«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
30
Jun 12
publicado por FireHead, às 03:20link do post | Comentar


publicado por FireHead, às 02:03link do post | Comentar

A propósito do despropósito dos católicos não praticantes


 

Foi há já algum tempo que uma pessoa, algo impertinente, disparou contra mim, à queima-roupa, a razão da sua não prática religiosa:

 

- Eu não vou à Missa porque está cheia de hipócritas!


Apesar de não ser um argumento propriamente original – na realidade, nem sequer é um argumento – o tópico deu-me que pensar, sobretudo porque é esgrimido, com frequência, pelos fervorosos «católicos não praticantes» que, como é sabido, abundam. São, em geral, fiéis descomprometidos, ou seja, pessoas baptizadas que dispensam a prática religiosa colectiva, com a desculpa de que nem todos os praticantes são cristãos exemplares.
 

Alguns praticantes são, no sumário entendimento dos que o não são, pessoas duplas, porque aparentam uma fé que, na realidade, não vivem, enquanto outros há, como os ditos não praticantes, que mesmo não cumprindo esses preceitos cultuais, são mais coerentes com a doutrina cristã. A objecção faz algum sentido, na medida em que a vida cristã não se reduz, com efeito, a uns quantos exercícios piedosos. 
 

Mas o Cristianismo é doutrina e vida: é fé em acção, esperança viva e caridade operativa. Portanto, a prática comunitária é essencial à vida cristã e a praxe litúrgica, embora não seja suficiente, é-lhe necessária. Assim sendo, mesmo que os praticantes não vivam cabalmente todas as virtudes cristãs, pelo menos não descuram a comunhão eclesial, nem a prática sacramental e a vida de oração. Deste modo, cumprem uma das mais importantes exigências do seu compromisso baptismal, ao contrário dos não praticantes, não obstante a sua auto-proclamada superioridade moral. 
 

Os fiéis que não frequentam a igreja, à conta dos fariseus que por lá há, deveriam também abster-se de frequentar qualquer local público, porque provavelmente está mais pejado de hipócritas do que o espaço eclesial. Estes novos puritanos deveriam também abster-se de ir aos hospitais que, por regra, estão cheios de doentes, e às escolas, onde pululam os ignorantes. É de supor que o único local digno da sua excelsa presença seja tão só o Céu, onde não consta qualquer duplicidade, pecado, fraqueza, doença, ignorância ou erro. Mas também não, ao que parece, nenhum católico não praticante…
 

Segundo a antropologia cristã, todos os homens, sem excepção, são bons, mas nem todos praticam essa bondade. Um mentiroso não é uma pessoa que não acredita na verdade, mas que não é sincero, ou seja, não pratica a veracidade. Os ladrões são, em princípio, defensores da propriedade privada, mas não a respeitam em relação aos bens alheios. Um corrupto não o é porque descrê da honestidade, mas porque a não pratica. Aliás, as prisões estão repletas de boa gente, cidadãos que crêem nos mais altos e nobres valores éticos, mas que os não praticam.
 

Mas, não são farisaicos os cristãos que são assíduos nas rezas e nas celebrações litúrgicas, mas depois não dão, na sua vida pessoal, familiar e social, um bom testemunho da sua fé? Talvez. Só Deus sabe! Mas, mesmo que o sejam, convenhamos que são uns óptimos hipócritas. Os hipócritas são bons quando sabem que o são e procuram emendar-se, e são maus quando pensam que o não são, justificam-se a si próprios, julgam e condenam os outros. Os crentes que participam assiduamente na eucaristia dominical, sempre que o fazem recebem inúmeras graças e reconhecem, publicamente, a sua condição de pecadores, de que se penitenciam, com propósito de emenda. Mesmo que não logrem de imediato a total conversão, esse seu bom desejo e a participação sincera na celebração eucarística é já um grande passo no caminho da perfeição. 
 

Foi por isso que, com alguma ironia e um sorriso de verdadeira amizade, não pude deixar de responder àquele simpático «católico não praticante»:


- Não se preocupe por a Missa estar cheia de hipócritas: há sempre lugar para mais um!

 

 

Pe. Gonçalo Portocarrero

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29
Jun 12
publicado por FireHead, às 02:24link do post | Comentar

E porque no passado dia 22 foi o dia de Saint Thomas More, ou São Tomás Moro em português, canonizado em 1935 pelo Papa Pio XI e declarado patrono dos estadistas e dos políticos pelo Papa João Paulo II em 2000, transcrevo o seguinte texto do extraído do blogue Senza:

 

 

Dia de S. Tomás Moro (leigo mártir, +1535)

 

I. Em 1534, em Inglaterra, exigiu-se de todos os cidadãos que jurassem a Acta de Sucessão, pela qual se reconhecia como verdadeiro casamento a união de Henrique VIII com Ana Bolenha. O Rei era proclamado Chefe supremo da Igreja em Inglaterra, negando-se ao Papa qualquer autoridade. João Fisher, bispo de Rochester, e Tomás Moro, Chanceler do Reino, recusaram-se a jurar a Acta, e foram encarcerados em Abril de 1534 e decapitados no ano seguinte.

 

Num momento em que muitos se dobraram à vontade real, incluindo os bispos, o juramento desses homens teria passado despercebido e eles teriam conservado a vida, os bens e os cargos, como tantos outros. No entanto, ambos foram fiéis à fé até o martírio. Souberam dar a vida porque foram homens que viveram plenamente a sua vocação cristã, até as últimas consequências.

 

Tomás Moro é uma figura muito próxima de nós, pois foi um cristão corrente, que soube compaginar bem a sua vocação de pai de família com a profissão de advogado e mais tarde com a responsabilidade de Chanceler do Reino, logo abaixo do Rei, numa perfeita unidade de vida. Desenvolvia-se no mundo como se estivesse em sua própria casa; amava todas as realidades humanas que constituíam a trama da sua vida, onde Deus o quis. Ao mesmo tempo, viveu um desprendimento dos bens e um amor à Cruz tão grandes que se pode dizer que deles extraiu toda a sua fortaleza e coragem.

 

Tomás Moro tinha o costume de meditar todas as sextas-feiras nalguma passagem da Paixão de Nosso Senhor. Quando os filhos ou a esposa se queixavam das dificuldades e contrariedades do dia-a-dia, dizia-lhes que não podiam pretender “ir para o Céu num colchão de penas” e recordava-lhes os sofrimentos padecidos por Cristo, e que o servo não é maior do que o seu senhor. Além de aproveitar as contrariedades para identificar-se com a Cruz, Moro fazia outras penitências. Levava frequentemente à flor da pele, escondida, uma camisa de pêlo áspero. Foi fiel a esta prática durante a prisão na Torre de Londres, apesar de não serem pequeno incómodo o frio, a humidade da cela e as privações de todo o tipo que passou naqueles longos meses. Encontrou na Cruz a sua fortaleza.

 

Nós, que procuramos seguir Cristo de perto no meio do mundo e dar dEle um testemunho silencioso, encontramos forças e coragem no desprendimento, no sacrifício diário e na oração?

 

II. Quando Tomás Moro teve que pedir demissão do seu cargo de Lord-Chanceler, por não concordar em jurar a Acta, reuniu os familiares para expor-lhes o futuro que os aguardava e tomar medidas em relação à situação económica. “Vivi – disse-lhes, resumindo a sua carreira – em Oxford, na hospedaria da Chancelaria..., e também na Corte do rei..., do mais baixo ao mais alto. Actualmente, disponho de pouco mais de cem libras por ano. Se temos de continuar juntos, todos devemos contribuir com a nossa parte; penso que o melhor para nós é não descermos de uma só vez ao nível mais baixo”. E sugere-lhes uma acomodação gradual, recordando-lhes que se podia viver feliz em cada nível. E se nem sequer pudessem sustentar-se no nível mais baixo, aquele que vivera em Oxford, “então – disse-lhes com paz e bom humor – resta-nos a esperança de irmos juntos pedir esmola, com sacolas e bolsas, e confiar em que alguma boa pessoa sinta compaixão de nós [...]; mas mesmo então haveremos de manter-nos juntos, unidos e felizes”.

 

Nunca permitiu que nada quebrasse a unidade e a paz familiar, nem mesmo quando se ausentava ou quando foi preso. Viveu desprendido dos bens enquanto os teve, e alegre quando deixou de contar com o indispensável. Sempre soube estar à altura das circunstâncias. Sabia como celebrar um acontecimento, mesmo na prisão. Um biógrafo, seu contemporâneo, diz que, estando preso na Torre, costumava vestir-se com mais elegância nos dias de festa importantes, na medida em que o seu escasso vestuário lho permitia. Sempre manteve a alegria e o bom humor, mesmo no momento em que subia ao cadafalso, porque se apoiou firmemente na oração.

 

“Dai-me, meu bom Senhor, a graça de esforçar-me por conseguir as coisas que Te peço na oração”, rezava. Não esperava que Deus fizesse por ele o que, com um pouco de esforço, podia conseguir por si mesmo. Trabalhou com empenho ao longo de toda a vida até chegar a ser um advogado de prestígio antes de ser nomeado Chanceler, mas nunca esqueceu a necessidade da oração, ainda que muitas vezes não lhe fosse fácil, sobretudo nas circunstâncias tão dramáticas do processo e dos meses de absoluto isolamento na prisão, enquanto esperava o dia da execução. Nesses dias derradeiros, escreveu uma longa oração em que, entre muitas piedosas e comovedoras considerações de um homem ciente de que vai morrer, exclamava: “Dai-me, meu Senhor, um anelo grande de estar convosco, não para evitar as calamidades deste pobre mundo, nem as penas do purgatório ou tão pouco as do inferno, nem para alcançar as alegrias do Céu, nem por consideração do meu proveito, mas simplesmente por autêntico amor a Ti”.

 

São Tomás Moro apresenta-se sempre aos nossos olhos como um homem de oração; assim pôde ser fiel aos seus compromissos como cidadão e como fiel cristão em todas as circunstâncias, em perfeita unidade de vida. Assim devemos ser todos e cada um de nós. “Católico, sem oração?... É como um soldado sem armas”, diz Mons. Escrivá.

 

III. Give me Thy Grace, good Lord, to set the world at nought... “Dai-me a vossa graça, meu bom Senhor, para que tenha o mundo em nada, para que a minha mente esteja bem unida a Vós e não dependa das variáveis opiniões alheias [...]; para que pense em Deus com alegria e implore ternamente a sua ajuda; para que me apoie na fortaleza de Deus e me esforce ansiosamente por amá-Lo...; para Lhe dar graças sem cessar pelos seus benefícios; para redimir o tempo que perdi...” Assim escrevia o Santo nas margens do Livro das Horas que tinha na Torre de Londres. Eram os dias em que se consagrava a contemplar a Paixão, preparando assim a sua própria morte em união com Cristo na Cruz.

 

Mas São Tomás Moro não viveu de olhos postos em Deus somente naqueles momentos supremos. O seu amor a Deus manifestara-se diariamente no seu comportamento em casa, sempre simples e afável, no exercício da advocacia, e por fim no mais alto cargo público da Inglaterra, como Lord-Chanceler. Cumprindo à risca os seus deveres diários, umas vezes importantes, outras menos, santificou-se e ajudou os outros a encontrar a Deus.

 

Entre os muitos exemplos de um apostolado eficaz que nos deixou, destaca-se o que levou a cabo com o seu genro, que tinha caído na heresia luterana. “Tive paciência com o teu marido – dizia à sua filha Margaret – e argumentei e debati com ele sobre esses pontos da religião. Dei-lhe além disso o meu pobre conselho paterno, mas vejo que de nada serviu para que voltasse novamente ao redil. Por isso, Meg, não tornarei a discutir com ele, mas vou deixá-lo inteiramente nas mãos de Deus, e vou rezar por ele”. As palavras e as orações de Tomás Moro foram eficazes, e o marido da sua filha voltou à plenitude da fé, foi um cristão exemplar e sofreu muito por ter sido consequente com a fé católica.

 

São Tomás Moro está diante de nós como modelo vivo da nossa conduta de cristãos. É “semente fecunda de paz e de alegria, como o foi a sua passagem pela terra entre a sua família e amigos, no foro, na cátedra, na Corte, nas embaixadas, no Parlamento e no Governo. É também o padroeiro silencioso da Inglaterra, que derramou o seu sangue em defesa da unidade da Igreja e do poder espiritual do Vigário de Cristo. E como o sangue dos cristãos é semente que germina, o de Tomás Moro vai lentamente penetrando e impregnando as almas dos que dele se aproximam, atraídos pelo seu prestígio, doçura e fortaleza. Moro será o apóstolo silencioso do retorno à fé de todo um povo”.

 

Pedimos a João Fisher e a Tomás Moro que saibamos imitá-los na sua coerência cristã para sabermos viver em todas as circunstâncias da nossa vida como o Senhor espera que vivamos, nas coisas grandes e nas pequenas. Pedimos com palavras da liturgia da festa: Senhor, Vós que quisestes que o testemunho do martírio fosse expressão perfeita da fé, concedei-nos, Vos pedimos, que por intercessão de São João Fisher e de São Tomás Moro, ratifiquemos com uma vida santa a fé que professamos com os lábios.

 

 

in Meditação Diária


28
Jun 12
publicado por FireHead, às 15:12link do post | Comentar

O nascimento de Maria Santíssima é todo cheio de glória para ela, e todo cheio de vantagem para nós. Para ela foi o princípio da sua grandeza, e para nós foi a origem da nossa felicidade. Se contemplamos o nosso nascimento e o de Maria, que total diferença? No nosso tudo motivos de tristeza, lágrimas e temor, e no de Maria tudo motivos de prazer, consolação e esperanças.

Como entramos nós todos neste mundo? Como principiamos os nossos dias? Amaldiçoados pelo pecado original, nós aparecemos neste mundo escravos do demónio, marcados com o selo da sua maldade, aborrecidos aos olhos do nosso Criador, excluídos de ver a Deus e de o gozarmos jamais, enfim, inteiramente desgraçados. Tudo isto são motivos de tristeza, lágrimas e temor.

Mas já não acontece assim com o nascimento de Maria Santíssima, nem pode temer-se coisa alguma semelhante. Conhecida por Deus desde a eternidade como a mais fiel às Suas graças e mais obediente à Sua lei, Ele a encheu de bênçãos logo desde o princípio e a fez feliz e bem-aventurada logo no seu nascimento. O dragão infernal nunca teve império sobre ela. Nunca foi infeccionada de culpa, porque o Criador a privilegiou logo na sua origem, e a enriqueceu de graças ainda mesmo antes dela nascer. Tantas foram estas graças, que excedem as de todos os Santos e Anjos, diz São Vicente.

Santificada por Deus dentro ainda do ventre da sua mãe Santa Ana, ela recebeu graça, não gota a gota, mas sim em grande enchente. Quando Deus escolhe alguém para algum empreendimento raro, Ele lhe concede as graças proporcionadas, assim o diz São Vicente. Logo que grande multidão de graças não derramaria Deus sobre Maria, logo desde o seu nascimento, se o mesmo Deus a escolhera para o mais alto empreendimento, isto é, para Mãe do Divino Salvador?! Ah! É por isso que o Arcanjo Gabriel a saudou, dizendo: - Deus vos salve, cheia de graça. Sim, Maria é cheia de graça, é um brilhante raio da luz eterna e um espelho sem mancha da divina Majestade.

Nasce Maria, nasce uma flor toda bela e engraçada. Sempre cheirosa e imarcescível, que desde a sua origem brilha mais do que a rosa entre os espinhos. Nasce Maria, e nasce a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e honra do seu povo. Nasce Maria, e nasce a brilhante aurora que dissipa as trevas da medonha noite da culpa. Nasce a luminosa estrela da manhã, que com os seus luminosos raios das melhores virtudes há de mostrar o caminho da salvação: nasce Maria finalmente, nasce uma menina cheia de bênçãos e luzes do Céu, com o seu Criador a enriqueceu por um raro privilégio.

Dizem muitos Santos Padres, que Maria logo na sua conceição recebeu de Deus um perfeito uso de razão, uma grande luz divina correspondente à graça de que foi enriquecida. De sorte que podemos acreditar que Maria, logo desde a sua conceição, conhecia as verdades eternas, a beleza das virtudes, a bondade infinita de Deus, o direito que Deus tem de ser amado, principalmente por ela, por causa das imensas graças que já lhe tinha concedido. Já eram imensas as graças que Maria recebera na sua conceição, e como desde então ela nunca esteve ociosa, como faria frutificar este tão grande capital de graças?! Ah, Maria é um mar de graças sobrenaturais! Desde a sua conceição toda aplicada em amar a Deus, ela O amava sempre e com todas as forças do seu espírito, crescia sempre no amor divino e nas mais sublimes virtudes. Finalmente crescia mais na virtude e na perfeição, do que no corpo e na idade!...

Maria, quantas mais graças recebia, tanto mais se adiantava em perfeição e santidade, de sorte que se no primeiro momento ela recebeu mil graus de graça, no segundo recebeu dois mil, no terceiro três mil, no quarto quatro mil, e assim em graças bem como em virtudes! Ó Virgem Santíssima, com toda a razão podeis dizer: Eu sendo pequenina já comecei a agradar ao Altíssimo... Imitai, meninos, imitai Maria Santíssima nos seus primeiros anos. Ela logo desde pequenina ia aumentando sempre nas virtudes, e vós? Vós sempre aumentando nos vícios, por meio de modas indecentes, por via de pragas e más palavras, por desobediência aos vossos pais e mães ou mestres, já irados, já teimosos, cheios de preguiça, finalmente por estes e outros pecados já tereis perdido a inocência, já sereis amigos e aliados do demónio, deserdados do Céu, e herdeiros do inferno. Ó, quão cedo começastes a dar passos para o inferno! Que bem depressa perdestes a inocência! Vós deveis imitar a vossa Mãe Santíssima nos seus primeiros anos, no amor de Deus, na obediência, na humildade, no silêncio, na diligência, na pureza, e nas demais virtudes. Mas já vedes que não a tendes imitado: logo que há-de ser de vós? Que deveis agora fazer, e nós todos? Arrepender-nos do passado e emendar-nos para o futuro, imitando-a daqui por diante, amando sempre a Deus, praticando sempre a virtude, e fugindo do vício: sobretudo consagremo-nos a ela, tomemo-la por nossa Mãe, sem nunca deixarmos de lhe rezar a sua coroazinha todos os dias.

 

 

Pe. Manoel José Gonçalves Couto


27
Jun 12
publicado por FireHead, às 04:09link do post | Comentar


26
Jun 12
publicado por FireHead, às 02:15link do post | Comentar

 

– Em 2007 Bento XVI, com o motu proprio Summorum pontificum, liberalizou o uso do missal romano do rito antigo.

 

– Em 2009 revogou a excomunhão aos quatro bispos consagrados ilicitamente pelo arcebispo D. Marcel Lefebvre e com o motu proprio Ecclesiae unitatem abriu o percurso para o regresso dos lefebvriani à plena comunhão com a Igreja.

 

– Ainda em 2009, com a constituição apostólica Anglicanorum coetibus, estabeleceu as regras para a passagem para a Igreja Católica de inteiras comunidades anglicanas com os seus bispos, sacerdotes e fiéis.

 

– Em 2010 promulgou novas regras, muito severas, quanto aos delicta graviora e em particular sobre os abusos sexuais sobre menores.

 

– Ainda em 2010 promulgou o motu proprio para a transparência financeira.

 

– Em 2011, com a instrução Universae ecclesiae promulgou novas normas para a integração das já existentes sobre a missa em rito antigo.

 

 

Fonte: Senza


25
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:37link do post | Comentar | Ver comentários (2)

É sempre interessante escrever sobre temas malditos, ocultados pela nossa imprensa, alegadamente aberta e plural. Este é o maldito dos malditos. Em tempos tão diversos e heterodoxos, é estranho constatar a total ausência de alguém central na cultura ocidental há milénios. A nossa época, que multiplica as personagens e faz regressar velhas lendas e figuras clássicas, nunca fala do diabo.

Ao longo da história não houve dúvidas sobre a existência e influência do pai da mentira (Jo 8, 44), tentador (Mt 4, 3), inimigo de toda a justiça (Act 13, 10), ameaçando-nos com as suas malícias e aquele seu lugar maldito - a Geena de fogo (Mt 4, 22), o inferno (Lc 10, 15) - onde podíamos cair. Hoje esses assuntos são totalmente omissos, meras figuras de retórica ou cenas de pantomima.

A razão não pode vir de vivermos em tempos secularizados, pela simples razão que não vivemos nesses tempos. Não só os crentes permanecem a esmagadora maioria da população, mas o actual pluralismo fez renascer múltiplas formas de culto e espiritualidade. Além disso, a falta de referências a Satanás não se verifica apenas entre os ateus, mas também nos devotos. Homilias, orações, livros e discussões teológicas desenvolvem-se quase sem referências às forças do mal e seu poder, antes tão populares. No meio de enorme diversidade de temas e abordagens de uma época turbulenta, Lúcifer parece ausente até das igrejas. O secularismo actual significa, afinal, crença firme em Deus com recusa de Satanás.

É curioso perceber porquê. A razão liga-se ao axioma mais central e indiscutível da nossa cultura. Somos o tempo da liberdade, humanismo, técnica e poder sobre a natureza. Ora nada destrói mais esses valores que saber-nos sujeitos a influências maléficas, que turvam as nossas escolhas, distorcem a nossa humanidade, pervertem as nossas obras e podem dominar a nossa vida. Se existem tentações demoníacas, lá se vão os sonhos de tolerância, humanismo, liberdade. Caímos no real. O ser humano, que se acha radicalmente autónomo e soberano, ainda tolera com diplomacia um deus longínquo, mas nunca se considerará sujeito ao demónio.

Paradoxalmente é também o tempo actual que mais manifesta a evidência do diabo e onde a presença palpável do inferno se tornou mais visível e patente. Os telejornais trazem às nossas salas mais cenas de horror e maldade que alguma vez a humanidade assistiu, e a cada passo vemos personalidades descritas como encarnação do mal absoluto. Mas é na ficção que essa presença surge esmagadora.

Argumentistas de cinema e televisão espremem os miolos para criar os vilões mais funestos, com especial predilecção pela malícia em estado puro. Só assim se explica a obsessão cinematográfica pelos psicopatas, vampiros, extraterrestres, fanáticos e outros seres irredutivelmente cruéis sem elemento redentor. Numa palavra, demónios. Por outro lado a contínua descrição romanceada de estados desesperados e irrecuperáveis, da droga à escravatura e à demência, só pode ser tomada como nostalgia do inferno. Nenhuma criança das eras bárbaras viu tanta mortandade, violação e desumanidade como as nossas nos media.

Assim o demónio, nunca sob o próprio nome, está hoje mais presente que em tempos antigos. Por todo o lado, menos na nossa consciência, onde persiste a ilusão da independência. Isso dá-lhe mais poder. "Há dois erros, iguais e opostos, em que a nossa raça pode incorrer quando de demónios se trata. Um é descrer da sua existência. O outro é crer nela e sentir por eles um interesse excessivo e doentio. A eles, ambos os erros lhes são agradáveis e acolhem com idêntico prazer o materialista e o mago" (C. S. Lewis, 1942, The Screwtape Letters, prefácio).

A evidência que esta aparente ausência é coisa do demo não custa a compreender, pois ela tem terríveis efeitos morais. De facto, não havendo Belzebu, os horrores indizíveis que vemos só podem ser culpa do próximo, a quem portanto agredimos justificadamente. Se o diabo não existe, "o inferno são os outros" (J. P. Sartre, 1944, Huis-clos).

 

João César das Neves

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24
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:29link do post | Comentar

 

Dia de São João Baptista, o primo de Jesus.

Padroeiro da minha terra Macau.


22
Jun 12
publicado por FireHead, às 22:01link do post | Comentar | Ver comentários (5)

«Discoteca cristã» em Fátima

Conceito dá primeiros passos em Portugal e visa proporcionar uma saída com «diversão santa»

 

Proporcionar aos jovens uma "diversão santa" durante a noite é o objectivo da «Cristoteca», espaço de dança que não esquece a oração e a evangelização. A ideia, que foi concebida pela Aliança de Misericórdia, comunidade católica originária do Brasil, está a dar os primeiros passos em Portugal.

Para Carlos Marques, da Kerygma, esta iniciativa visa cativar os jovens para um convívio cristão, saudável, sem "bebidas, consumos e extravagancias que normalmente acontecem nas discotecas normais".

Em entrevista à Agência ECCLESIA, Vanessa Bueri, missionária brasileira da Aliança de Misericórdia (portugal@misericordia.com.br), referiu que o conceito pretende cortar com a visão "muito quadrada" que os jovens têm da Igreja.

À imagem do que acontece em todas as «Cristotecas», a que se vai realizar no próximo dia 18 de Julho, em Fátima, começará com a missa, às 20h00. A pista de dança, que abrirá uma hora mais tarde, será servida por «Cristodrinks», bebidas sem álcool. As entradas são gratuitas e não há consumo obrigatório.

Durante a noite, far-se-á a "evangelização corpo a corpo": "abordamos os jovens enquanto eles dançam e se divertem, para poder falar um pouco de Deus com eles", refere a missionária. Quem o desejar, poderá participar no dia seguinte num encontro espiritual e formativo promovido pela Comunidade Canção Nova.

O local onde decorrerá a iniciativa - Centro Pastoral Paulo VI - obriga ao seu encerramento à meia-noite e meia, correndo-se o risco de os jovens partirem para outras discotecas: "Ficamos tristes por terminar nesse horário e por não termos condições para continuar pela madrugada", à semelhança do que sucede no Brasil, em que o fecho não ocorre antes das 5 horas. Para Vanessa Bueri, é preciso proporcionar uma experiência de tal maneira intensa, que os jovens não tenham vontade de ir para outros espaços de diversão.

Para que este "trabalho de formiguinha" crie raízes, é preciso encontrar um local fixo, onde os jovens se possam dirigir todos os fins-de-semana, à semelhança do que acontece em S. Paulo.

Até lá, a «Cristoteca» realiza-se onde é possível. A 13 de Junho, o Café Cristão, no Seixal, recebeu perto de 90 pessoas, naquela que foi a primeira iniciativa na zona de Lisboa. "Os jovens gostaram bastante. Alguns, que nunca tinham frequentado a Igreja, ouviram o barulho e entraram, sem se aperceberem que era um local cristão; e lá dentro, falámos de Deus para eles", referiu Vanessa Bueri, que acrescentou: "nós sentimos que a «Cristoteca» tem a particularidade de ser uma rede que atiramos no meio do mar para poder pescar essas pessoas para Deus".

 

 

Fonte: Agência Ecclesia

 

PS. Enfim, sem comentários...


21
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:19link do post | Comentar | Ver comentários (2)

Eu não gosto lá muito de D. José Policarpo, mas há que ser justo e reconhecer que ele agora esteve bem:

 

 

D. José Policarpo, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa disse numa conferência em Fátima, a propósito da reflexão dos 50 anos do Concílio Vaticano II (1962/65), que há "um pressuposto de que a Igreja tem que mudar ao ritmo das mudanças do mundo" e atacou os "exageros antropológicos" como a adopção por casais gay. De facto não é a Igreja que tem de se adaptar ao mundo, mas sim o contrário, pois a Igreja é santa e santificadora e fora dela não há salvação. "A Igreja tem uma mensagem perene, acredita nela, e tem valores perenes, e acredita neles", disse, acrescentando que o Concílio e a doutrina da Igreja têm uma mensagem que "ajuda a corrigir e a denunciar os exageros antropológicos", como as "modernices" de pessoas do mesmo sexo puderem constituir família, sublinhando que a civilização ocidental "acabará por ser vítima dessas mudanças que fez". Lamentando que a "grande comunicação" trate as posições da Igreja como se esta tivesse que "andar ao ritmo" das mudanças culturais, políticas, jurídicas, D. José Policarpo rematou com a expressão "era o que faltava".

Em relação ao Concílio Vaticano II, D. José Policarpo afirmou que é evidente que as mudanças introduzidas pelo Concílio são hoje uma realidade adquirida, se bem que "algumas dimensões devam ainda ser aperfeiçoadas", como exemplo a forma como "ainda é feita a celebração da palavra em muitas Eucaristias", sublinhando que se algumas homilias são "belíssimas" outras continuam a "não ter em conta nem a mensagem nem os destinatários".

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20
Jun 12
publicado por FireHead, às 02:44link do post | Comentar

Certa gente sustenta que a Igreja Católica não foi fundada por Jesus Cristo, tratando-se muito mais de um culto pagão com laços que a unem com a antiga Babilónia. Esta ideia ganhou ampla difusão através de um livro intitulado "As Duas Babilónias", publicado na Inglaterra por Alexander Hislop, em 1858, o qual pretendia estabelecer um paralelo entre os ensinamentos e práticas do Catolicismo com a religião mistérica praticada na citada Babilónia. No entanto, a metodologia usada pelo autor do livro, um ministro protestante sem qualquer formação séria, foi descartada e denunciada como falsa a partir do ponto de vista racional e histórico.

 

E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfémia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilónia, a mãe das prostituições e abominações da terra. E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres (Apocalipse 17,1-7).

 

Esta passagem bíblica é usada frequentemente para "provar" que a Igreja Católica é a "prostituta da Babilónia" descrita por São João na sua visão. Tal interpretação não é apenas erronea mas também impossível de ser reconciliada com a História. É óbvio, para quem estuda as Escrituras seriamente, que São João está-se referindo a Roma como "a Grande Prostituta", já que Roma e Babilónia foram as únicas duas potências do mundo a quem Deus permitiu assolar Jerusalém, levando o seu povo cativo ao exílio. Tanto escritos judaicos quanto Cristãos têm comparado Roma com a antiga Babilónia, já que ambas subjugaram Israel, destruíram o Grande Templo e assolaram Jerusalém.

 

Um conhecido promotor das interpretações de Hislop, Ralph Woodrow, seguindo o mesmo caminho, chegou a escrever outro livro, chamado "Babilónia: a Religião dos Mistérios". Anos depois, Woodrow precisou de rejeitar o método que havia aprendido de Hislop, quando eruditos do seu próprio grupo protestante lhe apontaram os seus graves erros e a sua falta de erudição. Em 1997, Woodrow publicou uma retratação, "Conexão Babilónia?", na qual expõe os pontos de partida essencialmente equivocados das teorias originais do religioso fundamentalista escocês. Para ilustrar o tipo de lógica defeituosa em questão, Woodrow usa os mesmíssimos métodos de Hislop para "demonstrar" uma teoria disparatada: que uma certa cadeia de restaurantes de fast-food tinha a sua origem na Babilónia. Citemos:

 

- "Os arcos dourados" são conhecidos em todo o mundo como o símbolo que identifica o McDonald's. No entanto, devemos assinalar que o arco foi usado habitualmente pelos antigos babilónios nas suas portas e palácios. De facto, nas pinturas realizadas pelos babilónios, vemos que os seus reis são representados em marcos na forma de arco! Também sabemos que Nabucodonosor, rei da Babilónia, ordenou aos seus súditos que adorassem uma imagem de ouro (Daniel 3,5-10). E Babilónia era conhecida no mundo antigo como "a cidade dourada". Finalmente, observe-se que a primeira letra de McDonald's, o M, é a 13ª letra do alfabeto inglês, um número reconhecido como possuidor de um poder místico, e que atrai má sorte. Poderia isto ser uma simples coincidência? Inclusive, o que mais assinalaria o M de McDonald's? Certamente Moloc, o deus pagão do fogo que era adorado na Babilónia. O que é empregado pelo McDonald's moderno para aquecer as comidas? A electricidade, que muitos associariam a uma forma controlada de fogo! Portanto, quem poderia duvidar que a cadeia de restaurantes McDonald's, conhecida pelos seus arcos dourados, seria, na verdade, um culto mistérico relacionado ao deus do fogo adorado pela antiga realeza babilónica?

 

Por mais ridícula que esta forma absurda de raciocinar possa parecer - sabemos naturalmente que a cadeia McDonald's não foi criada por um rei babilónico, mas por um homem de negócios norte-americano, Ray Kroc, em 1950 - esta é, exactamente, a mesma técnica de raciocínio usada por Hislop para caluniar a Igreja. No seu ensaio "Anticatolicismo", o apologético Católico Dave Armstrong explica os erros de Hislop:

 

O método [de Hislop] incorre em duas conhecidas falácias lógicas: a falácia "da origem", em que se ataca a fonte de uma ideia ao invés da ideia em si; e a falácia do "non sequitur", em que uma simples semelhança "prova" que certa prática provém de outra prática anterior.

 

Como esclarecimento, digamos que uma falácia lógica é uma proposição apresentada como verdadeira numa afirmação, porém, só na aparência. As falácias lógicas são empregadas comumente para justificar argumentos ou posturas que não são justificados pela razão. Costumam mascarar erros, falsidades ou fraudes. Saber reconhecer as falácias lógicas é de valiosa ajuda para não ser enganado. O termo latino "non sequitur" significa textualmente "não se segue". No caso que estamos analisando, a semelhança de uma prática Católica com uma antiga prática babilónica não implica que a primeira provenha da segunda.

 

Woodrow também assinala que os mesmos argumentos de Hislop poderiam ser usados para "provar" que a própria Bíblia é pagã. Indica muitos elementos presentes na Bíblia que podem ser relacionados com religiões pagãs pré-existentes como, por exemplo, o prostrar-se em terra, o orar levantando as mãos, uma montanha com uma divindade presente nela, leis gravadas sobre pedra, a carruagem de Elias com os seus cavalos de fogo... Toda essa fenomenologia bíblica e muito mais pode ser encontrada também no paganismo.

 

Logo, se empregarmos a lógica falaciosa de Hislop, ver-nos-emos forçados a concluir que a Fé ensinada na Bíblia é, na verdade, uma religião pagã. Visto que sabemos que isso é um absurdo, deveremos concluir, forçosamente, que a técnica de Hislop é essencialmente errónea.

 

E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns (1 Coríntios 9,20-22).

 

Mais do que condenar toda prática dos gentios como pagã, a Igreja Católica procurou sempre inculturar-se. Isto é, respeitou o bom que pudesse haver em outras religiões e culturas para relacioná-lo com a verdade completa no Pai, Filho e Espírito Santo.

 

Não tornes tu profano o que Deus purificou (Actos 10,9-16).

 

Jesus veio trazer a salvação a toda a humanidade. Inclusive aqueles que eram vistos pelos judeus como impuros; não veio salvar apenas alguns poucos eleitos. Em outras palavras, o amor de Deus não é só para os que já praticam a Fé Cristã; Ele ama todos os homens, aos quais criou à Sua imagem e semelhança.

 

Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio (Actos 17,16-34).

 

São Paulo não pregou uma brutal condenação aos gregos pela sua adoração pagã. Preferiu usar as crenças deles como ferramenta pela qual lhes revelaria a verdade completa que se encontra no Cristianismo. A Igreja Católica sempre agiu desta maneira. Note-se também que no versículo 28 se encontra uma referência de São Paulo a dois poetas pagãos, Epiménides ("Nele vivemos, nos movemos e existimos") e Aratos ("Porque somos também da sua linhagem"). Significaria isto que São Paulo estava pregando uma religião pagã? Usando o "Método Hislop" de provar as coisas, chegaríamos a esta ridícula conclusão. No entanto, é claro pelo contexto que São Paulo está usando a técnica adequada para o debate: a empatia. Simplesmente usa, para a sua mensagem, termos que encontram sentido para a sua plateia.

 

E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?(Actos 22,25-28).

 

Aqui, vemos São Paulo afirmar repetidamente a sua cidadania romana - isto é, a sua cidadania num império pagão - ao debater com as autoridades do Templo. Com certeza ele não via isto como uma profanação.

 

Às vezes, certos fundamentalistas parecem mais preocupados em preservar a irreal natureza de um Cristianismo ideal, conservando-a numa espécie de âmbar teológico, do que seguir o exemplo de São Paulo, o qual usa de toda destreza, arte e ideias próprias no esforço de salvar almas, que são amadas por Deus. Paulo estava menos preocupado em manter a pureza das suas práticas religiosas tradicionais - como a circuncisão e as leis de alimentação judaicais - do que buscar a transmissão da Fé, ao que se dedicava com coragem e, sempre que necessário, fazia uso de formas pouco convencionais. Portanto, não há razão para temer quando nossa Fé é questionada - inclusive atacada - na arena do mundo das ideias. A verdade essencial do Evangelho é a sua protecção.

 

 

*Traduzido para o Veritatis Splendor por Carlos Martins Nabeto diretamente do site Apologética Católica (http://www.apologeticacatolica.org/).


19
Jun 12
publicado por FireHead, às 03:02link do post | Comentar | Ver comentários (2)

 

Só pode ser por causa da cruz! A cruz do peito simboliza exactamente o quê? Simboliza o Cristianismo, que apenas e só está na origem do surgimento da Nação portuguesa. A cruz simboliza a identidade Católica de Portugal. Como disse o grande Salazar, "português, logo Católico".

 

De cor branca, a nova camisola alternativa da selecção contempla a cruz de São Jorge, símbolo nacional, que navegou com os conquistadores portugueses pelo mundo nas velas das caravelas. A cruz é ainda ilustrada com as cores da bandeira de Portugal, dividida ao centro com uma linha diagonal para representar a esfera armilar.
Ainda na camisola, o colarinho contempla outra esfera armilar que, recorde-se, é um instrumento de Astronomia para navegação e que foi utilizado para descobrir o mundo. É um símbolo nacional, que figura na arquitectura e que serve como pano de fundo do escudo português na bandeira nacional.
Tal como a camisola, também os calções do equipamento alternativo são brancos. No caso das meias, apresentam uma pequena cruz verde na parte de trás.


18
Jun 12
publicado por FireHead, às 15:17link do post | Comentar

Para se conhecer bem quem é Maria, precisamos de ver quem foi Eva, a primeira mulher.

 

Que a Virgem Maria é a segunda Eva, é-nos revelado pelos apóstolos João e Paulo. Basta comprovarmos as seguintes passagens: Génesis 3,15,  João 2,4, Gálatas 4,4 e Apocalipse 12,1. Vamos agora mostrar que a Virgem Maria é a segunda Eva. A primeira mulher ouvindo o demónio (anjo caído), disse não a Deus, trazendo o pecado e a morte à humanidade. A Virgem Maria ouvindo o anjo deDeus disse sim a Deus, concebeu e deu à luz a Cristo, vencendo o demónio, trazendo-nos a graça e a vida.

 

Eva foi desobediente, não teve fé em Deus. A Virgem Maria foi obediente, cheia de Fé. Eva é a mãe da nossa natureza pecaminosa e a Virgem Santíssima é a mãe da vida na graça. Nossa Senhora restituiu-nos o que Eva perdeu. Portanto Eva á a mulher vencida e a Virgem Maria é a mulher vencedora (Génesis 3,15) comparado com Apocalipse 12. Como Eva estava sujeita a Adão, a Virgem Maria está sujeita a Cristo.

 

E assim como por uma virgem caiu o género humano no cativeiro da morte, assim também foi salvo por uma virgem; porque a desobediência virginal foi compensada em contrapartida por uma obediência virginal.

 

Reparemos bem que a palavra mulher em João 2,4; 19,26, Gálatas 4,4 e Apocalipse 12,1 simboliza a mulher de Génesis 3,15. A palavra mulher refere-se à Virgem Maria, a mãe do Messias. A palavra mulher é um título bíblico da Virgem Maria, assim como Jesus foi chamado o Filho do Homem pelo profeta Daniel.

 

Lembrem-se de Génesis 3,15 e Apocalipse 12, da grande batalha. A geração da serpente, o demónio infernal, não chama a mãe de Deus de bem-aventurada, mas procura ferir o seu calcanhar, isto é, diminuir a sua grandeza. Há pessoas que dizem que ela é uma mulher como outra. O diabo não combate a Cristo, pois sabe que Ele é Deus. Combate a Sua mãe, que foi o meio que O trouxe à Terra.

 

A única mulher que pode olhar para o Seu filho, nosso Senhor Jesus Cristo e dizer: carne da minha carne, sangue do meu sangue, ossos dos meus ossos.

 

 

Ela que é a filha de Deus Pai, mãe de Deus Filho e esposa de Deus Espírito Santo.

 

Quando Deus Pai decretou a encarnação de Deus Filho, decretou também a maternidade divina de Maria. Ela é a única que pode ser chamada mãe e esposa de Deus. Maria Santíssima é o templo do Senhor, o sacrário do Espírito Santo. O tabernáculo e a arca da aliança são figuras da Virgem Maria. Nossa Senhora é o sacrário vivo do Espírito Santo porque pelo Seu poder se tornou a mãe do verbo encarnado. Basta percorrer as páginas do Antigo Testamento para ver que Deus não habita no meio do pecado.

 

Quando o pecado entrou no mundo, a Virgem Maria foi pensada, amada e portanto predestinada para ser esposa e templo do Espírito Santo, e mãe de Deus encarnado.

 

Interessante ainda notar que Jesus, na resposta dada a sua mãe, lhe diz: “que temos nós com isso?”, não disse o que a Senhora tem com isso, ou o que eu tenho com isso, mas sim, o que nós temos com isso (João 2,2-12).

 

Maria conhecia tão bem o Seu filho que, sem esperar nenhuma resposta de Jesus, diz aos empregados: Fazei tudo aquilo que ele vos mandar.

 

 

As Grandezas de Nossa Senhora na Bíblia:

 

Que a Santa Mãe do Divino Salvador tenha recebido de Deus prerrogativas que Lhe são exclusivas é verdade que se deduz de várias passagens da Bíblia, “A cheia de graça” e “A mais bendita que todas as mulheres” (Lucas 1,28;1,42).

 

Para provar, vamos percorrer os vários textos sagrados da Bíblia, que a ela se referem.

 

Já de início nota-se o facto de a Bíblia começar (Génesis 3,15) e acabar (Apocalipse 12,1) sob o signo da mulher vitoriosa e bendita.

 

Eis os textos áureos do Livro Sagrado:

 

a) Porei inimizade entre ti e a Mulher, e entre a tua descendência e a d’Ela. Ela te esmagará a cabeça, e tu tentarás ferir o seu calcanhar (Génesis 3,15).

 

Comentário: o texto acima é a profecia da vinda do Salvador feita por Deus logo após a queda dos nossos primeiros pais. Nele, ao grupo dos vencidos (Adão e Eva), Deus contrapõe o grupo dos vencedores (Jesus e Sua mãe).  A  descendência  da  mulher (no original: sémen, prole), é, num primeiro plano, Jesus Cristo, Seu Filho; e, num segundo plano, são todos os eleitos – O termo ela refere-se directamente à prole porque será através de Jesus enquanto Homem nascido da Virgem Maria que o poder tirânico de Satanás sobre a humanidade será quebrado. Indirectamente, pois, também, “ela”, a “Mulher” quebrará a cabeça de Satanás -Inimizade indica a incompatibilidade absoluta entre Cristo e a Sua Mãe de um lado, e Satanás e os seus do outro; indica ainda a vitória completa de ambos sobre o Maligno.

 

b) Dois textos de Isaías: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, o Emanuel (Deus connosco) (Isaías 7,14); Nasceu-nos um menino... Ele será Deus forte... (Isaías 9,5)

 

c) Outros de S. Lucas: Ave, ó cheia de graça... (Lucas 1,28);  ... darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de Jesus; (…) será Filho do altíssimo (Lucas 1,32); e Filho de Deus (Lucas 1,36); Bendita és tu entre as mulheres; (…) donde me vem a dita de vir a mim  a Mãe de meu senhor? (Lucas 1,43)

 

Esses textos sagrados destacam as várias grandezas ou prerrogativas de Nossa Senhora:

 

 

I – A maternidade Divina

 

É evidente:

 

1º) no texto da letra “a”, a descendência da mulher (sémen, prole) é no primeiro plano, Jesus Cristo. E então a mulher singular da profecia é a Sua verdadeira mãe. E como Cristo é  Deus, Ela pode e deve ser chamada Mãe de Deus.

 

2) – Confirma-se isso com os textos da letra b (Isaías 7,14), pois a Virgem é predita aí como a verdadeira mãe do Emanuel (Deus connosco). Portanto, Mãe de Deus.

 

3) – O mesmo diz os textos da letra “c” (Lucas 1,31-32; 1,42-43), pois aí se declara que Maria Santíssima é a verdadeira Mãe do Filho do Altíssimo, do Filho de Deus e a Mãe de meu Senhor.

 

- Maternidade Espiritual também: de facto, como no 2º plano, aquela Mulher é mãe da “prole” também no sentido de descendência, Maria Santíssima é mãe espiritual dos remidos. O que o próprio Jesus na Cruz confirmou na pessoa de São João ao dizer à Sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. São João então representava a todos os remidos.

 

-Medianeira também: como é ofício próprio da mãe prover o alimento dos filhos, Maria alcança para os seus filhos espirituais todas as graças necessárias à salvação; ela é Medianeira de intercessão e secundária, entre Cristo e nós.

 

-Argumento de razão: podemos e devemos chamar a Virgem Maria “Mãe de Deus” porque o termo da maternidade não é a natureza, mas a pessoa. E a Pessoa em Cristo é a 2ª da Santíssima Trindade, o Filho. Na Virgem se realiza, pois, este mistério: ser Ela “Mãe de Deus e de Deus filha”. Ela participa do mistério do Seu Filho, que é Deus e Homem ao mesmo tempo.

 

 

II – A Imaculada Conceição

 

Essa prerrogativa é consequência da primeira. Destinada a ser mãe verdadeira e virginal de Cristo-Deus, não podia ela ter contacto com o pecado. Aliás, se a alguém fosse dado escolher a própria mãe, não escolheria a mais virtuosa, a mais pura, a mais santa? De facto, Jesus não só pôde escolher a Sua mãe, mas fazê-la, pois é Deus. Ele fez, pois, imaculada a Sua mãe, isto é, isenta de toda a culpa original. É a razão de conveniência.

 

Mas, essa verdade está contida  no próprio texto de (Génesis 3,15), pois aí se prediz que o futuro salvador e a Sua santa mãe terão uma inimizade total com Satanás, e que lhe imporão derrota total. O que é incompatível com a condição de quem tivesse estado, por um momento sequer, sob o pecado e, pois, sob o Maligno. Pressupõe-se a  concepção imaculada, não só de Cristo enquanto homem, mas também de Sua santa mãe.

 

 

III – O Ofício de Co-redentora

 

Também está contida no citado texto (Génesis 3,15) a verdade de que aquela Mulher invicta, posta por Deus em total inimizade com o Demónio, ia participar de todos os sofrimentos e lutas do futuro.

 

Redentora por nossa redenção: realmente a Virgem Maria participou da Paixão de Jesus no grau máximo, sofrendo em união com Ele as dores mais atrozes, e oferecendo-O a Deus Pai como Vítima por nós. Sacrificou-Lhe o seu direito natural de mãe sobre o Filho. Ela é, pois, nossa co-redentora.

 

 

IV – A Assunção Corpórea ao Céu

 

A vitória de Cristo sobre Satanás, o pecado e a morte foi realizada na Paixão e Morte na Cruz, mas se tornou completa e patente com a Sua Ressurreição e Ascensão ao Céu. Ora, o texto do Génesis associa inseparavelmente o Messias e Sua Mãe na mesma luta e na mesma Vitória final e completa. Ora, a vitória de Maria Santíssima não seria completa se o seu corpo imaculado e virginal tivesse ficado sujeito à corrupção do sepulcro. Jesus Cristo não o permitiu, elevando-a ao Céu em corpo e alma no fim da sua vida. Assim cumpriu-se plenamente aquela magnífica profecia.

 

 

V – A Perpétua Virgindade

 

- Respondendo objecções: Os protestantes não cessam de injuriar a Jesus rebaixando a Sua santa mãe à condição de uma mulher comum. Vejamos na Bíblia como isso é falso:

 

1º) No encontro de Jesus no Templo: Jesus aí não arguiu a Sua mãe por não saber que Ele devia cuidar dos interesses de seu Pai (Lucas 2,49). Não era esse o sentido primeiro das Suas palavras no contexto. Era antes: Não sabeis que devo estar no que é de meu Pai? Assim, era normal que a Sua mãe entendesse a resposta no sentido de ficar morando no Templo, como Samuel, por exemplo. Por isso S. Lucas afirmou: Eles não entenderam o que Jesus lhes dissera (Lucas 2,50).

 

2º) Em Caná, a mãe de Jesus Lhe informou ter acabado o vinho. Jesus respondeu usando a expressão semítica: Mulher, "que há entre mim e ti?" E acrescentou: “A minha hora ainda não chegou” (João 2,4). Não se pode tomar essa expressão no sentido dos nossos idiomas. Ela tem sentido próprio do seu.

 

Prova: de facto aquela expressão foi usada seis (6) vezes no Antigo Testamento. Ela espera sempre resposta negativa: não há nada; uma só vez, ela indica inimizade; as outras vezes, indica que não há nada porque estamos de acordo, ou somos amigos. Cf., para o 1º sentido: 2 Reis 3,13; para o 2º: 2 Sam 16,10; 19, 22; Juizes 11,12; 1 Reis 17, 18; 2 Crónicas 35,21.

 

É claro que no caso de Caná o sentido é de pleno acordo quanto ao facto da providência solicitada, com uma pequena discordância para a oportunidade do mesmo. Daí ter Jesus dito: a minha hora ainda não chegou. Mas Ele antecipou a hora,e fez o milagre, atendendo ao intento caritativo da Sua santa mãe.

 

Quanto ao apelativo Mulher, dizem os entendidos da língua aramaica, a que Jesus falava, que tem um sentido respeitoso equivalente a Senhora. Quanto mais na boca de Jesus ao referir-se à Sua santa mãe! Sobretudo no contexto de Caná e da Cruz, Jesus, o melhor dos Filhos, deve ter-Se dirigido à Sua verdadeira e santa mãe com acentuado carinho e respeito filiais.

 

Esse apelativo sugere ainda a lembrança da Mulher da profecia de Génesis 3,15, não obstante Jesus não chamá-la de mãe, pois também Jesus, sendo verdadeiro Deus, costumava chamar-Se a Si mesmo o Filho do homem, realçando a sua condição de Messias ao lado daquela Mulher cuja figura Ele e a Sua mãe estavam dando cumprimento.

 

3ª) Jesus pregava numa casa cheia de gente. Avisam-lhe que lá fora estão a Sua mãe e os Seus chamados irmãos (primos). Jesus responde: Minha Mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (Lucas 8,21; 11,27-28). É evidente que Jesus não está negando à Sua santa mãe a honra de ser a primeiríssima entre os que ouvem e põem em prática a palavra de Deus, antes o supõe. É esse o Seu principal título de glória. O mesmo se diz de Lucas 11,27-28)

 

 

Por que chamamos Maria, mãe de Deus, em vez de chamar Mãe de Jesus?

 

Não seria exacto dizer que Maria é simplesmente a mãe de um homem, como se a sua maternidade se limitasse somente ao lado humano de Jesus.

 

É preciso deixar claro que Maria gerou o Homem – Deus (Romanos 9,5; João 1,1) e o Verbo se fez carne (João 1,14)… chama-lo-ão Emanuel (Isaías 7,14), que traduzido é Deus connosco (Mateus 1,23). Meu senhor e meu Deus (João 20,28). E todos os anjos o adoram (Hebreus 1,6).

 

Maria é, realmente, mãe de Jesus Cristo, homem e Deus, conforme o testemunho da escritura: Lucas 1,31; 2,7, Gálatas 4,4. Diante disto, podemos seguramente, sem sombra de dúvida, rezar a Nossa Senhora, chamando-lhe:Santa Maria, mãe de Deus. Porque, dar a luz um filho (Mateus 1,26, Lucas 2,7), é ser mãe; e, no caso, mãe de uma pessoa dotada de natureza humana e divina.

 

Maria revestiu o verbo com a sua própria carne. Esse é todo o sentido e o cumprimento das palavras do anjo Gabriel naquele dia…

 

Para entender:

 

Maria da mesma forma, dando natureza humana à natureza divina de Jesus, que é Deus, torna-se a mãe da pessoa de Jesus Cristo, na plenitude do seu ser humano e divino.

 

Por exemplo: Jesus não disse ao filho da viúva: a parte de mim que é divina te diz: Levanta-te!, Jesus manda simplesmente: Eu te digo: Levanta-te. Na Cruz, Jesus não disse: minha natureza humana tem sede, mas exclamou: tenho sede.

 

Para entender melhor ainda:

 

Nosso Senhor, morreu como homem, pois Deus não poderia morrer na Cruz. Então perguntamos: Nosso Senhor, que morreu como homem, não pagou os nossos pecados como Deus? Os Seus méritos não eram infinitos? Portanto, as duas naturezas de Jesus Cristo não podem ser separadas, pois nunca poderíamos explicar a rendenção fazendo uma distinção tão grande. Portanto Nossa Senhora, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, é mãe de Deus. Ou alguém poderia negar que Nosso Senhor, morrendo como homem, nos redimiu como Deus?

 

Algumas pessoas ignoram que Lutero e Calvino não negaram o dogma da divina maternidade de Maria.

 

• Lutero escreveu: Não há honra, nem beatitude, que sequer se aproxime por sua elevação da incomparável prerrogativa superior a todas as outras, de ser a única pessoa humana que teve um filho em comum com o Pai Celeste. (Deutsche Schriften, 14,250)

 

• Calvino escreveu: Não podemos reconhecer as benções que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para mãe de Deus. (Comm. Sur I ’Harm. Evang.20).

 

 

Fonte: A Fé Explicada


17
Jun 12
publicado por FireHead, às 13:21link do post | Comentar

Por que os Católicos chamam os seus pastores de "padres" (pais) se a Bíblia diz: "Nunca chamem ninguém na terra de seu pai, pois apenas um é seu Pai e Ele está no Céu" (Mateus 23,9)?

 

Os Católicos chamam os seus pastores de "padres":

 

1) Porque é um pai espiritual para os Católicos

 

Porque ele é um pai espiritual para eles... Na infância, ele os baptizou e também foi o instrumento... a acção do seu renascimento pela água e pelo Espírito, semelhante ao pai físico, responsável pelo nascimento físico.

 

2) Ele dá o alimento espiritual

 

Ele lhes dá o alimento espiritual para as suas almas quando recebem o Corpo e Sangue de Cristo na Sagrada Comunhão: "Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida" (João 6,55).A provisão dos alimentos é outra obrigação do pai.

 

3) Também aconselha como um pai

 

Na Confissão, o pastor não apenas perdoa os pecados em nome de Cristo, mas também os aconselha para a melhor forma de sobreviver às dificuldades... espirituais e materiais. Isto tambem é um dever do pai.

 

4) Estar sempre ao lado

 

Igual a um pai, o pastor estará sempre ao lado do leito de morte de um Católico para o consolar e o assistir. Nenhum Católico gostaria de morrer sem um pastor - o seu pai espiritual- ao seu lado.

 

5) O padre não obriga ninguém a chamá-lo assim

 

Mas um pastor não obriga ninguém que lhe chame por este título. Os Católicos o chamam de "padre" como um sinal da afeição, como eles tratam os seus parentes naturais e também porque ele se parece com um pai pelos seus deveres e obrigações.

 

6) Outro uso da palavra "padre"

 

O Acordo de Crudens (que não é um acordo Católico), no início da citação sob a palavra "padre" diz: "Além do seu uso comum, esta palavra é também usada no sentido de senhores, de ancestrais, de fundadores de negócios ou profissões, de chefes de habitantes de uma vila etc."

 

7) Eiste algum homem que foi chamado pai na Bíblia?

 

A palavra "pai" é encontrada mais de 1000 vezes na Bíblia, e apenas a metade refere-se a Deus. As outras referem-se a seres humanos, que são chamados "pais".

 

8) Não era do interesse de Jesus que nenhum homem fosse chamado "padre" segundo os versículos bíblicos

 

Não era a intenção de Cristo que nenhum homem fosse chamado de "pai", pois em Mateus 23,1-3 Ele admoesta o povo para seguir os ensinamentos dos fariseus, mas não o seu exemplo: "Então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam". De acordo com esses versículos, não deve ser seguido aquele que se afasta de Cristo. Cristo, Ele próprio, permitiu e usou a palavra para outros e não para Deus:

(a) Em João 4,12, Ele não corrigiu a samaritana que disse: "És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual também ele mesmo bebeu, e os filhos, e o seu gado?"

(b) Em João 8,56, Ele mesmo usou o termo referindo-se a Abraão: "Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se".

(c) São Paulo, seguindo o exemplo de Cristo, não tomou estas palavras no sentido literal: Ele chama os corintos de seus filhos espirituais: "Porque ainda que tenhais dez mil aios em Cristo, não tendes contudo muitos pais; pois eu pelo Evangelho vos gerei em Cristo Jesus" (1 Coríntios 4,15).

(d) II Corintios 12:14-15: "Com efeito não são os filhos que devem entesourar os pais, mais os pais para os filhos. De mui boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas".

(e) São Paulo chama Timóteo de "Querido FILHO na fé" (1 Timóteo 1,2).

(f) São Paulo chama os coríntios de FILHOS: "Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a filhos meus amados" (1 Coríntios 4,14).

(g) São Paulo fala aos filipenses que a prova da lealdade de Timóteo é encontrada no facto de que ele serviu a Paulo no Evangelho como um filho ao pai: "Mas sabeis que provas deu ele de si; que, como filho ao pai, serviu comigo a favor do Evangelho" (Filipenses 2,22).

(h) Também em 1 Tessalonicenses 2,11: "Assim como sabeis de que modo vos tratávamos a cada um de vós, como um pai a seus filhos..."

 

Então não podemos utilizar os termos se nós aderirmos à interpretação literal. Todos os títulos honoríficos seriam proibidos: juízes, senhores, presidentes, embaixadores etc. não poderiam ser chamados "Vossa Excelência". Os físicos não poderiam ser chamados de "Doutores" e os ministros não poderiam ser chamados de "reverendos". Nós não poderíamos chamar o nosso pai de "pai", pois não há excepções na interpretação literal. Nós não poderíamos usar a expressão "senhor" às pessoas comuns, pois ela é equivalente a "Senhor" quando nos referimos a Deus, pois o mesmo texto diz "eles também não poderão ser chamados de Senhor..."

 

Sobre o texto de São Mateus

 

Nem poderíamos utilizar o termo "mestre" aos homens, pois ele é equivalente a "Mestre" que significa "Senhor Deus". Desta forma, este texto de São Mateus não pode ser tomado literalmente, ou como uma lei geral. Os pastores Católicos não obrigam as suas ovelhas a chamá-los de "padres". Isto é para eles uma fonte de humildade em vez de orgulho, pois esse termo sempre lembra ao pastor das suas obrigações como um pai espiritual para o seu rebanho.

 

 

Prof. Carlos Nabeto


16
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:26link do post | Comentar | Ver comentários (5)

O Vaticano anunciou a criação de uma estrutura provisória na Austrália para acolher os fiéis anglicanos em ruptura com as posições "liberais" da sua igreja, como já sucedeu nos EUA e na Inglaterra.

 

A Congregação para a Doutrina da Fé criou um novo "ordinariato", o equivalente a uma diocese, destinado ao acolhimento dos bispos, padres e fiéis desejosos de aderir à Igreja de Roma.

Em cerca de 12,6 milhões de Cristãos australianos, os anglicanos são o segundo grupo mais importante, com com 3,7 milhões de seguidores, a seguir aos 5,1 milhões de Católicos.

O ordinariato de Nossa Senhora da Cruz do Sul - a designação adoptada - será dirigido pelo padre Harry Entwistle.

O ordinariato australiano é o terceiro a ser criado, após os americano e inglês, e resulta como estes da constituição apostólica 'Anglicanorum coetibus' de Bento XVI, publicada a 4 de novembro de 2009, documento que abriu a entrada dos fiéis anglicanos na Igreja Católica.

O ordinariato permite aos anglicanos preservarem a sua tradição litúrgica.

Muitos elementos do clero e fiéis anglicanos estão decepcionados com as posições da sua igreja, em particular a ordenação de mulheres e homossexuais como padres e bispos, assim como a aceitação das uniões homossexuais.

A igreja anglicana, que conta com 77 milhões de fiéis no mundo muito divididos por estas e outras questões, resulta do cisma de 1534 quando o Papa Clemente VII recusou conceder o divórcio ao rei Henrique VIII de Inglaterra.

 

 

Fonte: Diário de Notícias


15
Jun 12
publicado por FireHead, às 02:19link do post | Comentar | Ver comentários (2)

A encarnação de Jesus não baniu o pecado da história humana. Embora ela se tenha constituído na possibilidade concreta de superação do pecado, muitos ainda haveriam de resistir, preferindo um projecto de vida cujo desfecho é a condenação. Por outro lado, a quem optasse por Ele, o Messias não apresentava uma vida de segurança e de comodidade.

A resistência que Jesus experimentou por parte dos Seus contemporâneos teve prosseguimento na experiência dos discípulos. A opção pelo caminho de Jesus exigia força e coragem diante das perseguições, dos flagelos, dos processos nos tribunais que os inimigos de Deus haveriam de impingir aos seguidores do Seu Filho. Como Jesus, o discípulo seria também a presença questionadora da salvação na história humana, embora muitos iriam persistir no caminho do pecado.

A história da Fé Cristã, por isso, estava fadada a ser uma história de martírio e de testemunho da Fé, pela entrega corajosa da própria vida. Por conseguinte, o discípulo deve considerar estas circunstâncias como possibilidade de comprovar a profundidade da sua opção pelo Reino anunciado por Jesus.

 

Pe. Jaldemir S. J.

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13
Jun 12
publicado por FireHead, às 03:21link do post | Comentar

 

Celebra-se hoje o dia de um dos mais conhecidos santos portugueses, Santo António de Lisboa.

 

É considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos velhos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é padroeiro de Portugal, e é invocado para achar-se coisas perdidas, para conceber-se filhos, para evitar naufrágios, para conseguir casamento. A devoção popular o colocou entre os santos mais amados do Cristianismo, cercou-o de riquíssimo folclore e lhe atribui até os dias de hoje inúmeros milagres e graças (Wikipédia).


12
Jun 12
publicado por FireHead, às 16:31link do post | Comentar
Arquidiocese de Washington
Tradução e fonte: Sentinela no escuro

1. Amor pela nudez – Isto é claramente manifestado em vários níveis. Primeiro existe a tendência generalizada de vestir-se imodestamente. Já discutimos a modéstia aqui antes e devemos notar que modéstia vem da palavra “modo”, referindo-se ao meio ou a moderação. Por isso, se por um lado procuramos evitar noções opressivamente puritanas sobre o vestuário que impõem fardos pesados (especialmente sobre as mulheres) e que vêem o corpo como algo mau, por outro também devemos criticar muitas das formas modernas de se vestir no outro extremo. Estes “estilos” revelam mais do que razoável e geralmente deveriam, com a pretensão de chamar atenção a aspectos do corpo que são privados e reservados para a união sexual no casamento. Muitos em nossa cultura não vêem problema em desfilar vários níveis de nudez, vestindo peças que possuem a intenção de descobrir e chamar a atenção em vez de esconder as áreas privadas do corpo. Este amor pela exibição e provocação é seguramente um aspecto do próprio amor do Mal pela nudez. E ele tem espalhado esta obsessão a muitas pessoas no moderno Ocidente.
2. Pornografia – como não há nada de novo neste mundo caído, seguramente alcançou proporções epidémicas por meio da internet. Qualquer psicoterapeuta, conselheiro ou sacerdote te dirá que o vício da pornografia é um enorme problema entre as pessoas de hoje. Sites pornográficos superam outras categorias dez vezes mais. Milhões de americanos estão consumindo enormes quantidade de pornografia e a “indústria” está crescendo exponencialmente. O que uma vez foi escondido nas livrarias, hoje está à distância de um clique na internet. E a ideia de que os hábitos de navegação podem ser facilmente descobertos pouco importa aos viciados na última das formas de escravidão. Muitos estão sobre uma encosta íngrime a ponto de caírem em formas mais degradantes de pornografia. Muitos acabam em sites ilegais e antes mesmo de saberem o que aconteceu, deparam-se com o FBI batendo nas suas portas. O amor de Satanás pela nudez possuiu muitos!
A cultura global de sexualização também amarra ao amor satânico pela nudez. Nós sexualizamos a mulher para vender produtos. Nós sexualizamos até mesmo as crianças. As nossas novelas tagarelam excessivamente sobre sexo de um modo muito adolescente e imaturo. Nós somos, colectivamente, tolos e imaturos a respeito do sexo e a nossa cultura vibra como adolescentes fogosos obcecados por algo que eles não compreendem. Sim, o amor satânico pela nudez e tudo o que vem com ela.
Violência - nós já discutimos antes como nós, colectivamente, transformamos a violência numa forma de entretenimento. Os nossos filmes de aventura e jogos de vídeo transformam retaliação violenta numa prazerosa forma de entretenimento e a morte numa “solução”. Os últimos Papas têm-nos alertado sobre a cultura da morte, na qual a morte é cada vez mais proposta como solução para os problemas. Na nossa cultura a violência começa no ventre, onde os inocentes são atacados. Chamam isto de “direito” e “escolha”. A violência e a adopção da morte continuam movimentando-se pela cultura por meio da contracepção, actividades violentas de gangues, recursos fáceis para a guerra e pena capital. O século passado talvez tenha sido o mais sangrento já conhecido no planeta e incontáveis pessoas, na casa dos milhões, morreram durante as duas guerras. Além disso, vale lembrar das centenas de conflitos e guerras regionais, terríveis campanhas em favor da fome na Ucrânia, China e outros lugares, genocídios na Europa Central, na África e no sudeste da Ásia. Paul Johnson, no seu livro Modern Times, estima que cerca de 100.000.000 morreram em guerras e de maneiras violentas nos últimos 50 anos do século XX. E a cada morte, Satanás faz a sua “dança intrometida”. Satanás ama a violência. Ele ama colocar o fogo e ver-nos culpando uns aos outros enquanto nos queimamos.
3- Divisão – Satanás ama dividir. Dom Fulton Sheen diz que a palavra “diabólico” vem de duas palavras gregas “dia Bolós”, significando separar, dividir. Tendo como base os meus próprios estudos de grego, por mais parcos que sejam, diria que os resultados da tradução não seriam os mesmos do bispo. “Dia” significa “através” ou “entre” e “bolós” “atirar ou arremessar”.
Ainda assim, o bom bispo era um homem estudioso e eu peço a vocês, estudantes de grego, que me compreendam e defendam Dom Sheen. Ainda assim, é claro que o diabo nos quer dividir. Dentro da nossa própria psiqué e entre e os outros. Certamente ele se regozija a cada divisão que provoca. Ele “atira coisas entre nós” (dia bolós)! Eis o propósito diabólico. E, portanto, vemos as nossas famílias divididas, a Igreja dividida, a nossa cultura e o país divididos. Agora nós estamos divididos ao nível máximo: racial, religioso, político e económico. Nós dividimos a nossa idade, raça, região, Estados azuis e vermelhos, liturgia, música, linguagem e demais pormenores sem fim.
As nossas famílias são rachadas, os nossos casamentos são rachados. Os divórcios são exaltados e compromissos de quaisquer tipos são rejeitados e considerados impossíveis. A Igreja está rachada e dividida em facções, assim como o Estado, todos os níveis que compõem os conselhos escolares. Ainda assim, mesmo que concordemos com o essencial, verifica-se que até mesmo quando uma verdade é compartilhada somos chamados de intolerantes.
E dentro também, nós lutamos com muitos ímpetos divisivos e formas de esquizofrenia figurativa e literal. Somos puxados para o que é bom, verdadeiro e belo e ainda o que é inferior, falso e mau também nos atrai. Sabemos o que é belo, o que é bom, mas desejamos o que é mau. Procuramos amor, mas cedemos ao ódio e à vingança. Admiramos o inocente, mas frequentemente nos alegramos em destruí-lo ou pelo menos em substituir isto pelo cinismo.
E assim Satanás dança a sua “dança intrometida”.
Três características do diabólico: amor pela nudez, violência e divisão. O que achas? O príncipe deste mundo está cumprindo com os seus compromissos? Mais importante ainda: estamos sendo coniventes? O primeiro passo para vencer os compromissos do inimigo é conhecer os seus movimentos, nomeá-los e repreendê-los em Nome de Jesus.

07
Jun 12
publicado por FireHead, às 00:41link do post | Comentar

A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na verdade, trata-se de Deus, como Ele a Si mesmo se tratou em Cristo, com tão absoluto auto-desprendimento em nosso favor, com tão grande entrega por nós e a nós, em dádiva total.
 
Precisamente assim, como O guardamos na Santíssima Eucaristia. Nela recebemos a Deus e O acolhemos na Sua humildade espantosa, em tão inaudito dom de Si.
 
E a esta luz imensa poderemos compreender melhor o que seja um corpo - o Corpo de Deus - e o que havemos de ser nós também, na nossa dimensão corporal.
 
A frase chave é a que disse Jesus: "Tomai: isto é o meu corpo".

 
Assim o disse Cristo, como o repetimos em cada Eucaristia, memória viva do que então nos foi oferecido. E sabemos pela Fé - que é a maneira mais certeira de saber alguma coisa - que, no Seu corpo, é Jesus mesmo quem se oferece. Não é algo Seu, mesmo que excelso: é Ele próprio, inteiramente assim.
 
Nunca havemos de imaginar Deus, o que seria impossível, pois está antes, depois e acima de qualquer pensamento limitado. E porque sabemos que Ele próprio se auto-manifestou em Cristo, Palavra em que se comunica e figura em que se apresenta. Manifestou-se em Cristo, corpo vivo nascido da Virgem Maria: menino, adolescente, jovem e adulto, página a página dos Evangelhos, em cada choro ou sorriso, em cada frase ou silêncio, em cada oração ou brado, em cada baga de suor ou sangue. Assim é Deus, no corpo vivo de Jesus Cristo.
 
Há muito tempo, como ouvimos de Moisés, o sangue aspergido dos novilhos, lembrava a aliança entre Deus e o Seu povo. Agora é o próprio sangue de Cristo, "derramado pela multidão dos homens", que sela a aliança em que vivemos. No tempo antigo, recordava-nos a Epístola aos Hebreus, derramou-se o sangue de cabritos e novilhos, para purificar o povo, legal e exteriormente ainda. Agora é o sangue de Cristo que "purifica a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!".
 
Compreendamos então a "lógica" do verdadeiro amor, pois é dela que se trata. Quem ama aproxima-se do objecto do seu amor, em dom total de si mesmo e vinculação perpétua ao outro. Por isso "incarna" na carne de quem ama; por isso se "corporiza" em atitudes concretas de dedicação provada. Assim fez Deus em Cristo, relacionando-se totalmente com a nossa humanidade, que tomou como Sua; assim se abeirou de nós, num corpo em que se ofereceu e nos fez Seus. Para sempre, como "herança eterna prometida", na expressão da mesma Epístola.
 
Excessos de amor autêntico e divino, que nos "definem" Deus como nunca O conseguiríamos imaginar! Definem realmente, porque, estando além de qualquer tamanho, se fez pequeníssimo e limitado para vir ao encontro das nossas inúmeras limitações e as alargar por dentro, na única amplidão do seu infinito e tão comprovado amor, pessoa a pessoa, caso a caso. Poderemos reflectir a partir daqui; nunca o poderíamos calcular, sem a revelação divina que Jesus é e nos patenteia.
 
Continuemos a espantar-nos com a realidade; não nos habituemos a ela, pois é ela mesma que nos vai habituando a si: a hóstia consagrada que adoramos, é Deus, é o Corpo de Deus. Concluiu em sacramento e sinal vivo do Seu amor a longa caminhada em que nos procurou e procura, revelando que a Sua essência é misericórdia.
 
Do ventre puríssimo da Virgem Santa Maria, o corpo de Cristo nasceu e cresceu, como os Evangelhos o noticiam: desdobrou-se em palavras e gestos de salvação de corpos e almas, em três anos de incansável missão. Foi embalado por Sua Mãe e chegou a ser ungido e perfumado depois; mas sofreu todas as vergastadas do ódio, todos os espinhos da coroa e todos os cravos da cruz, sendo sepultado por fim...
 
Por fim, ou antes por começo. No começo novíssimo em que apareceu ao terceiro dia, na corporização ressuscitada que O faz continuar connosco agora, aqui e em todas as igrejas do mundo; também em todos os corpos que riem ou choram, para nos esperar nos outros e ser estimado e servido em cada um. Também para ser pão e alimento nosso no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, cumprindo principalmente deste modo a promessa feita: "Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos".
 
É assim que o Corpo de Cristo, Corpo de Deus está connosco: proximidade total, coexistência completa e companhia eterna. Todo o percurso foi Seu, pelo áspero caminho que Lhe abrimos; não é demais que O acolhamos agora, em acção de graças que também nos comprometa a nós, para que, feitos um com Ele, O deixemos chegar por nós aos outros, a todos e a cada um dos outros.
 
Na verdade é isto mesmo o nosso corpo: sobretudo à luz de Cristo, a nossa corporeidade é o nosso ser para os outros. E nada menos do que isto, para não definharmos, nem gastarmos sem ganho próprio e alheio a imensa possibilidade der ser e conviver que transportamos em nós. Como toda a realidade, a dimensão corporal de cada um ou se torna dom ou enquista e morre.
 
Há muito que nos atrai sobre todas a magnífica beleza do Crucificado. É o Crucificado que ressuscita, mantendo as marcas da crucifixão, pois todo o esplendor lhe realça o amor com que se entregou a nós e por nós, por cada espinho, por cada cravo, pelo coração aberto. - Como refulgem também as rugas dos que envelheceram na caridade de Cristo, única beleza que perdura! - Como irradia a serenidade de quem espera na dor e para além da dor, dando mais esperança aos outros do que auto-comiseração a si mesmo! - Como rebrilham os mil cansaços generosos, as mãos gastas de tanto darem, os trajes comuns dos que se resumiram na túnica inconsútil que Cristo nos deixou no Gólgota!
 
Tudo sinais do corpo ressuscitado de Cristo, que os associa a si, na caridade que o seu Espírito derrama. Esses verdadeiramente O comungam no Santíssimo Sacramento do seu Corpo e Sangue; esses realmente O levam na procissão dos seus corpos e gestos generosos, sacramentos vivos dum eterno amor.
 
Pelo contrário, amados irmãos e irmãs, muito pelo contrário, que tristeza prevista em tantos corpos que se gastam antecipadamente em belezas exteriores e egoístas; que se esbanjam em aparências fugazes de mil estéticas vazias, tão repetitivas e monótonas...
 
Tudo, absolutamente tudo, definha e seca, ainda antes de tempo, quando não corporiza a caridade. A caridade oferece-se em alimento de todas as circunstâncias e urgências; dá-se na generosidade duma só Cruz, esplende no fulgor dos que corporizam os sentimentos de Cristo. Inversamente, o egoísmo, latente ou induzido em superficialíssimas feiras de vaidades, reduz os corpos a aparências fugazes, esvazia-os do seu significado relacional e adianta-lhes as cinzas garantidas.
 
"Corpo de Deus", irmãos e irmãs, é o que temos hoje, realmente oferecido na dádiva total de Cristo. Comungando-o devotamente, com Cristo o havemos de ser, para as mil indigências do corpo e da alma do mundo. Deste nosso mundo nas suas actuais circunstâncias, de que nos abeiraremos na procissão permanente dos gestos partilhados e oferecidos. 
 

Hélder Gonçalves

 

Fonte: LUCERE ET FOVERE


06
Jun 12
publicado por FireHead, às 14:07link do post | Comentar

Cuidai que ninguém vos seduza. (S. Mateus XIV, 4)

 

 

Introdução

 

Em suas memoráveis “Controvérsias” – compilações apologéticas destinadas a reconquistar as almas protestantizadas de Chablais – São Francisco de Sales demonstrou com brilhante lógica a falsa autoridade dos patriarcas do protestantismo. Acusados de heresia, alguns adeptos da nova seita defendiam a sua rebelião contra a Igreja alegando uma extraordinária missão divina. Contra isso argumentava São Francisco que toda missão imediata, isto é, recebida directamente de Deus, deve ser confirmada com milagres e profecias.

 

Assim, para dar provas da sua divina missão, Moisés operou milagres e profecias. Nosso Senhor Jesus Cristo, por virtude própria, também os fez para comprovar a veracidade da Sua divina missão. E a Igreja Católica, desde a sua fundação, tem sido acompanhada de verdadeiros milagres e profecias.     

 

Os pais da reforma, pelo contrário, não apresentaram qualquer prova da sua suposta “missão reformadora”. Neles não encontramos nem milagres nem profecias. Lutero, que exigia de Thomas Münzer provas milagrosas que confirmassem a sua pregação, não realizou nenhum e ainda garantiu que não os faria. Calvino, o tirano de Genebra, deu provas apenas do seu descontrolado fanatismo, perseguindo e matando quem se opusesse ao seu exame “infalível”. Henrique VIII, com a sua vida devassa, provou ser um assassino e um adúltero perverso. O protestantismo não apresentou milagre algum na sua origem. E nem poderia, pois Deus jamais concederia milagres para confirmar mentiras, induzindo os homens ao engano e à perdição.      

 

Apesar desse fracasso inicial, suficiente para desmascarar a fraude dos hereges, os seus discípulos inconformados, embora tardiamente, ousaram apresentar de modo abundante “sinais milagrosos” que o passado protestante não realizou. Gerados na ruptura e na insubmissão, os hereges precisavam urgentemente dos milagres para que não desmoronassem num paulatino descrédito. Era preciso aumentar a fileira dos seguidores. A pregação sectária precisava de um atractivo convincente.

 

Prometer muitos sucessos e uma vida fácil, com certeza de salvação, não seria tão atraente quanto realizar grandiosos eventos “milagrosos”. Não bastava ensinar uma nova “fé”: era preciso dar um show de prodígios. Com absoluta confiança, os profetas da mentira passaram a anunciar com data e hora marcada o próximo espectáculo de milagres.  Nesse frenesim de “prodígios maravilhosos”, somos inevitavelmente surpreendidos por uma imensidão de “milagres” exibidos quase diariamente pela multiplicidade de seitas.

 

Em qualquer subúrbio, em qualquer esquina, os mesmos fenómenos “inexplicáveis”. Aleijados voltando a caminhar, cegos recuperando a visão, doentes sendo curados, nada escapa à mão milagrosa do “pastor”. Parece-nos que fazer milagres tornou-se tão comum quanto fazer “arroz com feijão”.  Apesar desse surto de “fenómenos inexplicáveis” por todos os lados, a qualquer alma com o mínimo de bom senso custa aceitar que em todas essas seitas ocorrem verdadeiros milagres. E essa recusa se fundamenta, principalmente, na oposição de credos que dividem as seitas.  

 

Se Deus fosse o autor de todos esses “milagres”, estaria em evidente contradição, visto que favoreceria doutrinas contraditórias. Ora, como Deus não pode ratificar o erro e tão pouco levar as almas a acreditarem nesse erro, podemos concluir indubitavelmente que esses “milagres” são falsos.

 

Mas, mesmo diante desse raciocínio lógico, muitos teimam e se perdem por confiar em aparências fantásticas, e não na verdade que desmascara as obras fraudulentas do demónio e de seus asseclas. Colocam o sentimento e a impressão pessoal acima da doutrina. Ignoram a contradição, a falta de unidade e as mais evidentes mentiras, focando apenas o maravilhoso manancial de “cura e libertação”.

 

Aparentemente, esses caçadores de milagres acreditam que Nosso Senhor teria dito “Ide e realizai milagres”, e não “Ide e ensinai a todos”. Em outras palavras, a religião de Cristo seria essencialmente uma máquina de fazer milagres, quando, na verdade, o milagre é algo excepcional, concedido especialmente para conversão dos incrédulos.  

 

Neste tempo em que o encanto dos falsos milagres seduz as almas para o abismo das seitas, é preciso desmascarar os hereges milagreiros e prevenir os Católicos abandonados na ignorância por um clero que, preocupado unicamente com as coisas da terra, se recusa a ensinar as verdades do Céu.  

 

 

Pode um herege fazer milagres?

 

Conforme explica São Tomás na sua Suma Teológica, milagre é tudo aquilo que se realiza fora de toda a ordem natural (Parte I, q.110, art. 4). A ressurreição, por exemplo, é um evento milagroso que ultrapassa a ordem de toda a natureza criada.

 

Embora Deus seja o único Autor capaz dessa espécie de milagres, existem outros efeitos igualmente admiráveis, apesar de inferiores, que não recebem o título de verdadeiros milagres. São, por vezes, fenómenos naturais ou produções diabólicas. A concepção desse princípio, referido pelo Aquinate, é indispensável no processo de averiguação dos milagres divinos.  

 

Conhecendo a astúcia do demónio, Nosso Senhor estabeleceu alguns critérios pelos quais a Igreja distingue a Sua acção extraordinária no mundo das meras invenções do diabo. Neste intento, a fé em Cristo constitui o primeiro e principal elemento, mister para admissão de um verdadeiro milagre.

 

Pouco antes de ascender aos Céus, Nosso Senhor revelou os sinais que acompanhariam os convertidos:

 

Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demónios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados (S. Marcos XVI, 16-19).

 

Cristo estabelece uma ligação entre os milagres e a Fé. O Evangelho, disse Ele, será anunciado a toda criatura pelos Apóstolos. Aos que acreditarem, Deus concederá o poder de fazer milagres.

 

Dessas claras palavras, proferidas pelo Verbo Encarnado, podemos inferir que sem Fé verdadeira é impossível fazer milagres.

 

Comentando esse trecho do Evangelho de São Marcos, ensina São Jerónimo:

 

Uma e outra coisa são necessárias aos que servem ao Senhor: que as obras se provem com as palavras, e as palavras, com as obras (apud Santo Tomás. Catena Áurea, Comentário ao Evangelho de São Marcos XVI, 16-19).

 

Fé e obras se confirmam mutuamente. Não pode existir contradição entre uma e outra. No caso dos milagres a relação é idêntica: o milagre é confirmado pela Fé, enquanto esta é confirmada pelos milagres. Neste sentido, Deus não pode validar a palavra enganosa dos hereges concedendo-lhes obras milagrosas.

 

Uma árvore ruim não pode produzir bons frutos (S. Mateus VII, 17-18).

 

Esses frutos, explica Santo Agostinho, são as acções do homem. Enquanto este persistir na sua maldade, não poderá fazer obras boas (Santo Agostinho, De Sermone Domini, 2, 24).

 

Alguns espíritos ecuménicos, esforçando-se para incluir as seitas entre os meios de salvação, afirmam a possibilidade de milagres em qualquer religião citando o seguinte trecho do Evangelho de São Marcos:

 

João disse-lhe: Mestre, vimos alguém, que não nos segue, expulsar demónios em teu nome, e lho proibimos. Jesus, porém, disse-lhe: Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um prodígio em meu nome e em seguida possa falar mal de mim. Pois quem não é contra nós, é a nosso favor (S. Marcos, IX, 38-40). 

 

Distorcendo a correcta interpretação desta passagem, argumentam os indiferentistas em defesa do ecumenismo pós-conciliar, respeitador e favorecedor de todas as heresias. No entanto, o escrito sagrado, se examinado atentamente, não permite essa conclusão modernista.

 

Ao corrigir o Apóstolo São João, que havia proibido alguém de expulsar demónios porque não os seguia, Nosso Senhor fornece duas importantes informações:

 

1) Ninguém que faça um prodígio pode em seguida falar mal de mim;

 

2) Quem não é contra nós (Cristo e os Apóstolos), é a nosso favor.

 

 

Considerando esses dois princípios, a ideia ecuménica dos milagres não se sustenta. Ora, os hereges sempre acusam a Igreja Católica, recusando aceitar a sua doutrina e as suas legítimas autoridades. Desprezando a Igreja e os seus representantes, rejeitam a Nosso Senhor como Ele mesmo asseverou: Quem vos ouve, a mim ouve, e quem vos despreza a Mim despreza (São Lucas X, 16).

 

Com isso Deus fornece mais uma luz para que os homens não caiam na sedução de certos “festivais de prodígios”. Sabendo que o “milagre” se realiza entre os que atacam e recusam submeter-se à Igreja de Cristo, pregando uma doutrina contrária ao que ela sempre ensinou, não podem concluir senão pela falsidade ou diabolicidade do prodígio.

 

Na Catena Áurea de São Tomás encontramos várias interpretações dos padres e doutores da Igreja que esclarecem os versículos do Evangelho segundo São Marcos (IX, 38-40).

 

O primeiro deles apresenta a seguinte explicação:

 

Muitos dos crentes haviam recebido certos poderes ainda que não estivessem com Cristo, como o de expulsar os demónios, mas nem todos os haviam recebido por ordem, posto que uns haviam-no recebido de uma vida simples… (Pseudo-Crisóstomo apud São Tomás. Catena Áurea: Comentário ao Evangelho de São Marcos, IX, 38-40).

 

Ainda sobre o mesmo texto:  

 

E acrescenta para manifestar que nada deve opor-se ao bem: "Ninguém que faça milagres em meu nome poderá, portanto, falar mal de mim". E o diz àqueles que cairiam em heresia, como Simão, Menandro e Cherinto, os que por outra parte, não operavam milagres em nome de Cristo, senão que os simulavam com certos enganos. Estes ainda que não nos seguem – disse – não poderão dizer verdadeiramente nada importante contra nós, posto que, fazendo milagres, honram meu nome (Op. Cit.).

 

Para concluir, as palavras de Santo Agostinho:

 

Manifesta assim que aquele de quem havia tratado São João não havia se separado da companhia dos discípulos como para reprovar-lhe como aos hereges, mas como muitas vezes se separa os que, não se atrevendo a receber os Sacramentos de Cristo, se mostram benévolos com os Cristãos sem outro objectivo que o de honrar seu nome (Op. Cit.)

 

O conjunto dos comentários supra-expostos descarta a interpretação modernista dos milagres. Aquele que expulsava demónios, sem estar com os apóstolos, não era contra Cristo, como os hereges. Pelo contrário, acreditavam sinceramente em Cristo, falando e agindo em Seu Nome, mesmo sem pertencerem ao grupo dos apóstolos. Portanto, o exorcista censurado por São João, de facto, seguia Nosso Senhor, embora não andasse com os Seus discípulos.

 

Enquanto o exorcista do Evangelho honrava o nome de Cristo e nada poderia dizer contra Ele e os Seus discípulos, Deus lhe concedia o dom de fazer milagres. Mas, como os hereges blasfemam contra Nosso Senhor, atacando a Sua Santa Igreja e ao mesmo tempo chamando o seu divino fundador de mentiroso, não fazem senão falsos milagres, que afastam as almas da verdadeira religião.

 

Por isto – diz São Gregório Magno – a Igreja despreza os "milagres" dos hereges, porque não reconhece neles coisa alguma de santidade (São Gregório Magno, Moralia, 20, 9).

 

Se o exorcista defendido por Cristo como sendo seu favorável fazia verdadeiros milagres, outros, embora recorressem ao Nome de Nosso Senhor, não lograram o mesmo êxito, porque não eram convertidos.

 

O mencionado evento consta nos Actos dos Apóstolos. Vejamo-lo a seguir:

 

Alguns judeus exorcistas que percorriam vários lugares inventaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que se achavam possessos dos espíritos malignos, com as palavras: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Assim procediam os sete filhos de um judeu chamado Cevas, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno replicou-lhes: Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois? Nisto o homem possuído do espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois deles e subjugou-os de tal maneira, que tiveram que fugir daquela casa feridos e com as roupas estraçalhadas (Actos XIX, 12-18).

 

Evidentemente, esses judeus não obtiveram sucesso no seu exorcismo porque não seguiam sinceramente Nosso Senhor. O mesmo se pode dizer dos hereges, inimigos ferozes da verdadeira Fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hebreus XI, 6). Separados de Cristo e excluídos da Igreja, nada podem fazer de sobrenatural, a não ser com auxílio das forças diabólicas.   

 

A própria finalidade dos milagres suplanta o “show prodigioso” dos hereges.

 

Segundo expõe São Tomás, o milagre visa:

 

1) Confirmar a verdade predicada;

2) Demonstrar a santidade de alguém.

 

Quanto à primeira espécie de milagres, ensina o Aquinate que qualquer um que ensina a verdadeira Fé e invoca o nome de Cristo, pode fazê-los; Quanto à segunda espécie, somente os santos podem realizá-los para dar provas da sua santidade (Parte II-II, q.178 art. 2).

 

A primeira finalidade dos milagres (confirmar a verdade ensinada) pode ser constatada no seguinte trecho do Evangelho de São Marcos:

 

Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam (S. Marcos XVI, 20).

 

A segunda (demonstrar a santidade de alguém) verifica-se neste outro trecho:

 

Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos (Actos dos Apóstolos XIX, 11-12).

 

Acerca desse trecho, ratificador da santidade de São Paulo, escreve Teofilato:

 

Mas devemos ter presente que a palavra se confirma com a obra, como nos Apóstolos, cujas palavras confirmavam os milagres que os acompanhavam (Cf. Catena Aurea).

 

Quando estava diante de Pilatos, Nosso Senhor declarou que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (S. João XVIII, 37-38). Os milagres, diz São Tomás, são testemunhos daquilo para o qual se realizam (Parte I-II, q.178 art.2, 2). Ora, Deus não pode dar testemunho contra Si mesmo. Portanto, não pode a Verdade Eterna testemunhar com milagres a mentira das seitas.  

 

Orientando-se por essas inconfundíveis verdades, dificilmente alguém seria atraído pela propaganda “milagrosa” dos hereges. Os erros contra a Fé bastariam para menosprezar esses falsos milagreiros de subúrbio, por mais numerosos e fantásticos que possam parecer os seus espectáculos.

 

Caso Deus Sapientíssimo concedesse milagres aos hereges, muitos seriam enganados por uma falsa santidade e por uma falsa doutrina. E Deus, decreta a divina Escritura, não pode e não quer nos enganar (Números XXIII, 19).

 

 

O demónio e os seus prodígios

 

 

Alguns, por ignorância ou por orgulho, recebem positivamente os “maravilhosos” prodígios exibidos pelas seitas. Na maioria dos casos, são impelidos a este erro grosseiro não porque recusam a ideia de que os verdadeiros milagres só acontecem na Igreja Católica, mas porque não encontram outra explicação para o que vêem de extraordinário nas reuniões dos hereges. Encantados pelos efeitos “inexplicáveis”, deixam-se arrastar para o abismo da heresia.  

 

Com razão advertiram os Apóstolos contra as seduções do demónio. O alerta é enfático. São Paulo, referindo-se à segunda vinda de Nosso Senhor, previne os Cristãos quanto à origem dos efeitos fantásticos que serão produzidos pelo ímpio:

 

A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores (II Tessalonicenses 2,9).

 

Falando sobre os sinais que precederão o Seu glorioso retorno, Nosso Senhor acautela contra os prodígios enganadores:    

 

Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos (São Marcos XIII, 22).

 

O poder dos ímpios será de origem diabólica. Os seus prodígios, por mais fantásticos, não serão propriamente milagres, cuja finalidade é dar testemunho da verdade.

 

É da astúcia do diabo camuflar a mentira sob a aparência da verdade. E ele se esforça para aproximar as suas produções, tanto quanto possível, dos milagres divinos. Entretanto, como o anjo das trevas também é criatura finita, com poderes limitados, não pode fazer nada que ultrapasse a ordem da natureza criada, por exemplo, ressuscitar um morto.

 

Comentando o referido trecho do Evangelho de São Marcos, Santo Agostinho ensina que, enquanto os bons Cristãos operam milagres pela pública justiça, os magos e hereges o fazem por contratos ocultos, auxiliados pelas potestades infernais. Concluindo, afirma o santo Doutor não ser absurdo crer que, por intervenção dos poderes inferiores dos anjos rebeldes, seja possível realizar verdadeiros prodígios (Cf. Catena Áurea, Comentário ao Evangelho de São Marcos XIII, 22).

 

Tratando das manifestações do Anticristo, Santo Agostinho escreve:

 

Então ficará Satanás em liberdade, e implantará pelo Anticristo todo o seu poder de um modo maravilhoso, ainda que falso. Ocorre que, com frequência, se duvida da razão que teve o Apóstolo para chamá-los milagres e prodígios falsos. Pode ser que, ofuscados os sentidos, vejam uma aparição que faz o que não pode fazer, ou que, sendo verdadeiros prodígios, enganem aos que crêem que só Deus pode fazê-los, não conhecendo o poder do diabo, e menos naquele tempo em que o terá maior que nunca (op. cit.).

 

Este poder do príncipe das trevas é detalhadamente descrito no livro de Jó.

 

O texto sagrado diz que, para comprovar a fidelidade do justo chamado Jó, Deus permite ao demónio destruir os bens deste servo. Para executar o que lhe foi previamente concedido, o demónio fez cair fogo do céu, consumindo as ovelhas e os escravos de Jó. Além disso, produziu um furacão, fazendo desabar a casa sobre os filhos deste justo.

 

Nota-se com isso que, sob a concessão divina, o demónio tem poder sobre os fenómenos da natureza, podendo provocá-los para atingir os seus fins, sempre malévolos.

 

Sobre isso, Santo Agostinho – e nele apoia-se São Tomás – afirma que o demónio pode manipular elementos da natureza, e com o seu poder, produzir certos efeitos.

 

Na última tentativa de abalar a fidelidade de Jó a Deus, o demónio lança sobre ele uma terrível maldição: Satanás retirou-se da presença do Senhor e feriu Jó com uma lepra maligna, desde a planta dos pés até o alto da cabeça (Jó II, 7).

 

Vemos, portanto, que certas doenças também podem ser produzidas pelo demónio. E se ele pode causá-las, também pode retirá-las, sempre visando a perdição das almas.

 

São Tomás faz uma pertinente distinção:

 

Alguns milagres não são verdadeiros, mas factos fantásticos, pelos quais o homem é enganado, de tal modo que pareça ver o que não é. Outros são factos verdadeiros, mas não são propriamente milagres, e que se devem às causas naturais. Estas duas classes podem ser realizadas pelo demónio (Parte II-II, q.178, art.2).

 

Assim sendo, no que diz respeito às curas exibidas aos montes nas reuniões dos hereges, estas podem advir da imaginação e de fraude humana; podem ser “factos fantásticos” destinados a iludir, ou ainda verdadeiros prodígios produzidos por meio de fenómenos naturais, forjados pelo pai da mentira.

 

São Francisco de Sales, relatando certas curas entre os não Cristãos, não estranha a hipótese de que, com auxílio do diabo, Vespasiano tenha de facto curado um cego e um coxo, cujas deficiências não eram absolutamente incuráveis (Las Controvérsias. Madrid: Casa editorial San Francisco de Sales, 1898, p.199).

 

Em resposta a uma objecção, São Tomás argumenta que os poderes espirituais podem fazer aquelas coisas que se fazem visivelmente neste mundo, utilizando por movimento os germes dos corpos (Parte I, q.110, art.4, 3). Santo Agostinho é do mesmo parecer, dizendo que os demónios podem utilizar certos germes que se encontram nos elementos materiais (Parte I, q. 114, art.4, 2).

 

Ainda sobre os poderes do demónio, escreve São Tomás:

 

[...] todas as mudanças das coisas corporais que podem realizar-se por qualquer virtude natural, entre os quais estão os germes mencionados, podem realizar-se pela operação dos demónios utilizando tais germes. Exemplo: Ao converter certas coisas em serpentes ou rãs, as quais podem engendrar-se na putrefação. Mas as mudanças das coisas materiais que não podem realizar-se por virtude da natureza, de nenhum modo podem realizar-se na realidade pela acção dos demónios, como que o corpo humano se converta em corpo de besta ou que um corpo morto ressuscite. E se assim alguma vez parece fazer-se isso por virtude dos demónios, não é assim na realidade, mas só na aparência (op. cit.).

 

Por sua natureza angélica, o demónio consegue fazer coisas que ultrapassam o poder e a previsão dos homens. Assim como certos truques, pela habilidade de quem os realiza, escapam ao alcance dos sentidos causando admiração, o demónio, com muito mais facilidade, executa acções que excedem o poder e o conhecimento humano, induzindo a crer que constituem verdadeiras manifestações milagrosas. Embora pareçam milagres para os homens, as obras prodigiosas dos demónios não chegam a essa categoria.

 

Ademais, se os anjos decaídos podem operar certas coisas dentro da ordem da criação, produzindo fenómenos naturais, manipulando ou movendo certos elementos contidos nos corpos, podem também alterar a imaginação e mesmo os sentidos das pessoas, levando-as a perceber algo como real, quando na verdade não é (Parte I, q.114, art.4).

 

Essa ilusão demoníaca também pode ocorrer quando, a partir do ar, o demónio forma um corpo de qualquer forma e figura para aparecer visivelmente disfarçado. E o anjo das trevas não só pode assumir uma falsa aparência, como pode ocultar qualquer objecto corpóreo sob qualquer forma corpórea, de tal modo que não seja visto (Op. cit.).

 

Ora, São Paulo advertiu os Cristãos de Corinto sobre o disfarce do diabo de “anjo da luz”. Aquele que é treva se apresenta em forma disfarçada de luz, ocultando a si mesmo e aos objectos.   

 

Assim compreendemos porque Nosso Senhor preveniu os homens contra os embustes do demónio. Ele conhece bem esta criatura rebelada que, possuindo natureza superior à dos homens, os enganaria com a sua astúcia. Por isso instituiu a Igreja, que pela luz da Fé, confirma a verdade e destrói as manobras mentirosas do diabo.   

 

Apesar dos grandes poderes do diabo, as suas falcatruas, embora prodigiosas, não resistem ao brilho da verdade. Quem sabe, se o demónio não estivesse tão esquecido nos seminários, nas Igrejas e até nos sermões clericais, o povo não seria tão facilmente enganado pelas seduções milagreiras dos hereges, algumas vezes auxiliados pelos anjos malignos.

 

A religião relativizada, somada à extinção – ou corrupção – da instrução religiosa nas paróquias, favoreceu essa busca por espectáculos sobrenaturais, onde quer que aconteçam. Um simples “prodígio” já é suficiente para arrastar multidões. Por desejo insaciável de milagres, desprezam as palavras que Nosso Senhor dirigiu ao apóstolo incrédulo, porque exigiu provas de sua divindade: Felizes aqueles que crêem sem ter visto (S. João XX, 29).

 

É verdade que para a rápida difusão e adesão ao Evangelho de Cristo, os milagres foram abundantes nos primeiros séculos. Segundo explica São Gregório Magno, isso foi necessário no começo da Igreja porque era preciso regar a semente da Fé com milagres. Porém, observa este santo Papa e doutor da Igreja que, na medida em que a “árvore” da Fé está devidamente enraizada, tal como as plantas, deixa-se de regá-la com a “água” dos milagres (Cf. Catena Áurea: Comentário ao Evangelho de São Marcos XVI, 16-19).  

 

Sobre isso explica Santo Agostinho:

 

A Igreja Católica, estando uma vez difundida e estabelecida por toda a terra, aqueles milagres não foram mais consentidos ao nosso tempo. Isso para que o nosso espírito não exija sempre coisas visíveis, e que o género humano não se arrefeça pelo costume de se apoiar nesses bens, com cuja novidade se tinha inflamado (A Verdadeira Religião. 2ª ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1987, p.80, grifo nosso).

 

Embora haja em Deus uma sapientíssima razão para esse arrefecimento dos milagres em relação aos primeiros séculos, eles nunca deixaram de existir na Igreja Católica, seja para confirmar a sua doutrina e divindade, seja para confirmar a santidade de alguns dos seus membros.

 

Acontece que, paralelamente, o diabo nunca deixou de tentar falsificar as obras de Deus. Ele não só quer enganar com os seus plágios mal feitos, mas também vulgarizar os milagres divinos com os seus prodígios, de modo a produzir, concomitantemente, fanatismo e desprezo.

 

Como sempre, quer enganar os Católicos propondo falsos dilemas: ou se aceita tudo como milagre ou os nega completamente. Os dois extremos são falsos e cooperam para distorcer ou negar as maravilhas de Deus a fim de confundir as almas.

 

O diabo, por mais poderoso que seja em relação aos homens, sempre deixa falha em suas obras. Os seus prodígios, ainda que fantásticos, nunca conseguem copiar perfeitamente os milagres divinos. Somente Deus perfeito pode produzir milagres perfeitos. Os anjos decaídos, apesar dos poderes que possuem, estão privados de perfeição. Ademais, enquanto criaturas que são, situam-se infinitamente abaixo de Deus.

 

Daí que, mesmo tratando-se de um anjo, é possível distinguir os sinais das obras do demónio se comparados aos das obras de Deus.

 

Na sua Apologética Cristã, o Padre W. Devivier faz algumas importantes ponderações:

 

Sejam quais forem as faculdades naturais de que ele [o demónio] dispõe e de que na sua queda não ficou despojado, é certo que este inimigo de Deus nada pode fazer sem a permissão do soberano Senhor de todas as criaturas. Ora nunca a verdade, bondade e santidade de Deus poderão permitir que este anjo rebelde imite as divinas obras a ponto de invencivelmente induzir o homem ao erro e o levar deste modo à eterna perdição. Dizemos invencivelmente, porque havendo Deus feito o homem racional, não o dispensa do uso da razão para se garantir contra as ilusões (Pe. W. Devivier S.J. Apologética Cristã. São Paulo: Editora-Proprietaria, 1924, p. 151).  

 

Na distinção de factos miraculosos e prodígios diabólicos, deve-se levar em contra três pontos, segundo orienta São Tomás: a pessoa que opera o milagre, a intenção pela qual opera e a maneira como opera. Assim, as qualidades pouco recomendáveis dos indivíduos de que se serve o diabo, a doutrina imoral que sustentam e os procedimentos pouco dignos que os acompanham, são alguns sinais da intervenção diabólica (op. cit.).

 

As obras de Nosso Senhor possuem efeitos diametralmente opostos, pois que sempre apresentam os sinais do poder divino, da simplicidade e da bondade. Nelas não encontramos extravagância, nem ostentação ou intenção de espantar, além de estarem sempre relacionadas com os ensinamentos dogmáticos e morais (op. cit., p. 152).

 

De todos esses sinais reveladores da autoria divina nos milagres, a verdade é a arma mais eficaz contra as falsificações do diabo. Jamais o pai da mentira fará um prodígio para confirmar uma verdade de Deus. O seu invencível desejo é precipitar as almas no Inferno, induzindo-as ao pecado e aos erros contra a Fé. Podemos dizer então que, onde reina a verdade, não pode haver prodígio diabólico destinado a confirmá-la. E, onde reina a mentira, não podem existir os milagres que ratificam a ortodoxia e a autoridade.

 

+++

 

 

Grande parte do clero infelizmente aposentou a verdade. Depois do Vaticano II, voltou-se para as coisas da terra, desprezando e até negando os tesouros do Céu.

 

Privadas do nobre alimento da verdade, as almas famintas partiram em busca das novidades, encontrando na mentira o doce atractivo para saciá-las. Abandonadas pelos pastores e vazias da verdade espiritual, não lhes restou alternativa senão apegar-se aos sinais concretos. Diante da fome e da sede de verdade, os prodígios lhes pareceram então como agradável consolo.

 

E, quando já não se tem mais o pão da verdade, qualquer coisa parece verdadeira e agradável. Até mesmo as seduções do diabo…

 

Quando os pastores voltarem a ensinar, as trevas serão novamente desmascaradas. E o que hoje se tornou obscuro pela ignorância e pela falta de virtude, tornar-se-á claro pelo sol da verdade. É pelo anúncio da verdade revelada que as almas serão libertadas dos erros, das ilusões diabólicas e dos falsos milagres, cumprindo assim o que disse Nosso Senhor:

 

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (S. João VIII, 32).

 

 

Conclusão: milagres apenas na Igreja Católica

 

 

Não discutiremos as objecções racionalistas contra a realidade dos milagres. Como este artigo se direcciona àqueles que acreditam na sua possibilidade, limitamo-nos a demonstrar unicamente que, por sua natureza e finalidade, apenas na Igreja de Cristo eles se realizam.

 

Que Nosso Senhor fez muitos milagres é facto indiscutível. Que Ele prometeu testemunhar a Sua divina religião com factos milagrosos, atestam-nos as suas próprias palavras. Disso se deduz que, para descobrir os verdadeiros milagres, requer-se antes a identificação da verdadeira religião.

 

É um erro, portanto, ignorar os princípios em favor dos milagres, tal como acontece em nossos dias.

 

São vários os caminhos que levam a origem divina da Igreja Católica. A perfeição da sua doutrina, o heroísmo e a fidelidade dos seus mártires, a sua própria história, repleta de glórias contra os erros e as perseguições, a sua sobrenatural caridade, convertendo povos inteiros, mudando costumes e leis, promovendo o progresso e a elevação cultural das nações, todos esses caminhos indicam a santidade e a divindade da religião Católica.

 

Poderíamos provar a ligação existente entre a Igreja e o seu divino fundador pelo estudo das fontes Cristãs. Examinado a Escritura Sagrada e os textos da Tradição, enxergamos com inevitável clareza que a Igreja Católica é a Igreja de Nosso Senhor. Somente ela recebeu de Cristo os poderes de ensinar, governar e santificar. As seitas não passam de criações humanas, geradas no cisma e no ódio à verdadeira religião.

 

A açcão da Igreja no mundo, transformando as sociedades de modo milagroso, constitui outro terreno também indicador da sua divindade. Sendo fonte inesgotável de virtudes, é a única sociedade perfeita edificada por Nosso Senhor. Do contrário, não poderia ser causa de valores tão sublimes.        

 

Desses sinais característicos da verdadeira revelação, os santos padres preferiram destacar o valor demonstrativo dos milagres e das profecias, tendo-os por testemunhos irrecusáveis da divindade e santidade da Igreja. Nada se compara aos milagres da Igreja Católica, cuja magnitude ultrapassa os limites da capacidade humana e de toda a ordem da natureza criada.  

 

Poderíamos aduzir uma infinidade deles. Aqui citaremos apenas três, suficientes para ridicularizar as miseráveis realizações dos hereges. 

 

A liquefação do sangue de São Januário, presenciada todos os anos com dia e hora prevista pela multidão de fiéis de Nápoles, compõe a lista dos espectaculares milagres, tesouros exclusivos da Igreja Católica.    

 

Conservado em estado sólido numa pequena redoma de cristal, o sangue do santo mártir volta ao seu estado líquido, quando exposto diante da sua cabeça, começando a ferver e borbulhar, como se estivesse fresco e recém derramado.

 

Este estupendo milagre, jamais interrompido, também sofreu os ataques racionalistas, sempre empenhados em negar qualquer realidade milagrosa. Como sempre, apesar dos esforços em contrário, o fenómeno permanece intacto ante a incredulidade dos cépticos.

 

Nem mesmo nos ataques o diabo age com perfeição. Por mais subtis que sejam os seus argumentos, sucumbem diante das obras de Deus. Assim, como em outros numerosos casos, nada resiste ao glorioso milagre de São Januário, sublime e desafiador do racionalismo dos ateus.

 

Como os demais, este milagre visa testemunhar a santidade do mártir e, concomitantemente, a santidade e divindade da Igreja. Não há quem o explique por meios naturais. Por sua grandeza e perfeição inexplicável, apresenta-se definitivamente como mais um selo de Deus em favor da Sua única religião verdadeira.        

 

Outro milagre, também magnífico pelas proporções, aconteceu em Fátima, sob os olhares atentos de 70 mil pessoas. Conforme prometido pela Virgem Maria aos três pastorinhos, no dia 13 de outubro de 1917 o sol literalmente “bailou”, e após girar de modo enlouquecido, caiu em ziguezague em direcção à terra. O facto foi testemunhado pela imprensa da época, a saber, o jornal “O Século”.

 

Esse fenómeno extraordinário foge às leis físicas, emudecendo, pelo eloquente espetáculo, as vozes ateias do mundo moderno. Não pode o diabo operar prodígio tão estupendo. Por sua natureza finita, ele não pode suspender uma lei de Deus, menos ainda para seu próprio benefício. E, de modo algum, eventos desse porte poderão existir entre os hereges. O nível do milagre Católico denota a majestade da Igreja e a certeza de que somente nela Deus manifesta o Seu poder sobrenatural.

 

Igualmente surpreendentes são os corpos dos santos preservados da corrupção natural, após muito tempo do falecimento. Assim que morre, o corpo humano entra em estado gradativo de decomposição. No entanto, em casos particulares de intervenção divina, essa lei universal não exerceu influência nos corpos de alguns santos, permanecendo até hoje intactos.

 

Submetidos ao exame da ciência, não há causa natural ou artificial que explique a incorruptibilidade dos corpos. Por exemplo, o corpo de Santa Catarina de Bolonha, falecida em 1463, portanto, há mais de 500 anos. Exalando perfume, após o seu sepultamento, seguido de muitos milagres, o seu corpo foi examinado e sua incorruptibilidade devidamente confirmada.

 

Muitos outros corpos de santos foram maravilhosamente preservados da corrupção, indubitavelmente por intervenção divina.  

 

Nada se compara a esses feitos milagrosos. Enquanto as seitas rivalizam entre si, oferecendo curas e poções milagrosas, nenhuma delas ousa sequer reproduzir os fascinantes milagres da Igreja Católica. Ou as seitas se contentam com seus falsos e ridículos prodígios, ou são obrigadas a reverenciar os verdadeiros milagres que testemunham, sem possibilidade de contestação, a santidade e divindade da Igreja Católica.

 

Os frutos das trevas não se comparam aos frutos da luz (Efésios V, 9).

 

E pelos frutos, diz Nosso Senhor, se conhece a árvore…

 

 

In Corde Jesu, semper

Éder Silva

 

 

Fonte: Associação Cultural Montfort


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