consolou-me a certeza da fé. Antes ainda de percorrer os comentários, ou de aceder às inevitáveis especulações mediáticas, recolhi-me em oração. Foi no silêncio da minha meditação que constatei uma vez mais que, não obstante as vicissitudes dos tempos e dos homens, é Deus quem dirige a barca de Pedro e que, portanto, é coisa de secundária importância o timoneiro de turno. E senti aquela paz que o mundo não pode dar.

 

Se o discurso do Beato João Paulo II se dirigia, sobretudo, aos crentes, recorrendo à linguagem da fé, Bento XVI falou principalmente aos intelectuais, no registo da razão em diálogo com a transcendência. Não estranha, portanto, que de todos os quadrantes ideológicos se oiçam agora palavras de apreço por Joseph Ratzinger, que não é apenas um importante expoente do pensamento católico actual, mas também uma indispensável referência cultural da modernidade.

 

Coube-lhe a ingrata missão de suceder ao carismático Papa Wojtyla. Até então, tinha sido o odiado titular do órgão mais malquisto de toda a Igreja. Foi no seu pontificado que eclodiu um dos piores escândalos da bimilenar história da Igreja, a que soube fazer frente com corajosa determinação, impondo a caridade da verdade, contra a cumplicidade do silêncio e da impunidade.

 

As multidões pareciam causar-lhe algum desconforto. Talvez sofresse a nostalgia do seu escritório, dos seus livros, das suas partituras e, seguramente, do recato da sua oração. Mas foi essa sua timidez, pele de ovelha a esconder a fibra de um verdadeiro leão da fé, que me fez sentir mais comprometido com o seu pontificado. Foi a sua fragilidade que me obrigou a permanecer, em sentido, a seu lado, firme na oração e na fidelidade ao seu magistério. Foram os ataques à sua pessoa que me forçaram a sair à liça, com a indignação de um filho ferido no seu mais sincero e profundo afecto filial.

 

Eu não sabia que queria tanto a Bento XVI! Aprendi a quere-lo rezando, ouvindo e meditando as suas palavras, vendo-o. Descobri agora, quando o Papa acenou um adeus que feriu a minha alma, quanto o queria. Teria desejado que este dia nunca tivesse acontecido. Mas dou graças pelo amor ao Papa que Deus pôs no meu coração. E se uma lágrima furtiva se desprender, na hora da sua partida, tenho por certo que não é sentimentalismo, mas gratidão, piedade, fé.

 

Em breve, outro será o Papa. Muitas vezes, como tantos outros católicos do mundo inteiro, usei a expressão “Santo Padre” para me referir a Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Mas creio que nunca a disse com tanta verdade e unção como agora, que Joseph Ratzinger abandona a ribalta, para se retirar para a penumbra de uma vida de sacrifício e oração, ao serviço da Igreja universal.

 

Bem-haja, Santo Padre!

 

 

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada


18
Fev 13
publicado por FireHead, às 02:39link do post | Comentar

publicado por FireHead, às 02:21link do post | Comentar

Julgo que não se consegue imaginar o peso que cai em cima de quem aceita ser Papa. Torna-se o responsável primeiro pela Igreja Católica, com 1200 milhões de fiéis. Uma Igreja vergada sob a rigidez da tradição e talvez a única instituição verdadeiramente global, portanto, confrontada com múltiplas sensibilidades, problemas e aspirações: as questões dos europeus não são as dos norte-americanos, dos sul-americanos, dos africanos, dos asiáticos, dos australianos. É uma figura de relevo mundial, com imensa influência política no mundo, mas sujeito aos seus jogos, manhas e ardis. Mesmo viajando pelo mundo inteiro, fica a viver num pequeno território, com os seus rituais seculares e rígidos. Num mundo de homens. Só, onde, quando e como contacta com a família e com os amigos? E os olhos de todos estão sobre ele. Quase sem vida privada. Monarca absoluto, mas com todos os passos vigiados. Qual é o seu poder real? O Papa João XXIII, interrogado por um estudante num Colégio universitário pontifício: "Santidade, como é sentir-se o primeiro?", terá respondido: "Está enganado. Pus-me a contá-los e eu, lá no Vaticano, devo ser o quarto ou quinto."

Bento XVI não foi sempre conservador. Ainda só professor, escreveu em 1968: "Acima do Papa encontra-se a própria consciência, à qual é preciso obedecer em primeiro lugar; se for necessário, até contra o que disser a autoridade eclesiástica. O que faz falta na Igreja não são panegiristas da ordem estabelecida, mas homens que amem a Igreja mais do que a comodidade da sua própria carreira." Também escreveu que era necessário repensar a descentralização da Igreja, abrindo um debate sobre o primado papal. Opondo-se à teologia da "satisfação" que situava a Cruz "no interior de um mecanismo de direito lesado e restabelecido", rejeitou a noção de um Deus "cuja justiça inexorável teria exigido um sacrifício humano, o sacrifício do seu próprio Filho. Esta imagem, apesar de tão espalhada, não deixa de ser falsa". Defendeu, com outros grandes teólogos, a necessidade de debater a questão do celibato obrigatório.

Quando, jovem professor de Teologia, chegou ao Concílio Vaticano II como assessor do cardeal J. Frings, de Colónia, foi crítico de cinco dos sete esquemas preparatórios e foi provocador, criticando duramente a Cúria e a sua "atitude antimoderna": "A fé tem de enfrentar-se com uma nova linguagem, uma nova abertura."

Em 1968, frente à revolução de estudantes ateus de Teologia, teve medo, encontrando-se aí o ponto decisivo para a sua orientação conservadora; abandonou então a Universidade de Tubinga e o colega e amigo Hans Küng, para ir para Ratisbona. Depois, foi feito arcebispo de Munique e, mais tarde, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou dezenas de teólogos.

Aceitou o papado como "humilde servidor da vinha do Senhor". Deixa uma marca num tema que lhe é caro: a exigência do diálogo entre a fé e a razão; acabou por ser duro e inequívoco contra a pedofilia na Igreja; prosseguiu, embora timidamente, o diálogo com as confissões cristãs e as diferentes religiões, em ordem à paz; condenou sistematicamente a ditadura financeira sem regulação.

Percebeu que não controlava a Cúria, mergulhada em escândalos de corrupção e intrigas, até ao Vatileaks. Foi admoestando cardeais para "renunciarem ao estilo mundano de poder e glória", e dizendo que lhe coubera viver o pontificado de "um pastor rodeado de lobos". Queixava-se: "Os javalis entraram na vinha do Senhor." O cardeal W. Kasper foi advertindo que Bento XVI andava "muito triste" com o péssimo clima no Vaticano.

Fragilizado, sentindo-se sem forças no corpo e no espírito, anunciou que resigna no próximo dia 28, às 20.00 (19.00 em Lisboa e Funchal). Um gesto de inteligência, honestidade e humildade, que fica para a História, pois quebra um tabu e mostra que o Papa é tão-só um servidor da Igreja e do mundo, continuando humano, também com as suas debilidades. Depois, retira-se para um convento, para rezar, meditar, tocar e ouvir música, escrever, mantendo o apagamento. Os cardeais elegerão um novo Papa. Talvez europeu ou latino-americano.

 

Pe. Anselmo Borges


16
Fev 13
publicado por FireHead, às 22:06link do post | Comentar


15
Fev 13
publicado por FireHead, às 13:49link do post | Comentar

Conhecendo os cardeais do Vaticano, que podem ocupar a Catedra de Pedro.Francis Arinze (Eziowelle) é um cardeal católico nigeriano e Prefeito Emérito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.Recebeu a ordenação sacerdotal em 1958 e ordenado Arcebispo titular de Fissiana em 1965 e em 26 de junho de 1967 foi nomeado Arcebispo de Onitsha, Nigéria. Em 1984 o Papa João Paulo II o designou Pró-Prefeito do Diálogo Interreligioso. Resignou da Arquidiocese de Onitsha em 1985.


14
Fev 13
publicado por FireHead, às 14:47link do post | Comentar

 

Neste Dia dos Namorados (penso ser ainda assim que o dia que se diz de São Valentino também se chama), julgo oportuna uma visita a um dos textos mais admiráveis do Papa Bento XVI. Refiro-me, naturalmente, à Encícilia Deus Caritas est, a primeira deste notável Pontificado, promulgada na Igreja com data de 25 de Dezembro de 2005. Trata-se, como todos saberão, de uma profunda reflexão sobre Deus e o Amor, ou melhor, sobre o Deus que é Amor e o Amor que reflecte, como nenhuma outra realidade, a Realidade que Deus mesmo, em pessoa, é. Pessoalmente, estou convencido que Bento XVI, que em breve voltará a ser apenas Joseph Ratzinger, Bispo Emérito de Roma, ficará conhecido como um dos grandes Pensadores sobre o Amor e as suas implicações, sejam elas antropológicas, sociopsicológicas e, naturalmente, também, se não mesmo sobretudo, eclesiológicas. Penso, portanto, que pode ser uma excelente ideia para qualquer namorado/a, apaixonado/a ou já casado/a, ou seja, quem quer que alguma vez no seu corpo e na sua alma faça ou tenha feito a experiência de se sentir amado/a e de amar em retorno, ideia que acho tanto mais interessante e útil num dia como este, um que lamentavelmente vejo tão instrumentalizado mais para fins comerciais do que para a descoberta e a realização de propósitos que penso serem fundamentais à dimensão propriamente humana da vida,  dizia, acho sumamente importante, pois pode ser útil e até salvífico, recordar hoje linhas do pensamento do nosso querido Papa Bento XVI tais como as seguintes:

 

«O amor de Deus por nós é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós. A tal propósito, o primeiro obstáculo que encontramos é um problema de linguagem. O termo «amor» tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes. (…). Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?»

 

Depois, explicando a diferença e a unidade entre as noções de «Eros» e «agape», o Santo Padre acrescenta: «Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros. Diga-se desde já que o Antigo Testamento grego usa só duas vezes a palavra eros, enquanto o Novo Testamento nunca a usa: das três palavras gregas relacionadas com o amor — erosphilia (amor de amizade) e agape — os escritos neo-testamentários privilegiam a última, que, na linguagem grega, era quase posta de lado. Quanto ao amor de amizade (philia), este é retomado com um significado mais profundo no Evangelho de João para exprimir a relação entre Jesus e os seus discípulos. A marginalização da palavra eros, juntamente com a nova visão do amor que se exprime através da palavra agape, denota sem dúvida, na novidade do Cristianismo, algo de essencial e próprio relativamente à compreensão do amor. Na crítica ao Cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o Cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício. Este filósofo alemão exprimia assim uma sensação muito generalizada: com os seus mandamentos e proibições, a Igreja não nos torna porventura amarga a coisa mais bela da vida? Porventura não assinala ela proibições precisamente onde a alegria, preparada para nós pelo Criador, nos oferece uma felicidade que nos faz pressentir algo do Divino?»

 

Dito isto, a questão é a de saber até que ponto é verdade a suspeita de Nietzsche segundo a qual o Cristianismo não terá feito mais do que destruir a dimensão erótica da vida. Nesse sentido, o Papa explica: «Os gregos − aliás de forma análoga a outras culturas − viram no eros sobretudo o inebriamento, a subjugação da razão por parte duma «loucura divina» que arranca o homem das limitações da sua existência e, neste estado de transtorno por uma força divina, faz-lhe experimentar a mais alta beatitude. Deste modo, todas as outras forças quer no céu quer na terra resultam de importância secundária: «Omnia vincit amor — o amor tudo vence», afirma Virgílio nas Bucólicas e acrescenta: «et nos cedamus amori — rendamo-nos também nós ao amor». Nas religiões, esta posição traduziu-se nos cultos da fertilidade, aos quais pertence a prostituição «sagrada» que prosperava em muitos templos. O eros foi, pois, celebrado como força divina, como comunhão com o Divino.»

 

Ora é precisamente a esta «forma de religião» que, segundo Bento XVI, a literatura bíblica opõe uma forte resistência, fazendo-lhe face como a uma «perversão da religiosidade» mais autêntica. E o Santo Padre prossegue dizendo que o Antigo Testamento «não rejeitou de modo algum o eros enquanto tal, mas declarou guerra à sua subversão devastadora, porque a falsa divinização do eros, como aí se verifica, priva-o da sua dignidade, desumaniza-o. De facto, no templo, as prostitutas, que devem dar o inebriamento do Divino, não são tratadas como seres humanos e pessoas, mas servem apenas como instrumentos para suscitar a «loucura divina»: na realidade, não são deusas, mas pessoas humanas de quem se abusa. Por isso, o eros inebriante e descontrolado não é subida, «êxtase» até ao Divino, mas queda, degradação do homem. Fica assim claro que o eros necessita de disciplina, de purificação para dar ao homem, não o prazer de um instante, mas uma certa amostra do vértice da existência, daquela beatitude para que tende todo o nosso ser.»

 

Desta forma, segundo o pensamento do Papa, dois aspectos se tornam particularmente claros. «O primeiro é que entre o amor e o Divino existe qualquer relação: o amor promete infinito, eternidade − uma realidade maior e totalmente diferente do dia-a-dia da nossa existência. E o segundo é que o caminho para tal meta não consiste em deixar-se simplesmente subjugar pelo instinto. São necessárias purificações e amadurecimentos, que passam também pela estrada da renúncia. Isto não é rejeição do eros, não é o seu «envenenamento», mas a cura em ordem à sua verdadeira grandeza.» E Bento XVI explica: «Isto depende primariamente da constituição do ser humano, que é composto de corpo e alma. O homem torna-se realmente ele mesmo, quando corpo e alma se encontram em íntima unidade; o desafio do eros pode considerar-se verdadeiramente superado, quando se consegue esta unificação. Se o homem aspira a ser somente espírito e quer rejeitar a carne como uma herança apenas animalesca, então espírito e corpo perdem a sua dignidade. E se ele, por outro lado, renega o espírito e consequentemente considera a matéria, o corpo, como realidade exclusiva, perde igualmente a sua grandeza. O epicurista Gassendi, gracejando, cumprimentava Descartes com a saudação: «Ó Alma!». E Descartes replicava dizendo: «Ó Carne!». Mas, nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade, é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor — o eros — pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza.»

 

Proponho ainda que se considerem palavras como as seguintes contidas na mesma primeira parte da Encíclica Deus caritas est: «Hoje não é raro ouvir censurar o Cristianismo do passado por ter sido adversário da corporeidade; a realidade é que sempre houve tendências neste sentido. Mas o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro «sexo» torna-se mercadoria, torna-se simplesmente uma «coisa» que se pode comprar e vender; antes, o próprio homem torna-se mercadoria. Na realidade, para o homem, isto não constitui propriamente uma grande afirmação do seu corpo. Pelo contrário, agora considera o corpo e a sexualidade como a parte meramente material de si mesmo a usar e explorar com proveito. Uma parte, aliás, que ele não vê como um âmbito da sua liberdade, mas antes como algo que, a seu modo, procura tornar simultaneamente agradável e inócuo. Na verdade, encontramo-nos diante duma degradação do corpo humano, que deixa de estar integrado no conjunto da liberdade da nossa existência, deixa de ser expressão viva da totalidade do nosso ser, acabando como que relegado para o campo puramente biológico. A aparente exaltação do corpo pode bem depressa converter-se em ódio à corporeidade. Ao contrário, a fé cristã sempre considerou o homem como um ser uni-dual, em que espírito e matéria se compenetram mutuamente, experimentando ambos precisamente desta forma uma nova nobreza. Sim, o eros quer-nos elevar «em êxtase» para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos.»

 

A grande questão, porém, permanece a de saber como melhor se pode configurar este caminho de «ascese e purificação» de que nos fala Bento XVI na sua extraordinária Encíclica. Assim, perguntando-se sobre como deve, ou pode, o amor ser vivido para que em nós plenamente se realize a promessa humano-divina de felicidade e plenitude, o Papa remete-nos para o Cântico dos Cânticos, um dos livros mais belos, e enigmáticos, do Antigo Testamento. Escreve o Papa: «Segundo a interpretação hoje predominante, as poesias contidas neste livro são originalmente cânticos de amor, talvez previstos para uma festa israelita de núpcias, na qual deviam exaltar o amor conjugal. Neste contexto, é muito elucidativo o facto de, ao longo do livro, se encontrarem duas palavras distintas para designar o «amor». Primeiro, aparece a palavra «dodim», um plural que exprime o amor ainda inseguro, numa situação de procura indeterminada. Depois, esta palavra é substituída por «ahabà», que, na versão grega do Antigo Testamento, é traduzida pelo termo de som semelhante «agape», que se tornou, como vimos, o termo característico para a concepção bíblica do amor. Em contraposição ao amor indeterminado e ainda em fase de procura, este vocábulo exprime a experiência do amor que agora se torna verdadeiramente descoberta do outro, superando assim o carácter egoísta que antes claramente prevalecia. Agora o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura, ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes procura-o.» E o Papa como que nos oferece uma primeira conclusão nestes termos: «Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade − «apenas esta única pessoa» − e no sentido de ser «para sempre». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade. Sim, o amor é «êxtase»; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus: «Quem procurar salvaguardar a vida, perdê-la-á, e quem a perder, conservá-la-á» (Lc 17, 33) — disse Jesus; afirmação esta que se encontra nos Evangelhos com diversas variantes (cf. Mt 10, 39; 16, 25; Mc 8, 35; Lc 9, 24; Jo 12, 25).»

 

Dito isto, desejo concluir a presente Nota com as seguintes observações de Bento XVI, certamente admiráveis, desde logo pela sua pertinência e acuidade: «No debate filosófico e teológico, estas distinções foram muitas vezes radicalizadas até ao ponto de as colocar em contraposição: tipicamente cristão seria o amor descendente, oblativo, ou seja, a agape; ao invés, a cultura não cristã, especialmente a grega, caracterizar-se-ia pelo amor ascendente, ambicioso e possessivo, ou seja, pelo eros. Se se quisesse levar ao extremo esta antítese, a essência do Cristianismo terminaria desarticulada das relações básicas e vitais da existência humana e constituiria um mundo independente, considerado talvez admirável, mas decididamente separado do conjunto da existência humana. Na realidade, eros e agape − amor ascendente e amor descendente − nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente − fascinação pela grande promessa de felicidade − depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará «existir para» o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom. Certamente, o homem pode − como nos diz o Senhor − tornar-se uma fonte donde correm rios de água viva (cf. Jo 7, 37-38); mas, para se tornar semelhante fonte, deve ele mesmo beber incessantemente da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo coração trespassado brota o amor de Deus (cf. Jo 19, 34).»

 

Em suma, neste Dia dos Namorados, e num tempo que na Igreja se vive à sombra do anúncio de Bento XVI da sua renúncia ao ministério Petrino, gesto de sublime, corajoso e radical amor agápico pela Igreja e a própria Humanidade, penso que todos podemos, e devemos, considerar de novo nas nossas vidas o que seja não só a força, ou até os ímpetos do amor (de um certo tipo de amor), mas também a qualidade que vemos, reconhecemos e, sobretudo, queremos e podemos imprimir ao mesmo. É que, de entre todas as coisas, amar é preciso, pois sem amor ninguém pode, de verdade, viver. Só que a questão não é essa, mas antes esta: que tipo de amor é aquele que busco na vida; mais ainda: que tipo de amor é aquele que ofereço, tanto mais que o amor que se impõe não é amor, ou se o é nada tem a ver com a caritas de que nos fala a Igreja, mas apenas se reduz às loucuras de um eros à solta e sem obediência alguma. Ora se o amor é tudo, uma coisa é certa entre todas: não há melhor amor, mais doce e mais sublime, do que aquele que é construtivo, que edifica, que transforma, que nos eleva e, desse modo, nos permite o gozo da mais autêntica e inconfundível transcendência.

 

 

Pe. João J. Vila-Chã

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13
Fev 13
publicado por FireHead, às 16:42link do post | Comentar

Segundo o cónego José Luiz Villac, as ditas profecias de São Malaquias sobre os Papas são consideradas uma mistificação para muitos estudiosos, pois estas teriam sido inventadas. O silêncio de São Bernardo, seu amigo que escreveu um livro sobre a sua vida (biografia de São Malaquias), a respeito das profecias e o facto de o manuscrito ter permanecido durante 450 anos desconhecido dos estudiosos do Papado são argumentos que colocam em dúvida a autenticidade das mesmas. A Historia de la Iglesia Católica, da BAC, afirma mesmo que as ditas profecias foram compostas por volta de 1590 por uma falsário anónimo, daí que os 74 Papas anteriores a essa data estejam bem caracterizados. "Os dísticos seguintes são vagos e imprecisos (...) porém, a maioria não tem conexão alguma com o interessado, ou são tão gerais que se poderiam apicar a qualquer um" (op. cit. Ricardo Garcia-Villoslada, S. J. Madrid, 1976, vol. II, p. 432).

 

Segundo a suposta profecia, o último Papa seria Pedro Romano, "que apascenterá a sua grei no meio de muitas tribulações; quando estas tiverem terminado, a cidade de sete colinas (Roma) será destruída, e o tremendo Juiz julgará o seu povo. Fim". Várias revelações, por sua vez, prevêem um grande triunfo final da Igreja Católica antes do fim do mundo. As de Fátima, por exemplo, falam de um tempo de paz que seria dado ao mundo, a instauração do Reino de Maria, depois de tremendos castigos. Também São Luís Grignion de Montfort dizia que o advento do Reino de Maria significará o advento do Reino de Cristo.

 

O cónego tranquiliza-nos assim em relação ao fim do mundo, que não será para já. Esperemos é que o próximo Papa seja tão bom ou ainda mais firme na defesa da Fé quanto o querido Papa Bento XVI.

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12
Fev 13
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publicado por FireHead, às 00:29link do post | Comentar

O Papa Bento XVI foi escolhido em Abril de 2005. Portanto, ainda não fez oito anos de papado. Em 600 anos, é o primeiro Papa a apresentar a sua resignação.

 

A resignação de Bento XVI espelha a enorme pressão exercida pelo laicismopolítico organizado — e coordenado essencialmente pela maçonaria europeia — sobre a Igreja Católica. O próprio Papa reconhece isso. Casos inéditos, como por exemplo o do recente roubo de documentos pessoais do Papa pelo próprio mordomo pessoal de Bento XVI — mordomo com ligações comprovadas à maçonaria —, ou a constante querela ideológica divisionista de certos clérigos reconhecidamente ligados a lojas maçónicas, ou à Nova Teologia, ou à Teologia da Libertação, fizeram com que Bento XVI compreendesse que ser Papa hoje já não é a mesma coisa que ser Papa há apenas vinte anos.

 

Os inimigos da Igreja Católica não debatem ideias; pelo contrário, evitam o debate ideológico racional porque sabem bem que o perdem. Os inimigos da Igreja Católica actuam na sombra da falácia e do erro, transformando, aos olhos dos povos, o erro em virtude. E é, também, dentro da Igreja Católica que se encontram alguns dos inimigos da Igreja Católica, e alguns bem alto na hierarquia, como é o caso do “arcebispo colorido” português que, apesar dos escândalos das suas posições contra ecclesiam, nunca teve a humildade de apresentar a sua resignação e seguir com a sua decisão até ao fim.

 

 

Orlando Braga

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