«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
10
Mar 12
publicado por FireHead, às 03:08link do post | Comentar

7- Não sou protestante porque algumas denominações baptizam crianças, outras não as baptizam; algumas observam o domingo; outras, o sábado; algumas têm bispos; outras não os têm; algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação; algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo. Outras não se preocupam com isto, etc.

 

R - Se divergências operacionais ou de entendimento da Escritura fossem critérios para determinação de legitimidade, nunca a Igreja de Roma poderia ter tal título. O simples facto de ter um nome único de denominação não excluiu a verdade que os Católicos possuíssem verdadeira bagunça doutrinária, ontem e hoje.

Exemplos: a Inquisição era considerada divina no seu tempo, hoje é considerada ignorância pelos próprios Católicos; as ordens de padres têm, cada uma, estilos de vida próprios e ensinos de santidade diferentes, como os franciscanos, os dominicanos, os adeptos da Tradição, Família e Propriedade (que negam a submissão ao Papa), a Renovação Carismática (que para muitos padres ainda é mal vista e tratada como fracção).

Curiosamente, existe um livro chamado "Como Lidar com as Seitas", do padre Paulo H. Gozzi, que diz textualmente, ao tratar das divergências internas da Igreja de Roma: "Há lugar para todo mundo na Igreja, para cada jeito de viver a fé e a comunhão. Há variedade de serviços, de dons, de actividades, mas o Espírito que dá essa diversidade é o mesmo.

 

Puxa, que infeliz afirmação: "divergências operacionais ou de entendimento da Escritura" não são critério de legitimidade. Viram? Para eles a Igreja não precisa de possuir unidade doutrinária. ISSO É UM ABSURDO! Como várias "verdades" dimetralmente divergentes podem ser o reflexo perfeito da Verdade Única que é Nosso Senhor? Como fica então Ef. 4,5 que afirma ser "um só Senhor, uma só Fé e um só Baptismo" sinal da Verdadeira Igreja? Professar tamanha mentira é ofender a nossa inteligência e principalmente o Santo Espírito de Deus que é a fonte da Verdade Única e Imutável.

Outra coisa deve ficar muito clara: existe uma diferença entre disciplina e regras de vida (de um lado) e doutrinas (de outro). O que nós dizemos sobre o protestantismo é que as várias "igrejas" protestantes guardam, entre si, diferenças de doutrina. A fé das diversas "igrejas" é diferente. Um acredita que Jesus é Deus, o outro não; um acredita que o baptismo é essencial à salvação, o outro não; um acredita que guardar o domingo é subjugar-se à Besta, o outro não; um acredita na presença de Jesus sob a espécie do pão, o outro não; um acredita na existência de uma alma imortal, o outro não. Quando se levanta este argumento, que fazem os protestantes? Apressam-se em dizer que, entre os Católicos, existem diferenças de doutrina e (pasmem!), para provar este ponto de vista, citam diferenças de disciplina e de regras de vida que existem entre os diversos segmentos Católicos. Todo Católico crê nas mesmas coisas, mas cada um vive a sua fé de uma forma diferente. Este se volta para obras de caridade; aquele, para a contemplação; o outro, para a teologia. Este grupo vive uma espiritualidade litúrgica; aquele outro aprofunda-se na Bíblia; um terceiro enraíza-se nos sacramentos, e por aí vai. Mas todos crêem nas mesmas coisas (têm a mesma doutrina): transubstanciação, eficácia dos sacramentos, divindade de Cristo, mediação dos Santos; Assunção de Maria, etc.. E, se algum Católico não crer em algum destes pontos, Católico não é. Mas, por exemplo, se um protestante não crê na divindade de Cristo, segue sendo protestante.

 

As diferenças existem para o enriquecimento espiritual de uns e outros, jamais para dividir e separar uns dos outros. Quem não gosta do jeito de um grupo, não precisa participar dele, participe de outro. Quando é que vamos aprender a viver em paz e harmonia e pluralismo, aceitando o jeito diferente de cada um ser o que é, dentro da mesma Unidade?" (páginas 64 e 65 da referida obra, 4a. edição da editora Paulus).

 

Como foi dito acima, não existe unidade doutrinária dentro do protestantismo, e este é o problema. Não se trata de diversos ramos protestantes vivendo a mesma fé de formas diferentes. Trata-se, na verdade, de diversos protestantismos diferentes que existem em cada igreja. Ora, ou Deus permite uma segunda união entre casais ou não permite. Na lógica protestante, Ele a permite na igreja A e não a permite na igreja B. Ou Ele está presente na Eucaristia ou não está. Para os protestantes, na igreja C Ele se faz presente e, na D, não. Ou Jesus é Deus ou não é. Mas, para os protestantes, Ele o é nesta igreja e não é naquela outra. Ou existe uma alma imortal, ou não existe. Para os protestantes, o membro da igreja X possui uma alma imortal enquanto que o da igreja Y adormecerá até o dia do juízo final.

 

É bom mesmo que esse padre pense assim, pois ele diz na página 39, ao falar sobre o Saravá - o Baixo Espiritismo: "Não devemos fazer acusações injustas, achando que essas religiões são do demónio (...) E nessa cultura tribal foram criando mitos e lendas religiosas que explicam os mistérios da vida, passando tudo isso de pai para filho. Essas religiões africanas são belas, puras e merecem o nosso profundo respeito".

Garanto que o Vaticano não pensa assim. Pelo menos três padres que conhecemos pensam BEM DIFERENTE disso... e onde está a unidade doutrinária, afinal não é um livro publicado por uma editora Católica, que não imprime nada que seja protestante?

Até onde eu saiba, não existe nenhum dogma de fé que defina que o "baixo espiritismo" é uma religião demoníaca. Agora, o ensinamento da Igreja sempre foi o de que, nas religiões não-cristãs, existem as "sementes do Verbo", ou seja, traços da Verdade e que aproxima os seus praticantes de Deus.

 

Não vamos mais longe: e o Padre Quevedo, que diz que o diabo não existe e não existem possessões demoníacas, contrariando o próprio Evangelho? Onde está a orgulhosa unidade Católica, já que um herege como este não é excomungado por chamar o próprio Jesus de mentiroso?

O Pe. Quevedo, ao dizer que o demónio não existe, está contrariando o ensinamento da Igreja e entrando em descomunhão com ela. Não é dado a nenhum Católico duvidar da existência do demónio. Agora, se um protestante viesse com esta mesma heresia, desde que "aceitasse o senhorio de Jesus" (e, claro, desde que negasse a virgindade perpétua de Maria, a mediação dos santos, o primado de Pedro, etc., etc., etc.) , seria considerado um protestante como todos os outros. Para os outros protestantes, o demónio existe; para este aqui, não...

 

E, quanto ao hiato entre Cristo e os protestantes, temos a afirmar duas coisas:

 

1. Esse hiato existe doutrinariamente e historicamente somente com a Igreja Católica de Roma, pois Jesus nunca fundou denominação alguma com base em Roma (cuja fundação foi num concílio presidido por um imperador romano, 3 séculos depois de Cristo) e também o fundamento não foi Pedro, foi o próprio Cristo, segundo afirmação do próprio apóstolo em sua carta: 1PE 2:3,4,6 - "Se é que já provastes que o SENHOR é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa", Por isso também na Escritura se contém: "Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido". Paulo disse a mesma coisa: 1Co 3:11 -" Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo". EF 2:20 - "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.

Bom, bastaria que a tríade estudasse os escritos patrísticos para se convencerem do contrário. Nunca houve hiato algum entre o Catolicismo e Jesus Cristo. A Igreja Católica é a continuação natural daquela primeira comunidade de Cristãos reunida no Cenáculo de Jerusalém. É um facto que pode ser verificado ou, simplesmente, ignorado (como fazem os nossos queridos protestantes). A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica é uma das maiores sandices que existe nos meios protestantes. É uma afirmação gratuita e gostaria de ver quais as provas das quais a tríade possui para as sustentar.

Veja, meu caro leitor. Os protestantes têm um problema. Há algumas coisas na Bíblia que os mesmos não podem aceitar, pois, se o fizessem, estariam confessando o despropósito histórico do protestantismo. Coisas claríssimas como o primado de Pedro, a real presença de Jesus na Eucaristia e a necessidade da Igreja para a salvação. Que fazem então? De uma maneira bastante apriorística, vão ver como poder-se-ia sustentar os seus pontos de vista ainda que passando por cima de toda evidência. A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica faz parte deste apriorismo todo. Às evidências, a Igreja Católica surgiu com a primeira comunidade Cristã. Como os protestantes não podem aceitar este facto, recorrem à história para ver como a mesma sustentaria uma tese de que, a exemplo das "igrejas" protestantes, a Católica também teve um fundador humano séculos depois da Era Apostólica. Encontraram, na figura de Constantino, alguém que poderia ser este fundador, esquecendo-se que:

 

a) Constantino somente se fez baptizar no leito de morte;

b) A Igreja teve sérios problemas com os pontos de vista de Constantino e os combateu;

c) Existe uma diferença enorme entre fazer cessar as perseguições aos Católicos (que é o que Constantino fez) e fundar a Igreja Católica (que é o que dizem que ele fez);

d) Que, ademais, os protestantes teriam que explicar alguns pontos. Como Constantino fundou a Igreja Católica? Por que o fez? Por que nenhum Cristão da época se insurgiu contra este facto? O que aconteceu com a Igreja que existia antes de Constantino? E, principalmente, como explicar que todos os dogmas de fé da Igreja aparecem em escritos Cristãos séculos antes de Constantino?

 

Comentarei, abaixo, a afirmação de que Jesus seria a única pedra da Igreja.

 

2. Mais importante que o hiato temporal, é o hiato Doutrinário, e nesse aspecto a "igreja" protestante ficou muito mais perto de Cristo ao voltar-se SOMENTE aos escritos apostólicos, recusando as dezenas de dogmas errados da Igreja de Roma, mediante o lema "SOLA SCRIPTURA".

 

O que os protestantes não dizem é que, enquanto que os escritos patrísticos provam que todos os pontos de fé dos Católicos já eram cridos pelos primeiros Cristãos, não há qualquer vestígio da "sola scriptura" antes do final da Idade Média. Ou seja, factualmente, existe um hiato entre a "sola scriptura" e o Cristianismo.

 

 

8- Não sou protestante porque há passagens da Bíblia que eles não aceitaram como tais; a Eucaristia, por exemplo, Jesus disse claramente: Isto é o meu corpo (Mateus 26,26) e Isto é o meu sangue (Mateus 26,28).

 

R - Jesus também disse, claramente: "Eu sou a porta. Todo aquele que entrar por mim, salvar-se-á. Entrará e sairá, e achará pastagens" (Jo 10.9). Só um louco interpretaria literalmente essa palavra e admitiria que Jesus é uma porta e que os Cristãos são ovelhas comedoras de capim. Ele disse: "Eu sou a videira verdadeira [fonte de vida espiritual], e meu Pai é o agricultor; vós sois os ramos" (Jo 15.1,2,5)

Nem por isso admitimos que Jesus é uma árvore, o Pai é um plantador de arroz, e os Cristãos são ramos. Está claro que essas expressões são figurativas. Ao dizer "Isto é o meu corpo" estava dizendo, realmente "Isto representa o meu corpo". Se levarmos em conta a interpretação literal, Jesus ao levantar o pão estaria levantando seu próprio corpo.

 

Nesta tentativa de refutação, torna-se muito claro o apriorismo protestante de que eu falei acima. Como os protestantes não podem aceitar a transubstanciação (que levaria à necessidade de sacerdotes, que, por sua vez, nos levaria à necessidade da hierarquia, que, por sua vez, levaria ao Papado) buscam uma forma de sustentar o oposto com trechos bíblicos. A levar a sério o argumento acima, toda e qualquer afirmação de Jesus poderia ser uma simples metáfora, o que extermina com qualquer possibilidade séria de se entender o Cristianismo.
Quando Jesus fala ser a porta ou a videira, ou quando afirma ser o pastor de ovelhas, as metáforas usadas são úteis. Ou seja, com tais metáfora, Jesus passa uma ideia com uma clareza tal que não conseguiria atingir de outra forma. Tanto é assim que não vemos ninguém, na Bíblia, entendendo estas afirmações literalmente. Não há ninguém acusando Jesus de estar louco e imaginando-se uma porta ou uma árvore.
Agora, quando Jesus diz "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue" o Mesmo não está usando de nenhuma metáfora. Porquê? Porque tal metáfora não seria útil, visto que a ideia seria mais clara se o Mestre dissesse: "isto representa o meu corpo." Ou seja, Jesus teria feito questão de ser pouco claro e confuso, tanto que muitos judeus o entenderam literalmente (e os Católicos o entendem até hoje). Jesus estaria possuído pelo espírito de Babel, usando de uma linguagem pouco clara e gerando confusão. Os protestantes preferem acreditar nisto do que reconhecer a evidência...
O facto, portanto, é que a comparação dos protestantes não procede. Jesus usa metáforas quando as mesmas são úteis para instruir-nos na Sua doutrina; quando não são, não as usa. No caso da última ceia, a metáfora não seria útil (alías, seria até inconveniente) e, portanto, as palavras de Jesus devem ser entendidas na sua literalidade.

No entanto enganando-se e consequentemente enganando muitos, desprezam o que diz a Bíblia, que eles dizem crer e obedecer: "Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei-de dar, é a minha carne para a salvação do mundo." (Jo 6,47-51)

Jesus diz CLARAMENTE que o Seu corpo é o pão necessário à Salvação. E a Bíblia continua:

"A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?" (Jo 6,52)

Vejam que as palavras de Cristo foram tão CLARAS que causaram discussão entre os Fariseus. Cristo então, confirma LITERALMENTE as Suas palavras: "Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6,53-54).

No entanto para a tríade protestante, Jesus queria dizer que o pão "representa" o Seu corpo. No entanto, é o próprio Cristo (a quem eles dizem adorar e crer) que lhes diz no Evangelho de João (que eles dizem conhecer, crer e observar): "Pois a minha carne é VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,55-56)

Ademais, naquela oportunidade, como todas as vezes por ocasião da ceia do Senhor, o pão continua com gosto e sabor de pão, bem como o vinho continua com o cheiro e sabor de vinho. Esses elementos não se transformam com mágica no corpo de Jesus.

 

Como estamos vendo até aqui, as afirmações protestantes são na verdade um emaranhado de confusão e equívoco. Ora, uma coisa é ser acidentalmente e outra é ser essencialmente. Ora, a tríade protestante não crê que o Verbo se fez homem? Então porquê o Verbo não pode ser fazer pão? Antes da concepção por obra do Espírito Santo, Jesus era Espírito. Quando encarnou-se, Jesus mudou acidentalmente (não se parecia como era), mas não mudou essencialmente (continuava sendo Deus). Do mesmo modo na Eucaristia, o pão que é acidentalmente pão, mas é essencialmente o corpo do Senhor.

 

Se assim fosse, Jesus teria engolido a Si próprio. Jesus não entra em nós pela ingestão do Seu corpo, mas entra na nossa vida quando O aceitamos de todo o nosso coração como Senhor e Salvador (Rm 10.9).

 

A Bíblia não fala que Jesus comeu do pão (Ele o deu aos seus discípulos dizendo: tomai e comei; tomai e bebei), mas, se o comeu, ingeriu, sim, o Seu próprio corpo. Assim como nós, ao participarmos da Eucaristia, numa certa medida, ingerimos o nosso próprio corpo, pois comungamos do corpo de Cristo do qual fazemos parte. A Deus, tudo é possível.

 

 

9- Não sou protestante porque os supostos intérpretes da Bíblia não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrado, sendo que em (João 6,51) Jesus afirma: "O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida."

 

R - A leitura e interpretação da Bíblia não devem ser privilégio de um grupo governante como na seita testemunhas de Jeová e no Catolicismo. Todos podem ler e interpretar livremente a Palavra de Deus, que é dirigida a todos indistintamente. Sobre o assunto Eucaristia já falamos anteriormente.

O pão não se transforma no corpo de Cristo. Ademais, Jesus instituiu a ceia em MEMÓRIA, para recordação do Seu sacrifício na cruz. Vejam: "Fazei isto em memória de mim" (1 Co 11.24-25). O sacrifício de Jesus não pode e não deve ser RENOVADO TODOS OS DIAS. Vejam: "Pois Cristo padeceu uma única vez pelos pecados" (1 Pe 3.18). Ele não precisa morrer outras vezes.

 

Aqui, a tríade comete dois erros bastante grandes. Primeiramente, com o termo MEMÓRIA. Lembre-se, sempre, que Jesus estava celebrando o seder judaico e que, nas celebrações judaicas, fazer um memorial tem o sentido de tornar presente um facto já ocorrido. Quando, neste contexto, Jesus (após afirmar que o pão consagrado é o Seu corpo e que o vinho consagrado é o Seu sangue) diz "fazei isto em memória de mim", os discípulos (todos judeus) não tinham dúvidas de que o Mestre estava invocando a longa tradição de memoriais judaicos. E que, a partir de então, cada vez que repetissem aquela ceia, os acontecimentos da morte e ressurreição de Cristo se fariam presentes.

O segundo erro cometido é acerca da doutrina Católica sobre a missa. Jesus não morreu "outras vezes". Ao contrário, ensina a Igreja que o sacrifício de Cristo é único, irrepetível e suficiente. Ocorre que, no Memorial, este sacrifício (ocorrido há quase dois mil anos) faz-se presente de forma incruenta. O fiel, com os próprios olhos, contempla a morte e ressurreição de Cristo, sacramental e verdadeiramente.

 

Então, o culto da ceia do Senhor não objectiva crucificá-LO outra vez, mas recordar a Sua morte expiatória.

Brilhante! De fcato, a Eucaristia não visa crucificá-lO novamente, mas fazer o MEMORIAL da Sua morte e Ressurreição. Lembre-se que Memorial no sentido semita é REPETIR e não somente LEMBRAR. Como eu já disse, é sempre delicioso ver o quão desinformados sobre o Catolicismo estão aqueles que o combatem.

"Comer a minha carne e beber o meu sangue" não pode ser interpretado literalmente, pois Deus não aprovaria um acto de antropofagia (comer carne humana com as suas vísceras, cabelos e unhas). Nem sempre o significado de um texto é o significado literal, como mais acima foi explicado.

 

Como acima tentou-se enganar, mas que as próprias palavras do Cristo desmentiram-nos.

Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal, e, gostem disto os protestantes ou não, o Cordeiro Pascal deve ser comido por inteiro (com vísceras e tudo). Comungamos, sim, do corpo de Cristo, sem que sejamos antropófagos por isto. Aliás, interessante comparação protestante, visto que os primeiros Cristãos também eram acusados de comer a carne de um homem chamado Cristo! Não alimentamos o nosso corpo com carne humana (como fazem os canibais), mas, comungando, tornamo-nos (sacramental e verdadeiramente) um com Cristo, fortalecendo o nosso espírito para os combates. Caro leitor, sabe por que o protestantismo nunca produziu um Francisco de Assis, uma Tereza de Lisieaux, um Vicente de Paula, uma Teresa de Calcutá, um Tomás de Aquino, etc.? Porque os protestantes, não comendo da carne de Cristo, e não bebendo do Seu sangue, não se tornam um com Ele e não têm a vida dentro de si. Foram advertidos pela própria Bíblia disto, mas, lendo, não entendem e geram a sua própria condenação. São eles os fariseus de hoje, que mesmo de posse das Sagradas Letras, não entendem e não reconhecem o Cristo.

 

Quando lemos que Ele é a pedra angular, o real fundamento da Igreja (1 Co 3.11; Ef 2.20) não podemos entender que Jesus seja realmente uma pedra. São figuras de linguagem. Vejamos os comentários de Norman Geisler no seu Manual Popular de Dúvidas: "Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada.

Primeiro, Jesus afirmou que a Sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando Ele disse: "as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (Jo 6.63).

Uai! Que uma coisa tem a ver com a outra? De facto, Jesus falava de coisas espirituais (a Eucaristia fortalece o espírito). Isto não quer dizer que, falando de coisas espirituais, Ele estivesse falando em sentido figurado. Podemos falar de coisas espirituais usando palavras em sentido literal e, ao mesmo tempo, falar de coisas materiais usando palavras em sentido figurado. A confusão de conceitos é patente.  Note ainda caro leitor que os defensores da "sola scriptura" precisam de recorrer a fontes extra-bíblicas para fundamentarem os seus erros doutrinários. Que coerência há nisto?

 

Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico.

 

Já comentado acima.

 

Terceiro, Ele não estava falando da vida física, mas da "vida eterna" (Jo 6.54).

 

Já comentado acima.

 

Quarto, Ele chamou a Si de "o pão da vida" (Jo 6.48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6.58).

Novamente, a mesma confusão. O maná (pão físico) é figura da Eucaristia (que usa o sinal do pão físico), mas esta é superior àquele (pois alimenta o espírito). Não há nada aí que mostre que o Senhor falava figuradamente, conforme já provamos.

 

Quinto, Ele usou a figura do "comer" a sua carne paralelamente à ideia de "permanecer" nele (cf. Jo 15.4-5), que representa outra figura de linguagem.

 

Afirmar é fácil, provar é difícil. Se não comermos da carne do Senhor, não permanecemos nEle pois não nos tornamos um com Ele. Aqui DESCARADAMENTE desprezam Jo 6,55.

Sexto, se comer a Sua carne e beber o Seu sangue fosse tomado literalmente, isso seria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. Act 15.20).

 

Talvez esta afirmação fosse menos infeliz se estivesse embasada em Gen 9,3-4Deut 16,15-16 ou ainda Lev 3,17. No entanto Act 15,20 fala de carne sacrificada aos ídolos, o que não é o caso. A Eucaristia não é carne humana sacrificada aos ídolos, mas, verdadeiramente, o corpo do Salvador, sacrificado por nós. Portanto, o versículo bíblico usado não é útil para defender a tese da tríade.

Os versículos que sugeri proíbem a ingestão de sangue exactamente porque nele há vida. Ora, se bebemos o Sangue de Cristo, temos a Vida de Cristo em nós mesmos, que é exactamente o desejo do Senhor!

Ademais, a salvação não está em comer o corpo de Jesus, mas em crer e obedecer (Jo 3.18,36; 5.24; 6.35; 7.38; 11.25; Atos 10.43; 13.39;16.31; Rm 1.16;10.9).

 

Aqui nossos queridos protestantes cometem um erro de petição. Estão tomando por provado o que querem provar: que a salvação vem de crer em Jesus. E, assim fazendo, passam por cima daquilo que disse o Senhor: que devemos comer a Sua carne e beber o Seu sangue para termos a vida em nós.
Aliás, segundo os entendidos, em grego Koiné (língua na qual grande parte do Novo Testamento foi escrita), Jesus usou o verbo troglo, que significa "mastigar, triturar com os dentes". Mais literal do que isto é impossível.

 

 

10- Não sou protestante porque os mesmos não reconhecem o primado de Pedro, sendo que o próprio Jesus disse;Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja; (Mateus16,18).

 

R - "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt. 16.13-20). O Catolicismo vale-se dessa passagem para afirmar que os Papas são sucessores de Pedro. Nenhum dos modos de entender essa passagem dá suporte à posição Católica.

 

Chamo atenção para o facto de que, também aqui, funcionará o velho apriorismo protestante. A afirmação de que "nenhum dos modos de entender esta passagem dá suporte à posição Católica" chega a ser engraçada. Para não se enxergar, na passagem, o primado de Pedro é necessária uma verdadeira ginástica mental à qual os protestantes recorrem para não se darem por vencidos.

Outra coisa, a Igreja Católica não se vale deste versículo para demonstrar que os Papas são os legítimos sucessores de Pedro, porque isso é um facto histórico, e na história não dá para passar a borracha! A Santa Igreja Católica apenas mostra aí que a Bíblia dá testemunho do Primado de Pedro.

 

"Sobre esta pedra" poderá referir-se à firme declaração de Pedro, de que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16).
Admitida a hipótese de a referência ser a pessoa de Pedro, este (Petros, pedra, em grego) seria apenas uma pedra no fundamento apostólico da Igreja (Mt 16.18), não a rocha. Pedro admitiu que Cristo é a principal pedra, a pedra principal, angular, preciosa, de esquina (1 Pe 2.7-8).

 

A tríade não tem problema algum com a incoerência. Recorrem a ela com muita tranquilidade. A afirmação básica do protestantismo é que Pedro não poderia ser a pedra da Igreja porque tal função cabe apenas a Cristo. Pois bem. Como na passagem acima Jesus não pode estar falando de Si mesmo, os protestantes afirmam que, nesta passagem, a pedra (que até agora há pouco seria o próprio Jesus) é a afirmação petrina!!! Fácil, não?! Isto é o que eu chamo de boa hermenêutica!
Cristo é a pedra da Igreja, mas, visivelmente dá esta função aos Papas. Cristo é a única Rocha; os Papas (que fazem parte do corpo de Cristo) fazem este papel de maneira visível.


E mais:

a. No primeiro concílio em Jerusalém, Pedro apenas introduziu o assunto (Act 15.6-11). Tiago teve participação mais importante: assumiu a reunião, deu o seu parecer e fez um pronunciamento final (Act 15.13-21).

 

Santo Deus!!! Esta afirmação é absurda. Pedro presidiu aquele concílio, foi dele a palavra que pôs ordem à discussão que reinava. Ele falou e toda a Assembleia se calou. Quando Tiago tomou a palavra, o mesmo teve que pedir para ser ouvido (e, frise-se, o Concílio ocorreu na diocese de Tiago). No entanto, para a tríade, é de Tiago o papel preponderante. Coisas do livre exame...

De qualquer forma, é importante o facto de que eles reconheceram que houve um concílio em Jerusalém para resolver o problema da observância ou não da Lei Mosaica. E reconheceram que este concílio tinha autoridade. Pois bem: a Igreja Católica, desde o princípio, resolveu os seus problemas através de concílios, apontando, com clareza, quais os pontos de fé a serem cridos. E as "igrejas" protestantes? Bem, elas preferem resolver os seus problemas doutrinários de outra forma: quem concorda fica e quem discorda que funde outra "igreja"! Vê-se, pois, o quão distantes elas estão do Cristianismo Primitivo...

 

b. Paulo não diz que Pedro é a coluna da Igreja, mas que as "colunas" (no plural) são "Tiago, Cefas e João" (Gl 2.9);

Tiago e João também são chamados de coluna (juntamente com Pedro), mas nunca são chamados de Pedra. Eles também eram apóstolos, também tinham importância, mas não foram constituídos chefes de toda a Igreja e nem lhes foi dada a chave do Reino dos Céus. Durante séculos, ao lado do Bispo de Roma e imediatamente abaixo do mesmo, os bispos de Antioquia, Jerusalém e Alexandria (todas Igrejas petrinas) tinham enorme influência em toda a Igreja. Ainda hoje em dia, além do Papa, são muitos os que têm influência decisiva nos destinos da Igreja. Pode-se citar, por exemplo, o Cardeal Raztinger (actual Papa Bento XVI), verdadeira coluna da Igreja nos dias actuais, ao lado da rocha que é (era) João Paulo II. Isto em nada arranha o Papado.

Note aí caro leitor a incoerência protestante. Eles acabaram afirmando que Tiago e João eram colunas da Igreja como Pedro. Ora, como eles podem dizer isso se para eles é a Bíblia o ÚNICO FUNDAMENTO da fé? Vejam que subtilmente acabam professando as Verdades de fé Católicas, que dizem que "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (cf. 1Tm 3,15). Note aí que a autoridade sobre todos os Cristãos é da Igreja, que era comandada pelos apóstolos nos princípio. Foi da Igreja que os primeiros Cristãos receberam a fé, e foi através de Sua Autoridade é que sabiam o que era certo e errado e não da Bíblia, que ainda nem existia. Não pensem que estou diminuindo a Bíblia, longe disto, mas a Bíblia sem a Igreja é como o Código de Defesa do Consumidor sem PROCON, como Código de Trânsito sem o DETRAN, como Código Penal sem os Magistrados e etc.

 

c. Paulo declarou que a Igreja é edificada "sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Jesus Cristo, a pedra angular" (Ef 2.20);

d. Pedro não instituiu o celibato, pois era casado (Mt 8.14);

A Bíblia dá a entender que Pedro já era viúvo quando foi instituído chefe da Igreja (afinal, foi a sua sogra que serviu Jesus após ser curada, e não a sua esposa como seria de se esperar). De qualquer forma, o celibato não é requisito essencial para qualquer ordenação. É um requisito apenas circunstancial que pode deixar de existir quando a Igreja o desejar.

 

e. Pedro não era e não se considerava infalível, pois foi advertido por Paulo porque ele não procedia "correctamente segundo a verdade do Evangelho" (Gl 2.14);

 

Os protestantes adoram citar Gl 2,14 para provar que Pedro não era infalível. Novamente, confundem infalibilidade com impecabilidade, pelo que este argumento é falso. Tanto Pedro era infalível que foi ele quem resolveu o maior problema doutrinário da primeira geração de Cristãos. O partido dos judaizantes (tendo Tiago à frente) opunha-se frontalmente à soterologia de Paulo, pela qual a salvação repousava exclusivamente nos méritos de Cristo e não na observância da Lei Mosaica. O conflito entre os dois grupos foi bastante tenso e pode ser visto em Act 15. No meio da discussão, levanta-se Pedro, afirma que a razão estava com Paulo "e toda a assembleia (Tiago também) ficou em silêncio", passando a ouvir o que Paulo tinha a dizer. Pedro falou, Tiago retirou-se. Nunca mais os Cristãos tiveram dúvidas sobre a questão.

Foi pouco tempo depois disto, que se passou a cena descrita em Gl 2. Paulo, de facto, tinha toda a autoridade para condenar a atitude de Pedro porque o mesmo não agia de acordo com a doutrina que ele, infalivelmente, já havia definido como dogma de fé. Em Act 15, temos a infalibilidade de Pedro (como Papa que era); em Gl 2, assistimos a um seu pecado (como homem).

Aliás, bem entendido o contexto da carta aos Gálatas, vemos como a cena descrita por Paulo reforça a ideia de que Pedro foi, realmente, o primeiro Papa. A comunidade dos gálatas não aceitava, pacificamente, a autoridade de Paulo e, nesta esteira, também não aceitava a ortodoxia da sua doutrina. Paulo, então, para defender esta ortodoxia, cita um caso em que o próprio Pedro curvou-se à mesma. Como que dizendo: se Pedro (que é Pedro) reconheceu este Evangelho que vos prego, como podeis vós duvidar do mesmo?

 

f. A Bíblia diz que Cristo é o fundamento da Igreja Cristã, e que "ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3.11);
A Igreja Primitiva perseverou na "doutrina dos apóstolos", e não na de Pedro (Act 2.42). Finalmente, Pedro não aceitava adoração (o beija-mão, o ajoelhar-se aos pés) conforme Actos 10.25-26.

De facto, não existe uma doutrina de Pedro, nem uma doutrina dos apóstolos. A doutrina da Igreja é a doutrina de Cristo. É aquela recebida do Senhor e transmitida pelos apóstolos (com Pedro à frente). A frase, "doutrina dos apóstolos" (isto é, transmitida por eles) é uma referência claríssima à Tradição oral que eles transmitiam às comunidades e que se preservou apenas dentro do Catolicismo. Para que a "sola scriptura" fizesse sentido, o texto deveria dizer "perseveravam na doutrina bíblica".


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