«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
31
Out 12
publicado por FireHead, às 00:29link do post | Comentar
Hoje em dia em muitas partes do mundo ocidental celebra-se o Halloween. Esta efeméride, que originou-se a partir do Samhain (o senhor da morte), remonta aos povos bárbaros celtas e aos druídas da Grã-Bretanha, entre os anos 600 e 800 a.C. Samhain significava também "festa dos mortos". Segundo os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria nem fome nem dor. A festa era celebrada com ritos presididos pelos druídas que actuavam como médiuns entre as pessoas e os antepassados delas. Segundo eles, os espíritos dos mortos voltariam nesta data para visitar os seus antigos lares e conduzir os seus familiares para o outro mundo.
 
Nesta data, e principalmente nos países de expressão inglesa (mais concretamente os Estados Unidos), as crianças fantasiam-se de bruxas ou feiticeiros e pedem doces de porta em porta com o seguinte mantra: trick or treat (doces ou travessuras, em português). Este mantra não seria, supostamente, senão uma feitiçaria ameaçadora, pois os que se recusam a dar o que o espírito exige (no caso, doces), será perturbado por ele.
 
O Halloween hoje em dia é bastante promovido por grupos neopagãos, como os adeptos da macabra WICCA (bruxaria moderna), sendo que em muitos casos é mesmo usado como uma celebração ocultista e satânica. Existem grupos neopagãos que se rendem ao ocultismo durante o Halloween, como o Bohemian Grove, que literalmente têm as mesmas práticas que o povo Amorreu, referenciado no Antigo Testamento, que sacrificava crianças e/ou fetos humanos em frente a uma estátua do seu deus Moloque. A estátua tinha uma fenda, uma cavidade, onde se colocava fogo e para onde eram atiradas as crianças vivas em sacrifício. O calendário da bruxaria define o dia 31 de Outubro como o dia da morte do "deus chifrudo", o filho da "grande deusa" imortal que é representada pela lua. Os druídas, com medo do Samhain e como forma de lhe agradar, realizavam rituais macabros sacrificando, para além de crianças também os criminosos e animais, que eram queimados vivos em oferendas aos deuses.

Segundo a Encyclopœdia Britannica, "Tanto na época dos celtas como dos anglo-saxões o dia 31 de Outubro era também a véspera do ano novo e um dos antigos festivais do fogo... Visto que Novembro dá início ao semestre mais obscuro e mais infrutífero do ano, o festival do Outono assumia um significado sinistro, com fantasmas, bruxas, duendes, fadas e demónios de toda sorte vagando por toda a parte. O festival era realizado em honra a Samhain, senhor celta dos mortos, que, segundo se acreditava, permitia que as almas dos que haviam morrido no ano precedente voltassem à sua casa naquela noite. As festividades incluíam fazer enormes fogueiras ao ar livre para espantar as bruxas e os demónios. Sacrifícios na forma de safras, animais e até mesmo de humanos eram feitos para aplacar as almas dos falecidos. As pessoas se empenhavam também em tirar a sorte e vestiam-se de roupas feitas de cabeças e de peles de animais. Os romanos também contribuíram com alguns dos seus rituais pagãos aos costumes dos celtas que foram conquistados por eles. Um dos seus festivais de Outono, realizado em honra a Pomona, divindade dos frutos e dos jardins, é provavelmente responsável pelo notório uso de maçãs nas festividades do Halloween - por exemplo, os costumes de se pegar maçãs com os dentes de dentro de uma bacia cheia de água e de morder uma maçã suspensa na ponta de um fio de barbante".

O ocultismo, a feitiçaria ou os demónios da maneira como hoje nos são apresentados, de forma épica e romantizada onde se exalta os vilões e os anti-heróis, correspondem a uma espantosa inversão de mentalidades: o mau é o bom, o perverso é o correcto, e vice-versa. Daí hoje em dia filmes como o Harry Potter ou o Crepúsculo fazerem o sucesso que fazem.
 
E é agora que os leitores perguntam indignados comigo: então e a Igreja Católica que usurpou mais esta data pagã e a mesclou no calendário cristão? Ou que o Halloween é mais um paganismo disfarçado da "igreja romana"? De facto a Igreja Católica cristianizou o que era pagão, tal como cristianizou, na sua excelsa sabedoria, o culto pagão ao deus do sol e o transformou no Natal. Trata-se de uma estratégia religiosa que foi ensinada por São Leão Magno e São Gregório Magno. O Papa Bonifácio IV converteu o panteão romano (templo dedicado aos ídolos romanos) num templo cristão dedicado a todos os santos cujo dia de celebração era o dia 13 de Maio. Com o Papa Gregório III, o dia de todos os santos passou a ser celebrado no dia 1 de Novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro.
 
O Halloween é a cristianização do Samhain pagão, portanto na verdade uma coisa não é a outra. O paganismo que foi cristianizado não significa que foi adaptado: significa que foi substituído. Aliás, Halloween é na verdade cristão, até porque o nome não engana: Halloween vem de All Hallows' Eve (véspera do dia de todos o santos). Identificar o Halloween com o paganismo, como se fosse algo errado e satânico, é algo relativamente recente. Fantasiar-se de bruxa, de demónio ou de esqueleto é, por mais incrível que pareça, algo até defendido por certos católicos, apesar da sua conotação folclórica e de ser algo com o qual eu pessoalmente não concordo. Ao fantasiar-se destas personagens, as pessoas estão na verdade a debochá-las: é um ataque ao paganismo. O Halloween era uma festa cristã que constava no calendário litúrgico até à reforma de 1962 e foi uma resposta cristã contra o Sanhaim, uma resposta vencedora, do triunfo do Cristianismo sobre o paganismo. Nesta altura do ano é aos santos que nós devemos render a nossa veneração, pois eles são reais e intercedem por nós.

Acabo esta posta citando o professor brasileiro Carlos Ramalhete sobre o tema: "As fantasias de seres malignos postas em crianças é uma forma de mostrar como eles são fracos e ridículos (como as crianças, que na Europa são tradicionalmente vistas como adultos que ainda não estão 'prontos'). As fantasias de Halloween têm, assim, um sentido simbólico mais ou menos parecido com o uso de fantasias de políticos no Carnaval brasileiro. Como, contudo, com a descristianização da sociedade americana houve um ressurgimento dos medos pagãos, atribuindo aos demónios poderes maiores que a realidade, criando-se novas formas de culto demoníaco (WICCA, etc.), no que a visão calvinista de mundo não ajudou pouco (basta lembrar-se do episódio das Bruxas de Salém para ver este medo em acção), esta festa derivou até ter para alguns o significado presente de celebração da bruxaria. O que era ridículo tornou-se 'mágico', o que era uma demonstração de fraqueza tornou-se demonstração de força. Podemos assim dizer que o Halloween actualmente adicionou conotações não-cristãs a uma festa cristã (a festa celta foi completamente perdida e submergida no Cristianismo, como a nossa festa de São João – originalmente data magna da comemoração celta do solstício de Verão -, o uso de alianças de casamento, etc.). Estas conotações, porém, dentro do 'mainstream' americano, não tem em absoluto um sentido de protesto aberto contra a Igreja, sendo apenas uma festa algo farsesca (logo ainda preservando algo do espírito cristão original). Apenas alguns amalucados (WICCAns e outros) a vêem como celebração da bruxaria e não como uma espécie de Carnaval".


As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas aos demónios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demónios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demónios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele? (1 Coríntios 10:19-22)

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