«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
20
Mar 12
publicado por FireHead, às 15:54link do post | Comentar

Nem todos os judeus no começo da era Cristã respeitavam o cânone corrente nos dias actuais. Havia dois cânones entre os judeus naquele tempo: o palestiniano e o de Alexandria, além do Talmude da Palestina e do Talmude da Babilónia. O cânone da Jâmnia transformou-se no conjunto de textos sagrados dominantes entre os judeus; muitos judeus aceitaram o cânone de Jâmnia. Os judeus da Etiópia, por exemplo, seguem um cânone idêntico ao Antigo Testamento Católico, incluindo os sete livros Deuterocanónicos. Esse mesmo Concilio de Jâmnia que rejeitou os Deuterocanônicos rejeitou também os Evangelhos e os demais textos do Novo Testamento. Jâmnia é uma cidade localizada ao sul de Jafa, na fronteira de Judá. Foi nessa cidade que os judeus da Palestina estabeleceram os critérios para a constituição de seu cânone das Sagradas Escrituras. A Igreja Católica, portanto, não considerou as decisões de Jâmnia, porque um concílio posterior a Cristo não tem autoridade sobre os Cristãos. Jâmnia definia que só seriam válidos os textos escritos na Terra Santa, segundo a lei de Deus e até o tempo de Esdras.
 

Rebelião Protestante

A Reforma protestante retomou o cânone de Jâmnia para o Antigo Testamento, principalmente porque estes textos afirmavam a importância da oração pelos mortos e a sobrevivência da alma após a morte.

 

Os primeiros Cristãos aceitaram, portanto, os livros que se encontravam na Septuaginta (Tradução em grego das Sagradas Escrituras feita pelos judeus que viviam no Egipto).

 

Jâmnia rejeitou os livros usados por Cristo e pelos apóstolos, o que é inaceitável! Os Deuterocanónicos são citados dezenas de vezes no Antigo Testamento e no Novo Testamento.

 

O cânone do Novo Testamento, por seu turno, foi definido no I Concilio de Nicéia. Os Deuterocanónicos foram confirmados nos concilios de Hipona (393), Cartago (397 e 419), Concílio Florentino (1441) e Concílio de Trento (1546).

 

Os anglicanos e os ortodoxos aceitam os chamados livros Deuterocanónicos.

 

 

Os livros Deuterocanónicos estão sobrando ou faltando na Bíblia?

Um dos temas que muitas vezes chega a sair discussão entre as pessoas da fé Católica e de outras denominações é a alegação de que estaria sobrando livros na Bíblia Católica na qual eles chamam de “apócrifos”. Afinal os nossos “deuterocanónicos” estão sobrando ou faltando livros? Neste simples estudo iremos expor as respostas adequadas a esta dúvida.

 

Inicialmente a palavra “apócrifo” é mal utilizada em relação a estes livros já que a palavra apócrifo provém do grego άπόκρυφος (apokryphos), “oculto” e são aplicados aos livros que a Igreja retirou no Concílio de Cartago quando se formou o cânone das Escrituras tal como conhecemos hoje. Os sete livros que estão na Bíblia Católica não são apócrifos, são chamados de “Deuterocanónicos” mesmo que o termo descreva com poucas propriedades estes livros, eles são chamados Deuterocanónicos porque não estão no cânone judeu da Palestina, aprofundar-nos-emos mais neste assunto a seguir. Mas, quais são estes livros?

Livro de Tobias

Livro de Judite

Complementações em grego do Livro de Ester

Complementações em grego do Livro de Daniel

Primeiro livro dos Macabeus

Segundo livro dos Macabeus

Livro da Sabedoria

Sirácides ou Eclesiástico

Livro de Baruc

Qual é a origem destes livros? Analisando um pouco a História devemos levar em consideração que os judeus NÃO possuíam livros e sim rolos e para eles os escritos fundamentais na sua leitura e estudos eram a Torá, ou seja, os cinco primeiros livros, assim como é até os dias de hoje. Os judeus também não possuíam uma compilação dos outros livros santos, além disso, dentro do judaísmo não existia um cânone escritural: existia sim uma grande disputa sobre qual seria o cânone correcto.

 

O movimento religioso dos saduceus sustentava que somente o Pentateuco fazia parte do cânone das Escrituras enquanto que outros grupos consideravam também as Escrituras dos Nevi’im (Profetas) e a Hagiographa (Livros históricos e didácticos).

 

 

A Primeira tentativa de se reunir todos os livros inspirados foi no século II ANTES de Cristo na cidade de Alexandria.

 


O nome dos Setenta se deve a uma tradição judaica, transmitida na Epístola de Aristeas que atribui a sua tradução a 72 sábios judeus (seis de cada tribo) em 72 dias. Esta tradição tem a sua origem na Gematria, uma técnica exegética que dá valores interpretativos aos nomes onde o 7 equivale a perfeição. É denominado também como alexandrina por ter sido feita em Alexandria e ser usada pelos judeus de língua grega no lugar do texto hebraico. É a principal versão grega pela sua antiguidade e autoridade. A sua redacção iniciou no século III aC (ano de 250 aC) e foi concluída no final do século II antes de Cristo (ano 150 aC).

 

Esta versão gozou de grande popularidade em todo o mundo judeu por ser a Primeira Grande Compilação das Escrituras e por ser escrita em grego, idioma universal do mundo da época, mais de trezentas citações das Epístolas de São Paulo e citações do Antigo Testamento são tiradas desta versão o que indica que foi utilizada pelos Apóstolos e a Igreja Primitiva.

 

 

Até o momento já vimos três bases:

 

a) Os judeus NÃO tinham um cânone Escritural como nós, pois tinham como canónicas somente a Torá; os demais livros inspirados NÃO estavam definidos canónicamente.

 

b) A primeira tentativa de compilação foi feita em Alexandria no século III antes de Cristo e esta versão JAMAIS foi questionada ou recusada pelo Templo.

 

c) Esta era a versão mais conhecida e utilizada no tempo de Jesus e no tempo Apostólico.

Esta era a situação Escritural na época de Jesus: nas Sinagogas lia-se os rolos da Lei e para o estudo individual era utilizado a Versão dos Setenta. Depois do Pentecostes a situação não mudou muito e a Igreja nascente seguiu utilizando nos seus cultos e nos seus ensinamentos a versão dos Setenta junto dos Escritos Apostólicos (ainda sem definição canónica). Até o ano 70 e depois da destruição de Jerusalém, o Sinédrio junto com o grupo dos fariseus (que consideravam um cânone formado pela Lei, os Profetas e as Escrituras) continuou insistindo e trabalhando em um cânone definitivo já que tinham à sua frente à chamada “Seita Cristã” com os seus livros judeus e as suas novas Escrituras.

Yavne, Iamnia, Yibna, Ibelin 

Assim, no ano de 90 d.C. o Sinédrio estabelecido em Jâmnia finalmente formou um cânone judeu e teve três regras para a sua formação:

1) Deveria haver uma cópia do livro em questão que indicasse que foi escrito antes do ano 300 a.C. ( quando a helenização chegou a Palestina, com os problemas culturais e religiosos subsequentes).

2) Que as cópias fossem escritos em hebraico ou pelo menos em aramaico (menos o grego que era a língua e cultura invasora e que era utilizada nos escritos Cristãos).

3) Que tivesse uma mensagem considerada como inspirado ou dirigido ao povo de Deus (judeu).

Uma das razões para retirar os livros escritos em grego, que eram na sua maioria Sapienciais e bem próximos ao início do Cristianismo é que “soavam muito Cristão”. Este concílio judeu em Jâmnia definitivamente NÃO teve nenhum efeito sobre a Igreja que já havia há vários anos se tinha separado do judaísmo, este que foi ditado pelo mesmo órgão (e que por sua cegueira espiritual) havia crucificado o Messias esperado.

 

A Aliança então foi transferida para a Igreja como Nova Aliança da Graça e os anciãos de Israel não possuíam nenhuma autoridade sobre a nova Fé. A Igreja seguiu utilizando como Escritura a antiga Versão dos Setenta. Curiosamente, fragmentos destes livros retirados da versão hebraica foram encontrados nos “Pergaminhos do Mar Morto”.

 

São Jerónimo (342-420 d.C.) fez a tradução das Escrituras judaicas do hebraico para o latim e excluiu os livros escritos em grego como não canónicos; contra isso Santo Agostinho se opôs e ratificou a importância dos livros escritos em grego no Concílio de Hipona (393). A decisão de Jerónimo foi recusada pelos concílios e ele aceitou a decisão outorgada pelos concílios.

 

A partir do século IV a Igreja introduz o termo “cânone”, para indicar com ela a clausura física do conjunto de livros integrados pelo Antigo Testamento e o Novo Testamento. Assim é declarado que a Biblia, por ser inspirada por Deus, é normativa no âmbito de doutrina e da Fé. E assim a Escritura começou a viver e dar frutos na Igreja Católica por 1120 anos até a fatídica data de 1517 quando um papel cravado nas portas de uma Igreja causou a ruptura de dezesseis séculos de Cristianismo. Com a Reforma do Sacerdote Agostiniano Martinho Lutero, é iniciado uma nova etapa no Cristianismo que foi mais do que uma “Reforma”: foi uma demolição da Fé dos Apóstolos baseada no critério de um ou vários homens (os reformadores). Uma das primeiras consequências sofrida é na Bíblia. Rapidamente Lutero dá-se o trabalho de reformar as Escrituras baseado nos seus conceitos que entendia serem correctos. Martinho Lutero e outros reformistas decidiram tentar remover os livros que faziam parte da Escritura Cristã desde os primórdios tais como Apocalipse e Tiago nas quais ele recusava como podemos ler nos seus escritos:

 

“… A Epístola de Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não contém nada evangélico.” (Prefácio ao Novo Testamento de Lutero)

 

“… Ao meu parecer [o Livro das Revelações ou Apocalipse] não tem nenhum indício de carácter apostólico ou profético… Cada um pode formar a sua própria opinião sobre este livro; pessoalmente tenho antipatia, e para mim isso é razão suficiente para recusá-lo.” (Sammtliche Werke, 63, pp. 169-170)

(Muitos protestantes que baseiam as suas doutrinas no Apocalipse não sabem que quase o perderam, pois Lutero tentou retirar das Escrituras o Apocalipse, a Carta aos Hebreus e a Epístola de Tiago entre outros). Martinho Lutero num ataque de soberba e desprezando as decisões do Concilio de Roma e de Cartago, acatou as decisões do Concílio Judeu de Yannia (Jâmnia), aceitando o cânone judaico do ano 90 d.C. sem os sete livros escritos em grego e assim a bíblia protestante continua até os DIAS de hoje. É por isso que NÃO NOS SOBRAM livros, já que estavam por mais de 1800 anos juntos e no século XVI foram removidos, e são os que FALTAM para a igreja protestante. Actualmente existem muitas provas de que estes livros estiveram junto ao povo judeu e eram utilizados por eles, algumas delas são:

a) Os manuscritos mais antigos do Antigo Testamento (mil anos) contêm os Deuterocanónicos. Com excepção da ausência de Macabeus no Codex Vaticanus, o mais antigo texto grego do Antigo Testamento, TODOS OS DEMAIS manuscritos contêm os sete livros.

b) Dos 850 documentos que foram achados em Qumran, uns 223 são cópias de livros distintos do Antigo Testamento; foram encontrados quase todos os livros da Bíblia hebraica (menos Ester), e alguns deuterocanónicos (Tobias, e Ben Sira ou Eclesiástico)…

c) Os judeus apesar de não aceitarem religiosamente os livros Deuterocanónicos aceitam-nos historicamente ao celebrar festas que só são mencionados nestes livros, entre eles o Purin que é mencionado no Livro de Ester e o Hanuká que é mencionado no Livro dos Macabeus.

 

 

No começo da Reforma a nossa versão bíblica não foi alvo ataques como podemos ver:

 

a) Martinho Lutero no seu Comentário sobre São João disse: “Somos obrigados a admitir dos Papistas que eles têm a Palavra de Deus, que a recebemos deles e que sem eles não teríamos nenhum conhecimento dela”. Esta Igreja pronunciou que TODOS os 73 livros que compõe o Antigo e Novo Testamento são revelação.

b) Foram aceites pela Igreja pós-Pentecostes e por toda a Igreja Primitiva

c) Foram proclamados CANÓNICOS ao mesmo Tempo e pela mesma autoridade que os 27 Livros do Novo Testamento.

Martinho Lutero retirou-os em:

a) Um acto unitário e arbitrário.

b) Sem consultar a Igreja nem a um Concilio.

c) Sem levar em consideração os aspectos históricos da permanência destes livros na Igreja.

 

d) Aceitou a decisão de um concílio judeu que NÃO tinha nenhuma autoridade sobre os Cristãos, não foi um concilio Cristão dirigido pelo Espírito Santo.

 

 

Como vimos, os judeus na época de Jesus nunca tiveram um cânone escritural, vimos que este cânone foi criado no ano de 90 d.C. quando a Igreja já estava separada do judaísmo há vários anos, vimos que estes livros NÃO foram aceites pelo concílio judaico da Jâmnia por estar escrito na mesma língua dos textos Cristãos e por sua linguagem ser muito similar a estes. Martinho Lutero num acto de soberba, desprezo a obra do Espírito Santo no Concílio de Cartago preferiu aceitar a definição do mesmo Sinédrio que NÃO reconheceu o seu Messias.

 

Não se pode desprezar parte da obra de um Concílio e aceitar outra. Um Concílio é aceite ou recusado por inteiro, pois bem, a mesma autoridade que formou o cânone do Novo Testamento formou também o cânone do Antigo Testamento, NÃO se pode aceitar os 27 livros do Novo Testamento e desprezar a versão dos Setenta. Ora, se a Igreja se equivocou ao definir como canónico a Versão dos Setenta então os 27 livros do Novo Testamento também definidos pela Igreja estariam expostos a um equívoco e se estes 27 livros são duvidosos, vã é nossa Fé.

Duvidar da Igreja é duvidar das Escrituras. A quem escutas?

 

 

Foi a Tradição Apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos livros Sagrados. A definição dos livros canónicos aconteceu no Concílio Regional de Hipona, no ano 393, definindo o cânone amplo como sendo o correcto para o uso da Igreja Católica. Outros Concílios foram confirmando esta definição. Exemplos: Cartago III (397),Cartago IV (419), Trulos (692), os Concílios Ecuménicos de Florença (1442), Trento (1546), Vaticano I (1870). ”Que não seja lido nada na Igreja além da Bíblia Canónica… A lista da Bíblia Canónica é esta: Génesis, Êxodo, Levítico, Números… Tobias, Judite, Ester… 1 e 2 Macabeus,… Jeremias, Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Sirácida ou Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, Sabedoria… Em nome dos 217 bispos reunidos em Cartago, deixo isto enviado ao nosso irmão e bispo de Roma, Bonifácio, com os bispos de todas as partes, para confirmar este cânone XXIV deste Concílio… Conforme o código africano estabelecido em Hipona (393) no cânone XXVI…” (Conteúdo do Concílio de Cartago IV – ano 419). A lista completa é denominada “Cânone” das Escrituras. Ela comporta, para o Antigo Testamento, 46 (45, se contarmos Jr e Lm juntos) escritos e 27 para o Novo conforme: Génesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronómio, Josué, Juízes, Rute, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crónicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judite, Ester, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes (ou Coélet), o Cântico dos Cânticos, a Sabedoria, o Eclesiástico (ou Sirácida), Isaías, Jeremias, as Lamentações, Baruque, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, para o Antigo Testamento.

 

 

Por que a bíblia protestante tem menos livros?

Sabemos que de facto, foi a Igreja Católica quem berçou a Bíblia. Demorou alguns séculos para que a Igreja Católica chegasse à forma final da Bíblia, com os 72 livros como temos hoje. Em vários Concílios ao longo da História, a Igreja, assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo 16,12-13) estudou e definiu o Índice (cânone) da Bíblia; uma vez que nenhum de seus livros traz o seu Índice.

 

 

Por que a Bíblia Católica é diferente da protestante?

Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. A razão disso vem de longe.

 

No ano 100 da era Cristã os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:

 

a) Deveria ter sido escrito na Terra Santa;

 

b) Escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

 

c) Escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

 

d) Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

 

 

Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilónia em 537 a.C.. Por esses critérios não foram aceites na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na bíblia protestante, citados antes. Mas a Igreja Católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa.

 

Em Alexandria, no Egipto, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma forte colónia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. O rei do Egipto, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os livros sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu assim a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.

 

Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).

 

Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando inspirados (canónicos) os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. O texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os Cristãos; e portanto, o cânone completo, incluindo os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel, passou para o uso dos Cristãos.

 

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos Apóstolos. Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15.

 

 

Nos séculos II a IV houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus. Mas a Igreja ficou com a Bíblia completa da Versão dos Setenta, incluindo os sete livros.

 

Após a Reforma protestante, Lutero eos  seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados.

 

É importante saber também que muitos outros livros que todos os Cristãos têm como canónicos não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro facto importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (Patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (Deuterocanónicos) são citados como Sagrada Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes. Ora, será que o Papa S. Clemente se enganou, e com ele a Igreja? É claro que não.

Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e de Macabeus II; Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos Deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruque, Tobias, 1 e 2 Macabeus. Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros Deuterocanónicos como inspirados pelo Espírito Santo.

 

Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870) confirmaram a escolha.

 

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânone da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, com os fragmentos de Esdras e Daniel.

Lutero, quando estava preso em Wittenberg, ao traduzir a Bíblia do latim para o alemão, traduziu também os sete livros (Deuterocanónicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.

 

Neste facto fundamental para a vida da Igreja (a Bíblia completa) vemos a importância da Tradição da Igreja, que nos legou a Bíblia como a temos hoje.

 

Disse o último Concílio: “Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânone completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8).

Se negarmos o valor indispensável da Igreja Católica e da sua Sagrada Tradição, negaremos a autenticidade da própria Bíblia. Os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o Índice da Bíblia.

É interessante notar que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a São Jerónimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os Cristãos. São Jerônimo reviu o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.

 

 

Convém fazer algumas distinções quanto aos nomes:

 

a) Cânone, do Grego Kanón = Regra, medida e catalogado

 

b) Canónico = Livro catalogado – o que significa que também é inspirado por Deus

 

c) Protacanónico = Livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado

 

d) Deuterocanónico = Livro catalogado, deuteron ou em segunda instância, posteriormente (após sido Controvertido)

 

e) Apócrifo = Do grego apókryphon = Livro oculto, isto é, não lido nas Assembleias públicas de culto. Reservado à leitura particular.

 

Os livros Deuterocanônicos (Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1 Macabeus e 2 Macabeus, os capítulos 13 e 14 e os versículos 24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, os capítulos 11 a 16 de Éster, estão na Tradição chamada Septuaginta, que foi traduzida do Hebraico por setenta sábios em setenta dias, cada um trabalhando isoladamente e chegando todos ao mesmo texto.

 

No ano 100 d.C. aproximadamente, os sábios fariseus se reuniram em Yavné (Jâmnia) na Galileia, e começaram a trabalhar numa recentralização da religião, que era antes centrada no templo.

 

Os fariseus procuraram estabelecer regras mais rígidas de vida, ampliando ainda mais a “cerca em torno da lei”. Nesse período, é bom lembrar que, saduceus e essénios já tinham desaparecidos ou assimilados outras crenças, sobrando os fariseus.

 

Entre as decisões tomadas pelos fariseus, que não aceitaram a Cristo, fixaram um Cânon Bíblico que propositadamente impediria o Novo Testamento como palavra de Deus. Evidentemente esses critérios não eram seguidos pelos Cristãos, que não tinham mais nada a ver com os fariseus que não aceitaram a Jesus Cristo.

 

 

Os critérios dos fariseus eram os seguintes:

 

a) O Cânone deveria estar disponível em hebraico, não em aramaico ou grego.

 

b) Não poderia ser escrito fora da terra de Israel.

 

c) Não depois de Esdras (458 – 428 a.C).

 

 

Comentário

a) Se a palavra de Deus fosse para ser escrita somente em hebraico, isso já colocaria de fora todo o Novo Testamento.

b) Acontece, porém, que em Alexandria, no Egipto, havia judeus, que traduziram os livros Sagrados, do hebraico para o grego entre 250 e 100 a.C.

c) Ao escrever o Novo Testamento, os Apóstolos e Evangelistas usaram a tradução grega feita entre 250 e 100 a.C, pelos próprios judeus de Alexandria.


Quando a tradução foi feita por São Jerónimo, ela continha a íntegra dos textos confiados por Deus à Sua Igreja, incluindo no Antigo Testamento os sete livros que Lutero depois arrancou.

 

 

Todas as Bíblias desde então continham estes livros; uma prova disso é a Bíblia de Gutemberg e outras Bíblias mais antigas. Lutero, porém, ao fazer a sua revolta, resolveu traduzir a Bíblia para o alemão. Ora, ao contrário de São Jerónimo, que usou manuscritos muitos antigos, Lutero tinha à sua disposição apenas manuscritos recentes dos judeus de Jâmnia ou Yavné, que evidentemente não continham os livros que os fariseus arrancaram do cânone bíblico muito depois de Cristo.

 

Basta ver qualquer edição ou exemplar manuscrito da Bíblia antes de Lutero a importância da Tradição e do Magistério, a verdadeira doutrina sobre a Graça, enfim, vários pontos da Doutrina ensinada por Cristo e pelos Apóstolos que estavam sendo negados pelos protestantes.

 

Não é razoável a interpretação protestante, visto que esta acaba dizendo que a Bíblia se prova pela Bíblia. Ora, isso é uma temeridade. A Bíblia se prova pela Igreja que a compôs!

 

A Igreja Católica adoptou o cânone grego.

 

 

O Novo Testamento cita os livros Deuterocanónicos?

 

Objecção protestante: “São conhecidas, no Novo Testamento, 263 citações e 370 alusões ao Antigo Testamento, porém nenhuma delas se refere aos livros ‘apócrifos’”

 

Primeiramente, devemos notar que esta afirmação é facilmente refutada por diversas obras e autores. Por exemplo, o rev. dr. Milo Gates, ex-vigário da Igreja Protestante Episcopal da Intercessão, declarou em Nova Iorque, em 1928: “…Em segundo lugar, ninguém pode realmente compreender o Novo Testamento sem conhecer esses livros. Há mais de 111 citações e alusões aos apócrifos no Novo Testamento. Em terceiro lugar, algumas das mais abençoadas doutrinas da Igreja provieram desses livros, e outras encontramos o seu desenvolvimento nesses livros” (New York Times, 10.dez.1928).

 

Segundo. Pergunto aos protestantes: onde se encontra a exigência, na Bíblia, de que um livro, para ser considerado canónico, deve ser citado pelo Novo Testamento? Ou isto é uma mera estipulação humana? Eles não têm como responder…

 

Terceiro. Se é verdadeira a posição protestante que defende a canonicidade dos livros citados pelos escritores do Novo Testamento, então não devemos também considerar como Escrituras Sagradas a “Assunção de Moisés” (citado em Judas 1,9) e a “Profecia de Enoque” (citado em Judas 1,14-15)? Ambos são escritos tardios, considerados “apócrifos”, mas foram citados por um escritor do Novo Testamento, São Judas. Entretanto, ninguém (nem judeu, nem Cristão) jamais os consideraram como Escrituras.

 

Quarto. Mesmo que fosse verdadeira essa afirmativa protestante – o que eu não admito – realmente isso não prova nada! Isto porque quinze livros do Antigo Testamento do cânone hebraico não foram citados pelo Novo Testamento. São eles: Josué, Juízes, Rute, 2 Reis, 1 e 2 Crónicas, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Lamentações de Jeremias, Obadias, Naum e Sofonias.

Portanto, se fosse necessário o Novo Testamento citar os livros do Antigo Testamento para demonstrar a sua canonicidade, então teríamos neste quinze livros a menos, totalizando vinte e dois (contando, porém, os Deuterocanónicos). Ademais, precisaríamos acrescentar dois novos livros ao cânone, ou sejam, a “Assunção de Moisés” e a “Profecia de Enoque”.

 

 

 

Fonte: ÍNDICE DAS MENTIRAS CONTRA A IGREJA CATÓLICA


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