«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
31
Mai 12
publicado por FireHead, às 00:22link do post | Comentar

 

A 1 de Novembro de 1567, o Papa Pio V publicou a bula De Salute Gregis Dominici, ainda em vigor: (...) Nós, considerando que estes espectáculos que incluem touros e feras no circo ou na praça pública não têm nada a ver com a piedade e a caridade Cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espectáculos, não de homens, mas do demónio, e tendo em conta a salvação das almas na medida das nossas possibilidades com a ajuda de Deus, proibimos terminantemente por esta nossa constituição (...) a celebração destes espectáculos (...) (in Bullarum Diplomatum et Privilegiorum Sanctorum Romanorum Pontificum Taurinensis editio, tomo VII, Augustae Taurinorum, 1862, pág. 630-631)

 

Também o Papa Bento XVI chegou a falar sobre a exploração de todos os seres vivos, em especial os animais que vivem nas quintas, quando ainda era Cardeal. Ao ser questionado, em 2002, sobre os direitos dos animais numa entrevista, o então Cardeal Joseph Ratzinger afirmou o seguinte: Este é um assunto muito sério. De todos os pontos de vista, podemos ver que eles foram postos sob os nossos cuidados, que simplesmente não podemos fazer o que queremos com eles. Os animais também são criaturas de Deus... Certamente, certos tipos de usos industriais das criaturas, como quando os gansos são alimentados de tal maneira a produzir um fígado tão grande quanto possível, ou quando as galinhas vivem tão apertadas que se transformam em caricaturas de aves, esta degradação de criaturas viventes que as converte em coisas me parece que contradiz a relação de reciprocidade que vemos na Bíblia.

 

 

Proibição de touradas em honra de Deus e dos Santos (Conc. Trid., Sessão 25, Cap. o 1, De venerat. Sanctorum) CAP. o 8

 

O espectáculo das touradas é indigno de ser visto pelos Cristãos e não difere muito daquele desumano costume dos pagãos de combater contra as feras, com erro do povo ignorante. Sucede julgar-se este género de espectáculos como exibição em honra de Deus, da bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus e dos santos - de tal maneira que se chega ao ponto de alguns fazerem promessas de realizarem touradas! O Santo Concílio aconselha os Ordinários que ensinem ao Povo a si confiado, que com espectáculos desta natureza, mais se ofende a Deus do que se Lhe presta culto. Essas horas que se destinam a distrair os olhos com um vão e inútil prazer, são subtraídas ao culto devido a Deus, levando muitos fiéis a afastarem-se do sacrifício da Missa que aqui e ali deixam de assistir ao ofício vespertino.

 

Por isso ordena-se aos juízes das confrarias que não comprem toiros com as rendas e esmolas das mesmas. Se assim fizerem, além da restituição no dobro, sejam multados de acordo com a decisão dos Ordinários. Se algumas promessas com o pretexto de oferecer touradas, foram feitas, estabelece o Santo Concílio que as declarem nulas, proibindo também que outras promessas do género se façam.

 

Proíbe-se aos clérigos, quaisquer que sejam as ordens sacras que tenham recebido, ou aos prebendados, quaisquer que sejam os benefícios que tenham obtido -sob pena de cinco cruzados de ouro, aplicáveis em benefício do meirinho, e, em parte, em obras pias, proíbe-se, repete-se, que assistam a tais espectáculos.

 

Aos alcaides das cidades e das vilas, exorta-os o Santo Concílio que se abstenham de semelhantes espectáculos, a fim de que não desviem das coisas da Igreja e dos ofícios divinos as almas dos povos a cujo governo presidem. (in O IV Concílio Provincial Bracarense e D. Frei Bartolomeu dos Mártires do Prof. Dr. José Cardoso. Edição APPACDM - 1994)

 

 

Não deixa, no entanto, de ser curioso como, em pleno século XXI, se continue a realizar touradas a pretexto de festas religiosas ou em honra de Santos, com a cumplicidade de certos clérigos...


29
Mai 12
publicado por FireHead, às 15:59link do post | Comentar

Zombar da Fé e usar a Fé Católica parece ser hoje o que motiva os homens  a viverem como se fosse mesmo o próprio oxigénio. Já não mais os motiva o amor, o respeito, a verdade, mas o desrespeito, a zombaria. Iludidos e na busca de se satisfazer, erram o caminho e erram justamente para o lado do Cristianismo. Claro! Para que iriam aborrecer quem morreu e nunca mais voltará à vida? Ao contrário, sentem um enorme prazer em desrespeitar os Cristãos, justamente, porque nós (...) seguimos, amamos, adoramos um Deus Vivo, que morreu sim em nosso favor, mas que vive e reina para sempre e nos dá a vida. Se antes havia uma certa indiferença à Religião, hoje vemos um verdadeiro ódio a ela, uma verdadeira irreligião e a decorrência disso é uma total perseguição aos Cristãos, aos que dizem amar a Deus e os seus valores. Eles não são precisamente homens sem religião, são homens contra a religião com toda a sua frieza para com Deus. Caíram no engodo do Anticristo e se acham espertos e inteligentes. Pobres almas.

 

Hoje lutamos pelos nossos direitos, nunca se falou tanto em liberdade de expressão. Concordo, é facto que se somos livres, temos o direito de nos expressarmos, mas liberdade, a verdadeira liberdade -, só se expressa unida à responsabilidade para com o outro. Não vivemos numa ilha, e temos obrigações para com aquele que vive ao nosso lado. E respeitar a Religião faz parte deste princípio.

 

Mas como diz Chesterton, “qualquer vara é boa para bater na Igreja Católica”. E o que temos visto são varas demais, seja para com Cristo, seja para com a Igreja e a sua doutrina, seja para com os santos que honraram a Deus com as suas vidas, seja para connosco, os Cristãos. Aguentamos e no fundo rezamos para que eles vejam a luz. (...) Somente quando pesa no bolso é que de facto quem não respeita a Deus, mas que normalmente ama o dinheiro, vai pensar duas vezes em desrespeitar aqueles que só querem amar a Deus acima de todas as coisas.

 

 

*Excertos extraídos na entrada Melissa e o desrespeito à Fé Católica in A Fé Explicada


28
Mai 12
publicado por FireHead, às 22:51link do post | Comentar
 
Um Oriental não pode admitir uma organização social que não repouse em princípios tradicionais; para um muçulmano, por exemplo, a legislação inteira não é senão uma dependência da religião. Em tempos, também assim foi no Ocidente: basta lembrarmo-nos do que foi a Cristandade na Idade Média; mas, hoje, as relações estão invertidas. Com efeito, vemos agora a religião como um simples facto social; em vez da ordem social inteira ser associada à religião, esta, contrariamente, quando ainda consentimos dar-lhe um lugar, não é mais vista senão como um qualquer dos elementos que constituem a ordem social; e quantos católicos aceitam esta forma de ver sem a menor dificuldade!
Praticamente, crentes e não crentes comportam-se quase da mesma maneira; para muitos católicos, a afirmação do sobrenatural não tem senão um valor teórico, e ficariam embaraçados se tivessem que constatar um facto miraculoso. É o que podemos chamar de um materialismo prático, um materialismo de facto; não é este mais perigoso do que o materialismo admitido, precisamente porque aqueles que por ele são atingidos não têm sequer consciência?
 
René Guénon in "Oriente e Ocidente"
 
 
Fonte: Acção Integral

27
Mai 12
publicado por FireHead, às 21:19link do post | Comentar

Já constatei que os protestantes - os gnósticos pseudo-Cristãos - costumam frequentemente afirmar que as ditas aparições marianas não passam de eventos sobrenaturais demoníacos, afirmando que nem todos os milagres procedem de Deus. Gostam eles também de dizer que os demónios podem fazer uma ou mais pessoas adquirirem conhecimento que essas mesmas pessoam não poderiam nunca ter doutro modo, sustentando que a Bíblia afirma que se um "profeta" nos der um "sinal" ou "maravilha" e incitar-nos a seguir outros deuses (demónios), ele tem que ser resistido.

 

Vejamos, portanto, o que os protestantes nos insinuam: que Nossa Senhora é uma deusa (um ídolo, como eles gostam de a chamar - a ela e a qualquer outro santo) e que nós os Católicos somos declaradamente idólatras.

 

Esmiufrando a coisa, eles têm então que admitir que os Católicos vêem Nossa Senhora e outros santos como, por exemplo, o Santo António, como deuses, logo eles para nós são o fim em si, e não um meio para se chegar a Deus (o que contraria explicitamente a doutrina Católica). Por outras palavras, ao recorrermos aos santos, ignoramos Deus, pondo-O de parte. Nada mais falso, pois é justamente o contrário. Chama-se a isso intercessão e a própria Bíblia confirma a intercessão, pois próprio Deus sempre usou intercessores (Abraão, Moisés, Job, etc).

 

Voltando ao caso das aparições marianas, o que os protestantes vociferam só faz sentido se os Católicos de facto verem Nossa Senhora como uma deusa, ou seja, como um fim em si, sem precisar de Deus. Aqui demonstro-vos que isso é falso, para além de não passar duma calúnia contra os verdadeiros Cristãos, ou seja, os Católicos.

 

Vejamos, por exemplo, o que aconteceu em Fátima no ano 1917. A 13 de Maio, Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos. Segundo relato da irmã Lúcia, Nossa Senhora perguntou-lhes o seguinte: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?"

 

Vejamos: poderá um ídolo, ou um falso deus, falar-nos de Deus e inclusive sugerir que nós nos ofereçamos a Ele? Será o Demónio capaz de tamanha façanha? O Demónio quereria, e quer, afastar-nos de Deus, nunca encaminhar-nos em direcção a Ele.

 

A primeira aparição termina com a seguinte frase de Nossa Senhora: "Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto."

 

Em momento algum Nossa Senhora se colocou no lugar de Deus. Ela falou como uma enviada, tal como a Bíblia nos fala que os anjos foram enviados por Deus como Seus mensageiros. É o próprio Senhor que deixa vir a Sua Mãe até nós! Deus enviar-nos-ia "sinais" ou "maravilhas" do Demónio?

 

Na segunda aparição, no dia 13 de Junho, Nossa Senhora falou do seu Imaculado Coração. O seu Imaculado Coração, interrogarão, raivosos, os protestantes? Sim, o seu Imaculado Coração. Nossa Senhora disse assim: "O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus."

 

Ou seja, fica provado que Nossa Senhora não é nenhuma deusa, mas sim uma intercessora, pois é através dela que nós chegamos até Deus. Nossa Senhora não é o fim em si, mas sim um meio que nos leva ao fim (Deus).

 

Na terceira e última aparição, que ocorreu no dia 13 de Julho, temos mais uma prova cabal de que Nossa Senhora de facto nos encaminha para Deus e isso, sinceramente, se é obra do Demónio então é porque o Demónio se converteu e passou a adorar a Deus...

 

Disse Nossa Senhora: "Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: 'Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos pelo Imaculado Coração de Maria'."

 

Os Católicos de verdade não idolatram Nossa Senhora. Enquanto não fizerem a distinção entre adoração e veneração será sempre difícil estabelecer um diálogo saudável com os gnósticos pseudo-Cristãos. Os mesmos que, curiosamente, não sabem, porque não devem conseguir, distinguir rezar de orar.


Curiosamente, a Igreja Católica condenou no passado um grupo herético que adorava de facto Nossa Senhora. São os coliridianos, uma seita tão gnóstica como as próprias seitas protestantes. O que os difere na Gnose são os meios, mas o fim é precisamente o mesmo: atacar a verdadeira religião, a Igreja Católica. Os coliridianos são do século IV e integravam principalmente mulheres que até faziam sacrifícios em nome da Virgem Maria, tal como se ela fosse, precisamente, uma deusa. Os coliridianos fixaram-se na Arábia. O santo que denunciou a heresia do coliridianismo foi Santo Epifânio, dizendo ele que as mulheres coliridianas tributavam à Virgem um "culto insensato", estabelecendo um paralelo com Astoreth, uma deusa fenícia. Como tal, esses gnósticos pseudo-Cristãos, quais protestantes dos dias de hoje - os herdeiros das heresias gnósticas pseudo-Cristãs -, foram condenados em nome da "sã doutrina da salvação".

 

 

Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo e para sempre seja louvada a Sua Mãe Maria Santíssima!!


publicado por FireHead, às 02:56link do post | Comentar

 

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26
Mai 12
publicado por FireHead, às 23:21link do post | Comentar

Muitas vezes somos abordados pelos chamados "Testemunhas de Jeová". Eles procuram convencer-nos de que o Nome de Deus é Jeová, e que é muito importante tratá-l'O por este nome. Além disso, eles têm outras doutrinas exóticas, que não cabe neste artigo tratar; entre outras coisas, eles dizem que Jesus não é Deus...

 

De onde veio este nome, "Jeová"?

 

Quando Deus Se revelou a Moisés, este perguntou a Ele qual o Seu nome. Deus respondeu: Eu sou O que sou (tradução da Vulgata pelo Pe. Mattos Soares). Este nome, traduzido como "Eu sou O que sou", é uma tradução do hebraico, do chamado Tetragrama, o Nome Inefável de Deus. É uma palavra hebraica com quatro letras: Yud-Hei-Vav-Hei. Esta palavra é uma forma arcaica do verbo "Ser" em hebraico. Devemos notar que o hebraico normalmente não apresenta o verbo "ser" no presente, já que apenas Deus É. Assim, em hebraico, dizemos "eu brasileiro", não "eu sou brasileiro", "Maria linda moça", não "Maria é uma linda moça".

 

Os judeus sempre tiveram um saudável respeito ao nome de Deus. O Tetragrama nunca é pronunciado pelos judeus; apenas o Sumo-Sacerdote, uma vez por ano (no dia de Yom Kippur), entrava no Santo dos Santos do Templo e sussurrava o nome. Isto era visto como algo extremamente perigoso, e na verdade o era. O Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos com uma corda amarrada no pé, para ser puxado para fora em caso de morrer lá dentro, o que certamente ocorreria se ele estivesse impuro. Foi esse aliás o fim de muitos Sumo-Sacerdotes judeus.

 

Para evitar pronunciar o nome de Deus, os judeus, ao lerem as Escrituras, pronunciam no lugar do Tetragrama a palavra "Adonai", que significa "Senhor". Aliás esta também é a Tradição Católica; qualquer tradução Católica mais antiga da Bíblia usará "O Senhor" quando no texto hebraico encontramos o Tetragrama, e "Deus" quando encontramos o Nome "Elohim" (outro nome de Deus, designando a Sua Misericórdia, como o Tetragrama designa a Sua Justiça).

 

Mas o respeito dos judeus vai mais longe; eles não usam a palavra "Adonai", ou sequer a palavra "Elohim" ao falar de Deus fora da oração. Se for necessário traçar a diferença entre uma e outra (como ao comentar a oração ou um texto bíblico), eles dizem "Adokai" ou "Elokim". Ao tratar de Deus em outras ocasiões, normalmente são usadas as expressões "Cadoch Barurrú" (que pode ser traduzida como "O Santo, louvado seja Ele") ou simplesmente "Rachem", que significa "O Nome". Estas pronúncias são transliterações para o sotaque carioca, com "R" soando aspirado, como o "H" em inglês.

 

O resultado disso é simples: a verdadeira pronúncia do Nome de Deus foi perdida. Como a língua hebraica não tem vogais (elas são escritas apenas em textos bíblicos, não em jornais ou livros, e são sinais parecidos com os nossos acentos, colocados em baixo, em cima e ao lado das letras), qualquer tentativa de pronunciar o Nome de Deus é apenas uma suposição. Pode ser uma suposição educada, lendo-se o Tetragrama como normalmente seriam lidas as sílabas que o compõem em outras palavras, mas será sempre uma suposição.

 

Para evitar que alguém lesse por engano o Nome de Deus na oração (ao invés de substituí-lo por "Adonai"), os judeus normalmente escrevem as vogais da palavra "Adonai" com as consoantes do Tetragrama. Assim, o Tetragrama aparece cercado por sinais que são as vogais de "Adonai".

 

O heresiarca Martinho Lutero, ao fazer a sua tradução da Bíblia no século XVI, pegou um texto hebraico que continha justamente estas vogais em torno das consoantes do Tetragrama, e criou uma palavra que é na verdade composta pelas vogais de "Adonai" combinadas com as consoantes do Tetragrama: Jeová.

 

Assim, pela ignorância dos costumes judeus, foi introduzido como sendo o nome de Deus algo que na verdade é apenas uma mistura de duas palavras, sendo uma delas o Nome de Deus e a outra uma expressão que significa "O Senhor". Lutero foi o fundador do protestantismo, e os seus discípulos directos e indirectos levaram adiante este nome falso, que acabou por ser aceite por muitos como sendo a pronúncia correcta do Nome de Deus. Os "Testemunhas de Jeová" são simplesmente um ramo do protestantismo que levou às últimas consequências este engano, e dedica-se a propagar pelo mundo este erro de tradução.

 

Surge então a questão: como deveria ser pronunciado o Nome de Deus?

 

Se procurarmos a suposição mais bem fundada, pronunciaríamos "Iavé", ou "Javé" (a maior parte das palavras que começam com um som de "I" em hebraico têm som de "J" em outras línguas, como "Irruchaláim", em português Jerusalém). Mas o melhor mesmo é nos atermos à tradição da Igreja e dizer sempre "O Senhor", ou, melhor ainda, Jesus, o Nome acima de qualquer outro nome.

 

O importante não é pronunciarmos correctamente O Nome, mas sim O glorificarmos por nossos actos e palavras:

 

Pai Nosso, que estais nos Céus...

 

 

Prof. Carlos Ramalhete

 

Fonte: Mãe de Deus


24
Mai 12
publicado por FireHead, às 18:56link do post | Comentar

Vem-se notando na imprensa o hábito lamentável de designar com o título de “bispo” o pastor ou o líder de qualquer agrupamento religioso.

 

Reflictamos: se alguém colocar na porta do seu escritório ou da sua residência uma placa indicativa com o seu nome e – sem o ser – acrescentar “médico”, “advogado”, “professor” ou outra profissão, pode ser processado por falsidade profissional. Igualmente com o termo “bispo”. Daí a necessidade de se ter noção exacta do que seja o uso correcto do termo.

 

No início da pregação evangélica, os apóstolos de Cristo escolheram colaboradores que, após a sua morte, lhes sucedessem no governo das comunidades nascentes e na pregação da mensagem Cristã. Inicialmente eram chamados de “sucessores dos apóstolos”, como nos informa Clemente Romano, no ano 96 da era Cristã, na bela e conhecida Carta à Igreja de Corinto.

 

A missão destes sucessores era responsabilizar-se pelas comunidades que se formaram ao redor dos apóstolos, supervisionando a sua vida evangélica. Daí o verbo “episkopein” (supervisionar), de que vem o substantivo “epískopos”: o que zela como guarda e protector, por supervisionar o rebanho. Em latim “epíscopus” e, em português bispo, isto é: o que tem a nobre missão, como autêntico sucessor dos apóstolos, de responsabilizar-se pela comunidade dos fiéis.

 

Hoje, quem escolhe e nomeia o bispo é o sucessor de São Pedro, o Papa. O eleito recebe a plenitude do sacramento da Ordem pela “keirotonia”, isto é: imposição das mãos de três outros bispos e pela unção e oração consecratória. Há pois uma corrente genealógica ascendente, que chega até um dos doze apóstolos, do qual o bispo actual é verdadeiro sucessor.

 

Não fica pois, difícil entender que esta função de suceder a um dos doze apóstolos, função de superintender o rebanho de Cristo – “episkopein” – não pode ser usurpada. O despreparo teológico (ou ousadia) chega até a usar o termo no feminino!

 

A autoridade do bispo, sucessor dos apóstolos, vem da palavra de Jesus aos doze: “todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide pois: baptizai e ensinai que observem o que lhes ensinei.” (Mt 28,19ss).

 

Triste saber que o termo que designa o poder espiritual de zelar pela Igreja, transmitido por Jesus Cristo aos doze apóstolos e, posteriormente aos sucessores, seja usurpado e vulgarizado, como vem acontecendo de algum tempo para cá. Esta explicação teológica da palavra “bispo” e sua função nos mostram que seu uso actual para designar qualquer líder religioso não é apropriado nem correcto.

 

 

Fonte: A Fé Explicada


23
Mai 12
publicado por FireHead, às 20:56link do post | Comentar

O Vaticano tornou públicas as normas da Igreja sobre aparições e outros fenómenos sobrenaturais. Estas normas que visam evitar os falsos milagres foram estabelecidas em 1978 mas eram mantidas secretas ou, pelo menos, nunca tinham sido publicadas por um órgão oficial da Igreja.

 

As normas foram publicadas hoje no site da Congregação para a doutrina da fé (www.doctrinafidei.va) e, para já, ainda não estão traduzidas em português. No entanto, o documento intitulado "Normas para proceder ao discernimento de pressupostas aparições e revelações" pode ser lido em latim, inglês, francês, espanhol, italiano e alemão.

O documento é acompanhado por um prefácio do cardeal William Levada, justificando a publicação das normas. E lembrando as palavras proferidas pelo Papa Bento XVI, em 2008, em relação ao significado das "revelações privadas": "O critério para julgar a veracidade de uma revelação privada é a sua orientação para o próprio Cristo. Se nos afasta dele, então certamente não provém do Espírito Santo."

O documento prevê critérios positivos e negativos para encarar o milagre, como, por exemplo, avaliar o equilíbrio psicológico do indivíduo que testemunhou o milagre, a sua história individual, e integridade e a ausência de vantagens materiais ou de comportamentos considerados desviantes. A publicação destas normas, espera o cardeal, irá ajudar os padres que são os primeiros a contactar com os testemunhos de aparições e revelações e que têm de decidir qual o seguimento a dar ao caso.

 


Fonte: Diário de Notícias


publicado por FireHead, às 04:52link do post | Comentar

Um menino protestante de apenas 6 anos ouvia sempre os seus amigos Católicos a rezar a Avé Maria. Ele gostou tanto da oração que copiou-a num papel e recitava-as todos os dias. "Olha, mãe, que oração tão linda!", disse o garoto um dia à sua mãe. "Nunca a repitas, meu filho!", respondeu a mãe. "Esta é uma oração supersticiosa dos Católicos, que adoram ídolos e pensam que Maria é uma espécie de Deusa, mas na verdade ela não passa de uma mulher como uma outra qualquer. Pegue nesta Bíblia e leia-a, nela encontramos tudo o que devemos e o que não devemos fazer."

Daquele dia em diante o menino deixou de rezar diariamente a Avé Maria e dedicou-se mais à leitura da Bíblia. Um dia, quando lia o Evangelho, leu a passagem da anunciação do anjo à Nossa Senhora. Cheio de alegria, correu até a sua mãe e disse: "Mãe, eu encontrei a Avé Maria na Bíblia, aonde diz: 'Avé, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres' (Lucas 1, 28). Porque é que chamaste esta oração de supersticiosa?" Numa outra ocasião ele encontrou a linda saudação de Santa Isabel à Virgem Maria e encontrou também o maravilhoso Cântico Magnificat, no qual Maria profetizava: "Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada"(Lucas 1, 48). Ele não mais comentou estas passagens com a sua mãe, mas voltou a rezar a Avé Maria todos os dias como fazia anteriormente. Ele sentia prazer em recitar aquelas fascinantes palavras para a Mãe de Jesus, Nosso Salvador.

Aos 14 anos, ele ouviu os membros de sua família a discutirem entre eles por causa de Nossa Senhora. Todos eles diziam que Maria era uma mulher comum como qualquer outra. O rapaz, depois de ouvir estas absurdas afirmações, não aguentou mais e com indignação interrompeu-os, dizendo: "Maria não é como qualquer filha de Adão manchada pelo pecado. Não! O anjo chamou-a de cheia de Graça e bendita entre as mulheres. Maria é a Mãe de Jesus Cristo e, consequentemente, a Mãe de Deus! Não existe dignidade maior para com uma criatura. O Evangelho conta-nos que as gerações a chamarão bem-aventurada e vós a desmereçais e menosprezais? Os vossos espíritos não são os mesmos do Evangelho ou da Bíblia, que proclamam ser a fundação da religião Cristã."

O que o rapaz disse deixou uma impressão tão profunda que conseguiu, por várias vezes, fazer a sua mãe chorar de dor. "Ai, meu Deus! Tenho medo que este meu menino um dia se junte à religião Católica, a religião dos Papas!" E realmente não tardou muito para o rapaz descobrir a única e verdadeira religião, depois de um sério estudo sobre o protestantismo e o Catolicismo, tendo-a abraçado e se tornado um dos seus mais ardentes apóstolos.

Algum tempo após a sua conversão, ele encontrou-se com a sua irmã casada que o censurou e lhe disse: "Tu sabes o quanto eu amo os meus filhos. Se algum deles um dia desejar tornar-se Católico, eu preferirei perfurar o coração deles com um punhal. Antes isso do que permiti-los abraçar a religião dos Papas." A fúria dela era tão profunda quanto a de São Paulo antes da sua conversão. De qualquer forma, ela iria mudar a sua maneira de ser, tal como São Paulo a caminho de Damasco.

Então ocorreu que um dos filhos dela ficou perigosamente doente e os médicos já tinham perdido a esperança na recuperação do menino. Aí o irmão chegou até ela e, conversando afectivamente, disse-lhe: "Minha querida irmã, tu naturalmente desejas que o teu filho seja curado. Muito bem então, o que eu te pedir, tu fazes! Vamos rezar uma Avé Maria e prometer a Deus que, se o teu filho ficar bom, tu irás estudar seriamente a doutrina Católica  e chegarás à conclusão que o Catolicismo é a única e verdadeira religião, e não importa quão grande seja este sacrifício, pois tu irás abraçar esta Fé."

A sua irmã estava relutante no começo, mas como ela desejava a recuperação do seu filho mais que tudo, acabou por aceitar a proposta do irmão e rezaram juntos a Avé Maria. No dia seguinte, o filho dela estava completamente curado. A mulher cumpriu então a sua promessa e estudou a doutrina Católica. E, após uma longa preparação, ela recebeu o sacramento do Baptismo juntamente com os restantes familiares e agradeceu ao seu irmão por ter sido um apóstolo para ela.

Esta história foi contada num sermão dado pelo Padre Tuckwell, que continuou o sermão dizendo: "O tal rapaz que virou Católico e que converteu a sua irmã e familiares ao Catolicismo passou a dedicar a sua vida toda ao serviço de Deus. Aquele garoto que virou padre está a falar convosco neste exacto momento! O que eu sou devo à Nossa Senhora. Vós também, meus caros fiéis, sejai totalmente dedicados à Nossa Senhora e nunca vos esqueçais de não passar um único dia sem rezar esta linda oração, a Avé Maria, e o Terço. Peçai a Ela para iluminar as mentes protestantes que estão separadas da Igreja de Cristo, fundada sob a pedra (Pedro) e contra a qual as portas do Inferno não prevalecerão" (Mateus 16, 18).


22
Mai 12
publicado por FireHead, às 17:20link do post | Comentar

Os adventistas do sétimo dia levantam dezoito objecções contra o Catolicismo, baseadas em falta de conhecimento da história do Cristianismo e preconceitos que não resistem a uma análise criteriosa.

 

Um leitor enviou uma lista de dezoito razões pelas quais alguém não se pode tornar Católico. Trata-se de objecções mal fundamentadas e preconceituosas, às quais não é difícil responder, como se verá abaixo. Não há dúvida, a polémica religiosa não é desejável. Mas também é certo que não se pode deixar de atender ao povo de Deus quando Este pede resposta aos ataques dirigidos contra a Sua Fé. Eis porquê passamos a analisar as razões alegadas pelos irmãos adventistas.

 

 

1) “Não sou Católico, porque Jesus disse: ‘Examinai as Escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de Mim testificam’ (João 5,39). Se é pelas Escrituras e pelos ensinos de Jesus que alcançamos a salvação, exclui-se que o seja pelo Catecismo Romano.”

 

Em resposta observamos:

 

a) Não á oposição entre as Escrituras e o Catecismo. Este é um compêndio da doutrina contida nas Escrituras, redigido com fins didácticos ou a fim de facilitar a iniciação nas verdades da Fé.

 

b) O estudo do Catecismo leva à leitura do texto bíblico, pois cita-o frequentemente e mostra o valor da Palavra de Deus.

 

c) Toda denominação protestante tem o seu manual de doutrina e os seus livros usuais, que ajudam a assimilar e praticar a mensagem bíblica. Os reformadores protestantes redigiram os seus credos ou as suas profissões de fé, tencionando assim exprimir a doutrina das Escrituras; tenha-se em vista, entre outras, a Confessio Augustana de Lutero.

 

 

2) “Não sou Católico romano, porque, sendo a religião Cristã fundada por Jesus Cristo, durante uns 200 anos divulgada sem modificações nem acréscimos, surgiram de lá para cá novas doutrinas, falsificações de toda sorte de cerimónias estranhas ao Novo Testamento que foram discutidas em concílios e aprovadas por homens, nascendo daí a Igreja Católica Romana. ‘Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais à criatura do que ao Criador, que é bendito eternamente’ (Romano 1,25).”

 

Em resposta observamos que a objecção é assaz vaga:

 

Porquê em 200 ou aproximadamente em 200 começaram as inovações do Cristianismo? Quem lhes deu início? Que modificações e falsificações foram essas? Pode-se compreender que, no decorrer dos tempos, os Cristãos tenham deduzido, da doutrina apregoada por Jesus pelos Apóstolos, conclusões contidas nas premissas do Novo Testamento; essas conclusões referiam-se, por exemplo, à divindade do Logos, negadas pelo arianismo e definida no Concílio de Niceia I em 325; referia-se ao mistério da Encarnação e foram promulgadas pelos Concílios de Éfeso (431) e de Calcedónia (451), que afirmaram haver em Jesus uma só Pessoa (um só Eu) divina e duas naturezas (a humana e a divina)... Era necessário que os Cristãos procurassem guardar a pureza da doutrina revelada no tocante a estas e outras grandes verdades da Fé. Estas estavam contidas no Novo Testamento sob força de semente, que aos poucos foi homogeneamente desabrochando as suas virtualidades. Também se compreende que a Liturgia se tenha desenvolvido, pois é a oração do povo de Deus expressa mediante os elementos culturais desse povo.

 

De resto, pode-se redarguir: no século XVI a doutrina dos Cristãos ocidentais e orientais foi drasticamente modificada pela reforma protestante, que inovou o Credo apregoado até então. As modificações introduzidas pelo protestantismo foram autênticos desvios; tenha-se em vista, por exemplo, a recusa da presença real de Jesus Cristo na Santa Eucaristia, que os escritos do Novo Testamento professam com grande ênfase; ver João 6,24-58; Mateus 26,26-28 e paralelos. Tenha-se em vista, outrossim, a tentativa adventista de definir a data do advento ou da segunda vinda de Cristo, data que o Senhor Jesus recusou peremptoriamente revelar; conforme Marcos 13,32; Actos 1,7. Tal tentativa foi frustrada pelo mesmo desenrolar dos acontecimentos.

 

 

3) “Não sou Católico porque, ao examinar as Escrituras, nunca encontrei o ‘Ofício da Missa’. Não encontrei porque o ‘Ofício da Missa’ foi composto pelo Papa Gregório I uns 600 anos após Cristo.”

 

Em resposta perguntamos: que é esse “Ofício da Missa”? – Deve-se tratar da Liturgia Eucarística, que não é senão a execução da ordem do Senhor Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22,19; I Coríntios 11,23-25). A missa é a celebração da Ceia do Senhor e a perpetuação da Sua morte e ressurreição. Ela tem a sua origem nos escritos no Novo Testamento e não em 600. Já em 56 São Paulo, escrevendo a I Coríntios, dava instruções relativas à Ceia do Senhor ou estruturava desde então o ‘Ofício da Missa’. O Papa São Gregório Magno (+604) continuou a obra normativa do Apóstolo. Aliás, é de notar que o ‘Ofício da Missa’ existe não só entre os Católicos ocidentais, mas também entre os Cristãos ortodoxos orientais, que desenvolveram a sua Liturgia própria. Somente a partir do século XVI existem correntes de Cristãos que negam o valor da Santa Missa.

 

 

4) “Não sou Católico romano porque não encontrei uma passagem no Novo Testamento apresentando algum dos apóstolos num altar incensando imagens. Pois o culto de imagens foi declarado pelo II Concílio de Niceia (787 depois de Cristo).”

 

Respondemos:

 

A objecção é clássica. A Lei de Moisés proibia fazer imagens para adorá-las (conforme Êxodo 20,4-6). Ocorre, porém, que o próprio Deus mandou confeccionar querubins no templo de Salomão (I Reis 6, 23-30). Uma vez passado o perigo da idolatria e depois que Cristo nos apareceu como a imagem viva do Pai (conforme Colossense 1,15), os Cristãos não hesitaram em pintar e esculpir imagens tanto para fins didácticos e catequéticos como para ajudar a mente a se elevar a Deus, passando do visível ao invisível. Os antigos cemitérios Cristãos (catacumbas) atestam esse costume, que se protraiu até o século VII. Nesta época, por influência de judeus e maometanos, desencadeou-se a controvérsia iconoclasta (quebra de imagens); os Cristãos ortodoxos lutaram corajosamente para atender os seus ícones. O Concilio de Niceia II em 787 apenas confirmou o costume antigo: as imagens podem ser veneradas, não adoradas... e veneradas não por serem de gesso ou madeira, mas porque representam o Senhor Jesus e os Seus Santos. O culto das imagens é relativo às pessoas que elas recordam. Também neste particular o protestantismo está isolado, contra toda a Tradição ocidental e oriental. Incensar uma imagem (cerimónia muito frequente entre os ortodoxos orientais) significa reverenciar o Santo por ela representado.

 

 

5) “Não sou Católico romano porque não encontrei um trecho no Novo Testamento que fale ter ocorrido na Igreja Primitiva alguma procissão eucarística. Não encontrei, porque começou após 1360 anos depois de Cristo.”

 

A resposta começara por lembrar que as procissões têm fundamento bíblico; a Arca da Aliança do Senhor foi processionalmente transportada por David para Jerusalém (II Samuel 6,12-17). Ora, se a Arca da Aliança mereceu um cortejo tão solene da parte dos israelitas, muito mais a Eucaristia deve ser estimulada e celebrada publicamente pelos Cristãos. Aliás, a data de 1360 é falha. As procissões eucarísticas tiveram início no século XIII, com a finalidade de proclamar solenemente a real presença de Jesus na Hóstia consagrada.

 

 

6) “Não sou Católico romano porque não encontrei um texto sequer em que a Bíblia recomende o uso do Rosário. A razão que encontrei, é que apareceu com Pedro Eremita em 1090 depois de Cristo.”

 

Respondemos que o rosário, em grande parte, não é mais do que a recitação de preces bíblicas: Pai Nosso (Mateus 6,9-12) e a primeira parte da Ave Maria (Lucas 1,29,42). Aos poucos foi-se organizando essa maneira de utilizar a Bíblia para orar, fazendo que a mente do orador se ocupe com as grandes verdades Redenção enquanto os lábios proferem as palavras da oração. A organização do ritual e do modo de orar corresponde a uma necessidade humana. Cada denominação protestante possui os seus hinários e livros de oração. Tenha-se em vista especialmente o Book of Common Prayer (Livro de Oração Comum) promulgado pelo rei Eduardo VI em 1549 e revisto em 1552.

 

 

7) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia Sagrada um mandamento que proibia o casamento dos ministros da religião. A razão por que não encontrei é que foi proibido pelo Papa Gregório VII em 1074 depois de Cristo. A Bíblia diz que o Bispo deve ser marido de uma só mulher (1 Timóteo 3,2).”

 

Os irmãos protestantes, que tanto lêem a Bíblia, não parecem conhecer o texto de I Coríntios 7,25-35, em que São Paulo recomenda a vida una ou indivisa (celibatária) como a condição mais favorável para servir a Deus: “quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido” (I Coríntios 7,32-34). Na base dessa intuição os ministros do culto Cristão foram abraçando espontaneamente o celibato. Os Concílios e os Papas sancionaram o costume, tornando-o lei da Igreja, muito consentânea com o pensamento do Apóstolo.

 

O Papa Gregório VII não fez senão reafirmar quando as leis da Igreja prescreviam. O texto de I Timóteo 3,2 deve ser entendido dentro do seu contexto histórico: em 63 (?) o Apóstolo escrevia a uma comunidade em que só havia adultos convertidos; dentre esses adultos São Paulo quer que sejam ordenados aqueles homens que só tenham uma esposa, e não viúvos casados de novo. Os dizeres do Apóstolo, em vez de incitarem ao casamento dos clérigos, impõem uma certa restrição: dois casamentos sucessivos, ainda que legítimos excluiriam da ordenação o candidato.

 

 

8) “Não sou Católico romano porque não existe a palavra purgatório na Bíblia, mas foi confirmado pelo Concílio de Trento em 1563 depois de Cristo, ou seja, antes disso nenhuma alma ia ao Purgatório, pois ainda não havia sido criado pelo Papa.”

 

Respondemos que a crença na existência do Purgatório nunca foi criada por um Concílio, pois é crença que já os judeus antes de Cristo professavam. Com efeito, é atestada pelo livro II Macabeus, capítulo 12, vv. 39-45. Verdade é que a Bíblia dos protestantes não contém esse livro... e não o contém porque Lutero o retirou do catálogo escriturístico. Sim; os dois livros dos Macabeus foram controvertidos pelos Cristãos nos primeiros séculos, pois os judeus da Palestina não os reconheciam, ao contrário do que faziam os judeus da Alexandria. Prevaleceu na Igreja o cânone alexandrino, de modo que, após a fase de hesitação, em 393 o Concílio regional de Hipona promulgava o cânone bíblico incluindo os dois livros dos Macabeus. Assim por toda a Idade Média não se punha em dúvida a canonicidade de 1/2 Macabeus. No século XVI, porém, Lutero houve por bem adoptar o catálogo dos judeus da Palestina, retirando da Bíblia consequentemente os 1/2 Macabeus. Mas mesmo os irmãos que não reconhecem a canonicidade de 1/2 Macabeus, podem tomar consciência de que a crença na existência do Purgatório é algo de pré-Cristão, professado pelo povo de Deus do Antigo Testamento. A Igreja não criou o Purgatório.

 

De resto, este artigo de Fé é muito lógico. Com efeito; todo pecado, mesmo depois de absolvido, deixa resquícios de si na alma do pecador; a absolvição perdoa a culpa, mas não apaga as más tendências alimentadas pelo pecado. Ora o Cristão é chamado a ver Deus face-a-face (I Coríntios 13,12); todavia na presença de Deus não pode subsistir a mínima sobra de pecado; por isto, se o Cristão não extingue as raízes do pecado nesta vida terrestre, deveria fazê-lo na vida póstuma, não mediante fogo, mas através de um amor a Deus mais forte e puro, apto a apagar qualquer escória de amor desregrado. Rezar pelas almas do Purgatório é pedir a Deus que fortaleça o amor existente nessas almas, tornando-o capaz de extirpar qualquer tendência desordenada, para que possam, sem demora, gozar da visão da Beleza infinita face-a-face.

 

 

9) “Não sou Católico romano pois o Novo Testamento não apresenta ministros aspergindo água benta em caixão de morto nem cobrando por isso. Essa prática foi criada pela Igreja Católica Romana no ano 1000 depois de Cristo.”

 

A água benta é sacramental; faz lembrar o Baptismo; aspergi-la sobre um cadáver significa pedir a Deus que receba quanto antes a respectiva alma no regaço da visão beatífica. Esse tipo de oração tem nome próprio de “sufrágio (voto, anseio) em favor dos mortos”; seja entendido à luz do que foi dito em resposta à oitava objecção. Quanto às espórtulas do culto sagrado, vêm a ser a maneira como os fiéis colaboram com a Igreja no plano material. Não devem constituir condição absoluta para a prestação de serviços religiosos. Hoje em dia a Igreja preconiza o dízimo em lugar das espórtulas, a fim de separar claramente dinheiro e culto divino. Os protestantes cobram o dízimo com muita frequência.

 

 

10) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Palavra de Deus que se deva orar e render culto aos santos e aos anjos. Isso foi criado pela Igreja Católica no ano 788 depois de Cristo e o culto das imagens foi decretado pelo 2º Concílio de Niceia em 787 depois de Cristo. Apoc. 22:8 e 9”.

 

Não resta dúvida, existe um só Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo. Acontece, porém, que Ele quer comunicar a Sua acção mediadora aos fiéis. A prova disto é que os irmãos na Terra pedem aos seus semelhantes que orem por eles ou exerçam a função de mediadores. São Paulo mesmo solicitava aos fiéis que rezassem por ele; conforme Efésios 6,19; Colossenses 4,3. O Senhor nos fez responsáveis pela salvação uns dos outros, e essa responsabilidade é posta em prática mediante a oração (e a acção apostólica). A comunhão que assim nos une e que é devida ao facto de que somos membros de um só Corpo, cuja Cabeça é Cristo, não é dissolvida pela morte; os justos no céu “torcem” pelos irmãos que ainda lutam na terra; Deus dá-lhes a conhecer as nossas necessidades e permite assim que intercedam por nós. Essa crença também pertence ao património religioso do Antigo Testamento. Em II Macabeus 15,12-16 lê-se que o profeta Jeremias já falecido orava pelos seus irmãos na Terra: “Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus”. Infelizmente Lutero retirou este livro da Bíblia Sagrada.

 

É de notar que os justos no além não estão adormecidos, mas conservam toda a lucidez de espírito para poderem ajudar-nos na procura do prémio celeste. Por conseguinte, é certo que não foi em 788 que começou a invocação dos Santos na Igreja. Ele brota do coração do fiel (já do fiel judeu), que sabe existir entre nós uma santa comunhão, que nos faz solidários para além da morte.

 

 

11) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia outro intercessor entre Deus e o homem fora de Jesus Cristo: 1 Timóteo 2:5. Portanto, se torna impossível que ‘Santa Maria” possa regar por nós pecadores. Só Jesus roga, intercede, media por nós.”

 

A resposta a esta objecção já foi formulada no item anterior. Seja aqui registado o papel muito significativo que Jesus atribuiu a Maria Santíssima quando a constitui Mãe dos Homens ao entregar-lhe João como seu filho; conforme João 19,25-27. Na qualidade de Mãe, Maria não pode deixar de ser especial intercessora em favor da humanidade e ela confiada. Note-se, aliás, que o primeiro milagre de Jesus foi realizado em Caná por intercessão de Maria Santíssima; conforme João 2,1-11. Na comunidade dos Santos a Virgem Maria ocupa uma posição muito particular.

 

 

12) “Não sou Católico romano porque não encontro na Bíblia Sagrada a ‘confissão auricular’. A razão é que essa modalidade de confissão foi estabelecida como doutrina pelo Concílio de Latrão em 1215 depois de Cristo.”

 

A confissão auricular tem o seu fundamento no Evangelho mesmo. Com efeito, na noite do primeiro dia da semana (domingo de Páscoa), Jesus apareceu aos Seus discípulos, soprou-lhes a face e disse: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles aos quais os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20,19-23). Jesus assim confiou aos seus ministros a faculdade de perdoar os pecados alheios não porque sejam mais santos, mas porque recebem especial carisma do Espírito Santo. O Senhor admite também que o seu ministro não possa absolver o penitente por falta de disposições (propósito firme de evitar as ocasiões de pecado) da parte deste. Ora, para que o ministro possa exercer o ministério de absolver ou não absolver, deve conhecer a situação íntima do penitente – o que só pode ocorrer mediante uma confissão secreta ou auricular. A Igreja compreende todo o alcance das palavras do Senhor e põe em prática o sacramento da Reconciliação, incluindo a confissão secreta dos pecados ao Bispo ou ao presbítero. Tal história se acha delineada no PR 473/2001, pp.460-472.

 

O Concílio de Latrão IV apenas confirmou a prática, preceituando a confissão dos pecados ao menos uma vez por ano.

 

 

13) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia a ‘Transubstanciação’, doutrina da Hóstia transformada no corpo de Cristo. Esta inovação também foi criada no Concílio de Latrão no ano 1215 depois de Cristo.”

 

É estranho que um assíduo leitor da Bíblia não tenha encontrado aí a doutrina da conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Na verdade, nada há de mais claro do que esta doutrina expressa em Mateus 26,26-28; Marcos 14,22-25; Lucas 22,19; I Coríntios 11,23-25: entregando o pão aos discípulos, disse o Senhor: “Isto é meu corpo” e, entregando o vinho, disse: “Isto é meu sangue”. Além do que, em João 6,51-58 Jesus promete dar a Sua carne e o Seu sangue como alimento espiritual; ver especialmente João 6,51: “O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo”.

 

Por conseguinte a doutrina da conversão eucarística está no Evangelho. A teologia medieval apenas criou o vocábulo técnico “transubstanciação” para designar a mensagem bíblica.

 

 

14) “Não sou Católico romano porque a Bíblia diz que, se alguém tirar ou acrescentar alguma palavra das Escrituras, Deus fará vir sobre ele as pragas escritas nesse Livro, ‘e Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa’ (Ap 22:18-19; Deut 4:2,12 e 32).”

 

Antes do mais, uma observação se impõe: quando São João escreveu o Apocalipse, ainda não existia a colecção dos livros sagrados encadernada num só volume; o Apóstolo apenas tinha em vista o Apocalipse, que ele declarava intocável. Os citados textos do Deuteronómio proíbem qualquer alteração da Lei de Deus. A objecção está incompleta. Ela insinua que a Igreja Católica acrescentou à Bíblia os sete livros Deuterocanónicos ou controvertidos nos primeiros séculos, até 393, como dito atrás; seriam os livros de Tobias, Judite, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria, 1/2 Macabeus. Foi Lutero quem no século XVI retirou esses escritos do Livro Sagrado. Apesar disto, as edições protestantes da Bíblia incluíam esses escritos em apêndice até o século XIX.

 

 

15) “Não sou Católico romano porque disse Jesus em Apocalipse: ‘Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e não tomes parte das suas pragas’ (Apocalipse 3:13 a 17).”

 

Observamos, antes do mais, que a citação é falha; o texto transcrito se encontra em Apocalipse 18,4 – A exortação para sair... refere-se a Babilónia, imagem da Roma pagã e perseguidora dos Cristãos; nada tem a ver com a Igreja Católica, à qual o autor do Apocalipse pertencia. Não se pode interpretar um texto bíblico isoladamente do seu contexto.

 

 

16) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia nenhum relato de Baptismo de crianças, e o próprio Jesus, nosso exemplo em todas as coisas, foi baptizado com cerca de 30 anos (Lucas 3:21 a 23) – Não encontro na Bíblia o Baptismo por aspersão, pois Jesus foi baptizado nas águas do rio Jordão (Mateus 3:13 a 17).”

 

A Escritura não refere explicitamente o Baptismo de crianças. Todavia narra que vários personagens pagãos professaram a Fé Cristã e se fizeram baptizar “com toda a sua casa”; assim, o centurião romano Cornélio (Actos 10,1s, 24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (Actos 16,14s), o carcereiro de Filipos (Actos 16,31-33), Crispo de Corinto (Actos 18,8), a família de Estéfanes (I Coríntios 1,16). A expressão “casa” (domus, em latim, oikos, em grego) tinha sentido amplo e enfático na Antiguidade; designava o chefe da família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que geralmente não faltavam). Indirectamente, pois, as Escrituras propõem o Baptismo de crianças.

 

Ademais Orígenes de Alexandria (+250) e Santo Agostinho (+430) atestam que “o costume de baptizar crianças é tradição recebida dos Apóstolos”. Jesus só foi baptizado aos 30 anos porque somente com 30 anos Ele proclamou e instituiu o Baptismo.

 

Quanto à imersão na água, nem sempre era (e é) possível praticá-la, por falta de rio ou por motivos de saúde...; donde a prática da aspersão: a água corre sobre a pele do catecúmero, significando a purificação interior.

 

 

17) “Não sou Católico romano porque esta Igreja está repleta de doutrinas pagãs, como a doutrina da imortalidade da alma e a vida pós-morte, ao passo que a Bíblia afirma que a alma é mortal (Ezequiel 18:2 e 20) e ‘que após a morte não há nenhuma consciência ou existência (Ecles 9:5, 6,19: Jô 7:8 a 10).”

 

Para negar a imortalidade da alma, o autor da objecção se apoia em textos do Antigo Testamento apenas. Na verdade, os judeus originariamente julgavam que, após a morte do homem, subsistia um núcleo da sua personalidade chamado refaim adormecida e inconsciente. Ezequiel chega a dizer que a alma morre para significar não a destruição da alma, mas sim a punição que ocorre ao pecador endurecido no seu pecado.

 

Essas concepções judaicas primitivas foram cedendo à noção de imortalidade da alma consciente no além; assim no século I a.C. o livro da Sabedoria, nos seus capítulos 2 a 5, professa tal doutrina, que o Novo Testamento ensina claramente. Basta citar as palavras de Jesus ao bom ladrão prometendo-lhe o paraíso após a morte (conforme Lucas 23,43); os dizeres de São Paulo em Filipenses 1,23: “O meu desejo é partir e ir estar com Cristo, pois isso me é muito melhor”. Ademais o Apocalipse apresenta a Liturgia celeste celebrada pelos mártires e justos, “que lavavam as suas vestes no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7,14). Os justos no céu acompanham a vida de seus irmãos na terra e bradam ao Senhor: “Até quando... tardarás a fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Apocalipse 6,10). Por conseguinte, é falso dizer que a alma humana é mortal ou que no além se encontra adormecida e inconsciente.

 

 

18) “Não sou Católico romano porque não encontrei na Bíblia nenhuma passagem que mande santificar o Domingo como dia de Descanso Semanal. Na realidade, o Domingo foi instituído pelo Imperador Constantino romano, pagão, na data de 7 de março de 321 depois de Cristo, esse decreto dominical pagão foi aceite e confirmado pela Igreja Católica Romana no ano de 364 d.C. Ao contrário disto, mais de 140 passagens bíblicas falam do Sábado como o dia de repouso de Deus, deixando para o nosso repouso semanal. Veja Êxodo 20:8 a 11; Isaías 58:13,14; 66:22 e 23; Atos 13:14,43,44; 16:13; 17:2; Apoc 14:12.”

 

Mais uma vez o autor das objecções privilegia o Antigo Testamento em detrimento do Novo. Com efeito, a Lei de Deus manda observar todo sétimo dia como dia de repouso dedicado ao Senhor. Os Cristãos cumprem exactamente essa norma; diferem, porém, dos judeus (e dos adventistas) pelo facto de começarem a semana na segunda-feira e a terminarem no dia seguinte ao sábado judaico. E porquê houve esse deslocamento do sétimo dia ou do sábado? – Porque Jesus ressuscitou como novo Adão no dia seguinte ao sábado ou no primeiro dia da semana judaica; Ele recriou o ser humano. Os Cristãos compreenderam logo que deveriam reverenciar tal dia como o Dia do Senhor por excelência, celebrando então a Eucaristia ou a Páscoa do Senhor. É o que atestam certos textos do Novo Testamento:

 

I Coríntios 16,2: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de lado o que conseguir poupar; deste modo não se esperará a minha chegada para se fazerem as colectas” – O Apóstolo se refere à assembleia litúrgica realizada “no primeiro dia da semana”.

 

Actos 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para a fração do pão, Paulo entretinha-se com eles”.

 

Em Apocalipse 20,10 está dito que esse primeiro dia da semana era a Kyriakè heméra, o Dia do Senhor, a dominica dies (em latim) ou a dominga (no português arcaico). O que importa não é a palavra sábado como tal, mas o seu significado de 7º dia dedicado ao repouso e ao culto do Senhor. Para o Cristão, celebrar o sábado judaico é, de certo modo, ignorar a Páscoa ou o fundamento da Fé Cristã.

 

Seja lícito acrescentar: Não sou protestante (nem adventista do 7º Dia) porque, por mais que tenha procurado, não encontrei na Bíblia passagem alguma que recomende escrever panfletos injuriosos e caluniadores contra os irmãos Católicos a fim de propagar o Evangelho – Ao contrário, só encontrei na Bíblia textos que mandam amar a todos os homens, inclusive aos inimigos (Mateus 5,43-48). Também encontrei na Bíblia a notícia de que Jesus Cristo é a Verdade (João 14,6) e Satanás é o pai da mentira (João 8,44s). Quem se afasta dessa norma, não é evangélico.

 

 

Apêndice:

 

Os adventistas costumam dizer que o Papa é a Besta do Apocalipse (13,18), porque as letras do título VICARIUS FILLI DEI perfazem o total 666. Tal exegese é falsa, pois São João e os seus leitores imediatos não conheciam o latim. Mas, usando a mesma táctica, pode-se dizer que a grande mestra dos adventistas é a Besta, como se vê abaixo:

 

E L L E N G O U L D W H I T E = 50 50 5 50 500 10 1 = 666

 

Em suma, eis alguns dados que podem servir aos fiéis Católicos quando agressivamente interpelados por seus irmãos.

 


Fonte: A Fé Explicada


20
Mai 12
publicado por FireHead, às 15:40link do post | Comentar

 

Diante da possibilidade de um acordo cada vez mais eminente entre Roma e a FSSPX, Dom Wiliamson redobra os seus inconsistentes ataques de oposição, fomentando e preparando um cisma que, pelas últimas declarações conhecidas, tornar-se-á uma fatalidade inevitável dentro da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

 

Acreditamos, contudo, que, dessa divisão formalizada, Deus fará um bem muito maior, recompensando a coragem e a submissão de Dom Fellay e os seus verdadeiros amigos e benfeitores.

 

Um breve exame da História da Igreja revela, por diversos factos, a ilegitimidade da “resistência sectária” ao bom acordo oferecido pelo Romano Pontífice. Para esta ocasião, decidimos expor o proceder da Igreja Católica em relação ao famoso Édito de Milão de Constantino.

 

Antes da promulgação desse Édito, os Cristãos não tinham liberdade para tributar o verdadeiro culto a Deus, nem tão pouco para anunciar as verdades do Evangelho, segundo a ordem de Nosso Senhor. Durante todo esse período de perseguição, os Cristãos sobreviveram fielmente no interior das catacumbas.

 

Quase três séculos aprisionada pelas autoridades romanas, a Verdadeira Religião obteve a sua liberdade somente em 313, d.C, outorgada pelo Édito de Constantino. Dessa liberdade reconhecida, a Igreja obteve copiosos frutos, dos quais a posterior conversão do Império Romano.

 

Entretanto, essa liberdade não foi oferecida nos moldes tradicionais. Embora declarasse liberdade religiosa ao Catolicismo, o Édito colocou a Igreja em pé de igualdade com as falsas religiões, favorecendo a profissão e divulgação de todos os credos existentes.

 

“Quando eu, Constantino Augusto, e eu, Licínio Augusto, nos reunimos felizmente em Milão e nos pusemos a discutir tudo o que importava ao proveito e utilidade públicas, entre as coisas que nos pareciam de utilidade para todos em muitos aspectos, decidimos sobretudo distribuir umas primeiras disposições em que se asseguravam o respeito e o culto à divindade, isto é, para dar, tanto aos Cristãos quanto a todos em geral, livre escolha para seguir a religião que quisessem, com o fim de que tanto a nós quanto aos que vivem sob a nossa autoridade nos possam ser favoráveis a divindade e os poderes celestiais que existam [...] de sorte que cada um tenha possibilidade de escolher e dar culto à divindade que queira” (apud Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica. Livro X, V, 4-8).

 

Analisando o teor deste “acordo” que garantiu liberdade aos Cristãos, verifica-se que se assemelha muito aos documentos do Vaticano II sobre o ecumenismo e sobre a liberdade religiosa. O Édito de Milão não reconheceu a Igreja Católica como a única verdadeira fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Tratando-se de uma medida meramente política, o documento apenas autorizou a inserção do Catolicismo na lista ecuménica do Império.

 

Apesar desse indiferentismo condenável, os Cristãos saíram das catacumbas, aderindo com muita alegria ao Édito de Milão. Nenhum santo da Igreja objectou contra esse acordo, dizendo que seria traição usufruir de uma liberdade relativista, oferecida por autoridades comprometidas com os erros do politeísmo pagão.

 

Segundo as objeções dos “anti-acordo”, a FSSPX não deve aceitar qualquer acordo porque Roma ainda professaria princípios modernistas e seria traição submeterem-se a autoridades que não teriam a doutrina tradicional da Igreja.

 

Pautados nessas absurdas ilações, os “anti-acordistas” também teriam sido impelidos a recusar a liberdade do Édito de Milão. As objecções seriam idênticas.

 

Constantino deveria primeiro fazer uma profissão pública de Fé, aceitando as verdades do Catolicismo, para, somente depois, falar-se em “acordo” com o governo de Roma.

 

Como o acordo de Milão era puramente prático, oferecendo tão somente o status de “legalidade” à Igreja Católica, que passaria a gozar dos mesmos direitos concedidos às falsas religiões, aceitá-lo seria concordar com os erros do paganismo.

 

Deste modo, os inimigos de “acordos práticos”, seriam pela recusa do “traidor” Édito de Milão. E, em sinal de protesto aos romanos, teriam permanecido nas catacumbas, desprezando um acordo que não trazia em si um justo reconhecimento da Verdadeira Religião.

 

Felizmente não surgiram grupos opositores ao acordo de Milão. A Igreja abraçou essa liberdade sem que se tornasse, por isso, traidora de Cristo.

 

Assim também esperamos de Dom Fellay e os seus verdadeiros amigos e benfeitores. Que o Bispo Superior-Geral da FSSPX, juntamente com os seus fiéis, aceitem a misericordiosa liberdade oferecida pelo Papa Bento XVI. Que a parte boa e mais importante da FSSPX aproveite o Édito de Roma, que lhes concederá a liberdade para recusar e criticar o Vaticano II e a sua Nova Missa. E, plenamente unidos ao Papa reinante, o ajudem a ancorar a Santa Igreja nas duas colunas das quais ela nunca deveria ter-se apartado.

 

Rezemos!

 

In Corde Jesu, semper

 

Éder Silva

 

 

Fonte: padremarcelotenorio.com


publicado por FireHead, às 15:32link do post | Comentar

I. Quantas coisas teríamos a dizer sobre a vida de adoração de Maria no Cenáculo! Vinte e quatro anos passados nesse santo lugar, onde Jesus havia instituído a Eucaristia, e onde fixara o seu primeiro Tabernáculo! Maria estava inteiramente ocupada em adorá-LO e honrá-LO na sua vida eucarística; passava a maior parte dos dias e das noites junto desse divino Tabernáculo; aí estava seu Jesus, seu Filho e seu Deus! Quando saía da sua pobre cela para se dirigir ao oratório do Cenáculo, já começava a sua adoração; caminhava recolhida, com os olhos baixos, com passo grave e modesto; desse modo se preparava para apresentar-se ao Deus da Eucaristia.

Ao chegar diante do Tabernáculo, prostrava-se com grande devoção e profundo respeito, depois concentrava as suas faculdades num simples e piedoso recolhimento; o corpo erecto, as mãos juntas ou cruzadas sobre o peito, ou também, às vezes, quando estava só, erguidas suplicantes para o Tabernáculo no qual conservava quase sempre os olhos fixos.

 

II. Maria começava então a adoração com a Fé mais submissa; adorava o seu Filho oculto e velado sob uma forma estranha, porém o seu amor atravessava a nuvem do mistério e chegava aos pés sagrados de Jesus, que venerava com o mais respeitoso amor: subia até às suas santas e veneráveis mãos que tinham consagrado e distribuído o Pão da vida. Bendizia os seus lábios sagrados que haviam pronunciado estas adoráveis palavras: "Isto é meu Corpo, isto é meu Sangue." Adorava esse Coração abrasado de amor donde se originara a Santíssima Eucaristia. Maria quisera abismar-se e aniquilar-se ante a divina Majestade, aniquilada também no Sacramento, a fim de Lhe prestar todas as honras e homenagens que Lhe são devidas.

 

III. A adoração de Maria era profunda, interior, íntima; era o dom de si mesma. Oferecia-se totalmente ao serviço de amor do Deus da Eucaristia, pois o amor não impõe condições nem reservas, já não pensa em si mesmo, nem vive mais para si; já não se conhece, e só vive para o Deus a quem ama. Em Maria tudo convergia para o Santíssimo Sacramento como para o seu centro e o seu fim. Uma corrente de graça e amor se estabelecia entre o Coração de Jesus-Hóstia e o coração de Maria adoradora; eram duas chamas que se fundiam numa só. Deus foi, então, perfeitamente adorado pela Sua criatura.

 

IV. Que a exemplo de Maria adoradora se coloque de joelhos com o mais profundo respeito, concentre-se, como Maria, e em espírito se ponha a seu lado para adorar; apresente-se diante de Nosso Senhor com aquela modéstia, aquele recolhimento interior e exterior que preparam maravilhosamente a alma ao angelical ofício da adoração.

Debaixo dos véus eucarísticos que encobrem os seus olhos a santa Humanidade, adore a Jesus com a mesma Fé que Maria e a Santa Igreja, estas duas Mães que o Salvador, no Seu infinito amor, lhe concedeu; adore ao seu Deus como se O visse e ouvisse, porque a Fé viva ouve, vê, toca com maior certeza que os próprios sentidos.

 

 

Fonte: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento extraídas dos escritos do Bem-Aventurado Pedro Julião Eymard, o fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento, 1946.


19
Mai 12
publicado por FireHead, às 03:13link do post | Comentar

A foto de baixo deu muito que falar e foi muito difundida nas redes sociais; trata-se de uma crítica a "riqueza" da Igreja Católica por alguns mal-intencionados e desinformados protestantes

 

 

É preciso dizer algumas verdades sobre a imagem:

 

1- O Papa jamais poderia vender aquele trono, pois não lhe pertence; é património tombado da humanidade. O Papa fez voto de pobreza, o deslocado versículo bíblico usado ali não se lhe aplica.

 

2- O trono em que senta o Papa nunca foi de “ouro”. O trono é de madeira com cobertura de bronze dourado. Só os tolos pensam que tudo que reluz é ouro.

 

Gian Lorenzo Bernini, o maior escultor do século XVII e também um extraordinário arquitecto, em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do Papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d’Este, duque de Modena.

 

 

O detalhe é que os desinformados de plantão se esquecem que a Igreja Católica é a maior obra caritativa do mundo. Veja:

 

A Igreja Católica mantém na:

 

Ásia

 

1.076 hospitais

3.400 dispensários

330 leprosários

1.685 asilos

3.900 orfanatos

2.960 jardins de infância

 

África


964 hospitais

5.000 dispensários

260 leprosários

650 asilos

800 orfanatos

2.000 jardins de infância

 

América

 

1.900 hospitais

5.400 dispensários

50 leprosários

3.700 asilos

2.500 orfanatos

4.200 jardins de infância

 

Oceania

170 hospitais

180 dispensários

1 leprosario

360 asilos

60 orfanatos

90 jardins de infância

 

Europa

1.230 hospitais

2.450 dispensários

4 Leprosários

7.970 asilos

2.370 jardins de infância

 

 

E não acabou. Aos desinformados de plantão, o Santo Padre, questionado na foto, ajuda muito os países que precisam:

 

Emergências (catástrofes naturais ou provocadas pelo homem) 

 

  ANO  AJUDAS CONCEDIDAS EM US$  NÚMERO DE PAÍSES DESTINATÁRIOS 
1999  1.211.600 28
2000  1.027.000 29
2001  1.274.000  30
2002  1.917.700 49
2003     822.465  23
2004 1.425.030  40
2005 1.439.000 15
2006 3.805.630 28
2007 1.486.273 16
2008 1.763.320 31
2009 1.869.000 25
2010 1.450.271 25

 

Promoção humana

 

  ANO  AJUDAS CONCEDIDAS EM US$  NÚMERO DE PAÍSES DESTINATÁRIOS 
1999     555.100 23
2000     888.805 38
2001      841.200  38
2002  1.936.000 48
2003     858.223  33
2004 2.531.365  50
2005 1.663.813 44
2006 4.187.147 43
2007 2.009.250 46
2008 2.372.938 40
2009 2.304.000 45
2010 2.040.174 40

 

Fundação João Paulo II para o Sahel

 

  ANO  AJUDAS CONCEDIDAS EM US$  NÚMERO DE PROJECTOS FINANCIADOS  NÚMERO DE PAÍSES DESTINATÁRIOS
1999   3.600.000 209 9
2000  2.992.097 312 9
2001   1.974.305  230 9
2002  2.824.673 233 9
2003   2.969.168  235 9
2004 2.125.388  169 9
2005 2.067.339 180 9
2006 2.421.410 190 9
2007 2.506.820 192 9
2008 2.311.441 208 9
2009 2.300.000 213 9
2010 1.860.000 176 9


Fundação "Populorum Progressio" em favor das comunidades indígenas, mestiças ou afro-americanas mais pobres da América Latina e do Caribe

 

  ANO  AJUDAS CONCEDIDAS EM US$  NÚMERO DE PROJECTOS FINANCIADOS  NÚMERO DE PAÍSES DESTINATÁRIOS
1999   1.705.890 215 20
2000  1.923.500 209 17
2001   1.773.700  216 19
2002  1.895.300 223 19
2003   1.843.200  221 21 
2004 1.881.000  231 19
2005 1.876.200 212 20
2006 1.820.500 215 20
2007 1.885.700 204 19
2008 2.108.300 200 18
2009 2.128.500 193 20
2010 2.091.500 186 20

 

Fora as missões de caridade da Igreja!

 

 

Quer postar fotos sobre a Igreja Católica?

 

Posta essas aqui:

 

Jovens Católicos nos hospitais!

 

 

Jovens Católicos felizes por ajudarem uma creche!

 

 

Madre Teresa de Calcutá

 

 

 

Caridade sem mediatismo

 

 

 

Finalizo com a Palavra de Deus aos que insistem em caluniar e plantar mentiras sobre a Igreja Católica: Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira (Jo 8,44).

 

Viva a Igreja de Cristo!!

 

 

Fonte:

http://fimdafarsa.blogspot.com/2011/10/trono-de-ouro-do-papa-refutado.html

http://www.arqnet.pt/portal/biografias/bernini.html http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/profilo_po/doni_po.html http://cotidianoespiritual.blogspot.com/2011/10/igreja-catolica-maior-obra-caritativa.html


17
Mai 12
publicado por FireHead, às 15:25link do post | Comentar

1º No Antigo Testamento, Deus exigia que o sangue dos bodes sacrificados no Templo fosse recolhiVaticanodo em vasos de OURO. O sangue dos bodes ofertados a Deus devia ser recolhido em vasos muito ricos.


2º Foi a Igreja Católica que enriqueceu o mundo e os povos principalmente com a virtude e com a cultura. Foi ela que fundou as universidades para ensinar a verdade, os hospitais, as Santas Casas, para os doentes, etc. E tudo gratuitamente, na Idade Média. Sem a "riqueza", a Igreja não poderia manter tantas obras de caridade, tantos hospitais e escolas, asilos ou orfanatos.


3º "A pobreza é péssima no dizer do ímpio." (Eccli. XIII, 30)


Jesus nasceu num estábulo, pobremente, e recebeu dos Reis mirra, incenso e OURO. Jesus pobre recebeu OURO para demonstrar que a Igreja poderia ter OURO para honrar a Deus e para ajudar os necessitados.


5º O manto que Jesus usou, sem costura e inconsútil, atiçou a cobiça dos soldados, que não o dividiram entre si: deitaram sortes para ver quem ficava com ele inteiro.


6º O traidor Judas criticou a mulher que "desperdiçou" perfume com Jesus. "Por que criticais a esta mulher? Pois uma 'boa coisa' me fez. Porque tereis sempre pobres convosco mas a mim não tereis sempre." (Mt. 26:10-11) - acreditam os anti-Católicos que se pode acabar com a pobreza duma vez? Se sim, é porque sabem mais que Jesus.


7º Quem se insurge contra a riqueza só se preocupa com a matéria e não leva em conta que se deve a Deus honra e glória.


8º Por fim, o que fazes tu pelos pobres? Não tens também tu "riquezas": TV no quarto, automóvel próprio, telemóvel, TV Cabo, etc? Então não sejas hipócrita.


publicado por FireHead, às 00:41link do post | Comentar

 

1. Quando se passa ante uma imagem da Virgem há que dizer: Saúdo-te, Maria. Saúda a Jesus da minha parte”.

 

2. Escuta, Mãezinha: eu quero-te muito mais que a todas as criaturas da terra e do céu... depois de Jesus, naturalmente...; mas quero-te muito.

 

3. Mãezinha linda, Mãezinha querida, és bela. Se não existisse a Fé, os homens chamar-te-iam deusa. Os teus olhos são mais resplandecentes que o sol; és bela, Mãezinha, eu me glorio disso, amo-te, ah! Ajuda-me.

 

4. Que Maria seja a estrela que vos ilumine a senda, vos mostre o caminho seguro para chegar ao Pai do céu; que seja como a âncora a que vos deveis segurar cada vez mais estreitamente no tempo da prova.

 

5. Que Maria seja a única razão da tua existência e te guie ao porto seguro da salvação eterna. Que seja para ti doce modelo e inspiração na virtude da santa humildade.

 

6. Se Jesus se manifesta, agradecei; e se Se oculta, agradecei também; tudo é brincadeira de amor. A Virgem clemente e piedosa continue alcançando-vos da inefável bondade do Senhor a força para ultrapassar até o fim tantas provas de amor que vos concede. Eu vos desejo que chegueis a morrer com Jesus na cruz e que possais exclamar n'Ele docemente: “Tudo está consumado.”

 

7. Oh Maria, mãe dulcíssima dos sacerdotes, mediadora e dispensadora de todas as graças; desde o íntimo do meu coração te rogo e te suplico encarecidamente que hoje, amanhã e sempre dês graças a Jesus, o fruto bendito do teu ventre.

 

8. A humanidade quer a sua parte. Também Maria, a Mãe de Jesus, sabia que, por meio da morte do seu Filho, se realizava a redenção do género humano, e no entanto também ela chorou e sofreu; e quanto sofreu!

 

9. Que Maria converta em gozo todos as dores da tua vida.

 

10. Não vos entregueis tão intensamente à actividade de Marta que esqueceis o silêncio e o abandono de Maria. A Virgem, que concilia tão perfeitamente ambas as coisas, vos sirva de doce modelo e de inspiração.

 

11. Maria embeleze e perfume continuadamente a tua alma com novas virtudes e te proteja com o seu amor maternal. Mantém-te cada vez mais unida à Mãe do céu, porque ela é o mar através do qual se alcançam as praias dos esplendores eternos no reino da aurora.

 

12. Traz à tua memória o que sucedia no coração de nossa Mãe do céu ao pé da cruz. É tão intensa a sua dor que permanece petrificada ante o seu Filho crucificado, mas não podes dizer que haja sido abandonada. Ao contrário, nunca foi tão amada quando sofria e nem sequer lhe era possível chorar.

 

13. Não te afastes do altar sem derramar lágrima de dor e de amor por Jesus, crucificado por tua eterna salvação. A Virgem Dolorosa te acompanhará e te servirá de doce inspiração.

 

14. Filho, tu não sabes os efeitos da obediência. Olha: por um sim, por um só sim, “fiat secundum verbum tuum”, por fazer a vontade de Deus, Maria chega a ser Mãe do Altíssimo, confessando-se Sua escrava, mas conservando a virgindade que tão grata era a Deus e a ela. Por aquele sim pronunciado por Maria Santíssima, o mundo obteve a salvação, a humanidade foi remida. Façamos também nós sempre a vontade de Deus e digamos sempre sim ao Senhor.

 

15. Correspondamos também nós, que fomos regenerados no santo baptismo, a graça da nossa vocação à imitação da Imaculada, nossa Mãe. Apliquemo-nos incessantemente ao estudo de Deus para conhecê-Lo, servi-Lo e amá-Lo cada vez melhor.

 

16. Minha Mãe, infunde em mim aquele amor que ardia em teu coração por Ele; em mim, que coberto de misérias, admiro em ti o mistério de tua Imaculada Conceição e que ardentemente desejo que, por esse mistério, purifiques o meu coração para amar a meu Deus e a teu Deus, minha mente para elevar-me até Ele e contemplá-Lo, adorá-Lo e servi-LO em espírito e verdade, o corpo para que seja o Seu tabernáculo menos indigno de possui-Lo quando se digne vir a mim na Santa Comunhão.

 

17. Padre, hoje é a festa da Nossa Senhora das Dores. Diga-me uma palavra. Resposta: A Virgem Dolorosa nos quer bem, deu-nos a luz na dor e no amor. Não se afaste jamais da tua mente a Dolorosa e suas dores fiquem gravadas no teu coração; e o acenda de amor a Ela e a seu Filho.

 

18. A alma bem-aventurada de Maria, como pomba que se liberta dos laços, se separou de seu santo corpo e voou ao seio do seu Amado.

 

19. Depois da ascensão de Jesus Cristo ao céu, Maria ardia continuamente no mais vivo desejo de unir-se com Ele. Na ausência do seu divino Filho, parecia encontrar-se no mais duro desterro. Aqueles anos nos que teve que estar separada d'Ele, foram para ela o mais lento e doloroso martírio, martírio de amor que a consumia lentamente.

 

20. Jesus, que reinava no céu com a humanidade santíssima que havia tomado no seio da Virgem, quis que também a Sua Mãe, não somente com a alma mas também com o corpo, se reunisse com Ele e compartisse plenamente a Sua glória. E isto era totalmente justo e merecido. Aquele corpo, que não foi nem por um só instante escravo do demónio e do pecado, não devia sê-lo tampouco na corrupção.

 

21. Procura conformar sempre e em tudo a vontade de Deus em todos os acontecimentos, e não tenhas medo. Esta conformidade é o caminho seguro para chegar ao céu.

 

22. Eu desejo, e não lograis, morrer ou amar a Deus, é dizer, a morte ou o amor, já que a vida sem este amor é pior que a morte. Filhas minhas, ajudai-me! Eu morro e agonizo em cada momento. Tudo me parece um sonho e não sei donde me movo. Deus meu! Quando chegará a hora em que também eu posso cantar: “este é o meu descanso, oh Deus, para sempre”?

 

23. Pratica a penitência de pensar com dor nas ofensas feitas a Deus; a penitência de ser constante no bem, a penitência de lutar contra os teus defeitos.

 

24. Confesso ante tudo a grande desgraça que é para mim não saber expressar e sacar fora este grande vulcão sempre aceso que me abraça e que Jesus meteu dentro deste coração tão pequeno. Tudo se resume a isto: vivo devorado pelo amor de Deus e pelo amor ao próximo.

 

25. A ciência, filho meu, por muito grande que seja, é sempre algo muito pobre; e é menos que nada em comparação com o formidável mistério da divindade. Deves encontrar outros caminhos. Limpa o teu coração de toda a paixão terrena, humilha-te no pó e ora! Desse modo encontrarás com certeza a Deus, que te dará a serenidade e a paz na vida e a beatitude eterna na outra.

 

26. Já viste algum campo de trigo completamente curado? Poderás observar que algumas espigas são altas e vigorosas; outras, ao invés, estão dobradas até ao chão. Experimenta apanhar as altas, as mais vaidosas, e verás que estão vazias; se, ao contrário, colheres as que estão mais baixas, as mais humildes, verás que estão carregadas de grãos. Daqui poderás concluir que a vaidade é algo vazio.

 

27. Convém-nos esforçar-nos muito para chegar a ser santos e servir intensamente a Deus e ao próximo.

 

28. Façamo-nos santos; deste modo, depois de haver vivido juntos na terra, estaremos juntos para sempre no céu.

 

29. Oh Deus! Faz-Te sentir cada vez mais em meu pobre coração e realiza em mim a obra que começaste. Sinto no intimo uma voz que me diz insistentemente: santifica-te e santifica. Pois bem, queridíssima filha, isto é o que eu quero, mas não sei por onde começar. Ajuda-me, pois; sei que Jesus te quer muitíssimo e o mereces. Fala-Lhe, pois, de mim que me conceda a graça de ser um filho menos indigno de São Francisco, que possa servir de exemplo a meus irmãos de modo que o fervor continue sempre e cresça sempre mais em mim de forma que faça de mim um perfeito capuchinho.

 

30. Sê, pois, sempre fiel a Deus no cumprimento das promessas que Lhe fizeste e não te preocupes com a zombaria dos ignorantes. Deves saber que os santos jamais se preocuparam do mundo e dos mundanos e puseram debaixo dos seus pés o mundo com as suas máximas.

 

31. O campo de batalha entre Deus e Satanás é a alma humana. Nela se desenrola em todos os momentos da vida. É necessário que a alma deixe acesso livre ao Senhor e que seja fortalecida por Ele em todas as partes com toda a classe de armas; que seja iluminada por Sua luz para combater as trevas do erro; que seja revestida de Jesus Cristo, de Sua verdade e justiça, do escudo da fé, da palavra de Deus, para vencer a inimigos tão poderosos. Para ser revestidos de Jesus Cristo é necessário morrer para si mesmos.

 


Fonte: São Pio de Pietrelcina Blog


16
Mai 12
publicado por FireHead, às 23:43link do post | Comentar
 

15
Mai 12
publicado por FireHead, às 22:59link do post | Comentar

 

O Milagre do Sol foi anunciado pelos pastorinhos em Julho e Setembro, promessa de Nossa Senhora aos pastorinhos para que todos acreditassem. No dia anunciado, 13 de Outubro de 1917, a palavra tinha-se espalhado um pouco por todo o país e estavam presentes cerca de 50.000 pessoas (segundo o jornal O Século). N'O Século vem descrito o acontecimento como tendo o céu descoberto repentinamente, tendo estado nublado e a chover até então; o Sol estava claro e definido, podendo olhar-se para ele directamente sem ferir os olhos; de seguida rodopiou sobre si mesmo e ziguezagueou pelo céu. O acontecimento durou cerca de dez minutos e o dia voltou a ficar cinzento e chuvoso.

 

O professor José de Almeida Garret, da Universidade de Coimbra, que se tinha deslocado à Cova de Iria por mera curiosidade, faz exactamente o mesmo relato. Este é que é o verdadeiro milagre de Fátima. Se houve aparições aos pastorinhos ou não, é discutível. No entanto, é inconcebível que tivessem jogado um dia qualquer ao calhas para uma manifestação deste género e pura e simplesmente tivessem tido sorte.

 

O evento foi oficialmente aceite como um milagre pela Igreja Católica em 13 de Outubro de 1930. Em 1951, o cardeal Tedeschini afirma que, em 30 e 31 de Outubro e em 1 e 8 de Novembro, o então Papa Pio XII presenciou um milagre semelhante ao Milagre do Sol nos jardins do Vaticano.

 

As refutações habituais ao Milagre do Sol são as seguintes:

 

- Fenómeno natural astronómico: nada foi reportado de anormal nos vários observatórios mundiais na mesma data. Além disso, tendo em atenção as consequências catastróficas ao Sistema Solar derivadas duma movimentação, ou até mesmo rotação, solar, penso que nem é de ficar por esta muito tempo...

 

- Alucinação colectiva: de 50.000 pessoas? Mais, 50.000 pessoas de um grupo com indivíduos muito díspares, da cidade e do campo, cultos e analfabetos, crianças e idosos, crentes e descrentes? Não me cheira...

 

- Histeria colectiva (que é muito diferente de alucinação colectiva): além do já mostrado no anterior, junta-se o facto que o fenómeno foi visto por pessoas até 20 km de distância... Demasiado longe da área de influência duma histeria colectiva, convenhamos...

 

- Extraterrestres: está bem, agora a sério... Então foram os aliens que passaram por cá nos meses anteriores para avisar os pastorinhos...

 

Este é, aliás, o último dos factos, para o qual não há argumento absolutamente nenhum: os pastorinhos sabiam o que se ia passar e quando se ia passar. Ponto final. Eventualmente, um fenómeno de natureza meterológica (ainda não repetido nem explicado, é certo, mas que até pode ser aceite) poderia ser a explicação. No entanto, o verdadeiro milagre, para o qual não há, de todo, explicação, é o facto dos pastorinhos saberem, em rigor, o quê e o quando!

O mais incrível é que muita gente deste país nem sequer sabe o que é que foi realmente esse milagre ou que ele simplesmente aconteceu...

 


Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis!!


14
Mai 12
publicado por FireHead, às 13:00link do post | Comentar

"Era uma Senhora tão linda, tão bonita!... Tinha um vestido branco, e um cordão de oiro ao pescoço até ao peito... A cabeça estava coberta por um manto branco, também, muito branco, não sei, mas mais branco que o leite... e tapava-a até aos pés... Era todo bordado de oiro... Ai que bonito!... Tinha as mãos juntas...

Entre os dedos tinha as contas. Ai que lindo tercinho que ela tinha... todo de oiro, brilhante, como as estrelas da noite, e um crucifixo que luzia... que luzia... Ai que linda Senhora!

Uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio d'água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.

Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que a cercava, ou que ela espargia".


13
Mai 12
publicado por FireHead, às 00:04link do post | Comentar

Alegrai-vos, Rainha,

À direita do Rei eterno,

Jesus Cristo,

Cordeiro imortal

E dominador da terra.

 

Sentai-vos revestida

Da luz refulgente

Do Sol de Justiça,

O Verbo Encarnado,

Que vos cingiu com doze estrelas

Como uma coroa sobre a vossa cabeça.

 

Reinais sobre o trono

Da celeste Jerusalém,

Vestida como esposa

Que desce do Céu.

 

Admiráveis são as vossas luzes

Que alegram a santa

Cidade de Deus

Colocada sobre firmes fundamentos

Marcados pelos doze nomes

Dos enviados do Messias.

 

Os redimidos aclamam

Aquele que vence a morte

E exultam com o vosso cântico de louvor

Nas palavras que são espírito e vida.

 

A vossos pés a lua ressalta com luz

O domínio de vosso nome santo

Que renova o mundo

Com a força do vosso coração

Que acolhe a vontade do Pai.

 

Amada e predestinada pelo Senhor,

O Verbo fez de vós o seu caminho,

E sobre solo fértil

Estendeu-se a sombra do Altíssimo,

Fazendo germinar o fruto bendito

Do vosso ventre, Jesus.

 

De vós o autor da vida tomou vida.

Em vós alegram-se todas as criaturas.

Aquele que do nada tirou

Todas as coisas que existem,

Criou-vos primeira estrela da manhã

No firmamento celeste de seu Reino.

 

O Pai ao mundo Vos anuncia,

Mulher de salvação,

Valente guerreira em combate,

Que repara o pecado de Adão

Com perfeita e nova harmonia.

 

Mulher prometida depois de Eva,

Tornada imaculada desde o início,

Esmagais a cabeça do inimigo

Com a força da estirpe

Eleita e santa

Das testemunhas de Jesus Cristo

Que vos oferece a nós como Mãe.

 

Virgem Senhora,

Esposa e Mãe,

Santa Maria de Deus

E da humanidade,

Ouvi o clamor e acolhei

As súplicas da família humana.

 

Virgem inefável e fiel,

Luzeiro da santa luz incriada,

Serva do Deus verdadeiro,

Encerrais em vosso seio

O mistério oculto nos séculos.

 

Velo regado de orvalho celeste,

Escrínio selado do Reino de Deus,

Levais em vosso nome

A pérola preciosa do Evangelho.

 

Ó Maria, com a vossa fé dais início

Ao cumprimento das Escrituras

Da Lei e dos Profetas

E abris à eterna Aliança.

 

Honra do nosso povo,

Glória de Jerusalém,

Amor de todos os vossos filhos,

Ó toda bela e sagrada de Deus.

 

Vós, verdadeiro tesouro

Do qual haurimos

Coisas novas e antigas,

Rede lançada ao mar

Por ordem do Senhor,

Levais aos olhos cansados dos apóstolos

A surpresa dos milagres inesperados.

 

Mãe do Pescador, do Semeador,

Do Agricultor e do Bom Pastor,

Ao vosso amor se rende todo o amor.

 

Desposada com José, filho de David,

No Templo recebeis a espada

Predita por Simeão,

Que, ferindo a vossa alma,

Atinge de um só golpe

A carne do Filho de Deus,

Que é vosso.

 

Vemos a vossa maior dor no caminho,

Ali onde verteis lágrimas

Por aquele Sangue divino

Derramado na Cruz pelo Senhor.

 

Nova e verdadeira Mãe

Dos que têm a vida da fé,

Fonte da tristeza

Que a brisa do Espírito

Transforma ao romper da aurora

Na doce alegria da Páscoa.

 

O fogo do Espírito

Tempera os corações

Dos apóstolos, filhos vossos,

Ao redor daquela mesa

De unânime oração

Na qual a água da antiga Lei

Fazeis sempre transformar-se

No bom vinho do eterno amor.

 

Subis e emergis na luz solar

Do Eterno

Ao abraço concorde

Da Trindade santa e feliz,

E a espada de dor que Vos foi tirada

Transpassa agora na terra

O coração nascente da Igreja.

 

Ave Maria,

Saudada por Gabriel

E pelos coros celestes.

Ave Maria,

Virgem e esposa intemerata,

Vinha intacta, fonte selada,

Ovelha imaculada.

 

Atenta Serva do Senhor,

Verdadeira alegria do Bom Pastor

No aprisco eterno,

Incitais multidões de filhos vossos

A entrar no banquete da vida.

 

Oceano de todas as graças,

Abris a porta da casa de Deus

Para que ali possamos viver

Na eterna paz.

 

Resplandeceis de luz

E indicai-nos o caminho,

Ó Mãe e Virgem prudente,

Cuja lâmpada jamais se apagou.

 

Guiai-nos ao porto,

Ó Estrela do Mar,

E estreitai vossos filhos a Vós,

Que os povos proclamam ditosa

Nas eternas núpcias do Esposo.

 

Mostrai-nos o vosso rosto, ó clemente,

Volvei a nós os vossos olhos, ó piedosa,

Sobre nós estendei o vosso manto,

Ó doce Virgem Maria.

 

A vós se eleve um hino de louvor,

Ó cheia de graça,

A vós o pranto dos filhos

No caminho de volta

Ao vosso refúgio,

Ó Mulher entre todas bendita,

Santa Maria.

 

Revesti-vos do traje nupcial

Tecido pelo vosso amor,

Ó mística rosa da sarça ardente,

Para o dia sem fim

Do convívio eterno

Na terra prometida pelo Senhor.

 

Ave, Filha do Pai.

Salve, Mãe do Filho.

Exultai e alegrai-vos,

Esposa e templo do Espírito Santo.

Amém.

 

 

Pe. Antonino Marino


12
Mai 12
publicado por FireHead, às 23:39link do post | Comentar

Podemos fazer uma analogia entre a nossa vida e uma viagem de comboio: sentados à janela, as imagens da paisagem passam rapidamente, e nós procuramos captá-las e interiorizá-las tanto quanto possível. Mas, no fim da viagem, reconhecemos que ficamos vazios: as imagens desvaneceram-se, tornaram-se irreais, e só fica a recordação. Perante a fugacidade das imagens da viagem, temos necessidade de encontrar um “centro” em nós próprios e não já nas imagens que discorrem ao longo da “viagem da vida”. Essa procura do “centro” em nós próprios é a procura ontológica — a procura do Ser —, a procura que sonda o Absoluto e que só é possível mediante a religião.

 

Quando a filosofia tentou preencher o Absoluto, entrou em auto-refutação. E quando a ciência deixou de ter em conta o Absoluto, deixou de ser ciência propriamente dita e passou a ser ou um ramo da Técnica, ou uma manifestação de religiões políticas, ou mesmo anti-ciência. Para Santo Agostinho, o Absoluto como exigência lógica faz parte da prova ontológica — ou seja, faz parte da demonstração do Ser, e não propriamente a prova da “existência” de Deus, porque um Deus que existe no espaço-tempo, não existe. Deus não faz parte da dimensão da divisão sujeito/objecto.

 

Kant traduziu a necessidade dessa procura ontológica em uma situação aplicada à ciência, mediante o denominado “Princípio Teleológico” ou “Princípio da Intencionalidade”, que é, mais ou menos, assim:

 

Embora não possamos provar que a natureza está intencionalmente organizada [ou seja, embora não possamos provar que existe um desenho inteligente subjacente à organização da natureza], devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a natureza como sendo organizada em função de “uma compreensão” para além da nossa, compreensão essa que nos forneceu leis empíricas organizadas de modo a que nos seja possível uma experiência unificada.

 

Para Kant — independentemente de sabermos se ele acreditava que o seu Princípio Teleológico era real e suficiente, ou não —, podemos dizer que o Princípio da Intencionalidade era uma “muleta” que permitiria ao investigador científico avançar no seu trabalho de forma segura. Outra “muleta” deste género foi o conceito de “Espaço Absoluto” de Newton [que a actual ciência Einsteiniana diz que não existe, mas que eu tenho muitas dúvidas sobre a razão da ciência actual], sem o qual as teorias da Dinâmica e as leis da atracção gravitacional não seriam possíveis.

 

Kant defendeu as explicações teleológicas ou intencionalistas na ciência, por duas ordens de razão:

 

1) as explicações teleológicas têm valor heurístico [dão-nos “dicas”] na procura de leis causais; se fizermos perguntas sobre os “fins” intrínsecos à natureza, poderão surgir novas hipóteses sobre os “meios” com os quais a ciência deve prosseguir;

 

2) as interpretações teleológicas ou intencionalistas contribuem para uma organização sistemática do conhecimento empírico, na medida em que complementam as interpretações causais já existentes.

 

Mas isto tudo aconteceu antes de Darwin. Depois de Darwin, o princípio teleológico de Kant foi sendo paulatinamente esquecido, a ciência foi entrando em absurdo, e chegou ao ponto de defender a ideia de que o universo surgiu do Nada [Stephen Hawking] e que a vida surgiu por Acaso [Richard Dawkins, e o naturalismo] — sem querer discutir se o conceito de “acaso” faz algum sentido, temos que reconhecer que a ciência actual pretende ultrapassar o limite da nossa capacidade de conhecimento.

 

Porém, se virmos bem as coisas, a teoria de Darwin não é incompatível com o princípio teleológico de Kant: o que os tornaram incompatíveis entre si não foi a ciência, mas foram as ideologias políticas que “raptaram” a ciência.

 

Para Kant, cada parte de um organismo vivo está relacionada com o todo, simultaneamente como causa e como efeito. Ou seja, Kant sabia que uma interpretação causal alargada aos processos vitais seria, pelo menos, limitada; as leis causais estabelecem apenas que estados particulares dos organismos surgem a partir de outros estados; e o aparecimento da vida, em si mesmo, não pode ser explicado inteiramente por leis causais. No fundo, Kant antecipou o conceito científico actual de “complexidade irredutível” demonstrado, por exemplo e entre muitos outros, pelo bioquímico Michael Behe.

 

 

Fonte: perspectivas


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