«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
04
Nov 12
publicado por FireHead, às 20:24link do post | Comentar

Homilia do 21º domingo após Pentecostes

 

Por Pe. Marcelo Tenório

 

Na Epístola tirada de São Paulo aos Efésios, o Apóstolo nos exorta – melhor dizendo, Deus, através do Apóstolo, nos exorta a nos revestir da armadura de Deus, e a resistir às ciladas do demónio. E coloca: “Não é contra homens de carne e sangue que lutamos, mas contra seres espirituais que estão nos ares”. A existência do demónio é um mistério terrível, que está ligado ao mistério da iniquidade. É claríssimo que o demónio já está condenado. É claríssimo que o demónio, diante de Deus, não tem poder algum. Entretanto, aquilo que (ele) tem dado pelo próprio Deus – se é que Deus não costuma retirar aquilo que dá – é suficiente para estragar grande parte da humanidade.

 

Assim são os demónios – liderados por Lúcifer – em nosso meio. É uma realidade terrível. E o que o demónio deseja é a nossa perdição. O demónio odeia a humanidade, porque foi na humanidade que Deus – Nosso Senhor – quis pôr a marca da Sua semelhança, da Sua imagem. E o que o demónio tenta é manchar, denegrir, acabar, destruir a imagem e a semelhança de Deus, que é o homem. E como ele consegue? E o que ele deseja fazer? Fazer pecar. Por isso o demónio nos apresenta o pecado. Por isso o demónio nos apresenta a mentira, que, por ser tão próxima da verdade, é capaz de nos enganar.

 

Nosso Senhor deseja profundamente a nossa salvação. Não quer a morte do pecador, mas antes que se converta e viva. Deus não é um Deus de condenação, mas de salvação. Entretanto, dizia um grande Padre da Igreja: “Aquele que te criou sem ti não te salvará sem ti”. Se Deus não nos pediu permissão, ou se não nos consultou para nos criar, dependerá de nós, da nossa vida, das nossas atitudes, da nossa opção fundamental a nossa salvação. E como não existe acto neutro, em tudo o que fazemos ou estamos nos encaminhando para Deus, ou dEle estamos nos distanciando. E como não existe acto moral que seja neutro, tudo o que fazemos é para a maior glória de Deus, ou para maior glória nossa. E aí está o pecado. E qual é a glória de Deus? A glória de Deus é o homem vivo. E como o homem pode estar vivo? Quando este está ou permanece na graça de Deus.

 

Deus não nos fez para a condenação, de forma que, numa atitude extrema, envia o Filho para que, padecendo do nosso sofrimento e morrendo da nossa morte, pudesse nos dar a vida, a vida plena, a restauração, a salvação alcançada a preço de sangue no patíbulo da cruz. E, no patíbulo da cruz, Nosso Senhor estende o perdão à humanidade inteira. E aí vemos, de forma muito clara, a justiça e a misericórdia de Deus. A misericórdia está ligada à justiça, e a justiça não pode existir sem a misericórdia. Nós estamos no tempo da misericórdia; o tempo da misericórdia é o tempo (humano), o chronos. E é no chronos, no tempo, que temos a possibilidade de mudar de encaminhamentos, de mudar de posturas, de mudar de atitudes, de mudar as nossas disposições ou para o bem ou para o mal.

 

Padre Pio costumava dizer: “Tudo se paga, ou para o bem, ou para o mal”. Deus, Nosso Senhor, desceu do Céu para pagar o preço que era o nosso. E nós somos chamados também, se quisermos a salvação, a pagar um preço todo nosso, que é a renúncia de nós mesmos, que é a fuga do pecado, que é dizer “Sou todo de Deus”, para que, como diz Nosso Senhor noutra parte do Evangelho, “perdendo tudo, ganhemos tudo.” São Francisco, em seus dias, gostava de repetir: “Meu Deus e meu tudo”. Não se pode desejar duas coisas. Não se pode desejar a Deus e ao demónio. Não se pode desejar os Céus e, ao mesmo tempo, compactuar com as coisas do mundo.

 

E nunca o demónio agiu de forma tão sorrateira como nos dias de hoje. Sobretudo na família. E há uma porta de entrada do demónio na família, que é a “grande prostituta”, pior que a Babilónia, que é a televisão. E, diante da televisão, a família se silencia. Não são mais o pai e a mãe os primeiros catequistas de seus filhos, mas a televisão, a grande prostituta, que, desde criança, vai “formando” o ser que é imagem e semelhança de Deus, vai deformando neste ser – que é imagem e semelhança de Deus – os valores cristãos. O temor do Senhor – que, como dizem as Sagradas Escrituras, “é o princípio do saber” – já é retirado das criancinhas antes mesmo delas o receberem dos seus pais.

 

Ora, se um pai leva o seu filho ao médico, e este filho está morrendo, e o médico se omite, e esta criança vem a morrer por culpa médica, qual o comum das coisas? Processar esse médico! A família, os pais se levantarão com certeza contra esse médico, e não sossegarão enquanto não colocarem-no na cadeia, pois esse médico jurou um dia salvar os outros... Quem colocará os pais na cadeia quando os seus filhos morrerem apodrecidos pelo pecado por culpa dos pais que, também, um dia juraram no altar de Deus, no momento do matrimónio, educar os filhos na fé? Quantas crianças nascem e crescem, desenvolvem-se como se Deus não existisse? Quem falhou? Os pais, que já não ensinam mais o catecismo, que já não falam mais de Deus. Na verdade, em nossas famílias, em nossas casas, já não há o espaço para a prática da religião. E Deus, Nosso Senhor, irá exigir veementemente dos pais aquilo que eles deveriam ter dado para os filhos. Os filhos são quase sempre aquilo que os pais formam; são raras as excepções.

 

De maneira que, neste mês de Outubro, que é o mês dedicado às Missões, é bom lembrarmo-nos do nosso Baptismo, e justamente no nosso Baptismo que fomos lavados no sangue de Cristo. E deste Cristo, o Filho enviado do Pai para nós, que teve a Sua missão de nos salvar, nós recebemos, no dia de nosso Baptismo, a missão também de sermos testemunhas de Cristo, de anunciarmos o Evangelho, nem sempre com palavras, mas, sobretudo, com testemunhos e com gestos. Os pais têm a obrigação sagrada de formar no coração dos seus filhos a fé cristã. Os pais têm a obrigação sagrada de ensinar a suas crianças as sagradas letras, o temor do Senhor. E, ai dos pais! se, por sua culpa, tempos depois, esses filhos se perderem nas trevas porque jamais foram formados na luz.

 

Santa Teresinha nunca saiu do Carmelo, mas foi a grande Patrona das Missões. Não precisamos pular oceanos, não precisamos sulcar as terras para anunciarmos o Evangelho; basta em nossa casa. O pai, sempre pai, a mãe, sempre mãe, primeiros catequistas. Não é a igreja, não é a paróquia, não é a matriz paroquial, não são os catequistas que formam a fé cristã destas crianças, mas são os pais. Aqui aprimoramos, aqui endireitamos arestas, mas somente isso. A fé cristã tem que ser transmitida pelos pais. Para quê? Para que estas crianças já recebam cedo, além do Baptismo, a vacina contra as insídias diabólicas: a palavra de Deus [escrita, n.d.t.], a doutrina sagrada [Tradição oral, n.d.t.] e o Magistério da Igreja. Tudo isso para nos levar ao Céu.

 

O Santo Evangelho vai falar daqueles que não sabem ser misericordiosos, daqueles que não sabem perdoar; gostam de ser perdoados por Deus, mas não são capazes de perdoar. Falava eu do tempo da misericórdia: é este o tempo da misericórdia, mas esse tempo acabará. E, acabando o chronos, virá a eternidade; e, com a eternidade, virá a justiça. Padre Pio costumava dizer que a justiça divina não o apavorava, porque “...quanto à justiça divina, podemos nos precaver”. E é verdade: “porque nunca matei, não terei medo diante do tribunal de Deus em relação a esse Mandamento”; “se eu nunca cometi adultério, não terei medo do tribunal de Deus diante desse Mandamento”; entretanto, dizia Padre Pio, “...o que me apavora é a misericórdia divina, desta não escaparei”. Porquê? Porque a cada instante, a cada momento, a cada segundo, Deus está nos enviando graças para a nossa conversão, santificação, mudança de vida... E deixamos que a graça caia no chão, e deixamos que o momento passe sem que dele possamos aproveitar. É na misericórdia com os outros, é perdoando os pecados, ou perdoando as ofensas àqueles que nos ofenderam que vamos merecendo essa misericórdia, e vamos nos entregando sobretudo à misericórdia divina; dela também não podemos escapar.

 

Que Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, neste mês a ela dedicado como Patrona das Missões, conceda-nos, de Deus, a graça, a compreensão profunda da nossa missão: que, na misericórdia divina, também sejamos também misericordiosos e, sobretudo, não deixarmos nos levar pelas insídias diabólicas, mas, cumprida a nossa missão, sermos luz para iluminar e sal para dar sabor.

 

 

Homilia proferida em 21/10/2012.


Fonte: http://missatridentinapsaosebastiao.blogspot.com.br/ 


Novembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

16


28
29
30


Links
Pesquisar blogue
 
subscrever feeds
blogs SAPO