«Seibo no Kishi» (Cavaleiro da Imaculada)
15
Mai 12
Por FireHead, às 22:59 | Comentar

O Milagre do Sol foi anunciado pelos pastorinhos em Julho e Setembro, promessa de Nossa Senhora aos pastorinhos para que todos acreditassem. No dia anunciado, 13 de Outubro de 1917, a palavra tinha-se espalhado um pouco por todo o país e estavam presentes cerca de 50.000 pessoas (segundo o jornal O Século). N'O Século vem descrito o acontecimento como tendo o céu descoberto repentinamente, tendo estado nublado e a chover até então; o Sol estava claro e definido, podendo olhar-se para ele directamente sem ferir os olhos; de seguida rodopiou sobre si mesmo e ziguezagueou pelo céu. O acontecimento durou cerca de dez minutos e o dia voltou a ficar cinzento e chuvoso.

 

O professor José de Almeida Garret, da Universidade de Coimbra, que se tinha deslocado à Cova de Iria por mera curiosidade, faz exactamente o mesmo relato. Este é que é o verdadeiro milagre de Fátima. Se houve aparições aos pastorinhos ou não, é discutível. No entanto, é inconcebível que tivessem jogado um dia qualquer ao calhas para uma manifestação deste género e pura e simplesmente tivessem tido sorte.

 

O evento foi oficialmente aceite como um milagre pela Igreja Católica em 13 de Outubro de 1930. Em 1951, o cardeal Tedeschini afirma que, em 30 e 31 de Outubro e em 1 e 8 de Novembro, o então Papa Pio XII presenciou um milagre semelhante ao Milagre do Sol nos jardins do Vaticano.

 

As refutações habituais ao Milagre do Sol são as seguintes:

 

- Fenómeno natural astronómico: nada foi reportado de anormal nos vários observatórios mundiais na mesma data. Além disso, tendo em atenção as consequências catastróficas ao Sistema Solar derivadas duma movimentação, ou até mesmo rotação, solar, penso que nem é de ficar por esta muito tempo...

 

- Alucinação colectiva: de 50.000 pessoas? Mais, 50.000 pessoas de um grupo com indivíduos muito díspares, da cidade e do campo, cultos e analfabetos, crianças e idosos, crentes e descrentes? Não me cheira...

 

- Histeria colectiva (que é muito diferente de alucinação colectiva): além do já mostrado no anterior, junta-se o facto que o fenómeno foi visto por pessoas até 20 km de distância... Demasiado longe da área de influência duma histeria colectiva, convenhamos...

 

- Extraterrestres: está bem, agora a sério... Então foram os aliens que passaram por cá nos meses anteriores para avisar os pastorinhos...

 

Este é, aliás, o último dos factos, para o qual não há argumento absolutamente nenhum: os pastorinhos sabiam o que se ia passar e quando se ia passar. Ponto final. Eventualmente, um fenómeno de natureza meterológica (ainda não repetido nem explicado, é certo, mas que até pode ser aceite) poderia ser a explicação. No entanto, o verdadeiro milagre, para o qual não há, de todo, explicação, é o facto dos pastorinhos saberem, em rigor, o quê e o quando!

O mais incrível é que muita gente deste país nem sequer sabe o que é que foi realmente esse milagre ou que ele simplesmente aconteceu...

 


Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis!!


14
Mai 12
Por FireHead, às 13:00 | Comentar

"Era uma Senhora tão linda, tão bonita!... Tinha um vestido branco, e um cordão de oiro ao pescoço até ao peito... A cabeça estava coberta por um manto branco, também, muito branco, não sei, mas mais branco que o leite... e tapava-a até aos pés... Era todo bordado de oiro... Ai que bonito!... Tinha as mãos juntas...

Entre os dedos tinha as contas. Ai que lindo tercinho que ela tinha... todo de oiro, brilhante, como as estrelas da noite, e um crucifixo que luzia... que luzia... Ai que linda Senhora!

Uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio d'água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.

Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que a cercava, ou que ela espargia".


13
Mai 12
Por FireHead, às 00:04 | Comentar

Alegrai-vos, Rainha,

À direita do Rei eterno,

Jesus Cristo,

Cordeiro imortal

E dominador da terra.

 

Sentai-vos revestida

Da luz refulgente

Do Sol de Justiça,

O Verbo Encarnado,

Que vos cingiu com doze estrelas

Como uma coroa sobre a vossa cabeça.

 

Reinais sobre o trono

Da celeste Jerusalém,

Vestida como esposa

Que desce do Céu.

 

Admiráveis são as vossas luzes

Que alegram a santa

Cidade de Deus

Colocada sobre firmes fundamentos

Marcados pelos doze nomes

Dos enviados do Messias.

 

Os redimidos aclamam

Aquele que vence a morte

E exultam com o vosso cântico de louvor

Nas palavras que são espírito e vida.

 

A vossos pés a lua ressalta com luz

O domínio de vosso nome santo

Que renova o mundo

Com a força do vosso coração

Que acolhe a vontade do Pai.

 

Amada e predestinada pelo Senhor,

O Verbo fez de vós o seu caminho,

E sobre solo fértil

Estendeu-se a sombra do Altíssimo,

Fazendo germinar o fruto bendito

Do vosso ventre, Jesus.

 

De vós o autor da vida tomou vida.

Em vós alegram-se todas as criaturas.

Aquele que do nada tirou

Todas as coisas que existem,

Criou-vos primeira estrela da manhã

No firmamento celeste de seu Reino.

 

O Pai ao mundo Vos anuncia,

Mulher de salvação,

Valente guerreira em combate,

Que repara o pecado de Adão

Com perfeita e nova harmonia.

 

Mulher prometida depois de Eva,

Tornada imaculada desde o início,

Esmagais a cabeça do inimigo

Com a força da estirpe

Eleita e santa

Das testemunhas de Jesus Cristo

Que vos oferece a nós como Mãe.

 

Virgem Senhora,

Esposa e Mãe,

Santa Maria de Deus

E da humanidade,

Ouvi o clamor e acolhei

As súplicas da família humana.

 

Virgem inefável e fiel,

Luzeiro da santa luz incriada,

Serva do Deus verdadeiro,

Encerrais em vosso seio

O mistério oculto nos séculos.

 

Velo regado de orvalho celeste,

Escrínio selado do Reino de Deus,

Levais em vosso nome

A pérola preciosa do Evangelho.

 

Ó Maria, com a vossa fé dais início

Ao cumprimento das Escrituras

Da Lei e dos Profetas

E abris à eterna Aliança.

 

Honra do nosso povo,

Glória de Jerusalém,

Amor de todos os vossos filhos,

Ó toda bela e sagrada de Deus.

 

Vós, verdadeiro tesouro

Do qual haurimos

Coisas novas e antigas,

Rede lançada ao mar

Por ordem do Senhor,

Levais aos olhos cansados dos apóstolos

A surpresa dos milagres inesperados.

 

Mãe do Pescador, do Semeador,

Do Agricultor e do Bom Pastor,

Ao vosso amor se rende todo o amor.

 

Desposada com José, filho de David,

No Templo recebeis a espada

Predita por Simeão,

Que, ferindo a vossa alma,

Atinge de um só golpe

A carne do Filho de Deus,

Que é vosso.

 

Vemos a vossa maior dor no caminho,

Ali onde verteis lágrimas

Por aquele Sangue divino

Derramado na Cruz pelo Senhor.

 

Nova e verdadeira Mãe

Dos que têm a vida da fé,

Fonte da tristeza

Que a brisa do Espírito

Transforma ao romper da aurora

Na doce alegria da Páscoa.

 

O fogo do Espírito

Tempera os corações

Dos apóstolos, filhos vossos,

Ao redor daquela mesa

De unânime oração

Na qual a água da antiga Lei

Fazeis sempre transformar-se

No bom vinho do eterno amor.

 

Subis e emergis na luz solar

Do Eterno

Ao abraço concorde

Da Trindade santa e feliz,

E a espada de dor que Vos foi tirada

Transpassa agora na terra

O coração nascente da Igreja.

 

Ave Maria,

Saudada por Gabriel

E pelos coros celestes.

Ave Maria,

Virgem e esposa intemerata,

Vinha intacta, fonte selada,

Ovelha imaculada.

 

Atenta Serva do Senhor,

Verdadeira alegria do Bom Pastor

No aprisco eterno,

Incitais multidões de filhos vossos

A entrar no banquete da vida.

 

Oceano de todas as graças,

Abris a porta da casa de Deus

Para que ali possamos viver

Na eterna paz.

 

Resplandeceis de luz

E indicai-nos o caminho,

Ó Mãe e Virgem prudente,

Cuja lâmpada jamais se apagou.

 

Guiai-nos ao porto,

Ó Estrela do Mar,

E estreitai vossos filhos a Vós,

Que os povos proclamam ditosa

Nas eternas núpcias do Esposo.

 

Mostrai-nos o vosso rosto, ó clemente,

Volvei a nós os vossos olhos, ó piedosa,

Sobre nós estendei o vosso manto,

Ó doce Virgem Maria.

 

A vós se eleve um hino de louvor,

Ó cheia de graça,

A vós o pranto dos filhos

No caminho de volta

Ao vosso refúgio,

Ó Mulher entre todas bendita,

Santa Maria.

 

Revesti-vos do traje nupcial

Tecido pelo vosso amor,

Ó mística rosa da sarça ardente,

Para o dia sem fim

Do convívio eterno

Na terra prometida pelo Senhor.

 

Ave, Filha do Pai.

Salve, Mãe do Filho.

Exultai e alegrai-vos,

Esposa e templo do Espírito Santo.

Amém.

 

 

Pe. Antonino Marino


12
Mai 12
Por FireHead, às 23:39 | Comentar

Podemos fazer uma analogia entre a nossa vida e uma viagem de comboio: sentados à janela, as imagens da paisagem passam rapidamente, e nós procuramos captá-las e interiorizá-las tanto quanto possível. Mas, no fim da viagem, reconhecemos que ficamos vazios: as imagens desvaneceram-se, tornaram-se irreais, e só fica a recordação. Perante a fugacidade das imagens da viagem, temos necessidade de encontrar um “centro” em nós próprios e não já nas imagens que discorrem ao longo da “viagem da vida”. Essa procura do “centro” em nós próprios é a procura ontológica — a procura do Ser —, a procura que sonda o Absoluto e que só é possível mediante a religião.

 

Quando a filosofia tentou preencher o Absoluto, entrou em auto-refutação. E quando a ciência deixou de ter em conta o Absoluto, deixou de ser ciência propriamente dita e passou a ser ou um ramo da Técnica, ou uma manifestação de religiões políticas, ou mesmo anti-ciência. Para Santo Agostinho, o Absoluto como exigência lógica faz parte da prova ontológica — ou seja, faz parte da demonstração do Ser, e não propriamente a prova da “existência” de Deus, porque um Deus que existe no espaço-tempo, não existe. Deus não faz parte da dimensão da divisão sujeito/objecto.

 

Kant traduziu a necessidade dessa procura ontológica em uma situação aplicada à ciência, mediante o denominado “Princípio Teleológico” ou “Princípio da Intencionalidade”, que é, mais ou menos, assim:

 

Embora não possamos provar que a natureza está intencionalmente organizada [ou seja, embora não possamos provar que existe um desenho inteligente subjacente à organização da natureza], devemos sistematizar o nosso conhecimento empírico vendo a natureza como sendo organizada em função de “uma compreensão” para além da nossa, compreensão essa que nos forneceu leis empíricas organizadas de modo a que nos seja possível uma experiência unificada.

 

Para Kant — independentemente de sabermos se ele acreditava que o seu Princípio Teleológico era real e suficiente, ou não —, podemos dizer que o Princípio da Intencionalidade era uma “muleta” que permitiria ao investigador científico avançar no seu trabalho de forma segura. Outra “muleta” deste género foi o conceito de “Espaço Absoluto” de Newton [que a actual ciência Einsteiniana diz que não existe, mas que eu tenho muitas dúvidas sobre a razão da ciência actual], sem o qual as teorias da Dinâmica e as leis da atracção gravitacional não seriam possíveis.

 

Kant defendeu as explicações teleológicas ou intencionalistas na ciência, por duas ordens de razão:

 

1) as explicações teleológicas têm valor heurístico [dão-nos “dicas”] na procura de leis causais; se fizermos perguntas sobre os “fins” intrínsecos à natureza, poderão surgir novas hipóteses sobre os “meios” com os quais a ciência deve prosseguir;

 

2) as interpretações teleológicas ou intencionalistas contribuem para uma organização sistemática do conhecimento empírico, na medida em que complementam as interpretações causais já existentes.

 

Mas isto tudo aconteceu antes de Darwin. Depois de Darwin, o princípio teleológico de Kant foi sendo paulatinamente esquecido, a ciência foi entrando em absurdo, e chegou ao ponto de defender a ideia de que o universo surgiu do Nada [Stephen Hawking] e que a vida surgiu por Acaso [Richard Dawkins, e o naturalismo] — sem querer discutir se o conceito de “acaso” faz algum sentido, temos que reconhecer que a ciência actual pretende ultrapassar o limite da nossa capacidade de conhecimento.

 

Porém, se virmos bem as coisas, a teoria de Darwin não é incompatível com o princípio teleológico de Kant: o que os tornaram incompatíveis entre si não foi a ciência, mas foram as ideologias políticas que “raptaram” a ciência.

 

Para Kant, cada parte de um organismo vivo está relacionada com o todo, simultaneamente como causa e como efeito. Ou seja, Kant sabia que uma interpretação causal alargada aos processos vitais seria, pelo menos, limitada; as leis causais estabelecem apenas que estados particulares dos organismos surgem a partir de outros estados; e o aparecimento da vida, em si mesmo, não pode ser explicado inteiramente por leis causais. No fundo, Kant antecipou o conceito científico actual de “complexidade irredutível” demonstrado, por exemplo e entre muitos outros, pelo bioquímico Michael Behe.

 

 

Fonte: perspectivas


Por FireHead, às 16:42 | Comentar

 

Nome: ICG

Email: xxxxxx

Religiao: Católica

Título: FSSPX

 

A paz de Cristo e as bençãos de Maria Santíssima. Parabéns pelo site! Graças a Deus que existem pessoas como vocês que lutam pela defesa da Santa Igreja Católica Apóstolica Romana, a única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Tenho uma dúvida: a FSSPX são ou não cismáticos, são ou não fiéis à Igreja? Qual a posição da Igreja, hoje, em relação a isso?

Deus vos proteja. Amém.

 

 

Resposta

 

Prezado ICG,

 

Salve Maria!

 

Eminentes prelados da Igreja disseram que para a FSSPX falta apenas uma “comunhão mais perfeita” que, acreditamos, estará logo mais resolvida pelo provável acordo que se aproxima.

 

Infelizmente, existem na Fraternidade São Pio X posturas e ideias que, em alguns casos, aproximam-se e até culminam em um cisma prático. Recordo-lhe, por exemplo, o caso do Bispo Richard Williamson, que, além de pretender “retirar” do Papa o volante da Igreja, opõe-se a Dom Fellay quanto à realização de um acordo com Roma.

 

Muitos grupos da FSSPX, influenciados por este espírito sectário, também manifestam oposição à busca de proximidade e reconciliação com o Romano Pontífice. Classificam como "imprudência" e "traição" a comunhão jurídica com um Papa, injustamente acusado de heresia modernista. Por isso, exigem antes a conversão das autoridades para somente depois falar em submissão.

 

Essa posição está estritamente ligada à absurda tese do Pe. Mérel da FSSPX. Segundo esse padre, submeter-se ao Papa é trair tudo o que fez Monsenhor Lefebvre. Deste modo, conclui o padre, é preciso romper intencionalmente e voluntariamente com a hierarquia visível da Igreja. (vide artigo: Por que a “Tradição” não vai à Missa?)

 

Jamais os santos e doutores da Igreja defenderam a rebelião cismática. Nos casos de desvio das autoridades, ensinaram que é preciso resistir ou mesmo repreendê-las respeitosamente quando estas colocarem em perigo a salvação das almas.

 

São Paulo resistiu e repreendeu São Pedro, quando este procedeu contra a verdade do Evangelho. No entanto, o Apóstolo permaneceu unido ao Vigário de Cristo e não fez declaração de ruptura alguma.

 

Haveria outras objecções a responder, mas acredito que estabelecido o acordo entre Roma e a FSSPX, o próprio Superior-Geral da Fraternidade São Pio X responderá satisfatoriamente aos seus “amigos e benfeitores”. No mais, rezemos por esse acordo que será uma grande vitória contra o modernismo do Vaticano II.

 

Escreva-nos sempre!

 

In Corde Jesu, semper

 

Éder Silva

 

 

Fonte: www.padremarcelotenorio.com


Por FireHead, às 16:23 | Comentar

Em todo o mundo, cada vez mais protestantes e "evangélicos" retornam à Igreja Católica. Conheça a história do pastor Alex e da sua comunidade "evangélica".

O ex-pastor Alex Jones


Aconteceu nos Estados Unidos. A “Igreja Cristã Maranatha” ficava na Av. Oakman, Detroit. Hoje, o imóvel está à venda.

Tudo começou quando o pastor Alex Jones, 58 anos, passou a trocar o culto pentecostal por uma espécie de réplica da Missa. No domingo, 4 de junho de 2006, durante a celebração da Unidade Cristã e da Ascensão do Senhor, os líderes da congregação decidiram (por 39 votos a favor e 19 contra) dar os passos necessários para torná-la oficialmente Católica. Uma história repleta de anseios, surpresas, amor e alegria.

“Eu pensava que algum espírito tinha se apossado dele”, disse Linda Stewart, sobrinha do pastor Alex. “Pensava que, na procura pela verdade, ele tinha-se perdido”. Linda considera o tio como um pai, ela que foi adoptada por ele desde o falecimento do verdadeiro pai. A preocupação da moça começou quando o seu tio trocou o estudo da Bíblia, que era feito sempre às quartas-feiras, pelo estudo dos Padres da Igreja Primitiva.

Gradualmente a congregação foi deixando o culto "evangélico" e retornando à Santa Missa: ajoelhar-se, o Sinal da Cruz, o Credo de Niceia, a Celebração Eucarística: todos os nove passos. Linda explica: “Aprendi que a Igreja Católica era a grande prostituta do Apocalipse e o Papa era o Anticristo. E Maria? De modo algum! Éramos felizes e seguíamos Jesus. Eu estava triste e pensava: ‘ele está maluco se pensa que vamos cair nessa!’”.

O começo de tudo se deu quando Jones ouviu, num programa de rádio chamado “Catholic Answers” (‘Respostas Católicas’), o debate entre o protestante David Hunt e o apologista Católico Karl Keating. O Católico fez a pergunta-chave: “Em quem você acreditaria, no caso de um acidente, para saber o que aconteceu? Nos que estavam ali, como testemunhas oculares (Apóstolos), ou naquele que só apareceu depois de muitos anos (Lutero)?” "O que era desde o princípio, o que ouvimos e vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram do Verbo da Vida. Porque a Vida se manifestou e nós a vimos; damos testemunho e anunciamos a Vida Eterna, que estava no Pai e se manifestou a nós; O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que tenhais comunhão connosco: a nossa comunhão é com o Pai e com o Filho, Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a vossa alegria seja completa." (I João 1-4)

Keating acentuou que, para aprender a verdade sobre a Igreja Cristã, era necessário ler os Padres da Igreja Primitiva, isto é, aqueles que estiveram lá desde o começo da história. “Aquilo fazia sentido”, disse o pastor Jones: “Guardei no coração e ponderei; mas só vim a compreender tudo quando li os Padres da Igreja e conheci uma Cristandade que não tínhamos em nossa igreja”. “Percebi que o centro do culto dos primeiros Cristãos não era somente a pregação e o louvor, mas a Eucaristia, como o Corpo e o Sangue de Cristo presente”, declarou ele ainda.

No começo do Verão de 1998, o pastor Jones decidiu reactivar o verdadeiro culto da Igreja Primitiva na sua comunidade. Passou a realizar uma espécie de celebração eucarística todos os domingos. “A minha congregação achava ridículo”, recorda ele. “Eles diziam que uma vez por mês era o suficiente”. Jones leu o livro “Cruzando o Tibete”, de Steve Ray, professor de Bíblia em Milão, e aprendeu muito sobre as Escrituras, o Baptismo e a Eucaristia. Mais tarde pôde conhecer este autor no Seminário do Sagrado Coração em Milão, e passou a encontrá-lo regularmente.

Os dois dialogavam quase diariamente, por telefone ou e-mail. Ao estudo da Bíblia somou-se o estudo da Patrologia, do Catecismo, da Virgem Maria e os santos, do Purgatório, da Teologia Sacramental... “Comecei a deixar de lado a 'Sola Scriptura' (somente a Bíblia), que representa o coração e a alma da fé protestante”, diz Jones. Parte do povo começou a abandonar a congregação. Relata a sobrinha de Jones: “A cada domingo eu ia para casa e dizia: ‘este foi o último; não volto mais”. Mas como confiava que o seu tio era um homem de Deus, acabava retornando sempre, e aos poucos as coisas começaram a fazer sentido para ela também.


 

Vídeo do testemunho emocionado de Alex Jones
"Como encontrei a Verdade na Igreja Católica":

 


No processo de mudar o culto da Comunidade Maranatha, pastor Jones finalmente percebeu o óbvio: “Porquê recriar a roda? Já existe a Igreja que faz o culto da maneira correcta: a Igreja Católica!” “Comecei a perceber que a Igreja eterna era a Católica. Todas as outras tiveram uma data de início e foram fundadas por homens. Eu encontrara a Igreja de Jesus Cristo e estava querendo perder todo o resto.”

 

“Parecia uma coisa temporária. Então ele começou a mudar as coisas drasticamente e eu me perturbei, porque achava que ele estava indo pelo caminho errado”, diz Donna Jones, 33 anos, esposa do ex-pastor Alex. “Ele havia pregado que a Igreja Católica era cheia de idolatria”, completa ela: “Quando começou a abraçar essa Fé, eu disse: ‘Tem alguma coisa errada aqui’”... Alex e Donna começaram a discutir sobre usos Cristãos. Donna começou a estudar a Igreja Católica para contrariar o marido, na tentativa de desviá-lo daquele caminho, como ela explica: “Precisava de ‘munição’ para contra-atacar. Mas, logo que eu comecei a ler sobre os Padres da Igreja, uma mudança começou a acontecer no meu coração”.

No Verão de 1998, Dennis Walters, director do Rito de Iniciação Cristã para Adultos da Paróquia Cristo Rei (Ann Arbor), encontrou-se com a família Jones. Walters forneceu exemplares do Catecismo aos líderes de toda a Congregação Maranatha, e respondia às muitas perguntas sobre a doutrina. Por quase 10 anos, Walters se encontrou com os Jones todas as terças-feiras, e ficavam juntos por 4 ou 5 horas. Ele conta que Donna lutou contra a possibilidade de admissão na Igreja Católica também porque isso significaria a perda do emprego bastante rentável do seu marido. Rindo, ela conta que orava assim: “Senhor, o que estou fazendo, após 25 anos de ministério? Eu não estou preparada para me tornar pedicure ou manicure...”. Mas conclui contando o que aconteceu depois de algum tempo: “Então o Espírito Santo me falou ao coração: ‘Eu não estou questionando sobre a sua concordância ou não. Estou tratando da sua conformação à Imagem de Cristo’”.

Exactamente 8 meses depois, numa tarde, Donna se dirigiu ao seu marido e anunciou: “Eu sou Católica!”. Depois disso, Alex Jones concluiu: “Este é definitivamente um trabalho do Santo Espírito! Quando me foi revelado que esta era a sua Igreja, não foi difícil tomar a minha decisão, embora soubesse que isso me custaria tudo”.

Para formalizar a sua conversão, a Congregação Maranatha vem se comunicando com a Arquidiocese de Detroit há mais de um ano. A Arquidiocese está procedendo com cautela, pois há muito a ser estudado, como a situação dos casados pela segunda vez e as posições que serão adequadas para os ministros da Maranatha dentro da Igreja Católica. Por enquanto, há a possibilidade de o ex-pastor Alex Jones entrar para o seminário e se tornar padre ou diácono. Ex-pastores casados convertidos têm feito isso: Steve Anderson, de White Lake, era padre numa “igreja carismática episcopal” antes de se unir à Igreja Católica. Casado e pai de três jovens rapazes, ele recebeu permissão de Roma para se tornar padre e entrará no Seminário Maior do Sagrado Coração, para começar 3 anos de estudos antes de ser ordenado para a Diocese de Lansing.

O resultado da votação dos líderes da Congregação, a favor da conversão à Igreja Católica, foi motivo de festa para Linda, a sobrinha de Jones. Na ocasião, ela declarou: “Estou muito feliz! Mal posso esperar para entrar em Comunhão plena com a Igreja Católica, porque acredito realmente que ela é a Igreja que Cristo deixou aqui, e preciso ser parte dessa Igreja!”...

 

 

Fonte: Voz da Igreja


Por FireHead, às 02:35 | Comentar
Dom Edmar Peron, Bispo, eleva o Pão Consagrado 
na igreja São João Batista do Brás (SP)

 

Como se dava o culto dos primeiros Cristãos, no começo da Cristandade? Será que os primeiros seguidores de Jesus Cristo, liderados pelos Apóstolos e seus sucessores, reuniam-se somente para orar e cantar? Será que eles só liam a Bíblia e louvavam a Deus? Ou eles celebravam a Eucaristia, a Santa Comunhão, como faz a Igreja Católica? Existem vários documentos antigos e registos históricos de como se desenrolava a Celebração Eucarística, nos primeiros anos do Cristianismo. Logo abaixo, o testemunho de São Justino Mártir, escrito no ano 155, sobre como se dava o culto dos Cristãos e o desenrolar da Celebração Eucarística:

 

"Se os Cristãos celebram a Eucaristia desde as origens, e sob uma forma que, em sua substância, não sofreu alteração através da grande diversidade do tempo e das liturgias, é porque temos consciência de estarmos ligados ao mandato do Senhor, dado na véspera da Sua Paixão: ‘Fazei isto em memória de mim’ (1Cor 11, 24-25). [...] Ao fazermos isto, oferecemos ao Pai o que Ele mesmo nos deu: os dons da Sua Criação, o pão e o vinho, que pelo poder do Espírito Santo e pelas palavras de Cristo se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, o que, assim, se torna Real e misteriosamente Presente. [...] No dia do Sol (domingo), como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Lêem-se ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. Seguem-se as preces da comunidade e, quando as orações terminam, saudamo-nos uns aos outros com o ósculo. Em segida, leva-se àquele que preside aos irmãos o pão e o vinho. [...] Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do Universo, no Nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharistian) longamente, pelo facto de termos sido julgados dignos destes Dons. Terminadas todas as orações e as acções de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação, dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a acção de graças e o povo ter respondido, os diáconos distribuem a Eucaristia e levam-na também aos ausentes." - Carta de S. Justino ao imperador António Pio (S. Justino, ano 155 dC, em Apologeticum 1,65).

 

Vemos, neste fascinante documento da Igreja primitiva, que a Santa Missa sempre foi celebrada exactamente da mesma maneira como fazemos até hoje, em todos os detalhes! A Santa Missa é o presente mais agradável que podemos oferecer à Santíssima Trindade. Cada Missa eleva o nosso lugar no Céu e aumenta a nossa felicidade eterna. Os anjos presentes oram por nós e oferecem a nossa oração a Deus. Cada vez que olhamos cheios de Fé para o Pão Consagrado, ganhamos uma recompensa especial no Céu. A Missa é a maior, a mais completa e a mais poderosa oração, e a mais perfeita prática das quais dispõem os Católicos. Graças a Deus!

Também Sto. Inácio de Antioquia, (†110) terceiro bispo de Antioquia, sucessor de S. Pedro e de Evódio, contemporâneo dos Apóstolos quando muito jovem, que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado e conheceu pessoalmente São Paulo e São João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos Cristãos de Esmirna. E nesta aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”:

“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, na Sua bondade, ressuscitou.” (Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia).

Sto. Ireneu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o sacrifício que era prestado pelos primeiros Cristãos figurado no sacrifício de Cristo, numa outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:

“(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo sacrifício da Nova Aliança, sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da terra a Deus que se nos dá em alimento como primícia dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias ao dizer: Porque desde o nascer do sol, (...) (Malaquias, I, 11). O que equivale dizer com toda a clareza que o povo primeiramente eleito (os judeus) não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um sacrifício puro e que o Seu nome seria glorificado entre as nações." (Adversus Haereses, Santo Ireneu de Lion).

Outro Registo é o Didaqué, um Catecismo escrito por volta do ano 100 d.C. e anterior a alguns livros da própria Bíblia Sagrada. É um dos mais antigos registos do Cristianismo, e trata do culto Cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da Celebração da Eucaristia. Diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido baptizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: 'Não dêem as coisas santas aos cães.'" (Didaqué, Cap. IX, Nº 5)

Também diz sobre a reunião dos crentes:

“Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado os seus pecados, para que o sacrifício seja puro.” (Didaqué, Cap. XIV, nº 1)

Finalizando, seria até desnecessário esclarecer que todas esses documentos e registos históricos só confirmam aquilo que os Apóstolos disseram na Bíblia, (como em  I Cor 10,16 e I Cor 11, 28-30 e outros) e Nosso Senhor mesmo, directamente nos Evangelhos, declarou de Si mesmo:

 

"Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que eu hei-de dar, é a minha Carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer (phagein) a sua carne? Então Jesus lhes disse: 'Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos. Quem come (ho trogon) a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a Vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha Carne é verdadeiramente uma Comida e o meu Sangue, verdadeiramente uma Bebida.Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue, permanece em Mim, e eu nele.” (Jo 6, 51ss)

 

 

Fonte: Voz da Igreja


11
Mai 12
Por FireHead, às 14:45 | Comentar

O Demónio é o grande inimigo do homem

"É o inimigo número um", dizia Papa Paulo VI. Satanás parece nos inícios do género humano, apresenta-se desde o início um homicida, mentiroso e pai da mentira". Consegue fazer cair os nossos antepassados Adão e Eva e se torna o príncipe deste mundo (2 Cor 4,4), acusador dos nossos irmãos (Ap 12,10). Com o pecado original, todo o mundo jaz sob o malígno (I Jo 5,19) e os demónios são dominadores deste mundo tenebroso (Ef 6,12). Como aparecem tenebrosos os primeiros acontecimentos à humanidade nova por causa deste infernal assassino que possui o império das trevas (Lc 22,53). Pe. Pio escreveu num carta ao seu Director espiritual contando que ele viu a figura monstruosa de Satanás nos seus sonhos. Era um ser horrível e gigante, alto como uma negra montanha. S. Pedro no-lo apresenta como a imagem de um leão que ruge sempre pronto a devorar-nos (I Pd 5, 8-9). Como o tortura a inveja, porque nós podemos nos salvar. Ele nos quer todos no Inferno.

A aurora que surge

Uma cena estupenda nos aparece no início da humanidade dominada por Satanás e oprimida pelo pecado. Uma mulher sublime, com o seu Filho,"amassa a cabeça da serpente" (Gn 3,15). A Imaculada, vencedora de Satanás, brilhante nas trevas do pecado, com o seu Divino Filho, é a desafeta de Santanás. No Génesis, Deus apresenta a Imaculada semelhante a aurora que se eleva maravilhosa sobre a noite da humanidade pecadora. Nos Cântico dos Cânticos, o autor inspirado exclama: "Quem é aquela que avança como aurora, bela como a lua, eleita como o sol, tremenda como exército formado?" (6,9). É a Imaculada, Guerreira invencível, Senhora das vitórias, Terror dos demónios. Santa Bernadette nos narra em Lourdes que viu ao lado da gruta um grupo de demónios que berravam gritos infernais. Assustada, a santa olhou a Imaculada; bastou um olhar severo de Maria para eles e fugiram. Assim o demónio, em frente à Imaculada, demonstra o que significa seu nome (Belzebu): deus das moscas.

Tentadores em luvas amarelas

A táctica do diabo é alegrar os sentidos e a imaginação do homem para perder o seu espírito. Se apresenta como um conselheiro e um servidor em luvas amarelas, com ofertas de bens e prazeres sedutores a ganhar. Fez isso com Eva (Gn 3, 1-7) com Jesus (Mt 4, 1-11) e com os santos de todos os tempos: S. Bento, S. Francisco de Assis, S. Teresa D'Ávila, S. Cura d'Ars, S. João Bosco, S. Pe. Pio... Hábil e na defensiva, o demónio sabe servir-se de tudo para nos arruinar: a imodéstia de David (2 Sm 11, 2-26), a gula de Esaú (Gn 25, 29-34), o apego às riquezas de Ananias e Safira (Act 5, 1-10). Ele tenta até propor coisas aparentemente úteis para as almas. Sabe-se que Cura d'Ars pregava de maneira simples, fecunda de graças para as almas. Cheio de premuras, o diabo foi a ele exortando-o a pregar de modo difícil, assegurando-lhe a fama de grande pregador. O santo adviu o engano, recusou-se e continuou com os seus sermões simples e eficazes. Pagou com muitos despeitos furiosos que o demónio lhe fez dia e noite.

Quatro estúpidos

Satanás tem uma obra-prima: convencer os homens que ele não existe. Conquistando isso, trata os homens como bonecos. Pe. Pio escutou um sermão onde o orador não fazia mais que perguntar-se sobre a existência do diabo. No final o orador concluiu que ele existe. Passado o sermão, Pe. Pio advertiu-o dizendo-lhe que ao se falar do demónio, deve ser preciso afirmar a sua existência e a sua acção nefasta no mundo. No final, acrescenta-se a existência dos "Quatro estúpidos" que ousam negar a existência do diabo. Hoje são mais que quatro, e há até na Igreja, infelizmente. Tanto é verdade que Paulo VI teve que intervir expressamente num discurso (15/11/1972) para confirmar a verdade da Fé sobre a existência de Satanás como pessoa e constatou amargamente como a "fumaça do diabo" está fumegando na Igreja. A uma das suas filhas espirituais, Pe Pio disse:"Se se pudesse ver a olhos nus quantos demónios invadiram a Terra, não mais veríamos o sol". Contra estes apóstatas, qual não deve ser nossa defesa?

Vigiai e rezai

Jesus nos previniu contra as insídias do diabo. Ele nos ensinou no Pai Nosso: "Não nos deixeis cair em tentação" (Mc 14,38). A guarda e a oração são as duas maiores forças do homem contra o demónio. Façamos nossa a recomendação de Pe. Pio: "Filho, o inimigo não dorme! Esteja alerta com a guarda e a oração. Com a primeira avistaremos; com a segunda teremos arma para nos defender". A guarda nos faz avistar as ocasiões perigosas (uma leitura, um espectáculo, uma pessoa, um lugar, uma vontade...). A oração dá-nos força de evitar os perigos, de fugir às ocasiões como recomendava S. Felipe Néri. Santo Agostinho ensina que o demónio é só um cão amarrado, e só pode morder quem dele se aproxima. Ao largo, então! Se o demónio se faz insolente, escutemos a palavra de S. João Bosco que dizia aos seus jovens: "Quebrai os cornos do demónio com a Confissão e a Comunhão".

Amassa-lhe a cabeça

S. Maximiliano escreveu que "a serpente levanta a cabeça em todo o mundo, mas a Imaculada lhe pisa em vitórias grandiosas". Para abater o demónio de modo mais humilhante, precisamos recorrer à Imaculada. O demónio tem pavor dela que sozinha é terrível como um exército formado (Ct 6,9). Quando Santa Verónica Giuliani era atacada fisicamente pelo demónio, ao conseguir invocar Nossa Senhora, o demónio fugia precipitadamente, gritando: "Não invoques a minha inimiga!" A oração Mariana mais forte contra o demónio é o Rosário. Uma vez lhe perguntaram durante um exorcismo qual a oração que ele mais temia. Respondeu: "O Rosário é o meu flagelo". Se os Cristãos levassem consigo e usassem amiúde este flagelo dos demónio, quantas ruínas, desventuras e pecados haveria a menos sobre a Terra...

Votos

* Levar consigo o Rosário e recitá-lo na tentação;
* Oferecer hoje uma mortificação contra a gula;
* Ler e meditar a página do Evangelho sobre as tentações de Jesus no deserto. (Mt 4,1-11)
* Meditações do livro "Um mês com Maria", do padre Stefano Maria Manelli.

 

 

Pe. Paulo Ricardo


10
Mai 12
Por FireHead, às 19:10 | Comentar

 

tags:

08
Mai 12
Por FireHead, às 20:12 | Comentar

“Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia – sei muito bem e nisto ponho a minha Fé que, depois da Sua ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito (…). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai.” (Santo Inácio de Antioquia – Carta aos Esmirna, III, 1-3 – Padres apostólicos – Paulus –)

Nossa Fé em Cristo e em tudo que Ele nos ensinou nos leva a crer que Ele, para nos remir, se Encarnou no seio da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi morto e sepultado, mas que no terceiro dia ressuscitou.

Vemos pelos Evangelhos que Cristo ressuscitou a muitas pessoas, mas a Sua Ressurreição difere das outras, segundo São Tomás de Aquino, porque Cristo por ser Deus e Homem, ressuscitou pelo Seu próprio poder. A Sua divindade em nenhum momento se separou nem da Sua alma, nem do Seu corpo. Cristo ressuscitou para uma vida gloriosa e incorruptível e foi em virtude da Sua Ressurreição que todos ressuscitaram: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram... assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (1Cor 15,20-22) (Exposição sobre o Credo – São Tomás de Aquino - ).

A Sua ressurreição é para nós motivo de júblilo, de esperança e estímulo para vivermos na santidade, esperando o dia de estarmos com Ele, também vivos na glória. “Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia” (Ecle 5,8).

A ressurreição de Cristo nos convida a sermos santos, chamados a todo instante a viver uma vida nova e para nos santificar, foi-nos dado, pelo nosso Baptismo, o Espírito Santo que veio então habitar em nós. Ele é o autor de toda santificação. Além desta graça da santificação que realiza nos filhos de Deus, Ele pelo seu poder ressuscitará os corpos. “Cremos n’Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação” (Rom 4, 24-25). “Porque a morte veio por um homem, por um homem também virá a ressurreição dos mortos” (1 Cor 15,21).

Nele, os Cristãos “experimentaram... as forças do mundo que há-de vir” (Hb 6,5) e as suas vidas são atraídas por Cristo ao seio da vida divina “a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2Cor 5,15).

“Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da Sua mensagem e da Sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: 'Ressuscitou'. Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na Sua ressurreição experimentou em Si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte” (Sua Santidade Papa João Paulo II – Dives in Misericórdia - sobre a Misericórdia Divina).

Cristo, “primogénito dentre os mortos” (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação da nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo.(Catecismo da Igreja Católica)

A união entre Cristo e os Cristãos, como membros de um mesmo corpo, onde Cristo é a cabeça, constituem um único organismo. Por isso quando se afirma a ressurreição de Jesus, é necessário afirmar a ressurreição dos justos, daqueles que morreram na graça de Deus. Jesus, por ser o novo Adão, mereceu a ressurreição de todos. “A Ressurreição de Cristo produziu a ressurreição dos nossos corpos, quer porque foi a causa eficiente deste misterio, quer porque todos devemos ressuscitar, a exemplo do Senhor. Deus se valeu da humanidade do Seu Filho como de instrumento eficiente. Por conseguinte, a Sua ressurreição foi um instrumento para conseguir a nossa” (Catecismo Romano, I,6,13).

A ressurreição passou, então, a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica e mais tarde São Paulo vem afirmar: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa Fé” (I Cor 15,14).

Para entendermos como se dá a ressurreição da nossa carne após a morte, no dia final, temos que compreender como Deus, nosso Pai, nos constituiu, e o fez de uma forma maravilhosa, já que somos obra de Suas mãos santíssimas e feitos à Sua imagem e semelhança.

O homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria, formado de corpo e alma. A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo; o seu corpo é matéria, similar em natureza aos animais. Porém, o homem não é nem anjo nem animal. É um ser à parte por direito próprio, um ser com um pé no tempo e outro na eternidade. Os filósofos definem o homem como “animal racional”, o que indica que a sua alma é espiritual; e animal, o seu corpo físico.

O corpo e a alma não se unem de modo circunstancial. Foram feitos um para o outro, fundem-se, compenetram-se tão intimamente que, ao menos nesta vida, uma parte não pode existir sem a outra. A maravilha do nosso corpo mostra o poder e sabedoria de Deus. Mas ele é nada comparado com a magnitude da alma que é como dizemos, um espírito: é um ser inteligente e consciente, invisível e imaterial, não se divide, pois é uma substancia simples, portanto é imortal.

Quando o nosso corpo estiver tão prostrado pela doença ou pelas lesões que não possa continuar a sua função, há a separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção e a alma o abandonará – é a morte.

Mas a alma não morre, pois não pode ser destruída ou danificada. Ela depois do julgamento particular a que passará todo homem após sua morte, recebe o prémio – por ter buscado a graça e uma vida santa de boas obras – ou a condenação – por não ter aceitado a Cristo e a Sua morte, rejeitando até o fim a graça que Deus com tanta liberalidade dispôs para que esta vivesse eternamente em Sua presença.

A Igreja preocupou-se em nomear o 11º artigo do Credo como  “Creio na Ressurreição da Carne” para rebater a heresia de Himeneu e Fileto, o qual afirmavam eles que, quando a Escritura falando da ressurreição, não era para entender a ressurreicão corporal, mas da espiritual que faz ressurgir, da morte do pecado, para a vida da graça e inocência. O artigo do Credo portanto, exclui este erro e confirma a realidade da ressurreição corporal (Catecismo Romano 11 artigo – II – c – pag. 179).

O Apóstolo Paulo nos diz que o “corpo semeado na corrupção, há de ressurgir incorruptível” (I Cor 15,42). Os escritores eclesiásticos afirmam a reesurreição do corpo para se unir à alma, pois seria contrário à natureza, que as almas ficassem eternamente separadas, já que sendo imortais pendem naturalmente a se conservarem unidas ao corpo.

São João Crisóstomo, na sua homilia ao povo de Antioquia, diz-nos que a justiça divina também é um factor importante para se entender este assunto. “Deus, justo juiz, estabeleceu penas para os maus e prémios para os justos. Tendo o corpo servido ao homem como instrumento de prevaricação ou de santidade, devem participar dos prémios ou dos castigos das almas, na proporção dos crimes ou das virtudes, que houverem praticado” (Io Chrysost Hom. 13 )

Quem irá ressucitar? Diz-nos São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus, hão-de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação” (Jo 5,29).

Os que morreram em Cristo, diz-nos São Paulo, “ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares” (I Tes 4,16).

Santo Ambrósio diz-nos: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão as sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor” ( Aug. de Civ. Deis XX 20).

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, os dons, as excelências do homem como tal .

Santo Agostinho descreve-nos essa transformação de uma maneira interessante: “Nos corpos, diz ele, não restará então nenhuma deformidade. Era alguém muito nutrido e cheio de corpo, não retomará o mesmo volume. O que excede as proporções, é considerado supérfluo. Ao contrário, tudo o que velhice ou doença destruírem no corpo, será refeito pela divina virtude de Cristo. Tal acontece, por exemplo, com quem for de excessiva magreza, porque Cristo não Se limita a ressuscitar o corpo, mas repõe ao mesmo tempo o que [nele] definhou com as privações desta vida” ( Aug de civ. Deis XXII 19 ss).

Tudo em nós será restaurado à semelhança de Cristo, já que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria Criação. Deus fez tudo perfeito no começo e tudo será perfeito no final. Santo Agostinho afirma que “não só aos mártires acontecerá estas maravilhas, mas a todos. Os mutilados, os degolados, todos terão restituídos os seus corpos, mas terão as marcas tal qual ficou em Cristo, a marca dos pregos."

São Tomás na Exposição ao Credo diz que porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30).

Quanto à idade, ele diz que todos ressurgirão na idade perfeita, aos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: "Até que cheguemos todos ... ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo" (Ef 4,13).

Quanto aos maus, este também recuperarão os seus membros, ainda que lhes caiba a culpa da amputação. Só que quanto maior for a restituição, maior serão os tormentos, pois ela não lhe acarreta felicidade, mas dores sem fim.

Todos, bons ou maus, serão imortais após a ressurreição, pois por Cristo, pela Sua Cruz, a morte foi vencida, foi o último inimigo a bater. Mas os corpos dos justos terão como que adornos lhes conferindo uma nobreza a que nunca sonharam neste mundo: impassibilidade, subtileza (ou penetrabilidade), agilidade e claridade. Pois bem, os corpos dos justos serão transformados e glorificados segundo o modelo do Corpo de Cristo, o que nos faz exultar e querer a todo custo a vida diante de Deus.

Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos, segundo São Tomás e o catecismo Romano, estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incómodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz o Apóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina

Subtileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando as suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44). É bom notar que a subtilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui actualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus.

Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da subtileza, poderão mover-se para onde a alma queira. Em Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afecto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente a restituir os dons perdidos, mas a ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.

Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, que sofrerão as penas eternas, os seus corpos possuirão quatro qualidades más:

Serão obscuros, conforme se lê: Os seus rostos serão como fisionomias inflamadas (Is 13,8) e serão como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para sempre no fogo e nunca serão consumidos: “Os vermes nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se extinguirá” (Is 66,24). Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas: “Para prender os seus reis com grilhões” (SI 149,8).

Finalmente, os corpos e as almas serão, de certo modo, carnais: “Os animais apodrecerão nos seus excrementos” (Jl 1,17). São passíveis de dor.

Numa palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

“Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer... Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes” (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Podemos depois de todo o exposto, dar graças a Deus que não nos deixou na ignorância, já que Ele não esconde os Seus mistérios aos pequenos. Pois quantos neste mundo têm perdido a vida pelo desconhecimento de tão grandes bens? Bendito seja Jesus, Nosso Senhor, que nos mereceu o Céu e que nos chama à vida juntamente com Ele. É preciso tirar bons frutos deste conhecimento, rejeitando a todo instante o pecado que nos alicia, mata e nos afasta de Deus, buscando solidamente o bem, na esperança de uma futura ressurreição.

Deus seja louvado!

 

 

Ana Bueno Maria Cunha

 

Fonte de pesquisa: Catecismo Romano, A Fé Explicada - padre Leo Trese, Catecismo da Igreja Católica - Exposição sobre o Credo segundo São Tomás de Aquino e Escritos dos Santos

 

Veritatis Splendor


07
Mai 12
Por FireHead, às 13:35 | Comentar

 

Como se diz, os primeiros Cristãos professavam a teo­ria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Cons­tantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introdu­zindo a ideia do Inferno. Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla?

 

Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos­-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla.

 

 

I. Antigos documentos Cristãos e reencarnação

 

1. Sagrada Escritura.

 

Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Pelo contrário, a Escritura professa categoricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente jul­gado: Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento (Hebr 9,27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso (Lc 23,43).

 

Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1,21; 3,3; 9,1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de os analisar novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores Cistãos.

 

2. Os Padres da Igreja.

 

Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte: A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jeronimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41).

 

Contudo, os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de as comprovar citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas.

 

Quem, ao contrário, investiga directamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega à conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos.

 

S. Ireneu († 202) rejeitava explicitamente a tese da reen­carnação, lembrando que em nossa memória não nos fica ves­tígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé Cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. II 33).

 

Tertuliano († 220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo na famosa passagem «De anima» 28-35, que assim se pode resumir:

 

Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Tróia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele a Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe (sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe)? E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios hereges ousaram de­fendê-la.

 

Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contra­ria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afecte o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro.

 

Clemente de Alexandria († 215) tinha a doutrina da reen­carnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências no-la atestam nem a fé Cristã: Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fora sustentada por conventículos de hereges ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas).

 

São Gregório de Nissa († 394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregório considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade hu­mana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracio­nal (ave, peixe, rã...) e à planta o mesmo princípio vital (cf. «De hominis opificio» 28). Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao facto de que em al­guns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 destaresposta).

 

São Jerónimo († 421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo, seria difícil ou impossível jus­tificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerónimo, pois o S. Doutor se pronunciou directamente contrário à teoria, e isto... precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias: João é chamado Elias, observa S. Jerónimo, não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo facto de ter ele vindo cheio da força e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho (cf. Lc 1,17).

 

Santo Agostinho († 430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o "codi­ficador", terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Santo Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfirio, que ele assim comenta: Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfirio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas consequências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adoptada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfirio admitiu que as almas entram sempre em novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que a sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho se lhe acontecesse reen­carnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha ver­gonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram... fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos! (De civitate Dei X 30).

 

Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura Cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Santo Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais anti­gos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de en­sinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente.

 

Eis, porém, que a história regista o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concilio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção.

 

 

II. Orígenes, Origenismo e Constantinopla

 

É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos Cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré­-Cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais:

 

1. Quem era Orígenes?

 

Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egipto) numa época em que os autores Cristãos começavam a confrontar a revelação do Evan­gelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de Fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das propo­sições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em conse­quência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arqui­tectasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da Fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia do seu tempo e, em particular, da filosofia platónica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, per­tencentes ao património da Fé e da Igreja, e proposições hipo­téticas, que ele formulava em seu nome pessoal, à guisa de su­gestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes.

 

Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de facto vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico.

 

Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas actualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, por­tanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo na sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado.

 

Note-se bem: o alexandrino propunha tais ideias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justa­mente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não tinham sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obsti­nação consciente contra o magistério da Igreja).

 

2. A desgraça de Orígenes

 

A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos dis­cípulos e admiradores... Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da Fé.

 

É preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexan­drino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora esta não implica necesariamente a reencarnação; signi­fica apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois... ; daí não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita).

 

Aliás, Orígenes pronunciou-se directamente contrário à doutrina da reencarnação... Com efeito; em certa passagem das suas obras, con­sidera a teoria do gnóstico Basílides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: Vivi outrora sem lei... (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basílides não percebeu que a palavra «ou­trora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII).

 

Contudo, os discípulos de Orígenes professaram como ver­dade de Fé não somente a preexistência das almas (delicada­mente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese).

 

Os principais defensores destas ideias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egipto, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando uma vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco ver­sados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o ale­xandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabe­dal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes.

 

A tese da reencarnacão, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores Cristãos mesmos, que a tinham como contrária à Fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Eneias de Gaza († 518), autor do «Diálogo sobre a imor­talidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocinio: Quando castigo o meu filho ou o meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e reco­mendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os cas­tiga? Haveria de lhes subtrair a recordação das suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vítima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta? (ed. Migne gr. t. LXXXV 871).

 

Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista. Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc.VI provocou famosa celeuma teo­lógica. Como se terá desenrolado?

 

3. Séc. VI

 

No início do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de pro­pagação o cenóbio dito da «Nova Laura», a sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste.

 

Em 531, o abade São Sabas, que, com os seus 92 anos de idade, se opunha energicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a pro­tecção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo, alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opi­niões origenistas; regressou à Palestina, para aí morrer a 5 de De­zembro de 532.

 

Após a morte de São Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em consequência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo facto de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestígio mesmo em Constantino­pla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesareia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira.

 

Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instância superior. Foi o que se deu em 539 num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na compa­nhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de facto transmitida, logrando o alme­jado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sen­tenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e aria­nos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes:

 

1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, des­viando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema.

5. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que actualmente temos, seja anátema.

9. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demónios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim, e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demónios, seja anátema.

 

Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos.

 

Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este tam­bém condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento. Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo per­manente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto:

 

1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema.

2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos cria­dos independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a actos ilícitos, cada qual seguindo as suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema.

3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema.

4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em consequência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios e tenebrosos, tornando-se o que chamamos demónios e espíritos maus, seja anátema.

 

O Papa Virgílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não, como se costuma dizer, pelo II concílio ecuménico de Constantinopla, o qual só se rea­lizou em 553. Neste concílio ecuménico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com alguns hereges por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencio­nado concílio ecuménico). Os historiadores recentes rejeitam a opi­nião de autores mais antigos segundo os quais o II concílio ecuménico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas.

 

Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituidos de autoridade para tratar do assunto.

 

4. O Inferno

 

Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não somente na base dos teste­munhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais re­presentam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explícitas do II concílio ecuménico de Lião (1274): As almas... são imediatamente recebidas no céu, e do con­cílio ecuménico de Florença (1439): As almas... passam imediatamente para o Inferno a fim de aí receber a punição (Denzinger, Enchiridion 464. 693).

 

Quanto à doutrina do Inferno, ela está contida na Sagrada Escri­tura e sempre foi professada pelos Cristãos; cf. «P. R.» 371957, qu. 5. Erróneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI.

 

5. Conclusão

 

Em conclusão, observamos o seguinte:

 

a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores Cristãos aqui citados);

 

b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particu­lares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»);

 

c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação não teve a voga que tiveram, por exemplo, as teses da preexistên­cia das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventu­rança inicial;

 

d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o origenismo versaram explicitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente im­plica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos orígenístas);

 

e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não somente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrístícos, mas tam­bém pelo magistério extraordinário nos concílios ecuménicos de Lião II (1274) e de Florença (1439).

 

 

D. Estevão Bettencourt, OSB

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos, PR 051/1962


06
Mai 12
Por FireHead, às 19:27 | Comentar

Muitos protestantes de hoje fazem objecções a vários ensinamentos da Igreja Católica. Mas acima de tudo, para eles, a afirmação de que a Igreja Católica é a guardiã final da Revelação Divina na Terra pode soar não apenas ofensiva, mas arrogante. O facto é que a Igreja Católica de facto afirma não apenas ser a guardiã da Verdade Divina revelada aos Apóstolos, mas ainda que ela tenha recebido essa autoridade do próprio Cristo.

 

Muitas questões secundárias emergem apartir dessa divergência, ou seja, a rejeição dos protestantes em aceitarem como válida a alegação Católica quanto a sua autoridade;  como por exemplo, o questionamento da necessidade e mesmo da existência dos Papas, ou simplesmente a autoridade de um sacerdote de perdoar os pecados. Entretanto, é importante salientar que essa visão do protestantismo nem sempre existiu e a postura actual  contraria até mesmo o ponto de vista de alguns dos ‘Pais do Prostestantismo’:

Pastores e mestres são responsáveis pela interpretação das Escrituras para manter toda a doutrina pura e entre os crentes (Livro 4 3 4 - Reformador Protestante João Calvino).

Admitimos, portanto, que os pastores são eclesiástica de ser ouvida apenas como o próprio Cristo (João Calvino – carta para Sadoleto).

Eles são uma potência, um comando dado por Deus através de Cristo para toda a Cristandade para a manutenção e remissão dos pecados dos homens (Reformador Protestante Martinho Lutero sobre a confissão, 1531).

Por outro lado, "Cristãos" não Católicos rejeitam a necessidade de uma autoridade eclesial e difundem até mesmo que Cristo tenha pregado contra a religião instituída. Ao lado dessa crença, vemos também que "Cristãos" não Católicos aceitam somente a Bíblia como autoridade do Cristão, mesmo que a própria Bíblia não diga isso.

 

Entretanto, antes de continuar a minha abordagem, por uma questão de clareza, uma vez que a muitos não-Católicos falta algum entendimento básico do que o Catolicismo realmente ensina,  é preciso lidarmos com alguns conceitos fundamentais, a fim de tratar deste tema corretamente:

 

 

I - Autoridade Eclesiástica

 

II - Sucessão Apostólica

 

Sempre que alguém diz “este” ou “aquele”  ensinamento ou doutrina da Igreja Católica não é bíblico, para facilitar  a discussão, devemos considerar alguns pelo menos dois pontos importantes:

 

1 – O surgimento da Bíblia Sagrada – Por quase 400 anos o Cristianismo não tinha uma Bíblia, de facto, por mais de mil anos após a Bíblia ter sido compilada pela Igreja Católica, até a imprensa ter sido inventada, havia ínfimas cópias da Bíblia disponíveis. Imaginemos o contexto do mundo daquela época, onde  quase a totalidade da população mundial era analfabeta e pobre. Escusado será dizer que os poucos felizardos que possuíam uma Bíblia eram uma minoria rica, privilegiada e alfabetizada. Isto certamente deve levar qualquer pessoa sensata a perguntar: como é que os primeiros Cristãos, especialmente aqueles que viveram nos primeiros séculos do cristianismo, aprenderam o Evangelho se não havia Bíblia? A história diz-nos que eles tiveram que contar com a Tradição Oral, que foi passada para eles inicialmente pelos próprios Apóstolos e  em seguida, pelos seus discípulos. Isso é o que a Igreja Católica chama Sagrada Tradição (com T maiúsculo), que alguns não-Católicos preferem chamar de  “tradição humana”.

 

2 – A Igreja declara que ela é Apostólica - isto é um facto historicamente documentado e pode ser comprovado (por exemplo, podemos referir-nos ao documento mais antigo do Cristianismo, a Didaqué, Os Ensinamentos dos Doze, 50 dC, descoberto em 1886 na Turquia). E por ser Apostólica, a Igreja afirma portanto que os seus ensinamentos são infalíveis. E finalmente, a Igreja, na sua condição de  Apostólica, proclama também que a sua autoridade vem de Cristo. Mas como podemos confirmar tudo isso? Pela Bíblia Sagrada, mas também através registos históricos deixados pelo Pais da Igreja.

 

O Evangelho mostra-nos que Jesus Cristo fundou a Sua Igreja por meio dos Seus Apóstolos, Simão Pedro ou Cefas, que se tornou o primeiro  bispo* da Igreja Primitiva (*o termo usado na versão original da Bíblia, em grego,  é na verdade episcopos, palavra da qual se origina o termo bispo em português). Portanto,  como bispo encarregado da Igreja, São Petro foi também o primeiro Papa (lembremo-nos que Papa significa ‘pai’ em Latim, e também vem de uma expressão grega. O termo pai aprece na Bíblia não apenas em referência o Pai Celestial ou pais biológicos, mas no sentido de pai espiritual, como usado por São Paulo em 1 Cor 4, 14 -15). Ainda dentro do carácter Apostólico da Igreja, consideremos também as promessas de Jesus aos Seus Apóstolos: Então Jesus disse-lhes: Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a observar tudo quanto vos tenho mandado. E eis que estou convosco todos os dias, ao final dos tempos (Mateus 28:18-20). Antes de apresentar mais evidências para sustentar as afirmações da Igreja Católica, façamos uma análise da última frase em Mateus 28, 20: Por que Jesus diria Eu estarei sempre convosco, até ao final dos tempos? Certamente, Jesus sabia que os Apóstolos, como o resto de nós, iriam expirar (morrer) um dia. Isto significa que a Sua promessa não aplicava apenas aos próprios Apóstolos, mas também aos seus discípulos  ou sucessores. Pois, como sabemos,  Jesus lhes havia ordenado a fazer discípulos em todas as nações. Claramente Jesus, na Sua sabedoria Divina, profetiza nessa frase a história da sucessão Apostólica da Sua Igreja. Pois bem, em seguida vemos Jesus prometendo aos Apóstolos toda a sabedoria necessária para ensinar a Verdade: Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir (Jo 16,12-13). Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Paráclito, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei-de enviar, aquele Espírito de verdade, que provém do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio (Jo 14:25-26; 15:26-27).

 

Eis, portanto, de onde provém a garantia da autoridade da Igreja Católica e Apostólica, bem como o conforto quanto à veracidade dos seus ensinamentos. Porque a Verdade do Evangelho foi recebida sem erro pelos Apóstolos, que por sua vez transmitiram-na sem erro para os seus discípulos (2 Timóteo 2:2), que são os sucessores que mais tarde formaram a Igreja Católica no século I dC , como Santo Inácio de Antioquia, que era discípulo do Apóstolo João e se tornou bispo de Antioquia. A Igreja Católica e Apostólica preservou os ensinamentos Apostólicos ao longo dos séculos e o seu discernimento sobre dogmas e doutrinas vem do Espírito Santo, conforme a promessa de Jesus, e estão, portanto, livre de erros.

Além disso, Jesus disse: Como o Pai me enviou, também eu vos envio (Jo 20:21).

Ou seja, depois de conceder a autoridade aos Seus Apóstolos e assegurar-lhes toda a sabedoria proveniente do Espírito Santo, Jesus deixa claro que a Sua Igreja, a qual Ele edificara por meio de Pedro, Sua Rocha, deveria ser nada menos do que Ele mesmo fora para todos nós, a nossa grande Mestra. Eis o carácter Magistério da Igreja Católica.

 

Os nossos "irmãos" protestantes muitas vezes argumentam que Jesus na verdade passou a Sua autoridade a todo o corpo de crentes que iam mais tarde tornar a Sua Igreja, não apenas aos Apóstolos, como afirma o entendimento Católico. Entretanto, não é isso que a Bíblia nos diz. Quando fez a Sua promessa Jesus falava aos Seus Apóstolos e não às multidões. Quisesse Ele que o Magistério da Igreja fosse incumbido a todo o corpo de crentes, teria dito a todos os crentes, ou ordenado aos Apóstolos que fizessem isso. Ele não fez nem uma coisa nem outra. Além disso, nós podemos claramente verificar como os Apóstolos abraçaram este Magistério dado a eles na própria Bíblia. São Paulo trata desse tema nas suas cartas quando diz que apenas alguns foram colocados na Igreja, como mestres, e não todos (1Cor 12:28-29).

Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais; ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho (1 Cor 4, 15).

 

Fonte: Ecclesia Militans


05
Mai 12
Por FireHead, às 02:38 | Comentar

As bases bíblicas do culto aos Santos estão desde o Antigo Testamento. Até o século II a.C. os judeus acreditavam na existência do Hades ou Cheol e no adormecimento da consciência dos defuntos num lugar subterrâneo, incapazes de serem punidos ou contemplados. Mas a partir do século II a.C. esta concepção foi abandonada pelo povo de Israel, passando a crer que a consciência dos irmãos falecidos continuava lúcida e que eles vivem como membros do seu povo, e solidários com os fiéis peregrinos na terra, e intercedendo por eles.

 

Pode-se ver isto claramente, por exemplo, no texto de Macabeus (II Mac 15, 7-17). Vemos nele que Jeremias, o profeta falecido no século VI a.C., aparece a Judas Macabeu no século II a.C., juntamente com o Sumo Sacerdote Onias (também já falecido), como “o amigo de seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo, pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus”.

 

Diz a “Bíblia de Jerusalém” em nota de rodapé a 2Mc 15, 14: “Esse papel conferido a Jeremias e a Onias é a primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos”.

 

No Novo Testamento esta consciência da intercessão dos santos é fortalecida. Na epístola aos Hebreus, o autor recorda os justos do Antigo Testamento, e mostra a sua solidariedade com os ainda vivos na terra. Ele imagina esses justos colocados num estádio como que a torcer pelos irmãos ainda existentes neste mundo; constituem uma densa nuvem de torcedores interessados. São testemunhas que nos acompanham nesta luta de hoje:

 

Portanto também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto (Hb 12,1).

 

Os mortos não estão dormindo Os protestantes na sua maioria ensinam que os mortos estão “dormindo” e que somente na volta de Jesus haverá a ressurreição de todos; portanto, para eles, não há ninguém no Céu ainda, mesmo que seja apenas com a alma, como ensina a Igreja Católica. Ora, desde os primórdios da Igreja ela acredita na imortalidade da alma, e que cada pessoa é julgada por Deus, imediatamente após a morte, recebendo já o seu destino eterno. E isto é muito claro nas Sagradas Escrituras.

 

A Carta aos Hebreus diz claramente, como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo (Hb 9,27).

 

Isto foi definido como dogma de fé pelo Papa Bento XII na sua Constituição “Benedictus Deus” no ano de 1336, e o Concílio universal de Florença, na Itália, as reafirmou em 1439, na seguinte declaração:

 

As almas daqueles que, depois do Baptismo, não se tiverem manchado em absoluto com alguma mancha de pecado, assim como as almas que, depois de contraída alguma mancha de pecado, tiverem sido purificadas ou no corpo ou fora do corpo, essas almas todas são recebidas no céu e vêem claramente o próprio Deus na sua Unidade e Trindade, como Ele é; umas, porém, vêem mais perfeitamente do que outras, conforme a diversidade de méritos de cada qual. Quanto às almas daqueles que morrem com pecado atual e mortal sem demora são punidas no Inferno por penas que variam para cada qual (Denzinger , Enquiridio 693).

 

O Concílio Vaticano II pela Constituição dogmática “Lumen Gentium” confirmou esta doutrina:

 

Até que o Senhor venha na sua majestade e todos os anjos com ele (cf Mt 25,31), e até que lhe sejam submetidas, com a destruição da morte, todas as coisas (cf. 1Cor 15,26-27), alguns dos seus discípulos peregrinam na terra, outros, já passados desta vida, estão se purificando, e outros vivem já glorificados, contemplando “claramente o próprio Deus, uno e trino, tal qual é”; todos, porém, ainda que em grau e de modo diversos, comungamos na mesma caridade para com Deus e para com o próximo, e cantamos o mesmo hino de glória ao nosso Deus. Em virtude da sua união mais íntima com Cristo, os bem-aventurados confirmam mais solidamente toda a Igreja na santidade, enobrecem o culto que ela presta a Deus na terra e muito contribuem para que ela se edifique em maior amplitude (cf. 1Cor 12,12-27). Porque foram já recebidos na Pátria e estão na presença do Senhor, (cf 2Cor 5,8) – por Ele, com Ele e nEle – não cessam de interceder em nosso favor junto do Pai, apresentando os méritos que – por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, (cf. l Tm 2,5). Na verdade, a solicitude fraterna dos bem-aventurados ajuda imenso a nossa fraqueza. (LG, 49). Em Mateus 10,28 Jesus diz: não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma ('psyché'); temei, antes, aquele que pode fazer perecer na geena o corpo e a alma.

 

A palavra grega “psychè” significa alma; então, o texto afirma a sobrevivência da alma após a destruição do corpo da pessoa. Em Lucas 16,19-51, na parábola do rico e do pobre Lázaro, Jesus apresenta a sobrevivência consciente tanto dos justos como dos injustos. O rico após a morte vai para um lugar de tormento; e o pobre para um lugar de gozo. Isto enquanto a vida continua na terra, quer dizer, antes da volta de Jesus. O rico tinha cinco irmãos que poderiam também se perder também; e mostra que os defuntos sobrevivem após a morte e recebem já o prêmio ou o castigo.

 

Não se pode dizer que esta parábola é apenas mera ornamentação; ao contrário, traz um ensinamento religioso e doutrinário fundamental.

 

A ressurreição da carne no último dia, na consumação da História com a volta de Jesus, darão algo mais à felicidade dos justos cujas almas já estão no gozo da presença de Deus. Essas almas se unirão aos seus corpos ressuscitados e viverão na plenitude de suas pessoas. A ressurreição da carne completará a ordem e a harmonia que a alma santa já desfruta após a morte.

 

Vemos em Ap 6, 9-11 que as almas do justos martirizados aspiram, na presença de Deus, à plena restauração da ordem e da justiça violadas pelo pecado; e assim, esperam algo que ainda não aconteceu, e que vai acontecer só na Parusia. Embora elas já estejam revestidas de vestes brancas, que é símbolo da vitória final e da bem-aventurança, continuam a acompanhar a nossa história, aguardando com expectativa o julgamento do Senhor.

 

Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos (Ap 6,9-11).

 


Fonte: Apostolado Spiritus Paraclitus


03
Mai 12
Por FireHead, às 23:44 | Comentar

1. Existe uma falsa distinção entre imagem e ídolo, o que diz a Bíblia Católica sobre isso? De facto, nem toda imagem é um ídolo, mas toda imagem que passa a ser cultuada, servida, carregada, e considerada como poderosa, tornar-se um ídolo, e agora provaremos isso com a Bíblia Católica e os seus respectivos estudos: A Bíblia Católica nos diz que imagem e ídolo são o mesmo (Isaías 02:08 e 10:10 / II Crónicas 33:07). Vamos transcrever alguns destes: Isaías 10:10 - Ora, se a minha mão alcançou aqueles reinos de ídolos, cujas imagens eram mais numerosas que em Jerusalém e Samaria. Veja então que a Bíblia Católica nunca fez distinção entre imagens e ídolos...

 

A Bíblia Católica nos diz...Que coisa mais boba! Quem não vê, pelo contexto na própria passagem, que o termo "imagem" se refere a "ídolos": "... reinos de ídolos, cujas imagens...". Vai ver que o articulista ignora que a palavra "cujas" significa "dos quais...", isto é, que as tais imagens são dos ídolos. De quanto delírio se utilizam para demonstrar que o preto é branco, que o alto é baixo, que o gordo é magro, que o fétido é cheiroso!

 

Passa a ser cultuada, servida... -  Que raciocínio deslumbrante! É por isso que Cristo proíbe terminantemente que os Cristãos julguem o próximo (Mt 7,1-2). Pior: o julgamento aqui vai na pura maldade, pois a caluniador sequer leva em consideração que o culto e serviço não se dirigem à imagem que é inanimada, mas à pessoa simbolizada por ela.

 

 

2. ... sobretudo, há um terrível engano, veja o que diz um site Católico: Imagem não é o mesmo que ídolo... Foi Deus ainda que ordenou a Moisés levantar uma "serpente" de metal (Nm 21, 8)... Deus proíbe a idolatria e não o uso de imagens... Ora, o uso de imagens é idolatria! E já provámos que imagem é sim o mesmo que ídolo, e ainda enfatizaremos esta verdade. Mas e quanto à serpente feita no deserto?

Então Deus que mandou fazer
imagens era idólatra
 
... o uso de imagens é idolatria!... -  Mas que, Mané, idolatria é essa?! Então Deus que as usou era idólatra? Ele falava a Moisés por entre as imagens de dois santos - Ex 25,22. Para os entendimentos de curto alcance, esclareço que OS ANJOS SÃO SANTOS - Mc 8,38.
 
 
3. O interessante é que o site Católico só mostra a ocasião em que a serpente foi feita, mas não dizem o que aconteceu com a mesma, quando esta passou a ser carregada em procissões, deram um nome a ela, e lhe queimavam incenso. Hoje, fazem tudo isso com as imagens: Procissões, dão nomes, e acendem velas. Veja o que diz a Bíblia Católica sobre o que aconteceu com a serpente feita no deserto: I Reis 18:04- Ele acabou com os lugares altos, quebrou as estelas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou também a serpente de bronze que Moisés havia feito, porque os israelitas ainda queimavam incenso diante dela. Eles a chamavam de Noestã.
 
Deus mandou fazer uma
serpente de bronze
... esta [a serpente de bronze], passou a ser carregada em procissões... - Não existe isso nem na Bíblia Católica que é completa, nem na incompleta e falsificada dos protestantes.
 
... não dizem o que aconteceu com a mesma... - A coisa tinha virado idolatria, e daí? Porventura não foi Deus que a mandou fazer? Seria, porventura, errado que os homens olhassem para aquela imagem desejando a cura das suas feridas, em conformidade com a ordem divina?
 
Tratava-se, pois, de algo bom, da mesma forma que também era bom o homem que tinha criado, mas que, infelizmente, por sua própria culpa, se deixara levar pela sedução do "pai da mentira" sucumbindo-se à tentação. Que fez Deus? Mandou que os Seus anjos o destruíssem? Assim também não destruiria o símbolo do Seu Filho crucificado. Ezequias destruiu esta obra de Deus movido por um zelo equivocado.
 
 
4. Lembram-se do que aconteceu com a imagem da Aparecida? Esta foi encontrada já quebrada, mas a colaram, deram-lhe um nome (tal como fizeram com a serpente), depois começaram a dar-lhe culto, acendendo velas. Certo dia, esta sofreu um atentado, e foi feita em quase 200 pedaços, segundo fontes Católicas, despedaçada, tal como foi feito com a serpente, mas, as pessoas insistem no paganismo, e novamente a reconstituíram, e até hoje, lhe prestam culto. Por que eles também não falam disso?
 
"As portas do Inferno não
prevalecerão contra ela"
O que "crente" não sabe é que "culto" nem sempre significa culto de adoração. Esta palavra deriva de "cultivar", donde, conforme conselho de Cristo, cultivamos a amizade dos santos - aqueles que já estão na posse dos bens eternos (Lc 16,9) - ou seja, prestamos-lhes um culto de veneração (segundo o dicionário: amar muito, ter profundo respeito, acatar). Além disso, como a serpente de bronze hasteada no deserto, as imagens Católicas não têm por si mesmas nenhum poder, porém as respeitamos como  símbolos sagrados e através delas manifestamos o nosso amor a Deus, aos anjos e aos santos. Por outro lado, acreditar que a Igreja de Cristo se deixou contaminar pelo paganismo é duvidar das palavras divinas que dizem: ... as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18). Da mesma forma que, através desses símbolos manifestamos o nosso amor, Satanás, através dos seus seguidores, manifesta extremo ódio a Deus, aos anjos e aos santos, cobrindo os seus símbolos sagrados com toda a sorte de ultrajes, cuspindo e escarrando, injuriando e quebrando.
 
 
5. ... ídolo e imagem são o mesmo: para não ter dúvidas, vamos ler Sabedoria 13:16- ... o ídolo não pode cuidar de si mesmo: é apenas uma imagem e precisa de ajuda. E até um estudo da Bíblia Católica nos diz que não existe nenhuma diferença, confira: A palavra ídolo, em grego, significa imagem, estátua, isto é reprodução de alguma coisa ou pessoa. (Bíblia Católica, Edição Pastoral, página 894). A Bíblia Católica foi clara: o ídolo não pode cuidar de si mesmo, pois este é só uma imagem, uma estátua! Logo, se ídolo é imagem, Deus proibiu que se fizesse qualquer imagem, confira na sua Bíblia: Êxodo 20:4 - Não faças para vós ídolos, nenhuma representação daquilo que existe no céu, na terra , ou nas águas que estão debaixo da terra.
 
Fiquei de queixo caído! Vamos apreciar esta lógica: Todo ídolo é imagem, logo qualquer imagem seja ela a de uma cruz, um anjo, ou um santo,  tem que ser ídolo.
 
Se isto é verdade podemos também pensar: todo animal é jumento porque todo jumento é animal.
 
E o pior é que, segundo a linha desse raciocínio, próprio Deus, dentre outros ídolos, mandou fazer dois para colocá-los sobre o tampo da Arca (Ex 25).
 
 
6. E até um estudo da Bíblia Católica nos diz que não existe nenhuma diferença, confira: A palavra ídolo, em grego, significa imagem, estátua, isto é reprodução de alguma coisa ou pessoa (Bíblia Católica, Edição Pastoral, página 894). Quero transcrever ainda, um outro estudo desta mesma Bíblia Católica:
 
Blá blá blá!! O mesmo raciocínio mulambento.
 
 
7. O aspecto diabólico da idolatria consiste em explorar a boa vontade e ingenuidade do povo para fins lucrativos. Em nome do dinheiro, os fabricantes de ídolos não receiam em manipular Deus, a verdade, a justiça e o amor. (Bíblia Católica Edição Pastoral, página 895). A mesma Bíblia Católica diz que, realmente, o intuito em se fazer imagens, é ganhar dinheiro, veja: Sabedoria 15:12-13 - O oleiro considera a nossa vida como um jogo, e a existência como negócio lucrativo. Ele diz: "É preciso tirar proveito de tudo, até mesmo do mal". Sim, mais do que todos os outros, esse homem sabe que está pecando: fabrica de matéria terrestre vasos frágeis e estátuas de ídolosQuem fundiria uma imagem senão para conseguir alguma vantagem? Vejam: seus devotos, todos são enganados, porque os escultores não são mais do que homens. Que eles todos se reúnam para comparecer: ficarão apavorados e envergonhados. (Isaías 44:10-11).
 
Usando os pés no lugar das mãos
 
É evidente que o articulista, racionalmente pouco dotado, anda pondo os pés no lugar das mãos, achando que toda imagem é ídolo, e, em consequência, supõe que Deus, que abomina os ídolos, chegou a mandá-los fazer.
 
 
8. O QUE É PRECISO FAZER? É preciso fazer com que eles se calem, pois estão pervertendo famílias inteiras ensinando o que não devem, com a intenção vergonhosa de ganhar dinheiro.(Tito 01:11)
 
É esta a acção maléfica dos hereges que, inspirados por Satanás, vivem iludindo o povo de Deus. Dentro da Igreja podemos fazê-los calar. Porém ao serem expurgados do rebanho de Cristo continuam, lá fora, a fazer proselitismo. Quem tem Fé fica. Quem não tem se deixa levar pelas suas tolices.
 
 
9. O QUE MAIS A BÍBLIA DIZ SOBRE AS IMAGENS? Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outro, nem a minha honra, às imagens de escultura (Isaías 42:08)Veja o que Deus diz sobre esses que fazem procissões: Esses que carregam as suas imagens de madeira são ignorantes: dirigem as suas preces a um deus que não é capaz de salvar (Isaías 45:20); Os ídolos são vazios e ilusórios (Jeremias 51:18); Os ídolos são como um espantalho em pepinal e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar (Jeremias 10:05).
 
 
Vamos ver o original hebraico de Isaías 42,8 que foi traduzido por "imagens de Escultura": אני יהוה הוא שמי וכבודי לאחר לא אתן ותהלתי לפסילים
 
O que é "לפסילים"? Coloquemos este termo no tradutor Google Hebraico-Português e que obteremos de retorno? Isto: "Ídolos"; Nos demais versículos, 45,20 e 51,18 a tradução já é mesmo "ídolo".
 
 
10. Adoração e Veneração: Dizem também que adorar é diferente de venerar. Mas consulte ai um dicionário em sua casa e veja o que ele diz...
 
Pois sim, vamos ver isso no dicionário Michaelis:
 
Venerar - (lat venerari) vtd 1 Tratar com profundo respeito; render culto a: "Todos a tínhamos e a venerávamos como uma santa" (Fernando de Azevedo). 2 Acatar, respeitar muito, ter em grande consideração: Venerar a ciência, venerar a religião.
 
Eita!!!! Neste não deu nada. A única dúvida sobre "culto" já foi explicado acima. Vamos para outro, o Priberam:
 
Venerar - Conjugar - v. tr. - 1. Demonstrar veneração por. 2. Ter estima respeitosa por. 3. Reverenciar. 4. Acatar; ter em grande consideração.
 
Também não! Então vejamos o que consta com relação ao termo "Adorar". No Michaelis:
 
Adorar - (lat adorare) vtd 1 Reverenciar, venerar. 2 Amar extremamente, idolatrar. 3 Gostar muito de. 4 Prestar culto a; cultuar. Antón: desadorar, detestar.
 
Afinal neste apareceu "reverenciar" e "venerar". Com efeito, o termo "adorar" pode também ser aplicado com a acepção de "venerar" que é o mesmo que "gostar muito de". Também já encontrei a palavra "venerar" com o sentido de adorar. Portanto, para se saber o verdadeiro significado será preciso ver o contexto em que foi inserida a expressão adorar ou venerar.
 
 
11. A própria Bíblia Católica diz que a veneração de santos e imagens é proibida por Deus: Baruc 06:03 - por enquanto terei de ver na Babilónia esses deuses de prata, de ouro ou de madeira, que costumam ser carregados nos ombros e que provocam respeito entre os gentios. 

Uso de imagem em "culto" protestante
 
... ver na Babilónia esses deuses de prata, de ouro ou de madeira, que costumam ser carregados nos ombros e que provocam respeito entre os gentios. - Pelo jeito a Bíblia Católica está falando de imagens de ídolos e não de qualquer imagem.
 
 
12. No estudo de rodapé desta Bíblia Católica, diz: Outra tradução: suscitam veneração. Logo, há outra tradução Católica que diz: ...que costumam ser carregados nos ombros e que suscitam veneração entre os gentios (Baruc 06:03). Logo, a Bíblia Católica diz claramente que as imagens por eles veneradas, são ídolos e a Bíblia Católica afirmou veementemente que a veneração destes ídolos é paganismo.
 
Simples ignorância, uma vez que o termo "veneração" pode ser usado com a acepção de "adoração".
 
 
Todo animal é jumento
porque todo jumento é 

animal
13. Vamos encerrar este estudo, lendo mais algumas citações encontradas na Bíblia Católica: Jeremias 10:14 -15 - Todos ficam tontos, sem entender, e o fabricante de imagens decepcionado com seu ídolo, porque sua estátua é uma mentira,  vida ela não tem. Ídolos são uma coisa vazia, produtos da ilusão, na hora do acerto de contas, serão destruídos. Novamente a Bíblia Católica afirmou que as imagens são ídolos! Jeremias 10:03-05 - Coisa tola é a religião desses povos! É um pedaço de pau cortado no mato e trabalho de artista com o formão. Com prata e ouro ele os enfeita, prega com cravos e martelo para que não fique balançando. Fica parecendo espantalho na horta; Não fala e tem de ser carregados porque também não sabem andar. Não vos preocupeis com isso nada de mal podem fazer, como também nada de bom. Mas você que está lendo este estudo, glorifique a Deus, Pois não fomos seduzidos pelas invenções da perversa arte humana, nem pelo trabalho estéril dos pintores com as suas figuras lambuzadas de diversas cores, cuja vista desperta a paixão dos insensatos e os faz amar a forma inanimada de uma imagem morta (Sabedoria 15:04). Ainda há muito que diz a Bíblia Católica, mas reservamos isso, a sua vontade de pesquisar e aprender mais sobre a Verdade.
 
... e o fabricante de imagens decepcionado com seu ídolo, porque sua estátua é uma mentira... - Mas é claro que não se trata de qualquer imagem e sim imagem do ídolo.
 
E, novamente o articulista continua achando que "toda imagem é ídolo porque todo ídolo é imagem", assim como "todo animal é jumento porque todo jumento é animal".
 
 
 
Fonte: ÍNDICE DE MENTIRAS CONTRA A IGREJA CATÓLICA

02
Mai 12
Por FireHead, às 20:31 | Comentar

Introdução

 

Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos (Jo 20,22-23).

 

Sabemos que o Baptismo é o primeiro grande sacramento do perdão dos pecados. Através do Baptismo somos inseridos na família de Deus (a Igreja) e temos nossas culpas perdoadas.

Mas se o Cristão, que no acto do Baptismo recebeu a imagem de Cristo, vier a pecar e então manchar esta imagem? Como ele obterá o perdão do pecado se não pode ser rebaptizado?

A graça do Baptismo, embora seja regenerativa, não livra a natureza humana de cometer pecados. O Baptismo é na verdade a porta de entrada para a Graça do Senhor e não a única e exlcusiva opção. No combate contra a inclinação para o mal, nem todas as batalhas o homem vencerá; nem sempre conseguirá evitar a ferida do pecado.

É necessário então que haja uma outra chance para que o baptizado possa reconciliar-se com Deus e a Santa Igreja.

Foi para este caso que Nosso Senhor instituiu na Sua Igreja o Sacramento da Confissão.

 

 

Objecção protestante

 

Os protestantes afirmam que o perdão dos pecados deve ser pedido directamente a Deus. Afirmam que a Igreja Católica pregra contra o Evangelho porque ensina que os fiéis Católicos devem confessar os seus pecados ao padre, e que isto seria errado pois o padre é um homem pecador como qualquer outro e como poderia um homem pecador perdoar o pecado de outro pecador?

Se o padre pode baptizar, porque não pode perdoar pecados? Não é pelo Baptismo que obtemos o primeiro perdão dos pecados? Se podemos obter o perdão dos pecados quando o padre baptiza, porque não podemos obter este mesmo perdão pelo sacramento da penitência (ou confissão)?

Para sermos coerentes, ou deveríammos ser baptizados directamente por Deus ou o padre também pode perdoar os pecados.

Porque é que a Graça que opera no acto do Baptismo não pode operar também no acto da confissão ao sacerdote?

Qual será o ensinamento que Cristo deixou sobre o perdão dos pecados após o Baptismo?

Antes, veremos como Ele instituiu a confissão dos pecados na Antiga Aliança.

 

 

O perdão dos pecados na Antiga Aliança

 

Na Antiga Aliança os pecados não eram perdoados com a confissão directa a Deus. O pecado era confessado no Templo perante o sacerdote e o pecador tinha que oferecer um sacrifício especifico para obter o perdão de seu pecado (cf. Lv 4). Esta regra estabelecida por Deus era figura do Sacramento da Confissão. Como Ele mesmo disse, o Senhor não veio abolir a Lei, mas dar o seu correcto cumprimento. Cristo vem para realizar aquilo que antes era anunciado em figura. O que fez Ele com a antiga regra de Moisés quanto à confissão e perdão dos pecados?

Veremos agora como a confissão dos pecados deveria ser na Nova e Eterna Aliança.

 

 

O perdão dos pecados na Nova e Eterna Aliança

 

A Igreja foi fundada para que seja o Cristo na terra, isto é, para que opere na terra tudo o que Cristo operava, já que Ele deveria ir para o Pai. Como dizia Santo Ambrósio de Milão: O Senhor quer que os Seus discípulos tenham um poder imenso: quer que os Seus pobres servidores realizem em Seu nome tudo o que havia feito quando estava na terra (Sobre a Penitência, 370 DC).

O Senhor desejou que as coisas que Ele realizava fossem agora realizadas por meio da Sua Igreja.

Por isso Nosso Senhor primeiramente confere aos apóstolos o poder de baptizar e  a autoridade de pregar o Evangelho, já que sem a Fé Nele e sem o Baptismo ninguém pode se salvar (cf. Mt 16,15-16).

Depois Nosso Redentor confere aos apóstolos o poder de perdoar pecados: Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão" (Jo 20,22-23).

O desejo de Cristo de que o perdão dos pecados deve ser obtido através da Igreja é bem claro. É um grande erro crer que o pecado pode ser confessado directamente a Deus. Não foi este o desejo de Nosso Senhor.

Da mesma forma que sem Cristo não há perdão, sem a Igreja também não há, já que ela é o Cristo na terra.

 

 

Precedentes contra o Sacramento da Confissão

 

No início do século III, Novato - um sacerdote da Igreja em Roma - ensinava que não haveria mais esperança para aquele que viesse a pecar depois do Baptismo. Para ele era inútil o poder da Igreja de perdoar os pecados. Novato consegue influenciar muitos membros do clero em Roma. Os seus ensinamentos provocaram grande turbulência na Igreja Católica em Roma e então um Concílio regional é convocado para tratar da questão. Segundo o historiador da Igreja Primitiva, o Bispo Eusébio de Cesareia, este Concílio "Contava com sessenta bispos  e ainda um número maior de presbíteros e diáconos; nas províncias, os pastores examiraram em particular, conforme cada região, o que importava fazer. Foi tomada uma decisão geral. Fossem considerados fora da comunhão da Igreja, Novato, simultaneamente com os que se rebelaram com ele, e adoptaram a opinião antifraterna e inteiramente desumana de Novato. Relativamente aos irmãos que haviam caído na infelicidade, era preciso tratá-los e curá-los pelos remédios da penitência" (História Eclesiástica VI, 43,2).

Em normas gerais, a heresia novaciana negava o perdão dos pecados aos que caíram em pecado após o Baptismo. Os sacerdotes novacianos negavam ministrar o Sacramento da Confissão aos fiéis da Igreja.

Embora o Concílio Reginal de Roma tivesse condenado as teses novacianas, além de outros Concílios Regionais na própria Itália, no Egipto e na África, a heresia novaciana ganhou grande terreno na Igreja Antiga.

Em meados do século IV, o Bispo Ambrósio de Milão (pai espiritual de Santo Agostinho) publica importante obra contra a heresia novaciana entitulada "Sobre a Penitência". A obra reafirmava a ortodoxia da Tradição recebida dos apóstolos, de que a Igreja não poderia negar o perdão dos pecados aos fiéis e que recebera especial poder de Cristo exactamente para este fim. "Sobre a Penitência" foi definitiva para varrer as teses de Novato do seio da Santa Igreja.

 

 

Conclusão

 

O catecismo da Igreja Católica quanto ao Sacramento da Confissão, é Fé antiga do Cristianismo. A Igreja Católica não modificou o Evangelho (como acusam os homens de má Fé ou ignorantes da memória Cristã), ao contrário ensina o Evangelho de sempre, assim como Cristo comunicou aos apóstolos e estes nos deixaram através da Sagrada Tradição. Vimos que a própria Bíblia dá testemunho de que Cristo deu aos Seus apóstolos o poder de perdoar pecados (cf. Jo, 20,22-23).

A tese que nega que a Igreja tenha o poder de perdoar os pecados sempre foi tida como heresia nos primeiros séculos. Como pode ser agora aceite como Fé legítima?

A verdade é verdade sempre: ontem e hoje. A falta de memória Cristã é arrastada e tem arrastados muitos a professarem o erro, achando que estão agradando a Deus.

Ficamos aqui com a reflexão de Santo Ambósio de Milão sobre aqueles que, como os novacianos, negam que a Igreja tenha o poder de perdoar pecados:

Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular os seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz no Seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos' (Jo 20,22-23). Quem é que O honra mais: aquele que obedece os Seus mandamentos ou aquele que resiste a eles? (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados? (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC)

É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de facto, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não têm a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados. (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC)

 

Autor: Alessandro Lima *.
* O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.
 

 

Fonte: Veritatis Splendor


01
Mai 12
Por FireHead, às 23:30 | Comentar
O mês de Maria

"Eis que finalmente voltou o mês da linda Mãezinha!" Assim escreveu uma vez o padre Pio de Pietrelcina no começo do mês de Maio. É assim mesmo! Há séculos que o mês de Maio é o mês de Maria por excelência, o mês da linda Mãezinha. É o mês mais lindo do ano pelo amor primaveril que o reveste; por isso é consagrado àquela que a Igreja canta e louva como a "Toda Bela". É o mês que desabrocha perfumadas rosas no calor da ridente natureza; por isso é consagrado Àquela que a Igreja exalta como "Rosa Mística".

"Mês de Maio - assim dizia o Papa Paulo VI - nós nos recordamos da alegria infantil com a qual, indo à escola, levávamos flores para o altar de Nossa Senhora; velas, cantos, orações e promessas, davam alegre expressão à nossa devoção à Maria Santíssima, que então nos aparecia como Rainha da Primavera, Primavera da natureza e Primavera das almas".
 
 
O mês das graças

Maio também é chamado o mês das graças e das glórias de Maria, porque nesse mês se recebem abundantes graças celebrando as glórias da Mãe e Rainha universal. Sobretudo pelos frutos espirituais que produz, o mês de Maio canta as mais altas glórias de Maria medianeira de todas as graças.
São graças de todos os tipos que ela doa amorosamente a quem celebra esse mês. Graças de progresso espiritual, de renovação de vida, de conversão; graças temporais para a saúde, para o trabalho, para os estudos, para o crescimento, para a família. Quantas graças nesse mês abençoado!

São Maximiliano Maria Kolbe, para ajudar o irmão em perigosas angústias espirituais e materiais, não achou remédio mais eficaz do que recomendar-lhe fazer o mês de Maio; e lhe mandou livrinhos úteis para seguir o mês mariano dia após dia.
 
 
Um mês de Maio por engano

Um jovem hebreu, Hermano Cohen, encontrando-se em Paris para estudar música, tinha-se dado ao jogo e à dissipação. Necessitando de dinheiro para satisfazer as suas brutas paixões, achou um emprego de tocador de órgão na Igreja de Santa Valéria, por todo o mês de Maio. Nas primeiras vezes, ele tocava com total indiferença, como simples trabalhador. Mas, sem querer, estando ali, tinha de escutar os sermões que se faziam sobre Nossa Senhora. Dia a dia escutando, o seu espírito começou a perturbar-se e o seu coração a comover-se. No fim do mês de Maio, pensou seriamente em se preparar para o baptismo e se tornar Católico. E não muito tempo depois se fez baptizar naquela mesma Igreja. Junto recebeu o dom da vocação religiosa; transformou-se num religioso carmelitano e morreu em conceito de santidade. Quantas graças não recebeu ele por aquele mês de Maio feito por acaso!
 
 
Pela Igreja inteira

Fazer o mês de Maio é, então, acumular graças, é resolver problemas ou situações dolorosas, é obter o patrocínio da Mãe de Deus. Por isso a Igreja, os Pontífices, os santos, recomendam tanto de celebrar, com devoção, os meses marianos. O Papa Paulo VI, em 1965, publicou uma Encíclica sobre o mês de Maio para reafirmar expressamente que a Igreja o considera o mês mais fecundo de oração e de graças celestes para todas as necessidades para a Humanidade e para a Igreja: "Porque o mês de Maio traz essa poderosa chamada a uma intensa e confiante oração e porque nele os nossos pedidos acham mais fácil acesso ao coração misericordioso da Virgem; foi feito uso pelos nossos predecessores escolher esse mês consagrado a Maria para convidar o povo Cristão para orações públicas, cada vez que a Igreja o necessitasse ou que qualquer perigo ameaçasse o mundo!"
 
 
Façamo-lo bem

Não percamos essa grande ocasião de Graça! E procuremos fazer com que ninguém perca. Convidemos os nossos amigos e nos esforcemos a fazer nossos caros participar às funções do mês mariano. Maria não despedirá ninguém de mãos vazias. Lembremo-nos que ela mesmo, aparecendo com as mãos que projectavam raios luminosos, disse a Santa Catarina Labouré: "Estes raios são o símbolo das graças que eu estendo sobre as pessoas que mo pedem". E Santa Catarina, com o exemplo de São Felipe Néri, São Camilo, Santo Afonso Maria de Ligório e de tantos outros santos, queria que sobretudo o mês de Maio se intensificasse a oração mariana, o humilde recurso àquela que se assenta no "trono das graças, para obter misericórdia e achar graças na necessidade" (cf. Hb 4, 16). Aos pés de Maria achamos a fonte de todas as graças e da santidade.
 
 
Votos:

Empenhar-se para levar alguém à Igreja durante o mês mariano;
Recitar o Rosário para que muitos dediquem o mês de Maio a Maria;
Rezar a São José, para que nos ensine neste mês de Maio a amar Nossa Senhora.
 
 
*Meditações do livro "Um mês com Maria", do padre Stefano Maria Manelli.

30
Abr 12
Por FireHead, às 23:10 | Comentar

 

A intenção do texto não é esgotar a teologia em torno do Rosário, mas apenas demonstrar superficialmente que não existe oposição entre esta devoção e a Palavra de Deus, como julgam alguns hereges.

 

Vários protestantes têm uma grande pulga atrás da orelha com o Rosário. "Como é antibíblico!", dizem eles. Pois bem, é hora de analisar o Rosário e ver o que a Bíblia tem a dizer sobre este assunto.

 

O Rosário é uma colecção de orações individuais:

 

1 - O Credo
2 - O Pai Nosso
3 - A Avé Maria
4 - Glória
5 - Salve Rainha

 

 

1. O Credo Apostólico

 

"Creio em Deus, Pai todo poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pela Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há-de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém."

 

Este é um dos credos mais antigos que se conhece. Foi inicialmente usando pelos Cristãos de Roma. Não há nada de antibíblico nele. A única coisa que alguém poderia objectar seria a expressão "creio... na Santa Igreja Católica". Bem, a primeira pessoa a utilizar a expressão "Católica" (palavra grega para "geral, universal") foi Santo Inácio de Antioquia na sua carta aos Esmirnenses. Ele morreu em 107 A.D., o que nos faz tirar a lógica conclusão que tal designação para a igreja já era utilizada desde antes. Ele utilizou este termo para diferenciar a Igreja fundada por Cristo e pelos apóstolos das outras igrejas e filosofias heréticas que estavam aparecendo.

 

 

2. O Pai Nosso

 

Bem, nada de antibíblico aqui. Sem mais comentários.

 

 

3. A Ave Maria

 

"Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém".

 

Isto coloca um bom problema aos protestantes. Porquê? Veja o que a Bíblia diz sobre isso (versão KJV):

 

"E o anjo veio sobre ela, e disse, Ave, tu que és grandemente favorecida, o Senhor está contigo. Bem-aventurada és tu entre as mulheres". (Lc 1,28)

 

São Jerónimo, um dos primeiros Pais da Igreja, traduziu a Bíblia grega para o latim, e a melhor forma de traduzir para o latim a forma "grandemente favorecida" foi "Gratia Plena", que significa "cheia de graça". Isto denota muito bem o estado de Maria, "cheia de graça", sem pecado. Desta forma, a primeira parte da Ave Maria não deixa problema algum. E quanto à segunda parte?

 

Santa Maria? É esperado que, sendo Maria a mãe do "Santo dos Santos", ela seja também uma pessoa santa. Isto não pode ser problema para os protestantes, que acreditam que todos os Cristãos são santos, de uma forma ou de outra, no mínimo.

 

Mãe de Deus? Maria é a mãe de Jesus, certo? Jesus era uma pessoa divina com uma natureza divina e humana. Maria "assim como fazem todas as mães" deu a luz à pessoa, não à natureza. E a qual pessoa ela deu à luz? Uma pessoa divina. Logo, Maria é a mãe de Deus.

 

Rogai por nós, pecadores? Pedimos que Maria ore por nós. Mas ela não está morta? Não de acordo com a Bíblia (Mc 12,26-27; Mt 27,52-53).

 

Nós devemos orar pelos outros, diz Tiago (Tg 5,16). Ora, mas Jesus não é o único mediador? Sim, assim como Ele é o único rei, o único Senhor, o único sacerdote, etc... E enquanto partilharmos deste Seu sacerdócio e reinado, também partilhamos desta única mediação.

 

Agora e na hora de nossa morte? Oh oh!, como Maria sabe quando morreremos? Bem, ela possui a visão beatífica (1 Cor 13:12; 2 Pd 1:4), e além do mais, não existe época no Paraíso, somente eternidade e, portanto, nem Maria ou os anjos estão sob o limite do tempo e por isso podem ouvir todas as nossas orações.

 

 

4. Glória

 

"Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre. Amém".

 

Pequena e linda oração. Que ninguém reclame dela.

 

 

5. Salve Regina (Salve Rainha)

 

"Salve Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas. Ei-a pois, advogada nossa, esses vossos olhos misteriosos a nós volvei. E depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria! Rogai por nós, santa mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém".

 

É bem complicado, vamos com calma.

 

Rainha? Considere que Jesus, Rei dos Reis, nunca foi casado. Se um rei não possui esposa, quem, portanto, é a rainha? A sua mãe! E isto se aplica aqui.

 

Vida, doçura e esperança? Isto diz respeito à mediação de Maria, assunto que não abordaremos neste texto pela sua natureza mais profunda. Chamamos Maria desta forma porque ela é a causa, estritamente na forma subordinada "claro", da nossa salvação, vida, doçura e esperança (que é Jesus).

 

Vossos olhos misericordiosos? Maria, como imaculada, tem misericórdia dos seus filhos. Lembrando que todos somos os seus filhos. Ela é a nossa mãe, porque somos parte do corpo de Jesus, nascido de Maria.

 

Clemente, piedosa, doce? Quem nega que a mãe de Jesus é clemente? Ou piedosa? Ou doce? A minha mãe (carnal) é! Quanto mais com um filho como Jesus, o filho de Deus!

 

Como vimos, são várias orações. Claro, existem entre nós questões sobre o Rosário, como apontam alguns quando dizem que Jesus nos recomendou não rezar em "vãs repetições" como fazem os gentios (Mt 6,7). Mas note que Jesus não condena as repetições, somente as que são "vãs". Se nós condenamos Católicos bêbedos, não estamos condenando todos os Católicos que bebem e nem significa que todos os Católicos "são" bêbedos. Isto somente significa que aqueles Católicos que "estavam" bêbedos são condenados. Aqui é a mesma coisa. Jesus disse para não rezarmos as repetições "que são vãs", ou sejam, de nada adiantariam. E porque o Rosário não é incluído nestas "vãs repetições"? Porque nele nós meditamos os mistérios da vida, morte e ressurreição de Cristo, e isto nunca será "vão". A Ave Maria somente é a base para todos estes mistérios. Nunca se acreditou que se consegue alguma coisa com uma certa quantidade de orações. O Rosário bem recitado é aquele bem meditado, com concentração. Onde as palavras não são somente balbuciadas, mas rezadas com Fé.

 

Então, da próxima vez que alguém se dizer um Cristão, pergunte como honra a Maria. Se disser "não, obrigado, não sou idólatra, somente honro a Jesus", pergunte então porque a Bíblia nos pede para honrarmos os santos (1 Pd 1,6-7), e porque Maria é tão "grandemente favorecida".

 

"Doravante, todas as gerações me proclamarão bem-aventurada" (Lc 1,48).

 

 

*Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro Rosa.


29
Abr 12
Por FireHead, às 00:04 | Comentar

Por Orlando Fedeli

Associação Cultural Montfort

 

 

Com a queda do marxismo, o que já se manifestava aqui e acolá se irradiou por todo o nosso céptico século XX: houve uma grande explosão de misticismo. Só se fala em horóscopos, tarot, hinduísmo, homeopatia, alquimia, ocultismo, esoterismo e todos os tipos de superstição se alastram. E até os ateus marxistas passaram a exibir nos seus carros o dístico “Eu creio em duendes”.

 

O fenómeno foi tão invasivo que a famosa revista internacional 30 Giorni começou a publicar repetidos artigos sobre o misticismo herético e sobre a Gnose. E o que era assunto de eruditos passou a ser tema amplamente divulgado e universalmente admitido (1).

 

Assim, torna-se hoje bem claro que razão cabia bem a Simone de Pètrement que, ao analisar a literatura a partir do Romantismo, isto é, a partir da Revolução Francesa, concluiu: “a julgar pela nossa literatura, nós entrámos numa idade gnóstica” (2).

 

Erich Voegelin, examinando os sistemas totalitários do nosso tempo – nazismo, fascismo, e comunismo – chega à conclusão de que eram sistemas gnósticos e os partidos que adoptaram esses sistemas eram, na verdade, “ersatzs” da religião. Ele não hesita em colocar também a psicanálise e o progressismo no mesmo balaio da Gnose:

 

“Dizendo movimentos gnósticos entendemos referir-nos a movimentos como o progressismo, o positivismo, o marxismo, a psicanálise, o comunismo, o fascismo e o nacional-socialismo (nazismo)” (3).

 

Não falta mesmo quem veja na própria ciência moderna reflexos da Gnose antiga. Por exemplo, Jacques Lacarrière chama Einstein, Planck e Heisemberg “ces gnostiques de notre temps” (4).

 

Sem significar que endossemos as conclusões da obra, é interessante, entretanto, lembrar o best-seller de Fritjoff Capra – “O Tao da Física”-, que pretende ligar toda a física moderna ao gnosticismo.

 

Poderíamos citar muitos outros autores. Para os limites de um artigo bastam-nos entretanto os factos, esses eruditos e as revistas de divulgação cultural.

 

Quando se estuda a Gnose entra-se num labirinto cheio de brumas, tentando descobrir segredos que permitirão chegar a um mistério. Não é de estranhar que o tema se preste a confusões.

 

É pois necessário estabelecer distinções. E uma primeira é entre panteísmo e Gnose. O próprio Dictionnaire de Théologie Catholique de A. Vacant e E. Mangenot (5) cita, de cambulhada, doutrinas panteístas e gnósticas, sem distingui-las. No seu elenco estão desde as religiões hinduístas, do Egipto, China e Caldeia, passando por Heráclito e Parménides juntos, pelo sufita Ibn Arabi, Campanela até Diderot, Kant, Novalis e os românticos.

 

Ora, o panteísmo é a doutrina que considera que tudo – inclusive a matéria – é Deus. A Gnose, pelo contrário, em quase todos os seus sistemas condena a matéria como obra maligna.

 

Simplificando um tanto o problema, cujos meandros não podem ser examinados nos limites deste artigo, pode-se dizer que o panteísmo representa uma corrente plutôt optimista, enquanto que a Gnose é pessimista (6).

 

O panteísmo é naturalista, monista e tende ao racionalismo.

 

A Gnose é dualista, anti-cósmica e anti-racionalista. Mas essa é uma distinção que deveria em alguns casos ser matizada porque alguns sistemas gnósticos são ambivalentes, com relação ao mundo material, que é dialecticamente amado e odiado ao mesmo tempo (7). Por outro lado, há sistemas panteístas que admitem a transformação da matéria em espírito, ao fim da evolução (8).

 

Por exemplo, nota-se no sistema panteísta de Plotino uma clara tendência para a Gnose, embora esse autor neoplatónico tenha até escrito uma obra contra os gnósticos do seu tempo.

 

Conviria ainda dizer que o panteísmo é uma anti-câmara para a Gnose, sistema reservado para espíritos mais tendentes ao misticismo orgulhoso do que ao sensualismo.

 

Para conceituar a Gnose, poderíamos dizer que ela pretende ser “o conhecimento do incognoscível”.

 

Evidentemente, essa conceituação revela uma contradição que é típica da Gnose. Conhecer o incognoscível é uma contradição conceitual e lógica. Mas ocorre que a Gnose repele a inteligência e a lógica como enganadoras. O verdadeiro conhecimento seria intuitivo, imediato e não discursivo e lógico.

 

Conhecer o incognoscível, de facto, significa dar ao homem o conhecimento de Deus e do mal, coisas impossíveis de compreender. De facto não podemos compreender ou conhecer a própria essência de Deus que é ser infinito e transcendente, impossível de ser captado pelo nosso intelecto. Também não podemos entender o mal e o pecado: o mal enquanto ser não existe, e o mal moral não tem razão que o justifique.

 

Assim, a Gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender – e portanto superar – a Deus, de compreender o mal, e, ademais, de conhecer a sua natureza mais íntima, que seria divina.

 

A Gnose é então a religião que oferece ao homem o conhecimento do bem e do mal.

 

Ora, sabe-se que a árvore do fruto proibido do Éden era exactamente a árvore do conhecimento ou ciência do bem e do mal (Gen. II,10). Assim, teria sido a Gnose a tentação de Adão. Com efeito, a serpente prometeu aos nossos primeiros pais que, se comessem o fruto proibido, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gen., III,5). A tentação de Adão e Eva foi a de se tornarem deuses. Essa é a grande tentação do homem, que, levado pelo orgulho, como Lúcifer, não admite a sua finitude, não aceita a sua contingência.

 

Essa tentação é, de facto, uma revolta anti-metafísica. Ora, é esse um outro modo de conceituar a Gnose: uma revolta anti-metafísica.

 

Se admitirmos essa interpretação da tentação adâmica, teremos que concluir a existência de uma continuidade da Gnose na História. E é o que constatam os estudiosos: a Gnose apresenta-se realmente como uma religião ora oculta, ora pública, mantendo porém unidade e continuidade no transcorrer da História.

 

Ladislao Mittner, estudou o pietismo protestante, seita mística e gnóstica oriunda dos tratados de Jacob Boehme e fundada por Spenner liga, seita essa que é uma única grande corrente gnóstica existente na História.

 

Para representar a unidade do fenómeno religioso gnóstico, Mittner usa a imagem muito própria e muito cogente do rio cársico.

 

No Carso, região calcárea da ex-Jugoslávia, há rios que de repente desaparecem no solo extremamente permeável de calcário e passam a correr subterraneamente, voltando a aparecer na superfície muitos quilómetros depois. O rio cársico é aquele que aparece e desaparece, tornando-se ora visível ora oculto no seu percurso.

 

Mittner diz que “é quase impossível distinguir o pietismo das muitas outras seitas religiosas da época. Filões singulares do movimento apresentam fenómenos cársicos: aparecem, desaparecem, e, de repente, reaparecem mais além, sem que a identidade do filão possa ser propriamente demostrada” (9).

 

Assim é a Gnose: na história, ela é um fenómeno religioso do tipo cársico.

 

Essa unidade histórica da Gnose através dos tempos e civilizações é constatada por muitos autores. Dennis de Rougemont, por exemplo, escreve:

 

“Mais perto de nós que Platão e os druidas, uma espécie de unidade mística do mundo indo-europeu se desenha como em filigrama no plano de fundo das heresias da Idade Média. Se nós abraçamos o domínio geográfico e histórico que vai da Índia à Grã-Bretanha, constatamos que uma religião aí se espalhou, para falar a verdade, de um modo subterrâneo, desde o século III da nossa era, sincretizando o conjunto dos mitos do Dia e da Noite tal como eles tinham sido elaborados inicialmente na Pérsia, depois nos segredos gnósticos e órficos e é a fé maniqueia” (10).

 

Por sua vez, H. I. Marrou atesta:

 

“(…) de facto, a Gnose e o seu dualismo pessimista exprimem umas das tendências mais profundas do espírito humano, uma das duas ou três opções fundamentais entre as quais o homem deve finalmente escolher. Claude Tresmontant mostrou bem a permanência da tentação gnóstica, sem cessar reaparecida, sob formas diversas no pensamento ocidental no curso da sua história nos Bogomilas e Cátaros da Idade Média, em Spinoza, Leibnitz, Fichte, Schelling, Hegel. Poder-se-ia continuar esta história além do romantismo alemão e até os nossos dias: o destino de Simone Weil é particularmente muito significativo; foi bem o seu neo-gnosticismo que a deteve finalmente na soleira da Igreja e a sua herança se reencontrava na obra histórica da sua amiga e discípula Simone de Pétrement” (11).

 

O tema, além de misterioso e fascinante, é muito actual. Voltaremos a ele, a fim de informar os nossos amigos leitores sobre as brumas que envolveram a nossa época após o Vaticano II e o fim do Marxismo.

 

 


Notas:

(1) cfr. 30 Giorni Ano VII, fev. 1992, pag.54, artigo “Lutero? Delírio Maniqueísta”; ano V no.2, fev. 1990, pag.3. Nessa revista é citado o Cardeal de Lubac, para quem a corrente espiritualista, mística e gnóstica da maçonaria prevalece na cultura atual.
 (2)Simone de Pètrement, “Le dualisme chez Platon, les gnostiques et les manichéens”, PUF, Paris, 1947, pg.347
 (3) Erich Voegelin, ” II mito del Mondo Nuovo”, Rasconi Mildo, 1976, pág.16
 (4) Jacques Lacarrière, “Les Gnostiques”, Gallimard, Paris, 1973, pág.78
 (5) Paris, Lib. Letourzey et Assé, 1932, verbete Pantheisme
 (6) cfr. R.P. Festugère, La Revèlation d’Hermes Trimegiste, Lib. Lecoffre J. Gabalda, Paris, 1954, 4 vols., especialmente o vol. III Les doctrines de l’âme págs. 73/83
 (7) cfr. Robert M. Grant, La gnose et les origines chretiènnes, Seuil, Paris, 1964, p.17
 (8) cfr. H.C. Puech, Position spirituelle et signification de Plotin, in En quête de la gnose, 2vol., Gallimard, Paris, p. 74/75
 (9) L. Mittner, Storia della Letteratura Tedesca – Dall Pietismo al Romanticismo, Einandi, Milão, 1964, p.40
 (10) Dennis de Rougemont, L’amour et I’Occident, Plon, Paris, 1939, p. 47
 (11) H. I. Marrou, prefácio da edição francesa da obra de R.M. Grant, La gnose et les origines chretiènnes, Seuil, Paris, 1964, p.8.


27
Abr 12
Por FireHead, às 18:34 | Comentar

Por Ronaldo Mota

Associação Cultural Montfort

 

 

Tomados de feroz anticlericalismo, os enciclopedistas franceses, com Voltaire à frente, converteram a Inquisição na sua principal arma de combate contra a Igreja. Tratava-se, diziam, de instrumento de opressão contra as liberdades individuais, manejado por um clero fanático e corrupto, desejoso de manter o povo na ignorância... As mesmas ideias, as mesmas palavras, idênticos chavões continuaram sendo utilizados, como um cantochão, com infatigável insistência pelas correntes liberais do século XIX e chegaram até os nossos dias. (João B. G. Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo, ed. Saraiva, 1993, p. 101).

 

Vê-se continuamente em nossos dias repetir-se a velha lenda da Inquisição. Tal lenda é bem conhecida. Nela apresenta-se um tribunal tenebroso que tortura as suas pobres vítimas. Por trás dele encontrar-se-ia uma Igreja opressora das consciências e inimiga da ciência, representada por monges ignorantes, corruptos e sádicos. Como sempre um tribunal pernicioso, impiedoso etc...

 

Entretanto, a Inquisição é antes de tudo um facto histórico e deve ser tratado como tal. Sendo assim, para não confundirmos a história com a lenda, indicaremos em linhas gerais o que ficou conhecido como a lenda negra da Inquisição, para logo em seguida tratarmos da História.

 

Podemos encontrar essa literatura tendenciosa já no século XVI, momento de ascensão do protestantismo, e constatarmos o seu crescimento com o iluminismo no século XVIII. Contudo, é no século XIX que nos deparamos com os autores que mais contribuíram para a estruturação e perpetuação da lenda negra: Juan Antonio Llorente e Henry Charles Lea.

 

Juan Antonio Llorente[1] (1756-1823) foi mais um daqueles sacerdotes que trocaram a Fé pelos ideais do mundo moderno. Tornando-se liberal, combateu a Igreja Católica calorosamente. Negava o voto perpétuo das comunidades religiosas, defendia o casamento de padres e bispos, defendia ainda – como um bom nacionalista oitocentista – que a Igreja deveria ser dirigida pelo Governo Supremo Nacional, não sendo o clero mais que uma categoria de funcionários públicos sem nenhuma relação como o Papa. Embora fosse espanhol e nacionalista, colaborou com as tropas napoleónicas invasoras e, após a sua derrota, retirou-se com elas, estabelecendo-se em Paris a partir de 1814. Apesar das suas ideias liberais terem galgado, em 1789, o posto de Secretário Geral da Inquisição.

 

Al abandonarlo, recogió todos los procesos de valor inapreciables de la Inquisición y procedió a quemar aquellos que podían ser favorables a dicha Institución y a apartar aquellos otros que le servirían después para utilizarlos en su Histoire critique de l’Inquisition.” (William T. Walsh. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963, pp. 306-307).

 

Como se vê, Llorente visava antes à luta política que à veracidade histórica. Sabemos ainda que foi nos documentos fornecidos por ele que a Comissão das Cortes de Espanha, em 1812, se baseou para negar a legalidade da fundação da Inquisição.

 

O fanatismo do padre Llorente na luta contra a Igreja Católica era tanto que, já sexagenário, escreveu uma obra intitulada Retrato político de los Papas, no qual, além de enumerar uma porção de calúnias, dava crédito à lenda da papisa Joana. Vê-se, pois, como surgem as lendas...

 

Essas e outras exibições de Llorente foram demais para o governo francês, que o convidou oficialmente a retirar-se do país.

 

Por isso, Fernando Ayllón tem razão ao afirmar, comentando o êxito da obra de Llorente: Su éxito publicitario se debió a que sus escritos fueran usados como arma predilecta de los enemigos de España y de la Iglesia Católica por la supuesta seriedad y objetividad del autor, características ambas de las cuales en realidad carecía. Indubitablemente Llorente es el escritor que más ha alimentado la leyenda negra contra el Santo Oficio y su propio país.” (Fernando Ayllón, El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997, p. 18).

 

Outro autor influente foi o protestante norte-americano Henry Charles Lea, que dedicou grande parte da sua vida à publicação de escritos contra a Igreja Católica[2]. Dentre os seus escritos sobre o tema Inquisição, os principais são História da Inquisição Medieval e História da Inquisição Espanhola. Lea também se baseou em Llorente, porém, fez um grande trabalho de pesquisa histórica, chegando a apresentar documentos inéditos. Contudo, os seus preconceitos e as suas convicções protestantes levaram-no a uma manipulação parcial e negligente da documentação adquirida.

 

Les ouvrages de H.-Ch. Lea, traduits par Salomon Reinach, ont été écrits  dans un esprit voltairien, et l’auteur n’a cessé, au long de ses livres, de s’indigner et de déplorer. (Georges Deromieu. L’Inquisition. Paris, Presses Universitaires De France, 1946, Préface).

 

Ilarino da Milano, na sua erudita obra Eresie Medioevali, comenta que a documentação apresentada por Lea dava a sua obra uma aparência de ciência histórica. Porém: in realtà il bibliofilo americano fu più controversista che storico; si mantenne protestante avverso alla Chiesa romana nella interpretazione partigiana dei fatti e nel tono generale, nonostante la sua sincera professione di lealtà; (Ilarino da Milano. Eresie Medioevali; Scritti Minori. Itália, Maggioli Editore – Rimini, 1983, p. 444).

 

É interessante notar que um escritor protestante, Häbler, é quem nos dá uma clara visão do método de Lea: La agrupación de la materia va toda encaminada a echar en cara a la Inquisición un registro de crímines lo más voluminoso posible. Puesto que no podían mantenerse en la forma en que se ha hecho hasta el presente todos los reproches de crueldad, ansia de persecución y opresión de la inteligencia han sido reforzados por medio de una inmensa mole de las particularidades más triviales, etc. Todo con el objeto de que la imagine de la Inquisición resultará lo más repugnante posible. (F. Ayllón. op. cit. p. 25).

 

Conhecendo essa tradição historiográfica anticatólica, conhecemos também a origem da dita leyenda negra. De modo que – precavidos contra os seus prejuízos históricos – poderemos tratar aqui de alguns factos esquecidos, ou melhor, propositalmente negligenciados por ela.

 

Historicamente, a Inquisição não pode ser considerada como a criação de um Papa, ou de uma mente maquiavélica de pretensões despóticas. A história é muito mais complexa do que a lenda pode imaginar. A Inquisição foi, antes de tudo, fruto da reacção de uma sociedade contra movimentos degeneradores da ordem, da moral e da cultura então reinantes. A forte reacção contra as heresias, que levará ao processo de formação do Tribunal Eclesiástico, ao contrário do que alguns pensam, parte antes do povo e do Estado que da Igreja:

 

O impulso para a radicalização da atitude social contra os heréticos partiu de baixo para cima, ou seja, do fanatismo popular que tomava corpo à medida que se cristianizava a sociedade bárbaro-europeia. Mesmo no ano de 1045, quando foram descobertos alguns heréticos em Châlons, as autoridades eclesiásticas recorreram aos legisladores, pois ainda não sabiam o que fazer com eles. (Nachman Falbel. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977, p. 15)

 

Notemos que esse autor, que julga de forma preconceituosa o povo Católico medieval, afirma que não foi a Igreja quem iniciou o movimento de radicalização contra os hereges, mas o povo.

 

João Bernardino Gonzaga, ao analisar o contexto social no qual surgiu a Inquisição, afirmou: No caso da Inquisição, quem a exigiu e impôs, antes da Igreja, foram os governantes e o povo, que viam, nos hereges, rebeldes perigosos e perturbadores. A História mostra que, muitas vezes, os populares se antecipavam às autoridades e se encarregavam de puni-los, levando-os à fogueira. (João B. G. Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo, ed. Saraiva, 1993, p. 114).

 

Disto decorre que a Inquisição não é – como querem os inimigos da Igreja Católica – uma mera invenção da Igreja, que eles erroneamente julgam tirana, mas um fruto da reacção da sociedade contra as heresias. A Igreja foi obrigada, pelo seu dever de julgar questões teológicas, a criar um tribunal que impedisse excessos do povo e abusos do Estado.

 

É exactamente por isso que trataremos – dentro dos limites de nosso pequeno artigo – de duas das principais heresias que invadiram a sociedade medieval nos séculos XII e XIII, sem o conhecimento das quais não é possível avaliar a reacção dessa sociedade nem compreender o que foi a Inquisição.

 

 

As Heresias

 

Os Valdenses

 

No século XII várias heresias alarmaram a sociedade Cristã. Dentre elas, as mais notáveis, devido à penetração que tiveram na sociedade, foram: o catarismo (cujos sectários são também conhecidos como albigenses, devido ao grande centro cátaro da cidade de Albi) e a heresia valdense.

 

Os valdenses, ou pobres de Lyon, denominação conferida pelo seu fundador Pierre de Vaux (Pedro Valdo), surgiram organizados numa fraternidade entre os anos de 1173 e 1178. A princípio, como nota Ilarino[3], eles permaneceram fiéis à Igreja Católica e procuraram distinguir nas suas pregações, ao contrário dos cátaros, o magistério sagrado da má conduta de alguns dos seus membros. Em 1179, no Terceiro Concílio de Latrão, o Papa Alexandre III (1159-1181) decide que eles poderiam pregar com autorização eclesiástica prévia. Entretanto, os valdenses passaram da crítica aos vícios de alguns clérigos para uma negação da autoridade eclesiástica. Essa atitude levou à sua condenação pelo Papa Lúcio III no Sínodo de Verona em 1184[4]. A partir desse momento, os valdenses assumem o seu estado de rebelião contra a Igreja, constituindo dessa forma uma nova igreja com uma estrutura própria:

 

Cumpriam o tríplice voto da pobreza, da castidade e da obediência aos superiores, isto é, ao próprio Valdo, como a um encarregado de Deus, praepositus et pontifex, e aos bispos presbíteros e diáconos por ele ordenados. As Sagradas Escrituras, que traduziram para as línguas vulgares e que recomendavam calorosamente para leitura, tinham o valor de norma doutrinal absoluta e de código jurídico. (N. Falbel. op. cit. p. 62).

 

Os valdenses da Lombardia, relativamente aos do Languedoc, assumiram uma oposição mais agressiva. Segundo eles, os juramentos eram proibidos pelos Evangelhos e a pena capital não era permitida ao poder civil. Todo o leigo tinha o poder de consagrar o sacramento do altar; não aceitavam as orações pelos mortos; o Purgatório não existia e a Igreja Romana não era a Igreja de Cristo. Evidentemente, essas doutrinas demonstram a forte influência cátara sobre os valdenses, ao mesmo tempo em que tornam claro o grande problema que eles representavam para a ordem social.

 

 

O Catarismo

 

Problema ainda maior, quer pelas proporções que tomou, quer pelas doutrinas estapafúrdias e fantásticas que propagou, foi o catarismo.

 

Ils rejettent l’Église romaine qu’ils appelent, nous dira plus tard Bernard Gui, «Mère des fornications, grande Babylone prostituée, basilique du diable et synagogue de Satan». Ils nient l’incarnation et même l’existence réelle de la Vierge Marie, dont ils font un symbole. (G. Deromieu. op. cit. p. 2)

 

Este ódio à Igreja e à sua Fé, que nos relata Deromieu ao citar Bernard Gui e E. AEgerter, na realidade ultrapassa – no caso dos cátaros – o ódio à Igreja Católica. Representa em última análise um ódio ao mundo e, como tal, combaterá não só a Igreja, mas também toda a ordem existente. Será, portanto, contra essa heresia e outras, defensoras de doutrinas igualmente perniciosas, que a sociedade medieval reagirá.

 

O catarismo dos países ocidentais provém do bogomilismo búlgaro-constantinopolitano dos séculos XI e XII, que é na verdade um maniqueísmo sob nova denominação.[5] Essa ligação entre catarismo e bogomilismo é tão real e constante que, em 1167, os cátaros organizaram um concílio em St. Félix de Caraman (Toulouse) no qual compareceu o bispo bogomilo Niketas, vindo de Constantinopla, para unificar o dualismo das seitas dos países ocidentais, levando-as do dualismo moderado ao dualismo absoluto da igreja de Dragowitsa (Tracia).[6] Entretanto, tanto o dualismo moderado quanto o absoluto partem de um mesmo princípio.

 

Esso prende le mosse dalla constatazione del male, del peccato, delle difettosità esistenti negli individui, nella società, nel creato (cfr. Testi: I, 1). L’uomo ne sente il peso e ne cerca la liberazione. (I. Milano. op. cit. p. 19 – o negrito é nosso).

 

Para os cátaros o mundo, ou seja, toda a realidade criada era essencialmente má. Segundo eles, o mundo fora criado pelo deus-mal. Esse mesmo deus-mal, que eles chamavam de Satanás, haveria encarcerado os anjos do deus-bem na matéria e os induzido ao pecado da carne por meio do qual ele continuaria a encarcerá-los.

 

Há, portanto, uma contradição total entre a visão de mundo cátaro e a doutrina da Igreja Católica.

 

O encargo de Cristo foi uma simples missão num mundo satânico, sendo negadas a encarnação, a paixão e a ressurreição. O homem não foi criado à imagem de Deus, mas pelo demónio. Daí o ódio dos cátaros pelo sinal da cruz que se relacionam aos sofrimentos de Cristo e o ligam à matéria impura. (N. Falbel. op. cit. p. 54).

 

A salvação para o catarismo era a libertação da alma de seu invólucro satânico, isto é, o corpo material impuro. Devido a essa concepção, os cátaros viam com bons olhos o suicídio.

 

Além do suicídio por envenenamento ou salto num precipício, ou ainda a pneumonia voluntariamente contraída, era comum procurar-se a morte pela fome ou endura; deixavam de comer até se extinguir. (N. Falbel. op. cit. p. 58).

 

Os perfeitos, ou seja, aqueles que receberam o consolamentum, dedicavam-se absolutamente, como indicam os historiadores, ao proselitismo:

 

Eles percorriam as cidades e os campos, pregando com a palavra e como exemplo. A finalidade dos Perfeitos era, por um lado, engrossar as fileiras dos seus adeptos e, por outro, arrebatar seguidores da Igreja de Satanás, a Igreja Católica. Daí arremeterem com violência contra os sacramentos, as igrejas, a cruz e os cemitérios, contra o culto, as relíquias e, enfim, contra o clero.” (N. Falbel. op. cit. p. 59 – o negrito é nosso).

 

Não é difícil perceber quais foram os graves problemas trazidos por essa heresia para a sociedade. Por exemplo, os cátaros abominavam o casamento: O casamento era considerado um estado satânico porque regularizava o crime da carne e tinha como consequência natural a procriação. A concubina era mais aceite do que a mulher casada, facto que levou aos cátaros a acusação de terem hábitos promíscuos. (N. Falbel. op. cit. pp. 55-56 – o negrito é nosso).

 

Deste modo, o casamento era condenado e a destruição da família favorecida, levando assim à aceitação da união livre e à restrição de nascimentos. Foi uma antecipação da liberdade sexual absoluta. (N. Falbel. op. cit. p. 56 – o negrito é nosso).

 

Os problemas não param por aí.

 

Na cerimónia do consolamentum, o sacramento cátaro por antonomásia, o iniciado devia renunciar a prestar juramento[7]. Essa negação de prestar qualquer juramento, como nota N. Falbel,[8] vai directamente contra a base das relações humanas na Cristandade medieval. Fica patente, pois, o enorme perigo que o catarismo representava para a sociedade, visto que o cátaro não podia aceitar o juramento que significaria, em última analise, a sua inserção nessa sociedade e a aceitação de uma organização que ele considera má e satânica.

 

Le sue comunità fomentarono un clima di rivolta all’autorità ecclesiastica, in cui pullularono altri moti ereticali e reazioni politiche. Ma i catari dotrinalmente sono opposti anque all’organizzazione imperiale e nazionale d’un mondo che essi condonnano come cattivo; considerano le autorità statali, anche in ragione dell’esercizio dello « jus gladii », come rappresentanti del maligno; imperatore e re li perseguitarono como reazionari. (I. Milano. op. cit. p. 19 – o negrito é nosso).

 

A revolta cátara contra o mundo, além de se opor absolutamente à Igreja Católica, a qual afirma que o mundo criado por Deus é bom, tinha necessariamente que se voltar contra toda a ordem que imperava nesse mundo, de modo que o Estado tornava-se também um alvo da heresia. Isso levou, como constata Ilarino e qualquer outro historiador sério, ao surgimento de diversos focos de revolta no seio da sociedade medieval. Estes e outros problemas, causados pela heresia, são alguns dos motivos que nos permitem compreender porque o povo e as autoridades laicas anteciparam-se à Igreja, numa enérgica reação contra o perigo que os afrontava.

 

 

A Sociedade frente às heresias

 

D’autres «publicains» sont arrêtés à Vézelay en 1167. L’abbé demande à la foule ce qu’il faut en faire. La foule s’écrie : «Qu’ils soient brûlés, qu’ils soient brûlés». (Henri Maisonneuve. L’Inquisition. Paris, ed. Desclée, 1989, p. 26).

 

Essa atitude do povo contra os hereges não era nada incomum. Veja-se que H. Maisonneuve nos fala de “autres” (outros), pois já havia relatado diversos casos onde o povo e as autoridades laicas reagiam violentamente contra os hereges. Por exemplo, em 1025, um grupo de clérigos de Orléans, defensor de doutrinas heréticas, expõe a sua doutrina diante de uma assembleia de bispos, abades e senhores presidida pelo rei Robert. Os hereges aferram-se às suas doutrinas, recusam submeter-se e são excomungados pelo clero. Contudo, o castigo ordenado pelo rei é a pena da fogueira.[9] Os exemplos são diversos. Em 1144, em Liège, alguns hereges aguardam a sentença do Tribunal. Os juízes, esperando a conversão dos hereges acusados, conseguem a custo livrá-los do furor do povo impaciente, que quer queimá-los.[10] Em 1163, uma dezena de hereges provindos de Flandres estabelece-se às portas de Colónia. Como eles não assistem aos ofícios da Igreja, seus vizinhos assustados os denunciam. As autoridades fazem vir o monge Robert, futuro abade de Schönaugen, para discutir com os hereges. A discussão faz-se na presença do clero e de uma parte importante da população. O monge Robert esforça-se para trazê-los novamente à Igreja, mas eles se recusam. As autoridades eclesiásticas os condenam como heréticos e eles são conduzidos aos magistrados de Colónia, os quais os condenam à fogueira.[11] Por volta de 1140, os discípulos de Pierre de Bruys, uma seita iconoclasta, conseguem algum sucesso na região do Mediterrâneo. Pedro o Venerável, abade de Cluny, chega a escrever um tratado contra eles, chamando-os de “inimigos da cruz de Cristo”. Esses sucessos, entretanto, não duram por muito tempo, pois o povo, cansando das suas profanações, queima-os nesse mesmo ano.[12] No Saxe, em 1052, o Imperador Henrique III enforca muitos hereges.[13] Em 1120, em Soissons, a multidão impaciente com o bispo, que demorava em justiçar alguns hereges, arranca-os das suas mãos para levá-los imediatamente à fogueira.[14]

 

A reacção contra a heresia ocorre de forma generalizada na Cristandade medieval. Mesmo no Languedoc, que foi sem dúvida a região onde o catarismo encontrou maior aceitação, a população fiel, como verifica Georges Deromieu,[15] exigia uma acção vigorosa contra ela.

 

Em Inglaterra, não houve meias medidas: quando um grupo de cátaros lá desembarcou em 1160, foram todos logo presos, marcados a ferro incandescente e expulsos da ilha. Sumariamente afastou-se pois o problema, de tal sorte que, nesse país, inexistiram tribunais de Inquisição durante toda a Idade Média. (J. B. Gonzaga. op. cit. p. 95).

 

Os casos são numerosos, eles revelam ao mesmo tempo uma vigorosa reacção da sociedade e a atitude particular da Igreja diante da erupção de heresias. Um caso emblemático é o do massacre de Colónia em 1145.[16] Nesse ano foram trazidos alguns hereges diante do arcebispo de Colónia e da sua corte clerical e laica. Eles rejeitavam os sacramentos da Eucaristia e da Penitência, rejeitavam a liturgia, a crença no Purgatório e todo o alimento que provinha de um acto de acasalamento. Eles discorriam sobre a sua acção missionária e sobre os seus sucessos entre monges e clérigos. Durante três dias, eles discutiram com os Católicos. Alguns abjuraram de suas ideias e outros se negaram terminantemente a deixá-las. Estando sob o poder das autoridades, as quais ainda não tinham pronunciado a pena, a multidão arrombou a prisão e levou os cátaros para a fogueira.

 

A atitude da Igreja em todos esses casos foi sempre de tentar converter os hereges. Por mais que os lendólogos neguem-se a ver, foi a conversão dos hereges – e não a sua condenação à morte – o verdadeiro objectivo da Igreja. O espírito da Igreja Católica – que a lenda insiste em apresentar como tirana – está expresso nas palavras de São Bernardo de Claraval, referentes ao massacre de Colónia:

 

O povo de Colónia passou da medida. Se aprovamos o seu zelo, não aprovamos, de modo algum, o que fez, pois a Fé é obra da persuasão e não podemos impô-la. (N. Falbel. op. cit. p. 57.)

 

Portanto, tanto o povo quanto o Estado reagiram vigorosamente contra a heresia. De modo que, com o passar do tempo e o agravar do problema, a própria Igreja, fazendo jus ao seu direito e mesmo ao seu dever de julgar em causa religiosa, procurou regulamentar essa reacção, desencadeando assim, o processo que culminou no surgimento do Tribunal do Santo Ofício. Tal processo, que delinearemos em linhas gerais, deixará claro qual era o verdadeiro objetcivo que animava a Igreja, mostrando como sua acção reguladora foi benéfica, inclusive ao criar a Inquisição, que foi – como veremos – de longe, um tribunal bem menos severo que o da Justiça civil comum.

 


 

[1] Cf.  William T. Walsh. Personajes de la Inquisición. Madrid, Espasa-Calpe, S. A., 1963.   

[2] Fernado Ayllón. El Tribunal de la Inquisición; De la leyenda a la historia. Lima, Fondo Editorial Del Congreso Del Perú, 1997, p. 24.      

[3] Ilarino da Milano. Eresie Medioevali; Scritti Minori. Itália, Maggioli Editore – Rimini, 1983, p. 33.

[4] Nachman Falbel. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977, p. 62.

[5] Nachman Falbel. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977, p. 38.

[6] Ilarino da Milano. Eresie Medioevali; Scritti Minori. Itália, Maggioli Editore – Rimini, 1983, p. 20.

[7] Nachman Falbel. Heresias Medievais. São Paulo, Ed. Perspectiva S. A., 1977, p. 57.

[8] N. Falbel. op. cit. p. 56.

[9] Henri Maisonneuve. L’Inquisition. Paris, Ed. Desclée, 1989, p. 22.

[10] H.  Maisonneuve. op. cit. p. 24.

[11] Idem, p. 25.

[12] Idem, p. 27.

[13] João Bernardino G. Gonzaga. A Inquisição em seu mundo. São Paulo, Ed. Saraiva, 1993, p. 93. 

[14] Idem, p. 95.

[15] Georges Deromieu. L’Inquisition. Paris, Presses Universitaires De France, 1946, p. 10.  

[16] H.  Maisonneuve. op. cit. p. 24.


26
Abr 12
Por FireHead, às 02:21 | Comentar

São Paulo recomenda e ordena a manutenção da Tradição Oral. Em 1 Cor 11,2, por exemplo, lemos: Eu vos felicito por vos lembrardes de mim em toda ocasião e conservardes as tradições tais como eu vo-las transmiti (4). São Paulo está claramente recomendando que mantenham a Tradição Oral, e deve ser notado em particular que ele congratula os fiéis por fazê-lo (Eu vos felicito...). Também é explícito no texto o facto de que a integridade desta Tradição Oral apostólica era claramente mantida, da mesma forma como Nosso Senhor havia prometido, sob o auxílio do Espírito Santo (cf. Jo 16,13).

 

Talvez o mais claro apoio bíblico para a Tradição Oral seja 2 Ts 2,15, onde os Cristãos são enfaticamente advertidos: Assim, pois, irmãos, ficai inabaláveis e guardai firmemente as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta. Esta passagem é significante porque: a) mostra uma Tradição Oral apostólica vivente, b) diz que os Cristãos estarão firmemente fundamentados na Fé se aderirem a estas tradições e c) claramente afirma que estas tradições eram tanto escritas como orais. A Bíblia distintamente mostra aqui que as tradições orais - autênticas e apostólicas na sua origem - deveriam ser seguidas como componente válido do Depósito da Fé, então por quais razões ou desculpas os protestantes a rejeitam? Com que autoridade podem rejeitar uma exortação clara do apóstolo Paulo?

 

Além do mais, devemos considerar o texto desta passagem. A palavra grega krateite, traduzida aqui como “guardar”, significa “estar firme”, “forte”, “prevalecer” (5). Esta linguagem é enfática, e demonstra a importância da manutenção destas tradições. Obviamente, devemos diferenciar o que seja Tradição (com T maiúsculo), que é parte da revelação divina, das tradições da Igreja (com t minúsculo) que, mesmo que sejam boas, desenvolveram-se tardiamente e não fazem parte do Depósito da Fé. Um exemplo de algo que seja parte da Tradição seria o baptismo infantil; um exemplo de tradições da Igreja seria o calendário das festas dos santos. Tudo que venha da Sagrada Tradição é de origem divina e são imutáveis, enquanto que as tradições da Igreja são cambiáveis pela Igreja. A Sagrada Tradição serve-nos como regra de Fé por mostrar no quê a Igreja tem consistentemente crido através dos séculos e como ela sempre entendeu uma determinada parte bíblica. Uma das principais formas pela qual a Sagrada Tradição foi transmitida a nós está nas doutrinas dos textos litúrgicos antigos, o serviço divino da Igreja.

 

Todos já notaram que os protestantes acusam os Católicos de promoverem doutrinas novas e anti-bíblicas baseadas na Tradição, por afirmarem que tal Tradição contém doutrinas que são estranhas à Bíblia. Entretanto, esta acusação é profundamente falsa. A Igreja Católica ensina que a Tradição Oral não contém nada que seja contrário à Tradição Escrita. Alguns pensadores Católicos afirmam, inclusive, que não há nada na Tradição Oral que não seja encontrado na Bíblia, mesmo que implicitamente ou em formas seminais. Certamente as duas estão em perfeita harmonia e complementam-se uma à outra. Para algumas doutrinas, a Igreja faz uso da Tradição mais que pelas Escrituras para o seu entendimento, mas mesmo estas doutrinas estão incluídas nas Sagradas Escrituras. Por exemplo, as doutrinas seguintes são preferencialmente baseadas na Sagrada Tradição: baptismo infantil, o cânone das Escrituras, o domingo como Dia do Senhor, a virgindade perpétua de Maria e a assunção de Maria.

 

A Sagrada Tradição complementa a nossa compreensão da Bíblia ao mesmo tempo que não constitui uma fonte extra-bíblica de revelação, com doutrinas novas ou estranhas a ela. Muito pelo contrário: a Sagrada Tradição age como a memória viva da Igreja, relembrando-a constantemente o que criam os Cristãos antigos, como entendiam e interpretavam as passagens bíblicas (6). De certa forma, é a Sagrada Tradição que diz ao leitor da Bíblia: você está lendo um livro muito importante, que contém a revelação de Deus aos homens. Agora deixe-me explicá-lo como ela sempre foi entendida e praticada pelos Cristãos desde o início dos tempos.

 

 

Notas

 

(4) A palavra traduzida como ordenança é também traduzida como ensinamento ou tradição, por exemplo, a NIV traz ensinamento com uma nota dizendo: "ou tradição".

(5) Vine, op. cit., p. 564.

(6) Um exemplo desta forma interpretativa envolve Ap 12. Os Padres da Igreja entenderam a mulher vestida de sol como referência à Assunção da Virgem Maria. Alguém afirmar que esta doutrina não existia até 1950 (o ano em que o Papa Pio XII definiu-o como dogma de Fé) corresponde a uma grande ignorância de história eclesial. Essencialmente, a crença surgiu desde o início, mas não fora formalmente definida até o século XX. Deve-se saber que a Igreja geralmente não costuma definir uma doutrina formalmente a não ser que esta seja questionada por correntes heréticas perigosas. Tais ocasiões requerem uma necessidade oficial de definir parâmetros sobre a doutrina em questão.

 

Fragmentos da obra "Scripture Alone? 21 Reasons to reject Sola Scriptura" de Joel Peters, traduzido e editado em português pelo Apostolado Veritatis Splendor na forma de ebook com o título "Somente a Escritura?". Tradução de Rondinelly Ribeiro Rosa. Pgs 15-17.

 

 

Fonte: Veritatis Splendor


Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Arquivos
Links
Pesquisar blogue
 
subscrever feeds
blogs SAPO