«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
29
Ago 12
publicado por FireHead, às 07:38link do post | Comentar

O paganismo pré-cristão era um poema de amor ao Deus que permanecia escondido, ou uma tentativa de ganhar o favor dos poderes divinos cuja presença os homens sentiam ao seu redor. O novo paganismo é uma declaração de guerra contra o Deus que Se revelou.

28
Ago 12
publicado por FireHead, às 04:13link do post | Comentar | Ver comentários (2)

 

OS FALSOS DEVOTOS E AS FALSAS DEVOÇÕES À SANTÍSSIMA VIRGEM

 

Conheço sete espécies de falsos devotos e falsas devoções à Santíssima Virgem: os devotos críticos, os devotos escrupulosos, os devotos exteriores, os devotos presunçosos, os devotos inconstantes, os devotos hipócritas, os devotos interesseiros.
 
 
Os devotos críticos

Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa-fé e santamente a esta boa Mãe, pelo facto de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crónicas de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivesse adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, da sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que o seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem. Quando alguém lhes repete os louvores admiráveis que os Santos Padres dão à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras.

Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando eficazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhes os abusos.
 
 
Os devotos escrupulosos
 
Os devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-l'O se a exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhe teceram os Santos Padres; não suportam sem desgosto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagónicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus Cristo por meio dela. Não querem que se fale tão frequentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela.

Algumas frases eles as repetem a cada momento: Para que tantos terços, tantas confrarias e devoções exteriores à Santíssima Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falai-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo (e eles o nomeiam, muitas vezes, sem se descobrir, digo-o sem parêntesis): cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é Ele o nosso único medianeiro; é preciso pregar Jesus Cristo, isto sim que é sólido!

Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhe dão, é bem perigoso e constitui uma cilada sutil do maligno, sob o pretexto de um bem muito maior, pois nunca se há-de honrar mais a Jesus Cristo, do que honrando a Santíssima Virgem, desde que a honra que se presta a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como ao caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo.

A santa Igreja, como o Espírito Santo, bendiz primeiro a Santíssima Virgem e depois Jesus Cristo: benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesus. Não porque a Santíssima Virgem seja mais ou igual a Jesus Cristo: seria uma heresia intolerável, mas porque, para mais perfeitamente bendizer Jesus Cristo, cumpre bendizer antes a Maria. Digamos, portanto, com todos os verdadeiros devotos de Maria, contra os seus falsos e escrupulosos devotos: Ó Maria, bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!
 
 
Os devotos exteriores
 
Devotos exteriores são as pessoas que fazem consistir toda a devoção à Santíssima Virgem em práticas exteriores; que só tomam interesse pela exterioridade da devoção à Santíssima Virgem, por não terem espírito interior; que recitarão às pressas uma enfiada de terços, ouvirão, sem atenção, uma infinidade de missas, acompanharão as procissões sem devoção, farão parte de todas as confrarias sem emendar de vida, sem violentar as suas paixões, sem imitar as virtudes desta Virgem Santíssima. Amam apenas o que há de sensível na devoção, sem interesse pela parte sólida. Se as suas práticas não lhes afectam a sensibilidade, acham que não há nada mais a fazer, ficam desorientados, ou fazem tudo desordenadamente. O mundo está cheio dessa espécie de devotos exteriores e não há gente que mais critique as pessoas de oração que se dedicam à devoção interior sem desprezar o exterior de modéstia, que acompanha sempre a verdadeira devoção.
 
 
Os devotos presunçosos
 
Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blasfémia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem violentar-se muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não hão-de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam o seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc.

Quando alguém lhes diz que a sua devoção não é mais do que ilusão e uma presunção perniciosa capaz de perdê-los, recusam-se a crer; dizem que Deus é bom e misericordioso e que não nos criou para nos condenar; que não há homem que não peque; que eles não hão-de morrer sem confissão; que um bom peccavi à hora da morte basta; de mais a mais que eles são devotos da Santíssima Virgem, cujo escapulário usam; e em cuja honra dizem, todos os dias, irrepreensivelmente e sem vaidade (isto é, com fidelidade e humildade) sete Pai Nossos e sete Ave Marias; que recitam mesmo, uma vez ou outra, o terço e o ofício da Santíssima Virgem; que jejuam, etc. Para confirmar o que dizem e mais aumentar a própria cegueira, relembram umas histórias que leram ou ouviram, verdadeiras ou falsas não importa, em que se afirma que pessoas mortas em pecado mortal, sem confissão, só pelo facto de que em vida tinham feito algumas orações ou práticas de devoção à Santíssima Virgem ressuscitaram para se confessar, ou sua alma permaneceu milagrosamente no corpo até se confessarem, ou, ainda, que, pela misericórdia da Santíssima Virgem, obtiveram de Deus, na hora da morte, a contrição e o perdão dos seus pecados, e se salvaram. Eles esperam, portanto, a mesma coisa.

Não há, no Cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se traspassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar o seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?

Digo que abusar assim da devoção à Santíssima Virgem, a mais santa e mais sólida devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio de uma comunhão indigna.

Confesso que, para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos (note-se bem o que vou dizer):

Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho.

Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado.
 
Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar aos sábados, etc.

Isto é maravilhosamente útil à conversão de um pecador, mesmo empedernido; e se o meu leitor estiver nestas condições, como que tenha já um pé no abismo, eu lhe aconselho, contanto, porém, que só pratique estas boas obras na intenção de, pela intercessão da Santíssima Virgem, obter de Deus a graça da contrição e do perdão dos pecados, e de vencer os seus maus hábitos, e não para continuar calmamente no estado de pecado, a despeito dos remorsos de consciência, do exemplo de Jesus Cristo e dos santos, e das máximas do santo Evangelho.
 
 
Os devotos inconstantes
 
Devotos inconstantes são aqueles que são devotos da Santíssima Virgem periodicamente, por intervalos e por capricho: hoje são fervorosos, amanhã tíbios; agora mostram-se prontos a tudo empreender em serviço de Maria e logo após já não parecem os mesmos. Abraçam logo todas as devoções à Santíssima Virgem, ingressam em todas as suas confrarias, e em pouco tempo já nem observam as regras com fidelidade; mudam como a lua, e Maria os esmaga sob os seus pés como faz ao crescente, pois eles são volúveis e indignos de ser contados entre os servidores desta Virgem fiel, que têm a fidelidade e a constância por herança. Vale mais não se sobrecarregar de tantas orações e práticas de devoção, e fazer poucas com amor e fidelidade, a despeito do mundo, do demónio e da carne.

A lua, por suas variações, é tomada frequentemente pelos antigos autores místicos como o símbolo das mudanças da alma inconstante. – Cf. Ecli 27, 27, 12. São Bernardo: Sermo super Signum Magnum, n.3.
 
 
Os devotos hipócritas
 
Há também falsos devotos da Santíssima Virgem, os devotos hipócritas, que cobrem os seus pecados e maus hábitos com o manto desta Virgem fiel, a fim de passarem aos olhos do mundo por aquilo que não são.
 
 
Os devotos interesseiros
 
Há ainda os devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para ganhar algum processo, para evitar algum perigo, para se curar de alguma doença ou em qualquer necessidade desse género, sem o que a esqueceriam; uns e outros são falsos devotos que não têm aceitação diante de Deus e da Sua Mãe Santíssima.
 
 
Cuidemos, portanto, de não pertencer ao número dos devotos críticos que em coisa alguma crêem e de tudo criticam; dos devotos escrupulosos que receiam ser demasiadamente devotos da Santíssima Virgem, por respeito a Jesus Cristo; dos devotos exteriores que fazem consistir toda a sua devoção em práticas exteriores; dos devotos presunçosos, que, sob o pretexto da sua falsa devoção continuam marasmados em seus pecados; dos devotos inconstantes que, por leviandade, variam as suas práticas de devoção, ou as abandonam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas que se metem em confrarias e ostentam as insígnias da Santíssima Virgem a fim de passar por bons; e, enfim, dos devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para se livrarem dos males do corpo ou obter bens temporais.
 
 

27
Ago 12
publicado por FireHead, às 14:02link do post | Comentar

Photo: (26/08) A Igreja celebra Papa São Zeferino Mártir.Zeferino (em latim: Zephyrinus) foi o primeiro Papa do século III e décimo quinto da Igreja, sucedendo a Vítor I. Natural de Roma, foi eleito em 199. Com um pontificado longo (199 a 217), enfrentou heresias e perseguições. O seu pontificado se caracterizou por duras lutas teológicas que levaram, por exemplo à excomunhão de Tertuliano.Foi martirizado junto com Santo Irineu em 20 de dezembro de 217.São Zeferino Papa, rogai por nós!

 

Ontem (26/08/12) a Igreja lembrou-se do Papa São Zeferino (Zephyrinus), o primeiro Papa do século III e 15º Papa da Igreja, eleito em 199. Natural de Roma, teve um pontificado considerado longo (199-217), tendo enfrentado heresias e perseguições. Morreu martirizado juntamente com Santo Irineu a 20 de Dezembro de 217.


26
Ago 12
publicado por FireHead, às 14:28link do post | Comentar
Baseado na Carta Encíclica PASCENDI DOMINICI GREGIS
(Sobre o Modernismo)


Promulgada por Sua Santidade o Papa S. Pio X
(a 8 de Setembro de 1907)



Nós precisamos agora de quebrar o silêncio, para tornar bem conhecidos à Igreja esses homens tão mal disfarçados. (S. Pio X)


NOTA DO TRADUTOR
(do francês para o inglês)

A presente tradução do Catecismo Sobre o Modernismo do Padre Lemius foi preparada com a intenção de contribuir, conforme o desejo do Santo Padre, para que a Encíclica Pascendi Dominici Gregis fosse conhecida o quanto possível por todo o rebanho, e atender, nesse sentido, o que parece ser a real necessidade do laicato católico. As questões tratadas na Encíclica se referem a profundos e árduos problemas de teologia e de filosofia, circunstância que torna o sentido completo do documento difícil de ser compreendido, excepto pela mente treinada dos teólogos; por isso não causa surpresa que a pergunta seja repetidamente apresentada: "O que é este Modernismo do qual ouvimos falar tanto?" A ignorância deste assunto por parte dos nossos católicos leigos americanos é, pelo menos, uma prova gratificante, se fosse necessária, de que o Modernismo ainda não penetrou de facto nas fileiras do nosso povo; mas é uma sábia precaução, e estritamente de acordo com as intenções do nosso Santo Padre, manter a fé em guarda contra esta "síntese de todas as heresias", informando a sua real natureza a todos, para que tenham condições de detectar a sua subtil presença nas diversas formas de literatura que têm sido influenciadas pelo seu espírito.
O método catequético há muito vem sendo reconhecido como o mais apropriado e eficiente na instrução popular, e espera-se que este pequeno tratado possa ser um suplemento útil aos sistemáticos ensinamentos verbais que são dados, nas igrejas e institutos, sobre o Modernismo. As respostas de praticamente todas as perguntas foram tiradas literalmente do texto da Encíclica, permitindo assim que o estudante tenha a filial satisfação de saber que está sendo instruído com as próprias palavras do Santo Padre. Dessa forma a Encíclica será, sem dúvida, lida e estudada por muitos que poderiam não se sentir à altura do tema, na sua forma original.
O texto utilizado nesta versão foi tomado da publicação de Setembro-Dezembro, da The New York Review, reproduzindo prévia publicação do London Tablet.

SEMINÁRIO DE S. JOSÉ, DUNWOODIE, N.Y.

Festa de S. Gabriel, 1908.



PREÂMBULO

Gravidade dos erros modernistas

P. Qual é o primeiro dever imposto por Nosso Senhor Jesus Cristo ao Soberano Pontífice?
R. Sua Santidade, Pio X, nos responde: "A missão, que nos foi divinamente confiada, de apascentar o rebanho do Senhor tem principalmente o dever, imposto por Cristo, de guardar com a maior vigilância o depósito da fé transmitida aos Santos, repudiando as profanas novidades de palavras e as oposições de uma ciência enganosa."

P. Não foi sempre necessária tal vigilância?
R. "Nunca houve um tempo em que esta providência do Supremo Pastor não fosse necessária à Igreja Católica; pois, graças aos esforços do inimigo do género humano, nunca faltaram homens falando coisas perversas (Act 20, 30), vaníloquos e sedutores (Tito 1, 10), que caídos eles em erro arrastaram os mais ao erro (2 Tim 3, 3)."

P. Esses homens desencaminhados são hoje mais numerosos? Qual é o seu objectivo?
R. "É preciso confessar que nestes últimos tempos cresceu muito o número dos inimigos da cruz de Cristo, os quais, com artifícios novos e bastante subtis, se esforçam por destruir a virtude vivificante da Igreja e, se pudessem, solapar pelos alicerces o próprio reino de Cristo."

P. Por que o Soberano Pontífice não pode mais permanecer em silêncio?
R.
 Diz o Papa: "Não nos é lícito mais calar, para não parecer faltarmos ao nosso santíssimo dever, e para que a benignidade com que até agora os tratamos, na esperança de melhores disposições, não nos seja atribuída a descuido de nossa obrigação."

P. Onde estão os sequazes do erro que precisam de ser encontrados? São eles inimigos declarados?
R. 
"O que exige que falemos sem demora é antes de tudo que os sequazes do erro já não devem ser procurados entre os inimigos declarados da Igreja; mas, o que é para deplorar e temer muito, se ocultam no seu próprio seio, tornando-se assim tanto mais nocivos quanto menos percebidos."

P. Santo Padre, estes inimigos ocultos, que causam ansiedade ao vosso paternal coração, se encontram entre os católicos? Estão nas fileiras do clero?
R.
 Sim! "Muitos no laicato católico e também, o que é mais lastimável, muitos no próprio clero, fingindo amor à Igreja e sem nenhum conhecimento sólido de filosofia ou teologia, mas antes embebidos das teorias venenosas dos inimigos da Igreja, gabam-se presunçosamente de ser reformadores da Igreja."

P. Esses católicos, leigos e sacerdotes, que se apresentam como reformadores da Igreja, ousam eles atacar a obra de Cristo? Chegam eles ao ponto de atacar a própria Pessoa de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo?
R. 
"Cerrando fileiras ousadamente na linha de ataque, eles se atiram sobre tudo que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a Pessoa do Divino Redentor, que com audácia sacrílega rebaixam à condição de um mero homem."

P. Surpreendem-se tais pessoas quando Sua Santidade os inclui entre os inimigos da Santa Igreja?
R. 
"Apesar de se demonstrarem pasmados, ninguém poderá com razão se surpreender que nós incluímos tais homens entre os inimigos da Igreja, se, deixando de lado as intenções de que só Deus é juiz, se aplicar a examinar as doutrinas e o modo de falar e de agir deles. Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja."

P. Por que Sua Santidade os chama de os mais perigosos inimigos da Igreja?
R. 
Por este motivo: "Como dissemos, eles tramam os seus perniciosos conselhos não fora, mas dentro da Igreja; e, por isso, o perigo está presente nas próprias veias e no coração da Igreja, e o dano causado é tanto maior quanto mais intimamente eles a conhecem."

P. Haveria ainda outros motivos para chamá-los de os mais perigosos inimigos da Igreja?
R.
 Sim! "Eles dirigem o seu machado não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as próprias raízes, que são a Fé e as suas fibras mais vitais."

P. Atingida a raiz, eles cessam as suas actividades?
R
"Atingida a raiz da imortalidade, eles continuam a disseminar o veneno por toda a árvore, de modo que não há verdade católica poupada, não há verdade que eles deixem de corromper."

P. De que meios astuciosos eles se servem para arrastar os incautos ao erro?
R
"Ninguém é mais hábil, ninguém é mais astuto que eles no emprego dos seus inumeráveis e maléficos ardis; porque fazem promiscuamente o papel ora de racionalistas, ora de católicos, com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto."

P. As consequências dessas doutrinas não deviam assustar os sacerdotes e leigos católicos e fazê-los recuar?
R. 
"As consequências deviam fazê-los recuar; mas, como a audácia é uma das características desses inimigos da Igreja, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos."

P. Por que são eles especialmente perigosos e calculistas para enganar as almas?
R. 
"Eles são de facto extremamente aptos para enganar as almas, pois levam vidas de intensa actividade, de aplicação assídua e vigorosa a todos os campos de estudo e, o mais das vezes, têm fama de vida austera."

P. Santo Padre, Sua Santidade tem esperança de curar esses desencaminhados?
R. 
"O que faz desvanecer toda esperança de cura é o seguinte: as suas próprias doutrinas torceram de tal forma as suas mentes que eles desprezam toda autoridade e todo freio; e, baseados numa falsa consciência, tentam atribuir a um amor pela verdade o que na realidade não passa de soberba e obstinação."

P. Santo Padre, Sua Santidade não tem esperança de reconduzir essas pessoas desencaminhadas ao bom senso?

R. "Na verdade, por algum tempo esperamos reconduzi-los ao bom senso; e, para este fim, a princípio os tratamos com a brandura com que tratamos os nossos filhos, em seguida com severidade, e finalmente, bem a contragosto, servimo-nos de penas públicas. Mas vós bem sabeis, Veneráveis Irmãos, como tudo foi em vão; pareceram por um momento curvar a fronte, para depois reerguê-la com ainda maior arrogância."

P. Como não há esperança de reconduzir esses inimigos, por que Sua Santidade levanta a sua voz de advertência?
R. 
"Porque, se se tratasse de assunto somente deles, poderíamos talvez ainda deixar desapercebido, mas é o nome católico que está em jogo. Por conseguinte, manter o silêncio por mais tempo seria um crime."

P. É agora o momento de falar?
R. 
"Nós precisamos agora de quebrar o silêncio, para tornar bem conhecidos à Igreja esses homens tão mal disfarçados."

P. Que nome nós podemos dar a esses novos inimigos de Jesus Cristo e de Sua Santa Igreja?
R. 
"Eles são chamados vulgarmente e com razão de Modernistas."




FINALIDADE E DIVISÃO DA ENCÍCLICA

P. Quais são as finalidades e as divisões da Encíclica?

R. "Visto que os Modernistas empregam o astuciosíssimo artifício de apresentar as suas doutrinas não coordenadas e juntas em um todo sistémico, mas dispersas e como que separadas umas das outras, a fim de parecerem duvidosos e incertos, ao passo que de facto são firmes e constantes, convém, Veneráveis Irmãos, primeiro exibirmos aqui as mesmas doutrinas em um só quadro, e mostrar-lhes o nexo com que formam entre si um só corpo, para depois indagarmos as causas dos erros e prescrevermos os remédios para debelar-lhes os efeitos perniciosos."


PARTE I

OS ERROS MODERNISTAS

Prólogo

P. Seguindo uma forma ordenada na apresentação dos erros do Modernismo, quantos tipos de personagens Modernistas nós precisamos considerar?
R. 
"Para procedermos com ordem em assunto tão complicado, convém primeiro notar que cada Modernista representa e resume em si muitos personagens, isto é, o de filósofo, o de crente, o de teólogo, o de historiador, o de crítico, o de apologista, o de reformador. Todos esses personagens precisam de ser distinguidos, um por um, por aqueles que querem conhecer devidamente o seu sistema e penetrar nos princípios e nas consequências das suas doutrinas."



CAPÍTULO I


A FILOSOFIA RELIGIOSA DOS MODERNISTAS


1. O Agnosticismo

P. Começamos, pois, com o filósofo. Que doutrina é utilizada pelos Modernistas como fundamento para sua filosofia religiosa?
R. 
"Os Modernistas fundamentam a sua filosofia religiosa na doutrina denominada Agnosticismo."

P. Qual é o fundamento do Agnosticismo?
R. 
"De acordo com essa doutrina, a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenómenos, isto é, só das coisas perceptíveis aos sentidos e pelo modo como são perceptíveis; ela não tem direito nem aptidão para transpor estes limites. E daí se segue que não é dado à razão elevar-se a Deus, nem Lhe reconhecer a existência, nem mesmo por intermédio dos seres visíveis."

P. Que concluem os Modernistas dessa doutrina?
R. 
"Que Deus não pode ser de maneira nenhuma objecto directo da ciência; e também, com relação à história, não pode ser considerado assunto histórico."

P. De acordo com tais premissas, que resulta da teologia natural, dos motivos de credibilidade e da revelação externa?
R. 
"Postas estas premissas, todos percebem com clareza qual não deve ser a sorte da teologia natural, dos motivos de credibilidade, da revelação externa. Tudo isto os Modernistas rejeitam e relegam ao Intelectualismo, que chamam de sistema ridículo, morto já há muito tempo."

P. As condenações da Igreja restringem a acção dos Modernistas?
R. 
"Nem o facto de a Igreja ter formalmente condenado erros tão monstruosos os abala."

P. Que definição do Concílio do Vaticano (I) pode ser citada contra os Modernistas?
R. 
"O Concílio Vaticano (I) assim definiu:


"Se alguém disser que Deus, um e verdadeiro, Criador e Senhor nosso, por meio das coisas criadas não pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, seja anátema" (De Revel., can. I);


e também:

"Se alguém disser que não é possível ou não convém que, por divina revelação, seja o homem instruído acerca de Deus e do culto que lhe é devido, seja anátema" (Ibid., can.II);

e finalmente:

"Se alguém disser que a divina revelação não pode tornar-se crível por manifestações externas, e que por isto os homens não devem ser movidos à fé senão exclusivamente pela experiência interna ou inspiração privada, seja anátema" (De Fide., can. III).

P. De que modo os Modernistas passam do Agnosticismo, que é puro estado de ignorância, para o Ateísmo científico e histórico, que, ao contrário, é estado de positiva negação? E, por isso, com que lógica eles passam do não saber se Deus interveio ou não na história do género humano a tudo explicar na mesma história pondo Deus à parte, como se na realidade não tivesse intervindo?
R. A questão pode ser entendida do seguinte: "Há para eles um princípio fixo e determinado: a ciência e a história devem ambas ser ateias, e em suas raias não deve haver lugar senão para os fenómenos, repelindo de uma vez Deus e tudo o que é divino."

P. Dessa absurda doutrina, o que precisamos deduzir a respeito da augusta Pessoa de Cristo, dos mistérios de Sua vida e morte, de Sua ressurreição e ascensão ao céu?
R. 
"Logo veremos tudo isso."



2. Imanência Vital

P. De tudo o que foi dito, está claro que "o Agnosticismo é apenas a parte negativa da doutrina dos Modernistas". Há uma parte positiva?
R. 
"A parte positiva consiste naquilo que eles denominam imanência vital."

P. Como os Modernistas passam do Agnosticismo para a imanência vital?
R. "Eis como eles passam de uma parte a outra: a Religião, quer a natural quer a sobrenatural, precisa de uma explicação, como qualquer outro fato. Ora, quando a teologia natural é destruída, quando o caminho para a revelação é interceptado pela rejeição dos motivos de credibilidade e quando toda revelação exterior é absolutamente negada, é claro que não se pode procurar fora do homem essa explicação. Deve-se, pois, procurá-la no próprio homem; e, visto que a religião não é de facto senão uma forma da vida, a sua explicação certamente deve se encontrar na vida do homem. Daqui procede o princípio da imanência religiosa."

P. Parece que os Modernistas, partidários do Agnosticismo, encontram somente no homem e na sua vida a explicação da religião. Para explicar essa imanência vital, o que eles apresentam como primeiro estímulo e primeira manifestação de todo fenómeno vital, especialmente o da religião?
R. 
"O primeiro movimento, por assim dizer, de todo fenómeno vital – e a religião, como tem sido dito, pertence a esta categoria – deve ser sempre atribuído a uma necessidade ou impulso; as suas origens, porém, falando mais especificamente da vida, devem ser atribuídas a um movimento do coração, chamado sentimento."

P. Segundo estes princípios, qual é o fundamento da fé e, consequentemente, da religião?
R. 
"Como Deus é o objecto da religião, devemos concluir que a fé, princípio e base de toda a religião, funda-se num sentimento que nasce de uma necessidade da divindade."

P. Essa necessidade da divindade, de acordo com os Modernistas, pertence ao âmbito do consciente?
R. 
"Tal necessidade da divindade, não se fazendo sentir no homem senão em certas e especiais circunstâncias, não pode per si pertencer ao âmbito do consciente."

P. Onde se oculta essa necessidade da divindade?
R. 
"Oculta-se primeiro debaixo da consciência, ou, usando uma expressão tirada da filosofia moderna, na subconsciência, onde a sua raiz fica também oculta e incompreensível."


3. Origem da Religião em Geral

P. Se alguém perguntar como essa necessidade da divindade, que o homem sente em si mesmo, rebenta em religião, o que os Modernistas dirão?
R. 
A resposta dos Modernistas será: "A ciência e a história acham-se presas entre dois limites: um externo, que é o mundo visível; outro interno, que é a consciência. Chegando a um ou outro destes limites, não se pode ir mais adiante, porque além deles acha-se o incognoscível. Diante deste incognoscível, quer se ache ele fora do homem e fora de todas as coisas visíveis, quer se ache ele oculto na subconsciência do homem, a necessidade da divindade, sem nenhum acto prévio da inteligência, como o quer o fideísmo, gera no ânimo já propenso à religião um certo sentimento especial que, quer como objecto quer como causa interna, tem envolvida em si a realidade divina, e assim de certo modo une o homem com Deus. É precisamente a este sentimento que os Modernistas dão o nome de fé, e consideram-no como o princípio da religião."


4. Noção da Revelação

P. A filosofia Modernista se restringe somente ao sistema acima mencionado?
R.
 "Não termina aí o filosofar, ou melhor, o desatinar desses homens."

P. O que os Modernistas ainda encontram nesse seu sentimento da divindade?
R. 
"Os Modernistas não encontram nesse sentimento somente a fé; mas, com a fé e na mesma fé, do modo como a entendem, sustentam que também se acha a revelação."

P. A revelação? Mas como?
R. 
"E o que mais, dizem eles, se pode exigir para a revelação? Aquele sentimento religioso, que se manifesta na consciência, já não será talvez revelação ou, pelo menos, princípio de revelação? Ou ainda, não será revelação o próprio Deus, ao manifestar-se à alma, embora um tanto indistintamente, neste mesmo sentimento religioso? E eles ainda acrescentam: sendo Deus ao mesmo tempo objecto e causa da fé, essa revelação é de Deus como objecto e também provém de Deus como causa: isto é, tem a Deus ao mesmo tempo como revelante e revelado."

P. Que doutrina absurda deriva dessa filosofia, ou melhor, desse delírio Modernista?
R. 
"Segue a absurda afirmação dos Modernistas, segundo a qual todas as religiões, sob aspecto diverso, são igualmente naturais e sobrenaturais."

P. O que se segue disso?
R. 
"Segue-se que eles transformam ‘consciência’ e ‘revelação’ em sinónimos."

P. Que lei suprema e universal os Modernistas derivam dessa doutrina?
R. 
"A lei segundo a qual a consciência religiosa é apresentada como regra universal, em pé de igualdade com a revelação, à qual todos devem se sujeitar."

P. Todos, incluindo até a suprema autoridade da Igreja, devem se sujeitar a esta lei?
R. 
Sim. "Todos devem se sujeitar, até mesmo a suprema autoridade da Igreja, seja quando ensina, seja quando legisla em matéria de culto ou disciplina."


5. Transfiguração e Desfiguração dos Fenómenos pela Fé

P. O que mais é necessário para dar uma ideia completa da origem da fé e da revelação, da forma como os Modernistas entendem este assunto?
R. 
"Em todo este processo, do qual, segundo os Modernistas, resultam a fé e a revelação, deve-se atentar principalmente a um ponto, de capital importância, pelas consequências histórico-críticas que daí fazem derivar."

P. Trata-se do modo pelo qual aquele incognoscível da filosofia dos Modernistas, conforme acima exposto, se apresenta à fé?
R. 
Sim. "Aquele incognoscível, de que falam, não se apresenta à fé como algo solitário e isolado; mas sim intimamente unido a algum fenómeno que, embora pertença ao campo da ciência ou da história, assim mesmo transpõe, de certo modo, os seus limites."

P. Qual é este fenómeno?
R. 
"Este fenómeno pode ser um facto qualquer da natureza que contenha em si algo de misterioso; ou também pode ser um homem, cuja personalidade, actos e palavras pareçam nada ter em comum com as leis ordinárias da história."

P. Da união do incognoscível com o fenómeno, o que resulta à fé?
R. 
"A fé, atraída pelo incognoscível unido ao fenómeno, apodera-se de todo o fenómeno e de certo modo o penetra com sua própria vida."

P. Que resulta disso?
R. 
"Resultam duas coisas."

P. Qual é a primeira?
R. 
"A primeira é uma certa transfiguração do fenómeno, por uma espécie de elevação sobre as suas próprias condições, que o torna mais apto, qual matéria, a receber o ser divino."

P. Qual é a segunda?
R. 
"A segunda é uma certa desfiguração, que resulta do facto de que a fé, que tornou o fenómeno independente das circunstâncias de tempo e espaço, atribui ao mesmo fenómeno qualidades que este não tem."

P. De acordo com os Modernistas, sobre que fenómenos este duplo trabalho de transfiguração e de desfiguração age principalmente?
R. "Isto se dá principalmente com fenómenos de antigas datas, tanto mais quanto mais remotas são elas."

P. Que regras os Modernistas deduzem desta dupla operação?
R. 
"Destes dois princípios, os Modernistas deduzem duas regras que, unidas a uma terceira já deduzida do Agnosticismo, constituem a base da crítica histórica."

P. Dê-nos um exemplo dessas três regras.
R. 
"Tomaremos como exemplo a própria Pessoa de Cristo. Na Pessoa de Cristo, dizem, a ciência e a história não acham mais que um homem. Portanto, em virtude da primeira regra deduzida do Agnosticismo, da história dessa Pessoa se deve riscar o que se sabe de divino. Mais: por força da segunda regra, a Pessoa histórica de Jesus Cristo foi transfigurada pela fé; é preciso, pois, despojá-la de tudo o que a eleva acima das condições históricas. Finalmente, em virtude da terceira regra, a Pessoa de Cristo foi desfigurada pela fé; logo, se deve remover dela as falas, as acções, tudo enfim que não corresponde ao Seu carácter, condição e educação, lugar e tempo em que viveu."

P. Não é estranho tal modo de raciocinar?
R. 
"É, de facto, um estranho modo de raciocinar; porém esta é a Crítica dos Modernistas."


6. Origem das Religiões em Particular

P. Então o sentimento religioso, usando uma expressão Modernista, é o verdadeiro germe e a explicação completa de tudo o que há na religião?
R. 
"O sentimento religioso, que por imanência vital surge dos esconderijos da subconsciência, é, pois, o germe de toda religião, e a razão de tudo o que tem havido e haverá ainda em qualquer religião."

P. Como este sentimento religioso amadurece?
R. 
"Este sentimento, a princípio rudimentar e quase informe, gradualmente se aperfeiçoa sob o influxo do misterioso princípio que lhe deu origem, a par com os progressos da vida humana, da qual, como já ficou dito, é uma forma."

P. De acordo com os Modernistas, todas as religiões se originam desta forma?
R. 
Sim. "Esta é a origem de todas as religiões."

P. Podemos dizer o mesmo até da religião sobrenatural?
R. 
Sim. "Até mesmo da religião sobrenatural: não passa de um desenvolvimento deste sentimento religioso."

P. Mas os Modernistas não fazem uma excepção à religião católica?
R. 
Não. "A religião católica não é uma excepção; ela está para eles no mesmo nível das outras."

P. Por qual processo e na consciência de quem, dizem eles, a religião católica foi concebida?
R. 
"Ela foi concebida pelo processo de imanência vital, na consciência de Cristo, homem de natureza extremamente privilegiada, como outro não houve nem haverá."

P. Isto não é uma blasfémia?
R. 
Sim. "Fica-se pasmo ao ouvir afirmações tão audaciosas e sacrílegas."

P. Certamente, Santo Padre, somente os incrédulos podem defender tais ensinamentos. É possível que sacerdotes sigam este falatório estúpido?
R. 
"Ah, responde o Soberano Pontífice, não se trata apenas do falatório estúpido dos incrédulos. Há muitos católicos, e muitos sacerdotes também, que afirmam estas coisas publicamente, e ainda se vangloriam de que reformarão a Igreja com estes delírios!"

P. O Modernismo não parece ser o velho erro de Pelágio?
R. 
"Não se trata aqui do velho erro, que atribuía à natureza humana uma espécie de direito à ordem sobrenatural. Vai-se ainda mais longe."

P. Poderia explicar?
R. 
"Chega-se até ao ponto de afirmar que a nossa santíssima religião, no homem Cristo assim como em nós, é emanação inteiramente espontânea da natureza. Certamente não há nada mais destruidor de toda a ordem sobrenatural."

P. O que o Concílio Vaticano (I) definiu quanto a esta doutrina?
R. 
"Com suma razão o Concílio Vaticano (I) definiu: Se alguém disser que o homem não pode ser por Deus elevado a um conhecimento e perfeição que supere as forças da natureza, mas por si mesmo pode e deve, com incessante progresso, chegar finalmente a possuir toda a verdade e todo o bem, seja anátema (De Revel., can. III)."


7. Acção da Inteligência na Fé

P. Os Modernistas encontram fé somente no sentimento? A inteligência não tem sua parte no acto de fé?
R.
 "Até o momento não houve menção à acção da inteligência. Contudo, segundo as doutrinas dos Modernistas, ela também tem sua parte no acto de fé. E é importante ver como."

P. O sentimento, segundo os Modernistas, é suficiente para o conhecimento de Deus, objecto e causa da fé?
R. 
"Naquele sentimento do qual nós falamos muitas vezes, uma vez que sentimento não é conhecimento, Deus de facto Se apresenta ao homem, mas de modo tão confuso e indistinto que Ele mal pode ser percebido pelo crente."

P. O que mais é necessário ao sentimento?
R.
 "É necessário que um raio de luz seja lançado sobre aquele sentimento, de maneira que Deus possa ser claramente distinto e separado do sentimento."

P. Então, esta iluminação é o papel da inteligência no acto de fé Modernista?
R. 
"Este é o papel da inteligência, à qual somente cabe o reflectir e o analisar, e por meio da qual o homem a princípio traduz em representações mentais os fenómenos da vida que nele aparecem, e depois os manifesta com expressões verbais. Segue-se disso esta vulgar expressão dos Modernistas: o homem religioso deve pensar a sua fé."

P. Que paralelo os Modernistas utilizam para explicar a a ção da inteligência sobre o sentimento, no acto de fé?
R. 
"A inteligência, ao encontrar o sentimento, inclina-se sobre ele, e nele produz um trabalho parecido com o de um pintor que restaura e dá nova vida aos traços de um quadro estragado pelo tempo. O paralelo é de um dos mestres do Modernismo."

P. Qual é o trabalho da inteligência na produção do acto de fé?
R. 
"O trabalho da inteligência é duplo."

P. Qual é o primeiro?
R. 
"Primeiro, a inteligência, por um acto natural e espontâneo, expressa os seus conceitos com uma proposição simples e comum."

P. E o segundo?
R. 
"Depois, com reflexão e consideração mais profunda, ou, como dizem eles, elaborando o seu pensamento, exprime o que pensou com proposições secundárias, certamente derivadas da primeira, porém, mais polidas e distintas."

P. Como podem essas proposições secundárias, fruto do trabalho da inteligência realizado no seu próprio pensamento, tornar-se dogmas? 
R. "Estas proposições secundárias, se forem finalmente sancionadas pelo supremo magistério da Igreja, constituirão o dogma."


8. O Dogma

P. Não é o dogma o ponto principal da doutrina dos Modernistas?
R. 
"Na doutrina dos Modernistas, chegamos a um dos pontos principais, que é a origem e a natureza do dogma."

P. Qual é a origem do dogma para os Modernistas?
R. 
"Eles situam a origem do dogma naquelas fórmulas primitivas e simples que, sob certo aspecto, são necessárias à fé; pois a revelação, para ser verdadeiramente tal, requer uma clara manifestação de Deus na consciência. Mas o dogma mesmo, ao que parece, está contido nas fórmulas secundárias."

P. De acordo com os Modernistas, como poderemos conhecer a natureza do dogma?
R. 
"Para conhecer bem a natureza do dogma, é preciso primeiro descobrir que relação existe entre as fórmulas religiosas e o sentimento religioso."

P. Como descobriremos essa relação?
R. 
"Isto será facilmente compreendido por quem souber que estas fórmulas não têm outro fim senão o de propiciar ao crente um modo de explicar a sua própria fé a si mesmo."

P. Essas fórmulas estão situadas entre o crente e a sua fé?
R. 
"Essas fórmulas, portanto, são intermediárias entre o crente e a sua fé;
- com relação à fé, são expressões inadequadas do seu objecto, e são normalmente denominadas símbolos pelos Modernistas; 
- com relação ao crente, reduzem-se a meros instrumentos."

P. O que podemos dizer da verdade expressa nessas fórmulas?
R. 
"Que não é possível afirmar que elas exprimem uma verdade absoluta."

P. Como símbolos, o que essas fórmulas são para os Modernistas?
R. 
"Como símbolos, essas fórmulas são meras imagens da verdade, e portanto devem adaptar-se ao sentimento religioso, na sua relação com o homem."

P. Como instrumentos, que são essas fórmulas?
R. 
"Como instrumentos, são veículos da verdade, e assim por sua vez devem adaptar-se ao homem, na sua relação com o sentimento religioso."


9. Variabilidade do Dogma

P. Essas fórmulas (símbolos da fé e instrumentos do crente) são invariáveis?
R. 
"Como este sentimento religioso tem por objecto o absoluto, ele apresenta infinitos aspectos, dos quais pode aparecer hoje um, amanhã outro. De modo semelhante, aquele que crê pode passar por diversas etapas. Segue-se que também as fórmulas, que chamamos dogmas, devem estar sujeitas às mesmas vicissitudes, e por isso também podem variar."

P. Há uma evolução intrínseca do dogma?
R. 
"Temos, assim, o caminho aberto à evolução intrínseca do dogma. Eis uma imensa colecção de sofismas, que subvertem e destroiem toda a religião."

P. Essa evolução intrínseca do dogma, além de possível, é também necessária?
R. 
"O dogma não só pode como deve realmente evoluir e mudar. Isto é ousadamente afirmado pelos Modernistas, e claramente se deduz dos seus princípios."

P. De que princípio fundamental os Modernistas deduzem a necessidade da evolução intrínseca dos dogmas?
R. 
"Dentre os principais pontos da doutrina deles há também este, que deduzem do princípio da imanência vital: as fórmulas religiosas, para que realmente sejam tais e não só meras especulações teológicas da inteligência, precisam de ser vitais e viver da mesma vida do sentimento religioso."

P. Já que essas fórmulas precisam ser animadas pela própria vida do sentimento religioso, não devem elas ser feitas para o sentimento religioso?
R. 
"Isto não deve ser entendido no sentido de que essas fórmulas, especialmente se forem só imaginárias, sejam feitas para o sentimento religioso; pois nada importa a sua origem nem o seu número, nem a sua qualidade; o que é necessário é que o sentimento religioso, que as modifica quando é preciso, as assimile vitalmente."

P. O que é assimilação vital pelo sentimento?
R. 
"Em outras palavras, é preciso que a fórmula primitiva seja aceite e confirmada pelo coração; e que a subsequente elaboração das fórmulas secundárias seja feita sob a direcção do coração."

P. Como a necessidade da assimilação vital induz à variação substancial do dogma?
R. 
"Tais fórmulas, para serem vitais, hão-de ser e ficar adaptadas tanto à fé quanto ao crente. Por isso, se por qualquer motivo cessar essa adaptação, perdem a sua primitiva significação e devem ser mudadas."

P. Que consideração tem os Modernistas pelas fórmulas dogmáticas?
R. 
"Sendo assim mutável o valor e a sorte das fórmulas dogmáticas, não é de admirar que os Modernistas tanto as desprezem e escarneçam, e que por conseguinte só reconheçam e exaltem o sentimento e a vida religiosa."

P. Que atitude os Modernistas tomam em relação à Igreja quanto às fórmulas dogmáticas?
R. 
"Audaciosamente eles criticam a Igreja, acusando-a de ter tomado o caminho errado devido a não saber distinguir entre o sentido material das fórmulas e a sua significação religiosa e moral, e acusando-a também de agarrar-se obstinadamente, mas em vão, a fórmulas falhadas de sentido, enquanto deixa a própria religião rolar para o abismo."

P. Qual deve ser o nosso julgamento final sobre as doutrinas dos Modernistas em relação à verdade dogmática?
R. 
"Cegos, na verdade, a conduzirem outros cegos, são esses homens que, inflados pelas ostentações da ciência, deliram ao ponto de perverter o eterno conceito de verdade e a verdadeira natureza do sentimento religioso, de modo que com esse seu novo sistema são arrastados por desenfreada mania de novidades, não procuram a verdade onde certamente se acha; mas, desprezando as santas e apostólicas tradições, se apegam a doutrinas ocas, fúteis, incertas, reprovadas pela Igreja, com as quais homens estultíssimos julgam fortalecer e sustentar a verdade. (Greg. XVI Ep. Encicl. "Singulari Nos" 7 Kal. Jul. 1834)."


Pe. J. B. Lemius, O. M. I. 


25
Ago 12
publicado por FireHead, às 13:52link do post | Comentar | Ver comentários (2)

Caríssimos, Salve Maria!

 

As imagens são escandalosas. Estamos realmente em tempos piores do que antes do dilúvio. Até onde vai o "aggiornamento"?

 

Quando o Filho do Homem voltar encontrará Fé sobre a terra?

 

Permaneçamos unidos ao Papa e à Igreja nesse tempo em que pastores viram lobos.

 

Com minha bênção,

 

Pe. Marcelo Tenório

 

 

Fotos da Missa no "dia do Maçom"

 

 

Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. (Papa Bento XVI)

 

 

Fonte: www.padremarcelotenorio.com


24
Ago 12
publicado por FireHead, às 23:12link do post | Comentar

Fonte: Vatican Insider / Tradução: Porta Fidei

 

O Cardeal Paul Shan Kuo-his, o mais velho dos três chineses membros do Colégio de Cardeais, morreu num hospital de Taipei, Taiwan, no último dia 22 de Agosto, após seis anos de luta contra um cancro.

 

A notícia da morte do cardeal levou milhares de católicos chineses a rezarem pelo prelado nas Missas em Taiwan, China, Hong Kong, Macau e muitos outros lugares, enquanto o Presidente de Taiwan, Ma Ying Jiu e outras autoridades civis e religiosas prestavam seus últimos tributos àquele grande e venerável homem.

 

Assim como o Bem-Aventurado João Paulo II, ele foi um exemplo de como devemos viver e como devemos nos preparar para nos encontrarmos com o Senhor, disse uma irmã religiosa que trabalhou de perto com o cardeal. Ela mencionou que quando as pessoas perguntavam se tinha medo de morrer, ele sempre respondia: Não! Morrer é cair nos braços amorosos de Deus.


O Cardeal Shan lutava contra um cancro do pulmão desde 2006. Em Agosto desse ano foi informado de que o seu cancro se havia espalhado pelo cérebro, por isso teve que se mudar de Kaohsiung para Taipei para fazer um tratamento mais rigoroso, incluindo cirurgia a laser. Era o último estágio da sua longa batalha pela vida, uma jornada conduzida por uma fé e confiança profundas em Deus, o que o tornou famoso e venerado por todo Taiwan, China e países que falam a língua chinesa.

 

Ele considerava o cancro uma “bênção” que abria muitas portas e o capacitava a explicar a fé católica em Taiwan, onde 97% da população não é cristã. Muitas pessoas estão surpresas por eu não estar com medo da morte, e encarando-a de uma forma tão calma. Então, eles querem-me ouvir, dizia.

 

Convites para pregações não paravam de chegar, e ele dava prioridade a três categorias: intelectuais como universitários e doutores, condenados a prisão e grupos religiosos – incluindo budistas, taoístas e protestantes. Eu tenho explicado a nossa fé católica para não cristãos muito mais nestes anos do que nos 60 anos em que fui jesuíta, afirmava o prelado.

 

Quando em 5 de Fevereiro de 2007, por exemplo, 100 especialistas em cancro do pulmão perguntaram a ele quais meios além da medicina você usa?, ele respondeu: um que vocês nunca prestaram atenção: minha fé. Ele disse-lhes: A minha fé cristã é muito simples. Apenas uma palavra, amor, porque Deus é amor e a natureza de Deus é imenso amor. O cardeal Shan explicou-lhes que não estava com medo da morte, porque ele sabia que depois dela, iria gozar eternamente da vida de Deus, o que é uma vida de imenso amor.


O Cardeal Shan nasceu em Puyang, no nordeste da província de Henan, em 3 de Dezembro de 1923. Juntou-se aos jesuítas de Pequim em 1946, fez os seus votos em Setembro de 1948 e foi enviado para a China continental a fim de estudar para o sacerdócio antes de os comunistas chegarem ao poder em 1949. Após a sua ordenação sacerdotal nas Filipinas, foi enviado para estudar na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Depois disso, foi enviado para trabalhar primeiro no Vietname e em seguida, em Taiwan, onde passou o resto da sua vida servindo como bispo primeiro de Hwalien e depois de Kaohsiung. João Paulo II fê-lo cardeal em 1998 – o quinto cardeal chinês da história da Igreja. No mesmo ano foi “Relator Geral” no Sínodo da Ásia, e em 2007 o Papa Bento XVI escolheu-o para membro da Comissão papal para Igreja da China, cuja situação sempre esteve próxima do seu coração.

 

Desde o começo dos anos 80, Pequim tem sido atencioso com os cardeais vindos da Itália, Bélgica, França, Escócia, EUA, Filipinas e Vietname, mas não tem permitido os dois únicos cardeais chineses que nasceram no país – Paul Shan Kuo-hsi e Joseph Zen Ze-kiun de Hong Kong – visitarem as suas cidades natais.

 

Pequim só permitiu que Shan retornasse ao país uma única vez – em 1979. O bispo católico desejava muito retornar à sua terra, ao menos uma última vez antes de morrer, e encontrar de novo as suas irmãs mais novas e outros membros da família. Porém, as autoridades chinesas recusaram-se a conceder-lhe um visto em 2011, por o cardeal não ter aceitado visitar Pequim como uma das condições para receber o documento. O Cardeal Shan sabia que se fosse à capital chinesa, a sua visita poderia ser manipulada por razões políticas, decorrentes do seu encontro com lideranças do governo que controlam a vida da Igreja Católica na China. Como um homem de princípios, esta grande alma não estava disposta a fazer esse compromisso para obter um visto.

 

 

Fonte: Porta Fidei


22
Ago 12
publicado por FireHead, às 23:09link do post | Comentar

19
Ago 12
publicado por FireHead, às 03:50link do post | Comentar | Ver comentários (2)


18
Ago 12
publicado por FireHead, às 03:37link do post | Comentar

«A religião não só é a condição da liberdade eficaz do pensamento, como é a condição da função hígida do pensamento» — Fernando Pessoa

 

Chamo a vossa atenção para um ensaio [em inglês] de Thomas Bertonneau (parte I, e Parte II) que se centra em T.S. Eliot e na cultura, neste caso, na cultura Icidental. Aconselho veementemente a sua leitura.

 

A tese principal do ensaio é a de que não é possível uma cultura sem religião. Aqui, “cultura” é entendida como cultura antropológica, e não como cultura intelectual em sentido estrito. Portanto, e melhor dizendo, não é possível a formação de uma cultura antropológica sem uma religião. Podemos discutir se essa religião é A ou B, se deve ser esta ou aquela, mas devemos aceitar como racional a proposição segundo a qual não é possível a formação de uma cultura antropológica — e a sua manutenção como instrumento de coesão social — sem uma religião.

 

Montesquieu estava certo quando afirmou que “se Deus não existisse, teria que ser inventado”. E o problema da nossa sociedade moderna é o de que os deuses que se inventaram para substituir o Deus da religião cristã são deuses humanos — e por isso coloca-se o problema das autoridades de direito e de facto, não só na ética mas também na fundamentação das normas do Direito. Quando os seres humanos pretendem fundamentar a ética sem Deus, criam para si mesmos um problema enorme e irresolúvel, como podemos verificar na eterna polémica, sem fim à vista, entre os dois tipos de cepticismo da modernidade: o cepticismo de Hume (externalista) e o de Kant (internalista).

 

A tese de Eric Voegelin do ataque dos gnósticos modernos — leia-se: gnósticos modernos = elites modernas, ou a chamada “ruling class” — à cultura antropológica europeia e ocidental, tem como fundamento a acção propositada e deliberada de destruição, por parte das elites modernas e contemporâneas, da espiritualidade humana presente na cultura antropológica, a qual advém da própria religião que contribuiu decisivamente para a formação dessa mesma cultura antropológica.

 

As elites gnósticas modernas justificam o seu ataque feroz e destrutivo à cultura antropológica e, portanto, à religião cristã, mediante o conceito de “igualitarismo”. Mas este argumento é contraditório em si mesmo, porque a noção de “elite” é, por sua própria natureza, não-igualitarista. Segue-se que o argumento do igualitarismo é apenas e só um pretexto de que a elite se serve para prosseguir uma agenda política de destruição da espiritualidade e da religião que cimentam a cultura antropológica do Ocidente.

 

Tal como aconteceu com os gnósticos da antiguidade tardia, o objectivo dos gnósticos modernos é o de fracturar a sociedade em duas categorias de pessoas: os novos “Pneumáticos” — os que, alegadamente, detém o conhecimento e o saber, e por isso, destinados à “salvação” — e os novos Hílicos, que constituem a maioria e também a “escória da sociedade” — são os que precisam de ser guiados, como se de animais irracionais se tratassem, porque se presume não têm salvação possível. Este maniqueísmo gnóstico é “desmontado” por TS Eliot no ensaio de Thomas Bertonneau, quando se coloca em causa a autoridade do saber e o conhecimento dos gnósticos modernos, e na medida em que a especialização académica não é sinónimo de saber e de conhecimento absolutos: a especialização é apenas e só um saber parcial.

 

A sub-ideologia igualitarista, que faz parte do politicamente correcto do nosso espírito do tempo, nada mais é do que a tentativa de formatar a sociedade gnóstica que não vingou na antiguidade tardia por acção contrária do Cristianismo — sublinhando uma clivagem social e cultural abrupta entre as “bestas” [o povo], por um lado, e os “tios”, sendo que estes últimos fazem parte da ruling class. A actual ruling class não é uma aristocracia propriamente dita, tal como existiu no Ancien Regime, porque embora a aristocracia seja composta por indivíduos, qualquer indivíduo da aristocracia do Ancien Regime estava intimamente ligado ao povo mediante a cultura antropológica que é comum e transversal à sociedade inteira — o que não acontece hoje com as elites: pelo contrário, as elites modernas revoltaram-se contra o povo, em nome de um paternalismo em relação ao povo.

 

É dentro deste espírito de segmentação das sociedades ocidentais entre os “tios” gnósticos e minoritários, por um lado, e as “bestas” maioritárias, por outro lado [sendo que os primeiros se opõem deliberadamente aos segundos quando pretendem a destruição da cultura antropológica] que assistimos à sinificação das sociedades ocidentais; e esta tentativa de sinificação das sociedades ocidentais encontra eco num compromisso táctico entre a plutocracia globalista, por um lado, e a esquerda radical e gnóstica por excelência, por outro lado.

 

«O princípio do regime totalitário é a fé dos militantes e o medo dos dissidentes» — Raymond Aron [“Democracia e Totalitarismo”, 1965]

 

Para além do argumento do igualitarismo, os gnósticos modernos, aka, elites modernas, utilizam um outro argumento: o argumento dos “direitos humanos” que, alegadamente, justificam hoje o ideário da absoluta autonomia do indivíduo.

 

O francês Marcel Gauchet — que de conservador tem quase nada, e portanto, é insuspeito — chamou à atenção para esta estratégia dos gnósticos modernos no seu livro “Os Direitos Humanos Não São Uma Política” [1983]. Nas chamadas democracias liberais ocidentais, as elites gnósticas modernas e coevas [ruling class] servem-se da bandeira dos Direitos do Homem para irem aumentando paulatinamente a organização burocrática da sociedade por intermédio do combate às tradições e à religião; e essa organização burocrática em crescimento é tutelada por essas mesmas elites neognósticas. Este incremento da burocracia nas democracias liberais [por exemplo, na imposição da burocracia da União Europeia a todas as democracias da Europa] conduz a um anonimato generalizado [atomização da sociedade], em que o conhecimento social de todas as espécies possíveis e imagináveis de direitos e liberdades [por exemplo, no Bloco de Esquerda] têm como contraponto o retraimento narcísico do indivíduo, e o seu desinteresse pela coisa pública.

 

E a omnipresente encenação da liberalização dos costumes [por exemplo, “casamento” gay, adopção de crianças por pares de homossexuais, eutanásia, divórcio unilateral e na hora, aborto a pedido e discricionário, tolerância legal em relação ao infanticídio, políticas dirigidas contra a família natural, etc.] , defendida pela elite neognóstica contra a cultura antropológica que inclui naturalmente a religião, encobre a propensão para um mimetismo, um seguidismo e um conformismo sem precedentes, e que constituem, em si mesmos, um rastilho para a explosão de um novo tipo e, por isso, inédito, de totalitarismo.

 

Chegamos a um ponto em que vamos ter que reaprender a cultura antropológica e a História que as elites modernas e gnósticas tudo fizeram para destruir. E a religião, principalmente a religião católica, tem um papel histórico e único a desempenhar neste caminho necessário de reaprendizagem da cultura antropológica e da herança histórica, sem as quais entraremos inexoravelmente em uma nova era totalitária.

 

 

Fonte: perspectivas


17
Ago 12
publicado por FireHead, às 00:03link do post | Comentar

 

Leah Libresco, blogueira americana ateia, anunciou no seu conhecido site a conversão ao Catolicismo


Por Salvatore Cernuzio



ROMA — É uma história maravilhosa de conversão nos nossos dias, aquela de Leah Libresco, a popular blogueira americana ateia responsável do Patheos Atheist Portal.


No passado 18 de Junho uma postagem desta jovem filósofa, formada em Yale e colaboradora do Huffington Post, definitivamente chocou muitos seguidores — especialmente ateus — do seu blogue, chegando rapidamente a todas as partes do mundo.

“Esta é a minha última postagem” anunciava dramaticamente o título do artigo, onde a blogueira declarava ter finalmente encontrado a resposta para aquela sua “moral interna” que até agora o ateísmo não conseguia satisfazer: o Cristianismo. A resposta que durante anos Leah refutava e rejeitava com “explicações que buscam colocar a moralidade no mundo natural”. 

“Durante anos eu tentei argumentar a origem da lei moral universal que reconhecia presente em mim” explicou a blogueira; uma moralidade “objectiva como a matemática e as leis da física”. Nesta busca contínua de respostas, Leah se refugiou, por exemplo, na filosofia ou na psicologia evolutiva.

“Eu não pensava que a resposta estivesse ali” admite, mas ao mesmo tempo “não podia mais esconder que o Cristianismo demonstrava melhor do que qualquer outra filosofia aquilo que reconhecia já como verdadeiro: uma moral dentro de mim que o meu ateísmo, porém, não conseguia explicar”. 

Os primeiros “sinais” de conversão vieram no dia de Domingo de Ramos, quando a blogueira participou num debate com os alunos de Yale para explicar de onde deriva a lei moral. Durante a explicação, foi interrompida por um jovem que “buscava fazer-me pensar — como ela mesma lembra — pedindo-me para não repetir a explicação dos outros, mas para dizer o que eu pensava sobre isso”. 

“Não sei, não tenho uma ideia” é a resposta da Leah diante de uma pergunta simples, mas inquietante. “A sua melhor hipótese?”, continuou o jovem, “não tenho uma”, ela responde.

“Terá talvez alguma ideia”, continua ele; “não o sei... mas acho que a moral tenha se apaixonado por mim ou algo parecido” tenta falar a filósofa, mas o rapaz neste momento diz-lhe o que pensava.

Reflectindo, a mulher diz: “Percebi que, como ele, eu acreditava que a moral fosse objectiva, um dado independente da vontade humana”. Leah descobre portanto que também ela crê “numa ordem, que implica alguém que o tenha pensado” e “na existência da Verdade, na origem divina da moral”.

“Intuí — explica ainda — que a lei moral como a verdade pudesse ser uma pessoa. E a religião católica me oferecia a estrada mais razoável e simples para ver se a minha intuição era verdadeira, porque diz que a Verdade é vivente, que se fez homem".

Pedindo depois àquele jovem o que lhe sugeria fazer, a filósofa ateia convicta, começa a rezar com ele a Completa no Livro dos Salmos e continua “a fazê-lo sempre, também sozinha”.

Anos e anos de teorias, provas, convicções, desmoronados diante da única Verdade: Deus. Publicada no portal, a história de Leah provocou reacções diversas e milhões de comentários. Basta pensar no facto de que tenha sido postada no Facebook 18 mil vezes e que a sua página web tenha recebido, segundo o director do blogue, Dan Welch, cerca de 150 mil acessos.

Muitos comentários são acusadores, pessoas ateias que se sentem “traídas” por aquela que era para eles uma líder. Muitos outros, ao contrário, são de católicos que, como muitos não-crentes, seguiam o blogue. Alguns expressaram as suas felicitações e disseram: “Estou tão feliz por você. Rezei tanto. A aventura está apenas começando.”

Entrevistada pela CNN, Libresco, no entanto, confessou ter ainda muito a entender e estudar sobre aquilo que sustenta a Igreja sobre questões de moral, como por exemplo a questão da homossexualidade que a deixa ainda “confusa”. “Mas não é um problema” afirmou, enquanto que tudo do que ela se convenceu “é razoável”.

Depois da conversão, a mulher procurou também uma comunidade católica, “escandalizando os amigos” mais incrédulos. “Se me perguntam como estou hoje respondo que estou feliz — diz a blogueira — o melhor período que você pode viver é quando você se dá conta de que quase tudo o que você pensava que era verdadeiro, na verdade era falso”.

Ainda à CNN, a blogueira contou que se sentia “renascida uma segunda vez”: “É óptimo participar da Missa e saber que ali está Deus feito carne — declarou — um facto que explica tantas outras coisas inexplicáveis”. 

Neste ponto, a questão que mais causa curiosidade é o que fará Leah do seu popular blogue ateu? Uma pergunta que tem assombrado a mesma autora todos os dias depois daquela fatídica tarde em Yale.

“Parar de escrever? — Diz na sua postagem — continuar em um estilo cripto-católico esperando que ninguém perceba (como fiz no último período)?” Após um exame demorado, a solução foi outra: “A partir de amanhã, o blogue será chamado Patheos Catholic Channel e será usado para discutir com os ateus convictos, como fazia antes com os católicos”. 

O motivo? “Se a pessoa é honesta — explica — não tem medo de entrar em diálogo. Eu recebi uma resposta sobre o que buscava porque aceitei colocar-me em diálogo. O interessante de muitos ateus é que fazem críticas e pedem provas. Uma coisa utilíssima à Igreja, que não deve ter medo porque está do lado dos factos e da razão”.



Fonte: Zenit (30 de Julho de 2012)

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16
Ago 12
publicado por FireHead, às 00:49link do post | Comentar
O paganismo é um tipo de religiosidade que agrega crenças e cultos a distintas formas de divindades. Existe uma variedade muito grande sobre aquilo que se pode denominar pagão. Os movimentos pagãos geralmente são politeístas, panteístas e animistas. Por via da regra, o paganismo atribui divindade aos elementos do universo e da natureza. Para se ter uma ideia mais ampla, o paganismo confere um espírito ou entidade divina a todos os elementos da criação.

Desde os tempos mais antigos da humanidade o paganismo foi sendo desenvolvido por grupos nómadas que atribuíam divindades aos elementos da natureza. Toda a cultura e religião se apoiam na mãe natureza.

Assim existe o deus do sol, a deusa da lua, o deus da caça, a deusa da fertilidade, o deus do mar, etc. Um atributo comum entre todos os povos pagãos é a existência de deuses e deusas, mas às vezes tendo a figura feminina como dominante por estar ligada a mãe natureza.

Dentro do paganismo tudo pode ser relativo, pois a ideia de dualismo não é absoluta. Assim não há oposição entre o bem e o mal, o céu e o inferno, o espírito e a matéria. Desta maneira, não permanece a noção de pecado como um mal integral. No entanto, existem correntes do paganismo que são altamente dualistas principalmente as que foram influenciadas pelo pensamento platónico e alguns outros pensadores gregos.

Como existem diversas formas de paganismo, cada individuo pode manifestar a sua fé de forma individual ou através de grupos que comungam da mesma tradição, popularmente conhecidos como tribos ou clãs. Para muitos estudiosos, o paganismo é uma espécie de cultura que expressa uma espiritualidade peculiar de vários povos em diversas localidades. Entre os povos da antiguidade se destacam como pagãos os celtas, os egípcios, os babilónicos, os gregos e os romanos.

(...)

No Egipto antigo, os principais deuses eram: Amon-Rá - deus do sol, Ísis – deusa da fertilidade e Osíris – deus da fecundidade. A personificação destes deuses na terra era através do Faraó que também era adorado e venerado pelos os egípcios.

Na antiga Grécia dentre a diversidade de deuses, os principais deuses eram: Zeus – deus dos deuses, Poseidon – deus dos mares e Hades – deus das regiões inferiores (Inferno). Todos eram filhos de Gaia – A mãe da terra ou mãe natureza.

Com relação aos deuses as afrontas são sempre directas e pessoais, ou seja, um deus pode castigar um ao outro como um ser humano pode ser castigado por uma divindade ofendida.

Em Roma os deuses eram semelhantes aos deuses gregos, assim Júpiter era o deus dos deuses, Neptuno o deus dos mares e Marte o deus da guerra. O politeísmo pagão foi perdendo forças com o avanço do Cristianismo em Roma.

(...)

O paganismo é um cancro na humanidade, pois apoia-se no relativismo para distorcer os princípios morais da verdade.

Na mente pagã não existe nada errado, tudo é permitido – cada pessoa deve viver em satisfação dos seus próprios desejos e prazeres. Deste modo, existe um deus ou uma força na natureza para satisfazer cada desejo humano. Assim como existe a deusa do amor (Afrodite), também existe a deusa da castidade (Diana). Como existe o deus do Inferno (Hades) também existe o deus dos Céus (Zeus). Existe o deus da glutonaria (Momo), também o deus da bebedice (Baco) – E por ai vai...

Há milhares de divindades pelo mundo fora, elas podem ser conhecidas por nomes diferentes, mas a entidade é a mesma. Um grande exemplo é Poseidon deus grego dos mares, Neptuno deus romano dos mares e Iemanjá deusa brasileira do mares. A mesma Afrodite conhecida entre os gregos como a deusa das orgias sexuais é a mesma entidade Pomba Gira entre o brasileiros.



“São deuses, deusas, entidades e divindades para dar e vender”.


Giliardi Rodrigues
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publicado por FireHead, às 00:09link do post | Comentar
Clique na imagem para ler o texto.


15
Ago 12
publicado por FireHead, às 00:35link do post | Comentar

Hoje, solenemente, celebramos o facto ocorrido na vida de Maria de Nazaré, proclamado como dogma de fé, ou seja, uma verdade doutrinal, pois tem tudo a ver com o mistério da nossa salvação, e sendo a Igreja, assim definido pelo Papa Pio XII em 1950: "A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial."

 

Antes, esta celebração, tanto para a Igreja do Oriente como para o Ocidente, chamava-se "Dormício" (= passagem para a outra vida), até que se chegou ao de "Assunção de Nossa Senhora aos Céus", isto significa que o Senhor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Mãe, principalmente alcançados em meio às aceitações e oferecimentos das dores.

 

Maria contava com 50 anos quando Jesus a ascendeu aos Céus e, já tinha sofrido com as dúvidas do seu esposo, o abandono e pobreza de Belém, o desterro no Egipto, a perda prematura do Filho, a separação no princípio do ministério público, o ódio e perseguição das autoridades, a Paixão, o Calvário, a morte do Filho, embora tanto sofrimento, São Bernardo e São Francisco de Sales é quem nos aponta o amor pelo Filho que havia partido como motivo da sua morte.

 

Portanto a Virgem Maria ressuscitou, como Jesus, pois a sua alma imortal uniu-se ao corpo antes da corrupção tocar naquela carne virginal, que nunca tinha experimentado o pecado. Ressuscitou, mas não ficou na terra e sim imediatamente foi levantada ou tomada pelos anjos e colocada na Igreja Triunfante como Nossa Senhora, Mãe e Omnipotência Suplicante assunta aos Céus!

 

Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

 

 

Fonte: Canção Nova


14
Ago 12
publicado por FireHead, às 01:04link do post | Comentar

 

Não consigo compreender como e porque é que há (muitas) pessoas que fazem ou cumprem promessas de joelhos ou a arrastar-se no santuário de Fátima. Será que essas pessoas têm a ideia de que Deus se compraz com o sofrimento? Ou, pior, que Nossa Senhora se exulta de alegria ao ver os seus devotos em autênticas cenas de puro masoquismo?


Nunca aceitei bem isso, e sei que nunca o hei-de aceitar. Mais: encontro até um paralelismo entre esse tipo de acções com o fanatismo dos filipinos ou dos mexicanos na altura da Páscoa, quando anualmente recriam a cena da Via Sacra com direito a uma real crucifixão. Espero bem também que nada disso, todas essas promessas de sofrimento gratuito, agrade a Deus, e sobretudo a Ele. Isso parece-me ser resultado duma espécie de "fé interesseira". Um negócio que esses pedintes/pagantes de promessas estabelecem com Deus. Acredito que a grande maioria dessa gente é gente com pouca ou nenhuma formação católica, gente que inclusive, devido certamente a uma infalível ignorância e desconhecimento daquilo que é verdadeiramente o Cristianismo, acredita que Nossa Senhora é o fim que procuram e não um meio que nos leva até Deus.


Que estranha forma de viver a Fé...


Nossa Senhora é a Porta do Céu, pois foi através dela que Deus veio ao mundo fazendo-se Homem, portanto devemos amá-la com todo o nosso coração, pois só assim saberemos amar a Deus. Rezemos muito a Nossa Senhora para que ela interceda sempre por nós junto de Deus.

 

Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja louvada a Sua Mãe Maria Santíssima!!


13
Ago 12
publicado por FireHead, às 19:18link do post | Comentar

 

Como ficar indiferente? O cenário de Fátima é quase sempre assim. Lá estão as pessoas a rezar o terço, de joelhos, em volta da capelinha das aparições. A maior parte já vem desde o cimo da esplanada do santuário… assim, de joelhos. Em todos eles um rosto de sofrimento, de angústia. Porquê de joelhos? Que sentido tem arrastar-se? Será que Deus quer isso?

 

O sofrimento é um mistério. Está presente na vida de todas as pessoas, mesmo se nós procuramos evitá-lo a todo o custo. E, no entanto, ele lá está.

Olha para a vida das três crianças a quem Nossa Senhora apareceu. Eles não são excepção. A par da felicidade imensa de verem Maria e de conhecerem profundamente a Deus, viveram momentos de sofrimento enorme. Foram caluniados, chamados de mentirosos, ameaçados, interrogados milhares de vezes. Sofreram a doença e a dor de se separarem uns dos outros. Francisco e Jacinta morreram muito cedo e a Lúcia ficou sozinha... Maior sofrimento para eles foi o perceberem como Deus sofre. «Está muito ofendido», diziam, com as nossas asneiras, os nossos pecados, os problemas que provocamos uns aos outros... E Deus sofre. Porque O amavam muito, também eles sofriam por compreenderem isso.

Não sofre uma mãe por ver um filho sofrer? Não sofre um filho por saber do sofrimento dos pais? Quem ama sofre sempre. Quem ama está feliz por causa do amor e sofre pelo facto de amar. Quem tem um namorado, sente-se muito feliz por ter o seu amor. Mas se lhe acontece algum problema sofre com isso. Passa mais tempo ao seu lado. Esquece-se do que gostava de fazer para estar com ele. Sacrifica os seus gostos para o consolar; faz o que lhe dá gosto a ele. Não há dúvida que o sofrimento faz parte da vida. Mas, que fazer? Como reagir? Revoltar-se não é solução. Não resolve nada.

 

 

Dois caminhos

 

Só existem dois caminhos para responder ao sofrimento. O primeiro é lutar contra ele. Por exemplo, procuram-se todas as possibilidades para curar uma doença ou para resolver uma zanga dentro da família ou entre amigos. Mas há situações que são demasiadamente complexas. Ultrapassam-nos, esmagam-nos; são maiores que toda a força que possamos ter. Sentimo-nos completamente incapazes de fazer seja o que for. O outro caminho para ultrapassar o sofrimento é colocá-lo nas mãos de quem é infinitamente maior que nós: Deus.

 

 

Como foi com Jesus

 

Olhemos para Jesus nos últimos momentos da Sua vida. Diz-nos o Evangelho que ao chegar ao Jardim das Oliveiras, pôs-se a orar. Estava em profundo sofrimento. Sabia que brevemente Judas chegaria com os soldados que O iam prender. Precisava de companhia. Mas os discípulos não perceberam nada. Em vez de rezarem com Ele começaram a dormir. Jesus estava sozinho, angustiado. Sentia-se perseguido e abandonado. Mas não se revolta. A Sua confiança em Deus era inabalável. Chama-Lhe «Abba», quer dizer, «Paizinho». «Papá, Eu quero o que Tu queres. Eu quero amar até ao fim, mesmo se isso implicar a minha morte.» E já na cruz, prestes a morrer gritou para o Pai.

Quando nós já não podemos nada, Deus pode tudo! Angustiado, Jesus clama «Meu Deus porque Me abandonaste?», mas confiante e seguro do Amor do Pai dá outro grito: «Pai, perdoa-lhes que não sabem o que fazem.» Jesus tem esta atitude espantosa: no momento da morte, pediu perdão para aqueles que O matavam!!!

 

 

Confiar

 

Entregar o nosso sofrimento nas mãos de Deus alivia o peso. Confiar-Lhe aquilo que nos acontece e que não compreendemos é sair da confusão interior. É o caminho de libertação. É como sentar-se no colo da mãe. Cada pessoa encontra a sua forma de exteriorizar: uns acendem velas, outros andam de joelhos, outros participam mais vezes na Eucaristia, outros fazem tempos de oração numa igreja silenciosa, outros sacrificam-se... O importante é que cada um não vire as costas a Deus, mas O aceite como companheiro, um suporte, alguém que dá sentido ao sofrimento... Deus conhece o sofrimento de cada um e sabe o que significa o gesto que ele faz. Quando estiveres em Fátima, lembra-te que podes confiar o teu sofrimento a Deus. Encontrarás uma forma de o exprimir.

 

 

Fonte: Audácia


publicado por FireHead, às 02:05link do post | Comentar

Ao ver um ateu defender a ideia segundo a qual os macacos têm moral, por alguns segundos acreditei sinceramente que fosse verdade!

 

Eu percebo que, para o ateísmo, a moralidade é puro adestramento comportamental [behaviourismo]: adestra-se a besta humana a responder a estímulos segundo o princípio de Pavlov, e temos ética! Depois da besta humana devidamente adestrada mediante o reflexo condicionado, o ateísmo conclui então que o comportamento daí resultante é a própria moralidade.

 

Um fenómeno da nossa cultura universitária coeva é falta de leitura dos clássicos. A academia contemporânea vive exclusivamente no presente, e por isso diz e faz muitas asneiras. A academia actual não aprende com o passado e com a história das ideias.

 

Os ateus não têm culpa de ser estúpidos porque, ao contrário do que acontece com a moral que é independente do QI da pessoa, a estupidez decorre da genética ou da epigenética.

 

 

S. Tomás de Aquino, no século XIII, demonstra por que os ateus são estúpidos.

 

S. Tomás de Aquino fez a diferença entre o arbítrio no ser humano, por um lado, e o arbítrio num animal irracional, por outro lado.


Dizia o santo que a principal diferença entre os dois arbítrios é a de que o ser humano é capaz de representar o objecto do seu desejo na ausência desse objecto e, portanto, o arbítrio do ser humano é livre — enquanto que um animal irracional não é capaz de o fazer e, portanto, o arbítrio de um animal irracional não é livre.

 

Vai daí — conclui o santo com pertinência — que, no ser humano, que é um animal racional, a vontade é um desejo informado pelo intelecto (ou seja, informado pela razão), o que não acontece, por exemplo, com os macacos e com os ateus.

 

 

in perspectivas


12
Ago 12
publicado por FireHead, às 19:58link do post | Comentar | Ver comentários (2)

Igreja da Santíssima Trindade elevada a Basílica

 

O templo, inaugurado em 2007 em Fátima, foi elevado a basílica pela Santa Sé. O anúncio foi feito esta tarde pelo Bispo de Leiria Fátima.

 

O título foi concedido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos da Santa Sé. Esta elevação surge em resposta a uma carta de António Marto enviada ao prefeito daquela congregação, Cañizares Llovera, manifestando o pedido de muitos fiéis para que a Igreja da Santíssima Trindade obtivesse o título de basílica.

 

A concessão do título "seria mais um estímulo a intensificar o vínculo dos peregrinos pela cátedra de São Pedro", considerou o bispo António Marto na carta.

 

Por seu turno, para Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, a atribuição deste título "situa-se no contexto da celebração do Centenário das Aparições", que se assinalará em 2017.

 

"A concessão do título de basílica a uma igreja põe em evidência sobretudo o vínculo de especial comunhão com o Papa. Esta é uma dimensão importante da mensagem de Fátima", disse o reitor.

 

Inaugurada a 12 de Outubro de 2007, no âmbito do encerramento das comemorações do 90º aniversário das aparições da Cova da Iria, a Igreja da Santíssima Trindade foi já distinguida com o Prémio Secil de Engenharia Civil 2007 e com o Prémio Internacional de Estruturas, em 2009. O arquitecto responsável pelo desenho da Igreja da Santíssima Trindade é o grego Alexandros Tombazis e o engenheiro encarregue da enorme estrutura é José Mota Freitas.

 

O templo, que custou cerca de 70 milhões de euros, tem duas zonas principais, uma dedicada à reconciliação e outra a nave principal, que forma um círculo de 125 metros de diâmetro. Tem capacidade para 8633 lugares sentados.

 

 

in Diário de Notícias


11
Ago 12
publicado por FireHead, às 01:38link do post | Comentar

Hoje, gostaria de compartilhar algo com os leitores deste blogue. Nada de muito especial, e nada que este apostolado já não tenha esclarecido em postagens anteriores, mas acho que valer a pena a postagem, pois nunca é demais esclarecer dúvidas e defender a verdade, como diz a primeira carta de São Pedro: "Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança." (I Pedro 3,15)

 

Ocorre que, em meio a uma pesquisa no Youtube, dei de caras com um vídeo intitulado (sem nenhuma cerimónia) "O fundador da Igreja Católica"... Não preciso nem dizer que era um filminho dos mais irresponsáveis, travestido de "documentário", afirmando aquela velha balela de que a Igreja Católica teria sido fundada por Constantino no 4º século. Deixei então um breve comentário tentando esclarecer ao autor do vídeo (que assina como 'Raphael Kriptos'), que, comprovadamente, no tempo de Constantino (imperador de 306 a 337), o Papa era Melcíades, 32º Sumo Pontífice da Igreja de Cristo depois de Pedro, e que, portanto não se pode afirmar que Constantino seja o fundador da Igreja, já que este apenas concedeu liberdade de culto aos cristãos, que obviamente já existiam desde o século I. Este blogue publicou postagens sobre este assunto, que podem ser lidas aqui, aqui, aqui e aqui.

No meu comentário expliquei, ainda, que a Igreja de Cristo já era chamada "Católica" (isto é, Igreja Universal, como consta na Carta aos Hebreus 12,22-24, que fala da Igreja dos santos, chamando-a de kαθολικός eκκλησία, ou Katholikón Ekklésia, e quer dizer, exactamente, Igreja Católica). Tudo que fiz, como se pode notar, foi compartilhar informações, apontando factos históricos conhecidos e bem documentados, não se tratando de opinião pessoal minha ou de quem quer que seja. Mas a resposta de Raphael chegou ao meu e-mail nos seguintes termos:

 

"E óbvio q os cristãos (já) existiam (antes de Constantino), mas não a igreja católica e nem mesmo pedro como papa, pois em nenhuma parte a bíblia cita pedro como um suposto líder de toda igreja, se (isto) existe nos mostre!"

 

Ignorando o facto de eu ter demonstrado que a Igreja de Cristo já era a Igreja Católica, que já era conduzida pelo Papa, desde o tempo dos Apóstolos, Raphael alega que os cristãos já existiam, mas não a Igreja e nem a autoridade do Papa... E só para não variar, ele exige que tudo que eu diga esteja escrito, literalmente, na Bíblia. Evidente que nós, católicos, não dependemos exclusivamente da Bíblia para crer ou deixar de crer em alguma coisa, até porque a Bíblia é filha da Igreja, e não a sua mãe: nós só cremos na Bíblia como "Palavra de Deus" porque a Igreja, em torno do século IV, assim definiu.

 

Por outras palavras, depender exclusivamente da Bíblia para aceitar algo como verdadeiro ou falso é a mais frágil de todas as maneiras de viver a fé, por uma razão muito simples: quem definiu o que é a Bíblia foi a Igreja Católica. Fora dos livros que a Igreja definiu como canónicos, isto é, livros inspirados por Deus, e portanto sagrados, dignos de compor a Bíblia Cristã, existem mais outras tantas dezenas de "evangelhos" e "cartas de apóstolos", que só não fazem parte da Bíblia porque a Igreja os descartou como "apócrifos" e não inspirados. Então, todo seguidor da doutrina da Sola Scriptura (que crê que somente a Escritura serve como regra de fé e prática para o cristão), está, muitas vezes sem saber, observando algo que a Igreja Católica definiu. Dito isto, registo abaixo a minha resposta ao Raphael no Youtube, com os meus argumentos fundamentados nas citações bíblicas, como ele pediu:

 

Raphael disse: "...em nenhuma parte da bíblia cita pedro como um suposto líder de toda igreja, se (isto) existe nos mostre!"

 

Vamos lá: podemos ler juntos o que diz o Evangelho segundo João, no capítulo 21, dos versículos 14 ao 17:

 

"Já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: 'Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?' E ele respondeu: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros'.


Tornou a dizer-lhe Jesus, pela segunda vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' Disse-lhe Simão Pedro: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Disse-lhe o Senhor: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Disse-lhe Jesus terceira vez: 'Simão, filho de Jonas, amas-me?' E Simão entristeceu-se por lhe ter dito a terceira vez: 'Amas-me?, e disse-lhe: 'Senhor, tu sabes tudo! Sabes que eu te amo'. E Jesus disse-lhe: 'Apascenta as minhas ovelhas'". (João 21,14-17)

 

Assim como se referiu à Igreja como o Seu rebanho, e chamou a si mesmo "Bom Pastor", Jesus pede a Pedro que apascente os Seus cordeiros e as Suas ovelhas, isto é, que cuide e conduza a Sua Igreja, e a nenhum outro. Está mais do que claro que Jesus está designando Pedro para conduzir a Sua Igreja neste mundo, a partir daquele momento.

 

Mas não é só isso. Vamos ler o capítulo 15 do livro dos Actos dos Apóstolos, que narra o que aconteceu na ocasião em que certos fariseus, recentemente convertidos ao Cristianismo, diziam que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar os rituais e costumes judaicos, para que pudessem seguir a Jesus Cristo. Começou um grande debate na Igreja primitiva, até que, por fim, entraram em acordo: Paulo, Barnabé e outros iriam reunir-se aos Apóstolos e anciãos em Jerusalém, para encontrar um consenso. Depois de muita discussão, Pedro se levantou e falou a todos: “IRMÃOS, SABEIS QUE JÁ HÁ MUITO TEMPO DEUS ME ESCOLHEU DENTRE VÓS, PARA QUE DA MINHA BOCA OS PAGÃOS OUVISSEM A PALAVRA DO EVANGELHO". E a Bíblia conta que toda a assembleia se calou e ouviu (Actos 15, 1-12). Foi assim que a circuncisão e outros costumes judaicos foram abolidos no Cristianismo: por meio de uma decisão de Pedro, o primeiro líder da Igreja, o seu primeiro pastor terreno, o primeiro Papa, mesmo que naquela época ainda não usasse esse título. Pedro mesmo declara que foi escolhido ou eleito dentre todos os Apóstolos! Está na Bíblia.

 

Não seria preciso continuar, mas ainda não acabou: tem muito mais! No Evangelho segundo Lucas, o próprio Senhor Jesus Cristo diz a Pedro: "Simão, Simão... Satanás reclamou o poder de vos peneirar como ao trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, confirma aos teus irmãos" (Lucas 22, 31-32).

 

O próprio Senhor Jesus Cristo diz que assiste a Pedro, que roga por ele, e mais uma vez lhe transmite a tarefa de confirmar os seus irmãos, isto é, os Apóstolos e os cristãos fiéis. Será preciso mais do que isso? Não, mas eu deixei o melhor para o final...

 

A passagem mais categórica e decisiva está no Evangelho segundo Mateus, capítulo 16, versículos 15 ao 19, que é o trecho da Bíblia que todo adversário da Igreja mais detesta e faz questão de ignorar. Pois é exactamente onde Jesus muda o nome de Simão Barjonas (filho de Jonas) para Pedra ('Pedro' no português, pois pedra é substantivo feminino e não poderia ser aplicado a um homem), declara que sobre aquela Pedra fundaria a Sua Igreja, que as portas do Inferno não prevaleceriam contra ela, e ainda - na mesma fala - entrega a este mesmo Pedro as Chaves do Reino dos Céus, decretando que tudo o que ele ligasse na Terra seria ligado no Céu, e o que ele desligasse na Terra seria desligado no Céu. Esta é, na minha opinião, a passagem mais clara, definitiva e conclusiva a respeito da autoridade de Pedro sobre a Igreja.

 

Concluindo: Jesus pede exclusivamente a Pedro que apascente as Suas ovelhas e cordeiros, isto é, que conduza a Sua Igreja. Jesus entrega as Chaves do Reino dos Céus a Pedro, dizendo que tudo o que ele ligar ou desligar na Terra será ligado ou desligado no Céu. Jesus muda o nome dele, de Simão para Pedra, e diz que sobre aquela Pedra edificaria a Sua Igreja neste mundo. Tudo isso está na Bíblia. O que mais é preciso para que alguém que tem a Escritura como regra máxima de autoridade entenda, de uma vez por todas, que a Bíblia diz sim, e enfaticamente, que Pedro foi o primeiro líder da Igreja? O que mais é preciso para que estas pessoas, que sinceramente tentam observar as Sagradas Escrituras, párem de pensar e proclamar o contrário do que elas mesmas dizem?

 

 

Fonte: Voz da Igreja


10
Ago 12
publicado por FireHead, às 02:41link do post | Comentar


09
Ago 12
publicado por FireHead, às 02:11link do post | Comentar

Contra todo o relativismo dos ditos católicos progressistas (ecuménicos), a Doutrina Católica ensina-nos claramente que só a Igreja Católica é que salva:

 

 

Credo de Santo Atanásio, oficial da Igreja Católica: Todo aquele que queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (...) esta é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá se salvar.

 

Papa Inocêncio III: De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva.

 

IV Concílio de Latrão (1215), infalível, Cânone I: ... Há apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo..." ; Cânone III: "Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos...

 

Papa Pio IX: Lançai fora a ímpia e funesta opinião de que, em qualquer religião, é possível chegar ao caminho da salvação eterna.


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