«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
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Dez 12
publicado por FireHead, às 13:52link do post | Comentar

Com a proliferação de seitas que se proclamam “cristãs” e se colocam como as únicas intérpretes autorizadas da Bíblia, as tradições mais sagradas do verdadeiro Cristianismo são contestadas, e a desinformação levanta dúvidas. Você já ouviu dizer, por exemplo que “o Natal é uma festa pagã”?

 

Ultimamente, sempre que chega o final do ano, somos afrontados com afirmações de algumas pessoas de certas comunidades que atacam a celebração e a festa do Natal, classificando-a como “pagã”, “idólatra”, “mundana”, etc...

 

Se você tem dúvidas, ou acha que aprender nunca é demais, este artigo foi escrito para si. A única coisa de que precisamos, para esclarecer definitivamente a questão, é do desejo sincero de conhecer a verdade. Se você quer conhecer os factos antes de formar a sua opinião, isso é suficiente. Ultimamente, os católicos são acusados dos maiores absurdos sem que nos concedam, ao menos, o direito de defesa.

 

Certas teses paranóicas que circulam por aí já estão bem manjadas. Os códigos de barra usados no comércio, por exemplo, contém o número da Besta... Então, o leitinho de todo dia, comprado no armazém da esquina, seria parte dessa mega-conspiração maléfica contra os cristãos. Curioso é que os exemplares da Bíblia Sagrada, na maioria das lojas, são vendidos também pelo sistema de código de barras...

 

Outros gritam aos quatro ventos que o Anticristo ou a Besta, citados no Apocalipse, seriam o Papa! Estranho, já houve 266 Papas até hoje: qual deles seria o Anticristo ou a Besta? Todos? Mas a Bíblia não fala em 266 anticristos ou 266 bestas...

 

Existem até alguns que ensinam que o nome “Jesus” esconderia uma invocação secreta a Zeus! Para eles, somente o nome do Senhor em hebraico (Yehshua) seria realmente cristão; todos os que invocam o nome “Jesus” estariam invocando um deus pagão(!)...

 

Haja paciência... Poderíamos citar muitos outros exemplos de bobagens desse tipo, tão malucas ou até piores do que estas, que são ensinadas todos os dias em comunidades que se intitulam “igrejas”. Mas paramos por aqui: se fôssemos tentar enumerar todas, teríamos que escrever um livro.

 

Se fossem verdadeiras todas essas teorias terríveis, ninguém poderia se considerar cristão. Estaríamos todos perdidos, praticando actos abomináveis diante de Deus. Afinal, quem nunca comprou um produto com código de barras na vida? Bem, mas segundo esses mesmos pseudo-cristãos, estariam todos sendo enganados pela Igreja Católica. Claro, no fim, a culpa é sempre da Igreja Católica...

 

Voltando ao tema do Natal, o primeiro equívoco é afirmar que os primeiros cristãos não comemoravam o Natal e que essa tradição teria começado com o imperador Constantino. Errado. Muitíssimo errado. É um facto histórico, como veremos, que os cristãos já comemoravam o nascimento do Senhor pelo menos desde o segundo século. E afinal, não foi Deus quem determinou que celebrássemos o nascimento do Seu Filho? Duas passagens bíblicas muito significativas o revelam. A primeira está no segundo capítulo de Lucas (versículos 10 a 12). Os anjos, logo após o nascimento do Menino Deus, clamam aos pastores:

 

“Não temais, eis que vos anunciamos uma Boa Nova, que será de alegria para todo o povo: hoje vos nasceu, na Cidade de David, o Salvador, que é o Cristo e Senhor!”

 

E então? Celebrar o Natal é pecado? Dizer isto sim é que é um grande pecado, além de antibíblico! Claro que o nascimento de Jesus é motivo de alegria e festa pra toda a humanidade!

 

Os cristãos de todos os tempos devem celebrar essa maravilhosa notícia! Já no Antigo Testamento, Isaías (cap. 9) afirmou que deveríamos festejar o nascimento do Senhor, numa das mais belas passagens das Escrituras:

 

O povo que andava nas trevas viu uma grande Luz. Sobre os que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu a Luz. Suscitais um grande júbilo, provocais uma imensa alegria; rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, exultam como na partilha... Porque um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado; (...) ele se chama Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz.

 

Como vemos, os cristãos (povo sobre o qual brilhou a Luz de Deus) devem festejar o nascimento de Cristo! O Advento e o Evento do “Filho que nos foi dado” sem dúvida requerem uma grande celebração!

 

E, sim, há relatos de celebração do Natal desde o ano 200 da era cristã (séculos antes de Constantino). Clemente de Alexandria registou: os teólogos do Egipto não guardavam nenhum dia do ano a não ser o Natal do Senhor (conf. Stromata). Esses cristãos, que séculos antes de Constantino celebravam o Natal, bendizendo a Deus pelo nascimento do Messias, jamais poderiam prever, nem nos seus piores pesadelos, que um dia falsos cristãos enxergariam, num acto de adoração a Deus Menino, um sinónimo de idolatria.

 

E quanto à data?

 

Segundo as teorias paranóicas, a Igreja escolheu o 25 de Dezembro porque era o dia em que os pagãos do Império Romano celebravam o Sol Invicto, com a nefasta intenção de introduzir elementos pagãos no Cristianismo. É incrível que em pleno século XXI existam pessoas tão ingénuas a ponto de crer em coisas desse tipo! Será difícil entender que, se a Igreja fez os pagãos aceitarem a Cristo, então ela é que levou o Cristianismo aos pagãos, e não o contrário?

 

Se a Igreja realmente adoptou o 25 de Dezembro por ser a data em que os pagãos festejavam o deus Mitra, o “Sol Invicto”, isso de maneira nenhuma pode ser considerado como adopção de crenças pagãs pelos cristãos. Ao contrário, este é o melhor sentido da data de celebração do Natal, no mesmo dia da antiga festa pagã. Não é fraqueza da Igreja diante do paganismo: é uma solene declaração de vitória da fé cristã sobre o paganismo! Cristo triunfa: os falsos deuses são esquecidos, substituídos pela Luz da Verdade.

 

Antes, este era o dia do deus sol. Passou a ser o dia de Jesus Cristo, Sol que nasceu para todos os homens e mulheres de boa vontade. Por isso S. João Crisóstomo declarou, já no século IV: Nosso Senhor nasceu no mês de Dezembro. Eles (os pagãos) chamavam este dia de ‘Dia do Sol Invencível". De facto, quem é mais invencível que Nosso Senhor? E, se disserem que este é o dia do nascimento do sol, é Ele, Jesus, o Sol da Justiça!

 

 

Fontes e bibliografia:

SEMEDO, Alexandre . Apostolado Veritatis Splendor. Paranoia Protestante e a Origem do Natal: http://www.veritatis.com.br/article/3001. Acesso em 10/11/2010;

LENZENWEGER, Josef. História da Igreja Católica, São Paulo: Loyola, 2006.


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